Quadrinhos Disney Renascem no Brasil!

Às vezes é preciso deixar uma ideia morrer para que essa mesma ideia consiga voltar, no futuro, mais forte do que antes. Pois é exatamente isso o que está acontecendo, neste momento, com os quadrinhos Disney no Brasil.

Uma das caprichadas edições mensais da Culturama

Para quem não costuma acompanhar, as revistas do Pato Donald, Tio Patinhas, Pateta & Cia. eram publicadas “desde sempre” pela Editora Abril. De fato, a primeira publicação impressa da própria Abril foi o número #1 de “O Pato Donald”, em 1950.

Infelizmente, a editora paulistana fez, a partir dos anos 1990, um processo de diversificação para outras mídias e segmentos editorais que, embora muito bem-sucedido no começo, acabou trazendo uma série de dificuldades financeiras nos anos 2000, que culminaram com a dissolução de várias frentes de negócios, inclusive com o fim da divisão de quadrinhos.

As últimas edições Disney da Abril saíram em julho de 2018. Desde então, a empresa foi comprada por um novo grupo controlador que está, de fato, trabalhando para recuperar algumas linhas e revitalizar títulos de revistas periódicas, como a Super Interessante, mas nada de HQs. Será que os leitores brasileiros não teriam mais novas revistas das criações de Walt Disney? Alguma empresa arriscaria com esses personagens aparentemente “micados” por aqui?

A última edição do Pato Donald pela Abril

Após muita especulação, especialmente em torno da gigante Panini Comics, no começo de 2019 o mercado foi informado que os gibis dos patos e dos ratos seriam retomados pela Culturama, uma jovem editora de livros infantis sediada no Rio Grande do Sul que já trabalhava, inclusive, com licenças da própria Disney.

Entre um misto de surpresa, esperança e ceticismo de boa parte dos órfãos da Abril, a Culturama lançou em março de 2019 cinco revistas especiais números zero, e a partir de abril as mensais números #1 propriamente ditas, todas em formatinho, com um bom cuidado gráfico e editorial: Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Pateta e Aventuras Disney, ao preço de R$ 6,00 cada. As combalidas Bancas de Jornal voltavam a ter esses produtos queridos por crianças, jovens e adultos.

Este é o sexto título mensal de linha da atualidade

Aos poucos, com um bom trabalho de curadoria, de histórias trazidas especialmente da Itália e da Dinamarca, com boas ações de marketing, pacotes de assinaturas e com a distribuição relativamente azeitada (na medida do possível para os padrões do Brasil), a Culturama passou a lançar edições especiais, como o Grande Almanaque Disney e uma sexta revista mensal, Histórias Curtas. Parecia que, de fato, os esforços de todos – inclusive da adesão dos fãs – estavam dando frutos.

Mas, faltavam ainda algumas coisas para comemorar. E não eram simples.

A primeira delas dizia respeito a uma linha especial de títulos. Explicando: nos seus últimos anos de atividade, a Abril investiu pesadamente em edições “para colecionador” – séries e especiais em capa dura, que traziam histórias ou fases clássicas pelas mãos de grandes artistas, com cores restauradas, em formatos maiores e recheados de extras!

Edição luxuosa que traz compilada a enorme e complexa história do Tio Patinhas por Don Rosa. Um clássico!

Foi um prato cheio para os leitores das antigas, que finalmente podiam ter em mãos todas as histórias produzidas por Carl Barks, Don Rosa, Floyd Gottfredson, dentre outros, e também abriu portas para grupos diversificados de consumidores, que liam Marvel, Vertigo e Bonelli, por exemplo.

Porém, várias dessas belíssimas séries ficaram incompletas, vítimas do fechamento súbito da divisão de quadrinhos da Abril.

Como a gaúcha Culturama não demonstrava interesse em investir nesse nicho, concentrando seus esforços nas mensais e especiais para as bancas e outros canais de varejo, muita gente já tinha jogado a toalha e desistido de ver tais coleções completas.

Uma das séries capa dura retomadas pela Panini

Até que, no começo de 2020, a própria Editora Panini – que, vale frisar, representa as licenças Disney mundo afora – finalmente decidiu investir nesse material, dando sequência aos volumes de onde a Abril tinha parado, mantendo os mesmos padrões gráficos e até lançando novas séries de clássicos, ou seja, republicações em geral.

Aparentemente, essa segunda frente de investimentos em HQs Disney deu uma revigorada na marca e atraiu novos grupos de consumidores.

É possível constatar isso porque, apesar da crise econômica que o país já atravessava, intensificada gravemente pela pandemia, tanto os lançamentos de novas histórias em quadrinhos Disney trazidas regularmente pela Culturama, como os volumes de luxo de republicações da Panini continuam saindo em grandes quantidades.

A própria editora gaúcha revelou que, desde o início dos trabalhos, foram vendidas 1.300.000 (um milhão e trezentas mil) revistas em quadrinhos da marca, um número impressionante!

Certamente, os quadrinhos Disney divididos pela primeira vez entre duas empresas concorrentes podem resultar em ganhos para os leitores – além de diluir os investimentos e riscos do negócio em si.

Série italiana pela primeira vez no Brasil em uma das mais caras edições Disney já publicadas aqui: R$ 99,00!

É possível observar também que a comunidade de leitores hardcore de quadrinhos em geral, que mantém uma ampla publicação de postagens e vídeos nas redes sociais, parece que está dando mais atenção aos títulos desses personagens desde o seu desaparecimento, em 2018. No momento, há uma enorme diversidade de publicações, talvez igual ou superior ao dos últimos anos da Abril, o que não é pouco.

