Sobre Jorge Ovando

Paulistano, Publicitário, Executivo de Marketing, Leitor Compulsivo, Colecionador de Quadrinhos. Também me divirto com música, cinema e seriados de TV. Adoro viajar e conhecer lugares e culturas diferentes. Curioso, pesquiso muito sobre negócios, em especial novos formatos e reformulações no varejo e em educação. Gosto de escrever e, quem sabe, arrisque alguma coisa qualquer dia desses!

Rápida Resenha de X-Men #13 – Panini Comics

Prosseguindo com a análise de todas as edições da (ainda) atual mensal dos X-Men, agora com 4 histórias por edição. Resenha sem spoilers desta publicação de janeiro de 2018.

Esta capa na verdade é da história de Fabulosos X-Men da edição anterior

Extraordinários X-Men 14 e 15: de Jeff Lemire e Victor Ibañez

A Panini colocou duas histórias da equipe de Lemire, partes 2 e 3 do arco iniciado na edição #12. Basicamente, enquanto Forge está no Laboratório tentando encontrar um modo de reverter a transformação do Colossus em um Cavaleiro do Apocalipse, duas duplas de X-Men estão em missões.

Em outra dimensão, Magia e Tempestade enfrentam uma equipe bem interessante de seres místicos e demonstram toda a experiência e domínio de seus vastos poderes. A sequência desta batalha é bem desenvolvida, com detalhes divertidos. Mesmo lendo quadrinhos de heróis há mais de 3 décadas, ainda me empolgo quando vemos super seres desconhecidos em ação pela primeira vez. Sinto aquele misto de temor e curiosidade pelo que vai acontecer. Enfim, deste encontro o leitor logo vai descobrir não somente o paradeiro de Sapna – a jovem pupila de Magia desaparecida – como uma enorme ameaça no horizonte próximo dos nossos X-Men.

Colossus já virou Fanático, Fênix e bandido antes, mas é a primeira vez que vira o Guerra, ou não? rsrs

A outra dupla, Noturno e Homem de Gelo, encara Colossus, ainda fiel à Apocalipse. Leitores veteranos já viram o russo “mudando de lado” ou sofrendo alguma outra transformação vilanesca semelhante pelo menos umas 3 vezes, então nada disso parece realmente definitivo ou mesmo perigoso.

Lemire ainda consegue mexer bem as peças e novamente faz com que a moçadinha da equipe, Glob, Enole e Ernst arranquem sorrisos em vários momentos.

Sobre o prolífico roteirista, vale novamente afirmar que o destaque deste título fica por conta da competência com que ele cria tantos bons momentos de interação entre os personagens. Ponto forte, aliás, também nos seus trabalhos autorais. Ver, por exemplo, a ainda adolescente Jean Grey – e aqui com uma aparência realmente doce e meiga – provocando o Velho Logan é surreal, especialmente sabendo o que suas clássicas versões “do universo regular” já protagonizaram.

Esta cena é legal demais – e esquisita também.

Victor Ibañez faz um trabalho melhor nestes dois capítulos, tanto nas expressões como nos enquadramentos. Vale ressaltar que há um outro artista envolvido aqui, Guillermo Mogorrón, responsável pelos “esboços”. Ponto para a editoria que percebeu as limitações do Ibañez e trouxe um reforço para aprimorar o resultado final.

O capítulo se encerra de forma verdadeiramente ameaçadora para todos os mutantes do Abrigo-X. O clímax se aproxima rapidamente. Parece que desta vez o fim, sem dúvida, está próximo. Nota 7,5.

Novíssimos X-Men 13: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Hopeless traz uma história diferente, onde o trio de amigos Idie, Kid Apocalipse e o Homem de Gelo saem para uma baladinha em Miami, com a clara intenção de agitarem um namorado para o jovem Bobby Drake.

É quase uma tradição nas revistas dos mutantes breves momentos de paz entre arcos repletos de batalhas e violência. Partidas de baseball, passeios na praia, um dia na piscina e baladas foram mostradas diversas vezes.

A maior novidade aqui, sem dúvida, é a abordagem direta na homossexualidade do Homem de Gelo do passado, uma questão polêmica para alguns dos fãs mais antigos e, acho, os que não curtiram essa saída do armário vão torcer o nariz para este capítulo.

De fato, adultos escrevendo momentos de descontração de jovens millenials é arriscado e muito difícil de fazer sem parecer piegas, mas acho que o roteirista consegue um resultado razoável, graças em grande parte ao trabalho cuidadoso de Mark Bagley.

