Resenha de Guerras Secretas Vingadores #2 – Panini Comics

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Para a segunda edição de histórias das Guerras Secretas dedicadas aos Vingadores, a Panini escolheu a badalada minissérie Força-V (A-Force, no original), publicada em 5 capítulos em 2015 nos EUA.

. Volume de Spoilers: Moderado.

Ao contrário da maioria das interligações – que abordam variações de realidades já exploradas em algum momento na longa história da Marvel – Força-V é um conceito inédito, que reúne dezenas de heroínas em suas versões mais clássicas e até apresenta uma nova e intrigante personagem.

A HQ é escrita por duas roteiristas, Marguerite Bennett (de Bombshells, da DC) e G. Willow Wilson (premiadíssima pela sua criação, Kamala Khan, a nova Miss Marvel) e desenhada pelo mexicano Jorge Molina, que vem produzindo vários trabalhos na editora nos últimos anos, principalmente como capista.

Toda a ação se desenrola em um Domínio chamado Arcádia, uma ilha cheia de vida, com uma sociedade moderna, urbana, similar ao de uma metrópole americana, e aparentemente pacífica. A Baronesa Jennifer Walters, mais conhecida como Mulher-Hulk, é também a líder da Força-V, nada mais nada menos do que uma superequipe composta apenas por heroínas.

Um aspecto que chama a atenção dos leitores mais antigos da Marvel é que neste grupo há uma reunião de personagens que poucas vezes teve a oportunidade de interagir no passado. Por exemplo, duas conselheiras de Jennifer são a Mulher-Aranha (de quem nunca foi muito próxima), e a Medusa dos Inumanos (cujos caminhos raramente se cruzaram). Completa o núcleo principal a Capitã Marvel (em uniforme atual), a mutante Cristal (com o visual disco original dos anos 70), a bruxinha Nico Minoru, dos Fugitivos (que contracenou com pouquíssimos personagens desde sua criação, em 2003), a cada vez mais popular Miss America Chávez (dos Jovens Vingadores) e Loki, em sua versão Deusa do Mal (da fase do Thor de J. M. Straczynski).

Além da equipe, contudo, Arcádia está repleta de outras heroínas – como a bela capa de Jim Cheung sugere – que fazem pequenas aparições ao longo da revista. Embora não façam nenhum discurso abertamente feminista, as autoras também não explicam porque este Domínio é liderado pelas mulheres. Simplesmente parece que “aqui as coisas são assim”. A sociedade da ilha é heterogênea e até alguns heróis (homens) pipocam aqui e ali, mas o roteiro se concentra em contar os dramas vividos pelas personagens principais após uma de suas integrantes cometer uma violação das leis do Deus Destino.

Esse ato – que, honestamente, foi um pouco “forçado demais” – traz a interferência do Doutor Estranho, o braço direito de Destino em Guerras Secretas, e insere alguns membros da Tropa Thor como antagonistas da Força-V.

É neste contexto que surge Singularidade, uma rara criação totalmente original (nos dias atuais) da Marvel. Sem revelar detalhes, ela é aquela figura escura com brilhos “cósmicos” que aparece na capa, e vai desempenhar um papel crucial na HQ.

Jorge Molina faz uma boa arte na série, combinando perfeitamente com o tom leve e até juvenil da história. Seu estilo, limpo, dinâmico e sem grandes ousadias, às vezes lembra Olivier Coipel e Stuart Immonen, mas ele definitivamente está conseguindo atingir uma identidade própria e tem em Força-V um de seus melhores trabalhos, especialmente nas batalhas e no desenvolvimento de Singularidade que, acredito, deve se tornar uma figura constante na Marvel.

No geral, esta é uma história singela, sem grandes pretensões além de entreter, mas é bem contada e vale a pena conhecer pelo ineditismo da proposta, pelas interações entre as personagens e pelo surgimento de Singularidade. Senti falta de algumas explicações, ou pelo menos de pistas, para compreender melhor o Domínio de Arcádia como, por exemplo, em que circunstâncias a Mulher-Hulk tornou-se Baronesa, se os homens daqui de algum modo se sentem oprimidos pela Força-V, porque em meio a dúzias de heroínas, as vilãs asgardianas Loki e Encantor estão do “lado dos anjos” e assim por diante.

Minhas maiores críticas, no entanto, ficam para a óbvia revelação da traidora (acertei sem pensar duas vezes) e, sobretudo, para a ameaça final reservada para nossas heroínas. É um desafio razoável sim e é uma solução interessante como interligação ao resto do Mundo Bélico, mas com a presença de figuras superpoderosas como Jean Grey (na versão Fênix) e Mônica Rambeau (Fóton/Pulsar/Spectrum), além de muitos Thors, talvez não deveria dar o trabalho que deu. Aliás, ao longo de toda a revista o uso dos poderes das heroínas no geral é algo bastante questionável. Talvez os editores precisassem intervir um pouco mais, ou talvez estas versões tenham outros níveis de poderes? Enfim, para uma revista baseada em super heróis clássicos da Marvel, incomoda um pouco.

Sabe-se que a editora vai retomar o conceito de Força-V no pós Guerras Secretas. Vamos aguardar para conferir como a equipe será composta e em quais circunstâncias. Pelo que vimos da proposta e de sua primeira aventura, é um título com muito potencial.

Nota 7,0.

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