Resenha de Avante Vingadores #1 – Panini Comics

Arte de Alex Ross para o Esquadrão Supremo

Decidimos acompanhar outro título mensal que, assim como X-Men, é do tipo mix da Panini. Contudo, Avante, Vingadores! é bem maior, com mais do que o dobro de páginas e, ao contrário da revista dos mutantes, esta aqui, apesar do nome, não traz histórias dos Vingadores, mas sim de outros supergrupos e também histórias solo de heróis diversificados, ex-Vingadores ou não. É, em geral, uma revista com altos e baixos, mas com alguns temas muito interessantes e até relevantes para quem quer acompanhar o desenrolar do Universo Marvel.

. Nível de spoilers: praticamente zero.

Nota: neste momento, a edição 11, de outubro de 2017, acabou de chegar às bancas em São Paulo. Vamos acelerar nas resenhas para não ficar tão distante com o que está saindo atualmente.

Esquadrão Supremo #1
Estréia impactante e memorável da nova formação do Esquadrão Supremo. Assim como em outras versões, esta é poderosíssima, e também calculista, audaciosa e implacável com seus adversários. James Robinson – o veterano e premiado autor eternamente associado a uma fase inesquecível do Starman, da DC Comics – não perde tempo e faz o Esquadrão mostrar a que veio, primeiro contra Superskrulls, e depois contra Namor e os Atlantes. Os 5 membros são todos sobreviventes de outras Terras, destruídas durante os eventos das “incursões”, mostradas na fase dos Vingadores de Hickman e, claro, em Guerras Secretas: Hypérion, Doutora Espectro, Princesa do Poder e Vulto são liderados pelo Falcão Noturno da versão Max (cujas histórias saíram na revista Marvel Max, no começo dos anos 2000). O leitor que comprou Avante, porém, e que não acompanhou a megassaga não precisa se preocupar porque dá para entender tudo isso, que é bem explicado em uma história curta de introdução. O desenhista americano Leonard Kirk acerta no ritmo e na composição ágil, auxiliado pelo veteraníssimo e sempre competente arte-finalista inglês Paul Neary. Muitas batalhas, splash pages e personagens overpower fazendo feitos absurdos. Apesar de toda a ação, é uma revista essencialmente politizada, porque incita o debate sobre justiçamento, guerra preventiva, capitalismo, refugiados… Falcão Noturno claramente tem um grande e audacioso plano, e seus colegas tem o poder para realizá-lo. Fantástico!
Nota: 9,0.

Capitã Marvel #1 
Mais um reinício para Carol Danvers, desta vez sob o comando de Michele Fazekas e Tara Butters, roteiristas da TV e novatas nos quadrinhos, que a colocam no comando da Tropa Alfa em uma estação espacial responsável pela proteção da Terra. Sim, é um conceito completamente diferente para a velha equipe canadense, mas não inédito na Marvel. A agência SWORD fazia esse mesmo papel na era pré-Guerras Secretas, comandada por Abigail Brand que, não por acaso, também está neste título, dividindo as funções de liderança do vasto contingente de soldados, pesquisadores, alienígenas e heróis da estação com a própria Capitã Marvel. Parece que nossa heroína tem um novo namorado e somos apresentados ao elenco de apoio, com algumas gracinhas e um pequeno mistério no final. É um começo bem morno. Até a arte de Kris Anka não consegue ganhar relevância, embora as cores de Matthew Wilson tragam uma bem-vinda leveza e modernidade. Entre os membros da Tropa Alfa, Pigmeu acertadamente ganha destaque. É uma HQ simpática, há bastante coisa acontecendo, mas nada muito interessante.
Nota: 6,0.

