Análise Crítica da Coleção Histórica Marvel Mestre do Kung Fu #2

Homem-Aranha conhece Shang-Chi

Prosseguindo com um comentário para cada história de cada Volume da nova Coleção Histórica Marvel, que traz para o Brasil, pela primeira vez, as aventuras de Shang-Chi em ordem cronológica e em formato original americano, sem as famigeradas adaptações da Abril e de outras editoras. Leia e saiba mais sobre como o gênero das artes marciais era tratado pela Marvel naquele contexto histórico.

. Nível de Spoilers: de leves a moderados. São histórias antigas dos anos 70, mas não conto desfechos, tampouco revelações bombásticas.

Pelo que ouvimos de outras fontes, a Panini já garantiu que, além destes 4 primeiros volumes, outros 4 estão confirmados. Isso provavelmente vai cobrir todas as edições ilustradas por Paul Gulacy, o que é uma excelente notícia.

No geral, vamos ver se o próximo Volume da coleção vai melhorar o nível médio de histórias, porque este foi bastante irregular, como vocês verão a seguir.

1. Golpe de Mestre!
Roteiro: Len Wein / Desenhos: Ross Andru
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: G. Wein
Edição original: Giant-Size Spider-Man #2 (out/1974)

Homem-Aranha também precisa enfrentar artes marciais no traço de Ross Andru

Realmente, é louvável o trabalho da Panini com esta Coleção, porque está incluindo não somente as histórias solo de Shang-Chi, mas também suas participações especiais como “convidado” em HQs de outros personagens, na mesma sequência que saiu lá nos EUA.

Como era de se esperar, haveria um encontro com o Homem-Aranha logo, porque ambos os heróis atuavam em Nova York e combatiam o crime nas ruas. Além disso, o aracnídeo já era, desde o final dos anos 1960, o carro-chefe da editora e caminhava rapidamente para se transformar em um ícone mundial. Uma associação com o alter ego de Peter Parker seria, portanto, comercialmente interessante para qualquer novo personagem da Marvel ganhar visibilidade.

Com roteiro de Len Wein, um dos nomes mais importantes daquela década na “Casa das Ideias” – falecido recentemente; e arte de Ross Andru, um artista fortemente inspirado pelo trabalho de Gil Kane, “Golpe de Mestre!” é dividida em capítulos, como nas demais edições do tipo Giant-Size da época, e traz os heróis se estranhando em um primeiro momento e, depois de algumas situações, percebem que o melhor é unir forças contra os verdadeiros bandidos. Enfim, o modus operandi clássico de um team-up Marvel.

Vale a pena ressaltar que naquele momento da cronologia, o Homem-Aranha era considerado uma ameaça pela polícia e por boa parte da população, sofrendo uma violenta campanha negativa do Clarim Diário. Isso ajudava na construção da desconfiança mútua entre dois personagens que ainda não haviam se encontrado.

É uma aventura leve, onde o maior apelo é sem dúvida a união entre os heróis e, talvez, tenha sido relevante principalmente para Shang-Chi não só conhecer um combatente do crime superpoderoso, mas sobretudo por conquistar sua confiança.

No Volume #1, ele fez um team-up quase involuntário com o Homem-Coisa, que é o oposto em todos os sentidos do falastrão e jovem Aranha. A propósito, Parker deveria ter a mesma idade do Shang, entre 19 e 20 anos. A dupla voltaria a se encontrar em outras ocasiões (e em histórias bem melhores) ao longo das décadas seguintes como grandes aliados.

Novamente, o vilão escolhido é o Dr. Fu Manchu e há dezenas de guerreiros do Si-Fan – o exército de assassinos e devotos fanáticos de Manchu – no caminho dos heróis. A arte de Andru é simples, com alguns enquadramentos estranhos, que traz uma impressão de ter sido feita às pressas. Ah, não julgue (muito) as cores amarelas dos personagens orientais: era o padrão da época e ninguém parecia se importar.

Memorável é a reação do Homem-Aranha quando Shang-Chi revela o nome de seu pai, que era famoso na literatura americana popular (não dentro do Universo Marvel):

“Doutor Fu Man… QUEM? Ei, você está falando sério? Quer dizer… Fu Manchu é só um personagem de ficção… não é?”.
“Se ele é, Homem-Aranha, então eu também sou…”

Uma brincadeira metalinguística bacana!

No mais, mesmo sendo uma história absolutamente mediana e descartável, foi legal preencher mais um pequeno pedaço da cronologia do Universo Marvel com este histórico Team-Up.
Nota: 6,0.

2.Temporada de Vingança…
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Ron Wilson
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Stan Goldberg
Edição original: Master of Kung Fu #21 (out/1974)


Continuação direta de “Arma da Alma” (a penúltima HQ do Volume #1 desta Coleção) com o pretenso chefe do crime de Miami, Demmy Marston.

Ron Wilson era um desenhista bastante limitado, escalado pela Marvel em geral como fill-in, ou seja, uma espécie de reserva de um artista principal que não conseguiu produzir algo no prazo.

Ele entregava personagens quadrados, duros, com pouca expressividade facial e pouquíssimos detalhes de cenários, embora tivesse os bons fundamentos da narrativa em quadrinhos. Talvez seu maior momento na história da editora seria sua associação com um outro personagem: o Coisa.

Isso porque ele aprimoraria seu estilo “quadrado” e conseguiria ilustrar boas histórias de Ben Grimm, tanto nas edições que ele estrelou do título de parcerias Marvel Two-in-One, quanto na sua revista solo, escrita por John Byrne em meados dos anos 1980.

Voltando à história, Shang-Chi tinha acabado de enfrentar o samurai Korain e, por isso mesmo, ainda estava nos arredores de Miami. Intrigado com um parque aquático, decide invadi-lo à noite para entender melhor o seu “conceito”. Logo a ação começa.

Chi enfrenta mercenários armados – como eles descobriram que seu alvo estava justamente naquele parque aquático tão rapidamente é um grande furo do roteiro – mas, sem dúvida, a grande “atração” deste capítulo é o momento de sua luta submarina contra um tubarão! Claro que Doug Moench não iria perder esta chance, não? A luta é impagável, um belo exemplar do “impossível que diverte”, daqueles que só encontramos mesmo nos quadrinhos.

No mais, acontecem outras duas cenas marcantes: nosso herói é brutalmente espancado (torturado seria a palavra mais adequada) e há um plot twist bacaninha que permite um final inesperado.
Nota: 5,5.

3. Biscoito da Morte!
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Dan Adkins / Cores: Petra Goldberg
Edição original: Master of Kung Fu #22 (nov/1974)

Esta boa história começa em um restaurante chinês, novamente com nosso herói atuando em Nova York.

Paul Gulacy está de volta e capricha nos detalhes das cenas no aconchegante restaurante: nas roupas dos frequentadores, na maquiagem e no corte do cabelo das belas, elegantes mulheres, e nos objetos cuidadosamente pesquisados que preenchem todos os espaços dos quadros, criando um ambiente intimista e moderno.

A primeira página é linda, um belo exemplo de como a Marvel era capaz de entregar quadrinhos de super-heróis diferentes, fugindo do lugar-comum de maneira às vezes singela.

Como era de se esperar, Shang-Chi não terá a paz que almejava encontrar nesta pequena fração da sua China natal. As lutas coreografadas por Gulacy tem mesmo uma qualidade única, superior, retendo o olhar do leitor por mais do que um mero instante para cada gesto, cada postura, cada golpe aplicado e seu impacto.

Fu Manchu, Sir Denis
Black Jack Tarr novamente participam desta história de argumento simples, mas eficiente, muito bem desenhada, com cores atraentes, repleta de batalhas excelentes e uma surpresa final.
Nota: 7,5.

