Descobrindo o Mundo de Tex com a Coleção da Salvat

O lançamento da nova coleção da Editora Salvat, Tex Gold, sem dúvida alguma fez a alegria do grande – e muitas vezes esquecido – contingente de fãs do personagem italiano, que há décadas é publicado ininterruptamente no Brasil.

Porém, com aquele precinho camarada de R$ 9,90 para a primeira edição, fez também com que muita gente que não costuma comprar as revistas do cowboy finalmente arriscasse o investimento.

O resultado? Certamente para muitos desses novatos, a leitura foi surpreendentemente agradável.

Eu sou um desses leitores.

Capa da Edição 1 da Coleção Tex Gold

Eu tenho comprado algumas das coleções da Marvel da Salvat e, em grande parte por isso, me senti instigado a dar uma chance ao material da Bonelli. Depois de consultar alguns Canais, Grupos e Blogs, entendi que a seleção de histórias prevista para a coleção é composta de HQs especiais, pinçadas a dedo entre Anuais, edições Gigante  e Almanaques, com um cuidado adicional em apresentar uma ampla variedade de desenhistas.

Eu realmente adorei a primeira edição. Roteiro muito bem costurado, fluido, bons diálogos, trama envolvente e uma arte encantadora.

Índios, cavalaria, fortes, salloon, pradarias, espingardas, flechas, riachos, mocinhos e bandidos, enfim, o mundo de Tex retrata a essência das histórias de faroeste. Fui atingido sim por uma forte dose de nostalgia… lembranças dos inúmeros filmes do gênero que assisti ao lado de meu pai, ou dos seriados em família, como Os Pioneiros e Daniel Boone, das brincadeiras de “Forte Apache” com meu irmão, das minhas dezenas de soldadinhos, índios e mineradores que tanto curtia quando criança e até um pouco além: tive uma “fase” em que resolvi pintar à mão com tinta acrílica minuciosamente todos os meus bonequinhos.

Mas, divaguei…

A trama de O Profeta Indígena apresenta Manitary, um jovem shaman da tribo dos Hualpais, uma espécie de excluído que, a partir de uma visão profética, vira um líder espiritual que convence e une centenas de “peles vermelhas” em uma missão sagrada contra os brancos. Há muita ação, mas também boas soluções de investigação, planos e contra-planos, e um bom desenvolvimento de personagens. São 220 páginas (!), um verdadeiro épico do gênero.

Mas, devo ressaltar, há momentos realmente espetaculares de narrativa gráfica, como quando Tex e seu leal grupo de parceiros conversam em um bar… a câmera do italiano Corrado Mastantuono “percorre”, ao longo de 4 páginas, o cenário de forma impecável, variando o foco e a distância, girando, ora se afastando, ora se aproximando, enfim, criando um ritmo agradável – até plácido – que, com os cuidadosos diálogos de Cláudio Nizzi, fazem com que a sequência da conversa entre os heróis e a criação de seus planos seja impecável.

O belíssimo traço e a perfeita câmera de Corrado Mastantuono

Entusiasmado, comprei a segunda edição, chamada O Cavaleiro Solitário, com arte do mestre Joe Kubert, e também gostei muito. História solo, violenta, às vezes carregada de tensão, mas ainda assim coerente com a personalidade do ranger Tex Willer e de seu universo, ou seja, argumento carregado em realismo, sem nunca exceder aquele limite do impossível, em uma quadrinização clássica, segura, sem experimentalismos, mas extremamente competente.

Comprei a terceira sem pestanejar, Patagônia, e novamente fui surpreendido pelo tema, com uma verdadeira aula de história dos conflitos entre os colonos e os indígenas da nossa vizinha Argentina. Já peguei o volume 4 e, enquanto continuar gostando das histórias e da arte, pretendo continuar comprando Tex Gold.

Minha relação com as HQs do Tex, até então, era um misto de preconceito e desconfiança.

Lembro de ter lido brevemente uma ou outra revista no começo dos anos 1980, muito provavelmente entre as pilhas do saudoso Tio Frank, de Itanhaém, mas não me chamaram muita atenção. Lembro que achava aquilo muito “sério” e “adulto”.

Depois, quando mais revistas da Bonelli começaram a ser publicadas no Brasil pela editora Mythos, no começo dos anos 2000, pensei em arriscar mas, folheando aqueles “quadrinhos quadrados” em preto e branco, confesso que desisti… comprei um Zagor aqui, uma Julia Kendall ali, mas o Tex deixei novamente de lado.

O preconceito vem, acredito, muito em conta do gênero faroeste ter submergido na cultura pop nas últimas décadas, e pelo perfil aparentemente “ultraconservador” do público leitor do personagem – afinal, quem frequenta bancas observa quem geralmente compra o quê… e não estou falando apenas da seção de quadrinhos, claro.

Parece certo que o leitor tradicional de Tex é homem, adulto ou idoso, urbano e muito comum entre os moradores de pequenas cidades do interior, muitos dos quais talvez só acompanham esse tipo de HQ ou, mais provável, prefiram Tex a qualquer outro gênero.