Há um momento “de ação” no final, com a participação especial de uma equipe de Inumanos e um novo personagem que, ao que tudo indica, deve aparecer outras vezes. No geral, os muitos clichês atrapalham o clima leve da história.
Nota 6,0.

Fabulosos X-Men 12: de Cullen Bunn e Greg Land

O capítulo começa no passado, quando Magneto recruta Psylocke para a formação desta equipe. Mas logo Bunn nos transporta para o presente, no Clube de Inferno, que agora conta com a Monet como Rainha Branca. Confesso que é difícil aceitar certas situações, mesmo com alguma boa vontade. Como Betsy Braddock fica “numa boa” na mesma sala com Sebastian Shaw e Black Tom Cassidy, dois vilões e assassinos? Ela até questiona Magneto: “O que espera conseguir aqui, Erik?” mas, continua impávida, tanto ela quanto Dentes de Sabre. Pois é, como já disse, fica complicado.

Turminha pesada para andar  com Monet e Psylocke não? Ah, pois é, o Clube do Inferno voltou a ser comandado por adultos

A história melhora quando mostra o “Complexo de Pesquisa das Corporações Futuro no Oceano Atlântico”, onde os Fabulosos enfrentam aqueles novos mutantes mostrados na edição anterior. Greg Land continua apenas mediano, com algumas boas cenas de luta e um belo Pássaro Negro, mas quando há mais talking heads suas limitações chegam a cansar. Nota 4,5.

Nota Final desta Revista: 6,0.

Rápida Resenha de X-Men #12 – Panini Comics

A revista completa 1 ano e novos arcos começam. Jeff Lemire, Cullen Bunn e Dennis Hopeless continuam nos títulos. O que achamos? Resenha praticamente sem spoilers desta publicação de dezembro de 2017.

A Panini escolheu a arte de Greg Land para a capa da edição 12

Extraordinários X-Men 13: de Jeff Lemire e Victor Ibañez

Lemire traz, logo de início, Magia procurando pistas sobre o desaparecimento de Sapna, resgatando assim um dos subplots que ele ainda conseguiu encaixar durante as tumultuadas Guerras Apocalípticas. Tempestade aparece para ajudar, mas uma bizarra equipe de super seres estão dispostos a impedi-las. Interessante.

Lemire não perde a chance de introduzir novas criações para o Universo Marvel

Há outras duas duplas bem trabalhadas pelo autor nesta história: o Velho Logan e um amargurado Forge, que conseguiu criar uma prisão para o Apocalipse; e Noturno e Homem de Gelo, que investigam bases do Clã Akkaba atrás do Colossus. É um novo arco totalmente calcado nos arcos anteriores, o que não é necessariamente ruim, porque mostra que Lemire, afinal, tem um “plano”. A arte de Ibañez em geral é boa, especialmente nas cenas de luta do Noturno, realçada pelas belas cores de Jay David Ramos, mas há algumas páginas onde a narrativa fica um pouco truncada.

Ibañez capricha nas cenas com o Noturno

Como sempre, esta é uma equipe gostosa de acompanhar, especialmente, volto a dizer, pela qualidade dos diálogos, que trazem um bom desenvolvimento de cada personagem, drama e humor na medida certa. Nota 7,0.

Novíssimos X-Men 12: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Ao contrário dos outros dois títulos mutantes, os Novíssimos ignoram completamente a saga Guerras Apocalípticas encerradas na edição #11. Ciclope, ainda se recuperando dos graves ferimentos infligidos pelo Groxo (quem diria!) tenta ajudar uma impaciente Laura Kinney (X-23/Wolverine) – agora uma verdadeira amiga – a liberar sua energia e acabar com suas frustrações e, para isso, a envia para uma sequência de missões perigosas pelo mundo, utilizando o teleportador Picles. A primeira parada dela é na “Amazônia Brasileira”, o que é legal. Há um plot twist bem encaixado e o autor consegue ainda resolver – em parte – a situação emocional de dois dos jovens X-Men da equipe. No encerramento, a revelação de uma provável futura ameaça. História recheada de ação, com Bagley conduzindo as batalhas com uma “câmera” sempre agradável, dinâmica, boas composições de página e dos personagens. O Anjo, em especial, aqui na sua versão “cósmica”, pós-Vórtice Negro (uma saga que envolveu os Guardiões da Galáxia) está muito bem retratado, tudo amplificado com a arte-final perfeita de Andrew Hennessy e as sempre vibrantes cores de Nolan Woodard.

