Resenha de Guerras Secretas #7 – Panini Comics

Todos contra Destino

Sim, o Blog continua com a proposta de resenhar o mega crossover Guerras Secretas na íntegra. Finalmente, com esta edição, avançamos para o ato de encerramento da série central.

. Volume de Spoilers: Pouquíssimos, só para esclarecer os principais pontos da HQ.

Após alguns capítulos tranquilos, nesta sétima parte começa a batalha cataclísmica contra Deus Destino. O grande plano estratégico dos heróis e vilões remanescentes dos universos conhecidos é posto em ação. O melhor é que o leitor não sabia absolutamente nada do que viria. Descobrimos as ações dos desafiantes enquanto lemos, o que é uma ótima forma de criar espanto e prender o leitor.

Do começo ao fim, somos levados a grandes revelações, algumas traições e boas surpresas. Os dois Reed Richards – o clássico, do Universo Regular, e o vilanesco, do Universo Ultimate – transformam o último planeta conhecido em um verdadeiro Battleworld, com generais reunindo suas forças, líderes angariando aliados e até vilões pouco mencionados na série principal ressurgindo plenos, partindo para o tudo ou nada contra os exércitos legalistas do Imperador Supremo.

O roteirista Jonathan Hickman continua seguro com as caracterizações do grande elenco, trazendo uma série de vilões clássicos dos X-Men ao campo de batalha. Cada um desses em algum momento do passado foi responsável por um evento da editora, alguns maiores, outros menores, mas todos deixaram suas marcas na memória de milhares de fãs. Vê-los agora como meros peões de Destino é representativo do poder supremo do vilão número 1 da Marvel e, obviamente, também simboliza a ambição desta história: seria o “evento para acabar com todos os eventos.”

Em seu castelo, Destino acompanha as legiões apreensivo, principalmente depois do alerta de sua filha Valeria Richards. O final do capítulo é brilhante, sem dúvida a cereja do bolo do plano dos Reeds e envolve o cada vez mais popular Pantera Negra.

É exatamente neste ponto que os artistas Esad Ribic e Ive Svorcina brilham, capturando perfeitamente o clima das Terras dos Mortos. As batalhas também ficam épicas com o estilo “pintura a óleo” que a dupla entrega. Ao mesmo tempo que os cenários são desoladores, há emoção emanando dos olhares dos superseres e até mesmo nos titânicos golpes e rajadas, enquanto baixas acumulam-se de ambos os lados. O melhor é que esta foi apenas a primeira parte da batalha final, que certamente vai se desenrolar no capítulo #8 e só concluir, de fato, no #9.

Uma grande galeria de vilões dos X-Men está presente na arte de Ribic e Svorcina

Na história complementar que a Panini sempre encaixa, vemos uma realidade da Inglaterra do Rei James. Lá, a sempre incrível Kate “Gaviã Arqueira” Bishop, ou melhor, Lady Katherine Bishop, decide fazer justiça enfrentando um certo Frank Castle (capturaram a ironia?) com a ajuda de versões de outros Jovens Vingadores. Infelizmente a edição não traz os créditos mas, pesquisando, descobrimos que a curta e interessante HQ é de Prudence Shen  de quem é a primeira vez que ouço falar – com uma bela arte de Ramon Bachs no lápis e Jean François-Beaulieu nas cores.

Nota 8,0.

Resenha de Guerras Secretas #6 – Panini Comics

Thanos contra Zumbis

Outro capítulo sem batalhas, com foco no desenvolvimento dos protagonistas e de seus planos e maquinações. Thanos, os dois Reed Richards, os dois Aranhas, Namor e Pantera Negra, alguns Barões e o próprio Destino mexem suas peças e o xadrez das Guerras Secretas avança mais um pouco em direção ao seu inevitável desfecho apocalíptico.

. Volume de Spoilers: Nenhum, só há a menção dos nomes dos principais personagens.

Jonathan Hickman impressiona pela segurança que passa ao leitor: ele sabe exatamente o papel e a voz adequada de cada personagem e delicadamente vai desnudando a intrincada teia de aflições, desejos, dúvidas inquietantes e ideias arrojadas dos heróis e vilões que protagonizam este drama cósmico.

