Resenha de Guerras Secretas #1 – Panini Comics

Guerras Secretas 1 - CAPA NORMAL

Guerras Secretas é, provavelmente, a mais ambiciosa megasaga Marvel de todos os tempos. Além do tema da história – que lida com o fim do Multiverso e os dramas vividos pelos sobreviventes no único planeta restante, o grande contingente de personagens envolvidos e a miríade de histórias interconectadas, foi também a partir de Guerras Secretas que a editora, pela primeira vez em seus 76 anos de existência, zerou todos os seus títulos mensais para promover um relançamento pleno, em um Universo Marvel também renovado.

. Volume de Spoilers: poucos, só para contextualizar o início da saga.

É importante ressaltar que, a despeito do que chegou a ser publicado em alguns sites nacionais, como o Universo HQ, a Marvel não promoveu um reboot. Foi sim um reinício, mas sem apagar a cronologia anterior – prática adotada algumas vezes pela DC. Portanto, tudo o que aconteceu até antes deste evento continuou “valendo”, salvo uma ou outra exceção que a própria saga permitiu proporcionar, já que lida com poderes divinos, recriação universal, realidades paralelas, etc.

Por falar em DC, é público e notório que o autor e arquiteto da obra, Jonathan Hickman, procurou homenageá-la, ou pelo menos prestar reverência à sua emblemática primeira megasaga, Crise nas Infinitas Terras, de 1985, sem esquecer, claro, de resgatar temas e elementos-chave da primeira e cultuada Guerras Secretas da Marvel, de 1984 (cujo nome completo original era, na verdade, Marvel Super-Heroes Secret Wars).

Os infinitos universos se desintegrando – quem leu sabe exatamente que é assim que a Crise começa – são o pano de fundo das histórias que o próprio Hickman desenvolveu nos últimos anos no título Novos Vingadores, em que ele coloca os Illuminati (Pantera Negra, Senhor Fantástico, Homem de Ferro, Namor, Fera, Raio Negro e Doutor Estranho), em uma constante tensão e em um cruel dilema moral a cada novo “Evento de Incursão”, que ocasionava a destruição de Terras Paralelas. Nessa série foram apresentados ainda alguns novos personagens presentes nesta HQ, como a vilã Cisne Negro, além de velhos favoritos em novas personas e, claro, o resgate do onipotente Beyonder, o artífice das Guerras de 1984.

Portanto, quem leu Novos Vingadores vai estar mais familiarizado com alguns aspectos da história. Quem acompanhava o Universo Ultimate, também. E os leitores da velha guarda que conhecem bem Crise das Infinitas Terras e a primeira Guerras Secretas, certamente aproveitarão ainda mais, pois é assim a natureza dos universos de heróis, não é mesmo? Quem tem uma maior quilometragem consegue absorver, comparar, relembrar, questionar determinados pontos das novas histórias, que estão sempre citando referências de HQs prévias.

Mas se você não leu, também não deve ter grandes problemas para compreender esta primeira edição. A Panini acertadamente acrescentou logo no começo uma pequena história de 10 páginas da Fundação Futuro, originalmente distribuída pela Marvel no evento comercial Free Comic-Book Day de 2015, que serve como uma boa introdução para a saga.

Assim, quando Guerras Secretas #1 realmente se inicia, o leitor que não acompanha regularmente a Marvel já tem uma boa ideia do que está acontecendo (e um milhão de perguntas também). É importante ter paciência quando há muitos personagens em cena; ou melhor, quando se lê uma saga gigantesca deste tipo.

O texto de Hickman é grandiloquente, apropriado para a história, e o principal protagonista, Doutor Destino, é o primeiro a aparecer, bem ao lado de um outro famoso Doutor, o Estranho, e o poderosíssimo (e relativamente obscuro) Homem-Molecular. Corte para o último “Evento de Incursão” – o choque eminente entre as Terras do Universo Marvel principal e o Universo Ultimate –, que é o fato mais relevante nesta edição, em que vemos detalhes da frenética tentativa dos heróis de ambas as Terras eliminarem suas contrapartes, com direito a um ataque total da SHIELD e do malévolo Reed Richards Ultimate contra dezenas de Vingadores e X-Men. Muita ação e destruição garantidos.

A Cabala, supergrupo de vilões comandado por Thanos, o Quarteto Fantástico e alguns aliados são os demais participantes desta primeira parte que é, basicamente, uma preparação para o verdadeiro cerne da história: a onipotência do Doutor Destino e a complexa vida na colcha de retalhos do Mundo Bélico. Vale ressaltar, contudo, que até o final desta edição esses acontecimentos ainda não se concretizaram. Porém, antes que eu seja acusado de spoilers, na mesma semana que Guerras Secretas #1 chegou nas bancas, também estava lá Guerras Secretas X-Men #1 – A Era do Apocalipse, que já trata desse novo status quo.

Aliás, nesta revista principal mesmo, há um anúncio na quarta capa com o texto “A Terra como a conhecemos não existe mais. Tudo o que resta agora é o Mundo Bélico, composto por fragmentos de mundos arrasados!” Ou seja, a própria Panini já conta um pouco do que acontecerá na edição #2.

Em termos de arte, há pouco a dizer: Esad Ribic no lápis e Ive Svorcina nas cores fazem um trabalho estupendo, como de costume, o que aumenta e muito a qualidade da obra. Cores frias nas ambientações internas e quentes nas batalhas, heróis facilmente identificáveis – até mesmo as contrapartes das duas Terras, e um enquadramento fluido e competente devem proporcionar lindas edições encadernadas futuras. A capa de Alex Ross (há opção de capa variante do Simone Bianchi), já clássica, é também uma bela homenagem à Crise da DC, com as duas terras se colidindo ao fundo e diversos heróis flutuando no espaço.

Guerras Secretas é, sim, em grande medida, a Crise nas Infinitas Terras da Marvel. Claro que a história a partir deste ponto vai caminhar para um roteiro muito diferente. Vale dizer, ainda, que o argumento central da obra – a impossibilidade de lidar com a onipotência – está presente em diversas obras da editora (Desafio Infinito e a Saga de Korvac, por exemplo) mas nunca foi levada às últimas consequências como agora, incluindo o seu limite: a recriação do Universo Marvel. Sabemos que tudo vai continuar em alguns meses mas, como dizem, o que vale é a jornada certo? Vamos acompanhar todas as edições e ver como Doutor Destino, os heróis e vilões remanescentes das duas Terras e os incontáveis outros personagens do Mundo Bélico lidarão com o Fim dos Tempos.

Nota: 8,00.

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