Superman 80 Anos: Action Comics Especial

Arte de Jim Lee para a capa de Action Comics 1000

As comemorações dos 80 anos da criação do Superman continuam, pelo menos no Brasil. Na verdade, a Panini decidiu lançar uma versão de Action Comics #1000, que saiu nos EUA em junho/2018, com uma diferença significativa, que realmente valoriza a edição brasileira: a republicação de Action Comics #1(*)! Sim, a primeira história do Superman, aquela de 1938 que deu início à gigantesca onda de super-heróis nos anos seguintes e, após altos e baixos, continua até hoje e com enorme influência sobre a cultura pop de grande parte do mundo.

Além da republicação da estreia do Superman, esta revista traz novas histórias, a maioria bem curtinhas, produzidas pelos artistas mais recentemente associados ao personagem, e por outros do passado que também deixaram sua marca em Action Comics. Há algumas ausências significativas (John Byrne, Roger Stern, Kurt Busiek, Grant Morrison) mas pelo menos temos a primeira HQ escrita pelo Brian Bendis, recém egresso da Marvel para se tornar um artista exclusivo da DC.

(*) De fato, a Panini se baseou na versão Hardcover da edição americana, que continha a história original.

A seguir, a síntese do conteúdo, com um breve comentário sobre cada história. Particularmente, não sou muito fã desse modelo de celebração, mas é algo típico tanto da DC quanto da Marvel. Nos EUA, esta revista foi muito bem avaliada; já aqui, nem tanto.

Action Comics #1 – de Jerome Siegel e Joe Shuster, 13 pgs.
Acho que foi a primeira vez que li esta mais do que fundamental HQ em formato americano. Um clássico em todos os sentidos, gostei da atitude fria e crua do Superman original. Para mim, já valeu a revista.

Da Cidade que tem de tudo, por Dan Jurgens e Norm Rapmund, 15 pgs.
É o dia de celebração do Superman em Metrópolis, e a cidade de mobiliza para homenagear seu grande herói que, por sinal, não se sente à vontade com a data. Jurgens faz seu bom feijão com arroz na arte, mas a história achei bem piegas. Há uma forte presença da Lois Lane e um metatexto bacana – mesmo que óbvio – no final.

Batalha sem Fim, por Peter Tomasi e Patrick Gleason, 15 pgs.
Aqui Super enfrenta Vandal Savage, que o arremete em uma viagem épica pelo tempo. É a forma encontrada por Tomasi para retratar momentos-chave da história da publicação da Action Comics, mas quem brilha mesmo é Gleason, que entrega múltiplas splash pages, que não só simulam essas “fases” marcantes, nos traços de criadores como Miller e Swan, como são autênticos pôsteres.

Um Inimigo Interior, por Marv Wolfman, Curt Swan e Butch Guice, 5 pgs.
Gosto da arte de Guice, mas é uma historieta bem mediana, sobre a confiança do Superman na força da humanidade, que nos mostra que os próprios humanos podem sim “salvar” outros humanos etc. Novamente, há uma pieguice que, embora não chegue a ofender, e até tem a ver com o personagem, não impede uma torcida de nariz.

O Carro, por Geoff Johns e Richard Donner e Olivier Coipel, 5 pgs.
Boa ideia do Johns, ao resgatar um personagem da primeira Action Comics, o motorista do carro que o Super arrebenta na memorável capa. A arte de Coipel combina com o tom do roteiro, curto mas inesquecível. Uma das melhores da edição.

A Quinta Estação, por Scott Snyder e Rafael Albuquerque, 5 pgs.
Outra história curta, porém sem o mesmo impacto da anterior. Traz Super e Luthor conversando, de certa forma demonstra o respeito que cada um tem pelo outro… enfim, nada demais.

Do Amanhã, por Tom King e Clay Mann, 5 pgs.
Situada no futuro, é uma homenagem do Super ao seu passado – o “nosso” presente. Não me pareceu tão interessante, apesar da arte impactante de Mann.