A segunda coisa que faltava para os leitores comemorarem veio em forma de Live promovida pela Culturama no dia 29.07.20 e é, sem dúvida, uma notícia espetacular para o mercado editorial como um todo.

Zé Carioca, um dos mais queridos personagens do panteão Disney, que estava na geladeira há vários anos, vai ter novas histórias e, o melhor, criadas e produzidas no Brasil!

Capa de Aventuras Disney com a primeira HQ produzida pela Culturama, no traço de Moacir Rodrigues

Isso mesmo: roteiristas, desenhistas, coloristas, letristas, revisores, editores e gráficos brasileiros serão os responsáveis pelas suas novas HQs.

A primeira história do Zé sairá em setembro/20 na revista mensal Aventuras Disney, e ao menos outras três estão em produção, sendo esse conjunto a ponta de lança de um projeto mais audacioso: reconstruir os famosos “Estúdios Disney Brasil” originalmente criados pela Editora Abril que, durante as décadas de 1970 a 1990, lançou milhares de páginas memoráveis de quadrinhos, que marcaram uma geração de brasileiros (eu, inclusive) e publicados mundo afora.

Nos anos 80 os quadrinhos Disney com o Selo (B) de Brasil estampados na primeira página eram, para mim, os mais divertidos, criativos, com os personagens mais bem desenvolvidos e desenhados… enfim, eram os melhores e ponto final!

Peninha, Biquinho, A Patada, Zé Carioca, Morcego Vermelho, Donald, Pateta, Margarida, Urtigão, Turma da Pata Lee e muitos outros brilhavam sob a batuta dos brasileiros.

Capa da primeira edição do Urtigão, feito no Brasil

Claro, portanto, que pessoalmente fico muito, muito feliz pela notícia, porque (re)abre oportunidades para artistas e outros profissionais da nossa pequena indústria e que podem, novamente, fazer um material de ótima qualidade, de grande ressonância com o leitor nacional.

É isso, boas novas em meio ao caos! Construção depois da destruição! Então porque não sonhar, agora, com a retomada plena dos Estúdios Disney (B) e uma nova “era dourada” de histórias em quadrinhos brasileiras?

Leituras para a Quarentena #01: Bone.

Olá pessoal, espero que todos estejam bem!

Conforme prometido, vamos começar uma série de indicações de Histórias em Quadrinhos especialmente pensadas para quem está com um tempinho a mais sobrando, por conta da quarentena imposta por esta terrível crise sanitária mundial.

A célebre “corrida de vacas” é o destaque da capa do Box da edição brasileira.

Estamos atravessando um período conturbado, tenso, atípico e, talvez mais angustiante, um momento em que ainda não é possível prever até quando irá durar e que, inegavelmente, trará mudanças irreversíveis em diversas áreas das nossas vidas, inclusive transformações comportamentais e de convivência no trabalho, na escola, com a saúde, com o tempo, com o consumo, etc.

Claro que muitos precisam sair para trabalhar, e alguns estão trabalhando mais do que nunca – e não estou me referindo apenas aos profissionais de saúde ou de outras áreas essenciais, como segurança, energia, internet – porque mesmo para quem está em Home-Office, o volume de atividades pode ser intenso, restringindo o tempo para leitura e outras formas de lazer e entretenimento.

Por conta de tudo isso, acho mais recomendável indicar leituras com um caráter otimista – ou melhor, mais para o leve e menos para o angustiante -, e que em geral traga uma perspectiva de esperança em dias melhores que, temos certeza, virão!

Bone, de Jeff Smith, é uma obra que transborda esperança e ainda traz muitas doses de aventura e comédia, embaladas em uma fantasia medieval, claramente inspirada em Senhor dos Anéis, mas com personagens muito carismáticos, únicos, que vão fazer o leitor sentir saudades depois de concluída porque sim – ela tem um começo, meio e fim definitivos. Não haverá Parte 2 ou continuação. É, vejam só, uma obra finita! – coisa rara na Cultura Pop.

Uma das terríveis Ratazanas carnívoras

Jeff Smith publicou sua bela obra-prima de maneira esparsa nos anos 90 e só conseguiu concluir no começo da década de 2000 – exatamente na contramão do que mais se consumia na época, ao menos no mercado norte-americano.

Enquanto os super-heróis vendiam milhões de exemplares em um mercado crescentemente especulativo, com suas múltiplas edições #01 e capas metálicas, com cópias abundantes e sem graça do Wolverine, Justiceiro e X-Men na Image e outras editoras nascentes, e as próprias Marvel e DC transformavam seus ícones em versões extremas; com a “morte” do Superman; a “coluna partida” do Batman e com os “clones” do Homem-Aranha; e HQs “adultas” repletas de sangue e de subversões do lado alternativo, Bone surgiu como um audacioso ponto de luz, uma “peça de resistência” à todo esse cenário, com uma nova e autêntica abordagem, a partir de personagens inéditos “fofinhos”, que conversam com animais (?!), publicado de forma independente, em preto e branco e papel barato, tudo bancado pelo próprio autor e sua esposa.

Mas eis que o título, que saía de forma irregular, com baixa tiragem, distribuída em um restrito circuito de Comic Shops e pequenos eventos, aos poucos foi chamando a atenção dos leitores, da crítica especializada e não tardou para cair nas graças de quadrinistas famosos, que passaram a recomendar e a elogiar a obra e seu criador, Jeff Smith. Não custa contextualizar: isso tudo foi antes da internet, de smartphones e redes wi-fi.

