Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #3 – Panini Comics

Batman Vs KGBesta

Rápida resenha da 3a edição do arco de Scott SnyderJohn Romita Jr. Aqui, como a capa já entrega, Batman enfrenta o repaginado mas sempre perigoso KG Besta.

. Volume de Spoilers: zero, ou quase isso.

Snyder mostra, logo na primeira página, que Bruce Wayne e Harvey Dent tiveram uma certa convivência quando crianças. Como não tenho acompanhado as aventuras do Batman nos títulos mensais dos últimos anos, não sei dizer se isso é novidade ou apenas mais um elemento desse período. Mas ajuda no desenvolvimento da história do presente, onde ambos continuam seu embate mas, desta vez, com a intromissão não esperada do perigoso ex-agente soviético KG Besta, eles precisam decidir se se ajudam brevemente ou não.

A primeira aparição desse vilão é um conto clássico dos anos 80, cuja primeira edição brasileira resenhamos aqui no Blog.

Como não poderia deixar de ser, a Besta é força, precisão e violência em estado bruto. O roteirista acrescenta pequenas descrições nos quadros em que ele usa alguma habilidade ou poder, que achei interessante. Também gostei do novo visual desenvolvido por John Romita Jr., que basicamente atualiza o uniforme, com os mesmos elementos centrais do original. Como sempre, o desenhista entrega um trabalho cinematográfico impressionante, enaltecido pela arte-final de Danny Miki e pelas cores de Dean White que, desta vez, me pareceram um pouco carregadas demais em algumas páginas.

O arco perdeu um pouco da força das edições anteriores, porque ao mesmo tempo que introduziu um elemento do passado de Wayne, e um vilão mais eficaz que os anteriores, não continuou com sub-plot do Comissário Gordon do futuro breve e há algumas reviravoltas forçadas.

Também há um momento daquilo que chamo “demonstração gratuita de mortes violentas” (ou DGMV) da parte de um dos vilões que contrataram o KG Besta. É algo que tem me incomodado bastante nas HQs de heróis, não só porque as mortes nesse esquema são geralmente desnecessárias, mas principalmente porque é um artifício exagerado no roteiro para dar uma ideia de “como o vilão é f@#%, veja que frieza, que poder…” – quando muitas vezes ele ou ela não costuma(va) ser assim, ou seja, também é uma enrolação pura e simples, um desperdício de página. Não chega a estragar, mas é mais um ponto que diminui a qualidade geral da história.

Na já tradicional segunda e curta HQ da revista, estrelada por Duke e escrita por Snyder com arte de Declan ShalveyJordie Bellaire, os autores desenvolvem mais da personalidade do jovem herói, com pouca ação mas com boas cenas do passado e do presente e que continua interessante.

Nota: 7,0.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #2 – Panini Comics

Batman Vs Duas-Caras por John Romita Jr

Retomando a análise do primeiro arco desta nova revista do Batman, com roteiros de Scott Snyder e arte de John Romita Jr. Atualmente, só tenho comprado duas séries mensais do Renascimento DC – esta e a da Mulher-Maravilha, e pretendo continuar.

. Volume de Spoilers: como sempre, tentamos não ser desmancha-prazeres.

Nesta segunda parte do arco “Meu Pior Inimigo”, apropriadamente intitulada “Comboio para o Inferno”, vemos Batman tentando capturar Duas-Caras que, para escapar, contratou vários supervilões, todos dispostos a espancar impiedosamente o nosso herói. A história começa com embates sobre um trem em movimento longe de Gotham City.

Assim como na edição anterior, há alguns inimigos que eu não conhecia, muito provavelmente porque surgiram nos últimos anos, quando parei de acompanhar as HQs do Homem-Morcego. Portanto figuras como o Rei Tubarão e Jane Doe são novidade para mim, o que é um aspecto positivo, de descoberta, ou melhor, de um primeiro contato que pode ser instigante para pesquisar mais sobre tais personagens (o que de fato eu fiz).

Snyder desenvolve outras duas tramas, todas convergindo para o desfecho da aventura: uma, a alguns dias no “futuro”,  com o Comissário Gordon; e outra com um grupo de chefes do crime. Na verdade, a história em si não avança muito… embora seja tão frenética quanto o capítulo anterior e igualmente divertida.

