Os Vingadores #2 – Panini Comics (2019)

Avançamos com a leitura do primeiro arco da nova revista dos Vingadores. Confira nossos comentários nesta Resenha praticamente sem spoilers de um dos principais títulos atuais da Marvel/Panini.

Capa da edição #2 de Ed McGuinness

Vale lembrar que este material corresponde à fase batizada em 2018 nos EUA como Fresh Start, que zerou todos os títulos da Marvel Comics e que foi (e ainda é) um grande sucesso de vendas, em parte por ter recuperado alguns personagens nas suas versões mais icônicas.

Alguns desses títulos, como o Imortal Hulk, Venon e Capitão América, também são sucesso com a crítica especializada mas, de verdade, toda fase tem alguns títulos melhores e piores, e a maioria fica mesmo em uma avaliação mediana.

Os Vingadores (The Avengers) escrito por Jason Aaron, um dos mais celebrados nomes dos quadrinhos americanos dos últimos tempos, não figura entre os mais bem avaliados pelos resenhistas norte-americanos, mas também dificilmente leva notas baixas.

Na minha opinião, este primeiro arco começou muito bem na edição #1, mas aqui perde um pouco sua força. Ainda é divertido, mas seu desenvolvimento em termos de roteiro e arte deixa um pouco a desejar.

A nova formação conta com vários pesos-pesados da Marvel. Arte de Paco Medina.

A revista está cumprindo a promessa inicial: revelações sobre os “Vingadores de 1 milhão de anos atrás” ao mesmo tempo em quem uma nova formação dos “Vingadores do presente” é construída, calcada exatamente no retorno da primeira grande ameaça enfrentada pelos seus antepassados heroicos que, diga-se de passagem, não se chamavam Vingadores: era um grupo improvisado de Entidades e Avatares que conseguiram derrotaram um Celestial ferido.

Esta edição #2, lançada em Abril/2019, traz os Capítulos 2 e 3 do arco, chamados: “Ainda Vingando Após Todos Esses Anos” – desenhada por Ed McGuinness com arte-final de Mark Morales e Jay Leisten; e “Aonde Deuses Espaciais Vão Para Morrer” – em que McGuinness alterna com o competente Paco Medina, dono de um estilo semelhante que permite, assim, uma agradável unidade narrativa. As cores de ambos os capítulos são de David Curiel e são muito vivas e impactantes – há quadros que realmente “saltam aos olhos”.

Logo no começo, há uma narração em off, que descreve os acontecimentos para o leitor com muito sarcasmo e ironia: um grupo de Celestiais Malignos surge logo após uma enorme quantidade de outros Celestiais – do tipo mais, digamos, tradicional, terem caído na Terra por buracos dimensionais no céu; os 3 Vingadores mais emblemáticos, Thor, Capitão América e Homem de Ferro novamente reunidos (após os eventos da Guerra Civil II e do Império Secreto), enfrentam esses novos Celestiais; e aos poucos outros heróis também são obrigados a agir: a Mulher-Hulk, Capitã Marvel e o novo Motoqueiro Fantasma, Robbie Reys.

A Mulher-Hulk no modo “Selvagem” enfrenta o novo Motoqueiro Fantasma na arte de Ed McGuinness

Obviamente, o narrador será revelado no final do capítulo e, embora até funcione, eu não gostei muito do resultado dessa abordagem. Acho que Aaron não captou tão bem assim a “voz” desse que é um personagem-chave na história dos Vingadores. Os textos esbarram em clichês e soam pueris.

No capítulo seguinte, descobrimos o nível absurdo de poder dos Celestiais Malignos e todos os heróis finalmente se encontram, inclusive Pantera Negra e Doutor Estranho. Novamente, achei que Aaron escorregou em algumas abordagens, como no excesso de piadinhas forçadas de Stephen Strange. Por um lado, temos uma ameaça colossal e inédita para a equipe, que traz muita seriedade de um Capitão América e de uma Carol Danvers; e de outro temos vários heróis fazendo gracinhas a la Homem-Aranha: Stark, Estranho, Motoqueiro… como o estilo do desenho é também cartunesco, a ameaça perde força, quase parecendo banal.

No geral, gosto da arte de McGuinness pelo seu dinamismo: há algumas cenas muito bem feitas, especialmente de ação, e ele entrega um bom storytelling. Seus Celestiais certamente impressionam, e gostei da sua versão do Capitão, do Thor e principalmente do Motoqueiro Fantasma; já seu Homem de Ferro ficou um pouco esquisito, com a armadura parecendo de brinquedo.

Robbie Reyes, o Motoqueiro Fantasma que na real pilota um Charger!

Medina, o outro desenhista, procura emular ao máximo essas representações. A única que fica um pouco diferente é a Mulher-Hulk, uma personagem que passou por modificações recentes em seu status quo e agora tem uma atitude similar à do Hulk (Banner) clássico selvagem, pouco racional e disposta a esmagar tudo primeiro e perguntar depois. Não é, definitivamente, o meu retrato preferido da Jenniffer Walters.

