Resenha de Avante Vingadores #2 – Panini Comics

A cabeça de Namor nos braços de Hypérion na interpretação de Alex Ross

Nova resenha desta mensal do tipo mix da Panini com a divisiva Fase Totalmente Diferente Nova Marvel. Embora a revista já tenha completado um ano, decidi resenhá-la desde o começo não só pelo “registro histórico” mas porque acho interessante analisar títulos diversificados e com personagens menos populares do Universo Marvel.

. Nível de spoilers: leves.

Esquadrão Supremo #2
Após a inesquecível estréia na edição anterior, James Robinson mostra um pouco da reação da mídia e da população frente ao novo supergrupo e suas atitudes radicais, mas traz, principalmente, momentos solo para cada membro do Esquadrão. Curiosamente, a primeira personagem a aparecer é Tundra, que não pertence à equipe, mas está à sua procura. Em seguida, um ótimo momento de ação com o Falcão Noturno que, ao investigar uma pista deixada pelos Skrulls, enfrenta um alienígena de uma espécie associada ao saudoso Quarteto Futuro (Power Pack). Hypérion tem uma conversa em um restaurante de estrada que lhe vai dar uma nova motivação em sua jornada por esta Terra. Vale chamar a atenção que esse ponto da história gerou uma minissérie solo do personagem que não foi publicada no Brasil. A Princesa do Poder – versão Marvel da Mulher-Maravilha – tem uma cena curta e reveladora de sua verdadeira natureza que certamente terá outros desdobramentos, enquanto que na Base Submarina do Esquadrão descobrimos que a Doutora Espectro, apesar da vingança já obtida na edição anterior, tem outras inquietações. Seu colega Vulto, ao contrário, parece estar curtindo sua estadia nesta Terra. Novamente, temos uma HQ com ritmo ágil, mas desta vez com foco no desenvolvimento dos personagens, e não em batalhas que, a julgar pelo cliffhanger, ficam para o próximo capítulo. O desenhista Leonard Kirk, o arte-finalista Paul Neary e o colorista Frank Martin formam um competente trio artístico. Apesar da “pausa” na ação, o arco continua interessante graças ao bom trabalho com estes ainda misteriosos personagens e pela promessa de muitas revelações e mais violência e ação desenfreada. Depois do brutal assassinato do anti-herói Namor na edição #1, certamente Falcão Noturno e sua poderosa equipe esperavam retaliações.
Nota: 7,5.

Capitã Marvel #2 
Segunda parte do arco “A Ascenção da Tropa Alfa”, que apresenta Carol Danvers como comandante de uma estação espacial repleta de colaboradores aliens, cientistas, soldados e, claro, liderando a Tropa Alfa, agora a primeira linha de defesa da Terra. As roteiristas Michele Fazekas e Tara Butters criam diversas situações para apresentar melhor cada personagem, tentando situar os leitores mais jovens, incluindo pequenos mistérios e ameaças, mas nem sempre funciona para os mais velhos. Como grande fã da equipe canadense, devo dizer que, talvez com exceção do Pigmeu, os demais heróis estão com representações distantes de suas personalidades. Há muitas piadinhas e, a julgar pelo elenco de suporte, as autoras aparentemente abraçaram com força a “política de diversidade” desta era da Marvel. O problema, claro, não está na (necessária) representação das minorias, mas sim na falta de situações divertidas, instigantes ou tensas, em diálogos inteligentes, na construção de personagens interessantes… isso tudo, ao menos por enquanto, não aconteceu nesta história que continua morna, apesar da arte agradável de Kris Anka no lápis e de Matthew Wilson nas cores.
Nota: 5,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #2
Eu realmente gosto da arte limpa, cheia de curvas e extremamente dinâmica do Frank Cho, perfeita para este jovem protagonista e seus adversários monstruosos. A dupla de heróis convidados, Mulher-Hulk e Homem-Aranha (Miles Morales), também são muito bem retratados na arte e no roteiro, que apresenta ainda a nova vilã (?) Madame Devassa, a Rainha Monstro do planeta de Seknarf Nove (!) que ganha bastante espaço neste capítulo, expondo inclusive suas motivações. Aliás, outra personagem criada por Greg Pak, que também tem a alcunha Madame, a Curie Cho, ganha bons momentos ao tentar “por na linha” seu impetuoso irmão Amadeus, nada mais nada menos do que o Incrivelmente Sensacional Hulk do título. Novamente, o roteiro entrecorta a história principal com momentos do passado recente pós Guerras Secretas, onde Pak está expondo, aos poucos, como Amadeus conseguiu seus poderes e o que aconteceu, afinal, com Bruce Banner. Como já havia comentado na resenha da edição #1, esta série leve e bem-humorada é o oposto da maior parte das fases do Hulk clássico, que estava sempre sofrendo e procurando deixar seu alter ego sob controle ou até mesmo extingui-lo. Uma observação lateral: esta HQ traz, assim como na da Capitã Marvel, um elenco extremamente diversificado mas, a seu favor, a história flui naturalmente e os personagens estão tão bem caracterizados que o “fator diversidade” não se torna “o ponto” da revista. O resultado é uma diversão descompromissada.
Nota: 7,5.

Os Supremos #2
Uau! Esta segunda parte fecha um pequeno e, diria ainda, inesquecível arco desta nova e verdadeiramente poderosa equipe. Decididos a “resolver problemas”, Pantera Negra, Capitã Marvel, Espectro, Marvel Azul e Miss América começam, parafraseando a própria HQ, “com o impossível”: Galactus e sua fome inextinguível. Al Ewing mira alto e chacoalha a tradição, criando um capítulo completamente diferente para o Devorador de Mundos da forma mais coerente possível: a partir do trabalho dos pais fundadores, Stan Lee e Jack Kirby, preenchendo inteligentemente as lacunas da cronologia e utilizando seu elenco de heróis em todo seu potencial. T’challa é, de certa forma, o destaque para a narrativa, quem tem o “plano” que, conforme o executa, faz com quem o leitor acompanhe seu desenrolar de forma linear (algo raro nos comics hoje em dia. O resultado é chocante, realizado com velocidade e ao mesmo tempo com elegância.

Galactus tem uma conversa com T’challa

Kenneth Rocafort e Dan Brown também apresentam um trabalho impecável, com uma quadrinização arrojada, “cósmica” e vibrante. Ewing e equipe demonstram um profundo respeito com a mitologia Marvel mas não se intimidam em acrescentar inovações radicais e também camadas sutis. Por exemplo: Galactus e o Quarteto Fantástico compartilham agora um detalhe fundamental em suas origens, relativo a um dos grandes mistérios do Universo Marvel: o Poder Cósmico. Impressionante! Ah, e adorei a homenagem ao incrível Giorgio Moroder.
Nota: 10.