Cinco Minutos, por Louise Simonson e Jerry Ordway, 5 pgs.
Gostei desta divertida historieta com a sempre competente arte do mestre Ordway e é a única que foca no Planeta Diário.

Terra da Ação, por Paul Dini, José Luis García-Lopez e Kevin Nowlan, 5 pgs.
Como não se encantar com a espetacular arte detalhista e dinâmica de García-Lopez? É outra historieta com uma veia cômica, mas parte para o surreal, o absurdo, algo presente na Action nos anos 1950 por exemplo, muito bem contada por Paul Dini. Para mim, uma das mais criativas do conjunto. (Nota: o nome do desenhista está errado na contracapa, como Lópes e não Lopez).

Página com arte de García-Lopez

Mais Rápido do que uma Bala, por Brad Meltzer e John Cassaday, 5 pgs.
Apesar de ser grande fã do Cassaday, sem dúvida não foi um dos seus momentos mais inspirados. Meltzer foca em um momento crucial do salvamento de uma vida, mas nada especial.

A Verdade, por Brian Michael Bendis, Jim Lee e Scott Williams. 12 pgs.
Um perigoso novo inimigo bate muito no Superman e na Supergirl! É um alien que – além de lembrar bastante o Terrax da Marvel (inimigo do Quarteto, ex-arauto de Galactus) – traz (mais) uma potencial revelação “surpreendente” sobre os kryptonianos. Na prática, é a estréia de Bendis com a DC e o personagem, e serve como teaser para sua nova fase. Traz alguns diálogos típicos do autor, por parte de civis no meio da batalha, e até piada sobre o retorno da sunga vermelha. Muita gente reclamou desta história por destoar das demais, mas achei pertinente, porque todas as outras são homenagens, mas é fundamental ter uma nova história do momento presente dentro de uma revista que é, afinal de contas, mensal. Boa arte de Lee.

Página da história de Bendis/Lee

Há 2 pin-ups do personagem, pelos astros Walt Simonson e John Romita Jr. e, por fim, uma Galeria de Capas Variantes, cada uma com um tema específico associado ao Superman, desenhadas por:

Steve Rude (espetacular!)
Michael Cho
Dave Gibbons (ainda mandando bem)
Michael Allred (sou fã)
Jim Steranko (muito legal)
Joshua Middleton
Dan Jurgens e Kevin Nowlan
Lee Bermejo (não sou muito fã de sua arte hiper-realista-dark…)
Neal Adams (por sinal ele também desenhou uma historieta que só saiu na versão Hardcover nos EUA, portanto ficou inédita no Brasil)
Kaare Andrews
Olivier Coipel
Gabrielle Dell’Otto (retratando o ator Cristopher Reeve) 

Dell’ Otto retrata Reeve

Tony Daniel
Dave Dorman
Jason Fabok
Patrick Gleason
Jock
Tyler Kirkham
Stanley Lau
Jim Lee
Doug Mahnke
Felipe Massafera (um brasileiro, para quem não sabia…)
Francesco Mattina
George Perez (infelizmente sem a qualidade notória)
Nicola Scott
Curt Swan
Jorge Jimenez

Bela arte de Jorge Jimenez

 Nota Final para a Edição: 7,5.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #5 – Panini Comics

Ufa, o duelo final!

Finalmente a resenha do último – e decepcionante – capítulo do primeiro arco desta revista, chamado Meu Pior Inimigo, que traz a dupla criativa Scott Snyder e John Romita Jr explorando mais da dupla de eternos rivais Duas-Caras e Batman.

. Volume de Spoilers: médio.

Com tantas frentes abertas nos capítulos anteriores, seria difícil um fechamento simples mas, caramba, não esperava por algo tão tumultuado. Snyder esclarece os motivos da caçada, acrescentando revelações importantes, incluindo um plano secreto megalomaníaco do Duas-Caras em andamento.

