Resenha de Guerras Secretas Homem-Aranha #3 – Panini Comics

Homens e Mulheres Aranhas por todos os lados!

Esta terceira revista dedicada às aventuras do(s) Homem-Aranha(s) na realidade das Guerras Secretas compila a minissérie Aranhaverso, em 5 partes, levemente inspirada na recente saga de mesmo nome do Universo Marvel tradicional que, por sinal, ainda não li. Mas sei que tem boa reputação e proporcionou uma ampliação da “família” Aranha, com resgate e criação de personagens de outras realidades e épocas. Alguns desses Homens e Mulheres Aranhas de universos alternativos são as estrelas desta nova história.

. Volume de Spoilers: bem pouquinhos… pode ler sem medo!

O roteirista é Mike Costa, um jovem talento com passagens elogiadas nas séries em quadrinhos dos Transformers e G. I. Joe (ambos da editora IDW) e que já fez alguns trabalhos na Marvel nos últimos anos. Ele apresenta, no primeiro capítulo, a protagonista Spider-Gwen, a mesma da realidade que tem histórias-solo badaladas, criada para a saga Aranhaverso original e que obteve um grande e até inesperado sucesso desde então. A jovem baterista está investigando a morte da sua contraparte deste Domínio, e no processo conhece outros heróis com poderes aracnídeos que, por diversas razões, terão que se unir para deter um grande conjunto de vilões clássicos do herói, comandados por um de seus arqui-inimigos que, por acaso, é secretamente o prefeito desta New York.

Por falar na Big Apple, a desta história é essencialmente a mesma que conhecemos do Universo Marvel tradicional, com uma diferença central: em algum momento seu Homem-Aranha desapareceu. A sociedade local parece acreditar que ele morreu. Curiosamente, não há menção alguma sobre outros supers, nem Quarteto, Vingadores, X-Men ou Demolidor. Fica-se com a impressão que o herói proeminente era o Aranha e os vilões, aqueles da sua galeria, e ponto! Ou seja, se for isso mesmo, esta cidade seria o próprio “Aranhaverso”.

Voltando à nossa história, os heróis aracnídeos que se unem formam um conjunto bem interessante: além da super Gwen Stacy, temos a Garota Aranha, ou Anya Corazón, que foi criada em 2005 com o codinome inicial de Araña (sim, ela é latina e parte do início dos esforços da Marvel nesse sentido, embora sem “polêmicas” na época). Ela é parceira de um certo Capitão Aranha (?), ou melhor, de um Braddock, da linhagem de heróis ingleses associados ao Capitão Britânia. Logo, o Homem-Aranha Indiano, um gênio científico de perfil similar a Peter Parker, mas de nome Pavitr Prabhakar – que eu também não conhecia, associa-se ao grupo. O Porco-Aranha (no original, Spider-Ham), um verdadeiro cartum vivo, personagem que tinha revista própria e desfrutou de um certo sucesso nos anos 80 (somente nos EUA, porque aqui os leitores nem chegaram a conhecê-lo), e o Homem-Aranha Noir, de uma realidade onde os Marvels surgiram na Era da Depressão americana, que estrelou algumas minisséries nos anos 2000 e alcançou fama mundial entre os gamers por conta do jogo Spider-Man: Shattered Dimensions, completam a equipe.

A história tem um bom ritmo, diálogos adequados e uma leveza incomum para os tie-ins das Guerras Secretas. Com um roteiro convencional, sem riscos, mas interessante, que traz algumas reviravoltas e surpresas, tudo bem amarrado, em uma leitura rápida e fluida, Aranhaverso não é um espetáculo, mas também não decepciona e consegue entregar uma boa aventura do tipo “formação de equipe de heróis”, com a diferença, claro, que este é um supergrupo composto por heróis-Aranha de diversas realidades. A interação entre este grupo de desconhecidos, tanto nas batalhas como principalmente nos momentos de calmaria, é um dos pontos fortes da HQ.

Outra qualidade, certamente, é a arte do competente André Araújo, português que recentemente trabalhou na série Avengers A. I. Com um traço limpo, fortemente influenciado pela escola europeia de ‘Linha Clara” e por Moebius, o artista transita com facilidade e segurança em todas as partes da boa aventura descompromissada, com muita fluidez e leveza – talvez a característica principal deste trabalho. As cores são da veterana Rachelle Rosenberg. 

Quando leio trabalhos leves, bem redondos e sem grandes pretensões como este, me lembro das constantes queixas de leitores veteranos que não suportam mais as “grandes sagas” ou os crossovers… sim, esta é um revista derivada de uma Saga mas, como muitas outras, tem vida própria e nada impede de lê-la sem compromisso, como um passatempo fugaz. E, mesmo fora dos crossovers, tanto a Marvel quanto a DC continuam publicando histórias assim, basta ter paciência e boa vontade para procurá-las. Afinal, só essas duas editoras lançam quase 200 comics mensais novos todos os meses. Alguém realmente acha que a maioria dessas revistas está ligada à mega saga do verão?

Nota 7,5.

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