Força-V #2 
Após a reintrodução da curiosa e “fofinha” Singularidade, personagem criada nas últimas Guerras Secretas e usada aqui como catalisadora da união das heroínas Mulher-Hulk, Medusa, Capitã Marvel, Cristal e Nico (dos Fugitivos), a roteirista e criadora do conceito Força-V, G. Willow Wilson, agora em parceria com Kelly Thompson, faz um trabalho simplório, diria até preguiçoso, ao trazer com a nova personagem uma espécie de “versão maligna interdimensional” que, lógico, vai ameaçar a Terra. Ninguém parece querer justificar porquê tal ameaça não deveria ser rechaçada por uma das equipes dos Vingadores, ou pelo Esquadrão Supremo, ou Inumanos, ou pelos Supremos (já que Carol Danvers também está por lá…). A minissérie no Mundo Bélico teve uma ótima repercussão entre os leitores, que justificava a decisão da Marvel em lançar sua sequência, mas ao menos este primeiro arco não empolga. Jorge Molina tem um bom traço mas aqui o destaque na arte fica por conta das cores da sempre competente Laura Martin.  As caracterizações das personagens causam alguma estranheza, desde as faíscas forçadas entre a Mulher-Hulk e Medusa, passando pela Cristal quase histérica. Mas são pequenos detalhes que mais me incomodaram, como quando um soldado Inumano é literalmente fritado pelo inimigo e nenhuma das super heroínas parece se importar dois quadrinhos depois… pior, na página seguinte já estão fazendo gracinhas novamente. Assim não, né?
Nota: 4,5.

Homem-Formiga #1 e #2
Estreia do segundo volume da mensal do Scott Lang em suas aventuras em Miami, agora 8 meses depois da cataclísmica Guerras Secretas. Nick Spencer continua nos roteiros, o que é ótimo, porque o autor acertou perfeitamente o tom das histórias deste Homem-Formiga que, apesar de não ter sido o primeiro, certamente é o que está há mais tempo no “cargo” e pode até ser considerado, a esta altura, “o Homem-Formiga que vale”. Temos vários retornos: Urso e a I.A. Mecanus, dois ex-vilões reformados (será?) que agora são funcionários da empresa de segurança de Lang, Darren Cross, preocupado com seu tom de pele, Cassie Lang, claro, e há também algumas introduções, com destaque para o Corretor de Poder, que parece uma boa aquisição vilanesca para a série, no mais novamente repleta de humor, reviravoltas, non-sense e ótimos diálogos e caracterizações. Mas, é o retorno da ex-namorada de Scott, a sub-celebridade Darla Deering, com direito a seu anel de transformação em “Mulher-Coisa” e tudo, que me trouxe um sorriso no rosto. Criada por Matt Fraction na sua fase com a Fundação Futuro, estava sumida há alguns anos, e confesso que a achava perfeita para nosso herói. Ramon Rosanas volta também nos desenhos, de quem sou fã de seu estilo clean e moderno, com traços cuidadosos no delineamento dos personagens, trazendo expressões faciais muito sutis, que traduzem bem os sentimentos. Cores pastéis de Jordan Boyd completam uma das melhores séries contínuas desta fase da editora.
Nota: 8,0.

Capa de Mark Brooks para o novo volume do Homem-Formiga

Nota Final para esta Edição: 7,2.

Resenha de Avante Vingadores #1 – Panini Comics

Arte de Alex Ross para o Esquadrão Supremo

Decidimos acompanhar outro título mensal que, assim como X-Men, é do tipo mix da Panini. Contudo, Avante, Vingadores! é bem maior, com mais do que o dobro de páginas e, ao contrário da revista dos mutantes, esta aqui, apesar do nome, não traz histórias dos Vingadores, mas sim de outros supergrupos e também histórias solo de heróis diversificados, ex-Vingadores ou não. É, em geral, uma revista com altos e baixos, mas com alguns temas muito interessantes e até relevantes para quem quer acompanhar o desenrolar do Universo Marvel.

. Nível de spoilers: praticamente zero.

Nota: neste momento, a edição 11, de outubro de 2017, acabou de chegar às bancas em São Paulo. Vamos acelerar nas resenhas para não ficar tão distante com o que está saindo atualmente.

Esquadrão Supremo #1
Estréia impactante e memorável da nova formação do Esquadrão Supremo. Assim como em outras versões, esta é poderosíssima, e também calculista, audaciosa e implacável com seus adversários. James Robinson – o veterano e premiado autor eternamente associado a uma fase inesquecível do Starman, da DC Comics – não perde tempo e faz o Esquadrão mostrar a que veio, primeiro contra Superskrulls, e depois contra Namor e os Atlantes. Os 5 membros são todos sobreviventes de outras Terras, destruídas durante os eventos das “incursões”, mostradas na fase dos Vingadores de Hickman e, claro, em Guerras Secretas: Hypérion, Doutora Espectro, Princesa do Poder e Vulto são liderados pelo Falcão Noturno da versão Max (cujas histórias saíram na revista Marvel Max, no começo dos anos 2000). O leitor que comprou Avante, porém, e que não acompanhou a megassaga não precisa se preocupar porque dá para entender tudo isso, que é bem explicado em uma história curta de introdução. O desenhista americano Leonard Kirk acerta no ritmo e na composição ágil, auxiliado pelo veteraníssimo e sempre competente arte-finalista inglês Paul Neary. Muitas batalhas, splash pages e personagens overpower fazendo feitos absurdos. Apesar de toda a ação, é uma revista essencialmente politizada, porque incita o debate sobre justiçamento, guerra preventiva, capitalismo, refugiados… Falcão Noturno claramente tem um grande e audacioso plano, e seus colegas tem o poder para realizá-lo. Fantástico!
Nota: 9,0.

Capitã Marvel #1 
Mais um reinício para Carol Danvers, desta vez sob o comando de Michele Fazekas e Tara Butters, roteiristas da TV e novatas nos quadrinhos, que a colocam no comando da Tropa Alfa em uma estação espacial responsável pela proteção da Terra. Sim, é um conceito completamente diferente para a velha equipe canadense, mas não inédito na Marvel. A agência SWORD fazia esse mesmo papel na era pré-Guerras Secretas, comandada por Abigail Brand que, não por acaso, também está neste título, dividindo as funções de liderança do vasto contingente de soldados, pesquisadores, alienígenas e heróis da estação com a própria Capitã Marvel. Parece que nossa heroína tem um novo namorado e somos apresentados ao elenco de apoio, com algumas gracinhas e um pequeno mistério no final. É um começo bem morno. Até a arte de Kris Anka não consegue ganhar relevância, embora as cores de Matthew Wilson tragam uma bem-vinda leveza e modernidade. Entre os membros da Tropa Alfa, Pigmeu acertadamente ganha destaque. É uma HQ simpática, há bastante coisa acontecendo, mas nada muito interessante.
Nota: 6,0.