E então vieram as premiações, que se acumularam ao longo de toda a sua publicação: venceu 11 prêmios Harvey (!) e 10 Eisner (!!). Editado em 25 países, vendeu milhões de unidades e ainda foi indicado pela revista Time como um dos 10 melhores quadrinhos de todos os tempos!

O Dragão Vermelho, Fone Bone e a adorável Espinho

Nada mal para um quadrinho independente de bichos falantes, mas é perfeitamente compreensível entender o porquê do seu sucesso quando o leitor encara a bela versão brasileira da Editora Todavia, que compila a obra completa (pela primeira vez no Brasil) em 3 volumes, com tradução de Érico Assis. Eu peguei na versão Box, completinha, em uma boa promoção uns meses atrás.

Não vamos entrar em detalhes, mas “Bone” na verdade refere-se ao trio de protagonistas, os primos Fone, Phoney e Smiley, pertencentes a uma espécie curiosa de seres, ou talvez seja uma raça de pequenos humanos (não é explicitado isso em nenhum momento e, de fato, é parte do charme da aventura), desenhados em forma de Cartum, com as características de personagens da Disney ou da Turma da Mônica, ou até de tiras de jornal mais simples do começo do Século XX, com traços nem um pouco sofisticados, mas que por isso mesmo trazem uma autenticidade e um frescor ao quadrinho.

Interessante também acompanhar a evolução técnica de Smith, que nos primeiros números ainda se esforçava com a narrativa, às vezes truncada, e com um roteiro meio vago, com enxames de gafanhotos aleatórios, animais falantes, ratazanas gigantes abobadas e uma vovozinha e sua neta vivendo isoladas no meio de uma floresta.

Não deixe esse começo meio morno afastá-lo dos capítulos seguintes, ó fiel leitor! Aos poucos, a história ganha dramaticidade, inúmeros personagens surgem, quase sempre muito bem delineados, e quando o roteiro aponta uma jornada épica, aí sim, fica difícil deixar de concluir a leitura.

Nas páginas internas percebemos a influência do mestre Barks

Não é uma HQ sem falhas. Mesmo lá na parte final, algumas páginas parecem redundantes, as ameaças, às vezes repetidas, mas logo surge um diálogo esperto, um feito impressionante ou uma situação engraçada que faz com que a gente releve essas pequenas inconsistências.

Bone é indicado para qualquer faixa etária e pode sim ser uma porta de entrada para aqueles que abandonaram quadrinhos na infância e gostariam de retornar, mas não se empolgam com os intrincados universos de super-heróis, ou procuram algo menos pretensioso ou denso como os trabalhos de Alan Moore ou Grant Morrison. Certamente é uma boa pedida para fãs de RPGs, de Tolkien, imperdível para quem adora as aventuras dos Patos de Carl Barks (talvez a maior referência estética e no storytelling de Jeff Smith) ou de uma aventura leve sim, mas encantadora.

De todos os quadrinhos que li recentemente, Bone vira e mexe volta à minha lembrança, e um sorriso automaticamente aparece. Vale a pena embarcar na saga aparentemente inexistente (a julgar pelas capas rsrs) mas completamente viciante que os simpáticos e encrenqueiros Bones e sua imensa trupe de amigos e inimigos humanos, animais de todos os tamanhos, dragões e outros seres mágicos trazem nestas mais de 1.300 páginas de histórias em quadrinhos.

Indicação de Leituras para 2020!

Olá pessoal. Espero que estejam todos bem!

Vou retomar as publicações aqui no Blog, sugerindo leituras, escrevendo resenhas, comentando sobre quadrinistas e outros assuntos relacionados ao mundo, ou melhor, ao universo inesgotável e encantador das histórias em quadrinhos.

Estive bem ocupado nos últimos meses, por conta de trabalho mesmo… e, na verdade, continuo. Mas, graças ao confinamento, sou obrigado a ficar online quase o dia inteiro. Então, vou aproveitar para deixar o Lendo Quadrinhos vivo.

A propósito, temos um Instagram que está sempre ativo, com atualizações quase diárias:

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Abraços e até breve.

Sonho é ler quadrinhos até a velhice…

Os Vingadores #3 – Panini Comics (2019)

Mais uma breve análise do primeiro arco desta mensal dos Vingadores – que ganhou força nos dois capítulos aqui contidos. Confira!

Na capa da edição #3 temos Odin e a chamada “A Origem Secreta do Universo”

Jason Aaron realmente não gosta de pensar pequeno. Quem leu suas recentes passagens por Doutor Estranho, Thor ou até mesmo o seu já longínquo trabalho com o Motoqueiro Fantasma (2008) sabe disso. Com os Vingadores dominando o mundo em popularidade há muitos anos, ele de fato pensou grande – vai ser difícil superar o tamanho da ameaça deste primeiro arco do roteirista com a equipe.

Os Celestiais são uma intrigante criação de Jack Kirby e permeiam as sagas cósmicas da Marvel esporadicamente, mas até então os argumentistas evitavam entrar em detalhes de sua origem ou quais segredos continham. Kirby inicialmente trabalhou os sempre mudos e enigmáticos Celestiais na revista dos Eternos (nos anos 1970), uma super raça criada por esses Deuses Espaciais a partir de proto humanos.

