Resenha de Guerras Secretas Planeta Hulk #1 – Panini Comics

planethulk

Este tie-in da megasaga Guerras Secretas, batizado com uma das mais famosas histórias do Hulk, tem na verdade como protagonista Steve Rogers, mais conhecido como Capitão América. Nesta interessante versão, Rogers é retirado de seu mundo original (uma realidade alternativa que, acredito, nunca havia sido revelada) pelo próprio Deus Destino e é enviado em uma missão de resgate e de “desestabilização” ao Gamamundo, um Domínio onde todos os humanos e animais foram transformados em “Hulks”.

. Volume de Spoilers: Zero.

Como sabemos, Guerras Secretas foi uma oportunidade para a Marvel lançar diversos tie-ins com nomes de outras sagas e eventos bem-sucedidos do passado, mas sempre com versões diferentes da realidade da obra original. Às vezes essas novas “visões” são bem próximas daquela que os leitores conhecem, como em X-Men A Era de Apocalipse, mas outras são completamente diferentes, como neste caso.

O roteiro é de Sam Humphries e a arte de Marc Laming, outro bom ilustrador que eu não conhecia. Humphries tem feito vários trabalhos na editora nos últimos anos, mas não é muito popular. Talvez esta minissérie em cinco partes tenha sido um dos seus pontos altos.

Na história, Steve Rogers está obcecado em localizar seu irmão do “Pacto de Guerra”, Bucky Barnes (o Soldado Invernal), e para isso conta com a companhia de um Dinossauro Demônio, o Tiranossauro Rex alienígena vermelho criado pelo Rei Jack Kirby no final dos anos 70. Para isso, a improvável dupla recebe ajuda de um agente de Destino (surpresa!) e, juntos, partem em uma jornada repleta de desafios pelo Gamamundo.

Com um ritmo ágil, o autor cria cenários e personagens interessantes, momentos de perigo sucessivos, reviravoltas e muita ação. A arte é limpa, dinâmica, com uma boa distribuição de splash pages e que combina perfeitamente com o texto. Ao longo de uma fantástica jornada, vamos descobrindo mais sobre o passado deste Capitão América e seus laços com Bucky Barnes. Dá vontade de ler de uma só vez.

Tentei adivinhar o final, mas não consegui. É brutal, como imaginava, mas totalmente inesperado. Acredito que pode desagradar a alguns, mas não deixa de ser um bom fechamento para esta ótima história. Fica o gostinho de “quero mais” destes personagens e do Gamamundo.

A Panini ainda completa a edição com as excelentes capas originais de Michael Del Mundo (guarde esse nome, é um dos novos astros da editora), variantes, uma HQ cômica de uma página com o Homem-Formiga ilustrada pelo grande Paul Pope (!) e, no meio da revista, há ainda uma pequena história que conta a origem da epidemia de Hulks que originou o Gamamundo, escrita por Greg Pak (o autor da saga Planeta Hulk original), e desenhada por Takeshi Miyazawa.

Nota: 9,0.

Lido: Maiores Clássicos do Capitão América #1 (Editora Panini)

capa mcca1

CAPA

. Volume de Spoilers: Poucos.

Um dos grandes elogios que a Panini merece é, sem dúvida, o esforço em trazer grandes Fases, de personagens da Marvel e da DC, que nunca tiveram um tratamento digno no Brasil.

Atualmente, nós podemos encontrar nas bancas e livrarias coleções fantásticas como a “Biblioteca Histórica”, com as primeiras histórias dos heróis Marvel; vários encadernados reeditando minisséries importantes, como “Guerras Secretas” e “Lendas”; e, sobretudo, a coleção dos “Grandes Clássicos”, que começou com a Marvel mas já estão saindo também os primeiros volumes da DC.
No entanto, um dos maiores heróis de todos os tempos e um dos ícones dos quadrinhos, o Capitão América, ainda estava sem nenhuma edição especial disponível. Agora que – na cronologia contemporânea -, o alter ego mais famoso do herói, Steve Rogers, morreu, a Panini resolveu que era hora de investir em Grandes Clássicos do Capitão, como nesta brilhante (e pouco conhecida no Brasil) Fase da “Era de Bronze” do personagem (R$ 28,90/212 pgs).

