Feira de HQs no Liceu Pasteur em São Paulo

É com grande satisfação que o Blog Lendo Quadrinhos convida a todos os apaixonados pela nova arte para uma nova edição da Feira de HQs no Liceu Pasteur, na Vila Mariana, em São Paulo, neste sábado, 28.09.2019.

Será um encontro de colecionadores, quadrinistas e editoras no pátio do colégio, para um agradável bate papo, exposição e venda de revistas em quadrinhos novas e usadas, prints, ilustrações e muito mais.

Participe: das 9h às 12h – Evento Gratuito!

Quadrinistas Confirmados, autografando suas obras:
. Felipe Folgosi
. Alexandre Jubran
. Régis Rocha (Afrodinamic)
. Julius Ckvalheiyro
. Fabrício Grellet

– E ainda:
. Alexandre Morgado, um dos maiores colecionadores de HQs do Brasil e autor do livro “Marvel Comics: a Trajetória da Casa das Ideias no Brasil” expondo e vendendo parte de seu acervo!
. Workshop de Desenho de HQs (às 10h).
. Palestra: Processo Criativo na Produção de uma HQ, com Fabrício Grellet – Criador, Roteirista e Editor, autor de “Jacques Demolay, o Mártir Templário” e dezenas de quadrinhos para Disney, Image e outras editoras estrangeiras (às 11h).

Endereço: Liceu Pasteur Unidade Mayrink.
Rua Mairinque, 256, Vila Mariana, São Paulo (entrada pelo portão da Diogo de Faria). Esperamos vocês por lá!

Resenha de Guerras Secretas Capitã Marvel #1 – Panini Comics

Capa com a arte sempre chamativa de Mike Deodato

Retomando as resenhas de todas as edições brasileiras das Guerras Secretas!
Confira nossa opinião sobre a revista solo da Carol Danvers, intitulada Capitã Marvel e a Tropa Carol, que publica a minissérie de uma versão da heroína e um grupo de amigas aviadoras no Mundo Bélico.

Spoilers: mínimos.

Kelly Sue DeConnick fez uma certa fama – sobretudo entre as leitoras – em sua passagem pela revista solo da Capitã Marvel, entre os anos 2013-2015. Graças às suas histórias assumidamente feministas, a personagem ganhou uma nova legião de fãs. Por outro lado, essa fase também trouxe críticos que, basicamente, não concordavam com as mudanças no visual da heroína e no tom das HQs. Em termos comerciais, as vendas do título ainda eram problemáticas, como de resto tem sido para a maioria dos títulos mensais para personagens do 2º escalão ou menos.

Nesta, que seria sua última aventura com a personagem – e também com a Marvel Comics, pelo menos até o momento – DeConnick tem a colaboração de outra importante autora de quadrinhos de heróis da atualidade, Kelly Thompson – que de lá para cá fez o caminho inverso da colega e hoje em dia possui uma enorme quantidade de trabalhos em andamento na editora, alguns muito interessantes como a nova série da Gaviã Arqueira (Kate Bishop).

A arte é do competente e talentoso espanhol David Lopez, que fez lápis, arte-final e cores das 3 primeiras partes e das belíssimas capas principais. Mais uma vez, a Panini esqueceu de mencionar um dos desenhistas, no caso a italiana que cuidou da quarta e última parte da minissérie, Laura Braga.

O título cita uma certa Tropa Carol” (no original, Carol Corps), nome de um fã-clube da personagem que surgiu exatamente durante a fase de Kelly Sue. Ruidoso, o grupo era muito ativo nas redes sociais, tinha correspondência direta com a roteirista e editores, e participava de convenções onde, não raro, as fãs surgiam com caprichados cosplayers de Carol Danvers em várias de suas versões.

Esta revista no mostra os momentos derradeiros de uma versão heroica e poderosa da Capitã Marvel e do Esquadrão Banshee, uma força aérea de elite, responsáveis pela defesa do Domínio chamado Setor Hala.

David Lopez é um ótimo artista, capaz de belas montagens, como destas páginas.

