Resenha de Avante Vingadores #2 – Panini Comics

A cabeça de Namor nos braços de Hypérion na interpretação de Alex Ross

Nova resenha desta mensal do tipo mix da Panini com a divisiva Fase Totalmente Diferente Nova Marvel. Embora a revista já tenha completado um ano, decidi resenhá-la desde o começo não só pelo “registro histórico” mas porque acho interessante analisar títulos diversificados e com personagens menos populares do Universo Marvel.

. Nível de spoilers: leves.

Esquadrão Supremo #2
Após a inesquecível estréia na edição anterior, James Robinson mostra um pouco da reação da mídia e da população frente ao novo supergrupo e suas atitudes radicais, mas traz, principalmente, momentos solo para cada membro do Esquadrão. Curiosamente, a primeira personagem a aparecer é Tundra, que não pertence à equipe, mas está à sua procura. Em seguida, um ótimo momento de ação com o Falcão Noturno que, ao investigar uma pista deixada pelos Skrulls, enfrenta um alienígena de uma espécie associada ao saudoso Quarteto Futuro (Power Pack). Hypérion tem uma conversa em um restaurante de estrada que lhe vai dar uma nova motivação em sua jornada por esta Terra. Vale chamar a atenção que esse ponto da história gerou uma minissérie solo do personagem que não foi publicada no Brasil. A Princesa do Poder – versão Marvel da Mulher-Maravilha – tem uma cena curta e reveladora de sua verdadeira natureza que certamente terá outros desdobramentos, enquanto que na Base Submarina do Esquadrão descobrimos que a Doutora Espectro, apesar da vingança já obtida na edição anterior, tem outras inquietações. Seu colega Vulto, ao contrário, parece estar curtindo sua estadia nesta Terra. Novamente, temos uma HQ com ritmo ágil, mas desta vez com foco no desenvolvimento dos personagens, e não em batalhas que, a julgar pelo cliffhanger, ficam para o próximo capítulo. O desenhista Leonard Kirk, o arte-finalista Paul Neary e o colorista Frank Martin formam um competente trio artístico. Apesar da “pausa” na ação, o arco continua interessante graças ao bom trabalho com estes ainda misteriosos personagens e pela promessa de muitas revelações e mais violência e ação desenfreada. Depois do brutal assassinato do anti-herói Namor na edição #1, certamente Falcão Noturno e sua poderosa equipe esperavam retaliações.
Nota: 7,5.

Capitã Marvel #2 
Segunda parte do arco “A Ascenção da Tropa Alfa”, que apresenta Carol Danvers como comandante de uma estação espacial repleta de colaboradores aliens, cientistas, soldados e, claro, liderando a Tropa Alfa, agora a primeira linha de defesa da Terra. As roteiristas Michele Fazekas e Tara Butters criam diversas situações para apresentar melhor cada personagem, tentando situar os leitores mais jovens, incluindo pequenos mistérios e ameaças, mas nem sempre funciona para os mais velhos. Como grande fã da equipe canadense, devo dizer que, talvez com exceção do Pigmeu, os demais heróis estão com representações distantes de suas personalidades. Há muitas piadinhas e, a julgar pelo elenco de suporte, as autoras aparentemente abraçaram com força a “política de diversidade” desta era da Marvel. O problema, claro, não está na (necessária) representação das minorias, mas sim na falta de situações divertidas, instigantes ou tensas, em diálogos inteligentes, na construção de personagens interessantes… isso tudo, ao menos por enquanto, não aconteceu nesta história que continua morna, apesar da arte agradável de Kris Anka no lápis e de Matthew Wilson nas cores.
Nota: 5,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #2
Eu realmente gosto da arte limpa, cheia de curvas e extremamente dinâmica do Frank Cho, perfeita para este jovem protagonista e seus adversários monstruosos. A dupla de heróis convidados, Mulher-Hulk e Homem-Aranha (Miles Morales), também são muito bem retratados na arte e no roteiro, que apresenta ainda a nova vilã (?) Madame Devassa, a Rainha Monstro do planeta de Seknarf Nove (!) que ganha bastante espaço neste capítulo, expondo inclusive suas motivações. Aliás, outra personagem criada por Greg Pak, que também tem a alcunha Madame, a Curie Cho, ganha bons momentos ao tentar “por na linha” seu impetuoso irmão Amadeus, nada mais nada menos do que o Incrivelmente Sensacional Hulk do título. Novamente, o roteiro entrecorta a história principal com momentos do passado recente pós Guerras Secretas, onde Pak está expondo, aos poucos, como Amadeus conseguiu seus poderes e o que aconteceu, afinal, com Bruce Banner. Como já havia comentado na resenha da edição #1, esta série leve e bem-humorada é o oposto da maior parte das fases do Hulk clássico, que estava sempre sofrendo e procurando deixar seu alter ego sob controle ou até mesmo extingui-lo. Uma observação lateral: esta HQ traz, assim como na da Capitã Marvel, um elenco extremamente diversificado mas, a seu favor, a história flui naturalmente e os personagens estão tão bem caracterizados que o “fator diversidade” não se torna “o ponto” da revista. O resultado é uma diversão descompromissada.
Nota: 7,5.

