Resenha de Avante Vingadores #5 – Panini Comics

Capa da Edição #5: Doutora Espectro reencontra Raio Negro

Nova resenha para a edição #5 da atual revista mensal Avante, Vingadores! Melhorou? Piorou? Ficou na mesma? Confira nossa opinião.

. Nível de spoilers: nada com o que se preocupar, a não ser o mínimo para situar cada história.

Esquadrão Supremo #6
Novo arco, com a primeira de uma história em três partes focada na Doutora Espectro. O roteirista da série, James Robinson, recupera um pouquinho dos acontecimentos que apresentaram esta personagem, poucos anos atrás, na fase dos Novos Vingadores de Jonathan Hickman (que está sendo republicada em encadernados pela Panini) e corretamente vai um pouco além, entregando a origem até então secreta da heroína. Ela é a versão alternativa mais recente do Doutor Espectro da década de 1970 que, por sua vez, era um análogo do Lanterna Verde da DC Comics (leia de novo este trecho que acho que dá para entender…). Porém, ao invés de um anel, os Doutores Espectros da Marvel possuem um Prisma do Poder, de origem mística, e não há relatos de que integram uma “tropa”. A personagem tem um pesadelo com Raio Negro, o poderoso líder dos Inumanos que a derrotou em combate no passado recente, quando ela ainda integrava uma superequipe chamada A Grande Sociedade – uma homenagem às duas maiores equipes da DC, a Liga e a Sociedade da Justiça. As imagens de Leonard Kirk são marcantes, embora sem muitos detalhes, com as tradicionais cores vibrantes de Frank Martin. Em seguida, a nova Doutora Espectro parte em uma missão submarina designada pelo seu colega Falcão Noturno. Lá nas profundezas do oceano, “boas” surpresas a aguardam. Temos também pequenos momentos com o próprio Falcão Noturno, que é surpreendido por um personagem que, de fato, precisava aparecer na série. O autor continua recheando as histórias deste Esquadrão com referências a eventos, locais e situações do vasto Universo Marvel. A atual empresa que o Falcão dirige, por exemplo, é a Oracle Inc., cujo proprietário original era o Namor, na intrigante fase de John Byrne dos anos 1990. Tundra ainda não está com a equipe, mas parece inevitável entrar, para ocupar a vaga da fugitiva Princesa do Poder.

Doutora Espectro relembra a derrota de sua equipe para  os poderosos Illuminati

Gosto muito desses aspectos do roteiro, é quase um presente a leitores veteranos. Por outro lado, a abordagem “radical” destes anti-heróis, que continuam matando seus adversários sem pensar duas vezes, traz um incômodo, um constante questionamento dos limites de quem possui muito poder – e essa é, talvez, a premissa central desta equipe, em todas as suas muitas versões ao longo do tempo.
Nota: 7,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #5
Novo arco, mas Greg Pak continua escrevendo as aventuras deste jovem Hulk que, após toda a confusão envolvendo o exército de monstros e a Madame Devassa, com direito a uma luta épica com Fin Fang Foom, oferece agora um desafio diferente, contra uma vilã clássica. Os desenhos são de Michael Choi, outrora um nome “quente”, especialmente em títulos mutantes, mas que, parece, perdeu muito de sua popularidade. Uma curiosidade é que, assim como o próprio Amadeus Cho, Mike Choi é coreano-americano, sendo residente em Los Angeles e casado com a colorista do título, Sonia Oback. Seu estilo, desenvolvido em grande parte na Top Cow! no final dos anos 1990, lembra ainda muito da Image desse período, com quadros grandes, corpos esculturais e assim por diante. Embora muito competente, com ele o título perde grande parte do charme, porque há uma camada de energia adolescente e comédia no lápis de Frank Cho, que Choi simplesmente não atinge. Mas, todos sabem que Frank Cho de fato não costuma ficar por longos períodos em títulos mensais. De qualquer forma, talvez esta história não seja tão bem-humorada quanto a anterior, mas pode ficar interessante graças à chegada de uma poderosíssima heroína. Será que o autor fará sempre team-ups? É um caminho tradicionalmente mais seguro, que permite tanto integrar o novo personagem ao Universo Marvel, como para incentivar fãs dos heróis convidados para arriscar com o novato. Mas, por outro lado, o titular perde chances para “mostrar a que veio”. Edição morna.
Nota: 6,5.

Os Supremos #5
Quem acompanhou, e gostou, das Guerras Secretas de Jonathan Hickman, deve adorar saber que Al Ewing bebe direto dessa fonte e revela mais algumas consequências dessa espetacular saga cósmica. Na continuação do arco que começou na edição anterior, os audaciosos Supremos vão onde nenhum outro herói alcançou e lá encontram mais enigmas do que respostas para o problema do “Tempo Fraturado”. Incapazes de ao menos entender o que encontram nessa área além da realidade conhecida, vão precisar da ajuda de quem menos esperam. Kenneth Rocafort e Dan Brown continuam realizando um trabalho impressionante na arte, dando a grandiosidade necessária às entidades e outros seres absurdamente poderosos que permeiam estas páginas, da primeira à última, que traz simplesmente um dos melhores cliffhangers dos últimos tempos de todos os títulos da Marvel.