Incrivelmente Sensacional Hulk #1
Primeira aparição do novo Hulk – agora o jovem alto astral Amadeus Cho – , escrita pelo seu criador, Greg Pak, e desenhada por outro Cho, o às vezes polêmico Frank. Esta é uma revista com foco em um personagem-legado muito diferente da versão clássica. Apesar de ambos serem gênios, Amadeus é muito mais jovem e, mesmo tendo em seu passado sua própria dose de tragédia, ele transpira otimismo e confiança, resultando em uma abordagem totalmente heroica com seu poderoso alter ego. Além da história principal, centrada no “presente”, ou seja, 8 meses depois do final das Guerras Secretas, Pak dá a primeira pista do que aconteceu com Bruce Banner e como Amadeus ganhou os poderes do titã verde nesse meio tempo, o que certamente será desenvolvido aos poucos. O autor apresenta a líder de campo das ações do novo Hulk, nada mais nada menos do que sua esperta irmã, Madame Curie Cho, e traz diversas aparições especiais, todas bem caracterizadas e úteis no desenrolar da história. Frank Cho capricha como sempre, tanto nas figuras humanas e heróicas, quanto nos monstros que, aliás, são a ameaça da vez. Apesar de muitos fãs do Hulk clássico torcerem o nariz, esta não foi a primeira, nem a segunda, e nem será a última vez que a Marvel substituirá o Hulk original. Além disso, a transformação de Amadeus é aceitável, afinal o jovem coreano-americano está participando há mais de uma década do universo do Hulk. De quebra, uma nova e impactante personagem é introduzida nas páginas finais. Estreia interessante, leve, bem-humorada, cheia de ação, com bela arte e com potencial de histórias diferentes. Para quem procura um Hulk em conflito, sofrendo e promovendo muita destruição, melhor ler as séries clássicas. Pessoalmente, gosto de mudanças de vez em quando e considero Amadeus Cho um dos melhores novos personagens da Marvel dos últimos tempos, e aqui certamente será trabalhado com muito carinho pelo seu criador.
Nota: 8,0.

Frank Cho adora desenhar monstros e mulheres

Os Supremos #1
Nova superequipe com uma mistura interessante e inusitada de personagens antigos e novos: Pantera Negra, Capitã Marvel, Espectro, Marvel Azul e Miss América. O nome Supremos pode enganar os que conheceram a memorável versão dos Vingadores do extinto Universo Ultimate, mas pelo menos seu quartel-general, o Triskelion, está presente. O talentoso Al Ewing parece disposto a arriscar, e entrega uma história de apresentação recheada em superciência, dimensões paralelas, poderes cósmicos e uma intrigante proposta da equipe para o Devorador de Mundos. Kenneth Rocafort também assume um estilo mais arrojado e, com o auxílio da miríade de cores de Dan Brown, entrega talvez seu trabalho mais impressionante. Lembra o cosmo colorido dos filmes Guardiões da Galáxia e Thor Ragnarok. Para quem gosta de viagens astrais, seres superpoderosos, um elenco fascinante e uma equipe criativa tão ambiciosa quanto seus personagens, parece que Os Supremos vai deixar sua marca. Ah, sim, o Secretário-Geral da ONU faz uma curiosa participação.
Nota: 8,5.

Força-V #1 
Esta é uma série mensal com a superequipe composta somente por heroínas que foram introduzidas pela Marvel no Mundo Bélico das Guerras Secretas. O problema é que, naquela minissérie, Mulher-Hulk, Medusa & Cia. residiam em um Domínio onde já eram as líderes e protetoras de seu povo. Agora, na Terra Marvel remanescente, a criadora do conceito e também roteirista desta edição, G. Willow Wilson, precisa desenvolver uma solução para justificar a união das “nossas” Mulher-Hulk, Medusa, Capitã Marvel (olha a Carol Danvers aqui de novo!) e demais participantes. Parece um pouco difícil, visto que cada super heroína tem sua própria agenda, então a premissa apresentada aqui – a chegada de uma personagem em nosso universo – embora óbvia seja no fundo inevitável. A Panini acrescenta uma HQ curta de introdução, desenhada por Victor Ibanez, mas a edição #1 de A-Force conta com a bela arte de Jorge Molina, também o responsável pela minissérie da equipe nas Guerras Secretas. História um tanto rápida demais, com a nova personagem sendo capturada pela Tropa Alfa e logo causando problemas. Como os heróis Marvel em geral desconhecem o que aconteceu durante o evento, cria-se um certo conflito com a chegada da outrora aliada, mas não há muito o que dizer desta re-estreia, a não ser esperar sua continuação na edição seguinte.
Nota: 5,0.


Nota Final para esta Edição: 7,3.


Comentário Final:

Edição com 5 estreias, sendo três HQs de equipes e duas com heróis solo. Arte e cores de ótimo nível, com um conjunto interessante, super diversificado de personagens, embora sem ícones. Os roteiros em geral entregam a promessa da fase Totalmente Diferente Nova Marvel. É preciso, portanto, ter (ou adotar) uma certa “mente aberta” para curtir a revista. Entre os quadrinistas, destaco a presença de dois roteiristas consagrados: James Robinson e Greg Pak, um desenhista-estrela, Frank Cho, e uma jovem e audaciosa dupla, Al Ewing e Keneth Rocafort.
Finalmente, chamo a atenção para a arte estampada na quarta capa: um impressionante e poderoso Galactus de Arthur Adams. A imagem faz jus ao personagem e, ao mesmo tempo que exala design de Jack Kirby, é moderna e autêntica.

Este Galactus merece virar pôster!

Resenha de Guerras Secretas Guardiões da Galáxia #3 – Panini Comics

A capa faz uma homenagem à saga original, mas com os Guardiões como protagonistas

Quando a Saga de Korvac original foi publicada, ainda não era comum para a Marvel ou para a DC desenvolverem grandes eventos no modelo de crossover, isto é, com uma história principal e diversas outras interligadas, envolvendo múltiplos títulos de vários personagens.