Como vimos desde o especial Marvel Legado, a proposta de Aaron é que há 1 milhão de anos atrás a Terra teria sido ameaçada por um desses Celestiais, ou pelo menos foi esse o julgamento de um grupo de entidades e avatares que, naquela ocasião, se uniram e o aniquilaram.

No primeiro capítulo desta terceira edição de Os Vingadores (Maio/2019), chamado “Uma batalha que foi perdida 1 milhão de anos atrás”, conhecemos detalhes do que aconteceu em seguida à morte daquele Celestial e aprendemos um pouco mais sobre cada um dos seres lá reunidos. Quem conta é o próprio Odin, que liderou a equipe, para seus visitantes no presente: seu filho Thor e a Mulher-Hulk.

Aprendemos um pouco mais sobre a primeira “formação” dos Vingadores.

A história avança com velocidade e há bastante ação, tanto no passado quanto no presente, onde os membros da equipe estão divididos, correndo contra o tempo para tentar conter as duas grandes ameaças apresentadas: a da Última Expedição – um grupo de Celestiais malignos que chegaram à Terra logo após dezenas de outros Celestiais, dos tradicionais, caírem mortos do céu; e a ameaça da Horda – um enxame de criaturas que irromperam do centro da Terra e, de alguma forma, está associada aos gigantes recém-chegados.

Aaron e seus desenhistas, Ed McGuinness e Paco Medina, criam bom drama em vários momentos, inclusive com o triste estado em que se encontram os Eternos. Impossível não esquecer que a Marvel Comics trouxe à tona esses personagens obscuros poucos meses antes dos mesmos serem anunciados como a próxima grande aposta da Marvel Studios nos cinemas (o filme dos Eternos está em produção).

Acredito que alguns dos conceitos destas revistas serão explorados no Universo Cinematográfico também, em pequenas doses, como é de praxe do estúdio, até algo mais bombástico lá na frente.

Arte dinâmica de uma das capas de Ed McGuinness

A explicação que Jason Aaron traz é, novamente, resultado de uma aposta gigantesca, mas calcada em pistas deixadas pelo próprio Jack Kirby no seu título dos Eternos, além de outras histórias de vários criadores diferentes. Há questões envolvendo a(s) Fênix, o(s) imortais Punhos de Ferro, o legado do Pantera Negra e do Deus Pantera, Aggamotto, a entidade que criou o “Olho” usado pelos Magos Supremos, os Espíritos da Vingança que alimentam os Motoqueiros Fantasmas e até mesmo Estigma, uma criação que eu gostava muito do Novo Universo de Jim Shooter (1986), cujo conceito foi reincorporado ao universo Marvel tradicional pelo grande Jonathan Hickman há alguns anos atrás, em outra fase marcante dos próprios Vingadores.

Sim, pode parecer muita coisa – e de fato é – mas acredito que esta história flui sem criar grandes dúvidas a ponto que a impeça de ser compreendida para novos leitores dos quadrinhos Marvel.

Juntar todos esses personagens e suas mitologias aos Eternos, aos Celestiais e – como a história vem desenvolvendo – de um modo tangencial aos Asgardianos, é um risco assumido pelos autores e a editora que podem desagradar a alguns dos fãs mais antigos mas, pelo menos até o momento, na minha opinião me parece positivo e abre possibilidades de centenas de histórias para diversos personagens.

O segundo capítulo (edição #5 do título original The Avengers) aprofunda a conexão entre os Celestiais e a Horda e traz logo nas primeiras páginas uma revelação que aparentemente esclarece o porquê da proliferação dos seres superpoderosos da Terra Marvel, um aspecto obviamente grandioso (de novo!) que a premissa pedia e o autor não se furta de entregar.

Contudo, Aaron habilidosamente traz essa novidade pela boca de Loki (o narrador em off da edição anterior) o que pode, em último caso, ser uma mentira ou, mais provavelmente, uma meia-verdade, algo que o próprio Capitão América pondera.

Conheçam… o Progenitor!

Algumas situações são resolvidas e a revista se encerra com uma splash page dupla inesquecível, um cliffhanger chocante, que deixa alguns de nossos heróis com um nível bizarro e inédito de poder. O roteirista mais uma vez demonstra uma grande capacidade de criar momentum, ao finalmente fazer com que os super heróis do presente se reúnam de modo espetacular, e acerta nos diálogos afiados, bem melhores e “no ponto” que na edição anterior.

Antes de concluir, preciso elogiar novamente o trabalho com cores de David Curiel, que opta por uma explosão de energia e vivacidade. É um estilo que combina com a arte cartunesca de McGuinness e Medina sem parecer artificial. A equipe criativa é sem dúvida de alto nível e capacitada em lidar com os temas grandiosos abordados, fazendo deste primeiro arco, até aqui, uma leitura mais do que divertida – diria até essencial – para os fãs da Casa das Ideias. Vamos ver a conclusão deste épico na próxima edição.

Nota: 7,5.

Balanço: o Melhor da Marvel Hoje no Brasil -Totalmente Diferente Nova Marvel

A Editora Panini já lançou 14 dos 15 títulos mensais previstos para a nova fase da Marvel Comics no Brasil. Falta apenas Capitão América. Li todos os #1 e a maior parte dos #2 e #3.

Acompanho também as resenhas e reportagens dos principais sites especializados americanos, além de comprar alguns encadernados importados e, portanto, já dá para ter uma boa ideia do que é mais interessante, o que sem dúvida é imperdível e o que pode ser deixado de lado que não fará falta.