Como de costume, o morcego parece estar sempre um passo a frente mas, desta vez, parece agir próximo do seu limite. De certo modo, entendo que a superação e a destreza sobre-humanas são grande parte do apelo do herói, mas às vezes o exagero pode trazer um efeito contrário. Afinal, como todos sabem, Batman ainda é Bruce Wayne, um homem dotado de vários talentos, mas ainda um homem. Aqui achei que passou um pouquinho do ponto. O melhor desta edição, sem dúvida, é o final, com a chegada de um antigo e sumido (talvez?) adversário.

Alguns dos supervilões do Batman na arte de Romita Jr., Danny Miki e Dean White

No campo artístico, Romita Jr. e Danny Miki mantém o interesse renovado pelo título, porque conseguem produzir sequências de grande impacto visual, embelezadas pelas cores vibrantes de Dean White. Gostei muito do uniforme do vilão surpresa – aquele do final – repaginado mas mantendo a essência do original. Uma dica: foi criado por Jim Starlim no final dos anos 1980 e há uma resenha aqui no Blog de sua primeira aparição.

A segunda história da revista, apesar das 8 páginas, ou talvez por conta disso mesmo, é bem coesa e retoma alguns acontecimentos da origem de Duke, o novo parceiro do Batman. Declan ShalveyJordie Bellaire fazem uma arte elegante, e a HQ continua interessante, com um bom mistério e um desenvolvimento bem-vindo da relação entre o jovem Robin e seu mentor.

Nota 7,5.

Mulher-Maravilha #3 – Panini Comics

Capa Variante com Gal Gadot

Resenha da terceira edição da mensal Mulher-Maravilha do Renascimento DC – sim, eu estou atrasado!

. Volume de spoilers: como de praxe, nunca comento pontos cruciais, só procuro contextualizar a história, citando alguns aspectos.

Com data de Junho/2017, novamente temos duas edições de Wonder Woman nesta revista da Panini, a #4 e a #5, ambas escritas pelo premiado Greg Rucka, sendo que a primeira, ambientada no passado, reconta a origem da Mulher-Maravilha e o seu primeiro encontro com Steve Trevor e o Mundo do Patriarcado, e a segunda, situada no presente, relata mais um capítulo da aventura na selva africana na companhia da Mulher-Leopardo.

Realmente, é notável o cuidado com o desenvolvimento dos detalhes que Rucka traz em todo este arco da origem da Mulher-Maravilha. Da construção da sociedade das amazonas aos seus hábitos, do modo com que encaram a ameaça trazida pela chegada de Trevor e seu avião à reverência aos Deuses… mas, sobretudo, é tocante ver o amor entre Diana e sua mãe, Hyppolita. Há dor genuína no coração da rainha quando o dever as separa. Sobre o roteiro, que flui naturalmente, acompanhamos a difícil decisão das guerreiras sobre o destino do soldado americano sobrevivente, que envolverá a escolha de uma campeã. Ah, e Rucka ainda explica, sutilmente, de onde veio a clássica ideia do “avião invisível” eternamente associado à personagem.

Claro, tudo isso não teria o mesmo impacto sem a arte delicada e que respeita enormemente as personagens de Nicola Scott. Além da beleza clássica que impõe nos corpos e rostos das guerreiras amazonas, destaca-se o esmero com a arquitetura, a decoração, as expressões faciais, bem como com a própria narrativa e a quadrinização. Sem dúvida, é um trabalho impressionante, belo e superior. Romulo Fajardo Jr. novamente entrega cores perfeitas para esta edição impecável.

Splash Page Dupla de Nicola Scott com as amazonas em ação

Contudo, não estou gostando da segunda história, dividida em três frentes narrativas: a primeira mostra Trevor prisioneiro tendo uma conversa recheada de frases de efeito com um warlord pretensamente poderoso, Cadulo; na segunda Diana e a Mulher-Leopardo continuam discutindo a relação enquanto procuram pelo mesmo vilão; finalmente, na terceira narrativa, Etta Candy e Sasha tem um encontro noturno para discutir a perda de contato com o esquadrão de Trevor nas florestas de Bwanda. Essa situação (porque não se falaram por telefone?) parece apenas uma desculpa preguiçosa para o roteirista apresentar uma nova situação misteriosa envolvendo uma dessas mulheres.