Sim, os quadrinhos da Bonelli em geral não podem ser chamados de subversivos, criativos ou talvez nem mesmo modernos, mas de modo algum Tex traz mensagens “inadequadas” ou desconectadas com os dias atuais. Nosso ranger e seus pards, apesar de matarem frequentemente seus inimigos, pregam paz entre as nações indígenas e os invasores brancos, respeitam a natureza e defendem a lei e a ordem. Não toleram injustiças, nenhum tipo de violência gratuita, estão sempre dispostos a ajudar os mais necessitados e a praticar o bem. Heróis, enfim.

Acredito que a Salvat acertou mais uma.

Em termos comerciais, deve ter um bom desempenho, mas talvez a mais importante contribuição de Tex Gold seja ampliar e renovar (?) o público leitor deste ícone dos quadrinhos italianos.

Pela qualidade destas primeiras edições, e no nível dos quadrinistas envolvidos, nada mais justo e necessário.

Resenha de Avante Vingadores #1 – Panini Comics

Arte de Alex Ross para o Esquadrão Supremo

Decidimos acompanhar outro título mensal que, assim como X-Men, é do tipo mix da Panini. Contudo, Avante, Vingadores! é bem maior, com mais do que o dobro de páginas e, ao contrário da revista dos mutantes, esta aqui, apesar do nome, não traz histórias dos Vingadores, mas sim de outros supergrupos e também histórias solo de heróis diversificados, ex-Vingadores ou não. É, em geral, uma revista com altos e baixos, mas com alguns temas muito interessantes e até relevantes para quem quer acompanhar o desenrolar do Universo Marvel.

. Nível de spoilers: praticamente zero.

Nota: neste momento, a edição 11, de outubro de 2017, acabou de chegar às bancas em São Paulo. Vamos acelerar nas resenhas para não ficar tão distante com o que está saindo atualmente.

Esquadrão Supremo #1
Estréia impactante e memorável da nova formação do Esquadrão Supremo. Assim como em outras versões, esta é poderosíssima, e também calculista, audaciosa e implacável com seus adversários. James Robinson – o veterano e premiado autor eternamente associado a uma fase inesquecível do Starman, da DC Comics – não perde tempo e faz o Esquadrão mostrar a que veio, primeiro contra Superskrulls, e depois contra Namor e os Atlantes. Os 5 membros são todos sobreviventes de outras Terras, destruídas durante os eventos das “incursões”, mostradas na fase dos Vingadores de Hickman e, claro, em Guerras Secretas: Hypérion, Doutora Espectro, Princesa do Poder e Vulto são liderados pelo Falcão Noturno da versão Max (cujas histórias saíram na revista Marvel Max, no começo dos anos 2000). O leitor que comprou Avante, porém, e que não acompanhou a megassaga não precisa se preocupar porque dá para entender tudo isso, que é bem explicado em uma história curta de introdução. O desenhista americano Leonard Kirk acerta no ritmo e na composição ágil, auxiliado pelo veteraníssimo e sempre competente arte-finalista inglês Paul Neary. Muitas batalhas, splash pages e personagens overpower fazendo feitos absurdos. Apesar de toda a ação, é uma revista essencialmente politizada, porque incita o debate sobre justiçamento, guerra preventiva, capitalismo, refugiados… Falcão Noturno claramente tem um grande e audacioso plano, e seus colegas tem o poder para realizá-lo. Fantástico!
Nota: 9,0.

Capitã Marvel #1 
Mais um reinício para Carol Danvers, desta vez sob o comando de Michele Fazekas e Tara Butters, roteiristas da TV e novatas nos quadrinhos, que a colocam no comando da Tropa Alfa em uma estação espacial responsável pela proteção da Terra. Sim, é um conceito completamente diferente para a velha equipe canadense, mas não inédito na Marvel. A agência SWORD fazia esse mesmo papel na era pré-Guerras Secretas, comandada por Abigail Brand que, não por acaso, também está neste título, dividindo as funções de liderança do vasto contingente de soldados, pesquisadores, alienígenas e heróis da estação com a própria Capitã Marvel. Parece que nossa heroína tem um novo namorado e somos apresentados ao elenco de apoio, com algumas gracinhas e um pequeno mistério no final. É um começo bem morno. Até a arte de Kris Anka não consegue ganhar relevância, embora as cores de Matthew Wilson tragam uma bem-vinda leveza e modernidade. Entre os membros da Tropa Alfa, Pigmeu acertadamente ganha destaque. É uma HQ simpática, há bastante coisa acontecendo, mas nada muito interessante.
Nota: 6,0.