4. O Triunfo do Doutor do Mal
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Jack Abel / Cores: Petra Goldberg
Edição original: Giant-Size Master of Kung Fu #2 (dez/1974)

Nesta segunda edição “gigante” do personagem, Doug Moench e Paul Gulacy entregam um verdadeiro épico, com certeza o ponto alto deste Volume. Parece um bom filme de ação e espionagem de James Bond no auge da Guerra Fria, com heróis e vilões únicos, com papéis claramente bem definidos e marcantes.

Como nas outras edições especiais Giant-Size típicas da Marvel, a história é dividida em capítulos, o que amplifica a sensação de estarmos diante de uma saga, e não uma HQ comum.

Perambulando por NYC, Shang-Chi conhece uma bela mulher que, ao que parece, é dona de um Dojô. Descolada, convida nosso herói para jantar e os dois engatam uma boa conversa.

“Estou feliz em te conhecer Shang-Chi.”
“Prefiro estas últimas palavras, Sandy, pois elas refletem as palavras em minha mente… e, neste momento, minha mente se enche de magia.”

Sim senhor, são raros momentos de paz e romance para nosso incansável lutador.

Logo, porém, Chi é interrompido por Sir Denis Smith, que lhe confia mais uma missão secreta. É uma tarefa diferente, embora seja também um dos grandes clichês do gênero da espionagem: um cientista inimigo (chinês), quer mudar de lado e nosso bom herói deve resgatá-lo.

A caminho da China, muita ação a bordo do avião e, logo que chega nas ruas da capital de sua terra natal, mais batalhas contra outros artistas marciais. Gulacy aproveita a chance e esbanja técnicas de ponto de fuga na criação dos prédios e casas chinesas.

A história apresenta ainda uma sequência realmente inacreditável de combate nas ruas e becos desta grande cidade oriental. Além disso, o roteiro trará muitos outros desafios e algumas reviravoltas, um dos primeiros clássicos absolutos do personagem que, sem ter qualquer superpoder, demonstra uma capacidade impressionante de feitos impossíveis.

A esta altura muito mais seguro de sua arte, Gulacy encara o tour de force com splash pages inesperadas, criativas, além de uma quadrinização que remete muito ao trabalho de Jim Steranko com outra HQ de espionagem da Marvel, Nick Fury.

No geral, há uma fluidez entre roteiro e arte que a tornam uma história em quadrinhos com pegada moderna – difícil de acreditar que foi produzida há mais de 40 anos!

E, para consagrar, há em um detalhe do roteiro uma enorme crueldade com nosso jovem Shang-Chi. Sem dúvida, uma edição inesquecível.
Nota: 9,0.

5. Rio da Morte
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Al Milgrom
Arte-Final: Klaus Janson / Cores: L. Lessmann
Edição original: Master of Kung Fu #23 (dez/1974)

Opa, uma aventura na América do Sul!

Sir Denis e Black Jack levam Shang-Chi a um passeio pelo Rio Amazonas e arredores para investigar uma suposta parceria entre um nazista foragido e Fu Manchu.

Nesta HQ, talvez pela primeira vez na série, o preconceito contra asiáticos é tratado de forma contundente.

Wilhem Butcher é descrito como o oficial mais leal do 3º Reich. Vale lembrar que tal premissa é baseada em fatos históricos, porque no pós 2ª Guerra Mundial, muitos ex-oficiais, soldados e simpatizantes nazistas procuraram mesmo refúgio em países da América do Sul, como Brasil, Argentina e Chile.

Claro, a maioria queria só recomeçar a vida e escapar da prisão na Europa, e não organizar um exército para ações terroristas, mas isso também aconteceu, e na região amazônica! Confiram uma reportagem recente sobre isso aqui.

Uma das características desta série tem sido os confrontos de Chi contra animais poderosos. Já vimos um gorila, um tubarão, alguns leopardos e agora, finalmente, um jacaré – aqui erroneamente chamado (ou traduzido) de crocodilo.

Al Milgron é agora o desenhista, após vários meses cuidando da arte-final, e faz um trabalho melhor que Ron Wilson, especialmente com sua cuidadosa montagem das lutas, mas ainda bem inferior ao incrível Paul Gulacy. Em um momento ele produz uma splash page dupla com resultados insatisfatórios: não somente na composição sem graça, mas alguns desenhos foram feitos muito pequenos que, ao serem ampliados, ficaram com uma qualidade grosseira do traço.

História com um plot twist bizarro, que deixa aparentemente sem sentido uma série de fatos. Ainda assim é curiosa, vamos ver a conclusão na próxima edição.
Nota: 6,0.

6. Massacre na Amazônia!
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Al Milgron, Jim Starlin, Alan Weiss, Walt Simonson
Arte-Final: Sal Trapani / Cores: P. Goldberg
Edição original: Master of Kung Fu #24 (jan/1975)

Nesta segunda parte da aventura contra nazistas na Amazônia, os créditos da arte ficam a cargo de 4 desenhistas diferentes, certamente convocados para concluir o trabalho a tempo.

O fato curioso é que, além de Al Milgron, os demais virariam grandes estrelas dos quadrinhos nas décadas seguintes, como Alain Weiss e Walt Simonson, além do próprio criador do personagem, Jim Starlin, que retorna meio sem-querer ao título. Coisas da produção industrial e um mercado totalmente dependente da distribuição para bancas de jornais e lojas de conveniência dos anos 1970, onde a revista tinha que ser finalizada de qualquer jeito.

O resultado é exatamente o que se esperaria, isto é, irregular, abaixo da média do padrão deste título.

A história é, essencialmente, o detalhamento da batalha cuja montagem foi orquestrada no capítulo anterior, entres os exércitos do nazista Wilhem Butcher, e os Si-Fan de Fu Manchu.

Embora tenha bons momentos, uma breve análise da trama confirma a suspeita que o plot é, simplesmente, estapafúrdio!

Basicamente, um grupo atraiu o outro para um confronto arriscado nos confins da selva com grandes chances de se dizimarem… sendo que os nazistas tinham um ás na manga que dispensaria completamente a aliança com Fu Manchu! E porque Sir Denis é convidado ao esconderijo pelo próprio Butcher?

Outra coisa que incomoda, aí analisando não somente estas duas partes mas sim o grande arco da série até o momento, é como Black Jack e, sobretudo, Sir Denis, parecem incompetentes e quase completamente descartáveis.

Está certo que é a estrela da revista, mas Chi é muito mais capaz que a dupla, mesmo sendo bem mais jovem e sabendo pouco sobre os planos, os locais e adversários e resolvendo tudo no improviso. Está na hora de ver os britânicos serem minimamente eficientes, pessoal!
Nota: 4,5.

7. Rituais de Coragem, Punhos da Morte!
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Sal Trapani / Cores: Bill Mantlo
Edição original: Master of Kung Fu #25 (fev/1975)

Gulacy retoma na última história deste segundo Volume. Nosso trio de heróis continua na Amazônia mas aqui temos uma aventura à parte, até com um argumento diretamente ligado à guerra travada anteriormente, mas é de fato uma história solo de Shang-Chi, que se vê envolvido com uma tribo de índios hostis chamada Jivaro.

História rápida, com uma trama simples, é onde acontece a “famosa” cena do Chi mordendo – e quebrando com os dentes! – uma espada.

Em defesa do argumentista, digamos que não fica claro como a tal espada foi parar ali, já que os Jivaro parecem ser uma tribo bem primitiva, incapaz de produzir uma espada como aquela – talvez estivesse na tribo há anos, colhida de um inimigo branco e já deteriorada e enferrujada pela ação do tempo e da natureza?

