Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #4 – Panini Comics

Máquina Caça-Níqueis?

Rápida resenha do quarto capítulo desta nova encarnação do título Grandes Astros Batman onde o Cavaleiro das Trevas já enfrentou diversos vilões e, pelo visto, ainda tem mais alguns na fila! A primeira série Grandes Astros (All-Star no original) também tinha Robin no título e foi produzida por Frank Miller e Jim Lee, entre 2005 e 2008, mas nunca foi concluída.

. Volume de Spoilers: nada relevante.

Desta vez, a primeira página mostra uma casinha isolada no meio de um campo, onde há alguém em perigo. Contudo, a partir da página 2, Scott Snyder retoma do ponto anterior, onde Batman estava encurralado nos esgotos com Duas-Caras e um esquadrão de batalha da Corte das Corujas. A luta é árdua e trabalhada com detalhes por John Romita Jr. ao longo de 10 páginas!

O autor novamente dá uma pincelada na infância de Wayne e Dent, mas ignora o sub-plot com o Comissário Gordon que apareceu nas duas primeiras edições, e também não retoma a frenética mudança de tempo da narrativa que era uma espécie de “marca-registrada” da série. Por um lado, isso facilita o entendimento mas, por outro, parece que Snyder simplesmente desistiu (se arrependeu?) do recurso no meio da trama.

Por fim, acontece uma reviravolta… bastante inusitada nas últimas páginas mas que, mantendo nossa proposta de resenha spoiler-free, não comentaremos nada.

No geral, perdi um pouco meu interesse neste arco. “Meu Pior Inimigo” teve um começo promissor pelo ambiente diferente e pelo exército de vilões caçando o morcego – além claro da equipe criativa cinco estrelas – mas as constantes reviravoltas e a própria capacidade física do herói, que foi diversas vezes ferido gravemente mas continua quase 100% (e sem ter um fator de cura…) desgastaram a narrativa.

Também contribuem para essa sensação a mudança de vários elementos na edição anterior, como a chegada de outros chefões do crime, o reaparecimento da KG Besta, a revelação de aspectos da infância entre o protagonista e o antagonista, os novos apetrechos do uniforme extremamente convenientes para as batalhas, a participação de Jarvis, Gordon e Duke… enfim, Snyder decidiu colocar tantos acontecimentos, personagens e situações que tudo fica superficial, sem impacto.

A história conclui na próxima edição.

Duke no elegante traço de Declan Shalvey

A segunda história, “A Roda Amaldiçoada – Parte 4”, até por ser curta, com 8 páginas, obriga foco por parte do autor – também Scott Snyder -, é interessante tanto pelo mistério como pelo drama pessoal de Duke Thomas. A elegante arte de Declan Shalvey e as cores pastéis de Jordie Bellaire criam uma atmosfera atraente, com uma boa narrativa.

Nota: 6,5.

Resenha de Avante Vingadores #6 – Panini Comics

Thanos faz sua entrada triunfal na revista dos  Supremos!

Resenha com todas as histórias contidas na edição #6  da revista mensal Avante, Vingadores! Pela primeira vez não há uma história solo da Capitã Marvel e 2 títulos aparecem com histórias dobradas.

. Nível de spoilers: leves.

Os Supremos #6 e #7
A primeira história desta revista é realmente diferenciada. Al Ewing, como já dito antes aqui, não se intimida com a grandiosidade dos elementos com os quais está brincando. Ele simplesmente deixa os Supremos de lado e escreve um conto cósmico do Galactus, baseado no mito de Sísifo, com direito a uma conversa franca e intrigante com o Homem Molecular. Sim, também como já dissemos antes, este título é praticamente uma sequência das Guerras Secretas. Mas, vai além, e Galactus, o agora Portador da Vida, vai ser confrontado por outras entidades que aparentemente não concordam com sua mudança de status quo. Sem dúvida alguns dos mais interessantes personagens do vasto panteão cósmico da Marvel estão nestas páginas. O desenhista convidado, Christian Ward, entrega imagens inesquecíveis. Outro trabalho fantástico.

