Leituras para a Quarentena #01: Bone.

Olá pessoal, espero que todos estejam bem!

Conforme prometido, vamos começar uma série de indicações de Histórias em Quadrinhos especialmente pensadas para quem está com um tempinho a mais sobrando, por conta da quarentena imposta por esta terrível crise sanitária mundial.

A célebre “corrida de vacas” é o destaque da capa do Box da edição brasileira.

Estamos atravessando um período conturbado, tenso, atípico e, talvez mais angustiante, um momento em que ainda não é possível prever até quando irá durar e que, inegavelmente, trará mudanças irreversíveis em diversas áreas das nossas vidas, inclusive transformações comportamentais e de convivência no trabalho, na escola, com a saúde, com o tempo, com o consumo, etc.

Claro que muitos precisam sair para trabalhar, e alguns estão trabalhando mais do que nunca – e não estou me referindo apenas aos profissionais de saúde ou de outras áreas essenciais, como segurança, energia, internet – porque mesmo para quem está em Home-Office, o volume de atividades pode ser intenso, restringindo o tempo para leitura e outras formas de lazer e entretenimento.

Por conta de tudo isso, acho mais recomendável indicar leituras com um caráter otimista – ou melhor, mais para o leve e menos para o angustiante -, e que em geral traga uma perspectiva de esperança em dias melhores que, temos certeza, virão!

Bone, de Jeff Smith, é uma obra que transborda esperança e ainda traz muitas doses de aventura e comédia, embaladas em uma fantasia medieval, claramente inspirada em Senhor dos Anéis, mas com personagens muito carismáticos, únicos, que vão fazer o leitor sentir saudades depois de concluída porque sim – ela tem um começo, meio e fim definitivos. Não haverá Parte 2 ou continuação. É, vejam só, uma obra finita! – coisa rara na Cultura Pop.

Uma das terríveis Ratazanas carnívoras

Jeff Smith publicou sua bela obra-prima de maneira esparsa nos anos 90 e só conseguiu concluir no começo da década de 2000 – exatamente na contramão do que mais se consumia na época, ao menos no mercado norte-americano.

Enquanto os super-heróis vendiam milhões de exemplares em um mercado crescentemente especulativo, com suas múltiplas edições #01 e capas metálicas, com cópias abundantes e sem graça do Wolverine, Justiceiro e X-Men na Image e outras editoras nascentes, e as próprias Marvel e DC transformavam seus ícones em versões extremas; com a “morte” do Superman; a “coluna partida” do Batman e com os “clones” do Homem-Aranha; e HQs “adultas” repletas de sangue e de subversões do lado alternativo, Bone surgiu como um audacioso ponto de luz, uma “peça de resistência” à todo esse cenário, com uma nova e autêntica abordagem, a partir de personagens inéditos “fofinhos”, que conversam com animais (?!), publicado de forma independente, em preto e branco e papel barato, tudo bancado pelo próprio autor e sua esposa.

Mas eis que o título, que saía de forma irregular, com baixa tiragem, distribuída em um restrito circuito de Comic Shops e pequenos eventos, aos poucos foi chamando a atenção dos leitores, da crítica especializada e não tardou para cair nas graças de quadrinistas famosos, que passaram a recomendar e a elogiar a obra e seu criador, Jeff Smith. Não custa contextualizar: isso tudo foi antes da internet, de smartphones e redes wi-fi.

E então vieram as premiações, que se acumularam ao longo de toda a sua publicação: venceu 11 prêmios Harvey (!) e 10 Eisner (!!). Editado em 25 países, vendeu milhões de unidades e ainda foi indicado pela revista Time como um dos 10 melhores quadrinhos de todos os tempos!

O Dragão Vermelho, Fone Bone e a adorável Espinho

Nada mal para um quadrinho independente de bichos falantes, mas é perfeitamente compreensível entender o porquê do seu sucesso quando o leitor encara a bela versão brasileira da Editora Todavia, que compila a obra completa (pela primeira vez no Brasil) em 3 volumes, com tradução de Érico Assis. Eu peguei na versão Box, completinha, em uma boa promoção uns meses atrás.