Sou leitor regular de quadrinhos de heróis desde 1984. Acompanhei diversas fases da Marvel, DC, Image e outras.
Posso afirmar sem a menor dúvida que o pior momento, ou seja, quando havia uma grande quantidade de revistas de baixa qualidade saindo, foi durante meados da década de 1990. Dos anos 2000 para cá, no geral, há uma grande quantidade de boas e ótimas revistas sendo publicadas. Varia de um ano para o outro, mas a qualidade média, digamos, se mantém.

Estou ciente de que há uma grande polêmica atualmente com o material da All-New, All-Different Marvel. Conheço gente que de fato “largou” a editora. Mas já vi isso acontecer antes – aliás, sempre aconteceu! – por diversas razões (comentarei sobre isso em outro post). Também conheço muita gente nova que passou a consumir recentemente estas revistas. Isso, vale a pena ressaltar, é algo pouco comum e sinaliza uma renovação necessária para a editora e para o mercado em geral.

Mas, vamos lá. Afinal, será que hoje, como se lê por aí, salvo raríssimas exceções, a Marvel publica uma grande quantidade de porcaria?

Segue meu balanço de todas as séries atualmente em publicação no Brasil (ou já confirmadas), com o nome do título original americano e em qual revista está saindo – ou sairá – pela Panini. Agrupei em 4 níveis de qualidade. Espero que sirva de estímulo para os que estão curiosos, mas por lerem tantas críticas negativas, deixam de arriscar. E, todo mundo sabe, quem não arrisca…

1. Nível: TOP
>>>>As IMPERDÍVEIS,
as MELHORES HQs da fase Totalmente Diferente Nova Marvel (sem ordem de preferência). Em suma, são as que entrarão na memória dos fãs e serão sempre citadas:

Bela arte de Russell Dauterman para Thor

1. Thor, de Jason Aaron e Russel Dauterman. Título Panini: Thor (#1 em diante).
2. Doctor Strange, 
por Jason Aaron e Chris Bachalo. Título Panini: Doutor Estranho (#1 em diante).
3. Invincible Iron Man,
de Brian Bendis e David Marquez. Título Panini: Homem de Ferro (#1 em diante).
4. Black Widow, de Mark Waid e Chris Samnee. Título Panini: Viúva Negra – encadernados (a confirmar numeração).
5. Old Man Logan, por Jeff Lemire e desenhado por Andrea Sorrentino. Título Panini: O Velho Logan (edição #5 em diante).
6. The Ultimates, de Al Ewing e Kenneth Rocafort. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).
7. Moon Knight,
de Jeff Lemire e Greg Smallwood. Título Panini: Cavaleiro da Lua – encadernados (aguardar numeração).
8. Vision,
de Tom King e Gerardo Walta. Título Panini: Visão – encadernados (#1 e #2, em breve).
9. Silver Surfer
de Dan Slott e Michael Allred. Título Panini: Universo Marvel (do #3 em diante).
10. Black Panther, de Ta-Nehisi Coates e Brian Stelfreeze. Título Panini: Pantera Negra – encadernados (a partir do #1).

 

2. Nível: MUITO BOM
>>>HQs ACIMA DA MÉDIA
desta fase. São consistentemente boas e, embora não tenham aquele “algo a mais” do grupo de cima, são leituras com qualidade garantida, tanto de texto quanto de arte.

A nova e polêmica formação da equipe principal de Vingadores, por Alex Ross

1. All-New All-Different Avengers, de Mark Waid, Adam Kubert e Mahmud Asrar. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
2. Amazing Spider-Man,
de Dan Slott e Giuseppe Camuncoli. Título Panini: Espetacular Homem-Aranha (#1 em diante).
3. Deadpool,
de Gerry Duggan e Mike Hawthorne. Título Panini: Deadpool (#1 em diante).
4. Ms. Marvel, de G. Willow Wilson e Takeshi Miyazawa. Título Panini: Ms Marvel – encadernados (a confirmar numeração).
5. Venon Space Knight, de Robbie Thompson e Ariel Olivetti. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
6. Daredevil,
por Charles Soule e Ron Garney. Título Panini: Demolidor – encadernados (#12 em diante).
7. Extraordinary X-Men, de Jeff Lemire e Humberto Ramos. Título Panini: X-Men (do #1).
8. Spider-Man, por Brian Bendis e Sara Pichelli. Título Panini: Espetacular Homem-Aranha (#1 em diante).

O Homem-Formiga mora em Miami e toca uma empresa de segurança com ex-vilões B

9. Astonishing Ant-Man, de Nick Spencer e Ramon Rosanas. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #2).
10. Captain America: Sam Wilson,
de Nick Spencer e Daniel Acuña. Título Panini: Capitão América (a partir do #1).
11. Captain America: Steve Rogers, de Nick Spencer e Jesus Saiz. Título Panini: Capitão América (??).
12. Spider-Woman,
de Dennis Hopeless e Jamie Rodriguez. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
13. Power Man and Iron Fist, de David Walker e Sanford Greene. Título Panini: (ainda não confirmado o formato).
14. Web Warriors, de Mike Costa e David Baldeon. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
15. All-New X-Men, de Dennis Hopeless e Mark Bagley. Título Panini: X-Men (do #1).

A arte cartunesca e vibrante de Stacey Lee

16. Silk, de Robbie Thompson e Stacey Lee.  Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
17. Punisher, de Becky Cloonan e Steve Dillon. Título Panini: Justiceiro – encadernados (aguardar numeração).
18. All-New Wolverine (X-23), de Tom Taylor e David Lopez. Título Panini: O Velho Logan (edição #5 em diante).
19. Uncanny X-Men, de Cullen Bunn e Greg Land. Título Panini: X-Men (do #1).
20. Squadron Supreme, de James Robinson e Leonard Kirk. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).

