Nosso primeiro Evento de Quadrinhos será neste sábado, 24.11, participe!

Olá pessoal tudo bem?

Organizamos uma pequena mas muito honesta Feira de HQs que acontecerá neste sábado 24.11 no Colégio Liceu Pasteur, na Vila Mariana, aqui em São Paulo.

Feira de HQs no Liceu

Quem quiser bater um papo com colecionadores de quadrinhos, editores e outros entusiastas, por favor sejam bem-vindos!

O evento será das 9h às 12h30.
Endereço: Rua Mairinque, 256, Vila Mariana (entrada pelo portão lateral da Rua Diogo de Faria).

Vale a pena ainda aproveitar HQs com grandes descontos das Editoras Mythos e Cia. das Letras (Selo Quadrinhos na Cia) que estarão com estandes.

O quadrinista Felipe Folgosi também marcará presença e comentará com pais, alunos e visitantes sobre o processo de criação e produção de uma HQ nacional na atualidade, além de autografar suas próprias obras.

O roteirista Felipe Folgosi

Este será o primeiro de vários eventos que pretendemos realizar em colégios a partir de 2019. Entrada franca.

Descobrindo o Mundo de Tex com a Coleção da Salvat

O lançamento da nova coleção da Editora Salvat, Tex Gold, sem dúvida alguma fez a alegria do grande – e muitas vezes esquecido – contingente de fãs do personagem italiano, que há décadas é publicado ininterruptamente no Brasil.

Porém, com aquele precinho camarada de R$ 9,90 para a primeira edição, fez também com que muita gente que não costuma comprar as revistas do cowboy finalmente arriscasse o investimento.

O resultado? Certamente para muitos desses novatos, a leitura foi surpreendentemente agradável.

Eu sou um desses leitores.

Capa da Edição 1 da Coleção Tex Gold

Eu tenho comprado algumas das coleções da Marvel da Salvat e, em grande parte por isso, me senti instigado a dar uma chance ao material da Bonelli. Depois de consultar alguns Canais, Grupos e Blogs, entendi que a seleção de histórias prevista para a coleção é composta de HQs especiais, pinçadas a dedo entre Anuais, edições Gigante  e Almanaques, com um cuidado adicional em apresentar uma ampla variedade de desenhistas.

Eu realmente adorei a primeira edição. Roteiro muito bem costurado, fluido, bons diálogos, trama envolvente e uma arte encantadora.

Índios, cavalaria, fortes, salloon, pradarias, espingardas, flechas, riachos, mocinhos e bandidos, enfim, o mundo de Tex retrata a essência das histórias de faroeste. Fui atingido sim por uma forte dose de nostalgia… lembranças dos inúmeros filmes do gênero que assisti ao lado de meu pai, ou dos seriados em família, como Os Pioneiros e Daniel Boone, das brincadeiras de “Forte Apache” com meu irmão, das minhas dezenas de soldadinhos, índios e mineradores que tanto curtia quando criança e até um pouco além: tive uma “fase” em que resolvi pintar à mão com tinta acrílica minuciosamente todos os meus bonequinhos.

Mas, divaguei…

A trama de O Profeta Indígena apresenta Manitary, um jovem shaman da tribo dos Hualpais, uma espécie de excluído que, a partir de uma visão profética, vira um líder espiritual que convence e une centenas de “peles vermelhas” em uma missão sagrada contra os brancos. Há muita ação, mas também boas soluções de investigação, planos e contra-planos, e um bom desenvolvimento de personagens. São 220 páginas (!), um verdadeiro épico do gênero.

Mas, devo ressaltar, há momentos realmente espetaculares de narrativa gráfica, como quando Tex e seu leal grupo de parceiros conversam em um bar… a câmera do italiano Corrado Mastantuono “percorre”, ao longo de 4 páginas, o cenário de forma impecável, variando o foco e a distância, girando, ora se afastando, ora se aproximando, enfim, criando um ritmo agradável – até plácido – que, com os cuidadosos diálogos de Cláudio Nizzi, fazem com que a sequência da conversa entre os heróis e a criação de seus planos seja impecável.