Não vamos entrar em detalhes, mas “Bone” na verdade refere-se ao trio de protagonistas, os primos Fone, Phoney e Smiley, pertencentes a uma espécie curiosa de seres, ou talvez seja uma raça de pequenos humanos (não é explicitado isso em nenhum momento e, de fato, é parte do charme da aventura), desenhados em forma de Cartum, com as características de personagens da Disney ou da Turma da Mônica, ou até de tiras de jornal mais simples do começo do Século XX, com traços nem um pouco sofisticados, mas que por isso mesmo trazem uma autenticidade e um frescor ao quadrinho.

Interessante também acompanhar a evolução técnica de Smith, que nos primeiros números ainda se esforçava com a narrativa, às vezes truncada, e com um roteiro meio vago, com enxames de gafanhotos aleatórios, animais falantes, ratazanas gigantes abobadas e uma vovozinha e sua neta vivendo isoladas no meio de uma floresta.

Não deixe esse começo meio morno afastá-lo dos capítulos seguintes, ó fiel leitor! Aos poucos, a história ganha dramaticidade, inúmeros personagens surgem, quase sempre muito bem delineados, e quando o roteiro aponta uma jornada épica, aí sim, fica difícil deixar de concluir a leitura.

Nas páginas internas percebemos a influência do mestre Barks

Não é uma HQ sem falhas. Mesmo lá na parte final, algumas páginas parecem redundantes, as ameaças, às vezes repetidas, mas logo surge um diálogo esperto, um feito impressionante ou uma situação engraçada que faz com que a gente releve essas pequenas inconsistências.

Bone é indicado para qualquer faixa etária e pode sim ser uma porta de entrada para aqueles que abandonaram quadrinhos na infância e gostariam de retornar, mas não se empolgam com os intrincados universos de super-heróis, ou procuram algo menos pretensioso ou denso como os trabalhos de Alan Moore ou Grant Morrison. Certamente é uma boa pedida para fãs de RPGs, de Tolkien, imperdível para quem adora as aventuras dos Patos de Carl Barks (talvez a maior referência estética e no storytelling de Jeff Smith) ou de uma aventura leve sim, mas encantadora.

De todos os quadrinhos que li recentemente, Bone vira e mexe volta à minha lembrança, e um sorriso automaticamente aparece. Vale a pena embarcar na saga aparentemente inexistente (a julgar pelas capas rsrs) mas completamente viciante que os simpáticos e encrenqueiros Bones e sua imensa trupe de amigos e inimigos humanos, animais de todos os tamanhos, dragões e outros seres mágicos trazem nestas mais de 1.300 páginas de histórias em quadrinhos.

Indicação de Leituras para 2020!

Olá pessoal. Espero que estejam todos bem!

Vou retomar as publicações aqui no Blog, sugerindo leituras, escrevendo resenhas, comentando sobre quadrinistas e outros assuntos relacionados ao mundo, ou melhor, ao universo inesgotável e encantador das histórias em quadrinhos.

Estive bem ocupado nos últimos meses, por conta de trabalho mesmo… e, na verdade, continuo. Mas, graças ao confinamento, sou obrigado a ficar online quase o dia inteiro. Então, vou aproveitar para deixar o Lendo Quadrinhos vivo.

A propósito, temos um Instagram que está sempre ativo, com atualizações quase diárias:

@bloglendoquadrinhos 

Ah, também temos uma Página no Facebook e um Grupo Privado, exclusivamente para falar sobre nossa paixão. Participem!

Página: @lendoquadrinhos
Grupo: lendoquadrinhos 

Abraços e até breve.

Sonho é ler quadrinhos até a velhice…

Os Vingadores #3 – Panini Comics (2019)

Mais uma breve análise do primeiro arco desta mensal dos Vingadores – que ganhou força nos dois capítulos aqui contidos. Confira!

Na capa da edição #3 temos Odin e a chamada “A Origem Secreta do Universo”

Jason Aaron realmente não gosta de pensar pequeno. Quem leu suas recentes passagens por Doutor Estranho, Thor ou até mesmo o seu já longínquo trabalho com o Motoqueiro Fantasma (2008) sabe disso. Com os Vingadores dominando o mundo em popularidade há muitos anos, ele de fato pensou grande – vai ser difícil superar o tamanho da ameaça deste primeiro arco do roteirista com a equipe.