Sinceramente, precisei reler três vezes e ainda fiquei confuso. Será que eu deveria ter lido alguma outra história do autor para entender o contexto? Por via das dúvidas, voltei aqui nas minhas próprias resenhas e folheei as edições 1-4. Parece que não, e nem deveria ser diferente, já que a proposta de Grandes Astros era de contar histórias fechadas com uma ambientação diferente.

Mas a sensação de que tudo foi resolvido apressadamente continua, tanto pela revelação do tal plano maluco, que mal faz um fechamento adequado com a questão dos “quilômetros percorridos”, como pela retomada súbita da atitude do sumido Comissário Gordon que invade a Mansão Wayne com um time inteiro de policiais.

E então descobrimos que Alfred tinha um esqueleto no armário, daqueles lá do passado, relacionado a Harvey Dent, e portanto se julga o responsável por toda a confusão? Como é que é? Novamente: eu perdi algo, não?

OK, é compreensível e desejável que Scott Snyder tente fechar tantas pontas-soltas, mas o desenvolvimento é truncado, porque ele não desacelera com a proposta de ação non-stop, com muitos personagens se sucedendo freneticamente… enfim, esta história é terrivelmente caótica e pretensiosa – e não no bom sentido -, com uma sucessão de reviravoltas e soluções que parecem coelhos tirados de uma imensa e furada cartola.

Tanto em questões relevantes, como essa situação envolvendo Alfred, como nas triviais, que convenientemente saem do cinto de utilidades do Batman ou de um compartimento secreto escondido por Dent na casinha que ele e Bruce conviveram na infância… e então Alfred liga no momento certo, para interromper o combate final, no número que o Duas-Caras carregava? Caramba, nunca vi tantas “coincidências” em uma mesma HQ.

Há outras situações que me incomodaram bastante, especialmente a quantidade de ferimentos graves que o Batman sofre ao longo do arco. Vejamos: foi atingido por ácido nos olhos no capítulo 4, o que causou uma certa dificuldade na visão por alguns quadros, e agora já estava plenamente recuperado (?) a ponto de atingir arremessos com precisão e fazer análises clínicas sofisticadas (!). E depois de apanhar bastante do KGBesta e dos soldados da Corte das Corujas na edição anterior, é também empalado no peito e, mesmo assim, consegue ainda feitos hercúleos logo em seguida. Que eu saiba, o Cavaleiro das Trevas ainda não ganhou fator de cura Snyder!

Batman estava quase cego no capítulo anterior, mas agora ele esquiva de tiros do KGBesta e alcança uma placa de fibra de vidro que ele tinha “visto” antes…. sei, sei.

E ainda tem o Pinguim e os demais vilões que pouco acrescentaram à trama, aliás porque eles se envolveram nesta história mesmo?

Batman, Duke e Dent ainda sofrem uma queda mortal numa cachoeira, mas conseguem sair ilesos e encontram convenientemente um veículo para chegarem no destino final… e no meio do caminho uma multidão de gente “do interior” quer matar o Batman, estão armados até os dentes e, de alguma forma, sabiam onde ele estaria (?!) mas, por alguma razão que já nem me importo, na hora que tem a chance, desistem! Pois é…

Honestamente, este fechamento foi uma grande decepção. Não recomendo para nenhum leitor casual do Batman ou que procura uma HQ com um roteiro criativo ou bem desenvolvido. Sem dúvida os batfãs podem se interessar pela ação desenfreada, bem como aqueles que curtem a arte do Romitinha, como é aliás o meu caso, mas fora isso, não justifica o tempo e dinheiro investidos.

Ah, e não tivemos continuação da série de histórias curtas estrelando Duke Thomas. Senti falta, inclusive de uma conclusão adequada também para esse conto. Será que volta nas próximas edições? Eu, definitivamente, não voltarei.

Nota: 4,0.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #4 – Panini Comics

Máquina Caça-Níqueis?

Rápida resenha do quarto capítulo desta nova encarnação do título Grandes Astros Batman onde o Cavaleiro das Trevas já enfrentou diversos vilões e, pelo visto, ainda tem mais alguns na fila! A primeira série Grandes Astros (All-Star no original) também tinha Robin no título e foi produzida por Frank Miller e Jim Lee, entre 2005 e 2008, mas nunca foi concluída.