O jovem Anjo em sua poderosa versão Vórtice Negro, na vibrante arte de Bagley, Hennessy e Woodard

Depois de um arco morno, esta história fechada é uma agradável leitura porque parte de uma premissa simples mas pertinente à breve história desta equipe e traz uma pegada super-heroica moderna, autêntica, vibrante. Há uma splash page com um lindo retrato de dois personagens. Nota 7,5.

Fabulosos X-Men 11: de Cullen Bunn e Greg Land

Novo arco, que começa bem, com uma equipe de superseres desconhecidos, aparentemente todos novos mutantes, invadindo uma instalação militar. Clichê? Claro, mas ainda assim interessante rsrs. Depois dessa agitada introdução, Bunn resgata nossos anti-heróis e mostra um pouquinho de cada um deles, que agora estão em uma base na Terra Selvagem, dando mais páginas para uma caçada do Dentes-de-Sabre na floresta. Apesar da “dura” que a Psylocke deu em Magneto na edição anterior, dando a impressão que abandonaria a equipe, ela também está aqui e novamente concorda em ingressar em uma missão (ai, ai). O final traz uma revelação… ok, e parece que teremos o retorno repaginado de uma equipe vilanesca clássica. Continuo achando Fabulosos bem mediano, às vezes sem graça, em suas múltiplas subtramas requentadas. Greg Land volta a fazer seu trabalho convencional, totalmente calcado em fotografia, e com menos imaginação nos layouts do que no começo da série. Nota 5,5.

Nota Final desta Revista: 6,7.

Os Vingadores #1 – Panini Comics (2019)

A nova revista dos Vingadores já está nas bancas. Cercada por expectativas de um lado e polêmicas de outro, será que vale a pena? Resenha sem spoilers e com nossa opinião sincera sobre o novo formato das mensais Marvel/Panini.

Arte de Ed McGuinness apresentando a nova e poderosa formação da equipe

Após correr com a fase Marvel Legado, a Panini começou a publicar agora em março/2019 a aguardada era Fresh Start, a primeira capitaneada integralmente pelo novo Editor-Chefe C. B. Cebulski e, por isso mesmo, optou por “zerar” alguns dos títulos mensais e também de encadernados.

Os Vingadores #1 traz material de duas revistas da Marvel Comics: Free Comic Book Day 2018 e Avengers #1 (julho/2018), ambas escritas por Jason Aaron, o celebrado roteirista de Thor, Dr. Estranho e muitos outros títulos dos últimos dez anos da editora.

A primeira história, “Criados Há 1 Milhão de Anos”, tem apenas 10 páginas e é lindamente desenhada pela italiana Sara Pichelli que tem, entre seus créditos, uma ótima passagem pelo novo Homem-Aranha (Miles Morales), ao lado de Brian Bendis.

A dupla nos apresenta um breve encontro entre o pai supremo, Odin, e o Pantera Negra. É algo surpreendente, porque trata-se de uma interação totalmente incomum nos quadrinhos. Há outros personagens, inclusive um saído diretamente da edição especial Marvel Legado, publicada no ano passado, mas o destaque fica por conta dos diálogos afiados e, certamente, da arte de Pichelli e das cores de Justin Ponsor.

Sara Pichelli e sua elegante arte digital

Esse conto serve como uma ótima introdução para a segunda história, essa sim, a verdadeira número 1 da Fase Aaron, desenhada pelo popular Ed McGuinness e chamada “A Expedição Final”.

Há muitos momentos interessantes nestas 32 páginas repletas de splash pages duplas e fatos decididamente inéditos na ampla mitologia Marvel.

Aaron revela o que aconteceu com o poderoso time de salvadores do planeta – apelidados de “Vingadores de 1 milhão de anos atrás” – imediatamente após terem derrubado um Celestial em Marvel Legado (ou seja, essa é uma leitura quase imprescindível para acompanhar esta nova equipe).

A Panini relançou Marvel Legado nas bancas porque de fato é um prelúdio para Vingadores #1

No presente, acompanhamos o reencontro de Thor, Homem de Ferro e Capitão América, o trio central dos Vingadores clássicos e que passaram por momentos conturbados nos últimos anos. Aaron trata de um jeito leve e irônico essas fases polêmicas – principalmente entre fãs mais antigos da Casa das Ideias -, em que os 3 foram substituídos por outros personagens quase que ao mesmo tempo, sendo uma mulher no lugar de Thor, um negro Capitão América e uma jovem negra (e inédita) no lugar do Homem de Ferro.