Os Celestiais são uma intrigante criação de Jack Kirby e permeiam as sagas cósmicas da Marvel esporadicamente, mas até então os argumentistas evitavam entrar em detalhes de sua origem ou quais segredos continham. Kirby inicialmente trabalhou os sempre mudos e enigmáticos Celestiais na revista dos Eternos (nos anos 1970), uma super raça criada por esses Deuses Espaciais a partir de proto humanos.

Como vimos desde o especial Marvel Legado, a proposta de Aaron é que há 1 milhão de anos atrás a Terra teria sido ameaçada por um desses Celestiais, ou pelo menos foi esse o julgamento de um grupo de entidades e avatares que, naquela ocasião, se uniram e o aniquilaram.

No primeiro capítulo desta terceira edição de Os Vingadores (Maio/2019), chamado “Uma batalha que foi perdida 1 milhão de anos atrás”, conhecemos detalhes do que aconteceu em seguida à morte daquele Celestial e aprendemos um pouco mais sobre cada um dos seres lá reunidos. Quem conta é o próprio Odin, que liderou a equipe, para seus visitantes no presente: seu filho Thor e a Mulher-Hulk.

Aprendemos um pouco mais sobre a primeira “formação” dos Vingadores.

A história avança com velocidade e há bastante ação, tanto no passado quanto no presente, onde os membros da equipe estão divididos, correndo contra o tempo para tentar conter as duas grandes ameaças apresentadas: a da Última Expedição – um grupo de Celestiais malignos que chegaram à Terra logo após dezenas de outros Celestiais, dos tradicionais, caírem mortos do céu; e a ameaça da Horda – um enxame de criaturas que irromperam do centro da Terra e, de alguma forma, está associada aos gigantes recém-chegados.

Aaron e seus desenhistas, Ed McGuinness e Paco Medina, criam bom drama em vários momentos, inclusive com o triste estado em que se encontram os Eternos. Impossível não esquecer que a Marvel Comics trouxe à tona esses personagens obscuros poucos meses antes dos mesmos serem anunciados como a próxima grande aposta da Marvel Studios nos cinemas (o filme dos Eternos está em produção).

Acredito que alguns dos conceitos destas revistas serão explorados no Universo Cinematográfico também, em pequenas doses, como é de praxe do estúdio, até algo mais bombástico lá na frente.

Arte dinâmica de uma das capas de Ed McGuinness

A explicação que Jason Aaron traz é, novamente, resultado de uma aposta gigantesca, mas calcada em pistas deixadas pelo próprio Jack Kirby no seu título dos Eternos, além de outras histórias de vários criadores diferentes. Há questões envolvendo a(s) Fênix, o(s) imortais Punhos de Ferro, o legado do Pantera Negra e do Deus Pantera, Aggamotto, a entidade que criou o “Olho” usado pelos Magos Supremos, os Espíritos da Vingança que alimentam os Motoqueiros Fantasmas e até mesmo Estigma, uma criação que eu gostava muito do Novo Universo de Jim Shooter (1986), cujo conceito foi reincorporado ao universo Marvel tradicional pelo grande Jonathan Hickman há alguns anos atrás, em outra fase marcante dos próprios Vingadores.

Sim, pode parecer muita coisa – e de fato é – mas acredito que esta história flui sem criar grandes dúvidas a ponto que a impeça de ser compreendida para novos leitores dos quadrinhos Marvel.

Juntar todos esses personagens e suas mitologias aos Eternos, aos Celestiais e – como a história vem desenvolvendo – de um modo tangencial aos Asgardianos, é um risco assumido pelos autores e a editora que podem desagradar a alguns dos fãs mais antigos mas, pelo menos até o momento, na minha opinião me parece positivo e abre possibilidades de centenas de histórias para diversos personagens.

O segundo capítulo (edição #5 do título original The Avengers) aprofunda a conexão entre os Celestiais e a Horda e traz logo nas primeiras páginas uma revelação que aparentemente esclarece o porquê da proliferação dos seres superpoderosos da Terra Marvel, um aspecto obviamente grandioso (de novo!) que a premissa pedia e o autor não se furta de entregar.

Contudo, Aaron habilidosamente traz essa novidade pela boca de Loki (o narrador em off da edição anterior) o que pode, em último caso, ser uma mentira ou, mais provavelmente, uma meia-verdade, algo que o próprio Capitão América pondera.

Conheçam… o Progenitor!

