Revista Vertigo da Panini: está valendo a pena?

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. Volume de Spoilers: Poucos, nada comprometedor.

Em outubro de 2009 a editora Panini lançou uma nova e diferenciada publicação mensal, a revista VERTIGO, especializada em materiais editados pela DC Comics em seu selo adulto de mesmo nome. Esse lançamento só foi possível após a desistência da editora Pixel que, até então, detinha os direitos de publicação no Brasil da Vertigo e também das linhas Wildstorm e America´s Best Comics.

A finada Pixel Magazine era a publicação mensal onde se encontrava uma boa parte do catálogo que agora está à disposição dos leitores nesta nova revista da Panini. O resto geralmente saía no formato de Encadernados, e alguma coisa em Minisséries. Bem, mas como anda a Vertigo? Até o momento, já foram comercializadas 4 edições, mas meu comentário se limita às 3 primeiras. O mix original, isto é, o conjunto de títulos escolhidos pela Panini para rechear a revista nestas primeiras edições, é composto por 5 títulos americanos:

1. Hellblazer – este é o nome da revista do John Constantine, o famoso detetive do sobrenatural criado por Alan Moore nos anos 80. É um personagem razoavelmente conhecido do grande público por conta do filme estrelado por Keanu Reeves. Uma curiosidade: é o título do selo Vertigo mais antigo e bem-sucedido, com mais de 200 edições mensais até o momento. Em Vertigo #1 e #2 temos um pequeno arco de duas partes e na #3 começa um arco em 4 partes, todos escritos pelo já veterano Mike Carey (que também escreve títulos dos X-Men para a Marvel) em 2002. As histórias são boas, mantendo a tradição no estilo Constatine-de-ser, trazem uma pequena dose de mistério e uma enorme de “rabugisse” que o leitor espera e geram alguma curiosidade na sequência. Não estão em um nível clássico como de fases anteriores, mas mantém uma qualidade bacana, também em termos de arte (Steve Dillon e Marcelo Frusin que, a propósito, foi trocado na Capa). Nota 6,0.

2. A Tessalíada – minissérie escrita por Bill Willingham (cuja obra-prima é a série Fábulas, também da Vertigo) e desenhada por Shawn McManus em 2002, é estrelada por uma espécie de super-bruxa e vem do universo do Sandman. Nesta história ela enfrenta uma série de ameaças proporcionadas por um conjunto secreto de entidades místicas. Não gostei da personagem e a trama é apenas OK, com clichês demais, criados dentro da própria Vertigo, por sinal. Há uma ou outra sacadinha curiosa, mas é leitura rasteira e a arte do McManus já foi melhor. Nota 4,0.

3. Vikings – estava ansioso por esta história, porque o título é razoavelmente badalado nos EUA desde sua estreia ainda recente, em 2008. Bem, este primeiro arco por enquanto é apenas passável, nada de muito interessante. A leitura é meteórica e trata do retorno de Sven, uma espécie de príncipe, à sua antiga vila nórdica, após um período de exploração em outras paragens. Lógico que vai enfrentar um parente – neste caso, um tio malvado – para retomar o que é seu. A atração é a paisagem e uma ou outra referência à cultura Viking, mas o autor Brian Wood poderia ter caprichado mais. Como está, fica parecendo um Conan de segunda linha. Há algumas boas batalhas, e só. Desenho abaixo da média. Nota 5,0.

4. Escalpo – outro título badalado lá fora, mas desta vez, parece, com razão. Jason Aaron e R. M. Guéra apresentam um universo quase inédito nos quadrinhos e até mesmo em outras mídias: a pobreza, corrupção e ignorância que domina algumas comunidades indígenas americanas atualmente. O protagonista é um personagem cativante em sua brutalidade – o jovem índio e agente secreto Cavalo Ruim – e o roteiro até o momento tem trazido boas reviravoltas e ação; e os diálogos, precisos e contundentes. Ótima leitura e, assim como em Vikings, a Panini está editando o começo da série, esta iniciada em 2007 e até hoje em circulação lá nos EUA. Nota 8,0.

5. Lugar Nenhum – minissérie escrita por Mike Carey dentro do universo criado por Neil Gaiman. Não conhecia, e gostei. Pelo menos é criativa e curiosa. Tem ecos de Alice no País das Maravilhas, traz aquele ambiente “carregado” e quase mítico de Londres. Só o personagem “normal” que é meio chatinho, não espero nada demais dele, mas os freaks são bem bacanas e diferentes. Com certeza é um dos destaques da Vertigo até o momento e termina na edição #4. Os desenhos são do competentíssimo Glenn Fabry e foi originalmente publicada em 2005. Nota 8,0.

Nota Final: 6,5.

Enfim, embora até o momento os destaques mesmo sejam apenas Escalpo e Lugar Nenhum, vou continuar comprando e curtindo a Vertigo porque sei que ainda tem muita coisa de qualidade pra sair, com ótimos autores. Alguns títulos a Panini não deve colocar aqui porque já anunciou que sairão em Encadernados, mas não há muita dificuldade em encontrar boas pedidas para rechear a revistas, até porque tem um período de tempo bem amplo de onde ela pode selecionar material, visto que, apesar da fama do Selo Vertigo, os brasileiros nunca tiveram um contato perene com a maior parte do seu catálogo.

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