Pelo contrário, a história idealizada por Jim Shooter com uma pegada cósmica foi criada para a revista mensal dos Vingadores no final dos anos 1970 (Avengers Vol.1 #167-168 e 170-177). Na época, a superequipe não era tão popular e só tinha uma revista. Portanto, esta era para ser uma história “comum”, um team-up com os Guardiões da Galáxia originais (aqueles do século XXX), mas conforme os meses avançavam e, graças ao seu final inesperadamente chocante, entrou para o rol de maiores histórias dos Vingadores de todos os tempos. Inclusive figura na minha lista de maiores clássicos da Marvel.

. Volume de Spoilers: moderados, mas sem entregar os principais momentos.

Para esta nova abordagem, uma interessante releitura da original, os protagonistas são os mesmos Guardiões da Galáxia do futuro, acrescidos apenas de Geena Drake, uma nova personagem criada poucos meses antes das Guerras Secretas, enquanto uma equipe alternativa de Vingadores são os coadjuvantes. Alternativa, porque nunca vimos essa formação: Hércules, Serpente da Lua, Pantera Negra, Visão, Viúva Negra, Jaqueta Amarela e Jocasta, liderados pelo Capitão Mar-vell. Todos em sua gloriosa e icônica versão da década de 70.

A equipe dos Guardiões cuida da segurança do Domínio de Forest Hills, cujo Barão é… Michael Korvac. Já os Vingadores patrulham o Domínio vizinho, Holly Wood, onde o Barão é, curiosamente, Simon Williams. Talvez este seja um easter egg, porque Williams, mais conhecido no Brasil pelo codinome Magnum, teve uma carreira paralela como ator de cinema – nunca bem sucedida -, e agora ele “domina” Hollywood.

A história começa com a tentativa de um acordo entre os dois Domínios, cujos Barões estão aparentemente dispostos a esquecer certas diferenças do passado e trabalharem em conjunto, inclusive com as duas superequipes cooperando na segurança. Nesse meio tempo, os Guardiões estão investigando um mistério envolvendo cidadãos comuns que são acometidos por uma “loucura” envolvendo estrelas e um universo anterior… para então se transformarem em criaturas superpoderosas.

O roteirista é o veterano Dan Abnett, especialista em aventuras cósmicas e principal responsável pelas últimas séries do grupo, tanto as da equipe futurista quanto a do presente. Dividida em 4 partes, o autor cria uma história instigante, com todos os elementos principais da aventura original, mas ao mesmo tempo com muita criatividade e dando mais espaço para Michael Korvac e sua amada, Carina. Acredito que leitores novos, ou que desconheçam a história original, deverão gostar das reviravoltas e das batalhas épicas. Mas, para os leitores veteranos há um pequeno deleite extra: ter uma nova chance de ver estes Vingadores interagindo com estes Guardiões, porque são todos personagens em suas versões clássicas. Serpente da Lua fazendo um mapeamento mental, Capitão Mar-vell em ação, Águia Estelar misterioso… enfim, há pequenos momentos assim que são presentes para os fãs. Além disso, os costumes, cenários e roupas sugerem que a trama se passa mesmo no final dos anos 70.

A história está fortemente inserida no ambiente das Guerras Secretas, e o roteirista explora inteligentemente isso. Destino e os Thors são uma sombra constante e influenciam as decisões dos personagens, e a forma como Abnett envolve a consciência cósmica de Korvac com a saga principal é exatamente aquela que um leitor exigente poderia esperar. O final – tão contundente quanto a história clássica, é muito bem amarrado e, novamente, rende uma bela homenagem à saga original e aos próprios Guardiões.

Os Guardiões no traço cartoon de Schmidt

A arte ficou por conta de Otto Schmidt, que tem um estilo cartunesco, que não é o meu favorito, mas certamente ele é muito competente na quadrinização, nas versões de todos os clássicos heróis e na fluidez narrativa. Mas, talvez, sofra uma certa inconsistência ao longo da minissérie. Contudo, é opção estilística do artista e, como leitores, podemos apreciar sua arte ou não. Embora para uma história com escopo grandioso, cósmico e dramático como este eu preferiria outros estilos, tal opção soaria cômoda e familiar, algo que já teria visto antes (inúmeras vezes, na verdade). No final das contas, é bom experimentar algo diferente do lugar-comum. Parece desenho animado moderno, e as cores da brasileira Cris Peter estão muito boas e atraentes.

Este tie-in foi uma opção da Marvel e dos autores inversa daquela do Desafio Infinito, que saiu na edição #2 dos Guardiões da Galáxia das Guerras (resenha aqui): enquanto aquela procurou um caminho intimista e distante da saga original, nesta todos os aspectos principais e grandiosos foram abraçados e retrabalhados. Uma boa aventura cósmica, totalmente integrada na realidade das Guerras Secretas, e ainda homenageando a trama original e seus personagens centrais.

Completa a edição uma pequena história do Surfista Prateado, ou melhor, de uma versão dele, escrita e desenhada por James Stokoe. É uma arte deslumbrante, daquelas que a gente quer ver mais vezes. Um ótimo encerramento para a edição da Panini.

A impressionante arte de Stokoe

Nota: 9,0

Revistas Marvel Panini Após Guerras Secretas (Totalmente Diferente Nova Marvel)

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Embora muitos títulos das Guerras Secretas continuem nas bancas, e muitos leitores ainda não conseguiram concluir toda a obra (eu, por exemplo), as primeiras revistas no cenário pós evento já foram lançadas pela Panini e outras mais foram anunciadas para breve. Segue um resumo dos títulos, seus mixes e meus comentários. Interessante que a Panini não colocou nenhum “selo” para marcar esta nova fase.

Destaco, antes, uma ótima novidade. A partir desta nova fase, finalmente a Panini vai abandonar o péssimo papel Pisa Brite e vai adotar o (muito) melhor LWC. Essa vai ser uma enorme evolução para apreciação das artes. Ainda não se iguala ao padrão das edições originais americanas, mas fica mais perto. A editora fez primeiro um teste com a revista do Homem Aranha e depois publicou tudo das Guerras com esse material. Pelo jeito agradou e torçamos para que não voltem atrás.

Agrupei os títulos por Mensais e Encadernados. Confiram onde sairão cada título americano em cada revista brasileira. Adianto que, se tudo correr conforme os planos, nunca antes na história de nosso país tivemos tantos títulos da Marvel!

Mensais com 2 histórias principais – (variando entre 52 e 68 páginas, de R$ 7,20 a R$ 8,70).