Algumas situações são resolvidas e a revista se encerra com uma splash page dupla inesquecível, um cliffhanger chocante, que deixa alguns de nossos heróis com um nível bizarro e inédito de poder. O roteirista mais uma vez demonstra uma grande capacidade de criar momentum, ao finalmente fazer com que os super heróis do presente se reúnam de modo espetacular, e acerta nos diálogos afiados, bem melhores e “no ponto” que na edição anterior.

Antes de concluir, preciso elogiar novamente o trabalho com cores de David Curiel, que opta por uma explosão de energia e vivacidade. É um estilo que combina com a arte cartunesca de McGuinness e Medina sem parecer artificial. A equipe criativa é sem dúvida de alto nível e capacitada em lidar com os temas grandiosos abordados, fazendo deste primeiro arco, até aqui, uma leitura mais do que divertida – diria até essencial – para os fãs da Casa das Ideias. Vamos ver a conclusão deste épico na próxima edição.

Nota: 7,5.

Balanço: o Melhor da Marvel Hoje no Brasil -Totalmente Diferente Nova Marvel

A Editora Panini já lançou 14 dos 15 títulos mensais previstos para a nova fase da Marvel Comics no Brasil. Falta apenas Capitão América. Li todos os #1 e a maior parte dos #2 e #3.

Acompanho também as resenhas e reportagens dos principais sites especializados americanos, além de comprar alguns encadernados importados e, portanto, já dá para ter uma boa ideia do que é mais interessante, o que sem dúvida é imperdível e o que pode ser deixado de lado que não fará falta.

Sou leitor regular de quadrinhos de heróis desde 1984. Acompanhei diversas fases da Marvel, DC, Image e outras.
Posso afirmar sem a menor dúvida que o pior momento, ou seja, quando havia uma grande quantidade de revistas de baixa qualidade saindo, foi durante meados da década de 1990. Dos anos 2000 para cá, no geral, há uma grande quantidade de boas e ótimas revistas sendo publicadas. Varia de um ano para o outro, mas a qualidade média, digamos, se mantém.

Estou ciente de que há uma grande polêmica atualmente com o material da All-New, All-Different Marvel. Conheço gente que de fato “largou” a editora. Mas já vi isso acontecer antes – aliás, sempre aconteceu! – por diversas razões (comentarei sobre isso em outro post). Também conheço muita gente nova que passou a consumir recentemente estas revistas. Isso, vale a pena ressaltar, é algo pouco comum e sinaliza uma renovação necessária para a editora e para o mercado em geral.

Mas, vamos lá. Afinal, será que hoje, como se lê por aí, salvo raríssimas exceções, a Marvel publica uma grande quantidade de porcaria?

Segue meu balanço de todas as séries atualmente em publicação no Brasil (ou já confirmadas), com o nome do título original americano e em qual revista está saindo – ou sairá – pela Panini. Agrupei em 4 níveis de qualidade. Espero que sirva de estímulo para os que estão curiosos, mas por lerem tantas críticas negativas, deixam de arriscar. E, todo mundo sabe, quem não arrisca…

1. Nível: TOP
>>>>As IMPERDÍVEIS,
as MELHORES HQs da fase Totalmente Diferente Nova Marvel (sem ordem de preferência). Em suma, são as que entrarão na memória dos fãs e serão sempre citadas:

Bela arte de Russell Dauterman para Thor

1. Thor, de Jason Aaron e Russel Dauterman. Título Panini: Thor (#1 em diante).
2. Doctor Strange, 
por Jason Aaron e Chris Bachalo. Título Panini: Doutor Estranho (#1 em diante).
3. Invincible Iron Man,
de Brian Bendis e David Marquez. Título Panini: Homem de Ferro (#1 em diante).
4. Black Widow, de Mark Waid e Chris Samnee. Título Panini: Viúva Negra – encadernados (a confirmar numeração).
5. Old Man Logan, por Jeff Lemire e desenhado por Andrea Sorrentino. Título Panini: O Velho Logan (edição #5 em diante).
6. The Ultimates, de Al Ewing e Kenneth Rocafort. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).
7. Moon Knight,
de Jeff Lemire e Greg Smallwood. Título Panini: Cavaleiro da Lua – encadernados (aguardar numeração).
8. Vision,
de Tom King e Gerardo Walta. Título Panini: Visão – encadernados (#1 e #2, em breve).
9. Silver Surfer
de Dan Slott e Michael Allred. Título Panini: Universo Marvel (do #3 em diante).
10. Black Panther, de Ta-Nehisi Coates e Brian Stelfreeze. Título Panini: Pantera Negra – encadernados (a partir do #1).

