Resenha de Guerras Secretas X-Men #1 – Panini Comics

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Esta é a primeira edição dedicada aos X-Men dentro da nova realidade de Guerras Secretas. Nos EUA saiu em 5 números, que aqui estão na íntegra, escritas por Fabian Nicieza e desenhadas por Gerardo Sandoval e Iban Coello.

. Volume de Spoilers: poucos, só o essencial para comentar a revista.

A escolha da Marvel pelo Nicieza é extremamente pertinente, já que ele foi um prolífico roteirista de títulos mutantes nos anos 90 e um dos criadores da saga A Era do Apocalipse original. Argentino radicado em New Jersey desde os 4 anos, Fabian Nicieza é um dos criadores de Deadpool, Shatterstar, Domino e do conceito da X-Force. Pessoalmente, gosto muito de seu trabalho nos Novos Guerreiros de 1990 (a primeira, clássica série), e sua longa fase nos Thunderbolts do final dessa mesma década.

Assim, nada mais natural que um dos arquitetos da bem-sucedida e fan favorite saga mutante retorne para uma nova abordagem, agora como um dos Domínios do Mundo Bélico.

Para quem não conhece, na realidade alternativa de A Era do Apocalipse, o Professor Xavier morreu e o Apocalipse é um ditador supremo, com um exército de mutantes opressores dos humanos, que caminham para a extinção, mas protegidos por um cordial Magneto e suas equipes de X-Men. Vale a pena pesquisar ou ler a série original, recentemente editada em um conjunto de encadernados pela própria Panini.

Apesar de todos os prognósticos positivos, contudo, alguma coisa deu errado. Esta HQ é, resumidamente, uma bagunça! Nicieza procura usar vários personagens da saga original, tantos os heroicos X-Men, como os Cavaleiros do Apocalipse, os Prelados, os Amigos da Humanidade, alguns outros mutantes “independentes”, e ainda acrescenta novos, que não participaram da A Era do Apocalipse de 1995 porque foram criados posteriormente e o resultado, conclui-se, é gente demais! A trama apresenta uma ameaça à toda a comunidade mutante, um recurso também dos anos 90 (sem spoilers), e as costumeiras traições, “momentos-uau”, reviravoltas e mortes, muitas mortes!

O espaço fica, portanto, pequeno para tantos personagens e situações. Como os fatos se sucedem tão rapidamente e com tanta gente, é preciso ler com redobrada atenção. Todavia, ao relermos, os furos aparecem com maior destaque. Personagens tomam decisões sem uma explicação convincente, alguns surgem com uma aparente relevância e posteriormente são esquecidos, enquanto outros que estavam fora do radar de repente ganham uma enorme importância para o desenvolvimento e encerramento da história.

Mas, vale dizer que isso tudo é, também, parte do estilo das HQs dos frenéticos anos 90. Os X-Men eram o “centro do mundo” dos comics americanos, com uma série animada extremamente popular, que gerou diversos brinquedos e games; suas revistas espalhavam-se em múltiplos títulos com tiragens mensais de centenas de milhares de exemplares cada, às vezes atingindo alguns milhões, seus principais desenhistas virando pop-stars e, em grande parte por isso, abandonando a Marvel para criar a Image que, no limite, revolucionou o mercado, propiciou o “estouro da bolha” e, nesse vácuo, esses desenhistas permitiram o surgimento de novas estrelas na Marvel.

Um desses talentos, o descendente de portugueses Joe Madureira, revigorou os mutantes com um estilo cartunesco, altamente influenciado pelos Mangás, adorado por uns, execrado por outros. A arte de Guerras Secretas X-Men #1, tanto de Iban Coello mas especialmente do mexicano Gerardo Sandoval, resgata com competência esse traço e, com o roteiro repleto de ação, traz sim uma boa dose de nostalgia para quem viveu intensamente aquele período.

Portanto, esta revista é uma verdadeira bagunça mas, talvez por isso mesmo, em conjunto com os personagens marcantes e arte tipicamente exagerada, estranhamente entra em sintonia com a sua Saga de inspiração. A história poderia ter sido mais bem polida e com atuações mais condizentes dos heróis e vilões, mas cumpre relativamente bem o papel de recuperar as versões dos mutantes radicais, audaciosos e mortais de A Era do Apocalipse.

Ah, outra peculiaridade: esta edição apenas cita de passagem o status quo do Mundo Bélico e Doutor Destino, portanto é uma história praticamente independente do resto das Guerras Secretas.

Nota: 5,0.

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