Os Supremos #2
Uau! Esta segunda parte fecha um pequeno e, diria ainda, inesquecível arco desta nova e verdadeiramente poderosa equipe. Decididos a “resolver problemas”, Pantera Negra, Capitã Marvel, Espectro, Marvel Azul e Miss América começam, parafraseando a própria HQ, “com o impossível”: Galactus e sua fome inextinguível. Al Ewing mira alto e chacoalha a tradição, criando um capítulo completamente diferente para o Devorador de Mundos da forma mais coerente possível: a partir do trabalho dos pais fundadores, Stan Lee e Jack Kirby, preenchendo inteligentemente as lacunas da cronologia e utilizando seu elenco de heróis em todo seu potencial. T’challa é, de certa forma, o destaque para a narrativa, quem tem o “plano” que, conforme o executa, faz com quem o leitor acompanhe seu desenrolar de forma linear (algo raro nos comics hoje em dia. O resultado é chocante, realizado com velocidade e ao mesmo tempo com elegância.

Galactus tem uma conversa com T’challa

Kenneth Rocafort e Dan Brown também apresentam um trabalho impecável, com uma quadrinização arrojada, “cósmica” e vibrante. Ewing e equipe demonstram um profundo respeito com a mitologia Marvel mas não se intimidam em acrescentar inovações radicais e também camadas sutis. Por exemplo: Galactus e o Quarteto Fantástico compartilham agora um detalhe fundamental em suas origens, relativo a um dos grandes mistérios do Universo Marvel: o Poder Cósmico. Impressionante! Ah, e adorei a homenagem ao incrível Giorgio Moroder.
Nota: 10.

Força-V #2 
Após a reintrodução da curiosa e “fofinha” Singularidade, personagem criada nas últimas Guerras Secretas e usada aqui como catalisadora da união das heroínas Mulher-Hulk, Medusa, Capitã Marvel, Cristal e Nico (dos Fugitivos), a roteirista e criadora do conceito Força-V, G. Willow Wilson, agora em parceria com Kelly Thompson, faz um trabalho simplório, diria até preguiçoso, ao trazer com a nova personagem uma espécie de “versão maligna interdimensional” que, lógico, vai ameaçar a Terra. Ninguém parece querer justificar porquê tal ameaça não deveria ser rechaçada por uma das equipes dos Vingadores, ou pelo Esquadrão Supremo, ou Inumanos, ou pelos Supremos (já que Carol Danvers também está por lá…). A minissérie no Mundo Bélico teve uma ótima repercussão entre os leitores, que justificava a decisão da Marvel em lançar sua sequência, mas ao menos este primeiro arco não empolga. Jorge Molina tem um bom traço mas aqui o destaque na arte fica por conta das cores da sempre competente Laura Martin.  As caracterizações das personagens causam alguma estranheza, desde as faíscas forçadas entre a Mulher-Hulk e Medusa, passando pela Cristal quase histérica. Mas são pequenos detalhes que mais me incomodaram, como quando um soldado Inumano é literalmente fritado pelo inimigo e nenhuma das super heroínas parece se importar dois quadrinhos depois… pior, na página seguinte já estão fazendo gracinhas novamente. Assim não, né?
Nota: 4,5.

Homem-Formiga #1 e #2
Estreia do segundo volume da mensal do Scott Lang em suas aventuras em Miami, agora 8 meses depois da cataclísmica Guerras Secretas. Nick Spencer continua nos roteiros, o que é ótimo, porque o autor acertou perfeitamente o tom das histórias deste Homem-Formiga que, apesar de não ter sido o primeiro, certamente é o que está há mais tempo no “cargo” e pode até ser considerado, a esta altura, “o Homem-Formiga que vale”. Temos vários retornos: Urso e a I.A. Mecanus, dois ex-vilões reformados (será?) que agora são funcionários da empresa de segurança de Lang, Darren Cross, preocupado com seu tom de pele, Cassie Lang, claro, e há também algumas introduções, com destaque para o Corretor de Poder, que parece uma boa aquisição vilanesca para a série, no mais novamente repleta de humor, reviravoltas, non-sense e ótimos diálogos e caracterizações. Mas, é o retorno da ex-namorada de Scott, a sub-celebridade Darla Deering, com direito a seu anel de transformação em “Mulher-Coisa” e tudo, que me trouxe um sorriso no rosto. Criada por Matt Fraction na sua fase com a Fundação Futuro, estava sumida há alguns anos, e confesso que a achava perfeita para nosso herói. Ramon Rosanas volta também nos desenhos, de quem sou fã de seu estilo clean e moderno, com traços cuidadosos no delineamento dos personagens, trazendo expressões faciais muito sutis, que traduzem bem os sentimentos. Cores pastéis de Jordan Boyd completam uma das melhores séries contínuas desta fase da editora.
Nota: 8,0.

Capa de Mark Brooks para o novo volume do Homem-Formiga

Nota Final para esta Edição: 7,2.

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