Resenha de As Guerras Secretas Secretas de Deadpool #1 – Panini Comics

Capa de Tony Harris para mais uma edição especial de Deadpool nas Guerras Secretas.

Nesta edição especial da Panini estrelada por Deadpool, a Marvel fez uma brincadeira, ignorando as “novas” Guerras Secretas, e produziu uma espécie de “O que aconteceria se… Deadpool tivesse participado das Guerras Secretas originais?“, ou seja, é uma história baseada naquele primeiro grande evento da editora, de 1984.

. Volume de Spoilers: Poucos, só para situar o leitor.

O resultado é hilário e, às vezes, até brilhante, mas tem um problema: as gags funcionam muito, mas muito melhor para quem já leu e se lembra bem daquele clássico evento – diria até que é imprescindível. Claro que, nos dias atuais, pela facilidade em encontrar informação, pode ser algo contornável, mas fica a ressalva.

Como os leitores daquela época sabem, a primeira grande piada é que Deadpool simplesmente não existia. Ou melhor, ainda não tinha sido criado! Quando surgiu, como adversário da X-Force, em 1991, ele só tinha interações com o núcleo dos mutantes, ficando famoso mesmo lá pelo final dessa década.

Essa “impossibilidade” é o mote das piadas e do roteiro desta HQ e justifica o título: Deadpool teria participado secretamente das primeiras Guerras Secretas. De fato, se ele surgiu como um adulto e veterano em 1991, ele já existia em 1984; o ponto é que nem nós, leitores, nem os demais personagens daquele evento o conheciam!

Essa premissa é bastante explorada no primeiro capítulo, quando heróis e vilões são transportados por Beyonder ao Mundo Bélico. A história começa instantes após o Doutor Destino ter eliminado todos os super-heróis, ou seja, já no arco final da saga. Graças ao seu insano fator de cura, Deadpool recupera-se sozinho e começa a vaguear, em meios aos corpos carbonizados dos seus colegas, quando passa a narrar, em flashback, os principais pontos da história pregressa.

O Deadpool-Narrador é uma opção que muitos roteiristas gostam de usar, e Cullen Bunn, o responsável pela minissérie reunida neste encadernado, soube explorar bem, embora a maior parte da história nem precise do recurso. Bunn parece ter se divertido muito, imaginando como Deadpool teria reagido, quais falas teria dito, como lutaria e como se relacionaria com os demais heróis e vilões nas situações mais marcantes do evento. Falastrão, desbocado e tentando conter sua veia assassina, as risadas surgem a cada página.

Uma das cenas clássicas recriadas, agora com Deadpool no meio… e não é que ficou até mais legal?

O desenhista, Matteo Lolli, recria várias das mesmas cenas da saga clássica, emulando até algumas das poses e equipamentos imaginados por Mike Zeck e Bob Layton, os desenhistas da série original. Lolli às vezes procura ângulos diferentes, como se revíssemos a cena clássica por uma outra câmera, o que acrescenta uma dose extra de diversão. Seu traço é clean, com narrativa e composições adequadas, nada de excepcional mas competente.

Muitas das frases originais e que se instalaram na memória de quem vivenciou a história nos anos 1980 também ressurgem mas, claro, com intervenções inoportunas do Mercenário Tagarela que até fazem “perder o clima” dos demais (Doutor Destino que o diga rsrs).

Mas, piadas infames à parte, Bunn traz algumas ideias bem-vindas, criativas e, pelo menos uma – que envolve um certo simbionte alienígena, realmente brilhante. O autor também precisava apresentar uma justificativa crível sobre como essa hipotética participação do Deadpool não contava da história original, e o faz utilizando um recurso do próprio roteiro das Guerras. Finalmente, há uma alteração incrível, um retcon revelado na última página que, sinceramente, agradou ao meu coração.

Deadpool é curado… e olha que visual maneiro ele tinha em 1984?

Provavelmente mais do que 4 capítulos para esta grande piada seria demais, mas eu leria! De modo geral, esta HQ cumpre bem o que se espera da proposta, e até de fato supera, ao acrescentar boas ideias, dezenas de piadas e algumas situações memoráveis.

Como extras, uma pequena história da mesma dupla criativa usando como base o Torneio dos Campeões – um evento anterior, de 1982 e bem menos famoso, e outra, chamada Howard, o Humano, de Skottie Young e Jim Mahfood. Esta, publicada originalmente em one-shot, apresenta um thriller policial cômico, em que o único humano desta realidade é uma versão do pato Howard, e todos os demais seres inteligentes e falantes são animais. OU seja, o oposto do que lemos nas aventuras do Pato. É uma boa história, embora a arte alternativa de Mahfood não seja para todos.

Nota: 8,0.

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