Galactus soca outra Entidade Cósmica

Na segunda história, o autor divide o foco entre Carol Danvers, que precisa investigar uma suspeita levantada pelos Shiars, e o Adão Negro, que agora tem uma nova incumbência em pesquisar e conter seu antigo amigo e ex-vilão, Conner Sims, que fora resgatado no capítulo anterior no “tempo além do tempo”. Fico grato que o autor recupera esse importante elemento associado à origem do Adão Negro para criar novas histórias. O final da edição #7, contudo, é o ponto alto, pois Thanos ressurge, trazendo como sempre aniquilação. Kenneth Rocafort e Dan Brown retornam na bela arte. HQ recheada de acontecimentos, com roteiros criativos, personagens se não cativantes ao menos intrigantes, e diálogos cuidadosamente lapidados. A melhor série desta revista!
Nota: 9,0.

Esquadrão Supremo #7
Segunda parte do arco focado na Doutora Espectro, que parte em missão submarina, onde encontra mais do que esperava. Aliás, mais também do que o leitor imaginava. Novamente, James Robinson confirma que é um grande pesquisador do Universo Marvel e, imagino, entusiasta dos clássicos. Enquanto isso, em Nova Iorque, seu colega Falcão Noturno encontra… o outro Falcão Noturno! Bom, aqui vale uma pequena explicação: o nome original em inglês destes dois heróis é, de fato, Nighthawk. Porém, no Brasil o Nighthawk original, que atuou no Esquadrão Supremo e nos Defensores, tinha a tradução de Águia Noturna. E é ele quem aparece por aqui, disposto a encarar sua contra-parte interdimensional! No mais, há um pequeno trecho com Hypérion “descobrindo” a América e, de novo, nada da Tundra. Os desenhos de Leonard Kirk e Paolo Villanelli caíram de qualidade. Em alguns quadros há carência de detalhes, corpos desproporcionais e até mesmo a composição parece truncada. No geral, é uma edição menor, leitura rápida demais… vamos ver como se desenrola a conclusão no próximo número.
Nota: 6,0.

Força-V #7
Kelly Thompson conclui o arco com a Thor-Cristal que, finalmente, traz alguma relevância mas, mesmo a bela e vibrante arte de Ben Caldwell, Scott Hanna e Ian Herring não suavizam o bastante a irritante sequência de frases de efeito, piadas forçadas e a quase obsessiva necessidade de criar “fricção” entre as heroínas. A impressão final é que todas são igualmente duronas, cheias de atitude, mas que ao mesmo tempo não se descuidam da roupa e do cabelo – tudo em meio às batalhas e ameaças mortais. Claro, com exceção de Singularidade que, parece, não desperta a menor simpatia à nova roteirista e aqui é praticamente esquecida, o que é uma pena porque é uma personagem ainda nova e diferente. A vilã, Condessa, não traz tensão em nenhum momento e, mesmo assim, a forma como as heroínas a derrotam chega a ser engraçada de tão absurdamente simplória. Fiquei sem entender… apesar de ser um título para pré-adolescentes modernas e descoladas a referência é uma música pop dos anos 1980!? Então tá!
Nota: 5,0.

Incrivelmente Sensacional Hulk #6
Conclusão do segundo – e curtinho – arco do novo Hulk com a nova Thor, com bons desenhos de Michael Choi. Gostei mais do seu trabalho nesta segunda parte, porque capta melhor a energia do jovem e impetuoso Amadeus Cho. Também há mais leveza onde precisa e até nos momentos dramáticos o desenhista atinge os pontos certos nas expressões faciais, na postura dos corpos e na diagramação das páginas.

Arte interna de Mike Choi com o Hulk Amadeus e a Nova Thor

Há momentos divertidos na interação da poderosa dupla de heróis, que precisam ajudar um grupo de ferreiros Anões a recuperar metal Uru roubado pela Encantor. É uma história redondinha de Greg Pak, sem firulas, sem furos, sem grandes situações mas bem contada, que começou morna na edição anterior mas conclui de modo decente, respeitando as características de todos os personagens, com direito a um momento terno entre os irmãos Amadeus e Maddie.
Nota: 7,0.

Homem-Formiga #7 e #8
Mais dois capítulos de um longo e divertidíssimo arco com os infortúnios de Scott Lang, o Homem-Formiga. Após descobrir que o paradeiro de sua filha Cassie está relacionado ao Corretor do Poder e seu novo aplicativo para vilões, o Capanga 2.0, Scott decide ir direto ao encontro do perigoso e sarcástico executivo maligno, mas primeiro terá que enfrentar o novo… Homem-Planta! Há, como de costume, um cuidadoso trabalho com a caracterização de cada um dos diversos personagens da série que é, de verdade, não somente uma HQ do Homem-Formiga, mas de sua família, de seus adversários, dos amigos Mecanus e Urso, de antigos e novos amores. Pois é, parece mesmo uma sitcom, mas das boas! Nick Spencer dá conta de tudo isso com uma aparente enorme facilidade, com a valiosa ajuda de Ramon Rosanas na edição #7 e de Brent Schoonover na #8.