. Volume de Spoilers: nada relevante.

Desta vez, a primeira página mostra uma casinha isolada no meio de um campo, onde há alguém em perigo. Contudo, a partir da página 2, Scott Snyder retoma do ponto anterior, onde Batman estava encurralado nos esgotos com Duas-Caras e um esquadrão de batalha da Corte das Corujas. A luta é árdua e trabalhada com detalhes por John Romita Jr. ao longo de 10 páginas!

O autor novamente dá uma pincelada na infância de Wayne e Dent, mas ignora o sub-plot com o Comissário Gordon que apareceu nas duas primeiras edições, e também não retoma a frenética mudança de tempo da narrativa que era uma espécie de “marca-registrada” da série. Por um lado, isso facilita o entendimento mas, por outro, parece que Snyder simplesmente desistiu (se arrependeu?) do recurso no meio da trama.

Por fim, acontece uma reviravolta… bastante inusitada nas últimas páginas mas que, mantendo nossa proposta de resenha spoiler-free, não comentaremos nada.

No geral, perdi um pouco meu interesse neste arco. “Meu Pior Inimigo” teve um começo promissor pelo ambiente diferente e pelo exército de vilões caçando o morcego – além claro da equipe criativa cinco estrelas – mas as constantes reviravoltas e a própria capacidade física do herói, que foi diversas vezes ferido gravemente mas continua quase 100% (e sem ter um fator de cura…) desgastaram a narrativa.

Também contribuem para essa sensação a mudança de vários elementos na edição anterior, como a chegada de outros chefões do crime, o reaparecimento da KG Besta, a revelação de aspectos da infância entre o protagonista e o antagonista, os novos apetrechos do uniforme extremamente convenientes para as batalhas, a participação de Jarvis, Gordon e Duke… enfim, Snyder decidiu colocar tantos acontecimentos, personagens e situações que tudo fica superficial, sem impacto.

A história conclui na próxima edição.

Duke no elegante traço de Declan Shalvey

A segunda história, “A Roda Amaldiçoada – Parte 4”, até por ser curta, com 8 páginas, obriga foco por parte do autor – também Scott Snyder -, é interessante tanto pelo mistério como pelo drama pessoal de Duke Thomas. A elegante arte de Declan Shalvey e as cores pastéis de Jordie Bellaire criam uma atmosfera atraente, com uma boa narrativa.

Nota: 6,5.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #3 – Panini Comics

Batman Vs KGBesta

Rápida resenha da 3a edição do arco de Scott SnyderJohn Romita Jr. Aqui, como a capa já entrega, Batman enfrenta o repaginado mas sempre perigoso KG Besta.

. Volume de Spoilers: zero, ou quase isso.

Snyder mostra, logo na primeira página, que Bruce Wayne e Harvey Dent tiveram uma certa convivência quando crianças. Como não tenho acompanhado as aventuras do Batman nos títulos mensais dos últimos anos, não sei dizer se isso é novidade ou apenas mais um elemento desse período. Mas ajuda no desenvolvimento da história do presente, onde ambos continuam seu embate mas, desta vez, com a intromissão não esperada do perigoso ex-agente soviético KG Besta, eles precisam decidir se se ajudam brevemente ou não.

A primeira aparição desse vilão é um conto clássico dos anos 80, cuja primeira edição brasileira resenhamos aqui no Blog.

Como não poderia deixar de ser, a Besta é força, precisão e violência em estado bruto. O roteirista acrescenta pequenas descrições nos quadros em que ele usa alguma habilidade ou poder, que achei interessante. Também gostei do novo visual desenvolvido por John Romita Jr., que basicamente atualiza o uniforme, com os mesmos elementos centrais do original. Como sempre, o desenhista entrega um trabalho cinematográfico impressionante, enaltecido pela arte-final de Danny Miki e pelas cores de Dean White que, desta vez, me pareceram um pouco carregadas demais em algumas páginas.