 

2. Nível: MUITO BOM
>>>HQs ACIMA DA MÉDIA
desta fase. São consistentemente boas e, embora não tenham aquele “algo a mais” do grupo de cima, são leituras com qualidade garantida, tanto de texto quanto de arte.

A nova e polêmica formação da equipe principal de Vingadores, por Alex Ross

1. All-New All-Different Avengers, de Mark Waid, Adam Kubert e Mahmud Asrar. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
2. Amazing Spider-Man,
de Dan Slott e Giuseppe Camuncoli. Título Panini: Espetacular Homem-Aranha (#1 em diante).
3. Deadpool,
de Gerry Duggan e Mike Hawthorne. Título Panini: Deadpool (#1 em diante).
4. Ms. Marvel, de G. Willow Wilson e Takeshi Miyazawa. Título Panini: Ms Marvel – encadernados (a confirmar numeração).
5. Venon Space Knight, de Robbie Thompson e Ariel Olivetti. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
6. Daredevil,
por Charles Soule e Ron Garney. Título Panini: Demolidor – encadernados (#12 em diante).
7. Extraordinary X-Men, de Jeff Lemire e Humberto Ramos. Título Panini: X-Men (do #1).
8. Spider-Man, por Brian Bendis e Sara Pichelli. Título Panini: Espetacular Homem-Aranha (#1 em diante).

O Homem-Formiga mora em Miami e toca uma empresa de segurança com ex-vilões B

9. Astonishing Ant-Man, de Nick Spencer e Ramon Rosanas. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #2).
10. Captain America: Sam Wilson,
de Nick Spencer e Daniel Acuña. Título Panini: Capitão América (a partir do #1).
11. Captain America: Steve Rogers, de Nick Spencer e Jesus Saiz. Título Panini: Capitão América (??).
12. Spider-Woman,
de Dennis Hopeless e Jamie Rodriguez. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
13. Power Man and Iron Fist, de David Walker e Sanford Greene. Título Panini: (ainda não confirmado o formato).
14. Web Warriors, de Mike Costa e David Baldeon. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
15. All-New X-Men, de Dennis Hopeless e Mark Bagley. Título Panini: X-Men (do #1).

A arte cartunesca e vibrante de Stacey Lee

16. Silk, de Robbie Thompson e Stacey Lee.  Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
17. Punisher, de Becky Cloonan e Steve Dillon. Título Panini: Justiceiro – encadernados (aguardar numeração).
18. All-New Wolverine (X-23), de Tom Taylor e David Lopez. Título Panini: O Velho Logan (edição #5 em diante).
19. Uncanny X-Men, de Cullen Bunn e Greg Land. Título Panini: X-Men (do #1).
20. Squadron Supreme, de James Robinson e Leonard Kirk. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).

Arte de Alex Ross para o Esquadrão Supremo


3. Nível: MEDIANO
>>HQs RAZOÁVEIS,
em que alguns arcos são melhores do que outros, mas no geral têm BOA qualidade, com momentos interessantes. Podem surpreender o leitor, inclusive os veteranos! Tecnicamente falando, não há como dizer que são “um lixo”. Há quem torça o nariz para alguns, mas curtem outros, e há quem realmente adoreGosto de bom parte deste material.

1. Uncanny Avengers, de Gerry Duggan e Ryan Stegman. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
2. New Avengers, de Al Ewing e Gerardo Sandoval. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
3. Spider-Man & Deadpool, Joe Kelly e Ed McGuiness. Título Panini: Homem-Aranha e Deadpool (do #1 em diante)
4. Guardians of the Galaxy, por Brian Bendis e Valerio Schiti. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).
5. Rocket Raccoon and Groot, Skottie Young e Filipe Andrade. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).

Página interna antes da colorização do novo Hulk por Frank Cho

6. Totally Awesome Hulk, de Greg Pak e Frank Cho. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).
7. Spider Man 2099, de Peter David e Will Sliney. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
8. Captain Marvel, por Michele Fazekas/Tara Butters com arte de Kris Anka. Título Panini: Avante Vingadores (#1 em diante).
9. Contest of the Champions, de Al Ewing e Paco Medina. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).