Capa da edição #7 com Homem-Formiga e seus parceiros em Miami

Essa segunda história, aliás, é ainda mais deliciosa de se ler. O autor recupera o tom de sua série Os Superiores Inimigos do Homem-Aranha (que saiu anos atrás na revista Aranhaverso), e traz um conto hilário – e até levemente deprimente – de um encontro entre 4 vilões classe-Z que, de alguma forma, acabarão trabalhando com nosso herói em uma missão de resgate. Melhor não contar nada além disso para não estragar, mas vale registrar que os autores nos lembram sempre que possível que há outra bela personagem central nesta ótima série: Miami.

Nota: 8,5.

Nota Final para esta Edição: 7,1.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #3 – Panini Comics

Batman Vs KGBesta

Rápida resenha da 3a edição do arco de Scott SnyderJohn Romita Jr. Aqui, como a capa já entrega, Batman enfrenta o repaginado mas sempre perigoso KG Besta.

. Volume de Spoilers: zero, ou quase isso.

Snyder mostra, logo na primeira página, que Bruce Wayne e Harvey Dent tiveram uma certa convivência quando crianças. Como não tenho acompanhado as aventuras do Batman nos títulos mensais dos últimos anos, não sei dizer se isso é novidade ou apenas mais um elemento desse período. Mas ajuda no desenvolvimento da história do presente, onde ambos continuam seu embate mas, desta vez, com a intromissão não esperada do perigoso ex-agente soviético KG Besta, eles precisam decidir se se ajudam brevemente ou não.

A primeira aparição desse vilão é um conto clássico dos anos 80, cuja primeira edição brasileira resenhamos aqui no Blog.

Como não poderia deixar de ser, a Besta é força, precisão e violência em estado bruto. O roteirista acrescenta pequenas descrições nos quadros em que ele usa alguma habilidade ou poder, que achei interessante. Também gostei do novo visual desenvolvido por John Romita Jr., que basicamente atualiza o uniforme, com os mesmos elementos centrais do original. Como sempre, o desenhista entrega um trabalho cinematográfico impressionante, enaltecido pela arte-final de Danny Miki e pelas cores de Dean White que, desta vez, me pareceram um pouco carregadas demais em algumas páginas.

O arco perdeu um pouco da força das edições anteriores, porque ao mesmo tempo que introduziu um elemento do passado de Wayne, e um vilão mais eficaz que os anteriores, não continuou com sub-plot do Comissário Gordon do futuro breve e há algumas reviravoltas forçadas.

Também há um momento daquilo que chamo “demonstração gratuita de mortes violentas” (ou DGMV) da parte de um dos vilões que contrataram o KG Besta. É algo que tem me incomodado bastante nas HQs de heróis, não só porque as mortes nesse esquema são geralmente desnecessárias, mas principalmente porque é um artifício exagerado no roteiro para dar uma ideia de “como o vilão é f@#%, veja que frieza, que poder…” – quando muitas vezes ele ou ela não costuma(va) ser assim, ou seja, também é uma enrolação pura e simples, um desperdício de página. Não chega a estragar, mas é mais um ponto que diminui a qualidade geral da história.

Na já tradicional segunda e curta HQ da revista, estrelada por Duke e escrita por Snyder com arte de Declan ShalveyJordie Bellaire, os autores desenvolvem mais da personalidade do jovem herói, com pouca ação mas com boas cenas do passado e do presente e que continua interessante.

Nota: 7,0.

Rápida Resenha de X-Men #7 – Panini Comics

Na capa, chamada para o início da saga Guerras Apocalípticas

Uma saga que interligará os 3 títulos dos X-Men começa nesta edição, que novamente conta com uma história de cada equipe, mais uma extra curta. Resenha livre de spoilers, confira e comente! As “Guerras Apocalípticas” devem durar vários meses.