Ao longo da edição, que se passa três semanas depois do Capítulo #5, entendemos o destino da Cabala, a superequipe de Thanos, enquanto os heróis dos universos originais remanescentes continuam livres e totalmente dedicados a encontrar um meio de subjugar Victor Von Doom. É interessante ressaltar que este ponto da megasaga coincide com o desfecho de vários tie-ins, muitos já resenhados aqui no Blog, em que há grupos ou superseres tramando a deposição do Deus Destino. Uma breve declaração do próprio Doom na primeira página contextualiza essa situação. Essa desconexão com a maior parte das minisséries paralelas é consequência do formato editorial que a Panini optou em publicá-las. Como saíram em encadernados, as histórias já estavam completas e perde-se, desse modo, a simultaneidade que essas minisséries tinham com a série principal lá nos EUA.

Mas, retomando a história, outra presença importante é a da notável Valeria Richards, a quem o autor sempre demonstrou grande apreço, começou a despontar na edição anterior e aqui confirma que terá relevância nesta metade final da Saga.

E, por falar na caçula do Quarteto Fantástico, em meio a todas as tramas, o autor ainda consegue explicar a origem desta Susan Richards e os paradeiros do Coisa e Tocha. Em uma palavra: surreal.

A dupla de artistas, Esad Ribic e Ive Svorcina, novamente precisa se desdobrar para deixar interessante um capítulo sem “guerras”, mas repleta de “segredos”. Mas não importa onde surgem os contundentes diálogos; tanto nas situações acanhadas – um laboratório, um jardim, uma cela; como em cenários acachapantes – a Ilha Oculta de Agamotto e o Escudo, Ribic e Svorcina entregam um trabalho superior.

Como de praxe, a Panini inclui uma história curta para encerrar a edição. Desta vez não é tão original, mas não compromete: Matt Benson e a jovem italiana Laura Braga contam o começo de uma nova amizade entre versões do Justiceiro e do Punho de Ferro, trabalhando como guardiões no Escudo.

Nota 9,0.

Resenha de Guerras Secretas #5 – Panini Comics

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Depois da bombástica edição anterior, Jonathan Hickman aproveita a morte de um importante personagem para mover suas peças e, finalmente, explica como Destino conseguiu subjugar os Beyonders.

. Volume de Spoilers: leves.

Para isso, uma figura até então apenas vista de relance ganha inesperadamente os holofotes: o Homem-Molecular. Ele e Destino recebem o maior número de páginas deste capítulo, e é a partir do diálogo entre os dois poderosíssimos seres que o autor junta diversas pontas de suas histórias dos Vingadores e apresenta a origem definitiva do Homem-Molecular. Para este leitor que acompanha a Marvel há tanto tempo, a explicação é convincente e, de certa forma, dá até um alívio saber que ele tem uma função superior no “grande esquema das coisas”.

Além disso, a Fundação Futuro também tem um papel relevante, já que Valéria Richards assume o protagonismo em uma nova frente narrativa ao decidir investigar o assassinato da edição #4. Entre os membros da Fundação, há dois personagens introduzidos por Hickman na série SHIELD – Nostradamus e Tesla. A Marvel publicou uma primeira minissérie em 2009 mas a sequência, iniciada em 2011, até hoje está incompleta nos EUA (o desenhista, Dustin Weaver, já completou a arte e está na fase de colorização neste momento). Como SHIELD permanece inédita no Brasil, vale a observação sobre esses obscuros personagens.

Em uma edição inteira de diálogos, a dupla de artistas Esad Ribic e Ive Svorcina brilha menos. O destaque fica para o olhar do Homem-Molecular, um misto de loucura e astúcia, e as escolhas de cores dominantes para cada ambiente. Uma curiosidade: o prédio onde está o Departamento de Ciência, base da Fundação, é exatamente uma das estruturas presentes no Mundo Bélico das Guerras Secretas de 1984. Naquela história, era o quartel general do Magneto.