Os desenhos de Liam Sharp estão bem menos interessantes do que nas edições anteriores. A sequência da conversa cara a cara de Etta e Sasha, especialmente, é enfadonha e expõe a baixa capacidade do desenhista em produzir páginas de talking heads interessantes. No resto da história, como há pouca ação desta vez (situações em que Sharp se destacou nas revistas #1 e #2), restam algumas poses da Mulher-Maravilha e da Mulher-Leopardo na floresta, e excesso de testosterona no embate entre Cadulo e Trevor. Nem a competente Laura Martin nas cores consegue um resultado agradável, pois há excesso de brilhos e efeitos.

Página interna com a arte de Liam Sharp

Em suma, a edição da Panini faz o correto em publicar as histórias na sequência. Como a publicação original americana é quinzenal, as duas tramas saem intercaladas mesmo. Contudo, a diferença de escopo e qualidade é tão grande que incomoda. Não há previsão de alteração no esquema. Imagino no futuro ler em encadernados a história desenhada por Nicola Scott e agradecer pela experiência. Deste jeito, não fica tão legal. Mas vamos continuar resenhando este título da DC.

Finalmente, destaco mais uma arte do Frank Cho retratando a poderosa Princesa Diana.

A arte de Frank Cho para uma capa variante está no interior desta revista

Nota: 7,5.

Action Comics #2 – Panini Comics

Team-up com a Mulher-Maravilha em Action Comics #2

Resenha da segunda edição brasileira de Action Comics, em que o “novo-velho” Superman continua sua batalha com Apocalypse e, como a capa já entrega, conta com a participação da Princesa Amazona.

. Volume de Spoilers: moderados.

A Panini acrescenta outras duas edições da Action Comics americana, a #959 e a #960, respectivamente os capítulos 3 e 4 deste primeiro arco na Fase Renascimento DC. Já adianto que esta história não termina aqui.

Apocalypse, Superman e Lex Luthor continuam a batalhar no centro de Metrópolis, gerando enorme destruição, enquanto Lois Lane e o pequeno Jon acompanham pela televisão. Lois, obviamente, está apreensiva porque sabe como foi o desfecho da primeira batalha entre eles. Ao mesmo tempo, não quer demonstrar medo para seu filho que, como qualquer criança, está curtindo a batalha.

É uma leitura rápida, ágil, permeada por muita ação. Contudo, alguns momentos do roteiro incomodam, como naqueles em que pessoas se deixam ficar desnecessariamente a perigo, como quando Jimmy Olsen tenta tirar fotos a poucos metros do conflito, bem como o misterioso Clark Kent humano que, mesmo ferido, conversa (!) com Superman nos esgotos, enquanto este confronta Apocalypse. Essa teimosia do repórter, que diz precisar ficar perto da “matéria”, é demasiadamente infantil.

Assim como, na segunda parte, já com a chegada da Mulher-Maravilha, o roteiro cria uma situação extremamente forçada para colocar a família do Homem de Aço em perigo. Os diálogos e cenas de afeto entre Superman e Lois são pouco convincentes, repletos de clichês. De novidade, apenas uma breve aparição daquele estranho ser encapuzado e mais detalhes de como Luthor conseguiu equipar sua armadura.

Dan Jurgens, de fato, apesar de veterano e de ter alguns bons trabalhos no currículo, como as fases do Gladiador Dourado na DC e do Thor na Marvel, faz aqui um trabalho mediano, com um desenvolvimento previsível, tanto nos cliffhangers (há pelo menos 3 deles neste arco com a mesma situação), como nos diálogos e, imagino, na conclusão.

Quanto à arte, quem cuida dos desenhos desta revista é Tyler Kirkham, enquanto as cores ficam com Arif Prianto. Kirkham é bom, mas entrega um trabalho inferior ao do ótimo Patrick Zircher (que cuidou da edição anterior. Seu design de personagens é mais cartunesco, mas não causa uma grande ruptura com Zircher. Sua composição e a narrativa, contudo, não são tão imaginativas. Estranhei, mesmo, o visual da Mulher-Maravilha, que parece extremamente jovem, quase uma adolescente. Também não gostei muito do trabalho de colorização: há excesso de tons na mesma página, com muito brilho.