Novíssimos X-Men 7: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Continuação da aventura dos jovens X-Men em Paris, este título ainda não está interligado com a saga “As Guerras Apocalípticas”. Após o embate com Blob vamos acompanhar, com uma boa dose de desespero, o cativeiro de Ciclope contra outro dos primeiros inimigos da equipe, Groxo. Para os que estão começando a desvendar o enorme contingente de personagens que frequentam as páginas dos mutantes da Marvel, Groxo é, tradicionalmente, um dos vilões menos perigosos de todos os tempos, tendo sido lacaio de Magneto ou faxineiro na Mansão-X. Por isso mesmo, não é corriqueiro que ele se torne uma ameaça, mas a situação criada por Hopeless é interessante, porque possível. Enquanto sofre nas mãos de Groxo – com direito a uma das cenas mais brutais que já vi com um X-Men -, Ciclope usa sua mente estratégica para tentar escapar, mesmo imaginando que o resto da equipe deve estar à sua procura. Bagley continua se destacando, criando sequências tensas, intercaladas com cenas de convivência também muito bem delineadas. Grande parte da qualidade da arte é, sem dúvida, efeito de Nolan Woodard nas cores. Nota 7,5.

Extraordinários X-Men 8.1: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

A primeira parte das “Guerras Apocalípticas” é conduzida com categoria por Lemire e Ramos, que trazem de volta um grotesco vilão, eternamente associado à saga da realidade alternativa da Era do Apocalipse, de 1994. Mas, se você desconhece essa história e esse tal vilão, não se preocupe, dá para começar a ler esta revista sem esse backgroundTempestade está planejando os próximos passos de sua poderosa e vasta equipe, em um diálogo bem costurado com o Velho Logan, quando são interrompidos com uma notícia perturbadora: de repente, surgiram 600 novas assinaturas de mutantes em Tóquio. É algo completamente inesperado porque a Névoa Terrígena dos Inumanos tem impedido o surgimento de mutantes no mundo Marvel. Colossus, Cérebra e alguns dos estudantes do Abrigo-X resolvem investigar. A premissa estava interessante, até o epílogo. Na verdade, algo que me preocupa é que esta saga envolverá, pelo jeito, viagens no tempo e versões alternativas de nossos queridos X-Men – o que pode ser muito bom, dependendo da história, mas também pode ser enfadonho, porque é um recurso utilizado inúmeras vezes, inclusive recentemente. Victor Olazaba é um colorista talentoso e ajuda a deixar este título moderno. Vamos aguardar os desdobramentos. Nota 8,0.

Extraordinários X-Men 8.2: de Jeff Lemire e Victor Ibañes

Curta, porém bem desenvolvida história de Magia e Sapina – uma nova personagem que apareceu pela primeira vez na edição #1 – em visita ao Doutor Estranho. É sempre válido quando a editora promove histórias que conectam os X-Men ao resto do Universo Marvel. E nada mais natural do que o Mago Supremo para investigar os dons de Sapina. Este é outro exemplo da competência de Lemire. Em poucas páginas, há ação, grandes revelações, ótimas caracterizações dos personagens e tudo com diálogos bem construídos. Ibañes entrega outro bom trabalho e parece se consolidar como o desenhista escalado para intercalar as HQs dos Extraordinários com Humberto Ramos. Nota 8,0.

O bom Doutor em uma rara aparição no título dos X-Men

Fabulosos X-Men 6: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Novo desenhista no título, Lashley é veterano na Marvel e já trabalhou com os mutantes. Não sabemos se ele continuará nos Fabulosos de vez, mas como este é também um capítulo das Guerras Apocalípticas fica a expectativa de que pelo menos cuidará de todo este arco. O foco, como não poderia deixar de ser, já que estamos tratando de uma saga que envolve Apocalipse, é o Anjo, que já foi um de seus Cavaleiros e teve diversas transformações físicas e espirituais desde então. O Anjo atual, é preciso lembrar, é um enigma e Psylocke parece finalmente disposta a desvendá-lo. Há recapitulações da confusa trajetória do herói alado em uma história lenta, que ganha alguma movimentação quando o foco muda para a missão de Monet e Dentes de Sabre, mas nada muito interessante. O clifhanger, contudo, é bem curioso – ponto para Bunn, que parece capaz de reciclar temas tradicionais da mitologia mutante com uma certa criatividade. Nota 6,0.

Nota Final desta Revista: 7,3.