Com apenas uma breve menção visual a Thanos e aos heróis remanescentes, e o esclarecimento de praticamente todos os aspectos mais importantes dos fatos que permitiram a Destino virar Deus, este é um capítulo que pausa a narrativa e toma fôlego para o “começo do fim” desta grande saga Marvel.

Completa a edição da Panini uma história curta do Doutor Samson, de Scott Aukerman e do brasileiro RB Silva, e muitas capas variantes, onde destaco a de Pat Broderick, um desenhista com alguma relevância nos anos 80 e 90 – além de longas fases na Legião dos Super-Heróis e Nuclear na DC Comics, cuidou, na Marvel, do Capitão Mar-vell, Tropa Alfa e da revista solo do Doutor Destino no universo alternativo 2099.

Nota 8,0.

Resenha de Guerras Secretas #4 – Panini Comics

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Chegamos na metade da mega saga Marvel da década em uma edição excelente, repleta de acontecimentos importantes e, novamente, com uma arte sublime, talvez próximo do limite em termos de qualidade do que uma HQ de heróis pode alcançar.

. Volume de Spoilers: Zero.

A leitura é rápida porque são tantas revelações, batalhas e desfechos, tudo com diálogos cuidadosamente elaborados e arte impecável, que desejamos devorar as páginas desta saga intrigante.

A cada capítulo, percebemos nuances da trama que o autor, Jonathan Hickman, explora a partir de suas histórias passadas, tanto de sua fase no Quarteto Fantástico e na Fundação Futuro como, claro, nos Vingadores e Novos Vingadores. Aqui ele também abre espaço para o Ciclope da Revolução X de Brian Bendis, imbuído da Força Fênix.

Doutor Estranho é quem conduz a narrativa na primeira metade, quando explica a construção do Mundo Bélico ao grupo de heróis sobreviventes, que inclui Reed Richards. Quando Deus Destino descobre que seu genial inimigo está ali, sua reação é brusca, o tempo parece parar, prendemos o fôlego e aguardamos o desfecho.

Esad Ribic e Ive Svorcina criam cenas memoráveis, em quadros médios e pequenos. A única splash page é a primeira, que mostra exatamente a sequência do final do último capítulo, ou seja: a Tropa Thor enfrentando Thanos e sua Cabala. E, por falar no Titã, há um quadro magistral dele quase no final, que poderia virar um belo pôster.

Com mortes de personagens absurdamente poderosos e com todas as peças-chave no tabuleiro do Mundo Bélico, Guerras Secretas atinge a metade do caminho exigindo atenção de seu leitor sem ser possível antever o que acontecerá a seguir.

A Panini completa sua edição #4 com uma boa e interessante história retirada de Secret Wars Journal 2, apresentando o drama que uma versão do Demolidor passa na corte do Barão Sinistro, escrita por Simon Spurrier e desenhada por Jonathan Marks, além das tradicionais capas variantes.

Nota 9,5.

Resenha de Guerras Secretas #2 – Panini Comics

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Nesta segunda parte da megasaga que redefine o Multiverso Marvel aqui no Brasil, os autores desenvolveram, em 46 páginas, uma série de acontecimentos que começam a elucidar o status quo de diversos personagens que vivem no Mundo Bélico, bem como apresentam a chegada de um grupo de sobreviventes do universo original, tudo de forma arrebatadora e inesquecível.

. Volume de Spoilers: poucos, para contextualizar… leia sem medo.

A capa de Alex Ross (há também uma variante de Simone Biachi) apresenta a Tropa Thor, que tem momentos importantes neste número e, acredito, terá em toda a série.

Jonathan Hickman resgata alguns personagens da Fundação Futuro, aqui como uma espécie de “núcleo científico” a serviço do Deus Imperador Destino, o grande artífice desta nova realidade. Ainda não sabemos exatamente o que aconteceu ao final da edição #1 – apenas pistas são deixadas, mas o incrível roteiro não nos deixa pensar muito a respeito. Sabemos que tudo será devidamente explicado, então o melhor é acompanhar o passeio por alguns dos Reinos do Mundo Bélico, observar como funciona a Justiça de Destino, e ter vislumbres de terríveis realidades do antigo Multiverso Marvel, como A Era de Ultron e os Zumbis Marvel.

