Rapidão: Quadrinhos que andei lendo (Parte 2)

Mais alguns dos últimos lidos:

Crise Final #1: Hmmm… confusinha hein? Sei não… a princípio… média. Vamos aguardar o capítulo seguinte da mega-saga do ano da Panini/DC.
Invasão Secreta Especial #1: História mediana de parte do Quarteto Fantástico enfrentando Skrulls… desenhos muitos bons do Barry Kitson.
Tempestade Cerebral #4: É uma publicação independente brasileira, da editora MIR. Bem irregular, esta é uma edição especial, com mais páginas e 8 capas. Há 10 histórias, cada uma com um personagem diferente. Gostei da VELTA e do PULSAR. O resto é ainda bem amador e muito “inspirado” em personagens mais populares. Mas vale a iniciativa, o papel é bom e pode melhorar.
Marvel Apresenta #41 (Nova): Excelente saga espacial, repleta de boas sacadas e muita ação, faz parte de “Aniquilação 2” e, portanto, tem muita Falange aparecendo… o melhor é ver que a Marvel acertou com o NOVA, um bom personagem dos anos 70 (criado por Marv Wolfman) mas que ficou meio engavetado por muitos anos. Vale a pena conferir.
Guy Gardner o Pacificador: nossa, nem a presença do G´nort salvou esta história equivocada… não percam tempo!
X-Men Extra #88: A edição de Abril ficou engavetada até pouco tempo atrás… bem, teve a Estréia “morna” da série do Cable; também da X-Force, com uma história bacana mas com um desenho absurdamente prejudicado pelo papel brasileiro que a Panini usa, paciência, e uma terceira estréia com os Exilados em nova série. Bons desenhos mas roteiro clichezístico do Chris Claremont. Ele volta na 4ª história, com os Genext, fraquinhos… esta revista continua irregular demais. Vou ficar mais uns meses sem comprá-la.
Wednesday Comics #1: fantástica iniciativa da DC e muito interessante o material, especialmente em termos de arte. Vou tentar comentá-la mais detalhadamente depois.

Rapidão: Quadrinhos que andei lendo (Parte 1)

Feriados e finais de semana são sempre ótimas oportunidades para descansar, passear, ver os amigos e, lógico, ler bastante.

Em termos de HQs consegui “finalizar” várias revistas nas últimas duas semanas. Menos do que gostaria, claro, afinal tenho filhos pequenos mas mesmo assim foram dias interessantes. Rápidos comentários de algumas dessas revistas:

Marvel Max #67, 68, 69: Este é um dos meus títulos favoritos da Editora Panini. É quase inacreditável já que tenha durado tanto tempo. Nessas edições, destaco “A Guerra é um Inferno” de Garth Ennis e Howard Chaykin, sobre combatentes aviadores na I Guerra Mundial, excelente; “1985”, de Mark Millar e Tommy Lee Edwards, roteiro interessante e com nostalgia pura para quem cresceu e viveu os 80 com quadrinhos da Marvel e ” Zumbis Marvel” de Robert Kirkman e Sean Philips ainda divertidos. O arco do “Justiceiro e as viúvas” desta vez está mediano, mas ainda uma boa pedida. Material adulto com heróis Marvel em boa fase.

“A História do Universo DC” – é uma revista que jamais imaginei que seria publicada no Brasil, pois é de 1986 e, portanto, sobre uma cronologia que já não existe mais: a da DC no pós-Crise nas Infinitas Terras, redigida pelo próprio Marv Wolfman. Excelente surpresa. Só os desenhos do George Perez já valem a pena. Ainda tem um bônus com a republicação dos pequenos capítulos da atual realidade da DC que já saíram aqui na série “52”. Imperdível.

“Universo Marvel #46 e 47” – As aventuras de Hercules e seu novo amigo Amadeus Cho continuam em bom ritmo; tem os doentios Thunderbolts; o Quarteto Fantástico em boa fase com Mark Millar e Bryan Hitch e o Motoqueiro Fantasma finalmente ganhando histórias de qualidade nas mãos de Jason Aaron. Uma revista geralmente regular que melhorou muito nos últimos anos.