Resenha de O Velho Logan #4 – Panini Comics

Capa da edição que fecha o arco de O Velho Logan nas Guerras Secretas

Nesta quarta edição de O Velho Logan nas Guerras Secretas, a Panini incluiu o capítulo #5 da minissérie americana, Old Man Logan, mas a revista começa com duas historietas retiradas de Secret Wars Too, que de verdade não tem nada a ver com o tom da série principal, o que torna esta HQ… esquisita.

. Volume de Spoilers: praticamente zero.

Vamos lá! Antes de falarmos da história principal, precisamos comentar brevemente as duas histórias que abrem esta revista, ambas extraídas da minissérie americana Secret Wars Too, sendo uma da edição #IV e outra da #VI.

Em “Os Últimos Dias do Demo”, de Kyle Starks e Ramon Villalobos, vemos o que aconteceu com o Demo, um obscuro coadjuvante do Capitão América que brevemente participou dos Vingadores, alguns dias antes do evento da “incursão final” que levou às Guerras Secretas (a colisão das duas Terras remanescentes!). Gosto da arte de estilo alternativo do Villalobos, que combina bem com esta história totalmente despretensiosa e até bem engraçada. Duas curiosidades:o uniforme “clássico” do Demo lembra muito um dos primeiros do Wolverine e, atualmente, esse herói está participando das aventuras do Capitão América Sam Wilson.

Logo depois, em “O Urso Sem Medo” de Ryan Browne – que fez tudo: roteiro, arte e cores – nosso ilustre mutante favorito, porém de uma Terra Alternativa, tem um breve duelo com 3 versões do Ciclope, quando surge… Demoliurso, o Urso Sem Medo! Sim, vocês devem ter entendido do que se trata. Mas, acredite, a HQ fica ainda mais estranha nas páginas seguintes. A proposta é de um humor absurdo, nonsense, que me lembrou alguma coisa entre a MAD e quadrinhos alternativos dos anos 1980. Honestamente? Não gostei, e nem entendi porque a Panini a publicou aqui. Lógico que havia “espaço”, mas será que não havia nada melhor? Nestas situações ainda acho mais interessante repetir uma história antiga, de qualidade, do que preencher com experimentalismos de gosto duvidoso.

Agora sim, entramos na conclusão do arco de O Velho Logan nas Guerras Secretas.

Página Dupla com o Velho Logan em NYC

Brian Bendis despede-se do personagem com uma história calma, sem ação – o que leva a imaginar porque na capa há a chamada “Caçada Mortal!”. Logan está agora em (uma) Nova York e parece não acreditar no que vê. Afinal, de onde vem só há ruínas desta grande metrópole. Os cenários são belamente ilustrados por Andrea Sorrentino, com as ótimas cores de Marcelo Maiolo que, aqui, voltam a casar bem com os intrincados quadros de Andrea, suas chamativas torres corporativas de Manhattan e bons momentos oníricos/telepáticos. O roteiro apresenta poucas situações concretas acontecendo, mas diálogos bem construídos, precisos, talvez a grande marca registrada do autor. Na primeira parte do capítulo, o idoso ex-Wolverine vai ter uma série de reencontros surpreendentes, mas as cenas mais interessantes ficam da metade para frente, inclusive com interligação com o final da saga Guerras Secretas.

Sem dúvida o epílogo cria uma grande oportunidade para a Marvel continuar explorando este Wolverine de um jeito diferente. No geral, esta minissérie começou instigante e repleta de ação e possibilidades, mas logo perdeu o fôlego, mudou de direção e termina de um jeito completamente diferente daquele que poderíamos imaginar. É uma HQ mediana, mas que ao menos faz jus ao estilo de narrativa que causou grande impacto na saga original, de Mark Millar e Steve McNiven.

Interessante construção de Andrea Sorrentino

Fica o aviso que a Panini continuou com esta revista, que virou uma mensal regular, a única surgida durante a Fase Guerras Secretas, e que perdura até hoje, na edição #19, mas, como já mencionado, sem nenhuma ligação com este grande evento Marvel: a edição brasileira passou a publicar, desde a #5, a mensal Old Man Logan escrita por Jeff Lemire e arte variada, mas que inclui também a do italiano Andrea Sorrentino; além de publicar também a mensal All-New All-Different Wolverine, com as histórias da X-23 (Laura Kinney), que assumiu a identidade de Wolverine, escritas por Tom Taylor.