Arte interna de Tyler Kirkham

Mesmo sem concluir o arco, resolvi parar de acompanhar este título. Há tanta variedade e material com alta qualidade saindo, que é preciso selecionar. Particularmente, acho duas revistas mensais para o Homem de Aço até aceitáveis, mas para mim, que não sou nem tão fã do personagem, nem do roteirista, é demais. Vou continuar, por enquanto, com o título-irmão, Superman, que em breve resenharei o primeiro arco aqui. A propósito, neste caso eu preferiria o modelo anterior, de uma revista mensal com 3 histórias. Havia mais variedade, tanto de histórias quanto de estilos de arte, o que ajudava na motivação da leitura.

Nota 5,5.

Mulher-Maravilha #2 – Panini Comics

Capa de Liam Sharp para MM #2 da fase Renascimento DC

Resenha da segunda edição da Mulher-Maravilha na nova fase Renascimento DC, com a publicação de Wonder Woman #2 e #3, de Greg Rucka.

. Volume de spoilers: mínimos.

Com data de Maio/2017, temos nesta revista da Panini duas edições da mensal solo da personagem, que está saindo quinzenalmente nos EUA. A DC optou por contar neste título duas histórias diferentes, que caminham alternadamente: uma focando na origem da heroína, especialmente seu primeiro encontro com Steve Trevor; e outra no presente, esta sim continuação da Mulher-Maravilha #1, em que ela se depara com um mistério e com a ameaça da Mulher-Leopardo.

O escritor Greg Rucka enfrenta esse desafio de contar ambas histórias em edições alternadas, sendo que a arte do passado fica com Nicola Scott, e a do presente, com Liam Sharp. Em comum, aparentemente, só a presença de Steve Trevor, mas podem acontecer surpresas. Sinceramente, não sei por quanto tempo essa abordagem irá durar, mas inicialmente, funciona.

Gostei muito do começo da “nova origem” de Rucka. É diferente daquela que virou a maior referência até o momento, a de George Perez/Len Wein (da Fase Pós-Crise nas Infinitas Terras de 1986), mas ainda retém sua essência, com  foco nos Deuses Gregos e no modo de vida da época em que eram o auge da civilização ocidental, preservado na Ilha de Themyscira. Vemos uma jovem Diana aprimorando suas habilidades de guerreira, em meio a amizades, amores e estudos, e a adorável relação com sua mãe, a Rainha Hyppolita.

Composição, cuidados com cenários e expressões dos personagens são pontos fortes de Nicola Scott

A comunidade das Amazonas é vibrante e a arte da australiana Nicola Scott é perfeita para o estilo da história. Além de lembrar o mestre Perez, no seu cuidado com o delineamento dos personagens, suas expressões faciais e nos detalhes dos cenários, Scott também traz uma modernidade agradável, capaz de contar uma história relativamente densa em poucos quadrinhos, sempre com boas composições e enquadramentos, que não cansam nem confundem. Impossível ficar alheio.

Há um bom espaço também para retratar como era a vida do jovem militar Trevor e dos acontecimentos que antecederam a missão que o levou à Ilha. No geral, temos uma história extremamente interessante, bem contada e agradável. As cores de Romulo Fajardo Jr são delicadas e enaltecem a suntuosidade da arquitetura Grega, ao mesmo tempo que se encaixam quando precisam retratar a “humanidade” de Steve.

Traço e cores belíssimas de Nicola Scott e Romulo Fajardo Jr

A segunda história é bastante diferente: temos Trevor já envelhecido (quantos anos depois do primeiro encontro com a Amazona?) em uma missão aparentemente suicida à procura de um warlord na África. Na mesma área, Diana encontra a Mulher-Leopardo. Há um grupo de Homens-Hienas (?) à procura delas, talvez fruto de magia negra? Enfim, são especulações, a trama em si não esclarece de imediato, o leitor precisa juntar os pontos aos poucos, mas certamente Trevor e seu alvo terão ligação com a Mulher-Maravilha e as feras que acabou de enfrentar.