O trabalho com os reinos do Capitão Britânia e do Senhor Sinistro, o processo de escolha dos novos Thors, castelos e outros elementos, permitem definir que este Mundo Bélico é, essencialmente, uma realidade medieval, com inúmeros monstros, feras, perigos e feitiçaria. Uma escolha pertinente à persona de Victor Von Doom, acredito.

Além do roteiro e diálogos, a arte de Esad Ribic e Ive Svorcina também é excepcional. A complexa colcha de retalhos deste bizarro planeta parece fazer pleno sentido graças a estes dois enormes talentos. A Tropa Thor e os Capitães Britânias, em especial, chamam a atenção porque cada membro é claramente diferente do outro, seja no semblante, no olhar, nos trejeitos, na postura… simplesmente fantástico. Seu Thanos, embora bem diferente do retratado por Jim Starlim, também é impressionante.

Novamente, capas variantes completam a edição, mas há também um mapa do Mundo Bélico, contendo as localizações de cada Domínio criado pelo Deus Imperador Destino.

Agora em um novo momento, com um roteiro instigante e personagens muito bem trabalhados, além de uma arte incrível, fazem de Guerras Secretas #2 uma edição imperdível e, como qualquer outro leitor e fã, espero que continue com o mesmo nível até sua apoteótica e inevitável conclusão.

Nota: 9,5.

Resenha de Guerras Secretas #1 – Panini Comics

Guerras Secretas 1 - CAPA NORMAL

Guerras Secretas é, provavelmente, a mais ambiciosa megasaga Marvel de todos os tempos. Além do tema da história – que lida com o fim do Multiverso e os dramas vividos pelos sobreviventes no único planeta restante, o grande contingente de personagens envolvidos e a miríade de histórias interconectadas, foi também a partir de Guerras Secretas que a editora, pela primeira vez em seus 76 anos de existência, zerou todos os seus títulos mensais para promover um relançamento pleno, em um Universo Marvel também renovado.

. Volume de Spoilers: poucos, só para contextualizar o início da saga.

É importante ressaltar que, a despeito do que chegou a ser publicado em alguns sites nacionais, como o Universo HQ, a Marvel não promoveu um reboot. Foi sim um reinício, mas sem apagar a cronologia anterior – prática adotada algumas vezes pela DC. Portanto, tudo o que aconteceu até antes deste evento continuou “valendo”, salvo uma ou outra exceção que a própria saga permitiu proporcionar, já que lida com poderes divinos, recriação universal, realidades paralelas, etc.

Por falar em DC, é público e notório que o autor e arquiteto da obra, Jonathan Hickman, procurou homenageá-la, ou pelo menos prestar reverência à sua emblemática primeira megasaga, Crise nas Infinitas Terras, de 1985, sem esquecer, claro, de resgatar temas e elementos-chave da primeira e cultuada Guerras Secretas da Marvel, de 1984 (cujo nome completo original era, na verdade, Marvel Super-Heroes Secret Wars).

Os infinitos universos se desintegrando – quem leu sabe exatamente que é assim que a Crise começa – são o pano de fundo das histórias que o próprio Hickman desenvolveu nos últimos anos no título Novos Vingadores, em que ele coloca os Illuminati (Pantera Negra, Senhor Fantástico, Homem de Ferro, Namor, Fera, Raio Negro e Doutor Estranho), em uma constante tensão e em um cruel dilema moral a cada novo “Evento de Incursão”, que ocasionava a destruição de Terras Paralelas. Nessa série foram apresentados ainda alguns novos personagens presentes nesta HQ, como a vilã Cisne Negro, além de velhos favoritos em novas personas e, claro, o resgate do onipotente Beyonder, o artífice das Guerras de 1984.

Portanto, quem leu Novos Vingadores vai estar mais familiarizado com alguns aspectos da história. Quem acompanhava o Universo Ultimate, também. E os leitores da velha guarda que conhecem bem Crise das Infinitas Terras e a primeira Guerras Secretas, certamente aproveitarão ainda mais, pois é assim a natureza dos universos de heróis, não é mesmo? Quem tem uma maior quilometragem consegue absorver, comparar, relembrar, questionar determinados pontos das novas histórias, que estão sempre citando referências de HQs prévias.