Incrivelmente Sensacional Hulk #1
Primeira aparição do novo Hulk – agora o jovem alto astral Amadeus Cho – , escrita pelo seu criador, Greg Pak, e desenhada por outro Cho, o às vezes polêmico Frank. Esta é uma revista com foco em um personagem-legado muito diferente da versão clássica. Apesar de ambos serem gênios, Amadeus é muito mais jovem e, mesmo tendo em seu passado sua própria dose de tragédia, ele transpira otimismo e confiança, resultando em uma abordagem totalmente heroica com seu poderoso alter ego. Além da história principal, centrada no “presente”, ou seja, 8 meses depois do final das Guerras Secretas, Pak dá a primeira pista do que aconteceu com Bruce Banner e como Amadeus ganhou os poderes do titã verde nesse meio tempo, o que certamente será desenvolvido aos poucos. O autor apresenta a líder de campo das ações do novo Hulk, nada mais nada menos do que sua esperta irmã, Madame Curie Cho, e traz diversas aparições especiais, todas bem caracterizadas e úteis no desenrolar da história. Frank Cho capricha como sempre, tanto nas figuras humanas e heróicas, quanto nos monstros que, aliás, são a ameaça da vez. Apesar de muitos fãs do Hulk clássico torcerem o nariz, esta não foi a primeira, nem a segunda, e nem será a última vez que a Marvel substituirá o Hulk original. Além disso, a transformação de Amadeus é aceitável, afinal o jovem coreano-americano está participando há mais de uma década do universo do Hulk. De quebra, uma nova e impactante personagem é introduzida nas páginas finais. Estreia interessante, leve, bem-humorada, cheia de ação, com bela arte e com potencial de histórias diferentes. Para quem procura um Hulk em conflito, sofrendo e promovendo muita destruição, melhor ler as séries clássicas. Pessoalmente, gosto de mudanças de vez em quando e considero Amadeus Cho um dos melhores novos personagens da Marvel dos últimos tempos, e aqui certamente será trabalhado com muito carinho pelo seu criador.
Nota: 8,0.

Frank Cho adora desenhar monstros e mulheres

Os Supremos #1
Nova superequipe com uma mistura interessante e inusitada de personagens antigos e novos: Pantera Negra, Capitã Marvel, Espectro, Marvel Azul e Miss América. O nome Supremos pode enganar os que conheceram a memorável versão dos Vingadores do extinto Universo Ultimate, mas pelo menos seu quartel-general, o Triskelion, está presente. O talentoso Al Ewing parece disposto a arriscar, e entrega uma história de apresentação recheada em superciência, dimensões paralelas, poderes cósmicos e uma intrigante proposta da equipe para o Devorador de Mundos. Kenneth Rocafort também assume um estilo mais arrojado e, com o auxílio da miríade de cores de Dan Brown, entrega talvez seu trabalho mais impressionante. Lembra o cosmo colorido dos filmes Guardiões da Galáxia e Thor Ragnarok. Para quem gosta de viagens astrais, seres superpoderosos, um elenco fascinante e uma equipe criativa tão ambiciosa quanto seus personagens, parece que Os Supremos vai deixar sua marca. Ah, sim, o Secretário-Geral da ONU faz uma curiosa participação.
Nota: 8,5.

Força-V #1 
Esta é uma série mensal com a superequipe composta somente por heroínas que foram introduzidas pela Marvel no Mundo Bélico das Guerras Secretas. O problema é que, naquela minissérie, Mulher-Hulk, Medusa & Cia. residiam em um Domínio onde já eram as líderes e protetoras de seu povo. Agora, na Terra Marvel remanescente, a criadora do conceito e também roteirista desta edição, G. Willow Wilson, precisa desenvolver uma solução para justificar a união das “nossas” Mulher-Hulk, Medusa, Capitã Marvel (olha a Carol Danvers aqui de novo!) e demais participantes. Parece um pouco difícil, visto que cada super heroína tem sua própria agenda, então a premissa apresentada aqui – a chegada de uma personagem em nosso universo – embora óbvia seja no fundo inevitável. A Panini acrescenta uma HQ curta de introdução, desenhada por Victor Ibanez, mas a edição #1 de A-Force conta com a bela arte de Jorge Molina, também o responsável pela minissérie da equipe nas Guerras Secretas. História um tanto rápida demais, com a nova personagem sendo capturada pela Tropa Alfa e logo causando problemas. Como os heróis Marvel em geral desconhecem o que aconteceu durante o evento, cria-se um certo conflito com a chegada da outrora aliada, mas não há muito o que dizer desta re-estreia, a não ser esperar sua continuação na edição seguinte.
Nota: 5,0.


Nota Final para esta Edição: 7,3.


Comentário Final:

Edição com 5 estreias, sendo três HQs de equipes e duas com heróis solo. Arte e cores de ótimo nível, com um conjunto interessante, super diversificado de personagens, embora sem ícones. Os roteiros em geral entregam a promessa da fase Totalmente Diferente Nova Marvel. É preciso, portanto, ter (ou adotar) uma certa “mente aberta” para curtir a revista. Entre os quadrinistas, destaco a presença de dois roteiristas consagrados: James Robinson e Greg Pak, um desenhista-estrela, Frank Cho, e uma jovem e audaciosa dupla, Al Ewing e Keneth Rocafort.
Finalmente, chamo a atenção para a arte estampada na quarta capa: um impressionante e poderoso Galactus de Arthur Adams. A imagem faz jus ao personagem e, ao mesmo tempo que exala design de Jack Kirby, é moderna e autêntica.

