Clássico Relido: Batman em As Dez Noites da Besta (Editora Abril)

Bem, resolvi inaugurar uma nova sessão no Blog, dedicada às minhas releituras de obras famosas de quadrinhos, heroísticos ou não. A ideia é tentar avaliar se a revista continua sendo tão boa quanto “na época”, isto é, se resistiu bem – ou não – à ação do tempo e da própria evolução do “meio quadrinhos”.

Para inaugurar, selecionei esta história do Batman, enquanto vasculhava minha coleção de revistas nacionais (que não fica no meu apartamento nem na minha cidade…) publicada no Brasil pela Editora Abril há exatos 20 anos (1989), em uma edição encadernada, reunindo as 4 edições das revistas originais (Batman #417-#420). Lembro ainda que foi uma novidade ver uma só história saindo em uma edição volumosa, formato americano e com lombada quadrada.

Aviso: por conta do formato desta análise, há alguns spoilers.

batman-as-dez-noites-da-besta

A História:

A pequena saga, intitulada “As Dez Noites da Besta” foi escrita pelo renomado Jim Starlim e desenhada por Jim Aparo, um dos mais prolíficos artistas do morcego, sendo esta uma de suas últimas colaborações. Não é uma história tida como “clássica” por todos os fãs do personagem ou da DC Comics, mas no geral é citada como referência de boa história e até de bom vilão.
O inimigo é um gigantesco agente da antiga URSS (União Soviética, vocês sabem né? Um dia foi muito importante…) cujo apelido é KGBesta (a KGB era a polícia secreta da URSS) e aqui foi sua primeira aparição. Mestre em várias formas de arte marcial e de armamentos, ele também tinha implantes cibernéticos que aprimoravam sua força e resistência.
A história é simples e bastante linear: com a recente dissolução da URSS, o KGBesta e outro agente são enviados aos EUA para tentar sabotar o mundialmente famoso “Projeto Guerra nas Estrelas”, e passam a matar todos os cientistas e autoridades envolvidas. A trilha dos bandidos chega a Gotham City e, com sucesso, eles vão eliminando todos os alvos. O último é o então presidente americano Ronald Reagan. Batman e o Comissário Gordon se unem ao FBI e à CIA para tentar deter os vilões.

Veredicto: Foi bom de novo?

Sendo bem honesto, não tinha uma memória clara desta aventura; só tinha certeza de que tinha sido “bacana”. Reli duas vezes em alguns dias, tentando analisar o roteiro, os padrões dos diálogos, nuances escondidas… e realmente é um pouco decepcionante, porque é tudo muito simples, com vários clichês. O argumento é bom, como relatei antes, envolvendo o desmanche da URSS, mas o roteiro caminha sem momentos inspirados, as falas parecem escritas no piloto automático, muito diferente de outros trabalhos do Jim Starlim.
O que é bacana mesmo é o KGBesta, que foi um vilão inovador para a – então – requentada e tradicional galeria do Batman: superviolento e totalmente letal, matava sem o menor pudor centenas de pessoas ao longo da saga; não abria a boca para nada irônico e sua máscara, associada ao seu tamanho descomunal, dava um aspecto aterrorizante.
As batalhas também são legais: há muitos confrontos, o Batman é ferido diversas vezes e precisa usar muita força e técnica para nivelar com o adversário.
Já a arte não é muito atraente, mesmo naquela época. O desenhista tinha uma visão ainda light do personagem, e não havia em seu estilo técnicas de narrativa mais modernas e cinematográficas, apesar de algum esforço nesse sentido. Jim Aparo fez trabalhos bem melhores do que este.
Enfim, apesar de distante do perfil de um “clássico absoluto” das HQs, é uma história bastante agradável do Batman; vai depender do quanto o leitor goste de batalhas mais “pé-no-chão” e menos investigação ou planejamento.
Eu realmente ainda acho preferível ler uma história do morcego deste tipo, em que ele é ferido, erra em alguns momentos, se supera e sai por bem no final do que o Batman “super-mega-ultra-infalível” de histórias em que enfrenta e elimina supervilões peso-pesados, ou elabora e executa planos mirabolantes a nível global.
Quanto mais humano e limitado, inteligente e persistente for o morcegão, mais estimulante ele se torna para mim. Logo, gostei da HQ por essa razão, e como passatempo, pelas lutas e pelo novo vilão. Ah, as capas originais do Mike Zeck são maravilhosas, pena que ele não tenha mais trabalhos hoje em dia.

Nota: 7,0.

8 respostas em “Clássico Relido: Batman em As Dez Noites da Besta (Editora Abril)

  1. Olá, estava procurando matérias sobre o Batman e cheguei ao seu blog. Muito, parabéns.
    Concordo com você em 99% dos comentários.
    A violência é datada – hoje qualquer HQ do Batman é infinitamente mais sangrenta – e a arte de Jim Aparo já viu dias melhores.
    Mas tenho que discordar de uma coisa que você diz: mesmo não sendo nenhum clássico VOCÊ ESQUECEU um detalhe que é muito importante na cronologia do morcego. É a primeira vez que ele mata alguém no universo Pós-Crise. Afinal deixa-lo naquele lugar foi uma forma de matar e você esqueceu que Batman não mata.
    Só esse toque , parabén s, abs

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  2. Eu também penso exatamente como você disse, e na época também fiquei assustado com o Besta.

    Vilão que inspirou a criação de Bane. Afinal vocês se lembram de como o bandido que quebrou o Batman no meio (exatamente igual é descrito que o KGBeast é capaz de fazer) jogou o homem-morcego do telhado?

    Exatamente do mesmo jeito que o KGBeast joga sua primeira vítima nas Dez Noites da Besta.

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  3. opa.. apesar de discordar um pouco da opinião – achei a hq ótima, principalmente pelo fato citado por voces, do vilão ser bastante inovador, na época, e ser a primeira vez q mostra o batman incapaz de vencer incondicionalmente um inimigo, enfrentando dificuldades q ele mesmo não esperava – e isso fica evidente numa passagem q eu gostaria d corrigir: o batman não matou o kgbesta, ele o trancou numa galeria subterranea, justamente porque conseguiu o que queria: prender o besta. infelizmente, o gibi nao mostra como o tiraram d lá, mas subentende-se que o batman informou sua posiçao ao fbi, e eles que o resgataram, porque sabia q, se nao o vencesse no corpo a corpo, ele escaparia.

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    • Pois é. Eu sempre imaginei que ele deixou o cara lá, trancado, para morrer. Honestamente acho que assim termina muito melhor do que informar ao FBI sua localização.

      O Batman diz: “As vezes é preciso ignorar as regras. Em algumas circunstâncias elas pervertem a justiça”.

      http://migre.me/4nXQt

      Abraço a todos.

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      • KGBesta não morre na galeria nos esgotos. Ele aparece, anos mais tarde, preso na prisão Blackgate, onde interage com Bane.

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  4. Pingback: Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #3 – Panini Comics | Lendo Quadrinhos

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