O arco perdeu um pouco da força das edições anteriores, porque ao mesmo tempo que introduziu um elemento do passado de Wayne, e um vilão mais eficaz que os anteriores, não continuou com sub-plot do Comissário Gordon do futuro breve e há algumas reviravoltas forçadas.

Também há um momento daquilo que chamo “demonstração gratuita de mortes violentas” (ou DGMV) da parte de um dos vilões que contrataram o KG Besta. É algo que tem me incomodado bastante nas HQs de heróis, não só porque as mortes nesse esquema são geralmente desnecessárias, mas principalmente porque é um artifício exagerado no roteiro para dar uma ideia de “como o vilão é f@#%, veja que frieza, que poder…” – quando muitas vezes ele ou ela não costuma(va) ser assim, ou seja, também é uma enrolação pura e simples, um desperdício de página. Não chega a estragar, mas é mais um ponto que diminui a qualidade geral da história.

Na já tradicional segunda e curta HQ da revista, estrelada por Duke e escrita por Snyder com arte de Declan ShalveyJordie Bellaire, os autores desenvolvem mais da personalidade do jovem herói, com pouca ação mas com boas cenas do passado e do presente e que continua interessante.

Nota: 7,0.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #2 – Panini Comics

Batman Vs Duas-Caras por John Romita Jr

Retomando a análise do primeiro arco desta nova revista do Batman, com roteiros de Scott Snyder e arte de John Romita Jr. Atualmente, só tenho comprado duas séries mensais do Renascimento DC – esta e a da Mulher-Maravilha, e pretendo continuar.

. Volume de Spoilers: como sempre, tentamos não ser desmancha-prazeres.

Nesta segunda parte do arco “Meu Pior Inimigo”, apropriadamente intitulada “Comboio para o Inferno”, vemos Batman tentando capturar Duas-Caras que, para escapar, contratou vários supervilões, todos dispostos a espancar impiedosamente o nosso herói. A história começa com embates sobre um trem em movimento longe de Gotham City.

Assim como na edição anterior, há alguns inimigos que eu não conhecia, muito provavelmente porque surgiram nos últimos anos, quando parei de acompanhar as HQs do Homem-Morcego. Portanto figuras como o Rei Tubarão e Jane Doe são novidade para mim, o que é um aspecto positivo, de descoberta, ou melhor, de um primeiro contato que pode ser instigante para pesquisar mais sobre tais personagens (o que de fato eu fiz).

Snyder desenvolve outras duas tramas, todas convergindo para o desfecho da aventura: uma, a alguns dias no “futuro”,  com o Comissário Gordon; e outra com um grupo de chefes do crime. Na verdade, a história em si não avança muito… embora seja tão frenética quanto o capítulo anterior e igualmente divertida.

Como de costume, o morcego parece estar sempre um passo a frente mas, desta vez, parece agir próximo do seu limite. De certo modo, entendo que a superação e a destreza sobre-humanas são grande parte do apelo do herói, mas às vezes o exagero pode trazer um efeito contrário. Afinal, como todos sabem, Batman ainda é Bruce Wayne, um homem dotado de vários talentos, mas ainda um homem. Aqui achei que passou um pouquinho do ponto. O melhor desta edição, sem dúvida, é o final, com a chegada de um antigo e sumido (talvez?) adversário.

Alguns dos supervilões do Batman na arte de Romita Jr., Danny Miki e Dean White

No campo artístico, Romita Jr. e Danny Miki mantém o interesse renovado pelo título, porque conseguem produzir sequências de grande impacto visual, embelezadas pelas cores vibrantes de Dean White. Gostei muito do uniforme do vilão surpresa – aquele do final – repaginado mas mantendo a essência do original. Uma dica: foi criado por Jim Starlim no final dos anos 1980 e há uma resenha aqui no Blog de sua primeira aparição.

