Resenha de Universo DC Renascimento – Panini Comics

A já clássica capa de Gary Frank

A partir desta edição especial, a nova fase do Universo DC chega ao Brasil cercada de expectativas. Além de impulsionar as vendas da editora, a ponto de conseguir ultrapassar a arquirrival Marvel durante dois meses e praticamente equilibrar o mercado até o momento, é muito elogiada pelos fãs e boa parte da crítica.

. Volume de Spoilers: leves.

Ao publicar este post, a Panini já lançou – pelo menos aqui em São Paulo – as primeiras edições das novas mensais Superman, Action Comics, Batman, Detective Comics, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e Liga da Justiça. Em breve, começarão a chegar encadernados com outros personagens.

Quando saiu nos EUA, este revista foi a mais vendida para o mês de maio/2016, à frente de Civil War II #0. Escrita por Geoff Johns, atual Diretor Criativo da DC, e desenhada por um quarteto dos principais artistas da casa, Gary Frank, Ivan Reis, Ethan Van Sciver e Phil Jimenez, esta história é, de fato, um Prólogo do Renascimento, e foca em um personagem querido por muitos fãs mas que não foi utilizado durante a Fase dos Novos 52.

Para quem – assim como eu – não acompanhou de perto esse período, que no Brasil começou em agosto de 2012 e termina agora, cerca de 5 anos depois, é importante ressaltar que esta história começa dentro da realidade dos Novos 52, e lida com alguns de seus fatos recentes, como a morte do Superman. Ou seja, é uma continuação mas, como todos os títulos foram zerados, algumas equipes criativas e as abordagens e conceitos dos personagens foram repensadas, é um momento adequado para novos leitores. Pode-se definir Renascimento, portanto, como um soft reboot.

Ciente disso, é compreensível entender porque Johns coloca alguns elementos dos Novos 52 ao longo da narrativa. Não chega a inviabilizar o entendimento da história, mas confesso que me incomodou um pouco. Contudo, o roteirista não perde o foco: o ponto central é em torno de um dos Flash, que tenta desesperadamente escapar da “zona de aceleração” – que aparentemente está destruindo sua essência – e voltar para a Terra. Para isso, ele só precisa encontrar alguém que tenha um forte vínculo com ele. Em sua busca desesperada, encontraremos outros ícones da DC: alguns óbvios, outros nem tanto. Batman tem uma participação breve, mas essencial, por conta de uma descoberta que, lógico, vai ter desdobramentos por muitos e muitos meses. A propósito, é claramente uma mudança de status que vai repercutir fortemente em suas duas novas revistas (Batman e Detective Comics).

Como todo bom Prólogo pede, o roteiro é instigante e muito bem construído. Depois de tanto tempo trabalhando fielmente para a editora, e com seu histórico de renovar competentemente múltiplos personagens, heróis e vilões, é fácil perceber que o autor está em terreno familiar. Há cenas cuidadosamente pensadas para agradar aos leitores da “velha guarda”, muitos dos quais se afastaram durante os Novos 52. A maior parte desses momentos funciona bem. Johns só escorrega quando exagera no melodrama, o que acende o sinal amarelo da pieguice, lembrando aqueles momentos muito açucarados de Chris Claremont nos quadrinhos dos X-Men da década de 90. Sei que é uma característica do autor e há quem goste mas, fica difícil negar que, em 2017, esse tipo de texto pode soar datado e clichê. Para o comprador casual, é importante notar que muitos dos clichês do gênero “super-heróis” e, mais precisamente, da própria DC, aparecem constantemente aqui. Quem não curte essa sensação de deja vu e tem a esperança de encontrar algo original em Renascimento, pode esquecer… como a proposta gira em torno do resgate de uma certa “mitologia perdida ou adulterada” pelos últimos anos, esta é uma história eminentemente convencional do gênero. Muito bem contada, mas repleta de situações típicas do formato clássico dos comics.

A esta altura, também, quase todo mundo está ciente qual “universo intocado de personagens” Johns decidiu resgatar com o Renascimento. Infelizmente, como eu também sabia antes de ler esta revista da Panini, boa parte da graça dessa revelação já estava perdida. Imagino como foi muito mais impactante para os leitores americanos um ano atrás. Se você por acaso ainda não sabia, ótimo! Vai levar um soco no estômago ou, ao menos, vai ficar coçando a cabeça por um bom tempo.

Em termos de arte, Reis, Sciver, Jimenez e Frank são profissionais tarimbados e entregam um material de alta qualidade. Particularmente, preferi as páginas dos dois últimos listados acima, mais marcantes e até originais.

A edição da Panini ainda inclui uma introdução por Diane Nelson, a VP da editora, e vários extras abordando as futuras publicações, com entrevistas, sketches, sinopses das mensais, etc.

A capa cartonada e o pacote completo fazem de Universo DC Renascimento uma compra obrigatória para qualquer fã da editora, ou para aqueles que, como eu, haviam deixado a DC de lado e estavam aguardando um momento oportuno e instigante para voltar a ler histórias com estes fantásticos personagens.

Nota: 8,5.

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