O belíssimo traço e a perfeita câmera de Corrado Mastantuono

Entusiasmado, comprei a segunda edição, chamada O Cavaleiro Solitário, com arte do mestre Joe Kubert, e também gostei muito. História solo, violenta, às vezes carregada de tensão, mas ainda assim coerente com a personalidade do ranger Tex Willer e de seu universo, ou seja, argumento carregado em realismo, sem nunca exceder aquele limite do impossível, em uma quadrinização clássica, segura, sem experimentalismos, mas extremamente competente.

Comprei a terceira sem pestanejar, Patagônia, e novamente fui surpreendido pelo tema, com uma verdadeira aula de história dos conflitos entre os colonos e os indígenas da nossa vizinha Argentina. Já peguei o volume 4 e, enquanto continuar gostando das histórias e da arte, pretendo continuar comprando Tex Gold.

Minha relação com as HQs do Tex, até então, era um misto de preconceito e desconfiança.

Lembro de ter lido brevemente uma ou outra revista no começo dos anos 1980, muito provavelmente entre as pilhas do saudoso Tio Frank, de Itanhaém, mas não me chamaram muita atenção. Lembro que achava aquilo muito “sério” e “adulto”.

Depois, quando mais revistas da Bonelli começaram a ser publicadas no Brasil pela editora Mythos, no começo dos anos 2000, pensei em arriscar mas, folheando aqueles “quadrinhos quadrados” em preto e branco, confesso que desisti… comprei um Zagor aqui, uma Julia Kendall ali, mas o Tex deixei novamente de lado.

O preconceito vem, acredito, muito em conta do gênero faroeste ter submergido na cultura pop nas últimas décadas, e pelo perfil aparentemente “ultraconservador” do público leitor do personagem – afinal, quem frequenta bancas observa quem geralmente compra o quê… e não estou falando apenas da seção de quadrinhos, claro.

Parece certo que o leitor tradicional de Tex é homem, adulto ou idoso, urbano e muito comum entre os moradores de pequenas cidades do interior, muitos dos quais talvez só acompanham esse tipo de HQ ou, mais provável, prefiram Tex a qualquer outro gênero.

Sim, os quadrinhos da Bonelli em geral não podem ser chamados de subversivos, criativos ou talvez nem mesmo modernos, mas de modo algum Tex traz mensagens “inadequadas” ou desconectadas com os dias atuais. Nosso ranger e seus pards, apesar de matarem frequentemente seus inimigos, pregam paz entre as nações indígenas e os invasores brancos, respeitam a natureza e defendem a lei e a ordem. Não toleram injustiças, nenhum tipo de violência gratuita, estão sempre dispostos a ajudar os mais necessitados e a praticar o bem. Heróis, enfim.

Acredito que a Salvat acertou mais uma.

Em termos comerciais, deve ter um bom desempenho, mas talvez a mais importante contribuição de Tex Gold seja ampliar e renovar (?) o público leitor deste ícone dos quadrinhos italianos.

Pela qualidade destas primeiras edições, e no nível dos quadrinistas envolvidos, nada mais justo e necessário.

A Verdade Sobre as Vendas de Histórias em Quadrinhos nos EUA

Nos fóruns de discussão de Sites e Blogs especializados, nas redes sociais e, claro, nos canais brasileiros do YouTube dedicados a Quadrinhos, é comum ver comentários de como o mercado de HQs nos EUA está decadente, de como a Marvel está passando por uma fase comercialmente difícil, lamentos sobre uma suposta quebradeira generalizada das Comic Shops e outras teorias de “fim de mundo”.

A verdade é, felizmente, bem diferente. Fãs e, especialmente, muitos dos pretensos “influenciadores” das redes, parecem curtir um cenário negativo para gerar views ou algo do tipo. É compreensível, mas basta um pouco de pesquisa em fontes confiáveis para chegar aos fatos concretos.