Mas se você não leu, também não deve ter grandes problemas para compreender esta primeira edição. A Panini acertadamente acrescentou logo no começo uma pequena história de 10 páginas da Fundação Futuro, originalmente distribuída pela Marvel no evento comercial Free Comic-Book Day de 2015, que serve como uma boa introdução para a saga.

Assim, quando Guerras Secretas #1 realmente se inicia, o leitor que não acompanha regularmente a Marvel já tem uma boa ideia do que está acontecendo (e um milhão de perguntas também). É importante ter paciência quando há muitos personagens em cena; ou melhor, quando se lê uma saga gigantesca deste tipo.

O texto de Hickman é grandiloquente, apropriado para a história, e o principal protagonista, Doutor Destino, é o primeiro a aparecer, bem ao lado de um outro famoso Doutor, o Estranho, e o poderosíssimo (e relativamente obscuro) Homem-Molecular. Corte para o último “Evento de Incursão” – o choque eminente entre as Terras do Universo Marvel principal e o Universo Ultimate –, que é o fato mais relevante nesta edição, em que vemos detalhes da frenética tentativa dos heróis de ambas as Terras eliminarem suas contrapartes, com direito a um ataque total da SHIELD e do malévolo Reed Richards Ultimate contra dezenas de Vingadores e X-Men. Muita ação e destruição garantidos.

A Cabala, supergrupo de vilões comandado por Thanos, o Quarteto Fantástico e alguns aliados são os demais participantes desta primeira parte que é, basicamente, uma preparação para o verdadeiro cerne da história: a onipotência do Doutor Destino e a complexa vida na colcha de retalhos do Mundo Bélico. Vale ressaltar, contudo, que até o final desta edição esses acontecimentos ainda não se concretizaram. Porém, antes que eu seja acusado de spoilers, na mesma semana que Guerras Secretas #1 chegou nas bancas, também estava lá Guerras Secretas X-Men #1 – A Era do Apocalipse, que já trata desse novo status quo.

Aliás, nesta revista principal mesmo, há um anúncio na quarta capa com o texto “A Terra como a conhecemos não existe mais. Tudo o que resta agora é o Mundo Bélico, composto por fragmentos de mundos arrasados!” Ou seja, a própria Panini já conta um pouco do que acontecerá na edição #2.

Em termos de arte, há pouco a dizer: Esad Ribic no lápis e Ive Svorcina nas cores fazem um trabalho estupendo, como de costume, o que aumenta e muito a qualidade da obra. Cores frias nas ambientações internas e quentes nas batalhas, heróis facilmente identificáveis – até mesmo as contrapartes das duas Terras, e um enquadramento fluido e competente devem proporcionar lindas edições encadernadas futuras. A capa de Alex Ross (há opção de capa variante do Simone Bianchi), já clássica, é também uma bela homenagem à Crise da DC, com as duas terras se colidindo ao fundo e diversos heróis flutuando no espaço.

Guerras Secretas é, sim, em grande medida, a Crise nas Infinitas Terras da Marvel. Claro que a história a partir deste ponto vai caminhar para um roteiro muito diferente. Vale dizer, ainda, que o argumento central da obra – a impossibilidade de lidar com a onipotência – está presente em diversas obras da editora (Desafio Infinito e a Saga de Korvac, por exemplo) mas nunca foi levada às últimas consequências como agora, incluindo o seu limite: a recriação do Universo Marvel. Sabemos que tudo vai continuar em alguns meses mas, como dizem, o que vale é a jornada certo? Vamos acompanhar todas as edições e ver como Doutor Destino, os heróis e vilões remanescentes das duas Terras e os incontáveis outros personagens do Mundo Bélico lidarão com o Fim dos Tempos.

Nota: 8,00.

Lido: Marvel Knights 4 – Jogados aos Lobos

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. Volume de Spoilers: Poucos, só para contextualizar…

Foi uma grata surpresa a chegada deste Encadernado do Quarteto Fantástico. Antes da resenha, contudo, valem duas ressalvas: a primeira é que trata-se de uma republicação e a segunda é que, se você não suporta histórias centradas nestes personagens e com praticamente zero de ação, melhor ignorar este Especial. Isto posto, vamos lá!