Este Galactus merece virar pôster!

Rápida Resenha de X-Men #6 – Panini Comics

Arte de Humberto Ramos só na capa de X-Men #6

Pela primeira vez nesta série, temos duas aventuras da equipe da Tempestade. Quem ficou de fora foram os Fabulosos de Magneto. Além disso, Humberto Ramos só está na capa, tendo sido momentaneamente substituído em Extraordinários pelo espanhol Victor Ibanez. Confira a resenha da edição de junho de 2017 dos X-Men.

Extraordinários X-Men 6: de Jeff Lemire e Victor Ibanez

Dando sequência ao gancho da edição anterior, acompanhamos a equipe conhecendo o Mundo Bizarro, uma nova região presente na Terra Marvel desde Guerras Secretas (o tie-in que a abordou não foi publicado no Brasil), que é uma conjunção de vários mundos malucos, repletos de magia, populações e criaturas fantásticas. Quem leu Esquadrão Supremo na revista mensal Avante, Vingadores! já sabe do que se trata. E, por falar em Magia, Illyana tem uma participação importante, inclusive desenvolvendo uma aproximação com Sapina, a jovem mutante indiana salva na primeira edição desta revista e que, aparentemente, tem também poderes místicos. Como de praxe, Lemire insere bons momentos de desenvolvimento de todos os personagens – entre grandes amigos, como de Colossus com Logan, ou longe disso, como entre o professor Homem de Gelo e o aluno Anole – ou seria o contrário neste caso? Há também ação, mas não é o mais marcante. É estranho ver esta equipe pela primeira vez com outro traço que não seja o ultra cartunesco de Humberto Ramos, mas Ibanez não é principiante e dá conta de entregar um bom trabalho, embora sem novidades. As criaturas do Mundo Bizarro são interessantes e as cores de Jay David Ramos compõem uma arte de qualidade. Tempestade ganha ótimos momentos e é, definitivamente, a estrela desta série. Nota 7,5.

Extraordinários X-Men 7: de Jeff Lemire e Victor Ibanez

A aventura no Mundo Bizarro continua, agora com outro mutante relativamente famoso  e até então desaparecido desde o “evento do passado que ainda não foi publicado” (que seria Inumanos Versus X-Men), mas desta vez o foco está na tentativa de Tempestade e de Jean Grey em tentar compreender o que deixou Noturno tão assustado e confuso. A estratégia é uma viagem telepática que, embora longe de ser inovadora, aqui rende momentos poderosos de narrativa gráfica, com um final perturbador muito bem conduzido pelo roteirista. Ibanez arrisca mais e a história ganha momentos realmente interessantes. Não sei se termina aqui o segundo arco, mas ficamos com aquela incrível vontade de ler mais – e rapidamente – histórias destes grandes personagens. Nota 8,0.

Novíssimos X-Men 6: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Este capítulo mantém o ritmo intenso da edição anterior, com Blob ainda dando muito trabalho para os jovens X-Men. A batalha gera momentos de tensão, Fera tem um momento de desilusão intelectual muito apropriada e um de seus colegas finalmente mostra que já não é mais o mesmo em uma sequência inesquecível de coragem e poder! Hopeless parece cada vez mais à vontade com os personagens, e resgata um plot que lançou algumas edições atrás para introduzir uma nova ameaça. Esse é um vilão menor e sua presença em Paris está sem explicação, parecendo a princípio extremamente conveniente, ainda mais com Blob no mesmo dia, mas vamos ver como isso será resolvido na próxima edição. Um dos aspectos mais interessantes de Novíssimos X-Men é que o autor está conseguindo trocar o foco entre o vasto elenco a praticamente cada edição. Em um primeiro momento parecia que a estrela seria o jovem Ciclope, mas todos estão ganhando espaço para desenvolvimento, como Idie. Sem dúvida, ter Mark Bagley em ótima fase ajuda também. Nota 8,0.

Nota Final desta Revista: 8,0

Resenha de Guerras Secretas Mestre do Kung Fu #1 – Panini Comics

Capa da edição que compila versões diferentes do Shang Chi e dos Motoqueiros Fantasma

Apesar do título, este encadernado contem duas histórias completas de personagens radicalmente diferentes: além do Mestre do Kung Fu, temos o Motoqueiro Fantasma, ambos em versões alternativas, claro, já que estamos no Mundo Bélico. O que tem em comum é sua completa desconexão com as tramas do Doutor Destino. Dá para ler esta revista e ignorar completamente a saga Guerras Secretas.

. Nível de Spoilers: leves, nada relevante.

