Resenha de Guerras Secretas O Comando Selvagem da Sra. Deadpool #1 – Panini Comics

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Este é um tie-in no mínimo bizarro. Além de ser um dos poucos não inspirados em outras sagas ou eventos do passado da editora, apresenta um team-up entre Shiklah, a esposa do Deadpool, e uma versão da Legião dos Monstros, batizada de Comando Selvagem. Sim, é verdade que a Marvel já havia utilizado esse conceito dos Howling Commandos (originalmente o nome da antiga equipe do Sargento Fury durante a II Guerra Mundial), em versões sobrenaturais, mas é curioso tudo isso junto e misturado, ainda mais com o Drácula como vilão, em uma história no Mundo Bélico das Guerras Secretas.

. Volume de Spoilers: perto do zero.

Não sou muito fã das HQs do Deadpool, mas adoro os Monstros da Marvel. Além disso, como o famoso Mercenário Tagarela aparece “apenas” como narrador, para mim ficou ainda mais interessante. Não me entendam mal, eu acho um ótimo personagem e costumo me divertir quando leio algo dele, mas priorizo outras revistas da pilha de leitura.

A história, escrita por Gerry Duggan, o roteirista regular do Deadpool, que segue em uma bem-sucedida fase há alguns anos, apresenta o Barão Drácula eliminando logo no começo o anti-herói (ei, não é um spoiler porque, afinal, ele aparece como fantasma na capa), e rapidamente acrescenta o Comando Selvagem, formado pelo Lobisomem, a Múmia Viva, o Monstro de Frankenstein, o Homem-Coisa e Marcus, o Minotauro com Simbionte (?!?). Esta introdução faz com que a revista vire uma espécie de “O que aconteceria se…”, já que muda o desfecho de uma história recente do Deadpool onde ele vencia o lorde dos vampiros.

Estamos falando, neste caso, da atual versão do Drácula desenvolvida pela Marvel há alguns anos, que é bem diferente daquela tradicional, Bram-Stokeriana que a Casa das Ideias tanto trabalhou nos anos 1970. Ele agora se parece mais com um supervilão convencional, sempre com exércitos à sua disposição. Ainda não consegui digerir essa versão, e talvez nunca o faça. Entendo a intenção da Marvel em se diferenciar do Drácula clássico, por razões de “transmidialização” e até mesmo direitos autorais, mas acho que não acertaram a mão.

Enfim, aqui ele é o “opressor” e Barão da Metrópole dos Monstros. O Comando é sua tropa de elite, e precisam guiar Shiklah até o Inferno para cumprir uma missão. Liderados pelo Lobisomem, os Monstros também tem sua própria agenda. Apesar do cenário sobrenatural, o roteirista nos lembra que estamos nas Guerras Secretas e logo acrescenta elementos de conexão, incluindo um hilário Mano-Thor, baseado no Luke Cage da época da Blaxploitation. Há, como não poderia deixar de ser, violência e sangue, muitas piadas, situações esdrúxulas e alguns diálogos inspirados ao longo das quatro partes da história.

A arte é de Salva Espin, um desenhista competente, embora aqui sem brilhar, e as cores de Val Staples. No geral, fazem um bom trabalho, com alguns deslizes – personagens variando muito de aparência entre uma página e outra, por exemplo – e alguns destaques, como nas cenas de violência explícita e, novamente, no Thor-Luke Cage. O estilo de Espin é adequado para o clima “terrir” da revista.

Achei o final inesperado e insólito. Se, por um lado, essa é uma opção válida para este tipo de história, por outro deixa a revista com um ar mais descartável. Enquanto durou, me diverti com a leitura, sobretudo por conta do Comando Selvagem (e seu membro invisível!), mas acho uma das interligações menos recomendáveis até o momento, exatamente por esse caráter de “tiração de sarro com geral”. Claro, os fãs do Deadpool vão encontrar elementos familiares às suas HQs, mas mesmo nesse caso não é uma das suas histórias mais memoráveis, embora, repito, seja sim divertidamente descompromissada.

A revista da Panini encerra com uma inusitada historieta do Deadpool no Velho Oeste (há um domínio no Mundo Bélico assim…), cavalgando o Dentinho (?!?), e conhecendo o Dinossauro Demônio e o Menino da Lua (?!?!?!), da dupla Ryan Ferrier e Logan Faerber.

Nota: 6,0.

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