Arte de Alex Ross para o Esquadrão Supremo


3. Nível: MEDIANO
>>HQs RAZOÁVEIS,
em que alguns arcos são melhores do que outros, mas no geral têm BOA qualidade, com momentos interessantes. Podem surpreender o leitor, inclusive os veteranos! Tecnicamente falando, não há como dizer que são “um lixo”. Há quem torça o nariz para alguns, mas curtem outros, e há quem realmente adoreGosto de bom parte deste material.

1. Uncanny Avengers, de Gerry Duggan e Ryan Stegman. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
2. New Avengers, de Al Ewing e Gerardo Sandoval. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
3. Spider-Man & Deadpool, Joe Kelly e Ed McGuiness. Título Panini: Homem-Aranha e Deadpool (do #1 em diante)
4. Guardians of the Galaxy, por Brian Bendis e Valerio Schiti. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).
5. Rocket Raccoon and Groot, Skottie Young e Filipe Andrade. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).

Página interna antes da colorização do novo Hulk por Frank Cho

6. Totally Awesome Hulk, de Greg Pak e Frank Cho. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).
7. Spider Man 2099, de Peter David e Will Sliney. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
8. Captain Marvel, por Michele Fazekas/Tara Butters com arte de Kris Anka. Título Panini: Avante Vingadores (#1 em diante).
9. Contest of the Champions, de Al Ewing e Paco Medina. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).

Inumanos: é bom, mas poderia ser melhor…

10. Uncanny Inhumans por Charles Soule e Steve McNiven. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
11. Mercs for Money, de Gerry Duggan e Salva EspinTítulo Panini: Homem-Aranha e Deadpool (do #1 em diante)
12. Spider-Gwen, de Jason Latour e Robbi Rodriguez. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).

4. Nível: FRACO
>As PIORES HQs
atualmente, realmente ABAIXO DA MÉDIA.

1. Guardians of Infinity, de Dan Abnett e desenhada por Carlo Barberi.  Título Panini: Universo Marvel (do #1 ao #4).
2. Nova, de Sean Ryan e Cory Smith. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
3. Drax,  de CM Punk e Cullen Bunn, desenhos de Scott Hepburne. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).
4. A-Force, por G. Willow Wilson e Jorge Molina. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).

Bom, é isso.
Se somarmos os dois grupos superiores, há 30 títulos com qualidade acima da média. Volto a dizer: parte desta análise é pessoal, mas em grande parte é, de fato, embasada nas médias de críticas americanas, além da própria popularidade – ou não – do material em comentários de leitores novos e veteranos. Esse grupo de 30 títulos, de modo geral, são muito bem avaliados. Os outros 16 dos grupos inferiores, não, porque as notas flutuam muito mais e certamente não dá para colocá-los como “qualidade garantida”.

Acredito que existe, neste momento em especial, muito leitor chateado com a substituição de um personagem clássico por outro mais jovem e, ainda por cima, no geral, representante de uma “minoria”. De fato, a Marvel vem promovendo fortemente a diversidade. O problema desse sentimento é que traz – para alguns fãs – uma má vontade em ler as histórias com os “substitutos”. Eu procuro fazer um esforço consciente em me abrir para “o novo”, até porque leitores veteranos como eu não precisam se incomodar com a aposentadoria (ou mesmo com a morte rsrs) de um grande herói, porque mais cedo ou mais tarde eles sempre voltam. SEMPRE!!

Acho louvável a iniciativa de Marvel em promover uma ampla renovação de personagens, que oxigena seu universo e permite o surgimento de novos ícones. Talvez precise fazer um “ajuste” para balancear seus quadros – e parece que fará isso a partir de Generations -, mas por enquanto vale a pena aproveitar a viagem.

Obrigado pela atenção!

Lendo quadrinhos, sempre!

Caramba, fazia muito tempo que não escrevia aqui, mas nunca, nunca esqueci meu querido Blog Lendo Quadrinhos.
Estou decidido a retomar as postagens sobre boas leituras de HQs e assuntos relacionados.
Claro que continuo lendo muito, sempre.
Problemas pessoais e compromissos profissionais complicaram um pouco o meio de campo, mas bola pra frente!
É muito bom voltar a escrever sobre esse tema apaixonante, até breve.

Coleção de Graphic Novels Marvel da Salvat

Graphic Novels Marvel - 5
Demorei para voltar ao Blog, mas precisava registrar que a iniciativa da Editora Salvat, em parceria com a própria Editora Panini, de publicar esta fantástica coleção foi muito bem-vinda.
O público leitor está sempre em renovação, ou muitas vezes esse público precisa de uma ajuda para mergulhar no universo Marvel (e além!), e lançamentos como este ajudam, tanto como porta de entrada para diversos personagens como para conhecer o trabalho de escritores e desenhistas de primeiro time, com HQs de várias épocas mas sobretudo das últimas 3 décadas.
Para leitores mais veteranos, é também um alento finalmente ver algumas obras em formato original, com papel superior e uma nova tradução.
A qualidade de acabamento, do papel, da impressão, dos extras e, sobretudo, da seleção de histórias clássicas da Marvel garante um investimento seguro.
Até agora já saíram 20 edições, a maioria com histórias muito acima da média.
Além disso, quando completa vai ficar muito bonita na estante!