Não vamos entrar nos detalhes de como funciona o mercado norte-americano de quadrinhos, mas é uma indústria a caminho dos 100 anos, que já passou por muitas transformações, altos e baixos, que conta com duas potências editoriais desde os anos 1960 – DC e Marvel, uma infinidade de editoras médias e pequenas, milhares de artistas, editores, cursos, comic cons, sites, etc.

Há, hoje, basicamente 5 canais de vendas de quadrinhos nos EUA: as Comic Shops, que somam quase três milhares; as Livrarias, tanto físicas (que voltaram a crescer em 2016!) quanto virtuais (Amazon é a grande líder, claro); as vendas das versões Digitais em download; as ainda existentes Newstands (Bancas e Lojas de Conveniência) e serviços de Assinatura.

Entre os especialistas em vendas, o mercado conta com 3 estudos mensais regulares: ICv2 – um portal profissional do setor, o Comichron, do estudioso John Jackson Miller, e o Comics Report, de outro analista, John Mayo.

Saiu há poucos dias um Relatório de Vendas estimadas do mercado norte-americano (EUA + Canadá) de 2016 produzido em conjunto pelo ICv2 e Comichron, que traz em 3 gráficos um resumo que clareia totalmente a nebulosa discussão sobre o setor. Vamos analisar um a um:

Vendas totais de 2011 a 2016

Em 2016, a receita bruta total gerada pela venda de quadrinhos atingiu 1 bilhão e 85 milhões de dólares, 5% acima de 2015. Reparem como o crescimento é constante ao longo dos últimos 6 anos.

Vendas por Canais no mercado EUA+Canadá

Neste segundo gráfico, temos duas informações:
. daquele total de +1 Bilhão, quanto foi gerado por cada um dos 4 Canais principais de vendas. Nota-se que as lojas especializadas (Comic Shops) ainda vendem mais da metade do total;
. e como essas vendas por canal se comportaram nos últimos 4 anos. É fácil observar que tanto Comic Shops quanto Livrarias continuam crescendo, enquanto as versões Digitais e Bancas+Assinaturas estão estáveis.

Vendas por Tipo de HQ

Finalmente, neste último quadro notamos que o maior volume do faturamento provém, sim, dos Encadernados (Graphic Novels), com quase 600 milhões de dólares, mas vale lembrar que cada edição dessas custa muito mais do que uma Edição Mensal (Comic Books), que geraram outros 400 milhões de dólares (cada Comic custa cerca de US$ 4,00, enquanto os Encadernados ficam em média US$ 20,00). Uma informação importante é que as versões Digitais, que até alguns anos atrás se especulava que “certamente mataria” as versões em papel, tem uma participação até tímida, de 90 milhões.

Novamente, há uma segunda informação que mostra as vendas por formato de 2011 a 2016. Nota-se o grande aumento nas receitas a partir de Encadernados, mas os Comics continuam produzindo mais receita ano a ano e, como todos sabem, sem estes simplesmente não existem os outros dois! Há gente que defende o “fim” das Edições Mensais sem entender que esse é o tipo de revista que efetivamente sustenta toda a indústria como ela é hoje.

Há várias conclusões que podemos tirar desses estudos, mas em suma: o mercado não está decadente, e sim em sólido crescimento; os Encadernados são um formato vencedor, e sua comercialização com descontos por locais como Amazon e nas próprias Comics Shops trazem um crescimento adicional importante, minimizando um hipotético domínio dos Downloads.

As líderes do setor, Marvel e DC, com suas constantes reformulações, eventos e números #1, são as grandes propulsoras desse desempenho. Li detalhes deste estudo e está comprovado que elas conseguiram, sim, renovar seu público leitor. Em 2015 a Marvel colaborou muito no crescimento do mercado com o lançamento da linha Star Wars, além do mega-evento Guerras Secretas. Em 2016 ela colaborou com Guerra Civil II e a linha All-New All-Different, enquanto a DC lançou Rebirth, outro grande sucesso comercial.