Todas no Esquadrão Banshee são novas personagens, mulheres igualmente heroicas, com grande participação na história e, em sua maioria, pilotos de caças supersônicos (mesma profissão original da Carol Danvers) e – acho que esta informação é pouco conhecida no Brasil – foram inspiradas em membros do fã-clube Carol Corps!

Sim, isso mesmo: algumas das mais fiéis leitoras e defensoras da super heroína viraram personagens da Marvel! Sem dúvida, uma ótima iniciativa e criatividade em termos de relacionamento de uma grande editora com sua base de fãs.

Mas, voltando à revista, uma importante diferença desta versão da heroína com a do universo principal é que esta não tem noção exata da origem alienígena de seus poderes, visto que nas Guerras Secretas de Destino só existe o Mundo Bélico e nada além no Universo, muito menos uma civilização interplanetária guerreira e poderosa como a dos Krees.

A história começa de uma forma interessante, com uma boa interação entre as personagens femininas, que realizam treinos com suas aeronaves em conjunto com a heroína voadora, até que uma missão envolvendo um navio traz um mistério que rapidamente trará uma crise no grupo de amigas.

Esta é uma HQ firmemente ambientada no megaevento, com Thors intercedendo no Domínio e uma obediência geral às ordens de Destino, e sinto que isso não fez muito bem ao conjunto da obra, especialmente na “batalha final” e no epílogo, algo desnecessariamente enigmático e até conveniente, evitando um desfecho redondo. É quase o mesmo recurso de Jason Aaron com sua série Thors – quem leu, vai entender a similaridade.

Uma versão de James Rhodes também participa da aventura

Também incomodam os muitos clichês, em especial as caracterizações excessivamente corretas das personagens do Esquadrão Banshee – cada uma bem diferente das outras (diversidade, ok!) mas todas igualmente cheias de “atitude”; tampouco ajuda que a Baronesa Cochran, a Diretora da organização militar e, portanto, chefe da Capitã e demais pilotos, muda radicalmente de ideia sem nenhuma razão aparente no momento mais conveniente; e sobretudo na batalha “quase equilibrada” contra um time de Thors.

É nítido que as autoras não se esforçaram muito em termos criativos, preferindo jogar com o ambiente mais seguro de sua formação – por exemplo, Kelly Sue foi criada em Bases da Força Aérea americana -, nem tentaram ousar na abordagem ou no roteiro. Não há um personagem que se sobressaia, não há um vilão instigante, nem mesmo um desafio à altura… a história simplesmente conta os momentos finais deste Domínio em uma HQ quase preguiçosa, se não fosse pela arte de David Lopez, certamente o destaque da edição.

Lopez chama nossa atenção há tempos, e aqui logo nas primeiras páginas mostra que caprichou em todos os aspectos: layout, narrativa, arte-final e cores, que acabaram favorecendo um de seus pontos fortes, a variedade de expressões faciais. Não chega a ser memorável, até por conta da história tacanha, mas é sem dúvida eficiente e agradável aos olhos. Pena que ele não foi capaz de concluir o trabalho, porque no último capítulo, com Laura Braga no lápis, a arte perde o fôlego.

Capitã Marvel e a Tropa Carol é um tie-in que se mostrou desnecessário, uma aventura trivial, repleta de clichês, sem uma versão radicalmente diferente, com apenas David Lopez trazendo algo de positivo e a novidade, essa sim bem-vinda, de transformar algumas fãs em personagens. Mas elas e a Carol mereciam uma história melhor.

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A revista fecha com uma pequena história de outro personagem. Essa prática da Panini foi comum nesta Saga, e aqui temos um material retirado da revista Secret Wars: Battleworld II, também de 2015, escrita por Ed Brisson – hoje um dos queridinhos da Marvel – e ilustrada por Scott Hepburn com cores de Matt Milla. O protagonista é um Modoc, mas a historieta tenta, tenta, mas não consegue ser engraçada em apresentar uma coletânea de Modocs vilanescos em versões do Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma e Doutor Estranho. Irritante e totalmente descartável.