1. Homem de Ferro – a edição #1 contém as duas primeiras histórias do título Invincible Iron Man, que saíram em outubro de 2015 nos EUA (a Marvel tem, já há alguns anos, publicado duas edições por mês de alguns personagens). Texto de Brian Bendis e arte do ótimo David Marquez. Certamente esta revista também conterá em breve o título International Iron Man, ou seja, será a primeira vez na Era Panini que teremos uma revista inteiramente dedicada ao HdF.

2. Deadpool – outro título que retorna estrelado por um personagem no auge da popularidade. A edição #1 traz as duas primeiras histórias do título americano Deadpool, de novembro de 2015, de Gerry Duggan e Mike Hawthorne. Em breve, outro título americano regular com o personagem, Deadpool & The Mercs for Money deve compor o mix de uma nova revista mensal no Brasil: Homem Aranha e Deadpool, que também trará, claro, as histórias de Spider Man & Deadpool, que faz muito sucesso nos EUA. A Panini até mesmo já anunciou uma terceira revista regular com o Mercenário Tagarela, chamada Deadpool Extra, para abrigar – acredito – títulos como Gwenpool e minisséries, como Deadpool & Gambit.

3. O Velho Logan – a única revista que começou nas Guerras Secretas e que continuará sem zerar sua numeração nesta nova fase. A edição #5 traz a estréia da X-23 como a nova Wolverine, do título All-New Wolverine #1 (novembro de 2015), de Tom Taylor e David Lopez e a primeira história do agora título mensal Old Man Logan (janeiro de 2016), escrito por Jeff Lemire e desenhado por Andrea Sorrentino – o mesmo artista que trabalhou com o personagem durante as Guerras Secretas. Sem grandes surpresas neste mix, por enquanto.

4. Doutor Estranho – o Mago Supremo estrela sua própria revista mensal pela primeira vez no Brasil. A edição #1 traz as primeiras duas histórias de Doctor Strange (outubro e novembro de 2015), escritas pelo superstar Jason Aaron e desenhadas pelo veterano Chris Bachallo. Não parece que a Panini irá acrescentar outros personagens místicos nesta revista (Feiticeira Escarlate?), pelo menos nos primeiros três números, mas no futuro certamente o título Doctor Strange and the Sorceres Supremes – que contará com uma maga brasileira – deve aparecer aqui. Tomara que a revista vingue!

Mensais com 3 histórias principais – (variando entre 76 e 84 páginas, de R$ 9,40 a R$ 9,60).

5. O Espetacular Homem-Aranha – este título terá 3 histórias principais, concentrando os dois Homens-Aranhas ativos do Universo Marvel pós-GS: Peter Parker e Miles Morales. Na edição #1 temos a primeira aventura do jovem Morales do título Spider-Man por Brian Bendis e Sara Pichelli (de fevereiro/2016) e a primeira do título Amazing Spider-Man de Dan Slott e Giuseppe Camuncoli (outubro/2015), além de histórias curtas e capas alternativas. Acredito que não teremos surpresas com este mix pelos próximos anos, já que todas as revistas de personagens da “família do Aranha” – como Spider Woman e Carnage – continuarão saindo na Aranhaverso, ou em especiais.

6. Vingadores – seu mix será composto pelos 3 títulos principais de equipes, mas na edição #1 temos apenas a estréia de duas delas: a primeira história dos Novos Vingadores (New Avengers, de outubro de 2015), a equipe liderada pelo brasileiro e ex-Novo Mutante/X-Force Roberto da Costa. Escrita pelo competente Al Ewing e ilustrada pelo cartunesco Gerardo Sandoval; e a primeira dos Novíssimos e Diferentes Vingadores (All-New All-Different Avengers 1 de novembro de 2015), que é a equipe central, composta pelos veteranos Homem de Ferro, Thor, Visão e Capitão América, acrescida pelos jovens Nova, Ms. Marvel e Homem-Aranha (Morales). Este título é escrito por Mark Waid e tem arte de Adam Kubert. A Panini incluiu, para completar esta edição, histórias curtas dos one-shots Avengers Zero e Free Comic Book Day 2016. A terceira equipe, Fabulosos Vingadores (Uncanny Avengers) aparecerá na edição #2.

7. Guardiões da Galáxia – a edição #1 traz as estreias de três títulos: Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy lançada em outubro de 2015), escrita pelo Brian Bendis e desenhada por Valerio Schiti, com a equipe renovada, que inclui o Coisa; a primeira revista-solo do Drax (Drax de novembro/2015) de CM Punk e Cullen Bunn, desenhos de Scott Hepburne, que não durou muito tempo lá fora; e Rocky Racum e Groot (Rocket Raccoon and Groot, janeiro/2016), unindo as revistas-solo do Guaxinim Espacial e da Árvore Lutadora de antes das Guerras, é escrita por Skottie Young e desenhada pelo brasileiro Filipe Andrade. Completa a edição uma HQ curta de All New All Diffente Marvel Point One também focada nessa dupla de Guardiões. Em breve a Panini deve incluir o material do título mensal do Senhor das Estrelas.

Mensais com 5 ou 6 histórias principais – (variando entre 148 e 156 páginas, de R$ 18,20 a R$ 18,60).

8. Avante Vingadores – na edição #1 temos cinco estreias, sendo que nenhuma é formada exatamente por “Vingadores” – há vários ex, no entanto. A Panini já lançou revistas assim antes, então sem grandes novidades, só fica o aviso. O ótimo Esquadrão Supremo de James Robinson e Leonard Kirk (Squadron Supreme, de novembro/2015) ganhou o destaque na capa de Alex Ross e será uma equipe adversária dos Vingadores. Capitã Marvel (Captain Marvel de janeiro/2016) , em mais um reinício para Carol Danvers, agora comandando a Tropa Alfa em uma estação espacial (!?!), escrita por Michele Fazekas e Tara Butters e desenhada pelo elegante Kris Anka. O Incrivelmente Sensacional Hulk (Totally Awesome Hulk de dezembro de 2015), do veterano em heróis gama Greg Pak e ilustrado por Frank Cho, apresenta um novo alter ego para o Hulk. Apesar do nome, os Supremos (The Ultimates, novembro/2015) de Al Ewing e Kenneth Rocafort são uma equipe nova, à parte dos Vingadores, e que também não traz nenhuma ligação com o título famoso do Universo Ultimate. Finalmente, Força-V (A-Force, dezembro de 2015), outra equipe independente, formada somente por mulheres que apareceu no Mundo Bélico e agora continuará no novo Universo Marvel, produzida pela mesma dupla criativa, G. Willow Wilson nos roteiros e ilustrada por Jorge Molina. Já foi anunciado que em breve o Homem-Formiga entrará neste mix – outro herói que não é um Vingador ativo no momento.

