Resenha de Guerras Secretas Guardiões da Galáxia #2 – Panini Comics

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Infinity Gauntlet é uma das mais conhecidas e queridas sagas da Marvel. Criada por Jim Starlim como uma minissérie em 1991, foi a história que tornou sua criação, Thanos, no mais temido vilão da Casa das Ideias. Batizada no Brasil como Desafio Infinito pela Editora Abril, era inevitável que essa série também ganhasse uma versão para as Guerras Secretas modernas.

. Volume de Spoilers: Poucos, só o mínimo para contextualizar.

A Panini optou por encaixar esta releitura como uma aventura dos Guardiões da Galáxia, o que até faz algum sentido, mas é uma HQ focada em Novas, que enfrentam o Enxame de Insetos da Onda de Aniquilação em um fragmento de Xandar incrustada no gigantesco Mundo Bélico.

Embora não tenha nada do escopo “megalomaníaco” da história original, a revista consegue entreter ao apresentar um conjunto de novos e carismáticos personagens, ao mesmo tempo em que reúne, sem esforço e de forma bastante natural, outras criações cósmicas da Marvel, algumas criadas ou popularizadas também por Starlim, como Drax, Gamora e Warlock que, com o tempo, ficaram inexoravelmente associadas a Thanos.

Apesar de tantos personagens, a dupla de autores e co-roteiristas, Gerry Duggan e Dustin Weaver, consegue ainda encaixar uma equipe dos Guardiões da Galáxia como coadjuvantes sem pesar a mão e transformar a premissa catastrofista do Desafio Infinito original em uma aventura familiar, com um quê de pulp fiction, em uma história leve, com muitos perigos e batalhas, tudo com a bela arte de Weaver, que aqui fez o lápis, a arte-final e as cores.

Conheci o trabalho de Dustin Weaver na incrível série SHIELD de Jonathan Hickman, de 2009-2011 (e ainda incompleta). De lá para cá ambos tiveram muitos trabalhos na Marvel, mas enquanto o argumentista tornou-se respeitadíssimo, um ídolo entre os fãs da Casa das Ideias, criador dos Guerreiros Secretos, da Fundação Futuro, da melhor fase do Quarteto Fantástico na última década, condutor dos principais títulos dos Vingadores no auge de sua popularidade e arquiteto do maior evento desde Guerra Civil, Weaver parece ter estacionado em um meio-termo, com passagens competentes, mas pouco marcantes, também em Vingadores e como um prolífico capista.

Dedicou-se a trabalhos autorais em editoras independentes nos últimos anos e agora ressurge na casa que o projetou, também como co-argumentista, e surpreende. Não somente na arte, com uniformes criativos e que resgatam temas clássicos, com monstros e cenários espetaculares, mas também na história, que é conduzida por duas mulheres, mãe e filha, ambas Novas, uma veterana e outra amadora, igualmente heroínas na mais pura concepção da palavra. É interessante traçar um paralelo com os atuais Novas da realidade principal, que são… um pai e um filho! Destemidas e inteligentes, elas conduzem sua família por uma metrópole devastada pela Onda de Aniquilação em busca das Jóias do Infinito.

Thanos, claro, tem o mesmo objetivo, mas precisa enfrentar secretamente um adversário inusitado no meio do caminho. Já Warlock é apresentado com um Messias ensandecido e líder de um grupo de guerreiros chamados Cavaleiros de Xandar – que pode ser uma referência dos autores ao obscuro supergrupo dos anos 1970 conhecido como Campeões de Xandar, aliados do Nova original, Richard Rider.

Drax também aparece em sua persona original de “vingador cósmico”, muito diferente da atual representação (a mesma do filme) e da anterior (a cômica). Gamora, Senhor das Estrelas e Groot, os Guardiões que sustentam o título da Panini, tem uma participação pequena, mas com personalidades similares à do cinema também.

Soube que muita gente esperava que este Desafio Infinito trouxesse uma batalha épica entre dúzias de personagens contra um Thanos onipotente, ou seja, a mesma trama básica da série original – o que, convenhamos, não teria a menor graça e não faria o menor sentido, seja pela falta de originalidade, seja no contexto das Guerras Secretas, onde Deus Destino é o verdadeiro e único Ser Supremo.

A opção dos autores e da Marvel por uma trama completamente diferente, muito mais intimista, que apresenta novos personagens interagindo com uma galeria de velhos conhecidos, com um final bem construído e quase poético, foi uma decisão muito mais acertada. Destino é a verdadeira estrela de Guerras Secretas, mas esta família de Novas e sua jornada heroica em Desafio Infinito é tão marcante que, honestamente, deixa uma enorme vontade de ler mais histórias com eles.

Nota: 8,0

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