É engraçado analisar a capa: para o desenhista (acho que ali foi o Al Milgron), eles eram tão primitivos que usavam… tacapes? Espera um pouco, eram neandertais ou índios amazônicos? E porque eles são brancos se Chi é pintado de amarelo?

Particularmente tais fatos não chegam a me incomodar por conta do contexto histórico, mas não há nada de marcante mesmo nesta edição, com os índios sendo tratados de forma bastante superficial e clichê, embora tenha um final razoavelmente interessante.

Ah, sim, vamos incluir na lista de animais derrotados pelo Mestre do Kung Fu uma bela onça-pintada!
Nota: 6,0.

Análise Crítica da Coleção Histórica Marvel Mestre do Kung Fu #1

Capa do Volume 1 da Coleção Histórica Marvel com o Mestre do Kung Fu

Decidi comentar cada história deste grande lançamento da Panini, que promete trazer, na ordem cronológica, a republicação das HQs clássicas do Mestre do Kung Fu dos anos 1970. Vale ressaltar que esta é a primeira vez que estas histórias em quadrinhos saem no Brasil no formato original americano, sem cortes ou adaptações.

. Nível de Spoilers: de leves a moderados. São histórias clássicas, portanto não há necessidade de tratá-las como “segredo de estado”, mas mesmo assim evito desfechos ou revelações bombásticas.

Shang-Chi sempre foi um dos meus personagens favoritos da Marvel. Por alguma razão estranha, tenho um certo apreço pelo gênero kung fu, mas o que me atraía no herói sino-americano é que, em suas melhores histórias, enfrentava uma galeria de coadjuvantes e vilões intrigantes – embora quase sempre unidimensionais -, com roteiros que remetiam aos filmes de James Bond, com uma pitada de noir.

Após um longo período em que a Marvel estava impedida de republicar esta ótima fase, por uma falta de acordo sobre os direitos autorais de personagens que não são da Marvel, e sim do espólio de Sax Rohmer – tais como o maior inimigo do herói, nada mais nada menos do que o Dr. Fu Manchu; a partir de 2016, com essa pendenga resolvida, a editora iniciou um cuidadoso projeto de restauração e edição de encadernados – Hardcovers e Omnibuses – que agora chega ao Brasil em um formato bem mais modesto, em uma série de 4 volumes da já tradicional Coleção Histórica, com capa cartão e papel off-set.

Caso as vendas sejam boas, o personagem ganhará novas edições, com a sequência cronológica original.

1. Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu!
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Jim Starlin
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Steve Englehart
Edição original: Special Marvel Edition #15 (dez/1973)

Capa com a primeira HQ de Shang Chi

Englehart já era um nome importante no time Marvel, mas Starlin, em 1973, ainda era iniciante e, como aconteceu com outros grandes futuros quadrinistas autorais, no começo só desenhava. Mas, por este trabalho, percebe-se claramente que ele já era um artista pronto, ainda mais finalizado pelo sempre competente Al Milgrom. Uma curiosidade: é a primeira vez que vejo Englehart com o crédito também nas cores. Contudo, a decisão de pintar de amarelo ou laranja os personagens orientais não foi uma escolha pessoal. Por mais preconceituoso que nos pareça isso hoje em dia, naquela época esse era o padrão da indústria americana.

Shang-Chi foi concebido, portanto, por um time criativo de alto nível, mas sua estreia foi em uma revista bimestral menor, usada pela Marvel para testar novos personagens e, de certa forma, também novos artistas. Eram os primeiros anos da “febre” do Kung Fu e outras artes marciais nos EUA.

Assim, como o título entrega, nesta primeira história somos apresentados ao protagonista e sua origem, estabelecendo que Shang-Chi era filho do Dr. Fu Manchu, – um então famoso vilão da literatura pulp fiction, criado pelo escritor Sax Rohmer no início do século XX -, que cuidou de seu treinamento pessoalmente ou supervisionando o trabalho de mestres por ele contratados desde seus primeiros anos, em Honan, na China.

Contrabandista de armas e escravos, Fu Manchu é super inteligente, culto, messiânico, líder do Si-Fan, uma sociedade secreta com um exército à sua disposição e deseja, simplesmente, derrubar o mundo ocidental. Com muito dinheiro e poder acumulados, o maligno mandarim vive saudável há quase 200 anos graças ao Elixir da Vida.

Além deste arquétipo de “yellow peril“, a Marvel usou ainda outros personagens do universo de Rhomer, como seus antagonistas heroicos Sir Denis Nayland Smith e Dr. Petrie, que terão uma forte ligação com o Mestre do Kung Fu.

HQ com ritmo ágil, mostra Shang-Chi com 19 anos, fiel a seu pai – a quem acha justo e verdadeiro – devido ao doutrinamento que recebeu na China para se tornar o principal assassino do Si-Fan. Um combatente perfeito, que domina qualquer arma, tem sentidos aguçados graças a técnicas marciais e possui um elevado nível de inteligência.

Chi ganha sua primeira missão, que é assassinar o inglês Dr. Petrie. O jovem cumpre sua tarefa mas é confrontado por Nayland Smith, que afirma categoricamente que Fu Manchu é o mal absoluto. Shang-Chi tem sua confiança abalada e decide questionar seu pai, além de querer conhecer sua mãe, americana.

Há ótimas cenas de lutas em uma história de origem redonda, que peca apenas por ser rápida demais no desenvolvimento da dúvida de Chi em relação ao seu pai. É um começo instigante para o personagem, que precisa derrotar diversos oponentes, todos também lutadores de artes marciais – além de uma fera – em “locações” na China, Inglaterra e nos EUA. Jim Starlin capricha na narrativa e principalmente nas lutas, que se parecem com as coreografias dos filmes de Bruce Lee (evidentemente!).

Bela arte de Jim Starlin

Assim como em outros gêneros temáticos, a primeira HQ estabelece as premissas de quase toda a série, com algumas convenções e a certeza de que o filho rebelde enfrentará as forças do pai ao lado de outros heróis por um longo tempo.
Nota: 8,0.

2. A Meia-Noite Traz a Morte Sombria
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Jim Starlin
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Linda Lessmann
Edição original: Special Marvel Edition #16 (fev/1974)

Shang-Chi Versus Meia-Noite

Shang-Chi continua em Nova York, morando no Central Park, onde enfrenta, talvez pela primeira vez na sua vida, um grupo de bandidos comuns, de rua. O autor, nesse momento, introduz uma misteriosa figura sombria. Logo descobriremos que é o inimigo retratado na capa, Meia-Noite.

Esse é um personagem interessante. Irmão adotivo de Chi, foi resgatado pelo seu pai, Fu Manchu, quando ficou órfão, graças a ações de assassinos do próprio Mandarim na África. De nome M’nai, Meia-Noite pode ser considerado um dos primeiros mestres de artes marciais negros dos quadrinhos. Continua fiel ao seu pai, mas considera Shang seu único amigo. Isso, claro, traz um dilema ao jovem.

O recado de Manchu, que pede para matá-lo, é direto: “Sentimento é um dogma da filosofia ocidental, não da nossa.” Jim Starlin, contudo, cria uma provável incoerência com essa filosofia ao colocar um chapéu cowboy, e não chinês ou, quem sabe, africano, no uniforme do jovem M’nai. Mas talvez o ocidente produzisse coisas boas, como este estiloso chapéu? Enfim…

Duelo de irmãos por Jim Starlin

Esta HQ, basicamente, é um desafio entre os dois mestres do Kung Fu filhos de Manchu. Os autores fazem um bom trabalho com a apresentação do novo vilão e no duelo que, ao longo de 10 páginas – quando às vezes os meio-irmãos dialogam, às vezes batalham em silêncio -, prende a atenção e traz um desfecho cruel, bem conduzido, que será sem dúvida marcante para Chi.
Nota: 7,5.