9. Universo Marvel – esta revista conterá aventuras cósmicas, de realidades alternativas e outras do gênero. A edição #1 traz três histórias do Torneio dos Campeões (mas somente uma principal do título Contest of the Champions de outubro/2015), de Al Ewing e Paco Medina, retomando o conceito central da primeira minissérie da editora, de 1982. Guardiões do Infinito (Guardians of Infinity, de dezembro/2015), escrito por um dos renovadores do universo cósmico da Marvel, Dan Abnett e desenhada por Carlo Barberi tem as duas primeiras histórias publicadas aqui. Venon o Cavaleiro Espacial (Venon Space Knight novembro/2015) de Robbie Thompson e belissimamente ilustrada pelo argentino Ariel Olivetti, traz o Agente Venon em uma nova missão. Sam Alexander, agora com seu pai, volta como o Nova (Nova de novembro/2015), de Sean Ryan e Cory Smith. Finalmente, Fabulosos Inumanos (Uncanny Inhumans outubro/2015) o principal título desta grande família nesta fase, escrito novamente por Charles Soule e com arte do superstar Steve McNiven.

Outros títulos já anunciados, mas ainda não lançados:

Revistas Mensais:
10. Capitão América – no começo só com as histórias do Sam Wilson
11. X-Men – esta sim já confirmada com os títulos das 3 equipes pós-Guerras: Extraordinary, All-New e Uncanny
12. Thor – provavelmente com duas HQs da nova Thor
13. Deadpool Extra – provavelmente com duas ou três HQs por edição, com as várias minisséries e Gwenpool
14. Homem-Aranha e Deadpool – provavelmente com duas HQs por edição, uma de Spider-Man & Deadpool e outra de Mercs for Money
15. Aranhaverso – deve manter o formato de 5 a 6 HQs, com Mulher-Aranha, Spider Gwen, Teia de Seda, Guerreiros da Teia, Spidey, Carnificina, Homem Aranha 2099 e especiais

Encadernados Regulares:
Demolidor – continuará a numeração da fase anterior do Mark Waid, agora por Charles Soule e Ron Garney
Ms. Marvel –  provavelmente continuará a numeração anterior, ainda com G Willow Wilson no texto
Viúva Negra – com a nova e excelente fase de Mark Waid e Chris Samnee
Justiceiro – de Becky Cloonan e Steve Dillon
Cavaleiro da Lua – de Jeff Lemire e Greg Smallwood
Pantera Negra – do premiadíssimo escritor Ta-Nehisi Coates e desenhada por Brian Stelfreeze
Visão – elogiadíssima por 10 em 10 resenhistas, de Tom King e Gerardo Walta
Gavião Arqueiro (a confirmar) – de Jeff Lemire e Ramon Perez

Títulos americanos ainda sem uma “casa” no Brasil: 

Os seguintes títulos ainda não foram anunciados pela Panini, e há poucos rumores se – e como – sairão no Brasil. A maioria já foi cancelada nos EUA então a chance de publicação é baixa, com exceção, claro, dos mais conhecidos ou produzidos por autores renomados. Nesse primeiro grupo podemos incluir:

Capitão América Steve Rogers (na fase “Hidra”). Karnak . Vote Loki . Totalmente Novos Inumanos . Luke Cage e Punho de Ferro . X-Men ’92 . Feiticeira Escarlate . Thunderbolts

Este outro grupo de títulos americanos tem personagens com baixa popularidade e vários já foram cancelados e, portanto, a maioria não deve ser publicado pela Panini:

Garota-Esquilo . Patsy Walker (Felina) . Angela . Cavaleiro Negro . Weirdworld . Comando Selvagem da SHIELD . Illuminati . Lobo Vermelho . Howard o Pato . Estigma e Máscara Noturna . Harpia . Hércules . Agentes da SHIELD . Hyperion . Falcão Noturno . Garota da Lua e Dinossauro Demônio

Nota: todas essas revistas citadas compreendem à Fase All-New All-Different, que começou no final de Guerras Secretas e terminou no mini-evento dos Vingadores Standoff; ou seja, antes do megaevento Guerra Civil II.

Resenha de Guerras Secretas Vingadores #2 – Panini Comics

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Para a segunda edição de histórias das Guerras Secretas dedicadas aos Vingadores, a Panini escolheu a badalada minissérie Força-V (A-Force, no original), publicada em 5 capítulos em 2015 nos EUA.

. Volume de Spoilers: Moderado.

Ao contrário da maioria das interligações – que abordam variações de realidades já exploradas em algum momento na longa história da Marvel – Força-V é um conceito inédito, que reúne dezenas de heroínas em suas versões mais clássicas e até apresenta uma nova e intrigante personagem.

A HQ é escrita por duas roteiristas, Marguerite Bennett (de Bombshells, da DC) e G. Willow Wilson (premiadíssima pela sua criação, Kamala Khan, a nova Miss Marvel) e desenhada pelo mexicano Jorge Molina, que vem produzindo vários trabalhos na editora nos últimos anos, principalmente como capista.

Toda a ação se desenrola em um Domínio chamado Arcádia, uma ilha cheia de vida, com uma sociedade moderna, urbana, similar ao de uma metrópole americana, e aparentemente pacífica. A Baronesa Jennifer Walters, mais conhecida como Mulher-Hulk, é também a líder da Força-V, nada mais nada menos do que uma superequipe composta apenas por heroínas.

Um aspecto que chama a atenção dos leitores mais antigos da Marvel é que neste grupo há uma reunião de personagens que poucas vezes teve a oportunidade de interagir no passado. Por exemplo, duas conselheiras de Jennifer são a Mulher-Aranha (de quem nunca foi muito próxima), e a Medusa dos Inumanos (cujos caminhos raramente se cruzaram). Completa o núcleo principal a Capitã Marvel (em uniforme atual), a mutante Cristal (com o visual disco original dos anos 70), a bruxinha Nico Minoru, dos Fugitivos (que contracenou com pouquíssimos personagens desde sua criação, em 2003), a cada vez mais popular Miss America Chávez (dos Jovens Vingadores) e Loki, em sua versão Deusa do Mal (da fase do Thor de J. M. Straczynski).

Além da equipe, contudo, Arcádia está repleta de outras heroínas – como a bela capa de Jim Cheung sugere – que fazem pequenas aparições ao longo da revista. Embora não façam nenhum discurso abertamente feminista, as autoras também não explicam porque este Domínio é liderado pelas mulheres. Simplesmente parece que “aqui as coisas são assim”. A sociedade da ilha é heterogênea e até alguns heróis (homens) pipocam aqui e ali, mas o roteiro se concentra em contar os dramas vividos pelas personagens principais após uma de suas integrantes cometer uma violação das leis do Deus Destino.