A segunda história da revista, apesar das 8 páginas, ou talvez por conta disso mesmo, é bem coesa e retoma alguns acontecimentos da origem de Duke, o novo parceiro do Batman. Declan ShalveyJordie Bellaire fazem uma arte elegante, e a HQ continua interessante, com um bom mistério e um desenvolvimento bem-vindo da relação entre o jovem Robin e seu mentor.

Nota 7,5.

Mulher-Maravilha #3 – Panini Comics

Capa Variante com Gal Gadot

Resenha da terceira edição da mensal Mulher-Maravilha do Renascimento DC – sim, eu estou atrasado!

. Volume de spoilers: como de praxe, nunca comento pontos cruciais, só procuro contextualizar a história, citando alguns aspectos.

Com data de Junho/2017, novamente temos duas edições de Wonder Woman nesta revista da Panini, a #4 e a #5, ambas escritas pelo premiado Greg Rucka, sendo que a primeira, ambientada no passado, reconta a origem da Mulher-Maravilha e o seu primeiro encontro com Steve Trevor e o Mundo do Patriarcado, e a segunda, situada no presente, relata mais um capítulo da aventura na selva africana na companhia da Mulher-Leopardo.

Realmente, é notável o cuidado com o desenvolvimento dos detalhes que Rucka traz em todo este arco da origem da Mulher-Maravilha. Da construção da sociedade das amazonas aos seus hábitos, do modo com que encaram a ameaça trazida pela chegada de Trevor e seu avião à reverência aos Deuses… mas, sobretudo, é tocante ver o amor entre Diana e sua mãe, Hyppolita. Há dor genuína no coração da rainha quando o dever as separa. Sobre o roteiro, que flui naturalmente, acompanhamos a difícil decisão das guerreiras sobre o destino do soldado americano sobrevivente, que envolverá a escolha de uma campeã. Ah, e Rucka ainda explica, sutilmente, de onde veio a clássica ideia do “avião invisível” eternamente associado à personagem.

Claro, tudo isso não teria o mesmo impacto sem a arte delicada e que respeita enormemente as personagens de Nicola Scott. Além da beleza clássica que impõe nos corpos e rostos das guerreiras amazonas, destaca-se o esmero com a arquitetura, a decoração, as expressões faciais, bem como com a própria narrativa e a quadrinização. Sem dúvida, é um trabalho impressionante, belo e superior. Romulo Fajardo Jr. novamente entrega cores perfeitas para esta edição impecável.

Splash Page Dupla de Nicola Scott com as amazonas em ação

Contudo, não estou gostando da segunda história, dividida em três frentes narrativas: a primeira mostra Trevor prisioneiro tendo uma conversa recheada de frases de efeito com um warlord pretensamente poderoso, Cadulo; na segunda Diana e a Mulher-Leopardo continuam discutindo a relação enquanto procuram pelo mesmo vilão; finalmente, na terceira narrativa, Etta Candy e Sasha tem um encontro noturno para discutir a perda de contato com o esquadrão de Trevor nas florestas de Bwanda. Essa situação (porque não se falaram por telefone?) parece apenas uma desculpa preguiçosa para o roteirista apresentar uma nova situação misteriosa envolvendo uma dessas mulheres.

Os desenhos de Liam Sharp estão bem menos interessantes do que nas edições anteriores. A sequência da conversa cara a cara de Etta e Sasha, especialmente, é enfadonha e expõe a baixa capacidade do desenhista em produzir páginas de talking heads interessantes. No resto da história, como há pouca ação desta vez (situações em que Sharp se destacou nas revistas #1 e #2), restam algumas poses da Mulher-Maravilha e da Mulher-Leopardo na floresta, e excesso de testosterona no embate entre Cadulo e Trevor. Nem a competente Laura Martin nas cores consegue um resultado agradável, pois há excesso de brilhos e efeitos.

Página interna com a arte de Liam Sharp

Em suma, a edição da Panini faz o correto em publicar as histórias na sequência. Como a publicação original americana é quinzenal, as duas tramas saem intercaladas mesmo. Contudo, a diferença de escopo e qualidade é tão grande que incomoda. Não há previsão de alteração no esquema. Imagino no futuro ler em encadernados a história desenhada por Nicola Scott e agradecer pela experiência. Deste jeito, não fica tão legal. Mas vamos continuar resenhando este título da DC.