Muito pedida por fãs veteranos em fóruns na internet, a curta – porém inesquecível – sequência de histórias da dupla de amigos Roger Stern e John Byrne (mais o belíssimo nanquim de Joe Rubinstein) apareceu nas edições originais da revista americana Captain America #247 a #255 (julho de 1980 a março de 1981).

Neste volume #1, portanto, estão todas as 9 clássicas histórias da dupla de autores, desta vez com todas as páginas, no tamanho original, com textos completos e uma nova e melhorada tradução (já tinham sido publicadas em formatinho da Editora Abril). A Panini ainda acrescentou, como é de praxe neste tipo de material, as capas originais, entrevistas com os autores (duas com o Roger Stern, na verdade) e uma inédita sequência sem texto, somente arte de John Byrne, da que seria a 10ª edição da série, mas que infelizmente foi cancelada por motivos não muito claros e a equipe criativa, portanto, não chegou a conclui-la.
Aqui o leitor acompanha o Capitão e sua vida dupla com diversas “novidades”: Steve Rogers fazendo trabalhos free-lance como desenhista publicitário, morando em um pequeno edifício no Brooklyn e convivendo com vários vizinhos autenticamente novaiorquinos, ganhando uma nova namorada, a descolada Bernie Rosenthal, fazendo parcerias com Dum Dum Dugan e Nick Fury, da SHIELD, e enfrentando a ameaça inédita do andróide Mecanus. Como nas demais histórias desta Fase, vemos um Capitão América inteligente, elegante, que enfrenta as ameaças com sagacidade e eficácia – enfim, o supersoldado em essência.
Outros vilões que aparecem aqui são o Homem-Dragão, Batroc, Mister Hyde e – provavelmente o ponto alto de toda a série, o vampiresco Barão Sangue, um inimigo dos tempos da II Guerra Mundial, que faz com que o herói retorne à Inglaterra pela primeira vez desde o seu “descongelamento”, onde reencontra o Union Jack original e a inativa velocista Spitfire. Nessa aventura espetacular, ainda ganhamos de bandeja um novíssimo Union Jack – o terceiro da dinastia, o jovem Joe Chapman, que permanece até hoje na cronologia da Marvel (estrelou há pouco uma mini, publicada na revista mensal Marvel Action). Saudosista e emocionante, é uma das minhas aventuras favoritas do personagem.

Há ainda outros dois destaques, verdadeiras jóias dos quadrinhos do personagem, neste volume:
– a história do “Capitão-Candidato”, onde os autores sugerem a hipótese do Capitão se candidatar a Presidente dos Estados Unidos, trabalham com a repercussão da notícia com a população, com JJJ, Vingadores e encerram com um emocionante “discurso” do herói. Sem supervilões, é um daqueles pequenos clássicos da Marvel onde o foco é o roteiro criativo, reviravoltas e textos bem cuidados. Enfim, imperdível.
–  a origem definitiva do Capitão em “A Lenda Viva”, desenvolvida a partir do trabalho original de Jack Kirby, Joe Simon e também de Stan Lee, os autores acrescentam alguns belos detalhes nos primeiros dias de atuação do herói, e até mesmo mostram a precária condição econômica que o jovem Rogers vivia nos tempos pós-quebra da Bolsa americana da década de 30.

Concluindo:
– Os leitores mais novos, que praticamente só tiveram contato com a atual Fase de Ed Brubaker, se arriscarem esta edição podem se encantar com uma visão bastante diferente do personagem, mais otimista e cheia de esperança – mas ainda assim com a mesma “base” ideológica e repleta de ação e intriga que o herói evoca.
– Se você gosta do John Byrne, vai adorar este material, onde o desenhista brilha a cada página.
– Fãs deprimidos pela morte de Steve Rogers, esta é sua pedida para reviver grandes aventuras.
Nota máxima: 10!