A Trindade clássica dos Vingadores se reencontra em um bar

Como de praxe em uma nova formação de equipe, os autores mostram uma grande ameaça que exige a união de vários heróis. É gostoso acompanhar a narração desses fatos e, novamente, é algo totalmente amarrado com os atos dos Vingadores da Idade da Pedra, formados por Odin, Agammotto, Fênix e antepassados do Punho de Ferro, do Pantera Negra, do Estigma e do Motoqueiro Fantasma.

McGuinness não entrega uma arte tradicional – é cartunesca mas muito poderosa, que evoca Kirby em diversos momentos. Mark Morales na arte-final e David Curiel nas cores completam o time artístico de primeira linha.

Arte de McGuinness e Morales retratando os Vingadores da Idade da Pedra ou de 1 milhão de anos atrás

Enquanto Doutor Estranho e Pantera Negra avançam em direção ao centro da Terra, na atmosfera a Capitã Marvel investiga fissuras bizarras e com energias fora da escala. É uma número #1 emocionante e com um cliffhanger quase impossível de ignorar.

Quanto à edição, a Panini caprichou em um miolo com papel couchê – ao invés do LWC da fase Totalmente Diferente Nova Marvel – que sem dúvida é de qualidade superior e permite que as cores e definições dos traços ganhem mais beleza.

E as capas cartonadas? Youtubers em geral criticaram, por acreditarem que encarece muito, a ponto de inviabilizar o acesso de uma revista mensal para muita gente. No Instagram, há fãs que também acharam desnecessário, mas até compraram, e há outros que, como eu, elogiaram.

O valor de R$ 9,90 para o material em si parece adequado, sem exagero, com cerca de 60 páginas no formato americano e colorido, papel de alta qualidade e capas encorpadas. Em comparação com outros materiais nas bancas – incluindo os mangás, Turma da Mônica Jovem, Tex e demais edições menores em preto e branco – são, sim, relativamente bem acessíveis.

Claro que não é para todo mundo mas, sendo franco, nunca foi nem nunca será. “Material de entrada”, em geral, são os formatinhos do Mauricio de Souza e da Disney, esses sim na faixa de R$ 5,00 a R$ 6,00. Quadrinhos de heróis são bem mais segmentados e complexos, mas podem ser degustados de outras formas, inclusive digitalmente, em sebos, emprestados, em promoções de encadernados, em bibliotecas, etc.

Há muitos e muitos anos que as mensais Marvel e DC não vendem milhares de edições como na década de 80. O mercado brasileiro é pequeno e, com a avalanche de encadernados de materiais novos e clássicos dividindo o orçamento dos colecionadores, e dezenas de outras ofertas de quadrinhos europeus, nacionais e alternativos – quase tudo, senão tudo, mais caro – acredito que sim, Vingadores #1 é uma opção “de entrada” para uma HQ de super-heróis. Fica difícil comprar muita coisa, é verdade, mas pelo menos os leitores tem opções de acesso e também mais quadrinhos diversificados, muito distante do cenário dos anos 80 ou 90.

Acompanho o trabalho da Panini desde 2001 e, é justo dizer, ela já testou diversos formatos e preços, inclusive um bem parecido com este na sua estreia. Acertando ou errando, vai continuar tentando o que for possível para que ela, em última instância, atinja o maior número possível de consumidores com as melhores margens.

Ressalto isso porque este novo formato parece permitir que ela comercialize as mensais também em outros canais, além das Bancas de Jornal. Há muita estridência na web brasileira, a ponto de xingarem o “departamento comercial incompetente” da editora, mas quem sabe os números concretos, mesmo, é a própria não é?

Belíssima capa variante de Avengers #1 de Esad Ribic

Há ainda um movimento interessante em curso que prega o consumo de material importado ao invés do da Panini como melhor custo x benefício.

Concordo em termos – sou grande fã dos quadrinhos originais e tenho milhares de edições by Marvel Comics – porque há vantagens incomparáveis em alguns quesitos (assunto para outro tópico) mas esse sim é um material muito mais restritivo para o consumidor típico.

Vejamos: será que R$ 9,90 está mesmo caro? É um quadrinho gourmet desnecessário e inacessível?

Façamos as contas: nos EUA há muito tempo cada edição mensal custa US$ 4,00, ou seja, cerca de R$ 14,00 em conversão simples. Nestas novas mensais nacionais, há o equivalente a duas das americanas e, portanto, custaria algo como R$ 28,00 (sem capa cartão nem papel couchê).

Tirando os seus (graves) problemas de comunicação, é compreensível que a Panini tente mirar nos leitores hardcore ao mesmo tempo que diversifique sua distribuição. A opção parece ser simplesmente o cancelamento.

