Lido: The Spirit #1 (Editora Panini)

 

The Spirit versão 2000

The Spirit versão 2000

. Volume de Spoilers: Zero.

The Spirit
é, provavelmente, o trabalho mais popular de um dos mestres-supremos dos quadrinhos, Will Eisner. Sob a sua autoria, o detetive cult dos anos dourados dos quadrinhos teve dezenas e dezenas de histórias. A Editora Abril, se não me engano, foi a última a publicar regularmente esse material, em revista própria no início dos anos 90, mas não durou muito.

Atualmente, é fácil encontrar nas livrarias e comic shops muitos álbuns de Will Eisner. Mas especificamente do Spirit, nada.

Esta revista aqui, lançada agora em formato de minissérie (6 edições) pela Panini, não traz esse material clássico do personagem, portanto ainda não preenche essa (gigantesca) lacuna.

Na verdade, é a primeira fase de novas HQs que o personagem vem ganhando pela editora DC Comics, desde o finalzinho de 2006 nos Estados Unidos.

Quem ganhou a enorme “responsa” em criar novas histórias com o quase-intocável Denny Colt foi o genial Darwyn Cooke, um artista que vem crescendo exponencialmente em popularidade e respeito pelos críticos e leitores americanos. Ele é mesmo muito bom. Quem leu “DC: A Nova Fronteira” pode comprovar isso, apesar do seu traço retro não ser exatamente do gosto da maioria dos “leitores de heróis”.

Cooke escreveu e desenhou as 12 primeiras edições deste Spirit dos anos 2000, e é esse material que a Panini traduziu e compilou em 6 edições duplas, a R$ 5,90 cada e no bom papel couche.

– O que dizer desta 1ª edição?

Apesar de não ser “acachapante”, eu gostei bastante. O destaque é a arte, incrivelmente clean, com montagem dos quadros e páginas corretíssimas para o ritmo da história, e graças ao estilo retro, porém ligeiramente moderno do traço do artista, é provavelmente a melhor escolha possível para o retorno de HQs do personagem.

Por outro lado, o argumento, o ambiente, todo aquele estilo criado por Eisner e vinculado ao personagem – essencialmente pulp – ao mesmo tempo que é gostoso de ler não permite grandes novidades ou malabarismos no roteiro. Por isso é bom mas também traz um gostinho de “esse filme eu já vi”, que é o calcanhar-de-aquiles do projeto. Será que não daria pra inovar um pouquinho nos argumentos? A primeira história em si lembra muito Dick Tracy – acho que pelo visual do vilão; a segunda também tem um clichê do gênero, que é uma “mulher-fatal” envolvida, mas já achei mais interessante, porque revela um lado não muito puritano do herói. Veremos as próximas aventuras que, aliás, são essencialmente fechadas, isto é, você não precisa ficar tenso com o “continua no próximo número”. De diferente mesmo, só achei um pouco mais bem-humorado do que a minha memória do material original do Will Eisner capturou na época em que li… mas não estou certo disso. Há também uma bem-vinda atualização do tempo desse universo, isto é, claramente as aventuras são passadas em um mundo “tipo o nosso”, com internet, celulares e tal.

Enfim, valeu a pena porque eu gosto do personagem e acho que é um trabalho executado com carinho e talento pelo Cooke; plus a arte dele é atraente para o meu paladar pessoal.

Conclusões:
– Compre se você gosta muito de histórias policiais e/ou de noir;
– Se você já conhece e gosta do Darwyn Cooke, é praticamente indispensável ler esta série;
– Não há grandes surpresas, mas é ótima leitura “pé no chão” (non super heroes);
– Bom texto e ótima arte;
– Capa icônica, papel e preço muito bons;
Nota 8,0 porque eu gosto do artista e gosto do clima das histórias.

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