Atualmente, os leitores veteranos continuam consumindo muito, claro, mas há muita gente nova também, que vieram por vários caminhos, dada a enorme presença dos personagens em outras mídias, mas as reformulações, sagas e números #1 funcionam bem como porta de entrada para este nosso fantástico universo de entretenimento.

Os Guardiões da Galáxia e sua Primeira Aparição nos Quadrinhos

Neste artigo, acompanhe nossa análise da primeira HQ que apresentou os Guardiões da Galáxia e descubra como a equipe, seu conceito e origens eram completamente diferentes daquelas que o grande público conhece hoje.

O Quarteto Original dos Guardiões, diretamente do futuro: Vance Astro, Charlie-27, Martinex e Yondu

O Quarteto Original: Vance Astro, Charlie-27, Martinex e Yondu.

Primeira Aparição da Equipe: Marvel Super-Heroes #18 (janeiro de 1969), que foi também a estreia de todos esses personagens no Universo Marvel.
Criadores: Arnold Drake (roteiro) e Gene Colan (arte).
Editor: Stan Lee.
Título: Earth Shall Overcome!
Capa: Gene Colan.

Equipe e Poderes:
1. Major Vance Astrovik – americano do século XX que viajou durante 1.000 anos até o sistema solar Alfa Centauro, tem poderes telecinéticos e treinamento militar.
2. Capitão Charlie-27 – aparentemente o último jupiteriano livre, uma subespécie humana artificialmente desenvolvida para viver em Júpiter, tem pele ultra-densa, superforça e resistência, é piloto e com vasto treinamento militar.
3. Martinex T’Naga
– aparentemente o último plutoniano livre, uma subespécie humana artificialmente desenvolvida para viver em Plutão, tem pele cristalina, dispara rajadas de calor e gelo e é cientista nível gênio.
4. Yondu Udonta – aparentemente o último sobrevivente da espécie alienígena dos Centaurianos, é um guerreiro de aspecto tribal, arqueiro mestre das flechas Yaka, que controla por assobios.

Página interna com os Guardiões em ação

Adversários iniciais: a Irmandade dos Badoon (Brotherhood of the Badoon), espécie alienígena reptiliana que, no século XXXI, empreendeu um vasto ataque ao Sistema Solar e a Alfa Centauro, dominando a Terra e suas colônias em Plutão, Netuno, Marte e também o planeta natal dos Centaurianos. No momento em que saiu esta revista, os Badoon tinham recentemente aparecido pela primeira vez na revista Silver Surfer #2 (criados por Stan Lee e John Buscema), em outubro de 1968, apenas 3 meses antes! Eles são, desta forma, o elo com o restante do Universo Marvel.

Drang, o Comandante Supremo do Setor Leste do Império Badoon

Aventura futurista Sci-Fi: a história de Arnold Drake tinha, além dos atos heroicos e do esperado clima de aventura, um belo verniz de ficção-científica. O autor lançou, nas 22 páginas desta HQ situada no longínquo século XXXI, um conjunto impressionante de conceitos. Politicamente, todas as nações da Terra estão unidas sob a bandeira das U.L.E. (United Lands of Earth), que permitiu o desenvolvimento de esforços e tecnologia para colonizar dúzias de outros planetas, conhecidos como U.L.E. Federation. Os cientistas terrestres desenvolveram raças geneticamente modificadas para suas colônias planetárias, um sistema de teleporte para conectar os diversos mundos habitados (o Tele-Tran) e uma tecnologia revolucionária de transporte espacial baseada nas Harkovian Physics, um conjunto de teorias que substituíram as Einsteinian Physics. Outras inovações são a roupa de contenção de Vance Astro, responsável por manter sua integridade física (seu corpo tem 1.000 anos e foi congelado nesse tempo); animais desenvolvidos para guerra, como o Saturnian Hound-Hawk (misto de Lobo e Gavião); o dispositivo Psyke-Disk que os Badoon usam para controlar mentalmente as populações terrestres, tornando-os escravos quase autômatos; o mineral Yaka de Alfa Centauro que é “sensível ao som”, e outros incríveis conceitos.