3. O Covil dos Perdidos!
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Jim Starlin
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: George Roussos
Edição original: Master of Kung Fu #17 (abr/1974)

Primeira aparição de Black Jack Tarr

Esta terceira história do personagem é também a primeira com seu nome encabeçando o título. Era tradição da Marvel mudar o nome de uma revista genérica, como Special Marvel Edition, para o do personagem que “emplacasse” em suas páginas, e daí continuava com a numeração anterior (hoje em dia isso seria improvável, claro).

A edição #17 de Master of Kung Fu começa com caixas de texto com uma filosofia tão barata que é impossível não achar engraçado. Será que algum leitor da época levava a sério os “ensinamentos” orientais? Acho que só Steve Englehart (e talvez nem ele), tenha curtido essas frases-clichê dos filmes e séries de TV do gênero artes marciais.

Uma curiosidade: o trio de artistas faz uma rápida aparição especial nas batalhas, vale a pena procurá-los.

A parte relevante: esta é a primeira aparição de Black Jack Tarr, que seria um dos mais notórios coadjuvantes e aliados de Shang-Chi no futuro. Tarr é uma criação da Marvel, não pertencendo, portanto, ao rol de personagens de Sax Rohmer, e por isso apareceu em outras HQs, tendo até uma versão no Universo Ultimate.

Ainda em Nova York, o Mestre do Kung Fu é atraído para uma emboscada, criada por Nayland Smith: uma casa repleta de armadilhas. O roteiro parte, então, para aquele clássico modelo de desafios menores até o boss, no caso, o próprio Black Jack, retratado na capa de uma forma gigantesca, desproporcional ao que aparece internamente.

De fato, Starlin o desenha também grandioso mas não tão exagerado como na capa. Com o tempo, é curioso observar como o personagem seria bastante diminuído em estatura e músculos.

A arte está bem inferior em relação aos dois números anteriores. Todas as páginas tem um detalhamento menor, sem muito cuidado com layout nem contornos. Há uma splash page dupla simplesmente infeliz. Talvez Starlin tenha tido menos tempo para produzir o lápis, mas a arte-final nem parece ter sido do mesmo Al Milgrom.
Nota: 6,0.

4. Atacar!
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Petra Goldberg
Edição original: Master of Kung Fu #18 (jun/1974)

Chi enfrenta diversos assassinos

Paul Gulacy é o substituto de Jim Starlin nos desenhos nesta quarta – e penúltima – história de Shang-Chi escrita pelo seu criador, Steve Englehart. Gulacy é um grande artista, fortemente influenciado pelo trabalho de Jim Steranko – como muitos outros nomes surgidos no período -, competente na quadrinização e até arrisca lay-outs diferentes. De certo modo, contudo, prefere a prudência nestas primeiras aventuras e se alinha com Starlin, especialmente na coreografia das lutas.

É nesta história que Shang-Chi aceita um acordo de cooperação com Nayland Smith – que ganha um flashback de 1911, quando conheceu Fu Manchu. Segundo Smith, ele teria devastado a China algum tempo antes daquele encontro. Talvez tenha sido um exagero, mas não lembro se essa questão foi abordada na série, ou se vale para a história do Universo Marvel.

Smith compartilha uma informação com o herói, que parte sozinho para a Flórida a fim de impedir um plano maligno e rocambolesco de Fu Manchu. Além dessa curiosa mudança de cenário, o Mestre do Kung Fu enfrenta, acredito que pela primeira vez, um adversário superpoderoso, um assassino dacoit chamado Satma, três vezes mais ágil e forte que um humano.

A arte de Gulacy chama a atenção, embora ainda tenha pontos a melhorar, em uma história sem grandes atrativos, mas com um acontecimento importante para o futuro do personagem, que é a união com Sir Smith, o antagonista original do vilanesco Fu Manchu. O plano é inverosímel e a resolução, bastante forçada, com direito a um “golpe impossível” de nosso herói.
Nota: 6,5.

5. Recuar
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Stan G.
Edição original: Master of Kung Fu #19 (ago/1974)

O Homem-Coisa é o primeiro Team-Up da revista

Para sua despedida, Englehart traz o primeiro team-up com outro personagem Marvel, o Homem-Coisa. Com certeza, é uma escolha inusitada. Criado há apenas 3 anos, não tinha popularidade, nem era um super-heroi mas, quem sabe, esta revista pode ter tido a honra (?) de ser o primeiro crossover entre os gêneros “Artes Marciais” e “Terror” da editora.

O autor cria ainda dois novos assassinos Si-Fans genéricos, Jekin e Dahar, que darão muito trabalho a Chi.

Em paralelo, Sir Denis Nayland Smith e Black Jack Tarr, que agora também estão na Flórida, quase conseguem capturar Fu Manchu, que escapa, aparentemente, utilizando algum poder místico.

Paul Gulacy esmera-se na composição desta splash page com o Homem-Coisa

Paul Gulacy faz um ótimo trabalho nas lutas e na maior parte das composições, com quadros impactantes, mas ainda falha no lápis em alguns quadros, corpos e rostos. O final desta HQ é muito bacana, sendo a ideia da “filosofia oriental” bem trabalhada, até levemente tocante e contundente.
Nota: 7,5.

6. Arma da Alma
Roteiro: Gerry Conway / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: George Roussos
Edição original: Master of Kung Fu #20 (set/1974)

Shang em Miami, bem antes de Scott Lang!

Esta é a primeira história de Shang-Chi escrita por outro autor, o jovem Gerry Conway, responsável pelo trágico fim de Gwen Stacy nas páginas do Homem-Aranha apenas um ano antes. A abordagem é parecida com a de Englehart mas Conway traz um frescor ao não incluir Fu Manchu diretamente na aventura.

Chi deixa os pântanos de Everglades e chega a Miami, onde enfrenta um trio de mergulhadores assassinos (!) na praia. Logo descobrimos que um criminoso local, tentando ganhar maior influência e poder, é o responsável: Demmy Marston, um americano elegante, retratado por Gulacy como se fosse algum ator de cinema, com as roupas, trejeitos e hábitos dos ricos que curtiam ostentar nos anos 1970, com iate ancorado e tudo o mais.

Injuriado por uma derrota, Marston não pensa duas vezes em espancar sua namorada, Diana, que até o final da HQ será protagonista de uma cena chocante.

Conway cria um novo vilão genérico lutador, Korain, descrito como um Samurai veterano que, por alguma razão, decidiu passar sua aposentadoria como assassino de aluguel nas Florida Keys.

Para o leitor frequente, esse recurso do “lutador do mês” começa a incomodar. Certamente brota aquela perguntinha na mente: “será que vai ser sempre assim?”.

Em todo caso, a HQ traz um roteiro e arte fluidas, com algumas curiosidades e um final completamente inesperado, com uma situação ligada ao Elixir da Vida, a fórmula secreta que mantém Fu Manchu com força e vigor de um adulto, apesar da idade avançadíssima.
Nota: 7,5.

7. Máscara da Morte
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Dan Adkins / Cores: Petra Goldberg
Edição original: Giant-Size Master of Kung Fu #1.1 (set/1974)

Capa da Primeira Edição Especial do Personagem

Provavelmente a revista mensal do personagem estava vendendo muito bem, porque a Marvel publicou esta edição especial entre os números #20 e #21, cinco meses desde a estreia da série regular.

Convocado para roteirizar Giant-Size, Doug Moench seria o escritor titular de Shang-Chi por anos e anos a fio, grande parte deles em parceria com Paul Gulacy.

A história é boa, fechada, como a maioria da produção da época, embora também fizesse parte de um arco maior, uma cronologia ampla da luta entre Fu Manchu e seu filho rebelde.