Os desenhos de Liam Sharp e as cores de Laura Martin procuram mostrar uma floresta densa e luxuriante, quase mística, e há bons momentos no traço de Sharp, mas também percebe-se suas limitações, tanto anatômicas, na composição e, principalmente, de narrativa.

Esta segunda parte da história no presente está, até o momento, desnecessariamente truncada. Há uma premissa razoavelmente interessante – Diana perdeu a conexão com Themyscira – na relação entre ela e a vilã, que já foram amigas antes da transformação da Leopardo, que troca momentos de fúria com outros de frágil humanidade. Contudo, a missão dos americanos liderados por Steve Trevor é um pouco cansativa e permeada de situações-clichês. Espero que melhore.

Em todo o caso, continuaremos acompanhando este título mensal da Panini, especialmente pela nova origem cuidadosa, com a ótima arte de Scott e Fajardo. Nos extras, algumas capas alternativas belíssimas do Frank Cho.

Uma das Capas alternativas de Frank Cho publicadas no interior

Nota: 8,0.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #1 – Panini Comics

Capa da nova revista de luxo do Batman

A Panini decidiu lançar uma terceira revista regular do Batman na Fase Renascimento DC com um tratamento diferente: capas cartonadas e miolo com um papel couchê mais encorpado e com mais brilho do que o tradicional LWC. A revista custa R$ 9,90, ou seja, o mesmo padrão da minissérie Cavaleiro das Trevas III, também em andamento.

. Volume de Spoilers: nenhum, leia sem medo.

O acabamento de luxo se justifica pela dupla criativa: Scott Snyder no argumento, roteirista premiado e com uma enorme base de fãs do morcego, que cuidou da mensal do personagem durante a Fase Novos 52, e John Romita Jr. nos desenhos, astro das HQs famoso principalmente pelos seus inúmeros trabalhos na Marvel. O título também é visto dos EUA quase como um evento, por isso recebeu o “selo” All-Stars e é um dos campeões de vendas da DC.

A história, chamada “Meu Pior Inimigo” tem algumas particularidades, que a distingue da maioria das tramas do Batman. Uma delas é o cenário: ao invés de se concentrar nas ruas escuras de Gotham City, veremos nosso herói em ação no campo, nas fazendas, lanchonetes de estrada e em pequenas cidades do interior do estado. Outra diferença é que, embora haja um vilão principal, teremos certamente um enorme contingente de vilões adicionais (alguns que já aparecem aqui eu nem conhecia).

O ritmo é frenético, com muita ação seguida de mais ação, lutas violentas e bons diálogos. Snyder altera sua história entre o presente e flashbacks para explicar, ou melhor, a começar explicar, como o morcegão se envolveu com o atual problema. Embora não seja totalmente inovadora, a premissa tem potencial para um grande arco.

Romita Jr. entrega sua habitual habilidade cinematográfica, com traços mais caprichados do que outros trabalhos, certamente por conta da arte-final detalhista de Danny Miki. As primeiras 3 páginas são uma aula de storytelling, com quadros horizontais de mesmo tamanho para o prelúdio e grandes quadros para a explosão de ação na página dupla. O posicionamento de cada personagem e o ângulo de visão escolhido tornam a leitura extremamente agradável e impactante. É incrível como Romita distribui bem o tempo do leitor quadro a quadro. Outro destaque é a última página, que revela o gancho de forma suave, natural, sem apelações.

Página interna, com uma cena típica de badass batman que muitos fãs esperam

As cenas do campo são lindas, com cores vibrantes de Dean White, outro veterano que completa um time de primeira qualidade. Acho que nunca vi uma história do Batman tão ensolarada como esta mas, não se engane: é, também, perturbadora.

Além da primeira parte da história principal, completa a edição uma história curta, de 8 páginas, também escrita por Scott Snyder mas desenhada por Declan Shalvey e com cores de Jordie Bellaire. Esta dupla artística fez recentemente um trabalho excelente com o Cavaleiro da Lua, da Marvel (saíram em encadernados). “A Roda Amaldiçoada” também terá continuação e apresenta um mistério a ser resolvido por Batman e Duke, seu novo parceiro. Apesar de curta, traz densidade e desperta interesse na continuação.

Edição caprichada e com duas histórias envolventes, com arte de primeira do começo ao fim. Belo início para a nova Grandes Astros Batman.

Nota 8,5.