Os Badoon à caça, com um Saturnian Hound-Hawk

Vance Astro e a Ironia Suprema. Um dos aspectos mais originais desta história é, sem dúvida, a dramática situação de Vance Astro. Antes de comentar sobre isso, vale ressaltar que o autor o caracteriza com 2 situações únicas, que o distinguem totalmente de seus companheiros: é o único terráqueo e veio do século XX, ou seja, 1.000 anos atrás (ele é, portanto, um herói “fora do seu tempo”, como o Capitão América naquela década, mas de uma maneira muito mais radical). Uma terceira característica, que aqui na edição original Drake apenas deixa em aberto, e que foi acrescentada por outros escritores, é que ele era mutante. Mas, voltando à sua origem, vale lembrar que o herói não passou por um deslocamento temporal. Vance foi selecionado pelo governo americano para ser o único astronauta em uma missão com destino ao sistema solar vizinho, Alfa Centauro. O problema é que a limitada tecnologia “da época” (do ano de 1988, lembrando que a revista foi escrita em 1968) gerava uma velocidade máxima ainda muito lenta, portanto o tempo da viagem seria de 1.000 anos. Vance foi colocado sob animação suspensa (outra situação similar à do Capitão) e despachado em um foguete. Contudo, nesse meio tempo os humanos desenvolveram uma tecnologia ultra veloz para viagens espaciais, o que permitiu colonizar outros planetas, inclusive de Alfa Centauro. Assim, quando o astronauta finalmente chegou a seu destino e foi descongelado, ao invés de ser um desbravador, uma multidão de terráqueos o aguardava! Ou seja, sua missão, seu sacrifício, foram completamente inúteis!

A história dramática do astronauta mutante Vance

Heróis da Liberdade. A história inicial dos Guardiões pode ser vista também como um grito em defesa da Liberdade. Os reptilianos Badoon são um império opressor que mata, prende e tortura. Charlie-27 estava em missão interplanetária quando ocorreu o ataque e descobre que é o último jupiteriano livre; a mesma situação é de Martinex, que diz que seus compatriotas plutonianos foram retirados em uma evacuação em massa algumas semanas antes. Yondu e Vance estão sob tortura, mas conseguem escapar e, depois de conhecerem a outra dupla (com direito a uma luta entre eles antes de se unirem), decidem que devem organizar uma resistência e combater os invasores até libertar a Terra e suas colônias.

No último quadro da sua revista de estreia, os Guardiões entoam um grito de liberdade!

Preço da Revista com a Primeira Aparição: sendo um título não muito popular da Era de Prata dos quadrinhos, é até relativamente fácil encontrar uma edição no mercado americano, mas com qualidade de conservação média ou baixa. Gradações elevadas são raras, como a nota 8,5 CGC da imagem abaixo. Exemplares em perfeito estado, de nota 9,8 a 10,00 podem atingir até US$ 6.000,00.

Edição CGC 8.5 à venda em site europeu a mais de 300 euros

 

Resenha de Guerras Secretas Esquadrão Sinistro #1 – Panini Comics

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De todas as revistas interligadas à megasaga Guerras Secretas, esta Esquadrão Sinistro é, sem dúvida, a mais inesperadamente impactante até o momento. Com ótimo roteiro, personagens bem construídos e lindamente desenhada, esta é uma HQ que serve ao propósito das Guerras, mas também tem vida própria, com um começo, meio e fim muito bem delineados, o que permite lê-la sem a preocupação de acompanhar a saga, muito menos saber previamente quem são os cinco super lunáticos que compõem esta versão do Esquadrão. Mas, vale a pena conhecê-los!

. Volume de Spoilers: Moderado, sem revelações definitivas.