Moench leva Shang novamente para Nova York, onde apresenta Ducharme, uma espécie de confidente e assistente do vilanesco Mandarim, e também o Conselho dos 7, os mais leais e capazes lutadores do Si-Fan.

Shang-Chi ganha elegância e uma atmosfera noir com Paul Gulacy

Bela arte, a melhor de Gulacy até o momento, com alguns quadros icônicos, com uma atmosfera noir permeando as diversas lutas contra assassinos coloridos, diferentes entre si, com muita ação e onde finalmente concluímos que Shang-Chi é, de fato, um grande Mestre do Kung Fu: extremamente veloz, habilidoso, preciso. Texto econômico nos recordatórios, roteiro coeso, embora nada muito criativo, eficiente e de leitura agradável, mesmo nos dias atuais.
Nota: 8,5.

8. Passado Congelado, Memórias Partidas
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Graig Russell
Edição original: Giant-Size Master of Kung Fu #1.2 (set/1974)

HQ curta contida na edição Giant-Size americana da história anterior, de leitura rápida, mas que se passa em Miami. O que dizer? Bem, a arte é bem inferior, cheia de falhas, tanto de proporção quanto de montagem dos quadros. Vale como curiosidade artística, porque Craig Russell estudaria muito e se aprimoraria nos anos seguintes, até se transformar em um dos grandes mestres modernos dos quadrinhos. Impossível imaginar que este trabalho amador foi feito pelo mesmo autor multipremiado e parceiro de Neil Gaiman em Sandman e outros projetos, além de clássicos da Marvel como “What´s Disturbing you, Dr. Strange?“.
Nota: 4,0.

9. Reflexos em Águas Turvas
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Ron Wilson / Arte-Final: Mike Esposito
Edição original: Giant-Size Master of Kung Fu #1.3 (set/1974)

Outra HQ curta, mas com um desenvolvimento e arte melhores e um desfecho bem resolvido. É Chi atuando na vizinhança de Miami, provavelmente depois da história Arma da Alma. Entretém.
Nota: 6,0.

Resenha de Avante Vingadores #6 – Panini Comics

Thanos faz sua entrada triunfal na revista dos  Supremos!

Resenha com todas as histórias contidas na edição #6  da revista mensal Avante, Vingadores! Pela primeira vez não há uma história solo da Capitã Marvel e 2 títulos aparecem com histórias dobradas.

. Nível de spoilers: leves.

Os Supremos #6 e #7
A primeira história desta revista é realmente diferenciada. Al Ewing, como já dito antes aqui, não se intimida com a grandiosidade dos elementos com os quais está brincando. Ele simplesmente deixa os Supremos de lado e escreve um conto cósmico do Galactus, baseado no mito de Sísifo, com direito a uma conversa franca e intrigante com o Homem Molecular. Sim, também como já dissemos antes, este título é praticamente uma sequência das Guerras Secretas. Mas, vai além, e Galactus, o agora Portador da Vida, vai ser confrontado por outras entidades que aparentemente não concordam com sua mudança de status quo. Sem dúvida alguns dos mais interessantes personagens do vasto panteão cósmico da Marvel estão nestas páginas. O desenhista convidado, Christian Ward, entrega imagens inesquecíveis. Outro trabalho fantástico.

Galactus soca outra Entidade Cósmica

Na segunda história, o autor divide o foco entre Carol Danvers, que precisa investigar uma suspeita levantada pelos Shiars, e o Adão Negro, que agora tem uma nova incumbência em pesquisar e conter seu antigo amigo e ex-vilão, Conner Sims, que fora resgatado no capítulo anterior no “tempo além do tempo”. Fico grato que o autor recupera esse importante elemento associado à origem do Adão Negro para criar novas histórias. O final da edição #7, contudo, é o ponto alto, pois Thanos ressurge, trazendo como sempre aniquilação. Kenneth Rocafort e Dan Brown retornam na bela arte. HQ recheada de acontecimentos, com roteiros criativos, personagens se não cativantes ao menos intrigantes, e diálogos cuidadosamente lapidados. A melhor série desta revista!
Nota: 9,0.

Esquadrão Supremo #7
Segunda parte do arco focado na Doutora Espectro, que parte em missão submarina, onde encontra mais do que esperava. Aliás, mais também do que o leitor imaginava. Novamente, James Robinson confirma que é um grande pesquisador do Universo Marvel e, imagino, entusiasta dos clássicos. Enquanto isso, em Nova Iorque, seu colega Falcão Noturno encontra… o outro Falcão Noturno! Bom, aqui vale uma pequena explicação: o nome original em inglês destes dois heróis é, de fato, Nighthawk. Porém, no Brasil o Nighthawk original, que atuou no Esquadrão Supremo e nos Defensores, tinha a tradução de Águia Noturna. E é ele quem aparece por aqui, disposto a encarar sua contra-parte interdimensional! No mais, há um pequeno trecho com Hypérion “descobrindo” a América e, de novo, nada da Tundra. Os desenhos de Leonard Kirk e Paolo Villanelli caíram de qualidade. Em alguns quadros há carência de detalhes, corpos desproporcionais e até mesmo a composição parece truncada. No geral, é uma edição menor, leitura rápida demais… vamos ver como se desenrola a conclusão no próximo número.
Nota: 6,0.

Força-V #7
Kelly Thompson conclui o arco com a Thor-Cristal que, finalmente, traz alguma relevância mas, mesmo a bela e vibrante arte de Ben Caldwell, Scott Hanna e Ian Herring não suavizam o bastante a irritante sequência de frases de efeito, piadas forçadas e a quase obsessiva necessidade de criar “fricção” entre as heroínas. A impressão final é que todas são igualmente duronas, cheias de atitude, mas que ao mesmo tempo não se descuidam da roupa e do cabelo – tudo em meio às batalhas e ameaças mortais. Claro, com exceção de Singularidade que, parece, não desperta a menor simpatia à nova roteirista e aqui é praticamente esquecida, o que é uma pena porque é uma personagem ainda nova e diferente. A vilã, Condessa, não traz tensão em nenhum momento e, mesmo assim, a forma como as heroínas a derrotam chega a ser engraçada de tão absurdamente simplória. Fiquei sem entender… apesar de ser um título para pré-adolescentes modernas e descoladas a referência é uma música pop dos anos 1980!? Então tá!
Nota: 5,0.

Incrivelmente Sensacional Hulk #6
Conclusão do segundo – e curtinho – arco do novo Hulk com a nova Thor, com bons desenhos de Michael Choi. Gostei mais do seu trabalho nesta segunda parte, porque capta melhor a energia do jovem e impetuoso Amadeus Cho. Também há mais leveza onde precisa e até nos momentos dramáticos o desenhista atinge os pontos certos nas expressões faciais, na postura dos corpos e na diagramação das páginas.

Arte interna de Mike Choi com o Hulk Amadeus e a Nova Thor

Há momentos divertidos na interação da poderosa dupla de heróis, que precisam ajudar um grupo de ferreiros Anões a recuperar metal Uru roubado pela Encantor. É uma história redondinha de Greg Pak, sem firulas, sem furos, sem grandes situações mas bem contada, que começou morna na edição anterior mas conclui de modo decente, respeitando as características de todos os personagens, com direito a um momento terno entre os irmãos Amadeus e Maddie.
Nota: 7,0.