Enfim, quem tem condições financeiras e gosta dos personagens, do Universo Marvel ou de uma boa HQ de super-heróis pode arriscar que a chance de gostar é muito alta.

Nota: 8,0.

Rápida Resenha de X-Men #11 – Panini Comics

Última edição das Guerras Apocalípticas. Uma saga que achei bem mediana. Resenha com alguns spoilers, mas é uma revista de novembro de 2017

Arcanjo liderando um enxame de clones na capa de Greg Land

Novíssimos X-Men 11: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

No Egito Antigo, a versão adolescente do Apocalipse e seu clone, Evan, voltam ao acampamento dos Cavaleiros da Areia para resgatar o Fera. Este pretende recuperar o Olho de Hórus – um artefato místico obtido com o Doutor Estranho algumas edições atrás – e com ela retornar ao presente. Porém Evan acha que é seu dever “salvar” En Sabah Nur enquanto é bom e heroico antes que se corrompa. O pai adotivo de Nur, Baal e o místico do bando (cujo nome não é citado), porém, tem planos diferentes e começam a “endurecer” o temperamento do jovem mutante. Enfim, não há novidades neste capítulo final. O arco termina com a amizade entre Fera e Evan bastante abalada, mas o desfecho era o mais esperado.O trio de artistas – Bagley no lápis, Andrew Hennessy na arte-final e Nolan Woodard nas cores – entregam um bom feijão com arroz, embora ainda ache tudo muito “limpo e vibrante” para o local e a ambientação. Não é uma HQ ruim, os envolvidos são todos profissionais, mas o saldo é um arco morno, aquém dos anteriores. Nota 5,5.

Extraordinários X-Men 12: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Lemire e Ramos entregam outro número repleto de ação, com a batalha final entre os Cavaleiros do Apocalipse deste futurista Mundo Ômega (o ano é 3.167 DC) contra os X-Men da Tempestade reforçados pelos adolescentes – agora um pouco mais maduros e definitivamente mais poderosos – Glob, Ernst, Anole e Não-Garota (a antiga “Turma Especial” da fase Morrison ficou 1 ano perdida neste planeta). Um fato curioso é que, entre os 4 Cavaleiros desta realidade, apenas um é mutante: Colossus, Deadpool, Cavaleiro da Lua e Venon.

Apocalipse e seus 4 Cavaleiros quase sem mutantes

Noturno tem uma participação marcante em todo o arco, mas de fato todos tem seus bons momentos. Lemire ainda coloca uma dúvida cruel na Magia em relação à sua protegida Sapna. Esses momentos com linhas narrativas diferentes são sempre bem dosados e surgem com naturalidade. O final traz ao menos um fato realmente inesperado que vai trazer consequências futuras imprevisíveis. Só vai levar uma nota um pouco menor porque não tivemos tantos diálogos inspirados como nas anteriores. Nota 7,0.

Fabulosos X-Men 10: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Fechando a edição, outra conclusão de arco. Esta equipe estava envolvida com a situação do presente das Guerras Apocalípticas e, infelizmente, é a mais pretensiosa e a menos interessante. Pelo menos, trouxe vários desfechos. O primeiro é com relação a Monet e seu irmão, o vilão Sangria, nos túneis dos Morlocks. É algo até esperado, embora pessoalmente não tenha gostado. O que é estranho, mesmo, é o argumentista ter simplesmente se esquecido de mencionar o paradeiro da Callisto após ela ganhar tanta exposição nos capítulos anteriores. O segundo desfecho envolve a confusa situação daquele Arcanjo “sem mente”, que estava com a equipe desde o começo, servindo cegamente a Magneto, e o Anjo “sem asas” que foi apresentado no começo deste arco. Pobre Anjo/Arcanjo… sua personalidade nunca mais teve sossego desde que virou um Cavaleiro do Apocalipse pela primeira vez. A conferir o que será dele. O terceiro desfecho é da Psylocke com relação ao próprio Magneto e seus segredos e manipulações. Acho que demorou um pouquinho para tomar essa atitude, mas está valendo. Uma interrogação: o poderoso Holocausto surgiu radiante no capítulo anterior mas (aí vai um spoiler) foi rapidamente derrotado pelo Magneto. Acreditava que o mestre do magnetismo estava bastante enfraquecido no começo desta série, pelo menos é o que foi dito lá na edição #1 (por conta da saga Vingadores Vs. X-Men). Será que perdi alguma explicação? Embora de fato essa limitação vinha sendo convenientemente esquecida, foi uma surpresa vê-lo derrotando tão facilmente o filho do Apocalipse. Finalmente, Bunn não esqueceu de Fantomex e Mística. Ufa! Muitos personagens, situações com dramas complexos mas trabalhados superficialmente e sem explicações convincentes, tudo em uma arte dura e às vezes bem confusa. Nota 4,5.