Nota para Capitã Marvel e a Tropa Carol: 5,0.

Guerras Secretas enfim no Brasil!

Finalmente, o tão aguardado e às vezes temido evento que mexeu com todos os heróis, vilões, planetas e realidades da Marvel começou a ser publicado em nosso país.

A Panini do Brasil preparou um bom pacote de revistas, mas sabe-se que não sairão todas as produções originais americanas, isto é, claro que a série central e os principais tie-ins (interligações), como dos X-Men e do Homem-Aranha terão sua vez, mas muita coisa ficará de fora. Nos EUA, a maior parte foi publicada em formato de minisséries, e aqui não será diferente, mas deve abarcar cerca de 70% do total original.

Particularmente, acho uma pena, porque o leitor brasileiro merecia ter a chance de escolher… há sempre personagens menos populares com sua parcela de fãs, ou mesmo boas histórias com esses heróis que poderiam ser curtidas por leitores exigentes ou curiosos.

O mais estranho é que no caso da DC, a Panini publicou na íntegra os Novos 52 cinco anos atrás, e até Convergence (pelo que ouvi dizer, mas posso estar errado), de agora há pouco. A justificativa poderia ser a “crise econômica”, mas desse jeito fica parecendo mesmo baixa força de vontade.

Em todo caso, para celebrar a chegada desse grande Evento Marvel, decidi retomar os reviews do Blog e vou comentar TODAS as revistas brasileiras.

No próximo post já começo com a edição #1 da série principal.

Lido: Marvel Knights 4 – Jogados aos Lobos

MarvelKnights4JogadosLobos

. Volume de Spoilers: Poucos, só para contextualizar…

Foi uma grata surpresa a chegada deste Encadernado do Quarteto Fantástico. Antes da resenha, contudo, valem duas ressalvas: a primeira é que trata-se de uma republicação e a segunda é que, se você não suporta histórias centradas nestes personagens e com praticamente zero de ação, melhor ignorar este Especial. Isto posto, vamos lá!

No final de 2003, a Marvel anunciava o lançamento de uma revista com o Quarteto Fantástico do Universo Ultimate (escrita pela dupla de peso Brian Bendis e Mark Millar), enquanto no Universo Tradicional, trocava a badalada equipe criativa da revista regular – escrita por Mark Waid e desenhada pelo já falecido Mike Wieringo – pelos novatos Roberto Aguirre-Sacasa e Steve McNiven.

Contudo, como a reação dos fãs foi extremamente negativa, o então Editor-Chefe Joe Quesada voltou atrás (!) e decidiu recontratar a dupla Waid-Wieringo para o título tradicional. A essa altura, no entanto, a “nova-velha” dupla Sacasa-McNiven já havia produzido material e, para não desperdiçar essas histórias e romper o contrato, a editora apostou em uma terceira revista mensal estrelada pelo Quarteto.

Nasceu, assim, a “4” (Four) que, por ter um enfoque diferenciado, distante do atribulado universo regular e suas grandes sagas interligadas, saiu sob o selo Marvel Knights, na época utilizado em títulos com maiores liberdades criativas e histórias fechadas, ou “independentes”.

Sobre esta edição, chamada “Jogados aos Lobos” e que compila as 7 primeiras revistas da série, acompanhamos o Quarteto em uma situação completamente atípica: enganados por um contador inescrupuloso, a equipe se vê, de um dia para o outro, completamente falida. Sem recursos, precisam abandonar o icônico Edifício Baxter e procurar empregos para pagar aluguel, cama e comida!

O autor consegue, ao longo das 4 primeiras histórias, explicar com certa coerência as razões que levaram a esse momento delicado, mas centra foco – acertadamente – nas relações entre os membros da família, desenvolvendo brilhantemente as personalidades de cada herói, especialmente Sue Storm, por sinal belissimamente ilustrada por McNiven. Em seu traço, a Mulher Invisível ganha confiança, jovialidade, elegância e sensualidade (sim, isso tudo!). Além dela, vemos momentos interessantes com todos os membros da “família fundadora” (um dos apelidos da equipe, por ter sido o primeiro título da Era Marvel), em diálogos ponderados e sem excessos. Não há batalhas com super-vilões mas, acredite, eles não fazem a menor falta.