Homem-Formiga #7 e #8
Mais dois capítulos de um longo e divertidíssimo arco com os infortúnios de Scott Lang, o Homem-Formiga. Após descobrir que o paradeiro de sua filha Cassie está relacionado ao Corretor do Poder e seu novo aplicativo para vilões, o Capanga 2.0, Scott decide ir direto ao encontro do perigoso e sarcástico executivo maligno, mas primeiro terá que enfrentar o novo… Homem-Planta! Há, como de costume, um cuidadoso trabalho com a caracterização de cada um dos diversos personagens da série que é, de verdade, não somente uma HQ do Homem-Formiga, mas de sua família, de seus adversários, dos amigos Mecanus e Urso, de antigos e novos amores. Pois é, parece mesmo uma sitcom, mas das boas! Nick Spencer dá conta de tudo isso com uma aparente enorme facilidade, com a valiosa ajuda de Ramon Rosanas na edição #7 e de Brent Schoonover na #8.

Capa da edição #7 com Homem-Formiga e seus parceiros em Miami

Essa segunda história, aliás, é ainda mais deliciosa de se ler. O autor recupera o tom de sua série Os Superiores Inimigos do Homem-Aranha (que saiu anos atrás na revista Aranhaverso), e traz um conto hilário – e até levemente deprimente – de um encontro entre 4 vilões classe-Z que, de alguma forma, acabarão trabalhando com nosso herói em uma missão de resgate. Melhor não contar nada além disso para não estragar, mas vale registrar que os autores nos lembram sempre que possível que há outra bela personagem central nesta ótima série: Miami.

Nota: 8,5.

Nota Final para esta Edição: 7,1.

Rápida Resenha de X-Men #7 – Panini Comics

Na capa, chamada para o início da saga Guerras Apocalípticas

Uma saga que interligará os 3 títulos dos X-Men começa nesta edição, que novamente conta com uma história de cada equipe, mais uma extra curta. Resenha livre de spoilers, confira e comente! As “Guerras Apocalípticas” devem durar vários meses.

Novíssimos X-Men 7: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Continuação da aventura dos jovens X-Men em Paris, este título ainda não está interligado com a saga “As Guerras Apocalípticas”. Após o embate com Blob vamos acompanhar, com uma boa dose de desespero, o cativeiro de Ciclope contra outro dos primeiros inimigos da equipe, Groxo. Para os que estão começando a desvendar o enorme contingente de personagens que frequentam as páginas dos mutantes da Marvel, Groxo é, tradicionalmente, um dos vilões menos perigosos de todos os tempos, tendo sido lacaio de Magneto ou faxineiro na Mansão-X. Por isso mesmo, não é corriqueiro que ele se torne uma ameaça, mas a situação criada por Hopeless é interessante, porque possível. Enquanto sofre nas mãos de Groxo – com direito a uma das cenas mais brutais que já vi com um X-Men -, Ciclope usa sua mente estratégica para tentar escapar, mesmo imaginando que o resto da equipe deve estar à sua procura. Bagley continua se destacando, criando sequências tensas, intercaladas com cenas de convivência também muito bem delineadas. Grande parte da qualidade da arte é, sem dúvida, efeito de Nolan Woodard nas cores. Nota 7,5.

Extraordinários X-Men 8.1: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

A primeira parte das “Guerras Apocalípticas” é conduzida com categoria por Lemire e Ramos, que trazem de volta um grotesco vilão, eternamente associado à saga da realidade alternativa da Era do Apocalipse, de 1994. Mas, se você desconhece essa história e esse tal vilão, não se preocupe, dá para começar a ler esta revista sem esse backgroundTempestade está planejando os próximos passos de sua poderosa e vasta equipe, em um diálogo bem costurado com o Velho Logan, quando são interrompidos com uma notícia perturbadora: de repente, surgiram 600 novas assinaturas de mutantes em Tóquio. É algo completamente inesperado porque a Névoa Terrígena dos Inumanos tem impedido o surgimento de mutantes no mundo Marvel. Colossus, Cérebra e alguns dos estudantes do Abrigo-X resolvem investigar. A premissa estava interessante, até o epílogo. Na verdade, algo que me preocupa é que esta saga envolverá, pelo jeito, viagens no tempo e versões alternativas de nossos queridos X-Men – o que pode ser muito bom, dependendo da história, mas também pode ser enfadonho, porque é um recurso utilizado inúmeras vezes, inclusive recentemente. Victor Olazaba é um colorista talentoso e ajuda a deixar este título moderno. Vamos aguardar os desdobramentos. Nota 8,0.

Extraordinários X-Men 8.2: de Jeff Lemire e Victor Ibañes

Curta, porém bem desenvolvida história de Magia e Sapina – uma nova personagem que apareceu pela primeira vez na edição #1 – em visita ao Doutor Estranho. É sempre válido quando a editora promove histórias que conectam os X-Men ao resto do Universo Marvel. E nada mais natural do que o Mago Supremo para investigar os dons de Sapina. Este é outro exemplo da competência de Lemire. Em poucas páginas, há ação, grandes revelações, ótimas caracterizações dos personagens e tudo com diálogos bem construídos. Ibañes entrega outro bom trabalho e parece se consolidar como o desenhista escalado para intercalar as HQs dos Extraordinários com Humberto Ramos. Nota 8,0.

O bom Doutor em uma rara aparição no título dos X-Men

Fabulosos X-Men 6: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Novo desenhista no título, Lashley é veterano na Marvel e já trabalhou com os mutantes. Não sabemos se ele continuará nos Fabulosos de vez, mas como este é também um capítulo das Guerras Apocalípticas fica a expectativa de que pelo menos cuidará de todo este arco. O foco, como não poderia deixar de ser, já que estamos tratando de uma saga que envolve Apocalipse, é o Anjo, que já foi um de seus Cavaleiros e teve diversas transformações físicas e espirituais desde então. O Anjo atual, é preciso lembrar, é um enigma e Psylocke parece finalmente disposta a desvendá-lo. Há recapitulações da confusa trajetória do herói alado em uma história lenta, que ganha alguma movimentação quando o foco muda para a missão de Monet e Dentes de Sabre, mas nada muito interessante. O clifhanger, contudo, é bem curioso – ponto para Bunn, que parece capaz de reciclar temas tradicionais da mitologia mutante com uma certa criatividade. Nota 6,0.

Nota Final desta Revista: 7,3.

Resenha de O Velho Logan #4 – Panini Comics

Capa da edição que fecha o arco de O Velho Logan nas Guerras Secretas

Nesta quarta edição de O Velho Logan nas Guerras Secretas, a Panini incluiu o capítulo #5 da minissérie americana, Old Man Logan, mas a revista começa com duas historietas retiradas de Secret Wars Too, que de verdade não tem nada a ver com o tom da série principal, o que torna esta HQ… esquisita.

. Volume de Spoilers: praticamente zero.

Vamos lá! Antes de falarmos da história principal, precisamos comentar brevemente as duas histórias que abrem esta revista, ambas extraídas da minissérie americana Secret Wars Too, sendo uma da edição #IV e outra da #VI.

Em “Os Últimos Dias do Demo”, de Kyle Starks e Ramon Villalobos, vemos o que aconteceu com o Demo, um obscuro coadjuvante do Capitão América que brevemente participou dos Vingadores, alguns dias antes do evento da “incursão final” que levou às Guerras Secretas (a colisão das duas Terras remanescentes!). Gosto da arte de estilo alternativo do Villalobos, que combina bem com esta história totalmente despretensiosa e até bem engraçada. Duas curiosidades:o uniforme “clássico” do Demo lembra muito um dos primeiros do Wolverine e, atualmente, esse herói está participando das aventuras do Capitão América Sam Wilson.