No final de 2003, a Marvel anunciava o lançamento de uma revista com o Quarteto Fantástico do Universo Ultimate (escrita pela dupla de peso Brian Bendis e Mark Millar), enquanto no Universo Tradicional, trocava a badalada equipe criativa da revista regular – escrita por Mark Waid e desenhada pelo já falecido Mike Wieringo – pelos novatos Roberto Aguirre-Sacasa e Steve McNiven.

Contudo, como a reação dos fãs foi extremamente negativa, o então Editor-Chefe Joe Quesada voltou atrás (!) e decidiu recontratar a dupla Waid-Wieringo para o título tradicional. A essa altura, no entanto, a “nova-velha” dupla Sacasa-McNiven já havia produzido material e, para não desperdiçar essas histórias e romper o contrato, a editora apostou em uma terceira revista mensal estrelada pelo Quarteto.

Nasceu, assim, a “4” (Four) que, por ter um enfoque diferenciado, distante do atribulado universo regular e suas grandes sagas interligadas, saiu sob o selo Marvel Knights, na época utilizado em títulos com maiores liberdades criativas e histórias fechadas, ou “independentes”.

Sobre esta edição, chamada “Jogados aos Lobos” e que compila as 7 primeiras revistas da série, acompanhamos o Quarteto em uma situação completamente atípica: enganados por um contador inescrupuloso, a equipe se vê, de um dia para o outro, completamente falida. Sem recursos, precisam abandonar o icônico Edifício Baxter e procurar empregos para pagar aluguel, cama e comida!

O autor consegue, ao longo das 4 primeiras histórias, explicar com certa coerência as razões que levaram a esse momento delicado, mas centra foco – acertadamente – nas relações entre os membros da família, desenvolvendo brilhantemente as personalidades de cada herói, especialmente Sue Storm, por sinal belissimamente ilustrada por McNiven. Em seu traço, a Mulher Invisível ganha confiança, jovialidade, elegância e sensualidade (sim, isso tudo!). Além dela, vemos momentos interessantes com todos os membros da “família fundadora” (um dos apelidos da equipe, por ter sido o primeiro título da Era Marvel), em diálogos ponderados e sem excessos. Não há batalhas com super-vilões mas, acredite, eles não fazem a menor falta.

As 3 histórias que fecham o encadernado, contudo, apresentam uma situação que clama por uma atuação mais heróica dos personagens, com inimigos que transitam dentro do habitual da equipe, mas ainda assim de um modo completamente inovador e até cômico.

A leitura desta edição é fluida, agradável, sempre com situações interessantes. A arte é quase sempre muito bonita e, graças ao papel couchê, finalmente ganha o brilho das cores e detalhes que merece, ao contrário da primeira vez em que foi publicada, na finada revista Marvel Apresenta (em 2005).

O título Marvel Knights: 4 teve uma boa duração nos EUA, gerando 30 edições entre abril de 2004 a agosto de 2006, todas escritas por Roberto Aguirre-Sacasa, até então um promissor autor de peças de teatro mas inexperiente com HQs. Pelo trabalho, ganhou um prêmio Harvey por “Melhor Novo Talento”. Posteriormente, ele ainda escreveria uma revista solo do mutante Noturno (inédita no Brasil), várias aventuras do Homem-Aranha e uma adaptação para os quadrinhos dos romances The Stand de Stephen King. Na Televisão, escreveu capítulos e foi co-produtor das séries Glee e Big Love.

Já a carreira do desenhista Steve McNiven deslanchou dentro da Marvel, especialmente depois da clássica saga Guerra Civil (2006-2007). Fez Vingadores, Capitão América, Wolverine e, atualmente, está com os Guardiões da Galáxia.
Fica a expectativa para os próximos volumes. A Panini já programou para este mês a sequência. A maior parte destas HQs ainda são inéditas. Vamos ver se, desta vez, os leitores brasileiros conseguirão ler a íntegra de Marvel Knights: 4.

Nota Final: 8,0.