O Esquadrão Sinistro foi criado em 1969, após uma tentativa fracassada conduzida por um grupo de editores que queriam promover o primeiro encontro de personagens Marvel e DC da história: um duelo entre os Vingadores e a Liga da Justiça. Como tal encontro não recebeu autorização das diretorias, o então escritor dos Vingadores, Roy Thomas, decidiu criar sua própria versão da Liga, mas transformados em vilões, para enfrentar os heróis da Marvel. Assim foram concebidos Hypérion (versão Marvel do Superman), Falcão Noturno (versão do Batman), Doutor Espectro (Lanterna Verde) e Tufão (Flash).

Após essa primeira aparição, a equipe ressurgiu várias vezes ao longo das décadas seguintes, a maioria em realidades alternativas, incorporando membros (outras versões da Liga, como a Princesa do Poder/Mulher-Maravilha) e protagonizando suas próprias aventuras, a maioria delas em sua versão heroica, com o nome de Esquadrão Supremo. A ótima interpretação desse Esquadrão na linha adulta Max dos anos 2000 é uma das mais notórias, principalmente pelo clima sombrio e pessimista.

Nossa história começa, curiosamente (ou não!) com os vilanescos protagonistas, que residem no Baronato de Utópolis, enfrentando esse Esquadrão Supremo Max. O líder dos Sinistros, o Barão Hypérion, está em uma campanha agressiva de anexação de províncias vizinhas – cada uma com sua própria equipe de superseres, com o intuito de ampliar sua influência e poder. Impiedosos, cruéis, extremamente eficientes e com um invejável trabalho de equipe, o grupo de supervilões parece imbatível e avança rapidamente sobre outros territórios. Porém, um crime sem precedentes acontece em Utópolis e a paranoia se instala em (quase) todos os Sinistros.

O autor, o veterano Mark Guggenheim, aproveita essa situação para resgatar do limbo vários personagens de realidades alternativas, em especial alguns do Novo Universo Marvel (criado em 1986). Como os heróis de uma região vizinha, Estigma, Mark Hazzard, Spitfire e Jack Magniconte estão cientes que o Esquadrão em breve irá avançar sobre sua província, traçam um plano para contê-los. Ao mesmo tempo, outra equipe de supervilões, o Quarteto Terrível, também decide avançar sobre outros territórios, atrapalhando os planos do Esquadrão.

Porém, não são os adversários externos que tornam esta revista verdadeiramente interessante, e sim a rivalidade entre os cinco Sinistros que, exatamente por serem criminosos e assassinos, não confiam uns nos outros. O autor habilidosamente cria situações e diálogos que deixam o leitor ciente das personalidades de todo o elenco: Falcão Noturno é o menos poderoso, mas sem dúvida alguma é o mais inteligente e ardiloso; a Princesa do Poder se relaciona com Hypérion por interesse e tem sua própria agenda; Tufão é um tremendo puxa-saco e covarde; Doutor Espectro é potencialmente o mais poderoso, mas limitado pela sua falta de imaginação; Hypérion é arrogante, presunçoso e acredita que pode resolver tudo no braço.

A história fica mais interessante a cada capítulo, os diálogos são enxutos e precisos; a ação, violenta e empolgante. O espanhol Carlos Pacheco mais uma vez realiza um trabalho primoroso, tanto na narrativa, como nos layouts de todos os personagens, objetos e cenários. Com uma segurança típica dos mestres, mantém a qualidade em toda a série, seja nas splash pages, nas batalhas, ou nas expressões de raiva, surpresa e dor, conforme as reviravoltas e traições sucedem-se na trama. Acredito que o arte-finalista Mariano Taibo foi uma ótima escolha para o lápis de Pacheco, e certamente deveriam trabalhar juntos outras vezes. Frank Martin nas cores fecha esta equipe artística de primeira linha.