As 3 histórias que fecham o encadernado, contudo, apresentam uma situação que clama por uma atuação mais heróica dos personagens, com inimigos que transitam dentro do habitual da equipe, mas ainda assim de um modo completamente inovador e até cômico.

A leitura desta edição é fluida, agradável, sempre com situações interessantes. A arte é quase sempre muito bonita e, graças ao papel couchê, finalmente ganha o brilho das cores e detalhes que merece, ao contrário da primeira vez em que foi publicada, na finada revista Marvel Apresenta (em 2005).

O título Marvel Knights: 4 teve uma boa duração nos EUA, gerando 30 edições entre abril de 2004 a agosto de 2006, todas escritas por Roberto Aguirre-Sacasa, até então um promissor autor de peças de teatro mas inexperiente com HQs. Pelo trabalho, ganhou um prêmio Harvey por “Melhor Novo Talento”. Posteriormente, ele ainda escreveria uma revista solo do mutante Noturno (inédita no Brasil), várias aventuras do Homem-Aranha e uma adaptação para os quadrinhos dos romances The Stand de Stephen King. Na Televisão, escreveu capítulos e foi co-produtor das séries Glee e Big Love.

Já a carreira do desenhista Steve McNiven deslanchou dentro da Marvel, especialmente depois da clássica saga Guerra Civil (2006-2007). Fez Vingadores, Capitão América, Wolverine e, atualmente, está com os Guardiões da Galáxia.
Fica a expectativa para os próximos volumes. A Panini já programou para este mês a sequência. A maior parte destas HQs ainda são inéditas. Vamos ver se, desta vez, os leitores brasileiros conseguirão ler a íntegra de Marvel Knights: 4.

Nota Final: 8,0.

Coleção de Graphic Novels Marvel da Salvat

Graphic Novels Marvel - 5
Demorei para voltar ao Blog, mas precisava registrar que a iniciativa da Editora Salvat, em parceria com a própria Editora Panini, de publicar esta fantástica coleção foi muito bem-vinda.
O público leitor está sempre em renovação, ou muitas vezes esse público precisa de uma ajuda para mergulhar no universo Marvel (e além!), e lançamentos como este ajudam, tanto como porta de entrada para diversos personagens como para conhecer o trabalho de escritores e desenhistas de primeiro time, com HQs de várias épocas mas sobretudo das últimas 3 décadas.
Para leitores mais veteranos, é também um alento finalmente ver algumas obras em formato original, com papel superior e uma nova tradução.
A qualidade de acabamento, do papel, da impressão, dos extras e, sobretudo, da seleção de histórias clássicas da Marvel garante um investimento seguro.
Até agora já saíram 20 edições, a maioria com histórias muito acima da média.
Além disso, quando completa vai ficar muito bonita na estante!

Coleção Essencial Disney

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Fazia tempo que não lia algo da Disney, cujas revistas em quadrinhos adorava quando criança e adolescente. Deixei passar a recente coleção “Pateta faz História”, então resolvi apostar nesta nova iniciativa da Editora Abril. E não me arrependi, pelo contrário, curti muito os 3 primeiros volumes e pretendo comprar mais alguns.

Cada edição tem 100 páginas, impressos em um ótimo papel alto-alvura, bem superior ao das revistas comuns, mas no mesmo formatinho de sempre. As cores ficam muito melhores, mais “firmes”, e as capas também estão bonitas, com reserva de verniz. O design das capas e miolo ficou bacana, bem elegante.

Se você achar o preço salgado – R$ 10,00 cada – arrisque ao menos a primeira remessa, em que você leva duas revistas pelo preço de uma. Se gostar, talvez se anime a continuar colecionando ou, quem sabe, comprar somente os títulos que mais lhe interessarem. Algumas bancas e revistarias costumam manter em estoque durante um tempo vários números.