Inumanos: é bom, mas poderia ser melhor…

10. Uncanny Inhumans por Charles Soule e Steve McNiven. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
11. Mercs for Money, de Gerry Duggan e Salva EspinTítulo Panini: Homem-Aranha e Deadpool (do #1 em diante)
12. Spider-Gwen, de Jason Latour e Robbi Rodriguez. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).

4. Nível: FRACO
>As PIORES HQs
atualmente, realmente ABAIXO DA MÉDIA.

1. Guardians of Infinity, de Dan Abnett e desenhada por Carlo Barberi.  Título Panini: Universo Marvel (do #1 ao #4).
2. Nova, de Sean Ryan e Cory Smith. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
3. Drax,  de CM Punk e Cullen Bunn, desenhos de Scott Hepburne. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).
4. A-Force, por G. Willow Wilson e Jorge Molina. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).

Bom, é isso.
Se somarmos os dois grupos superiores, há 30 títulos com qualidade acima da média. Volto a dizer: parte desta análise é pessoal, mas em grande parte é, de fato, embasada nas médias de críticas americanas, além da própria popularidade – ou não – do material em comentários de leitores novos e veteranos. Esse grupo de 30 títulos, de modo geral, são muito bem avaliados. Os outros 16 dos grupos inferiores, não, porque as notas flutuam muito mais e certamente não dá para colocá-los como “qualidade garantida”.

Acredito que existe, neste momento em especial, muito leitor chateado com a substituição de um personagem clássico por outro mais jovem e, ainda por cima, no geral, representante de uma “minoria”. De fato, a Marvel vem promovendo fortemente a diversidade. O problema desse sentimento é que traz – para alguns fãs – uma má vontade em ler as histórias com os “substitutos”. Eu procuro fazer um esforço consciente em me abrir para “o novo”, até porque leitores veteranos como eu não precisam se incomodar com a aposentadoria (ou mesmo com a morte rsrs) de um grande herói, porque mais cedo ou mais tarde eles sempre voltam. SEMPRE!!

Acho louvável a iniciativa de Marvel em promover uma ampla renovação de personagens, que oxigena seu universo e permite o surgimento de novos ícones. Talvez precise fazer um “ajuste” para balancear seus quadros – e parece que fará isso a partir de Generations -, mas por enquanto vale a pena aproveitar a viagem.

Obrigado pela atenção!

Lendo quadrinhos, sempre!

Caramba, fazia muito tempo que não escrevia aqui, mas nunca, nunca esqueci meu querido Blog Lendo Quadrinhos.
Estou decidido a retomar as postagens sobre boas leituras de HQs e assuntos relacionados.
Claro que continuo lendo muito, sempre.
Problemas pessoais e compromissos profissionais complicaram um pouco o meio de campo, mas bola pra frente!
É muito bom voltar a escrever sobre esse tema apaixonante, até breve.

Coleção de Graphic Novels Marvel da Salvat

Graphic Novels Marvel - 5
Demorei para voltar ao Blog, mas precisava registrar que a iniciativa da Editora Salvat, em parceria com a própria Editora Panini, de publicar esta fantástica coleção foi muito bem-vinda.
O público leitor está sempre em renovação, ou muitas vezes esse público precisa de uma ajuda para mergulhar no universo Marvel (e além!), e lançamentos como este ajudam, tanto como porta de entrada para diversos personagens como para conhecer o trabalho de escritores e desenhistas de primeiro time, com HQs de várias épocas mas sobretudo das últimas 3 décadas.
Para leitores mais veteranos, é também um alento finalmente ver algumas obras em formato original, com papel superior e uma nova tradução.
A qualidade de acabamento, do papel, da impressão, dos extras e, sobretudo, da seleção de histórias clássicas da Marvel garante um investimento seguro.
Até agora já saíram 20 edições, a maioria com histórias muito acima da média.
Além disso, quando completa vai ficar muito bonita na estante!

Revista Grandes Heróis Marvel da Panini

Capa GHM 1 Panini

Lançamento da PANINI com heróis populares e preço menor

Quando ouvi pela primeira vez a notícia de que a Panini iria reeditar um dos títulos mais famosos e bem sucedidos da época em que a Editora Abril cuidava dos heróis Marvel, minha primeira reação foi: “Caramba, demorou!”. Afinal, foi nessa revista que tive a oportunidade de ler algumas das melhores hqs de heróis até então. Eu e uma geração inteira de fãs brasileiros.