Logo depois, em “O Urso Sem Medo” de Ryan Browne – que fez tudo: roteiro, arte e cores – nosso ilustre mutante favorito, porém de uma Terra Alternativa, tem um breve duelo com 3 versões do Ciclope, quando surge… Demoliurso, o Urso Sem Medo! Sim, vocês devem ter entendido do que se trata. Mas, acredite, a HQ fica ainda mais estranha nas páginas seguintes. A proposta é de um humor absurdo, nonsense, que me lembrou alguma coisa entre a MAD e quadrinhos alternativos dos anos 1980. Honestamente? Não gostei, e nem entendi porque a Panini a publicou aqui. Lógico que havia “espaço”, mas será que não havia nada melhor? Nestas situações ainda acho mais interessante repetir uma história antiga, de qualidade, do que preencher com experimentalismos de gosto duvidoso.

Agora sim, entramos na conclusão do arco de O Velho Logan nas Guerras Secretas.

Página Dupla com o Velho Logan em NYC

Brian Bendis despede-se do personagem com uma história calma, sem ação – o que leva a imaginar porque na capa há a chamada “Caçada Mortal!”. Logan está agora em (uma) Nova York e parece não acreditar no que vê. Afinal, de onde vem só há ruínas desta grande metrópole. Os cenários são belamente ilustrados por Andrea Sorrentino, com as ótimas cores de Marcelo Maiolo que, aqui, voltam a casar bem com os intrincados quadros de Andrea, suas chamativas torres corporativas de Manhattan e bons momentos oníricos/telepáticos. O roteiro apresenta poucas situações concretas acontecendo, mas diálogos bem construídos, precisos, talvez a grande marca registrada do autor. Na primeira parte do capítulo, o idoso ex-Wolverine vai ter uma série de reencontros surpreendentes, mas as cenas mais interessantes ficam da metade para frente, inclusive com interligação com o final da saga Guerras Secretas.

Sem dúvida o epílogo cria uma grande oportunidade para a Marvel continuar explorando este Wolverine de um jeito diferente. No geral, esta minissérie começou instigante e repleta de ação e possibilidades, mas logo perdeu o fôlego, mudou de direção e termina de um jeito completamente diferente daquele que poderíamos imaginar. É uma HQ mediana, mas que ao menos faz jus ao estilo de narrativa que causou grande impacto na saga original, de Mark Millar e Steve McNiven.

Interessante construção de Andrea Sorrentino

Fica o aviso que a Panini continuou com esta revista, que virou uma mensal regular, a única surgida durante a Fase Guerras Secretas, e que perdura até hoje, na edição #19, mas, como já mencionado, sem nenhuma ligação com este grande evento Marvel: a edição brasileira passou a publicar, desde a #5, a mensal Old Man Logan escrita por Jeff Lemire e arte variada, mas que inclui também a do italiano Andrea Sorrentino; além de publicar também a mensal All-New All-Different Wolverine, com as histórias da X-23 (Laura Kinney), que assumiu a identidade de Wolverine, escritas por Tom Taylor.

Nota: 6,0.

Resenha de Guerras Secretas #7 – Panini Comics

Todos contra Destino

Sim, o Blog continua com a proposta de resenhar o mega crossover Guerras Secretas na íntegra. Finalmente, com esta edição, avançamos para o ato de encerramento da série central.

. Volume de Spoilers: Pouquíssimos, só para esclarecer os principais pontos da HQ.

Após alguns capítulos tranquilos, nesta sétima parte começa a batalha cataclísmica contra Deus Destino. O grande plano estratégico dos heróis e vilões remanescentes dos universos conhecidos é posto em ação. O melhor é que o leitor não sabia absolutamente nada do que viria. Descobrimos as ações dos desafiantes enquanto lemos, o que é uma ótima forma de criar espanto e prender o leitor.

Do começo ao fim, somos levados a grandes revelações, algumas traições e boas surpresas. Os dois Reed Richards – o clássico, do Universo Regular, e o vilanesco, do Universo Ultimate – transformam o último planeta conhecido em um verdadeiro Battleworld, com generais reunindo suas forças, líderes angariando aliados e até vilões pouco mencionados na série principal ressurgindo plenos, partindo para o tudo ou nada contra os exércitos legalistas do Imperador Supremo.

O roteirista Jonathan Hickman continua seguro com as caracterizações do grande elenco, trazendo uma série de vilões clássicos dos X-Men ao campo de batalha. Cada um desses em algum momento do passado foi responsável por um evento da editora, alguns maiores, outros menores, mas todos deixaram suas marcas na memória de milhares de fãs. Vê-los agora como meros peões de Destino é representativo do poder supremo do vilão número 1 da Marvel e, obviamente, também simboliza a ambição desta história: seria o “evento para acabar com todos os eventos.”

Em seu castelo, Destino acompanha as legiões apreensivo, principalmente depois do alerta de sua filha Valeria Richards. O final do capítulo é brilhante, sem dúvida a cereja do bolo do plano dos Reeds e envolve o cada vez mais popular Pantera Negra.

É exatamente neste ponto que os artistas Esad Ribic e Ive Svorcina brilham, capturando perfeitamente o clima das Terras dos Mortos. As batalhas também ficam épicas com o estilo “pintura a óleo” que a dupla entrega. Ao mesmo tempo que os cenários são desoladores, há emoção emanando dos olhares dos superseres e até mesmo nos titânicos golpes e rajadas, enquanto baixas acumulam-se de ambos os lados. O melhor é que esta foi apenas a primeira parte da batalha final, que certamente vai se desenrolar no capítulo #8 e só concluir, de fato, no #9.

Uma grande galeria de vilões dos X-Men está presente na arte de Ribic e Svorcina

Na história complementar que a Panini sempre encaixa, vemos uma realidade da Inglaterra do Rei James. Lá, a sempre incrível Kate “Gaviã Arqueira” Bishop, ou melhor, Lady Katherine Bishop, decide fazer justiça enfrentando um certo Frank Castle (capturaram a ironia?) com a ajuda de versões de outros Jovens Vingadores. Infelizmente a edição não traz os créditos mas, pesquisando, descobrimos que a curta e interessante HQ é de Prudence Shen  de quem é a primeira vez que ouço falar – com uma bela arte de Ramon Bachs no lápis e Jean François-Beaulieu nas cores.

Nota 8,0.

Resenha de Avante Vingadores #5 – Panini Comics

Capa da Edição #5: Doutora Espectro reencontra Raio Negro

Nova resenha para a edição #5 da atual revista mensal Avante, Vingadores! Melhorou? Piorou? Ficou na mesma? Confira nossa opinião.

. Nível de spoilers: nada com o que se preocupar, a não ser o mínimo para situar cada história.

Esquadrão Supremo #6
Novo arco, com a primeira de uma história em três partes focada na Doutora Espectro. O roteirista da série, James Robinson, recupera um pouquinho dos acontecimentos que apresentaram esta personagem, poucos anos atrás, na fase dos Novos Vingadores de Jonathan Hickman (que está sendo republicada em encadernados pela Panini) e corretamente vai um pouco além, entregando a origem até então secreta da heroína. Ela é a versão alternativa mais recente do Doutor Espectro da década de 1970 que, por sua vez, era um análogo do Lanterna Verde da DC Comics (leia de novo este trecho que acho que dá para entender…). Porém, ao invés de um anel, os Doutores Espectros da Marvel possuem um Prisma do Poder, de origem mística, e não há relatos de que integram uma “tropa”. A personagem tem um pesadelo com Raio Negro, o poderoso líder dos Inumanos que a derrotou em combate no passado recente, quando ela ainda integrava uma superequipe chamada A Grande Sociedade – uma homenagem às duas maiores equipes da DC, a Liga e a Sociedade da Justiça. As imagens de Leonard Kirk são marcantes, embora sem muitos detalhes, com as tradicionais cores vibrantes de Frank Martin. Em seguida, a nova Doutora Espectro parte em uma missão submarina designada pelo seu colega Falcão Noturno. Lá nas profundezas do oceano, “boas” surpresas a aguardam. Temos também pequenos momentos com o próprio Falcão Noturno, que é surpreendido por um personagem que, de fato, precisava aparecer na série. O autor continua recheando as histórias deste Esquadrão com referências a eventos, locais e situações do vasto Universo Marvel. A atual empresa que o Falcão dirige, por exemplo, é a Oracle Inc., cujo proprietário original era o Namor, na intrigante fase de John Byrne dos anos 1990. Tundra ainda não está com a equipe, mas parece inevitável entrar, para ocupar a vaga da fugitiva Princesa do Poder.