Action Comics #1 – Panini Comics

As duas opções de capas para Action Comics #1

Resenha da primeira edição brasileira de Action Comics, que traz histórias do Superman, parte da iniciativa Renascimento DC.

. Volume de Spoilers: moderados.

Curiosamente, o título que deu início à Era dos Super-Heróis dos quadrinhos, Action Comics, nunca teve sua versão brasileira, nem mesmo com título em português. A Panini finalmente preenche essa lacuna com este lançamento.

Assim como fez com grande parte dos novos títulos regulares da Totalmente Diferente Nova Marvel, a editora decidiu investir em mensais com 100% de material do próprio titular de várias revistas DC. Action Comics é, desde junho de 1938, a casa original do Superman nos EUA. Funcionará aqui no Brasil como título-irmão da outra mensal do personagem, que também já está nas bancas. Assim, pela primeira vez, acredito, teremos duas mensais com histórias novas do Superman e duas do Batman – a própria Batman e Detective Comics.

Esta primeira edição da Action Comics brasileira contém as americanas #957 e #958 – a DC Comics não lançou um one-shot específico para este título – e mostram uma situação inusitada: Lex Luthor da terra dos Novos 52 decide assumir o legado do recém-falecido Superman (para saber mais sobre a morte do Superman dessa realidade, procure o encadernado Fim dos Dias, publicado em março de 2017). Em uma ação orquestrada por uma misteriosa figura, Luthor salva pessoas em frente à polícia e às câmeras de TV.

É aí que o Superman Pós-Crise (aquele da origem recontada por John Byrne em 1986 na sequência de Crise nas Infinitas Terras e que estava sumido desde o começo dos Novos 52, voltando exatamente em Fim dos Dias…ufa! realmente é confuso, camarada!) decide intervir e tirar satisfações com seu arqui-inimigo. Outro personagem relevante “ressurge” no mesmo local (não vamos estragar essa que realmente é intrigante), ao lado de um atônito Jimmy Olsen.

Contudo, a “conversa” entre Superman e Luthor é violentamente interrompida pela aparição de um vilão ultrapoderoso – isto não vai ser spoiler porque está na capa, ok? – que aparentemente também é do universo Pós-Crise. Sim, é mesmo Apocalypse, a monstruosa máquina de destruição que conseguiu matar o herói no clássico A Morte de Superman, de 1992, e que reapareceu algumas outras vezes nestes longos 25 anos.

O veteraníssimo Dan Jurgens, na ativa há três décadas e autor da Morte de Superman, é o roteirista escalado para esta nova fase de Action Comics. Esta publicação, como o próprio nome entrega, sempre procurou trazer histórias com ênfase em ação e aventura, e são as batalhas que, de fato, dominam esta revista.

Jurgens tem muita experiência com estes personagens, mas não traz nada de original. O roteiro é previsível e, salvo a misteriosa figura encapuzada já mencionada, traz um gosto de deja vu, especialmente para os leitores DC das antigas. Sim, sabe-se que a proposta de Renascimento é, em grande parte, retomar os conceitos e personagens clássicos. O problema dessa escolha é que, às vezes, isso é o caminho mais curto para uma história completamente previsível. Afinal, diante de todo o contexto, fica claro que Apocalypse, desta vez, será uma ameaça perfeitamente contornável. É legal ler HQs de heróis repletas de batalhas e revelações, mas o resultado final de Action Comics #1, pelo menos por enquanto, não é muito empolgante.

Splash Page de Patrick Zircher traz um Superman clássico

O que valoriza enormemente a leitura é o excelente Patrick Zircher, desenhista que cuida das duas histórias desta revista. Também veterano, com várias passagens pela DC, Marvel e Valiant, é um daqueles poucos artistas surgidos na era Image (meados dos anos 1990) que efetivamente conseguiu evoluir sua arte – de mera cópia mal-feita de Jim Lee para algo pessoal, poderoso e com uma narrativa muito boa, embora sem riscos. Suas splash pages são bem dosadas e impactantes, os disparos da armadura de Luthor ganham energia, as cenas em família de Lois Lane e seu filho Jon evocam carinho e seu Superman tem, de fato, a aura dos clássicos. Talvez isso basta, por enquanto.

Nota 6,5.