A primeira história, traduzida da minissérie original em 4 partes Master of Kung Fu, de 2015, apresenta um Shang Chi residente do Domínio de Kun Lun, um reino com ares da China medieval governado com mão de ferro por seu pai, Zheng Zu – uma versão do Mandarim que também pode ser entendida como análoga de Fu Manchu, o pai “original” do verdadeiro Shang Chi nos quadrinhos da Marvel: ambos são imperadores malignos, mas Fu Manchu não pode mais ser utilizado pela editora porque pertence ao espólio de seu criador, o inglês Sax Homer, prolífico autor de histórias de Pulp Fiction de meados do século passado.

Logo na introdução, começamos a conhecer a interessante história desta radicalmente diferente Kun Lun, um reino milenar forjado por mestres de Kung Fu de 13 escolas, todas inspiradas em personagens Marvel, como a escola dos Dez Anéis (Mandarim), da Pantera (Pantera Negra), do Tentáculo Escarlate (O Tentáculo), e assim por diante, incluindo, logicamente, o Clã do Punho de Ferro, visto que Kun Lun é, na cronologia Marvel oficial, o nome da cidade mística onde Daniel Rand aprendeu sua técnica e ganhou seus poderes.

O autor desta HQ, Haden Blackman – que recentemente roteirizou a revista solo da Elektra – fez um interessante mash up entre os grandes lutadores da Marvel com o universo dos mutantes (e além). No começo desta história, conhecemos um Shang Chi bêbado e alquebrado espiritualmente, além de um pequeno grupo de jovens rebeldes das ruas que, na verdade, são versões de Morlocks, X-Men e Novos Mutantes.

Esse bando de desajustados terá importante papel ao longo da história e, dando um pequeno spoiler, eles transformarão este Shang Chi em um verdadeiro… Mestre do Kung Fu! A ideia é ótima e está totalmente integrada à proposta desta história.

O outro núcleo de personagens é formado pelos aliados do Barão Zheng Zu, incluindo versões do Punho de Ferro (um xerife que também tem interesse em destronar o Imperador), da Elektra, do Surfista Prateado (?), e, acredito, do Laughing Mask, um obscuro personagem dos anos 40, visto pela última vez na série The Twelve – ainda inédita aqui no Brasil. Posso estar enganado, mas a máscara lembra bastante. Muitos disseram, contudo, que o Crânio Sorridente seria na verdade uma versão do Treinador.

A propósito, uma das qualidades desta HQ é adivinhar quem é quem, ou melhor, qual herói ou vilão inspirou as dezenas de personagens deste surpreendente tie-in. Blackman monta um roteiro bem amarrado, um reino com uma história intrigante e rico em detalhes, com interessantes personagens com motivações reais. Acho que falta, contudo, refinar as “vozes” do elenco. Todos tem mais ou menos o mesmo padrão. Um diálogo um pouco mais criativo nesse sentido ampliaria ainda mais a qualidade da história, que também traz uma arte refinada.

Crânio Sorridente seria versão do Treinador? Ou do Laughing Mask?

Laughing Mask, personagem dos anos 40 visto em The Twelve.

DaliborTalajic engrandece enormemente esta revista. Com arte-final de Goran Sudzuka e cores de Miroslav Mrva, as páginas compõem uma agradável arte sequencial, com um ritmo veloz, fluido. A paleta de cores suaves, com ênfase em tons pastel, combinam totalmente com os traços elegantes e bem delineados de Dalibor e Sudzuka. O desenhista é muito bom com as expressões faciais, marcantes, diversificadas, intensas, raras de se ver na atualidade. Uma curiosidade: ele é praticante de artes marciais, o que explica porque as cenas de lutas corporais são caprichadas e verossímeis.

Arte sofisticada de Dalibor

Os quatro capítulos desta incrível história trazem drama, ação, mistérios e uma criativa coleção de versões de lutadores místicos de vários ícones da Marvel, algo até moderno ao pensarmos em videogames e mangás de grande sucesso. A propósito, há uma fantástica batalha com estética de “Boss Fight“. Mas, talvez o mais importante, é uma saga de pura redenção, o conceito-chave que fez de Shang Chi um grande personagem.

Nota para Mestre do Kung Fu: 8,5.

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A segunda história, que em um primeiro momento a Panini chegou a dizer que não sairia no Brasil, mas que por fim encontrou um espaço nesta edição, traz As Corridas Fantasmas, uma minissérie em 4 partes com o título original Ghost Racers, escrita pelo mesmo Felipe Smith que criou o atual Motoqueiro, o latino Robbie Reyes, cujas primeiras histórias saíram em dois encadernados em 2017 no Brasil.

Arte de Juan Gedeon com os vários corredores fantasma do Circo da Morte do Mundo Bélico

Esta história mostra um pouco do que acontece no Domínio de Doomstadt, onde se localiza o Circo da Morte, uma arena construída para jogos violentos, comandada por Arcade, e palco de entretenimento da miríade de populações do Mundo Bélico.