Galactus em seu novo papel de Portador da Vida

Impossível não querer ler a próxima edição. É uma pena, mas parece que a série trouxe divisão entre os leitores mais fervorosos da editora: há um grupo que realmente gosta muito, e um outro que não gosta nem um pouco, alegando baixa qualidade nos roteiros de Ewing. Me alinho com o primeiro, porque definitivamente me emociono com os feitos e intenções destes heróis, e com a audácia de seus planos mirabolantes. Não se vê muito disso nos quadrinhos atuais.
Nota: 8,0.

Força-V #6
Nesta segunda parte do arco escrito por Kelly Thompson, a revista mantém o tom da edição anterior, com piadas e situações leves, “femininas” e, vale ressaltar, direcionada para teens. Foco na nova personagem, uma Thor-Cristal (a mutante), diretamente da Tropa Thor do Mundo Bélico das Guerras Secretas. É uma personagem que poderia render mais, porém, aqui, serve apenas para aguçar a curiosidade, dividindo as atenções com a Mulher-Hulk. O desenhista Ben Caldwell tem um traço interessante, muito competente, que combina com a proposta, mas é bem distante do padrão “super heróico”. A arte-final do veterano Scott Hanna e as cores de Ian Herring compõem um bom conjunto. Esta HQ não é para meu gosto, mas é inegável que a arte é caprichada. O desafio atual vem em dose dupla: uma poderosa vilã e sua nova aliada – uma das próprias heroínas da Força-V que foi mentalmente dominada. Enfim, acho que destoa bastante do resto do mix de Avante, Vingadores!, e não deve agradar ao grande público.
Nota: 5,5.

Capitã Marvel #5 
Final do primeiro – e arrastado – arco da nova fase da Capitã Marvel. Michele Fazekas e Tara Butters encerram a trama com algumas revelações e traições, muitos diálogos entre os heróis mas com uma enorme ausência de emoção. A premissa é, como já disse antes, interessante, e particularmente como sou grande fã da Tropa Alfa fiquei curioso e torcia para uma boa série. Além disso, Kris Anka tem um traço bonito, mas se não houver uma mudança muito contundente na qualidade desta série no próximo arco, vai ficar cada vez mais evidente que Carol Danvers ainda não ganhou um título à altura.
Nota: 5,0.

Homem-Formiga #5 e #6
Sem dúvida um dos títulos mais estáveis e de qualidade superior de Avante, Vingadores!, a nova série do Homem-Formiga, estrelada por Scott Lang, o atual detentor da identidade de este que é um dos primeiros super-heróis do Universo Marvel, continua impressionando pelas ideias modernas, sem malabarismos de roteiros, sem ações “épicas” ou recheadas de violência gratuita. Tudo funciona em harmonia: os diálogos, as caracterizações, a arte, o humor na hora certa… Nick Spencer, o criativo roteirista desta série e que também é o atual responsável pelas polêmicas HQs dos Capitães Américas, mostra versatilidade e a segurança de um grande veterano. Scott decide acatar um conselho da Vespa e começa uma sessão de treinamento com o novo Gigante, enquanto o Corretor do Poder decide contra-atacar seus rivais na indústria de TI e lança o “Capanga 2.0”. Ramon Rosanas, o desenhista, consegue capturar com perfeição o evento de lançamento do aplicativo, emulando as sessões de Steve Jobs e outros figurões de San Franscisco. Aliás, há ótimas piadas com o Vale do Silício – trabalhadores e entendedores desse mercado devem curtir.

Scott Lang decide treinar o novo Gigante…. usando cenários Lego!

A segunda história traz todo o foco para Cassie Lang. Angustiada com a descoberta de que seu pai, o próprio Homem-Formiga, estava espionando seus passos a fim de protegê-la, a adolescente toma uma decisão radical, em meio a um flashback de sua história de vida e morte, um reencontro com sua grande amiga Kate Bishop – a Gavião Arqueira – e momentos de seu dia a dia em Miami. A atitude de Cassie pode parecer absurda se a contássemos aqui, mas com a narrativa faz sentido e deixa esta HQ ainda mais interessante pelos fatos que poderão acontecer. A arte desta aventura solo da ex-Jovem Vingadora é da jovem italiana Annapaola Martello e mantém a qualidade de Rosanas.

Nota: 8,5.

Nota Final para esta Edição: 6,8.
Ou seja, foi a edição mais fraquinha até o momento, segundo nossa opinião.

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