Incrivelmente Sensacional Hulk #1
Primeira aparição do novo Hulk – agora o jovem alto astral Amadeus Cho – , escrita pelo seu criador, Greg Pak, e desenhada por outro Cho, o às vezes polêmico Frank. Esta é uma revista com foco em um personagem-legado muito diferente da versão clássica. Apesar de ambos serem gênios, Amadeus é muito mais jovem e, mesmo tendo em seu passado sua própria dose de tragédia, ele transpira otimismo e confiança, resultando em uma abordagem totalmente heroica com seu poderoso alter ego. Além da história principal, centrada no “presente”, ou seja, 8 meses depois do final das Guerras Secretas, Pak dá a primeira pista do que aconteceu com Bruce Banner e como Amadeus ganhou os poderes do titã verde nesse meio tempo, o que certamente será desenvolvido aos poucos. O autor apresenta a líder de campo das ações do novo Hulk, nada mais nada menos do que sua esperta irmã, Madame Curie Cho, e traz diversas aparições especiais, todas bem caracterizadas e úteis no desenrolar da história. Frank Cho capricha como sempre, tanto nas figuras humanas e heróicas, quanto nos monstros que, aliás, são a ameaça da vez. Apesar de muitos fãs do Hulk clássico torcerem o nariz, esta não foi a primeira, nem a segunda, e nem será a última vez que a Marvel substituirá o Hulk original. Além disso, a transformação de Amadeus é aceitável, afinal o jovem coreano-americano está participando há mais de uma década do universo do Hulk. De quebra, uma nova e impactante personagem é introduzida nas páginas finais. Estreia interessante, leve, bem-humorada, cheia de ação, com bela arte e com potencial de histórias diferentes. Para quem procura um Hulk em conflito, sofrendo e promovendo muita destruição, melhor ler as séries clássicas. Pessoalmente, gosto de mudanças de vez em quando e considero Amadeus Cho um dos melhores novos personagens da Marvel dos últimos tempos, e aqui certamente será trabalhado com muito carinho pelo seu criador.
Nota: 8,0.

Frank Cho adora desenhar monstros e mulheres

Os Supremos #1
Nova superequipe com uma mistura interessante e inusitada de personagens antigos e novos: Pantera Negra, Capitã Marvel, Espectro, Marvel Azul e Miss América. O nome Supremos pode enganar os que conheceram a memorável versão dos Vingadores do extinto Universo Ultimate, mas pelo menos seu quartel-general, o Triskelion, está presente. O talentoso Al Ewing parece disposto a arriscar, e entrega uma história de apresentação recheada em superciência, dimensões paralelas, poderes cósmicos e uma intrigante proposta da equipe para o Devorador de Mundos. Kenneth Rocafort também assume um estilo mais arrojado e, com o auxílio da miríade de cores de Dan Brown, entrega talvez seu trabalho mais impressionante. Lembra o cosmo colorido dos filmes Guardiões da Galáxia e Thor Ragnarok. Para quem gosta de viagens astrais, seres superpoderosos, um elenco fascinante e uma equipe criativa tão ambiciosa quanto seus personagens, parece que Os Supremos vai deixar sua marca. Ah, sim, o Secretário-Geral da ONU faz uma curiosa participação.
Nota: 8,5.

Força-V #1 
Esta é uma série mensal com a superequipe composta somente por heroínas que foram introduzidas pela Marvel no Mundo Bélico das Guerras Secretas. O problema é que, naquela minissérie, Mulher-Hulk, Medusa & Cia. residiam em um Domínio onde já eram as líderes e protetoras de seu povo. Agora, na Terra Marvel remanescente, a criadora do conceito e também roteirista desta edição, G. Willow Wilson, precisa desenvolver uma solução para justificar a união das “nossas” Mulher-Hulk, Medusa, Capitã Marvel (olha a Carol Danvers aqui de novo!) e demais participantes. Parece um pouco difícil, visto que cada super heroína tem sua própria agenda, então a premissa apresentada aqui – a chegada de uma personagem em nosso universo – embora óbvia seja no fundo inevitável. A Panini acrescenta uma HQ curta de introdução, desenhada por Victor Ibanez, mas a edição #1 de A-Force conta com a bela arte de Jorge Molina, também o responsável pela minissérie da equipe nas Guerras Secretas. História um tanto rápida demais, com a nova personagem sendo capturada pela Tropa Alfa e logo causando problemas. Como os heróis Marvel em geral desconhecem o que aconteceu durante o evento, cria-se um certo conflito com a chegada da outrora aliada, mas não há muito o que dizer desta re-estreia, a não ser esperar sua continuação na edição seguinte.
Nota: 5,0.


Nota Final para esta Edição: 7,3.


Comentário Final:

Edição com 5 estreias, sendo três HQs de equipes e duas com heróis solo. Arte e cores de ótimo nível, com um conjunto interessante, super diversificado de personagens, embora sem ícones. Os roteiros em geral entregam a promessa da fase Totalmente Diferente Nova Marvel. É preciso, portanto, ter (ou adotar) uma certa “mente aberta” para curtir a revista. Entre os quadrinistas, destaco a presença de dois roteiristas consagrados: James Robinson e Greg Pak, um desenhista-estrela, Frank Cho, e uma jovem e audaciosa dupla, Al Ewing e Keneth Rocafort.
Finalmente, chamo a atenção para a arte estampada na quarta capa: um impressionante e poderoso Galactus de Arthur Adams. A imagem faz jus ao personagem e, ao mesmo tempo que exala design de Jack Kirby, é moderna e autêntica.

Este Galactus merece virar pôster!

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