Nota: 6,0.

Resenha de Guerras Secretas #7 – Panini Comics

Todos contra Destino

Sim, o Blog continua com a proposta de resenhar o mega crossover Guerras Secretas na íntegra. Finalmente, com esta edição, avançamos para o ato de encerramento da série central.

. Volume de Spoilers: Pouquíssimos, só para esclarecer os principais pontos da HQ.

Após alguns capítulos tranquilos, nesta sétima parte começa a batalha cataclísmica contra Deus Destino. O grande plano estratégico dos heróis e vilões remanescentes dos universos conhecidos é posto em ação. O melhor é que o leitor não sabia absolutamente nada do que viria. Descobrimos as ações dos desafiantes enquanto lemos, o que é uma ótima forma de criar espanto e prender o leitor.

Do começo ao fim, somos levados a grandes revelações, algumas traições e boas surpresas. Os dois Reed Richards – o clássico, do Universo Regular, e o vilanesco, do Universo Ultimate – transformam o último planeta conhecido em um verdadeiro Battleworld, com generais reunindo suas forças, líderes angariando aliados e até vilões pouco mencionados na série principal ressurgindo plenos, partindo para o tudo ou nada contra os exércitos legalistas do Imperador Supremo.

O roteirista Jonathan Hickman continua seguro com as caracterizações do grande elenco, trazendo uma série de vilões clássicos dos X-Men ao campo de batalha. Cada um desses em algum momento do passado foi responsável por um evento da editora, alguns maiores, outros menores, mas todos deixaram suas marcas na memória de milhares de fãs. Vê-los agora como meros peões de Destino é representativo do poder supremo do vilão número 1 da Marvel e, obviamente, também simboliza a ambição desta história: seria o “evento para acabar com todos os eventos.”

Em seu castelo, Destino acompanha as legiões apreensivo, principalmente depois do alerta de sua filha Valeria Richards. O final do capítulo é brilhante, sem dúvida a cereja do bolo do plano dos Reeds e envolve o cada vez mais popular Pantera Negra.

É exatamente neste ponto que os artistas Esad Ribic e Ive Svorcina brilham, capturando perfeitamente o clima das Terras dos Mortos. As batalhas também ficam épicas com o estilo “pintura a óleo” que a dupla entrega. Ao mesmo tempo que os cenários são desoladores, há emoção emanando dos olhares dos superseres e até mesmo nos titânicos golpes e rajadas, enquanto baixas acumulam-se de ambos os lados. O melhor é que esta foi apenas a primeira parte da batalha final, que certamente vai se desenrolar no capítulo #8 e só concluir, de fato, no #9.

Uma grande galeria de vilões dos X-Men está presente na arte de Ribic e Svorcina

Na história complementar que a Panini sempre encaixa, vemos uma realidade da Inglaterra do Rei James. Lá, a sempre incrível Kate “Gaviã Arqueira” Bishop, ou melhor, Lady Katherine Bishop, decide fazer justiça enfrentando um certo Frank Castle (capturaram a ironia?) com a ajuda de versões de outros Jovens Vingadores. Infelizmente a edição não traz os créditos mas, pesquisando, descobrimos que a curta e interessante HQ é de Prudence Shen  de quem é a primeira vez que ouço falar – com uma bela arte de Ramon Bachs no lápis e Jean François-Beaulieu nas cores.

Nota 8,0.

Resenha de Avante Vingadores #5 – Panini Comics

Capa da Edição #5: Doutora Espectro reencontra Raio Negro

Nova resenha para a edição #5 da atual revista mensal Avante, Vingadores! Melhorou? Piorou? Ficou na mesma? Confira nossa opinião.

. Nível de spoilers: nada com o que se preocupar, a não ser o mínimo para situar cada história.