Veremos versões anabolizadas de todos os Ghost Riders relevantes – Johnny Blaze, Danny Ketch, Alejandra Blaze e Carter Slade, este em um incrível formato de centauro – além de outros menos conhecidos e até algumas novidades, como um T-Rex ciborgue que voa acoplado a um Raptor R-99 (!) e um outro que cavalga um Mamute. Opa, seria a primeira aparição em quadrinhos do desconhecido “Ghost Rider original”, apresentado recentemente em Marvel Legacy #1, de Jason Aaron e Esad Ribic?

Felipe Smith criou uma aventura acelerada, praticamente independente do resto das Guerras Secretas, que traz como protagonista o atual Rider, sem esquecer seu simpático irmão Gabriel, e o coloca como “o novato” na Arena – uma alusão meta-linguística ao que ele é, de fato, na história de quadrinhos dos Motoqueiros. A revista traz algumas ideias curiosas, mas o roteiro não escapa de clichês. O final até surpreende mas, de certa forma, tampouco é criativo.

A arte de Juan Gedeon é econômica nos traços e possui um estilo cartunesco, quase de animação infanto-juvenil, mas nem sempre clara. Embora lembre, até certo ponto, o estilo de Tradd Moore – o criador do Motoqueiro Reyes – fica aquém na composição dos quadros e páginas. Os poucos detalhes, mais as cores excessivamente brilhantes de Tamra Bonvillain dificultam em distinguir os diversos personagens, especialmente nas “velozes e furiosas” batalhas.

No geral, esta HQ é algo decepcionante. As várias páginas dedicadas às batalhas reduzem o espaço para o desenvolvimento dos personagens. Quem não conhecia Robbie Reyes provavelmente sentiu dificuldades para ter alguma empatia com o novo espírito da vingança que, ressalta-se, é de uma natureza diferente da dos Motoqueiros anteriores. Esse ponto é até abordado, mas superficialmente.

Outro problema é o Arcade, um dos vilões mais sem-graça da Marvel. Com certeza a premissa de um Circo da Morte para vermos Ghost Riders em ação é até bacana, mas a explicação de como os controlam é bem pouco crível. Fica difícil “torcer” pelos motoqueiros, nitidamente muito mais poderosos que seus captores. A resolução da trama é tão rápida que, no final das contas, parece irrelevante.

Infelizmente, é uma série completamente descartável encaixada em uma revista nitidamente superior de outro personagem. Coisas das HQs Marvel no Brasil.

Nota para Os Corredores Fantasma: 5,5.

Action Comics #2 – Panini Comics

Team-up com a Mulher-Maravilha em Action Comics #2

Resenha da segunda edição brasileira de Action Comics, em que o “novo-velho” Superman continua sua batalha com Apocalypse e, como a capa já entrega, conta com a participação da Princesa Amazona.

. Volume de Spoilers: moderados.

A Panini acrescenta outras duas edições da Action Comics americana, a #959 e a #960, respectivamente os capítulos 3 e 4 deste primeiro arco na Fase Renascimento DC. Já adianto que esta história não termina aqui.

Apocalypse, Superman e Lex Luthor continuam a batalhar no centro de Metrópolis, gerando enorme destruição, enquanto Lois Lane e o pequeno Jon acompanham pela televisão. Lois, obviamente, está apreensiva porque sabe como foi o desfecho da primeira batalha entre eles. Ao mesmo tempo, não quer demonstrar medo para seu filho que, como qualquer criança, está curtindo a batalha.

É uma leitura rápida, ágil, permeada por muita ação. Contudo, alguns momentos do roteiro incomodam, como naqueles em que pessoas se deixam ficar desnecessariamente a perigo, como quando Jimmy Olsen tenta tirar fotos a poucos metros do conflito, bem como o misterioso Clark Kent humano que, mesmo ferido, conversa (!) com Superman nos esgotos, enquanto este confronta Apocalypse. Essa teimosia do repórter, que diz precisar ficar perto da “matéria”, é demasiadamente infantil.

Assim como, na segunda parte, já com a chegada da Mulher-Maravilha, o roteiro cria uma situação extremamente forçada para colocar a família do Homem de Aço em perigo. Os diálogos e cenas de afeto entre Superman e Lois são pouco convincentes, repletos de clichês. De novidade, apenas uma breve aparição daquele estranho ser encapuzado e mais detalhes de como Luthor conseguiu equipar sua armadura.

Dan Jurgens, de fato, apesar de veterano e de ter alguns bons trabalhos no currículo, como as fases do Gladiador Dourado na DC e do Thor na Marvel, faz aqui um trabalho mediano, com um desenvolvimento previsível, tanto nos cliffhangers (há pelo menos 3 deles neste arco com a mesma situação), como nos diálogos e, imagino, na conclusão.

Quanto à arte, quem cuida dos desenhos desta revista é Tyler Kirkham, enquanto as cores ficam com Arif Prianto. Kirkham é bom, mas entrega um trabalho inferior ao do ótimo Patrick Zircher (que cuidou da edição anterior. Seu design de personagens é mais cartunesco, mas não causa uma grande ruptura com Zircher. Sua composição e a narrativa, contudo, não são tão imaginativas. Estranhei, mesmo, o visual da Mulher-Maravilha, que parece extremamente jovem, quase uma adolescente. Também não gostei muito do trabalho de colorização: há excesso de tons na mesma página, com muito brilho.