Nota Final desta Revista: 5,6.

Rápida Resenha de X-Men #10 – Panini Comics

As Guerras Apocalípticas são o foco desta revista, onde as 3 equipes mutantes enfrentam ameaças relacionadas ao supervilão Apocalipse em diferentes linhas temporais. Resenha praticamente livre de spoilers.

As Guerras Apocalípticas continuam

Novíssimos X-Men 10: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

No Egito antigo, enquanto um ferido Fera é capturado pelo bando de saqueadores chamados Cavaleiros da Areia, Evan começa a desenvolver uma improvável amizade com En Sabah Nur – o futuro Apocalipse – que é ainda um adolescente, como ele mesmo. Bom, para os que não sabiam, Evan é um clone do próprio Apocalipse (as revistas dos X-Men são conhecidas por terem um universo definitivamente complexo!). Uma outra curiosidade é que os autores trazem Baal, o pai de En Sabah Nur e comandante dos tais Cavaleiros da Areia e introduzem um outro personagem, um místico que diz ter servido ao Faraó Rama-Tut. Os aficionados da Marvel das antigas imediatamente vão saber que o estranho místico está se referindo a uma versão do vilão Kang que governou o Egito e enfrentou o Quarteto Fantástico em uma história dos anos 60, por Stan Lee e Jack Kirby. Pois é… talvez hoje em dia isso possa ser considerado um easter egg bem encaixado pelo Hopeless, ou talvez seja apenas um daqueles momentos bacanas que só um imenso universo compartilhado como o da Marvel permite trazer.

Na capa da edição americana, Bagley retrata o encontro dos 2 jovens Apocalipses

Os desenhos de Bagley continuam vibrantes e perfeitos como sempre, bem como as cores de Nolan Woodard. Na verdade, talvez neste caso o traço limpo de Bagley seja um problema, afinal seu Egito antigo parece cenário de uma sitcom adolescente, onde todos são saudáveis e bem vestidos, perambulando em cenários bonitos e agradáveis. Vale registrar que a história também apresenta Erika, uma jovem aventureira e rica, aparentemente muito amiga de En Sabah Nur, que pode ter tido uma forte influência sobre ele. Fiquei intrigado como ela e muitos outros que o encontram parecem não se importar com sua aparência, afinal era um jovem mutante azul. História bem simples, com bons desenvolvimentos dos personagens mas sem nenhum grande momento. Nota 6,5.

Extraordinários X-Men 11: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Em um futuro literalmente “apocalíptico”, o Velho Logan é possuído pelo simbionte Venon e encara Jean Grey, enquanto os outros 3 Cavaleiros do Apocalipse enfrentam os demais X-Men. Ao mesmo tempo que precisam conter um bombado Colossus, a equipe claro quer salvá-lo, o que gera ainda mais tensão. Boas sequências de batalhas, com Humberto Ramos entregando uma arte vibrante.

Grey Vs Logan (+ Venon) by Humberto Ramos

Lemire continua bem, acrescentando pequenos detalhes, diálogos, situações que prendem a atenção e às vezes até surpreendem um leitor veterano como este aqui. Há, por exemplo, um momento inusitado e muito bacana com a Ernst – personagem que os escritores adoram incluir em suas equipes-X mas que em geral é esquecida durante as histórias. Ela e os demais membros da “Turma Especial” (lá da fase do Grant Morrison) são muito bem aproveitados neste arco. Tempestade e Noturno ainda abordam Apocalipse cara a cara. Ação desenfreada muito bem feita. Vale a leitura. Nota 7,5.

