Lido: Maiores Clássicos do Capitão América #1 (Editora Panini)

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CAPA

. Volume de Spoilers: Poucos.

Um dos grandes elogios que a Panini merece é, sem dúvida, o esforço em trazer grandes Fases, de personagens da Marvel e da DC, que nunca tiveram um tratamento digno no Brasil.

Atualmente, nós podemos encontrar nas bancas e livrarias coleções fantásticas como a “Biblioteca Histórica”, com as primeiras histórias dos heróis Marvel; vários encadernados reeditando minisséries importantes, como “Guerras Secretas” e “Lendas”; e, sobretudo, a coleção dos “Grandes Clássicos”, que começou com a Marvel mas já estão saindo também os primeiros volumes da DC.
No entanto, um dos maiores heróis de todos os tempos e um dos ícones dos quadrinhos, o Capitão América, ainda estava sem nenhuma edição especial disponível. Agora que – na cronologia contemporânea -, o alter ego mais famoso do herói, Steve Rogers, morreu, a Panini resolveu que era hora de investir em Grandes Clássicos do Capitão, como nesta brilhante (e pouco conhecida no Brasil) Fase da “Era de Bronze” do personagem (R$ 28,90/212 pgs).

Muito pedida por fãs veteranos em fóruns na internet, a curta – porém inesquecível – sequência de histórias da dupla de amigos Roger Stern e John Byrne (mais o belíssimo nanquim de Joe Rubinstein) apareceu nas edições originais da revista americana Captain America #247 a #255 (julho de 1980 a março de 1981).

Neste volume #1, portanto, estão todas as 9 clássicas histórias da dupla de autores, desta vez com todas as páginas, no tamanho original, com textos completos e uma nova e melhorada tradução (já tinham sido publicadas em formatinho da Editora Abril). A Panini ainda acrescentou, como é de praxe neste tipo de material, as capas originais, entrevistas com os autores (duas com o Roger Stern, na verdade) e uma inédita sequência sem texto, somente arte de John Byrne, da que seria a 10ª edição da série, mas que infelizmente foi cancelada por motivos não muito claros e a equipe criativa, portanto, não chegou a conclui-la.
Aqui o leitor acompanha o Capitão e sua vida dupla com diversas “novidades”: Steve Rogers fazendo trabalhos free-lance como desenhista publicitário, morando em um pequeno edifício no Brooklyn e convivendo com vários vizinhos autenticamente novaiorquinos, ganhando uma nova namorada, a descolada Bernie Rosenthal, fazendo parcerias com Dum Dum Dugan e Nick Fury, da SHIELD, e enfrentando a ameaça inédita do andróide Mecanus. Como nas demais histórias desta Fase, vemos um Capitão América inteligente, elegante, que enfrenta as ameaças com sagacidade e eficácia – enfim, o supersoldado em essência.
Outros vilões que aparecem aqui são o Homem-Dragão, Batroc, Mister Hyde e – provavelmente o ponto alto de toda a série, o vampiresco Barão Sangue, um inimigo dos tempos da II Guerra Mundial, que faz com que o herói retorne à Inglaterra pela primeira vez desde o seu “descongelamento”, onde reencontra o Union Jack original e a inativa velocista Spitfire. Nessa aventura espetacular, ainda ganhamos de bandeja um novíssimo Union Jack – o terceiro da dinastia, o jovem Joe Chapman, que permanece até hoje na cronologia da Marvel (estrelou há pouco uma mini, publicada na revista mensal Marvel Action). Saudosista e emocionante, é uma das minhas aventuras favoritas do personagem.

Há ainda outros dois destaques, verdadeiras jóias dos quadrinhos do personagem, neste volume:
– a história do “Capitão-Candidato”, onde os autores sugerem a hipótese do Capitão se candidatar a Presidente dos Estados Unidos, trabalham com a repercussão da notícia com a população, com JJJ, Vingadores e encerram com um emocionante “discurso” do herói. Sem supervilões, é um daqueles pequenos clássicos da Marvel onde o foco é o roteiro criativo, reviravoltas e textos bem cuidados. Enfim, imperdível.
–  a origem definitiva do Capitão em “A Lenda Viva”, desenvolvida a partir do trabalho original de Jack Kirby, Joe Simon e também de Stan Lee, os autores acrescentam alguns belos detalhes nos primeiros dias de atuação do herói, e até mesmo mostram a precária condição econômica que o jovem Rogers vivia nos tempos pós-quebra da Bolsa americana da década de 30.

Concluindo:
– Os leitores mais novos, que praticamente só tiveram contato com a atual Fase de Ed Brubaker, se arriscarem esta edição podem se encantar com uma visão bastante diferente do personagem, mais otimista e cheia de esperança – mas ainda assim com a mesma “base” ideológica e repleta de ação e intriga que o herói evoca.
– Se você gosta do John Byrne, vai adorar este material, onde o desenhista brilha a cada página.
– Fãs deprimidos pela morte de Steve Rogers, esta é sua pedida para reviver grandes aventuras.
Nota máxima: 10!

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