Arte interna de Tyler Kirkham

Mesmo sem concluir o arco, resolvi parar de acompanhar este título. Há tanta variedade e material com alta qualidade saindo, que é preciso selecionar. Particularmente, acho duas revistas mensais para o Homem de Aço até aceitáveis, mas para mim, que não sou nem tão fã do personagem, nem do roteirista, é demais. Vou continuar, por enquanto, com o título-irmão, Superman, que em breve resenharei o primeiro arco aqui. A propósito, neste caso eu preferiria o modelo anterior, de uma revista mensal com 3 histórias. Havia mais variedade, tanto de histórias quanto de estilos de arte, o que ajudava na motivação da leitura.

Nota 5,5.

Resenha de As Guerras Secretas Secretas de Deadpool #1 – Panini Comics

Capa de Tony Harris para mais uma edição especial de Deadpool nas Guerras Secretas.

Nesta edição especial da Panini estrelada por Deadpool, a Marvel fez uma brincadeira, ignorando as “novas” Guerras Secretas, e produziu uma espécie de “O que aconteceria se… Deadpool tivesse participado das Guerras Secretas originais?“, ou seja, é uma história baseada naquele primeiro grande evento da editora, de 1984.

. Volume de Spoilers: Poucos, só para situar o leitor.

O resultado é hilário e, às vezes, até brilhante, mas tem um problema: as gags funcionam muito, mas muito melhor para quem já leu e se lembra bem daquele clássico evento – diria até que é imprescindível. Claro que, nos dias atuais, pela facilidade em encontrar informação, pode ser algo contornável, mas fica a ressalva.

Como os leitores daquela época sabem, a primeira grande piada é que Deadpool simplesmente não existia. Ou melhor, ainda não tinha sido criado! Quando surgiu, como adversário da X-Force, em 1991, ele só tinha interações com o núcleo dos mutantes, ficando famoso mesmo lá pelo final dessa década.

Essa “impossibilidade” é o mote das piadas e do roteiro desta HQ e justifica o título: Deadpool teria participado secretamente das primeiras Guerras Secretas. De fato, se ele surgiu como um adulto e veterano em 1991, ele já existia em 1984; o ponto é que nem nós, leitores, nem os demais personagens daquele evento o conheciam!

Essa premissa é bastante explorada no primeiro capítulo, quando heróis e vilões são transportados por Beyonder ao Mundo Bélico. A história começa instantes após o Doutor Destino ter eliminado todos os super-heróis, ou seja, já no arco final da saga. Graças ao seu insano fator de cura, Deadpool recupera-se sozinho e começa a vaguear, em meios aos corpos carbonizados dos seus colegas, quando passa a narrar, em flashback, os principais pontos da história pregressa.

O Deadpool-Narrador é uma opção que muitos roteiristas gostam de usar, e Cullen Bunn, o responsável pela minissérie reunida neste encadernado, soube explorar bem, embora a maior parte da história nem precise do recurso. Bunn parece ter se divertido muito, imaginando como Deadpool teria reagido, quais falas teria dito, como lutaria e como se relacionaria com os demais heróis e vilões nas situações mais marcantes do evento. Falastrão, desbocado e tentando conter sua veia assassina, as risadas surgem a cada página.

Uma das cenas clássicas recriadas, agora com Deadpool no meio… e não é que ficou até mais legal?

O desenhista, Matteo Lolli, recria várias das mesmas cenas da saga clássica, emulando até algumas das poses e equipamentos imaginados por Mike Zeck e Bob Layton, os desenhistas da série original. Lolli às vezes procura ângulos diferentes, como se revíssemos a cena clássica por uma outra câmera, o que acrescenta uma dose extra de diversão. Seu traço é clean, com narrativa e composições adequadas, nada de excepcional mas competente.

Muitas das frases originais e que se instalaram na memória de quem vivenciou a história nos anos 1980 também ressurgem mas, claro, com intervenções inoportunas do Mercenário Tagarela que até fazem “perder o clima” dos demais (Doutor Destino que o diga rsrs).

Mas, piadas infames à parte, Bunn traz algumas ideias bem-vindas, criativas e, pelo menos uma – que envolve um certo simbionte alienígena, realmente brilhante. O autor também precisava apresentar uma justificativa crível sobre como essa hipotética participação do Deadpool não contava da história original, e o faz utilizando um recurso do próprio roteiro das Guerras. Finalmente, há uma alteração incrível, um retcon revelado na última página que, sinceramente, agradou ao meu coração.

Deadpool é curado… e olha que visual maneiro ele tinha em 1984?

Provavelmente mais do que 4 capítulos para esta grande piada seria demais, mas eu leria! De modo geral, esta HQ cumpre bem o que se espera da proposta, e até de fato supera, ao acrescentar boas ideias, dezenas de piadas e algumas situações memoráveis.