E, por falar em primeira linha, reparem na incrível sequência de duas páginas no terceiro capítulo em que Hypérion elimina mais uma equipe de adversários. O nome desse grupo é exatamente Linha de Frente (First Line, no original – para saber mais clique aqui) e, por ser inédita no Brasil, passou despercebida pela maioria dos leitores (e resenhistas). Criada por John Byrne e Roger Stern na série Marvel: The Lost Generation (em 2000), trata-se de um enorme conjunto de heróis e heroínas que atuaram brevemente antes do Quarteto Fantástico, dos X-Men ou dos Vingadores, e foram esquecidos pela maior parte da humanidade. É uma história bem interessante, com alguns personagens de grande potencial. Todavia, parecia esquecida pela própria Marvel. Guggenheim até brinca com o fato, no balão do Hypérion: “Volte pra terra perdida Rouxinol (ou) sua geração estará perdida de verdade”. Há outros easter eggs na revista, incluindo um óbvio de O Cavaleiro das Trevas.

Com uma equipe criativa em ótima sintonia, personagens interessantes e um roteiro muito bem construído, Guerras Secretas Esquadrão Sinistro é altamente recomendável, inclusive para aqueles que querem ler uma aventura diferente, focada em vilões impiedosos, que obviamente “lembram muito” os maiores ícones da Distinta Concorrência. Uma história curta fecha a edição da Panini, protagonizada por outro vilão, o Maestro, que tenta conter um ataque do Surfista Prateado. Aqui, a Marvel finalmente corrige uma situação no mínimo “forçada” criada lá atrás, em 1992, na primeira aparição do Maestro.

Nota 9,0.

Revista Grandes Heróis Marvel da Panini

Capa GHM 1 Panini

Lançamento da PANINI com heróis populares e preço menor

Quando ouvi pela primeira vez a notícia de que a Panini iria reeditar um dos títulos mais famosos e bem sucedidos da época em que a Editora Abril cuidava dos heróis Marvel, minha primeira reação foi: “Caramba, demorou!”. Afinal, foi nessa revista que tive a oportunidade de ler algumas das melhores hqs de heróis até então. Eu e uma geração inteira de fãs brasileiros.

Como era trimestral, a espera aumentava a ansiosidade dos leitores e permitia à editora encaixar finais de Sagas ou Minisséries inteiras. No geral, cada edição focava em um grupo ou herói diferente e a história não gerava continuação, isto é, terminava ali mesmo e assim a gente só comprava as revistas que realmente nos interessavam.
A estratégia foi muito bem-sucedida, porque os leitores comentavam sempre sobre esse título nas seções de cartas e uma “aura” surgiu sobre a alta qualidade das histórias que saíam no título.

A primeira série durou muito tempo, de 1983 a 1999 e produziu 66 edições, mas fato é que em seus últimos anos ela estava muito menos impactante, parte também por conta da baixa qualidade geral dos Comics do período. Posteriormente, entre 2000 e 2001 a Abril ainda publicou outras duas séries com o mesmo título, mas completamente diferentes em termos editoriais e duraram pouco tempo. Mas e agora, nesta nova encarnação da Panini?

Na prática a nova revista Grandes Heróis Marvel tem pouca coisa em comum com a versão clássica: é mensal, as histórias seguirão independentes dos demais títulos mas ao mesmo tempo terão continuidade, isto é, não são edições fechadas e, portanto, para ler a história completa será necessário comprar 2 ou mais números.
Apesar do nome talvez ser “inadequado”, frente ao seu histórico, a proposta da Panini agrada.

Os dois pontos fortes certamente são: 1 – heróis populares e 2 – preço.

Na edição de estréia, temos Wolverine e Homem-Aranha, provavelmente os dois personagens mais populares da editora hoje em dia, em uma aventura totalmente desvinculada da cronologia.
Assim, atende a uma das queixas mais comuns de inúmeros leitores sobre a dificuldade de acompanhar as revistas tradicionais devido às complexas cronologias que os personagens trazem. É claro que a editora pode mudar essa tática a partir dos próximos arcos, mas existem muitas opções disponíveis com premissas similares.