Revista Grandes Heróis Marvel da Panini

Capa GHM 1 Panini

Lançamento da PANINI com heróis populares e preço menor

Quando ouvi pela primeira vez a notícia de que a Panini iria reeditar um dos títulos mais famosos e bem sucedidos da época em que a Editora Abril cuidava dos heróis Marvel, minha primeira reação foi: “Caramba, demorou!”. Afinal, foi nessa revista que tive a oportunidade de ler algumas das melhores hqs de heróis até então. Eu e uma geração inteira de fãs brasileiros.

Como era trimestral, a espera aumentava a ansiosidade dos leitores e permitia à editora encaixar finais de Sagas ou Minisséries inteiras. No geral, cada edição focava em um grupo ou herói diferente e a história não gerava continuação, isto é, terminava ali mesmo e assim a gente só comprava as revistas que realmente nos interessavam.
A estratégia foi muito bem-sucedida, porque os leitores comentavam sempre sobre esse título nas seções de cartas e uma “aura” surgiu sobre a alta qualidade das histórias que saíam no título.

A primeira série durou muito tempo, de 1983 a 1999 e produziu 66 edições, mas fato é que em seus últimos anos ela estava muito menos impactante, parte também por conta da baixa qualidade geral dos Comics do período. Posteriormente, entre 2000 e 2001 a Abril ainda publicou outras duas séries com o mesmo título, mas completamente diferentes em termos editoriais e duraram pouco tempo. Mas e agora, nesta nova encarnação da Panini?

Na prática a nova revista Grandes Heróis Marvel tem pouca coisa em comum com a versão clássica: é mensal, as histórias seguirão independentes dos demais títulos mas ao mesmo tempo terão continuidade, isto é, não são edições fechadas e, portanto, para ler a história completa será necessário comprar 2 ou mais números.
Apesar do nome talvez ser “inadequado”, frente ao seu histórico, a proposta da Panini agrada.

Os dois pontos fortes certamente são: 1 – heróis populares e 2 – preço.

Na edição de estréia, temos Wolverine e Homem-Aranha, provavelmente os dois personagens mais populares da editora hoje em dia, em uma aventura totalmente desvinculada da cronologia.
Assim, atende a uma das queixas mais comuns de inúmeros leitores sobre a dificuldade de acompanhar as revistas tradicionais devido às complexas cronologias que os personagens trazem. É claro que a editora pode mudar essa tática a partir dos próximos arcos, mas existem muitas opções disponíveis com premissas similares.

A questão do preço precisa no entanto de algumas ressalvas: R$ 5,50 por 50 pgs pode parecer caro, mas é com papel especial, ao contrário dos títulos regulares da editora que custam R$ 6,90 com 30 pgs a mais.
Na verdade, enquanto na revista solo do Wolverine ou do Homem-Aranha, por exemplo, a editora publica 3 histórias, nesta são apenas duas. Mas compensa.

A escolha deste primeiro arco – que vai durar até a edição #3 – é acertada por várias razões: a dupla criativa é formada pelo badalado Jason Aaron, que fez algumas das melhores histórias do Wolverine da última década e é o responsável pela cultuada Scalped da Vertigo, e pelo desenhista veterano Adam Kubert que, apesar de ter trabalhado para a Marvel por muitos anos, teve poucas oportunidades de desenhar o Aranha, e ao mesmo tempo comporta em seu currículo uma memorável passagem pelo título do Wolverine nos anos 90 extremamente popular.

Outra razão para investir neste número #1 é que a história de fato é divertida, despretensiosa, mesmo envolvendo viagens no tempo e fim do mundo. Aranha e Wolverine tem momentos no presente, no tempo dos dinossauros (com direito a tribos de humanos!) e no futuro pós-apocalíptico. A confusão começa com o obscuro vilão Orbe e jóias místicas (ou cósmicas?). Não há muita ação nesta primeira parte, e as razões da confusão no tempo ainda não foram explicadas, mas fica a vontade de ler a próxima edição exatamente porque a história é bem contada e os mistérios, intrigantes. Termina com a revelação de que, aparentemente, um dos grandes vilões do Universo Marvel está envolvido.

Esta aventura foi publicada como uma minissérie bimestral e vendeu apenas razoavelmente nos EUA: cerca de 57 mil unidades do #1, caindo a cada edição (processo padrão no mercado) e terminando com 27 mil unidades pedidas nas comic shops. Foi a partir deste título, cujo nome original é Astonishing Spider Man e Wolverine, que a Marvel passou a utilizar o termo “Astonishing” com aventuras produzidas por equipes top e fora da cronologia atual. Lá já saíram edições do Thor com esse mesmo enfoque.

Rapidão: Quadrinhos que andei lendo (Parte 1)

Feriados e finais de semana são sempre ótimas oportunidades para descansar, passear, ver os amigos e, lógico, ler bastante.

Em termos de HQs consegui “finalizar” várias revistas nas últimas duas semanas. Menos do que gostaria, claro, afinal tenho filhos pequenos mas mesmo assim foram dias interessantes. Rápidos comentários de algumas dessas revistas:

Marvel Max #67, 68, 69: Este é um dos meus títulos favoritos da Editora Panini. É quase inacreditável já que tenha durado tanto tempo. Nessas edições, destaco “A Guerra é um Inferno” de Garth Ennis e Howard Chaykin, sobre combatentes aviadores na I Guerra Mundial, excelente; “1985”, de Mark Millar e Tommy Lee Edwards, roteiro interessante e com nostalgia pura para quem cresceu e viveu os 80 com quadrinhos da Marvel e ” Zumbis Marvel” de Robert Kirkman e Sean Philips ainda divertidos. O arco do “Justiceiro e as viúvas” desta vez está mediano, mas ainda uma boa pedida. Material adulto com heróis Marvel em boa fase.