Doutora Espectro relembra a derrota de sua equipe para  os poderosos Illuminati

Gosto muito desses aspectos do roteiro, é quase um presente a leitores veteranos. Por outro lado, a abordagem “radical” destes anti-heróis, que continuam matando seus adversários sem pensar duas vezes, traz um incômodo, um constante questionamento dos limites de quem possui muito poder – e essa é, talvez, a premissa central desta equipe, em todas as suas muitas versões ao longo do tempo.
Nota: 7,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #5
Novo arco, mas Greg Pak continua escrevendo as aventuras deste jovem Hulk que, após toda a confusão envolvendo o exército de monstros e a Madame Devassa, com direito a uma luta épica com Fin Fang Foom, oferece agora um desafio diferente, contra uma vilã clássica. Os desenhos são de Michael Choi, outrora um nome “quente”, especialmente em títulos mutantes, mas que, parece, perdeu muito de sua popularidade. Uma curiosidade é que, assim como o próprio Amadeus Cho, Mike Choi é coreano-americano, sendo residente em Los Angeles e casado com a colorista do título, Sonia Oback. Seu estilo, desenvolvido em grande parte na Top Cow! no final dos anos 1990, lembra ainda muito da Image desse período, com quadros grandes, corpos esculturais e assim por diante. Embora muito competente, com ele o título perde grande parte do charme, porque há uma camada de energia adolescente e comédia no lápis de Frank Cho, que Choi simplesmente não atinge. Mas, todos sabem que Frank Cho de fato não costuma ficar por longos períodos em títulos mensais. De qualquer forma, talvez esta história não seja tão bem-humorada quanto a anterior, mas pode ficar interessante graças à chegada de uma poderosíssima heroína. Será que o autor fará sempre team-ups? É um caminho tradicionalmente mais seguro, que permite tanto integrar o novo personagem ao Universo Marvel, como para incentivar fãs dos heróis convidados para arriscar com o novato. Mas, por outro lado, o titular perde chances para “mostrar a que veio”. Edição morna.
Nota: 6,5.

Os Supremos #5
Quem acompanhou, e gostou, das Guerras Secretas de Jonathan Hickman, deve adorar saber que Al Ewing bebe direto dessa fonte e revela mais algumas consequências dessa espetacular saga cósmica. Na continuação do arco que começou na edição anterior, os audaciosos Supremos vão onde nenhum outro herói alcançou e lá encontram mais enigmas do que respostas para o problema do “Tempo Fraturado”. Incapazes de ao menos entender o que encontram nessa área além da realidade conhecida, vão precisar da ajuda de quem menos esperam. Kenneth Rocafort e Dan Brown continuam realizando um trabalho impressionante na arte, dando a grandiosidade necessária às entidades e outros seres absurdamente poderosos que permeiam estas páginas, da primeira à última, que traz simplesmente um dos melhores cliffhangers dos últimos tempos de todos os títulos da Marvel.

Galactus em seu novo papel de Portador da Vida

Impossível não querer ler a próxima edição. É uma pena, mas parece que a série trouxe divisão entre os leitores mais fervorosos da editora: há um grupo que realmente gosta muito, e um outro que não gosta nem um pouco, alegando baixa qualidade nos roteiros de Ewing. Me alinho com o primeiro, porque definitivamente me emociono com os feitos e intenções destes heróis, e com a audácia de seus planos mirabolantes. Não se vê muito disso nos quadrinhos atuais.
Nota: 8,0.

Força-V #6
Nesta segunda parte do arco escrito por Kelly Thompson, a revista mantém o tom da edição anterior, com piadas e situações leves, “femininas” e, vale ressaltar, direcionada para teens. Foco na nova personagem, uma Thor-Cristal (a mutante), diretamente da Tropa Thor do Mundo Bélico das Guerras Secretas. É uma personagem que poderia render mais, porém, aqui, serve apenas para aguçar a curiosidade, dividindo as atenções com a Mulher-Hulk. O desenhista Ben Caldwell tem um traço interessante, muito competente, que combina com a proposta, mas é bem distante do padrão “super heróico”. A arte-final do veterano Scott Hanna e as cores de Ian Herring compõem um bom conjunto. Esta HQ não é para meu gosto, mas é inegável que a arte é caprichada. O desafio atual vem em dose dupla: uma poderosa vilã e sua nova aliada – uma das próprias heroínas da Força-V que foi mentalmente dominada. Enfim, acho que destoa bastante do resto do mix de Avante, Vingadores!, e não deve agradar ao grande público.
Nota: 5,5.

Capitã Marvel #5 
Final do primeiro – e arrastado – arco da nova fase da Capitã Marvel. Michele Fazekas e Tara Butters encerram a trama com algumas revelações e traições, muitos diálogos entre os heróis mas com uma enorme ausência de emoção. A premissa é, como já disse antes, interessante, e particularmente como sou grande fã da Tropa Alfa fiquei curioso e torcia para uma boa série. Além disso, Kris Anka tem um traço bonito, mas se não houver uma mudança muito contundente na qualidade desta série no próximo arco, vai ficar cada vez mais evidente que Carol Danvers ainda não ganhou um título à altura.
Nota: 5,0.

Homem-Formiga #5 e #6
Sem dúvida um dos títulos mais estáveis e de qualidade superior de Avante, Vingadores!, a nova série do Homem-Formiga, estrelada por Scott Lang, o atual detentor da identidade de este que é um dos primeiros super-heróis do Universo Marvel, continua impressionando pelas ideias modernas, sem malabarismos de roteiros, sem ações “épicas” ou recheadas de violência gratuita. Tudo funciona em harmonia: os diálogos, as caracterizações, a arte, o humor na hora certa… Nick Spencer, o criativo roteirista desta série e que também é o atual responsável pelas polêmicas HQs dos Capitães Américas, mostra versatilidade e a segurança de um grande veterano. Scott decide acatar um conselho da Vespa e começa uma sessão de treinamento com o novo Gigante, enquanto o Corretor do Poder decide contra-atacar seus rivais na indústria de TI e lança o “Capanga 2.0”. Ramon Rosanas, o desenhista, consegue capturar com perfeição o evento de lançamento do aplicativo, emulando as sessões de Steve Jobs e outros figurões de San Franscisco. Aliás, há ótimas piadas com o Vale do Silício – trabalhadores e entendedores desse mercado devem curtir.

Scott Lang decide treinar o novo Gigante…. usando cenários Lego!

A segunda história traz todo o foco para Cassie Lang. Angustiada com a descoberta de que seu pai, o próprio Homem-Formiga, estava espionando seus passos a fim de protegê-la, a adolescente toma uma decisão radical, em meio a um flashback de sua história de vida e morte, um reencontro com sua grande amiga Kate Bishop – a Gavião Arqueira – e momentos de seu dia a dia em Miami. A atitude de Cassie pode parecer absurda se a contássemos aqui, mas com a narrativa faz sentido e deixa esta HQ ainda mais interessante pelos fatos que poderão acontecer. A arte desta aventura solo da ex-Jovem Vingadora é da jovem italiana Annapaola Martello e mantém a qualidade de Rosanas.

Nota: 8,5.

Nota Final para esta Edição: 6,8.
Ou seja, foi a edição mais fraquinha até o momento, segundo nossa opinião.