Mulher-Maravilha #1 – Panini Comics

As duas capas da MM #1

Resenha: nesta estréia da Mulher-Maravilha na nova fase Renascimento DC, temos uma abordagem diferente da personagem e de seu elenco de apoio em uma HQ mediana, mas com grande potencial.

. Volume de spoilers: mínimos.

A Panini acertadamente encaixou tanto a edição especial (one-shot) Wonder Woman: Rebirth, que serviu basicamente para apresentar o novo status quo da personagem, quanto sua continuação direta, a edição #1 da própria série regular Wonder Woman, onde a história começa de fato.

Ambas as revistas foram escritas por Greg Rucka, um dos grandes nomes dos quadrinhos atuais, em atividade desde a década de 1990, com muitos trabalhos autorais e longas passagens na Marvel e na DC, incluindo uma elogiada fase da própria Mulher-Maravilha.

A primeira história basicamente é um “monólogo” de Diana – algo incomum em histórias de super-heróis, e dá para entender o porquê. Ela está em seu apartamento em Paris, subitamente questionando a “história”, que “continua se alterando”, tanto a da sua vida como do próprio mundo. Suas memórias estão confusas e está aflita por não conseguir discernir qual a verdadeira realidade. Tirando um pequeno momento de ação no começo e outro no final, a história em si é algo vazia, como a própria crise existencial da heroína. Abordagem curiosa, mas não empolga.

É preciso esclarecer – especialmente para os leitores que estão começando a acompanhar as revistas da Mulher-Maravilha agora – que as lembranças confusas às quais ela se refere condizem com diferentes origens da personagem em fases distintas da história do Universo DC. É até usual que os personagens mais antigos dessa editora tenham diversas origens (ao contrário da Marvel, que no geral mantém uma única origem e uma só linha do tempo), então de fato o entendimento pode ficar um pouco confuso. O autor sabe disso e aproveita essa característica para que a heroína questione sua existência. Para quem já leu essas outras fases, talvez o apelo desse enfoque seja maior. Ou não.

Há um momento interessante nessa história envolvendo o Laço da Verdade, mas no geral pouca coisa acontece, além do que foi dito. Os desenhos são na maior parte de Matthew Clark, que tem um traço limpo, correto, mas sem brilho, e algumas páginas do Liam Sharp, de quem falaremos mais adiante.

Na segunda história, temos duas tramas correndo em paralelo. Além da continuação da “busca pela verdade” que a Princesa Diana começa a empreender, o que a leva até a África, temos a de seu ex-namorado, o militar Steve Trevor, que está em missão na… África. A propósito, no mesmo país e no mesmo momento que a Princesa. Coincidência? Intervenção Divina? Conhecemos também um pouco da organização ESTACA e sua comandante, Etta Candy, coadjuvante de outras fases que aqui é chefe de Trevor e, impossível deixar de notar, tem uma personalidade e aparência muito próximas da Amanda Waller na fase Pós-Crise.

Trevor e sua equipe enfrentam uma espécie de milícia, nada muito original, sendo que, por um momento, parece até aquele velho cliché preconceituoso do soldado-branco-americano-vai-salvar-africanos-deles-mesmos, mas vamos dar o benefício da dúvida à equipe criativa e acompanhar o desenvolvimento dessa subtrama.

Diana nas selvas africanas garante imagens impressionantes, especialmente as paisagens e as feras. O veterano desenhista Liam Sharp é bom, consegue poses poderosas mas um exame cuidadoso de seu trabalho aponta alguns problemas, desde a falta de imaginação na quadrinização e na composição das cenas, até suas pouco convincentes expressões faciais de espanto ou tristeza. O último quadro é um grande acerto, tanto visualmente quanto na criação de um gancho intrigante para a continuação. As cores sóbrias de Laura Martin ajudam a criar um clima estranhamente soturno para uma HQ da personagem, mas no geral o conjunto artístico nesta segunda parte funciona muito bem.

Pelo que soubemos, Rucka vai apresentar nesta revista um versão “definitiva” para a origem da Mulher-Maravilha. Essa história focada no passado da Princesa será intercalada com a aventura do presente que começou aqui, na África, e provavelmente Steve Trevor terá uma grande importância na trama. O ritmo até o momento é lento e introspectivo, mas bem contado, embora não tenha achado a proposta em si muito interessante. A ideia da dúvida, da falta de memórias confiáveis, da conexão com Themyscira e da busca pela verdade até pode gerar uma grande história, mas o começo é lento e há muitos lugares-comuns, inclusive na arte.

Impossível deixar de citar, também, que há uma breve abordagem feminista nas duas histórias: tanto a Mulher-Maravilha quanto Steve Trevor enfrentam grupos de homens que abusam de mulheres. Não sabemos se esses criminosos terão outros desdobramentos, inclusive com a nova origem e a “história que se altera”, que tanto perturba Diana, mas certamente o autor voltará aos temas nas próximas edições.

A quarta capa traz uma pin-up belíssima da Princesa Amazona desenhada por Frank Cho.

A imponente Mulher-Maravilha de Frank Cho

Nota: 7,5.

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