Fabulosos X-Men 9: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Para mim, sem dúvida esta é a mais fraca das histórias desta saga, tanto no roteiro quanto na arte. Há 3 linhas narrativas. A primeira é da Monet contra seu irmão, Sangria, nos túneis dos Morlocks, com a participação do Dentes de Sabre e da Callisto. Não vejo ligação destes fatos com o Apocalipse, a não ser que parte da equipe não está disponível para ajudar… Magneto, o foco da segunda linha narrativa, que é salvo pela Mística mas logo se deparam com Holocausto (o vilão que está na capa da revista) e seu clã de adoradores Akkaba. A terceira linha apresenta Psylocke e Fantomex lidando diretamente com o Arcanjo. Enfim, é uma grande confusão. O fato de termos vários vilões saídos dos anos 90, com uma arte também nesse estilo do Lashley, parece ter “inspirado” o roteirista Bunn em diálogos cheios de “atitude” e ameaças vazias. A opção em fracionar a história – a cada 3 páginas temos uma mudança de linha narrativa – em uma série de situações que não empolgam e um grupo de personagens que não confiam uns nos outros, ora brigam entre si, ora decidem salvar fulano mas criticar beltrano, traições e alianças que surgem e somem sem a menor pausa para desenvolver suas motivações irritam. Talvez a necessidade de incluir os Fabulosos nas Guerras Apocalípticas tenha atrapalhado o autor, mas não adianta culpar o editor ou “a Marvel”. Nota 4,0.

Nota Final desta Revista: 6,0.

Superman 80 Anos: Action Comics Especial

Arte de Jim Lee para a capa de Action Comics 1000

As comemorações dos 80 anos da criação do Superman continuam, pelo menos no Brasil. Na verdade, a Panini decidiu lançar uma versão de Action Comics #1000, que saiu nos EUA em junho/2018, com uma diferença significativa, que realmente valoriza a edição brasileira: a republicação de Action Comics #1(*)! Sim, a primeira história do Superman, aquela de 1938 que deu início à gigantesca onda de super-heróis nos anos seguintes e, após altos e baixos, continua até hoje e com enorme influência sobre a cultura pop de grande parte do mundo.

Além da republicação da estreia do Superman, esta revista traz novas histórias, a maioria bem curtinhas, produzidas pelos artistas mais recentemente associados ao personagem, e por outros do passado que também deixaram sua marca em Action Comics. Há algumas ausências significativas (John Byrne, Roger Stern, Kurt Busiek, Grant Morrison) mas pelo menos temos a primeira HQ escrita pelo Brian Bendis, recém egresso da Marvel para se tornar um artista exclusivo da DC.

(*) De fato, a Panini se baseou na versão Hardcover da edição americana, que continha a história original.

A seguir, a síntese do conteúdo, com um breve comentário sobre cada história. Particularmente, não sou muito fã desse modelo de celebração, mas é algo típico tanto da DC quanto da Marvel. Nos EUA, esta revista foi muito bem avaliada; já aqui, nem tanto.

Action Comics #1 – de Jerome Siegel e Joe Shuster, 13 pgs.
Acho que foi a primeira vez que li esta mais do que fundamental HQ em formato americano. Um clássico em todos os sentidos, gostei da atitude fria e crua do Superman original. Para mim, já valeu a revista.

Da Cidade que tem de tudo, por Dan Jurgens e Norm Rapmund, 15 pgs.
É o dia de celebração do Superman em Metrópolis, e a cidade de mobiliza para homenagear seu grande herói que, por sinal, não se sente à vontade com a data. Jurgens faz seu bom feijão com arroz na arte, mas a história achei bem piegas. Há uma forte presença da Lois Lane e um metatexto bacana – mesmo que óbvio – no final.

Batalha sem Fim, por Peter Tomasi e Patrick Gleason, 15 pgs.
Aqui Super enfrenta Vandal Savage, que o arremete em uma viagem épica pelo tempo. É a forma encontrada por Tomasi para retratar momentos-chave da história da publicação da Action Comics, mas quem brilha mesmo é Gleason, que entrega múltiplas splash pages, que não só simulam essas “fases” marcantes, nos traços de criadores como Miller e Swan, como são autênticos pôsteres.

Um Inimigo Interior, por Marv Wolfman, Curt Swan e Butch Guice, 5 pgs.
Gosto da arte de Guice, mas é uma historieta bem mediana, sobre a confiança do Superman na força da humanidade, que nos mostra que os próprios humanos podem sim “salvar” outros humanos etc. Novamente, há uma pieguice que, embora não chegue a ofender, e até tem a ver com o personagem, não impede uma torcida de nariz.

O Carro, por Geoff Johns e Richard Donner e Olivier Coipel, 5 pgs.
Boa ideia do Johns, ao resgatar um personagem da primeira Action Comics, o motorista do carro que o Super arrebenta na memorável capa. A arte de Coipel combina com o tom do roteiro, curto mas inesquecível. Uma das melhores da edição.

A Quinta Estação, por Scott Snyder e Rafael Albuquerque, 5 pgs.
Outra história curta, porém sem o mesmo impacto da anterior. Traz Super e Luthor conversando, de certa forma demonstra o respeito que cada um tem pelo outro… enfim, nada demais.