Esquadrão Supremo #6
Novo arco, com a primeira de uma história em três partes focada na Doutora Espectro. O roteirista da série, James Robinson, recupera um pouquinho dos acontecimentos que apresentaram esta personagem, poucos anos atrás, na fase dos Novos Vingadores de Jonathan Hickman (que está sendo republicada em encadernados pela Panini) e corretamente vai um pouco além, entregando a origem até então secreta da heroína. Ela é a versão alternativa mais recente do Doutor Espectro da década de 1970 que, por sua vez, era um análogo do Lanterna Verde da DC Comics (leia de novo este trecho que acho que dá para entender…). Porém, ao invés de um anel, os Doutores Espectros da Marvel possuem um Prisma do Poder, de origem mística, e não há relatos de que integram uma “tropa”. A personagem tem um pesadelo com Raio Negro, o poderoso líder dos Inumanos que a derrotou em combate no passado recente, quando ela ainda integrava uma superequipe chamada A Grande Sociedade – uma homenagem às duas maiores equipes da DC, a Liga e a Sociedade da Justiça. As imagens de Leonard Kirk são marcantes, embora sem muitos detalhes, com as tradicionais cores vibrantes de Frank Martin. Em seguida, a nova Doutora Espectro parte em uma missão submarina designada pelo seu colega Falcão Noturno. Lá nas profundezas do oceano, “boas” surpresas a aguardam. Temos também pequenos momentos com o próprio Falcão Noturno, que é surpreendido por um personagem que, de fato, precisava aparecer na série. O autor continua recheando as histórias deste Esquadrão com referências a eventos, locais e situações do vasto Universo Marvel. A atual empresa que o Falcão dirige, por exemplo, é a Oracle Inc., cujo proprietário original era o Namor, na intrigante fase de John Byrne dos anos 1990. Tundra ainda não está com a equipe, mas parece inevitável entrar, para ocupar a vaga da fugitiva Princesa do Poder.

Doutora Espectro relembra a derrota de sua equipe para  os poderosos Illuminati

Gosto muito desses aspectos do roteiro, é quase um presente a leitores veteranos. Por outro lado, a abordagem “radical” destes anti-heróis, que continuam matando seus adversários sem pensar duas vezes, traz um incômodo, um constante questionamento dos limites de quem possui muito poder – e essa é, talvez, a premissa central desta equipe, em todas as suas muitas versões ao longo do tempo.
Nota: 7,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #5
Novo arco, mas Greg Pak continua escrevendo as aventuras deste jovem Hulk que, após toda a confusão envolvendo o exército de monstros e a Madame Devassa, com direito a uma luta épica com Fin Fang Foom, oferece agora um desafio diferente, contra uma vilã clássica. Os desenhos são de Michael Choi, outrora um nome “quente”, especialmente em títulos mutantes, mas que, parece, perdeu muito de sua popularidade. Uma curiosidade é que, assim como o próprio Amadeus Cho, Mike Choi é coreano-americano, sendo residente em Los Angeles e casado com a colorista do título, Sonia Oback. Seu estilo, desenvolvido em grande parte na Top Cow! no final dos anos 1990, lembra ainda muito da Image desse período, com quadros grandes, corpos esculturais e assim por diante. Embora muito competente, com ele o título perde grande parte do charme, porque há uma camada de energia adolescente e comédia no lápis de Frank Cho, que Choi simplesmente não atinge. Mas, todos sabem que Frank Cho de fato não costuma ficar por longos períodos em títulos mensais. De qualquer forma, talvez esta história não seja tão bem-humorada quanto a anterior, mas pode ficar interessante graças à chegada de uma poderosíssima heroína. Será que o autor fará sempre team-ups? É um caminho tradicionalmente mais seguro, que permite tanto integrar o novo personagem ao Universo Marvel, como para incentivar fãs dos heróis convidados para arriscar com o novato. Mas, por outro lado, o titular perde chances para “mostrar a que veio”. Edição morna.
Nota: 6,5.

Os Supremos #5
Quem acompanhou, e gostou, das Guerras Secretas de Jonathan Hickman, deve adorar saber que Al Ewing bebe direto dessa fonte e revela mais algumas consequências dessa espetacular saga cósmica. Na continuação do arco que começou na edição anterior, os audaciosos Supremos vão onde nenhum outro herói alcançou e lá encontram mais enigmas do que respostas para o problema do “Tempo Fraturado”. Incapazes de ao menos entender o que encontram nessa área além da realidade conhecida, vão precisar da ajuda de quem menos esperam. Kenneth Rocafort e Dan Brown continuam realizando um trabalho impressionante na arte, dando a grandiosidade necessária às entidades e outros seres absurdamente poderosos que permeiam estas páginas, da primeira à última, que traz simplesmente um dos melhores cliffhangers dos últimos tempos de todos os títulos da Marvel.