Esse ato – que, honestamente, foi um pouco “forçado demais” – traz a interferência do Doutor Estranho, o braço direito de Destino em Guerras Secretas, e insere alguns membros da Tropa Thor como antagonistas da Força-V.

É neste contexto que surge Singularidade, uma rara criação totalmente original (nos dias atuais) da Marvel. Sem revelar detalhes, ela é aquela figura escura com brilhos “cósmicos” que aparece na capa, e vai desempenhar um papel crucial na HQ.

Jorge Molina faz uma boa arte na série, combinando perfeitamente com o tom leve e até juvenil da história. Seu estilo, limpo, dinâmico e sem grandes ousadias, às vezes lembra Olivier Coipel e Stuart Immonen, mas ele definitivamente está conseguindo atingir uma identidade própria e tem em Força-V um de seus melhores trabalhos, especialmente nas batalhas e no desenvolvimento de Singularidade que, acredito, deve se tornar uma figura constante na Marvel.

No geral, esta é uma história singela, sem grandes pretensões além de entreter, mas é bem contada e vale a pena conhecer pelo ineditismo da proposta, pelas interações entre as personagens e pelo surgimento de Singularidade. Senti falta de algumas explicações, ou pelo menos de pistas, para compreender melhor o Domínio de Arcádia como, por exemplo, em que circunstâncias a Mulher-Hulk tornou-se Baronesa, se os homens daqui de algum modo se sentem oprimidos pela Força-V, porque em meio a dúzias de heroínas, as vilãs asgardianas Loki e Encantor estão do “lado dos anjos” e assim por diante.

Minhas maiores críticas, no entanto, ficam para a óbvia revelação da traidora (acertei sem pensar duas vezes) e, sobretudo, para a ameaça final reservada para nossas heroínas. É um desafio razoável sim e é uma solução interessante como interligação ao resto do Mundo Bélico, mas com a presença de figuras superpoderosas como Jean Grey (na versão Fênix) e Mônica Rambeau (Fóton/Pulsar/Spectrum), além de muitos Thors, talvez não deveria dar o trabalho que deu. Aliás, ao longo de toda a revista o uso dos poderes das heroínas no geral é algo bastante questionável. Talvez os editores precisassem intervir um pouco mais, ou talvez estas versões tenham outros níveis de poderes? Enfim, para uma revista baseada em super heróis clássicos da Marvel, incomoda um pouco.

Sabe-se que a editora vai retomar o conceito de Força-V no pós Guerras Secretas. Vamos aguardar para conferir como a equipe será composta e em quais circunstâncias. Pelo que vimos da proposta e de sua primeira aventura, é um título com muito potencial.

Nota 7,0.

Resenha de Guerras Secretas Vingadores #1 – Panini Comics

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Conforme lemos mais e mais edições interligadas (tie-ins) à mega saga Guerras Secretas, organizadas pela Panini em edições únicas, mais concluímos que essa foi uma decisão acertada. A maior parte destas minisséries, que a Marvel publicou em 2015 nos EUA e que agora estão saindo no Brasil, são histórias fechadas e, portanto, funcionam muito melhor em uma leitura só, sem as interrupções que normalmente teríamos se saísse uma parte por mês, como de praxe.

. Volume de Spoilers: poucos, mínimos… mesmo!

Guerras Secretas Os Vingadores #1 traz, na capa, o nome da aventura, “A Guerra das Armaduras” e concentra uma história completa estrelada pelo Homem de Ferro. Claro que, na nova realidade criada pelo Deus Destino em Guerras Secretas, este não é o Tony Stark tradicional. Aqui, nesta versão, ele é um Barão – como são chamados os chefes de cada Domínio do Mundo Bélico.

Assim como em Guerras Secretas Homem-Aranha #1, o leitor pode comprar somente esta revista e ter uma história com começo, meio e fim bem desenvolvida, com pouca referência e quase nenhuma conexão com o resto da saga. Na ocasião do lançamento de Secret Wars, lembro que os editores americanos citaram que essa seria uma tática desejada e, pelo jeito, cumpriram a promessa. A contrapartida desta decisão é que, se você não gosta muito deste personagem, ou prefere ler somente as histórias mais relevantes das Guerras Secretas, pode muito bem pular esta revista.

O Domínio do Barão Homem de Ferro é chamado “Tecnópolis”, e todos seus habitantes usam armaduras. A razão para essa circunstância é o mote desta história, escrita pelo grande James Robinson e desenhada por um jovem brasileiro, o surpreendente Márcio Tanaka.

Robinson, um autor premiadíssimo nos anos 90 (sobretudo por Starman da DC), mas que passou por uma longa fase de projetos questionáveis nos anos 2000, está cada vez mais à vontade na Marvel, produzindo alguns materiais excelentes, como os recentes Esquadrão Supremo e a revista solo da Feiticeira Escarlate (em breve no Brasil).

Sua abordagem para o “tema” Guerras das Armaduras não se assemelha em nada à famosa saga clássica do personagem, que saiu aqui primeiro pela Editora Abril na década de 1980, na revista Heróis da TV, e recentemente em um encadernado. Dos vilões aos aliados, do cenário ao desfecho, esta nova aventura é completamente independente do seu título de origem. A única coisa em comum, como já comentado, é que há muita gente (mesmo!) usando a tecnologia do Homem de Ferro no Mundo Bélico, nem sempre para fins pacíficos. Como era de se esperar, aparecem muitos outros personagens normalmente associados ao vingador, mas também algumas surpresas.

Sinceramente, não conhecia o trabalho de Márcio Tanaka, mas gostei bastante de seu traço, sua composição moderna, estilo “cinema”, muito fluida e bem distribuída. Às vezes suas páginas ficam bem escuras, mas me parece mais uma escolha calculada – em parceria com a colorista Esther Sanz – para criar um clima sombrio, árido, pertinente à Tecnópolis, uma metrópole fria e futurista, com toques da Los Angeles de Blade Runner. É sempre bacana descobrir novos artistas cuja arte aprendemos a apreciar, e pretendo seguir o trabalho de Tanaka daqui em diante (ele está atualmente em All-New Wolverine nos EUA).

Esta HQ é mais uma boa interpretação de personagens clássicos (e alguns novos) em uma nova realidade alternativa a partir de um tema muito próprio ao Homem de Ferro, e tem muita ação, várias batalhas, um mistério intrigante, reviravoltas e alguns clichês. A maior ressalva é que, apesar do nome escolhido pela Panini, não há “Vingadores” aqui.