Do Amanhã, por Tom King e Clay Mann, 5 pgs.
Situada no futuro, é uma homenagem do Super ao seu passado – o “nosso” presente. Não me pareceu tão interessante, apesar da arte impactante de Mann.

Cinco Minutos, por Louise Simonson e Jerry Ordway, 5 pgs.
Gostei desta divertida historieta com a sempre competente arte do mestre Ordway e é a única que foca no Planeta Diário.

Terra da Ação, por Paul Dini, José Luis García-Lopez e Kevin Nowlan, 5 pgs.
Como não se encantar com a espetacular arte detalhista e dinâmica de García-Lopez? É outra historieta com uma veia cômica, mas parte para o surreal, o absurdo, algo presente na Action nos anos 1950 por exemplo, muito bem contada por Paul Dini. Para mim, uma das mais criativas do conjunto. (Nota: o nome do desenhista está errado na contracapa, como Lópes e não Lopez).

Página com arte de García-Lopez

Mais Rápido do que uma Bala, por Brad Meltzer e John Cassaday, 5 pgs.
Apesar de ser grande fã do Cassaday, sem dúvida não foi um dos seus momentos mais inspirados. Meltzer foca em um momento crucial do salvamento de uma vida, mas nada especial.

A Verdade, por Brian Michael Bendis, Jim Lee e Scott Williams. 12 pgs.
Um perigoso novo inimigo bate muito no Superman e na Supergirl! É um alien que – além de lembrar bastante o Terrax da Marvel (inimigo do Quarteto, ex-arauto de Galactus) – traz (mais) uma potencial revelação “surpreendente” sobre os kryptonianos. Na prática, é a estréia de Bendis com a DC e o personagem, e serve como teaser para sua nova fase. Traz alguns diálogos típicos do autor, por parte de civis no meio da batalha, e até piada sobre o retorno da sunga vermelha. Muita gente reclamou desta história por destoar das demais, mas achei pertinente, porque todas as outras são homenagens, mas é fundamental ter uma nova história do momento presente dentro de uma revista que é, afinal de contas, mensal. Boa arte de Lee.

Página da história de Bendis/Lee

Há 2 pin-ups do personagem, pelos astros Walt Simonson e John Romita Jr. e, por fim, uma Galeria de Capas Variantes, cada uma com um tema específico associado ao Superman, desenhadas por:

Steve Rude (espetacular!)
Michael Cho
Dave Gibbons (ainda mandando bem)
Michael Allred (sou fã)
Jim Steranko (muito legal)
Joshua Middleton
Dan Jurgens e Kevin Nowlan
Lee Bermejo (não sou muito fã de sua arte hiper-realista-dark…)
Neal Adams (por sinal ele também desenhou uma historieta que só saiu na versão Hardcover nos EUA, portanto ficou inédita no Brasil)
Kaare Andrews
Olivier Coipel
Gabrielle Dell’Otto (retratando o ator Cristopher Reeve) 

Dell’ Otto retrata Reeve

Tony Daniel
Dave Dorman
Jason Fabok
Patrick Gleason
Jock
Tyler Kirkham
Stanley Lau
Jim Lee
Doug Mahnke
Felipe Massafera (um brasileiro, para quem não sabia…)
Francesco Mattina
George Perez (infelizmente sem a qualidade notória)
Nicola Scott
Curt Swan
Jorge Jimenez

Bela arte de Jorge Jimenez

 Nota Final para a Edição: 7,5.

Nosso primeiro Evento de Quadrinhos será neste sábado, 24.11, participe!

Olá pessoal tudo bem?

Organizamos uma pequena mas muito honesta Feira de HQs que acontecerá neste sábado 24.11 no Colégio Liceu Pasteur, na Vila Mariana, aqui em São Paulo.

Feira de HQs no Liceu

Quem quiser bater um papo com colecionadores de quadrinhos, editores e outros entusiastas, por favor sejam bem-vindos!

O evento será das 9h às 12h30.
Endereço: Rua Mairinque, 256, Vila Mariana (entrada pelo portão lateral da Rua Diogo de Faria).

Vale a pena ainda aproveitar HQs com grandes descontos das Editoras Mythos e Cia. das Letras (Selo Quadrinhos na Cia) que estarão com estandes.

O quadrinista Felipe Folgosi também marcará presença e comentará com pais, alunos e visitantes sobre o processo de criação e produção de uma HQ nacional na atualidade, além de autografar suas próprias obras.

O roteirista Felipe Folgosi

Este será o primeiro de vários eventos que pretendemos realizar em colégios a partir de 2019. Entrada franca.