Resenha de Guerras Secretas Guardiões da Galáxia #3 – Panini Comics

A capa faz uma homenagem à saga original, mas com os Guardiões como protagonistas

Quando a Saga de Korvac original foi publicada, ainda não era comum para a Marvel ou para a DC desenvolverem grandes eventos no modelo de crossover, isto é, com uma história principal e diversas outras interligadas, envolvendo múltiplos títulos de vários personagens.

Pelo contrário, a história idealizada por Jim Shooter com uma pegada cósmica foi criada para a revista mensal dos Vingadores no final dos anos 1970 (Avengers Vol.1 #167-168 e 170-177). Na época, a superequipe não era tão popular e só tinha uma revista. Portanto, esta era para ser uma história “comum”, um team-up com os Guardiões da Galáxia originais (aqueles do século XXX), mas conforme os meses avançavam e, graças ao seu final inesperadamente chocante, entrou para o rol de maiores histórias dos Vingadores de todos os tempos. Inclusive figura na minha lista de maiores clássicos da Marvel.

. Volume de Spoilers: moderados, mas sem entregar os principais momentos.

Para esta nova abordagem, uma interessante releitura da original, os protagonistas são os mesmos Guardiões da Galáxia do futuro, acrescidos apenas de Geena Drake, uma nova personagem criada poucos meses antes das Guerras Secretas, enquanto uma equipe alternativa de Vingadores são os coadjuvantes. Alternativa, porque nunca vimos essa formação: Hércules, Serpente da Lua, Pantera Negra, Visão, Viúva Negra, Jaqueta Amarela e Jocasta, liderados pelo Capitão Mar-vell. Todos em sua gloriosa e icônica versão da década de 70.

A equipe dos Guardiões cuida da segurança do Domínio de Forest Hills, cujo Barão é… Michael Korvac. Já os Vingadores patrulham o Domínio vizinho, Holly Wood, onde o Barão é, curiosamente, Simon Williams. Talvez este seja um easter egg, porque Williams, mais conhecido no Brasil pelo codinome Magnum, teve uma carreira paralela como ator de cinema – nunca bem sucedida -, e agora ele “domina” Hollywood.

A história começa com a tentativa de um acordo entre os dois Domínios, cujos Barões estão aparentemente dispostos a esquecer certas diferenças do passado e trabalharem em conjunto, inclusive com as duas superequipes cooperando na segurança. Nesse meio tempo, os Guardiões estão investigando um mistério envolvendo cidadãos comuns que são acometidos por uma “loucura” envolvendo estrelas e um universo anterior… para então se transformarem em criaturas superpoderosas.

O roteirista é o veterano Dan Abnett, especialista em aventuras cósmicas e principal responsável pelas últimas séries do grupo, tanto as da equipe futurista quanto a do presente. Dividida em 4 partes, o autor cria uma história instigante, com todos os elementos principais da aventura original, mas ao mesmo tempo com muita criatividade e dando mais espaço para Michael Korvac e sua amada, Carina. Acredito que leitores novos, ou que desconheçam a história original, deverão gostar das reviravoltas e das batalhas épicas. Mas, para os leitores veteranos há um pequeno deleite extra: ter uma nova chance de ver estes Vingadores interagindo com estes Guardiões, porque são todos personagens em suas versões clássicas. Serpente da Lua fazendo um mapeamento mental, Capitão Mar-vell em ação, Águia Estelar misterioso… enfim, há pequenos momentos assim que são presentes para os fãs. Além disso, os costumes, cenários e roupas sugerem que a trama se passa mesmo no final dos anos 70.

A história está fortemente inserida no ambiente das Guerras Secretas, e o roteirista explora inteligentemente isso. Destino e os Thors são uma sombra constante e influenciam as decisões dos personagens, e a forma como Abnett envolve a consciência cósmica de Korvac com a saga principal é exatamente aquela que um leitor exigente poderia esperar. O final – tão contundente quanto a história clássica, é muito bem amarrado e, novamente, rende uma bela homenagem à saga original e aos próprios Guardiões.

Os Guardiões no traço cartoon de Schmidt

A arte ficou por conta de Otto Schmidt, que tem um estilo cartunesco, que não é o meu favorito, mas certamente ele é muito competente na quadrinização, nas versões de todos os clássicos heróis e na fluidez narrativa. Mas, talvez, sofra uma certa inconsistência ao longo da minissérie. Contudo, é opção estilística do artista e, como leitores, podemos apreciar sua arte ou não. Embora para uma história com escopo grandioso, cósmico e dramático como este eu preferiria outros estilos, tal opção soaria cômoda e familiar, algo que já teria visto antes (inúmeras vezes, na verdade). No final das contas, é bom experimentar algo diferente do lugar-comum. Parece desenho animado moderno, e as cores da brasileira Cris Peter estão muito boas e atraentes.

Este tie-in foi uma opção da Marvel e dos autores inversa daquela do Desafio Infinito, que saiu na edição #2 dos Guardiões da Galáxia das Guerras (resenha aqui): enquanto aquela procurou um caminho intimista e distante da saga original, nesta todos os aspectos principais e grandiosos foram abraçados e retrabalhados. Uma boa aventura cósmica, totalmente integrada na realidade das Guerras Secretas, e ainda homenageando a trama original e seus personagens centrais.

Completa a edição uma pequena história do Surfista Prateado, ou melhor, de uma versão dele, escrita e desenhada por James Stokoe. É uma arte deslumbrante, daquelas que a gente quer ver mais vezes. Um ótimo encerramento para a edição da Panini.

A impressionante arte de Stokoe

Nota: 9,0

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s