Como extras, uma pequena história da mesma dupla criativa usando como base o Torneio dos Campeões – um evento anterior, de 1982 e bem menos famoso, e outra, chamada Howard, o Humano, de Skottie Young e Jim Mahfood. Esta, publicada originalmente em one-shot, apresenta um thriller policial cômico, em que o único humano desta realidade é uma versão do pato Howard, e todos os demais seres inteligentes e falantes são animais. OU seja, o oposto do que lemos nas aventuras do Pato. É uma boa história, embora a arte alternativa de Mahfood não seja para todos.

Nota: 8,0.

Mulher-Maravilha #2 – Panini Comics

Capa de Liam Sharp para MM #2 da fase Renascimento DC

Resenha da segunda edição da Mulher-Maravilha na nova fase Renascimento DC, com a publicação de Wonder Woman #2 e #3, de Greg Rucka.

. Volume de spoilers: mínimos.

Com data de Maio/2017, temos nesta revista da Panini duas edições da mensal solo da personagem, que está saindo quinzenalmente nos EUA. A DC optou por contar neste título duas histórias diferentes, que caminham alternadamente: uma focando na origem da heroína, especialmente seu primeiro encontro com Steve Trevor; e outra no presente, esta sim continuação da Mulher-Maravilha #1, em que ela se depara com um mistério e com a ameaça da Mulher-Leopardo.

O escritor Greg Rucka enfrenta esse desafio de contar ambas histórias em edições alternadas, sendo que a arte do passado fica com Nicola Scott, e a do presente, com Liam Sharp. Em comum, aparentemente, só a presença de Steve Trevor, mas podem acontecer surpresas. Sinceramente, não sei por quanto tempo essa abordagem irá durar, mas inicialmente, funciona.

Gostei muito do começo da “nova origem” de Rucka. É diferente daquela que virou a maior referência até o momento, a de George Perez/Len Wein (da Fase Pós-Crise nas Infinitas Terras de 1986), mas ainda retém sua essência, com  foco nos Deuses Gregos e no modo de vida da época em que eram o auge da civilização ocidental, preservado na Ilha de Themyscira. Vemos uma jovem Diana aprimorando suas habilidades de guerreira, em meio a amizades, amores e estudos, e a adorável relação com sua mãe, a Rainha Hyppolita.

Composição, cuidados com cenários e expressões dos personagens são pontos fortes de Nicola Scott

A comunidade das Amazonas é vibrante e a arte da australiana Nicola Scott é perfeita para o estilo da história. Além de lembrar o mestre Perez, no seu cuidado com o delineamento dos personagens, suas expressões faciais e nos detalhes dos cenários, Scott também traz uma modernidade agradável, capaz de contar uma história relativamente densa em poucos quadrinhos, sempre com boas composições e enquadramentos, que não cansam nem confundem. Impossível ficar alheio.

Há um bom espaço também para retratar como era a vida do jovem militar Trevor e dos acontecimentos que antecederam a missão que o levou à Ilha. No geral, temos uma história extremamente interessante, bem contada e agradável. As cores de Romulo Fajardo Jr são delicadas e enaltecem a suntuosidade da arquitetura Grega, ao mesmo tempo que se encaixam quando precisam retratar a “humanidade” de Steve.

Traço e cores belíssimas de Nicola Scott e Romulo Fajardo Jr

A segunda história é bastante diferente: temos Trevor já envelhecido (quantos anos depois do primeiro encontro com a Amazona?) em uma missão aparentemente suicida à procura de um warlord na África. Na mesma área, Diana encontra a Mulher-Leopardo. Há um grupo de Homens-Hienas (?) à procura delas, talvez fruto de magia negra? Enfim, são especulações, a trama em si não esclarece de imediato, o leitor precisa juntar os pontos aos poucos, mas certamente Trevor e seu alvo terão ligação com a Mulher-Maravilha e as feras que acabou de enfrentar.

Os desenhos de Liam Sharp e as cores de Laura Martin procuram mostrar uma floresta densa e luxuriante, quase mística, e há bons momentos no traço de Sharp, mas também percebe-se suas limitações, tanto anatômicas, na composição e, principalmente, de narrativa.

Esta segunda parte da história no presente está, até o momento, desnecessariamente truncada. Há uma premissa razoavelmente interessante – Diana perdeu a conexão com Themyscira – na relação entre ela e a vilã, que já foram amigas antes da transformação da Leopardo, que troca momentos de fúria com outros de frágil humanidade. Contudo, a missão dos americanos liderados por Steve Trevor é um pouco cansativa e permeada de situações-clichês. Espero que melhore.

Em todo o caso, continuaremos acompanhando este título mensal da Panini, especialmente pela nova origem cuidadosa, com a ótima arte de Scott e Fajardo. Nos extras, algumas capas alternativas belíssimas do Frank Cho.

Uma das Capas alternativas de Frank Cho publicadas no interior

Nota: 8,0.