Resenha de Guerras Secretas Esquadrão Sinistro #1 – Panini Comics

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De todas as revistas interligadas à megasaga Guerras Secretas, esta Esquadrão Sinistro é, sem dúvida, a mais inesperadamente impactante até o momento. Com ótimo roteiro, personagens bem construídos e lindamente desenhada, esta é uma HQ que serve ao propósito das Guerras, mas também tem vida própria, com um começo, meio e fim muito bem delineados, o que permite lê-la sem a preocupação de acompanhar a saga, muito menos saber previamente quem são os cinco super lunáticos que compõem esta versão do Esquadrão. Mas, vale a pena conhecê-los!

. Volume de Spoilers: Moderado, sem revelações definitivas.

O Esquadrão Sinistro foi criado em 1969, após uma tentativa fracassada conduzida por um grupo de editores que queriam promover o primeiro encontro de personagens Marvel e DC da história: um duelo entre os Vingadores e a Liga da Justiça. Como tal encontro não recebeu autorização das diretorias, o então escritor dos Vingadores, Roy Thomas, decidiu criar sua própria versão da Liga, mas transformados em vilões, para enfrentar os heróis da Marvel. Assim foram concebidos Hypérion (versão Marvel do Superman), Falcão Noturno (versão do Batman), Doutor Espectro (Lanterna Verde) e Tufão (Flash).

Após essa primeira aparição, a equipe ressurgiu várias vezes ao longo das décadas seguintes, a maioria em realidades alternativas, incorporando membros (outras versões da Liga, como a Princesa do Poder/Mulher-Maravilha) e protagonizando suas próprias aventuras, a maioria delas em sua versão heroica, com o nome de Esquadrão Supremo. A ótima interpretação desse Esquadrão na linha adulta Max dos anos 2000 é uma das mais notórias, principalmente pelo clima sombrio e pessimista.

Nossa história começa, curiosamente (ou não!) com os vilanescos protagonistas, que residem no Baronato de Utópolis, enfrentando esse Esquadrão Supremo Max. O líder dos Sinistros, o Barão Hypérion, está em uma campanha agressiva de anexação de províncias vizinhas – cada uma com sua própria equipe de superseres, com o intuito de ampliar sua influência e poder. Impiedosos, cruéis, extremamente eficientes e com um invejável trabalho de equipe, o grupo de supervilões parece imbatível e avança rapidamente sobre outros territórios. Porém, um crime sem precedentes acontece em Utópolis e a paranoia se instala em (quase) todos os Sinistros.

O autor, o veterano Mark Guggenheim, aproveita essa situação para resgatar do limbo vários personagens de realidades alternativas, em especial alguns do Novo Universo Marvel (criado em 1986). Como os heróis de uma região vizinha, Estigma, Mark Hazzard, Spitfire e Jack Magniconte estão cientes que o Esquadrão em breve irá avançar sobre sua província, traçam um plano para contê-los. Ao mesmo tempo, outra equipe de supervilões, o Quarteto Terrível, também decide avançar sobre outros territórios, atrapalhando os planos do Esquadrão.

Porém, não são os adversários externos que tornam esta revista verdadeiramente interessante, e sim a rivalidade entre os cinco Sinistros que, exatamente por serem criminosos e assassinos, não confiam uns nos outros. O autor habilidosamente cria situações e diálogos que deixam o leitor ciente das personalidades de todo o elenco: Falcão Noturno é o menos poderoso, mas sem dúvida alguma é o mais inteligente e ardiloso; a Princesa do Poder se relaciona com Hypérion por interesse e tem sua própria agenda; Tufão é um tremendo puxa-saco e covarde; Doutor Espectro é potencialmente o mais poderoso, mas limitado pela sua falta de imaginação; Hypérion é arrogante, presunçoso e acredita que pode resolver tudo no braço.

A história fica mais interessante a cada capítulo, os diálogos são enxutos e precisos; a ação, violenta e empolgante. O espanhol Carlos Pacheco mais uma vez realiza um trabalho primoroso, tanto na narrativa, como nos layouts de todos os personagens, objetos e cenários. Com uma segurança típica dos mestres, mantém a qualidade em toda a série, seja nas splash pages, nas batalhas, ou nas expressões de raiva, surpresa e dor, conforme as reviravoltas e traições sucedem-se na trama. Acredito que o arte-finalista Mariano Taibo foi uma ótima escolha para o lápis de Pacheco, e certamente deveriam trabalhar juntos outras vezes. Frank Martin nas cores fecha esta equipe artística de primeira linha.

E, por falar em primeira linha, reparem na incrível sequência de duas páginas no terceiro capítulo em que Hypérion elimina mais uma equipe de adversários. O nome desse grupo é exatamente Linha de Frente (First Line, no original – para saber mais clique aqui) e, por ser inédita no Brasil, passou despercebida pela maioria dos leitores (e resenhistas). Criada por John Byrne e Roger Stern na série Marvel: The Lost Generation (em 2000), trata-se de um enorme conjunto de heróis e heroínas que atuaram brevemente antes do Quarteto Fantástico, dos X-Men ou dos Vingadores, e foram esquecidos pela maior parte da humanidade. É uma história bem interessante, com alguns personagens de grande potencial. Todavia, parecia esquecida pela própria Marvel. Guggenheim até brinca com o fato, no balão do Hypérion: “Volte pra terra perdida Rouxinol (ou) sua geração estará perdida de verdade”. Há outros easter eggs na revista, incluindo um óbvio de O Cavaleiro das Trevas.

Com uma equipe criativa em ótima sintonia, personagens interessantes e um roteiro muito bem construído, Guerras Secretas Esquadrão Sinistro é altamente recomendável, inclusive para aqueles que querem ler uma aventura diferente, focada em vilões impiedosos, que obviamente “lembram muito” os maiores ícones da Distinta Concorrência. Uma história curta fecha a edição da Panini, protagonizada por outro vilão, o Maestro, que tenta conter um ataque do Surfista Prateado. Aqui, a Marvel finalmente corrige uma situação no mínimo “forçada” criada lá atrás, em 1992, na primeira aparição do Maestro.

Nota 9,0.

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