A questão do preço precisa no entanto de algumas ressalvas: R$ 5,50 por 50 pgs pode parecer caro, mas é com papel especial, ao contrário dos títulos regulares da editora que custam R$ 6,90 com 30 pgs a mais.
Na verdade, enquanto na revista solo do Wolverine ou do Homem-Aranha, por exemplo, a editora publica 3 histórias, nesta são apenas duas. Mas compensa.

A escolha deste primeiro arco – que vai durar até a edição #3 – é acertada por várias razões: a dupla criativa é formada pelo badalado Jason Aaron, que fez algumas das melhores histórias do Wolverine da última década e é o responsável pela cultuada Scalped da Vertigo, e pelo desenhista veterano Adam Kubert que, apesar de ter trabalhado para a Marvel por muitos anos, teve poucas oportunidades de desenhar o Aranha, e ao mesmo tempo comporta em seu currículo uma memorável passagem pelo título do Wolverine nos anos 90 extremamente popular.

Outra razão para investir neste número #1 é que a história de fato é divertida, despretensiosa, mesmo envolvendo viagens no tempo e fim do mundo. Aranha e Wolverine tem momentos no presente, no tempo dos dinossauros (com direito a tribos de humanos!) e no futuro pós-apocalíptico. A confusão começa com o obscuro vilão Orbe e jóias místicas (ou cósmicas?). Não há muita ação nesta primeira parte, e as razões da confusão no tempo ainda não foram explicadas, mas fica a vontade de ler a próxima edição exatamente porque a história é bem contada e os mistérios, intrigantes. Termina com a revelação de que, aparentemente, um dos grandes vilões do Universo Marvel está envolvido.

Esta aventura foi publicada como uma minissérie bimestral e vendeu apenas razoavelmente nos EUA: cerca de 57 mil unidades do #1, caindo a cada edição (processo padrão no mercado) e terminando com 27 mil unidades pedidas nas comic shops. Foi a partir deste título, cujo nome original é Astonishing Spider Man e Wolverine, que a Marvel passou a utilizar o termo “Astonishing” com aventuras produzidas por equipes top e fora da cronologia atual. Lá já saíram edições do Thor com esse mesmo enfoque.

Promoção DoublePack da Panini: o que é isso?

Neste mês de abril, a Editora Panini lançou algumas revistas da Marvel (Novos Vingadores, Wolverine, Homem de Ferro/Thor, Reinado Sombrio) lacradas em saquinhos plásticos (com propaganda no verso) com o Selo DoublePack, explicando que na embalagem o comprador ganha uma revista da “Marvel americana”.

Achei fantástica a iniciativa, já que a revista importada é de fato autêntica (ao contrário de algumas reimpressões que acompanham bonecos, por exemplo…) e é totalmente gratuita!

Como sou leitor costumaz das revistas americanas, comprei as revistas na promoção sem pestanejar para prestigiar a ação e, assim, até ampliei um pouquinho a minha coleção.
Não entendi, no entanto, como foi o processo de escolha dos títulos americanos… por exemplo, há um Annual do Hulk da década de 90, na fase em que vários heróis habitavam o universo de Heroes Reborn… e uma hq completamente inesperada do Blade, também fora da cronologia atual.

Adorei, no entanto, a edição especial do Dracula em Preto/Branco do Roy Thomas e desenhada pelo grande Dick Giordano! Presentaço mesmo.

No geral, achei ótima a iniciativa porque permite a muitos leitores terem contato pela primeira vez com uma revista original da Marvel e, claro, praticar um pouquinho do Inglês.
Questionável a escolha dos títulos, mas tudo depende claro do tipo de acesso que a Panini teve a esses exemplares. Eu acredito que todas as revistas de cortesia são inéditas no Brasil, o que seria por si uma boa justificativa.
Faltou, mesmo, foi uma explicação, um adesivo na capa ou uma nota dos editores brasileiros sobre os contextos/personagens das edições de brinde, mas parabéns à editora pela promoção!