Como era trimestral, a espera aumentava a ansiosidade dos leitores e permitia à editora encaixar finais de Sagas ou Minisséries inteiras. No geral, cada edição focava em um grupo ou herói diferente e a história não gerava continuação, isto é, terminava ali mesmo e assim a gente só comprava as revistas que realmente nos interessavam.
A estratégia foi muito bem-sucedida, porque os leitores comentavam sempre sobre esse título nas seções de cartas e uma “aura” surgiu sobre a alta qualidade das histórias que saíam no título.

A primeira série durou muito tempo, de 1983 a 1999 e produziu 66 edições, mas fato é que em seus últimos anos ela estava muito menos impactante, parte também por conta da baixa qualidade geral dos Comics do período. Posteriormente, entre 2000 e 2001 a Abril ainda publicou outras duas séries com o mesmo título, mas completamente diferentes em termos editoriais e duraram pouco tempo. Mas e agora, nesta nova encarnação da Panini?

Na prática a nova revista Grandes Heróis Marvel tem pouca coisa em comum com a versão clássica: é mensal, as histórias seguirão independentes dos demais títulos mas ao mesmo tempo terão continuidade, isto é, não são edições fechadas e, portanto, para ler a história completa será necessário comprar 2 ou mais números.
Apesar do nome talvez ser “inadequado”, frente ao seu histórico, a proposta da Panini agrada.

Os dois pontos fortes certamente são: 1 – heróis populares e 2 – preço.

Na edição de estréia, temos Wolverine e Homem-Aranha, provavelmente os dois personagens mais populares da editora hoje em dia, em uma aventura totalmente desvinculada da cronologia.
Assim, atende a uma das queixas mais comuns de inúmeros leitores sobre a dificuldade de acompanhar as revistas tradicionais devido às complexas cronologias que os personagens trazem. É claro que a editora pode mudar essa tática a partir dos próximos arcos, mas existem muitas opções disponíveis com premissas similares.

A questão do preço precisa no entanto de algumas ressalvas: R$ 5,50 por 50 pgs pode parecer caro, mas é com papel especial, ao contrário dos títulos regulares da editora que custam R$ 6,90 com 30 pgs a mais.
Na verdade, enquanto na revista solo do Wolverine ou do Homem-Aranha, por exemplo, a editora publica 3 histórias, nesta são apenas duas. Mas compensa.

A escolha deste primeiro arco – que vai durar até a edição #3 – é acertada por várias razões: a dupla criativa é formada pelo badalado Jason Aaron, que fez algumas das melhores histórias do Wolverine da última década e é o responsável pela cultuada Scalped da Vertigo, e pelo desenhista veterano Adam Kubert que, apesar de ter trabalhado para a Marvel por muitos anos, teve poucas oportunidades de desenhar o Aranha, e ao mesmo tempo comporta em seu currículo uma memorável passagem pelo título do Wolverine nos anos 90 extremamente popular.

Outra razão para investir neste número #1 é que a história de fato é divertida, despretensiosa, mesmo envolvendo viagens no tempo e fim do mundo. Aranha e Wolverine tem momentos no presente, no tempo dos dinossauros (com direito a tribos de humanos!) e no futuro pós-apocalíptico. A confusão começa com o obscuro vilão Orbe e jóias místicas (ou cósmicas?). Não há muita ação nesta primeira parte, e as razões da confusão no tempo ainda não foram explicadas, mas fica a vontade de ler a próxima edição exatamente porque a história é bem contada e os mistérios, intrigantes. Termina com a revelação de que, aparentemente, um dos grandes vilões do Universo Marvel está envolvido.

Esta aventura foi publicada como uma minissérie bimestral e vendeu apenas razoavelmente nos EUA: cerca de 57 mil unidades do #1, caindo a cada edição (processo padrão no mercado) e terminando com 27 mil unidades pedidas nas comic shops. Foi a partir deste título, cujo nome original é Astonishing Spider Man e Wolverine, que a Marvel passou a utilizar o termo “Astonishing” com aventuras produzidas por equipes top e fora da cronologia atual. Lá já saíram edições do Thor com esse mesmo enfoque.