Galactus em seu novo papel de Portador da Vida

Impossível não querer ler a próxima edição. É uma pena, mas parece que a série trouxe divisão entre os leitores mais fervorosos da editora: há um grupo que realmente gosta muito, e um outro que não gosta nem um pouco, alegando baixa qualidade nos roteiros de Ewing. Me alinho com o primeiro, porque definitivamente me emociono com os feitos e intenções destes heróis, e com a audácia de seus planos mirabolantes. Não se vê muito disso nos quadrinhos atuais.
Nota: 8,0.

Força-V #6
Nesta segunda parte do arco escrito por Kelly Thompson, a revista mantém o tom da edição anterior, com piadas e situações leves, “femininas” e, vale ressaltar, direcionada para teens. Foco na nova personagem, uma Thor-Cristal (a mutante), diretamente da Tropa Thor do Mundo Bélico das Guerras Secretas. É uma personagem que poderia render mais, porém, aqui, serve apenas para aguçar a curiosidade, dividindo as atenções com a Mulher-Hulk. O desenhista Ben Caldwell tem um traço interessante, muito competente, que combina com a proposta, mas é bem distante do padrão “super heróico”. A arte-final do veterano Scott Hanna e as cores de Ian Herring compõem um bom conjunto. Esta HQ não é para meu gosto, mas é inegável que a arte é caprichada. O desafio atual vem em dose dupla: uma poderosa vilã e sua nova aliada – uma das próprias heroínas da Força-V que foi mentalmente dominada. Enfim, acho que destoa bastante do resto do mix de Avante, Vingadores!, e não deve agradar ao grande público.
Nota: 5,5.

Capitã Marvel #5 
Final do primeiro – e arrastado – arco da nova fase da Capitã Marvel. Michele Fazekas e Tara Butters encerram a trama com algumas revelações e traições, muitos diálogos entre os heróis mas com uma enorme ausência de emoção. A premissa é, como já disse antes, interessante, e particularmente como sou grande fã da Tropa Alfa fiquei curioso e torcia para uma boa série. Além disso, Kris Anka tem um traço bonito, mas se não houver uma mudança muito contundente na qualidade desta série no próximo arco, vai ficar cada vez mais evidente que Carol Danvers ainda não ganhou um título à altura.
Nota: 5,0.

Homem-Formiga #5 e #6
Sem dúvida um dos títulos mais estáveis e de qualidade superior de Avante, Vingadores!, a nova série do Homem-Formiga, estrelada por Scott Lang, o atual detentor da identidade de este que é um dos primeiros super-heróis do Universo Marvel, continua impressionando pelas ideias modernas, sem malabarismos de roteiros, sem ações “épicas” ou recheadas de violência gratuita. Tudo funciona em harmonia: os diálogos, as caracterizações, a arte, o humor na hora certa… Nick Spencer, o criativo roteirista desta série e que também é o atual responsável pelas polêmicas HQs dos Capitães Américas, mostra versatilidade e a segurança de um grande veterano. Scott decide acatar um conselho da Vespa e começa uma sessão de treinamento com o novo Gigante, enquanto o Corretor do Poder decide contra-atacar seus rivais na indústria de TI e lança o “Capanga 2.0”. Ramon Rosanas, o desenhista, consegue capturar com perfeição o evento de lançamento do aplicativo, emulando as sessões de Steve Jobs e outros figurões de San Franscisco. Aliás, há ótimas piadas com o Vale do Silício – trabalhadores e entendedores desse mercado devem curtir.

Scott Lang decide treinar o novo Gigante…. usando cenários Lego!

A segunda história traz todo o foco para Cassie Lang. Angustiada com a descoberta de que seu pai, o próprio Homem-Formiga, estava espionando seus passos a fim de protegê-la, a adolescente toma uma decisão radical, em meio a um flashback de sua história de vida e morte, um reencontro com sua grande amiga Kate Bishop – a Gavião Arqueira – e momentos de seu dia a dia em Miami. A atitude de Cassie pode parecer absurda se a contássemos aqui, mas com a narrativa faz sentido e deixa esta HQ ainda mais interessante pelos fatos que poderão acontecer. A arte desta aventura solo da ex-Jovem Vingadora é da jovem italiana Annapaola Martello e mantém a qualidade de Rosanas.

Nota: 8,5.

Nota Final para esta Edição: 6,8.
Ou seja, foi a edição mais fraquinha até o momento, segundo nossa opinião.