Finalmente, destaco mais uma arte do Frank Cho retratando a poderosa Princesa Diana.

A arte de Frank Cho para uma capa variante está no interior desta revista

Nota: 7,5.

Action Comics #2 – Panini Comics

Team-up com a Mulher-Maravilha em Action Comics #2

Resenha da segunda edição brasileira de Action Comics, em que o “novo-velho” Superman continua sua batalha com Apocalypse e, como a capa já entrega, conta com a participação da Princesa Amazona.

. Volume de Spoilers: moderados.

A Panini acrescenta outras duas edições da Action Comics americana, a #959 e a #960, respectivamente os capítulos 3 e 4 deste primeiro arco na Fase Renascimento DC. Já adianto que esta história não termina aqui.

Apocalypse, Superman e Lex Luthor continuam a batalhar no centro de Metrópolis, gerando enorme destruição, enquanto Lois Lane e o pequeno Jon acompanham pela televisão. Lois, obviamente, está apreensiva porque sabe como foi o desfecho da primeira batalha entre eles. Ao mesmo tempo, não quer demonstrar medo para seu filho que, como qualquer criança, está curtindo a batalha.

É uma leitura rápida, ágil, permeada por muita ação. Contudo, alguns momentos do roteiro incomodam, como naqueles em que pessoas se deixam ficar desnecessariamente a perigo, como quando Jimmy Olsen tenta tirar fotos a poucos metros do conflito, bem como o misterioso Clark Kent humano que, mesmo ferido, conversa (!) com Superman nos esgotos, enquanto este confronta Apocalypse. Essa teimosia do repórter, que diz precisar ficar perto da “matéria”, é demasiadamente infantil.

Assim como, na segunda parte, já com a chegada da Mulher-Maravilha, o roteiro cria uma situação extremamente forçada para colocar a família do Homem de Aço em perigo. Os diálogos e cenas de afeto entre Superman e Lois são pouco convincentes, repletos de clichês. De novidade, apenas uma breve aparição daquele estranho ser encapuzado e mais detalhes de como Luthor conseguiu equipar sua armadura.

Dan Jurgens, de fato, apesar de veterano e de ter alguns bons trabalhos no currículo, como as fases do Gladiador Dourado na DC e do Thor na Marvel, faz aqui um trabalho mediano, com um desenvolvimento previsível, tanto nos cliffhangers (há pelo menos 3 deles neste arco com a mesma situação), como nos diálogos e, imagino, na conclusão.

Quanto à arte, quem cuida dos desenhos desta revista é Tyler Kirkham, enquanto as cores ficam com Arif Prianto. Kirkham é bom, mas entrega um trabalho inferior ao do ótimo Patrick Zircher (que cuidou da edição anterior. Seu design de personagens é mais cartunesco, mas não causa uma grande ruptura com Zircher. Sua composição e a narrativa, contudo, não são tão imaginativas. Estranhei, mesmo, o visual da Mulher-Maravilha, que parece extremamente jovem, quase uma adolescente. Também não gostei muito do trabalho de colorização: há excesso de tons na mesma página, com muito brilho.

Arte interna de Tyler Kirkham

Mesmo sem concluir o arco, resolvi parar de acompanhar este título. Há tanta variedade e material com alta qualidade saindo, que é preciso selecionar. Particularmente, acho duas revistas mensais para o Homem de Aço até aceitáveis, mas para mim, que não sou nem tão fã do personagem, nem do roteirista, é demais. Vou continuar, por enquanto, com o título-irmão, Superman, que em breve resenharei o primeiro arco aqui. A propósito, neste caso eu preferiria o modelo anterior, de uma revista mensal com 3 histórias. Havia mais variedade, tanto de histórias quanto de estilos de arte, o que ajudava na motivação da leitura.

Nota 5,5.