O final deste capítulo traz alguns bons momentos, que fazem a história avançar, como Thor tomando a súbita decisão de levar a Mulher-Hulk com ele para ter uma conversinha com Odin; e Doutor Estranho e Homem de Ferro partirem atrás dos Eternos, chamados por Stark de “os especialistas” em Celestiais. Os diálogos também melhoram, mais adequados ao espírito da equipe e do perigo aparentemente sem solução que enfrentam.

Apesar das críticas, o nível da ameaça representado pelos Celestiais Malignos, chamados de A Expedição Final (leitores dos Eternos de Jack Kirby curtirão a referência!) e as (poucas) revelações adicionam interesse em acompanhar o desfecho. Em breve, volto com as resenhas das edições #3 e #4, onde este arco se conclui.

Nota: 6,0.

Resenha de Guerras Secretas Vingadores #3 – Panini Comics

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A terceira edição do título Vingadores na fase Guerras Secretas da Panini traz na íntegra a minissérie Thors, escrita por Jason Aaron e desenhada por Chris Sprouse.

Volume de Spoilers: moderados, mas sem entregar pontos-chave.

Os leitores mais antigos da Marvel sabem que, neste caso, a editora não selecionou um evento anterior para produzir uma continuação ou uma versão para o cenário do Mundo Bélico. Thors é completamente original no conceito e está firmemente inserida nas Guerras Secretas. Portanto, vale o aviso: lê-la sem acompanhar a megasaga vai trazer algumas dificuldades.

A história tem como protagonista o Thor Supremo (do universo Ultimate), que é um dos investigadores da corporação policial que vigia os reinos do Mundo Bélico a mando de Deus Destino, batizada de Tropa Thor. Ele e seu parceiro, Bill Raio Beta, estão diante de um crime misterioso envolvendo mulheres e, aparentemente, sem nenhuma pista ou suspeitos. Sim, o começo é cliché mas, claro, tudo fica diferente quando os policiais são deuses guerreiros superpoderosos!

Outras versões de Thors importantes da mitologia Marvel aparecem, como o “das Runas”, o “Sapo”, o “Caolho do Futuro” (criado recentemente pelo próprio Jason Aaron) e o da realidade principal, agora mais conhecido como “Odinson”. O leitor também terá a oportunidade de ver algumas curiosas versões inéditas, como um “Thor Groot” e um “Thor Lobo”. Eles e outros trazem diversidade e graça para a Tropa Thor, que não mede esforços para punir crimes ou buscar vingança, seja com gangues de Motoqueiros Fantasmas, dúzias de Hulks, Ultrons e Zumbis.

Os primeiros dois capítulos são muito bons, instigantes e com um excelente ritmo, mas a trama perde o fôlego nas duas partes finais. A solução encontrada pelo autor é até válida, mas impossível também não achá-la simplesmente preguiçosa.

Aaron, que desde a fase Marvel Now abraçou com vigor o título central do Thor, criando arcos poderosos e com uma qualidade média invejável – alçando-o ao primeiro time dos grandes roteiristas da história do personagem, continua muito à vontade com portadores de martelos mágicos em geral, especialmente nas falas e atitudes dos trovejantes. Há uma ótima cena de interrogação entre um dos membros da Tropa e um suspeito e a cerimônia de um funeral também é digna de nota mas, como já dissemos, os bons e mais criativos momentos concentram-se no começo da história. Uma pena que faltou algo realmente diferente para encerrar a trama.

O talentoso Chris Sprouse fez poucos trabalhos para a Marvel, mas é veterano da DC e premiado com dois Eisner pelo seu Tom Strong, em parceria com Alan Moore e editada originalmente pela America´s Best Comics na virada dos anos 2000 (essa série está atualmente sendo publicada na íntegra pela Panini).

Suas representações dos personagens conhecidos são fiéis aos originais, e os novos, bem realizadas e interessantes. Sua narrativa gráfica é tradicional, correta, sem arroubos, e trazem poucas splash pages, mas quando surgem são sempre impressionantes. A arte-final de Karl Story é limpa, sem exageros, e as cores do sempre competente Marte Gracia realmente fazem a arte brilhar nos momentos certos.

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A excelente equipe criativa, porém, não consegue entregar uma história plenamente inesquecível. É bem produzida e tem um começo promissor, mas a solução dos crimes e, sobretudo, o final (?!) anti-climático deixam a desejar. No mais, gostaria de ver novamente Sprouse experimentando com outros personagens Marvel.

Completa a edição da Panini uma divertida e frenética aventura de Misty Knight, em parceria com o sumido Paladino, no reino de Killville, em que enfrentam versões da galeria de vilões do Homem-Aranha, com texto de Kevin Maurer e ótimos desenhos de Cory Smith e cores de Jesus Aburtov.

 Nota 7,0.