A ideia central da Abril foi compilar histórias selecionadas por “temas clássicos”, isto é, aqueles tópicos comumente associados a certos personagens. Exemplos: “Tio Patinhas e a Moeda Número Um”, “Michey versus Mancha Negra”, “Pateta e seus Antepassados” e assim por diante. Serão, no total, 20 edições semanais. Nos créditos editoriais, observa-se que esta nova coleção é baseada na “Série Oro”, publicada pela Editora El Mundo/Disney na Espanha em 2009.

O volume de estréia, “Tio Patinhas versus Maga Patalójika”, tem 4 histórias, assim como o volume #2, “Donald e Seus Sobrinhos”; o #3, “Os Problemas Domésticos do Pateta”, tem 5 histórias. A editora providenciou todos os créditos, citando inclusive quais já saíram no Brasil e em qual revista, além de uma introdução para cada tema. No geral, metade das histórias dos 3 primeiros volumes eram inéditas.

Realmente me diverti muito lendo estas revistas. Os roteiros são muito interessantes, bem desenvolvidos, e há situações engraçadíssimas. Pessoalmente gosto muito do estilo dos desenhistas italianos, que deixa o Pateta realmente “desengonçado”, e os patos tem movimentos mais vibrantes do que de outros estúdios, como os da Dinamarca. Os quadrinhos dos italianos tem um ritmo dinâmico e há um certo ar de deboche, mas não tanto quanto o dos brasileiros, nos bons tempos em que os Estúdios Disney da Abril eram prolíficos e fizeram a alegria de muita gente nos anos 80 e 90.

O Blog dos Quadrinhos criticou a seleção das histórias, que não seriam das mais clássicas. Realmente, talvez o título da série não seja o mais apropriado, porque o “Essencial” dá idéia de “Histórias indispensáveis”. Pode ser, embora a Abril já tenha lançado outras coleções recentemente com esse foco.

Eu não me incomodei porque as histórias são muito boas e a idéia do Essencial está vinculada aos temas que determinam o foco das histórias para cada edição e, também, porque só os personagens mais populares terão vez. E produções mais recentes como estas, quase todas dos anos 2000 e produzidas pelos estúdios italianos, tem a vantagem de abordarem temas mais contemporâneos como, por exemplo, o celular mágico que a Maga usa para hipnotizar o Patinhas e o Resort de praia do capitalista Patacôncio que não deixa os hóspedes em paz, tamanha a quantidade de atividades e mimos. Quem já foi, certamente vai se identificar com a situação.
Recomendo para fãs novos e antigos. Comprem ao menos os dois primeiros por R$ 10,00, com certeza valem a pena. Leiam e depois decidam se vale investir na coleção.

Revista Vertigo da Panini: está valendo a pena?

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. Volume de Spoilers: Poucos, nada comprometedor.

Em outubro de 2009 a editora Panini lançou uma nova e diferenciada publicação mensal, a revista VERTIGO, especializada em materiais editados pela DC Comics em seu selo adulto de mesmo nome. Esse lançamento só foi possível após a desistência da editora Pixel que, até então, detinha os direitos de publicação no Brasil da Vertigo e também das linhas Wildstorm e America´s Best Comics.

A finada Pixel Magazine era a publicação mensal onde se encontrava uma boa parte do catálogo que agora está à disposição dos leitores nesta nova revista da Panini. O resto geralmente saía no formato de Encadernados, e alguma coisa em Minisséries. Bem, mas como anda a Vertigo? Até o momento, já foram comercializadas 4 edições, mas meu comentário se limita às 3 primeiras. O mix original, isto é, o conjunto de títulos escolhidos pela Panini para rechear a revista nestas primeiras edições, é composto por 5 títulos americanos:

1. Hellblazer – este é o nome da revista do John Constantine, o famoso detetive do sobrenatural criado por Alan Moore nos anos 80. É um personagem razoavelmente conhecido do grande público por conta do filme estrelado por Keanu Reeves. Uma curiosidade: é o título do selo Vertigo mais antigo e bem-sucedido, com mais de 200 edições mensais até o momento. Em Vertigo #1 e #2 temos um pequeno arco de duas partes e na #3 começa um arco em 4 partes, todos escritos pelo já veterano Mike Carey (que também escreve títulos dos X-Men para a Marvel) em 2002. As histórias são boas, mantendo a tradição no estilo Constatine-de-ser, trazem uma pequena dose de mistério e uma enorme de “rabugisse” que o leitor espera e geram alguma curiosidade na sequência. Não estão em um nível clássico como de fases anteriores, mas mantém uma qualidade bacana, também em termos de arte (Steve Dillon e Marcelo Frusin que, a propósito, foi trocado na Capa). Nota 6,0.

2. A Tessalíada – minissérie escrita por Bill Willingham (cuja obra-prima é a série Fábulas, também da Vertigo) e desenhada por Shawn McManus em 2002, é estrelada por uma espécie de super-bruxa e vem do universo do Sandman. Nesta história ela enfrenta uma série de ameaças proporcionadas por um conjunto secreto de entidades místicas. Não gostei da personagem e a trama é apenas OK, com clichês demais, criados dentro da própria Vertigo, por sinal. Há uma ou outra sacadinha curiosa, mas é leitura rasteira e a arte do McManus já foi melhor. Nota 4,0.

3. Vikings – estava ansioso por esta história, porque o título é razoavelmente badalado nos EUA desde sua estreia ainda recente, em 2008. Bem, este primeiro arco por enquanto é apenas passável, nada de muito interessante. A leitura é meteórica e trata do retorno de Sven, uma espécie de príncipe, à sua antiga vila nórdica, após um período de exploração em outras paragens. Lógico que vai enfrentar um parente – neste caso, um tio malvado – para retomar o que é seu. A atração é a paisagem e uma ou outra referência à cultura Viking, mas o autor Brian Wood poderia ter caprichado mais. Como está, fica parecendo um Conan de segunda linha. Há algumas boas batalhas, e só. Desenho abaixo da média. Nota 5,0.

4. Escalpo – outro título badalado lá fora, mas desta vez, parece, com razão. Jason Aaron e R. M. Guéra apresentam um universo quase inédito nos quadrinhos e até mesmo em outras mídias: a pobreza, corrupção e ignorância que domina algumas comunidades indígenas americanas atualmente. O protagonista é um personagem cativante em sua brutalidade – o jovem índio e agente secreto Cavalo Ruim – e o roteiro até o momento tem trazido boas reviravoltas e ação; e os diálogos, precisos e contundentes. Ótima leitura e, assim como em Vikings, a Panini está editando o começo da série, esta iniciada em 2007 e até hoje em circulação lá nos EUA. Nota 8,0.

5. Lugar Nenhum – minissérie escrita por Mike Carey dentro do universo criado por Neil Gaiman. Não conhecia, e gostei. Pelo menos é criativa e curiosa. Tem ecos de Alice no País das Maravilhas, traz aquele ambiente “carregado” e quase mítico de Londres. Só o personagem “normal” que é meio chatinho, não espero nada demais dele, mas os freaks são bem bacanas e diferentes. Com certeza é um dos destaques da Vertigo até o momento e termina na edição #4. Os desenhos são do competentíssimo Glenn Fabry e foi originalmente publicada em 2005. Nota 8,0.

Nota Final: 6,5.

Enfim, embora até o momento os destaques mesmo sejam apenas Escalpo e Lugar Nenhum, vou continuar comprando e curtindo a Vertigo porque sei que ainda tem muita coisa de qualidade pra sair, com ótimos autores. Alguns títulos a Panini não deve colocar aqui porque já anunciou que sairão em Encadernados, mas não há muita dificuldade em encontrar boas pedidas para rechear a revistas, até porque tem um período de tempo bem amplo de onde ela pode selecionar material, visto que, apesar da fama do Selo Vertigo, os brasileiros nunca tiveram um contato perene com a maior parte do seu catálogo.