Nota 7,5.

Resenha de Guerras Secretas #1 – Panini Comics

Guerras Secretas 1 - CAPA NORMAL

Guerras Secretas é, provavelmente, a mais ambiciosa megasaga Marvel de todos os tempos. Além do tema da história – que lida com o fim do Multiverso e os dramas vividos pelos sobreviventes no único planeta restante, o grande contingente de personagens envolvidos e a miríade de histórias interconectadas, foi também a partir de Guerras Secretas que a editora, pela primeira vez em seus 76 anos de existência, zerou todos os seus títulos mensais para promover um relançamento pleno, em um Universo Marvel também renovado.

. Volume de Spoilers: poucos, só para contextualizar o início da saga.

É importante ressaltar que, a despeito do que chegou a ser publicado em alguns sites nacionais, como o Universo HQ, a Marvel não promoveu um reboot. Foi sim um reinício, mas sem apagar a cronologia anterior – prática adotada algumas vezes pela DC. Portanto, tudo o que aconteceu até antes deste evento continuou “valendo”, salvo uma ou outra exceção que a própria saga permitiu proporcionar, já que lida com poderes divinos, recriação universal, realidades paralelas, etc.

Por falar em DC, é público e notório que o autor e arquiteto da obra, Jonathan Hickman, procurou homenageá-la, ou pelo menos prestar reverência à sua emblemática primeira megasaga, Crise nas Infinitas Terras, de 1985, sem esquecer, claro, de resgatar temas e elementos-chave da primeira e cultuada Guerras Secretas da Marvel, de 1984 (cujo nome completo original era, na verdade, Marvel Super-Heroes Secret Wars).

Os infinitos universos se desintegrando – quem leu sabe exatamente que é assim que a Crise começa – são o pano de fundo das histórias que o próprio Hickman desenvolveu nos últimos anos no título Novos Vingadores, em que ele coloca os Illuminati (Pantera Negra, Senhor Fantástico, Homem de Ferro, Namor, Fera, Raio Negro e Doutor Estranho), em uma constante tensão e em um cruel dilema moral a cada novo “Evento de Incursão”, que ocasionava a destruição de Terras Paralelas. Nessa série foram apresentados ainda alguns novos personagens presentes nesta HQ, como a vilã Cisne Negro, além de velhos favoritos em novas personas e, claro, o resgate do onipotente Beyonder, o artífice das Guerras de 1984.

Portanto, quem leu Novos Vingadores vai estar mais familiarizado com alguns aspectos da história. Quem acompanhava o Universo Ultimate, também. E os leitores da velha guarda que conhecem bem Crise das Infinitas Terras e a primeira Guerras Secretas, certamente aproveitarão ainda mais, pois é assim a natureza dos universos de heróis, não é mesmo? Quem tem uma maior quilometragem consegue absorver, comparar, relembrar, questionar determinados pontos das novas histórias, que estão sempre citando referências de HQs prévias.

Mas se você não leu, também não deve ter grandes problemas para compreender esta primeira edição. A Panini acertadamente acrescentou logo no começo uma pequena história de 10 páginas da Fundação Futuro, originalmente distribuída pela Marvel no evento comercial Free Comic-Book Day de 2015, que serve como uma boa introdução para a saga.

Assim, quando Guerras Secretas #1 realmente se inicia, o leitor que não acompanha regularmente a Marvel já tem uma boa ideia do que está acontecendo (e um milhão de perguntas também). É importante ter paciência quando há muitos personagens em cena; ou melhor, quando se lê uma saga gigantesca deste tipo.

O texto de Hickman é grandiloquente, apropriado para a história, e o principal protagonista, Doutor Destino, é o primeiro a aparecer, bem ao lado de um outro famoso Doutor, o Estranho, e o poderosíssimo (e relativamente obscuro) Homem-Molecular. Corte para o último “Evento de Incursão” – o choque eminente entre as Terras do Universo Marvel principal e o Universo Ultimate –, que é o fato mais relevante nesta edição, em que vemos detalhes da frenética tentativa dos heróis de ambas as Terras eliminarem suas contrapartes, com direito a um ataque total da SHIELD e do malévolo Reed Richards Ultimate contra dezenas de Vingadores e X-Men. Muita ação e destruição garantidos.

A Cabala, supergrupo de vilões comandado por Thanos, o Quarteto Fantástico e alguns aliados são os demais participantes desta primeira parte que é, basicamente, uma preparação para o verdadeiro cerne da história: a onipotência do Doutor Destino e a complexa vida na colcha de retalhos do Mundo Bélico. Vale ressaltar, contudo, que até o final desta edição esses acontecimentos ainda não se concretizaram. Porém, antes que eu seja acusado de spoilers, na mesma semana que Guerras Secretas #1 chegou nas bancas, também estava lá Guerras Secretas X-Men #1 – A Era do Apocalipse, que já trata desse novo status quo.

Aliás, nesta revista principal mesmo, há um anúncio na quarta capa com o texto “A Terra como a conhecemos não existe mais. Tudo o que resta agora é o Mundo Bélico, composto por fragmentos de mundos arrasados!” Ou seja, a própria Panini já conta um pouco do que acontecerá na edição #2.

Em termos de arte, há pouco a dizer: Esad Ribic no lápis e Ive Svorcina nas cores fazem um trabalho estupendo, como de costume, o que aumenta e muito a qualidade da obra. Cores frias nas ambientações internas e quentes nas batalhas, heróis facilmente identificáveis – até mesmo as contrapartes das duas Terras, e um enquadramento fluido e competente devem proporcionar lindas edições encadernadas futuras. A capa de Alex Ross (há opção de capa variante do Simone Bianchi), já clássica, é também uma bela homenagem à Crise da DC, com as duas terras se colidindo ao fundo e diversos heróis flutuando no espaço.

Guerras Secretas é, sim, em grande medida, a Crise nas Infinitas Terras da Marvel. Claro que a história a partir deste ponto vai caminhar para um roteiro muito diferente. Vale dizer, ainda, que o argumento central da obra – a impossibilidade de lidar com a onipotência – está presente em diversas obras da editora (Desafio Infinito e a Saga de Korvac, por exemplo) mas nunca foi levada às últimas consequências como agora, incluindo o seu limite: a recriação do Universo Marvel. Sabemos que tudo vai continuar em alguns meses mas, como dizem, o que vale é a jornada certo? Vamos acompanhar todas as edições e ver como Doutor Destino, os heróis e vilões remanescentes das duas Terras e os incontáveis outros personagens do Mundo Bélico lidarão com o Fim dos Tempos.

Nota: 8,00.