“A História do Universo DC” – é uma revista que jamais imaginei que seria publicada no Brasil, pois é de 1986 e, portanto, sobre uma cronologia que já não existe mais: a da DC no pós-Crise nas Infinitas Terras, redigida pelo próprio Marv Wolfman. Excelente surpresa. Só os desenhos do George Perez já valem a pena. Ainda tem um bônus com a republicação dos pequenos capítulos da atual realidade da DC que já saíram aqui na série “52”. Imperdível.

“Universo Marvel #46 e 47” – As aventuras de Hercules e seu novo amigo Amadeus Cho continuam em bom ritmo; tem os doentios Thunderbolts; o Quarteto Fantástico em boa fase com Mark Millar e Bryan Hitch e o Motoqueiro Fantasma finalmente ganhando histórias de qualidade nas mãos de Jason Aaron. Uma revista geralmente regular que melhorou muito nos últimos anos.

“Marvel Action #27, 28 e 29” – Aqui a estrela ainda é o Demolidor. Nestas edições tivemos histórias menores de sua saga, uma focando o Ben Urich, outra o vilão-que-quer-ser-herói Tarântula Negra e Murdoch perdido com o destino cruel da amada Milla: bom mas não excelente; Cavaleiro da Lua que começou razoável, teve um final de arco bem fraquinho… e a Panini anunciou que vai dar um stop nas hqs do herói, por mim tudo bem; tivemos ainda Justiceiro em aventuras medianas de Matt Fraction e Chaykin; Pantera Negra lutando contra o Terror Negro foi mediano mas o primeiro capítulo contra os Skrulls foi fantástico (novamente por Jason Aaron) e, por fim, a estréia do Hulk-vermelho de Loeb e McGuiness… esquisito. Ao contrário de “Universo Marvel”, “Marvel Action” já foi melhor…

“Vingadores/Invasores #1 e 2” – projeto do Alex Ross pra Marvel, a última parte (12ª) ainda nem saiu nos EUA mas a Panini já está na parte seis por aqui… bem as duas primeiras edições mostraram uma boa história de encontro-luta-desencontro-luta de equipes… nada de muito sensacional, mas bem montado, divertido e com alguns momentos inspirados. Vamos ver se a trama tem fôlego pra sustentar mais 8 partes…

“Fugitivos – Marvel Especial” – é o arco do Terry Moore (eba!) e do Humberto Ramos (eca!). Achei bem legal, despretensioso mas muito divertido, com foco nas caracterizações de alguns dos personagens mais carismáticos da equipe, como a pequena grande mutante Fortona. De quebra, ainda resolveu um “problema” (que não vou contar qualé) que na verdade é o destino de um personagem que nunca fui com a cara… valeu a pena.

“Guias DC Comics – Roteiro e Desenhos” – são dois tijolos lançados pela já finada Opera Graphica onde no volume 1 o lendário Denny O´Neil descreve um curso completo de Roteiro utilizado pela editora DC; e no volume 2 Klaus Janson conta tudo sobre técnicas modernas e clássicas de desenhos em Hq. Já tenho faz algum tempo, e ainda não li tudo, vou aos poucos e por partes, porque é uma obra de consulta, totalmente ilustrada com dicas valiosas para quem quer “aprender a fazer” ou, como no meu caso, a “saber como se faz” comics na atualidade.

Turma da Mônica: Jovem e Forte!

versões manga da tchurma

versões manga da tchurma

Esta não é exatamente uma resenha, e sim um breve comentário.
Li as edições ZERO (capa ao lado) e UM da propagada novidade.
Realmente… gostei muito!
É divertida, o novo estilo de traço – mangá tropicalizado – traz um benvindo frescor à narração e a cada página em que somos (re) apresentados a um personagem temos uma reação diferente. O Louco agora é um Professor? O Capitão Feio atualizou seu nome? O Cebolinha frequenta uma fono? Até o Anjinho tem uma versão adolescente?

Putz, e ainda dei boas risadas com os diálogos. Mesmo!
Excelente a iniciativa do Mauricio de Sousa e equipe.
Há rumores de que as primeiras edições esgotaram e o número QUATRO (aquela do beijo do Cebolinha e da Mônica) teve uma impressão recorde de 400.000 unidades!!!
Enfim, merece a badalação e as enormes tiragens.
Reparei – folheando as últimas edições, a CINCO e a SEIS – que o traço e quadrinização estão ainda mais próximas do estilo mangá, o que é até louvável pois aprofunda a radicalização.
Esse enorme sucesso é bom pro mercado nacional de quadrinhos, que precisava de uma “luz”. Veio de onde talvez menos se esperava… ou não?
E não sei como está funcionando a estratégia da distribuição mas é interessante que todos os números ainda estão disponíveis em livrarias, isto é, não estão “sumindo das bancas”. Legal mesmo.
Fui um leitor voraz na infância e é excelente saber que agora há dois “universos” da turminha nas bancas – o tradicional, que certamente vou apresentar aos meus filhos, e este mais adolescente que, aposto, eles mesmos vão correr atrás.
Parabéns, Mauricio, você fez de novo!