“Marvel Action #27, 28 e 29” – Aqui a estrela ainda é o Demolidor. Nestas edições tivemos histórias menores de sua saga, uma focando o Ben Urich, outra o vilão-que-quer-ser-herói Tarântula Negra e Murdoch perdido com o destino cruel da amada Milla: bom mas não excelente; Cavaleiro da Lua que começou razoável, teve um final de arco bem fraquinho… e a Panini anunciou que vai dar um stop nas hqs do herói, por mim tudo bem; tivemos ainda Justiceiro em aventuras medianas de Matt Fraction e Chaykin; Pantera Negra lutando contra o Terror Negro foi mediano mas o primeiro capítulo contra os Skrulls foi fantástico (novamente por Jason Aaron) e, por fim, a estréia do Hulk-vermelho de Loeb e McGuiness… esquisito. Ao contrário de “Universo Marvel”, “Marvel Action” já foi melhor…

“Vingadores/Invasores #1 e 2” – projeto do Alex Ross pra Marvel, a última parte (12ª) ainda nem saiu nos EUA mas a Panini já está na parte seis por aqui… bem as duas primeiras edições mostraram uma boa história de encontro-luta-desencontro-luta de equipes… nada de muito sensacional, mas bem montado, divertido e com alguns momentos inspirados. Vamos ver se a trama tem fôlego pra sustentar mais 8 partes…

“Fugitivos – Marvel Especial” – é o arco do Terry Moore (eba!) e do Humberto Ramos (eca!). Achei bem legal, despretensioso mas muito divertido, com foco nas caracterizações de alguns dos personagens mais carismáticos da equipe, como a pequena grande mutante Fortona. De quebra, ainda resolveu um “problema” (que não vou contar qualé) que na verdade é o destino de um personagem que nunca fui com a cara… valeu a pena.

“Guias DC Comics – Roteiro e Desenhos” – são dois tijolos lançados pela já finada Opera Graphica onde no volume 1 o lendário Denny O´Neil descreve um curso completo de Roteiro utilizado pela editora DC; e no volume 2 Klaus Janson conta tudo sobre técnicas modernas e clássicas de desenhos em Hq. Já tenho faz algum tempo, e ainda não li tudo, vou aos poucos e por partes, porque é uma obra de consulta, totalmente ilustrada com dicas valiosas para quem quer “aprender a fazer” ou, como no meu caso, a “saber como se faz” comics na atualidade.

Turma da Mônica: Jovem e Forte!

versões manga da tchurma

versões manga da tchurma

Esta não é exatamente uma resenha, e sim um breve comentário.
Li as edições ZERO (capa ao lado) e UM da propagada novidade.
Realmente… gostei muito!
É divertida, o novo estilo de traço – mangá tropicalizado – traz um benvindo frescor à narração e a cada página em que somos (re) apresentados a um personagem temos uma reação diferente. O Louco agora é um Professor? O Capitão Feio atualizou seu nome? O Cebolinha frequenta uma fono? Até o Anjinho tem uma versão adolescente?

Putz, e ainda dei boas risadas com os diálogos. Mesmo!
Excelente a iniciativa do Mauricio de Sousa e equipe.
Há rumores de que as primeiras edições esgotaram e o número QUATRO (aquela do beijo do Cebolinha e da Mônica) teve uma impressão recorde de 400.000 unidades!!!
Enfim, merece a badalação e as enormes tiragens.
Reparei – folheando as últimas edições, a CINCO e a SEIS – que o traço e quadrinização estão ainda mais próximas do estilo mangá, o que é até louvável pois aprofunda a radicalização.
Esse enorme sucesso é bom pro mercado nacional de quadrinhos, que precisava de uma “luz”. Veio de onde talvez menos se esperava… ou não?
E não sei como está funcionando a estratégia da distribuição mas é interessante que todos os números ainda estão disponíveis em livrarias, isto é, não estão “sumindo das bancas”. Legal mesmo.
Fui um leitor voraz na infância e é excelente saber que agora há dois “universos” da turminha nas bancas – o tradicional, que certamente vou apresentar aos meus filhos, e este mais adolescente que, aposto, eles mesmos vão correr atrás.
Parabéns, Mauricio, você fez de novo!

Lido: Wolverine Anual #2 (Editora Panini)

Capa da revista Wolverine Anual 2 da Panini

Capa de Wolverine Anual 2 da Editora Panini

Volume de Spoilers: Poucos, leia sem medo!

Segunda edição “Anual” com o baixinho canadense mais famoso do mundo.
A editora brasileira reuniu 4 revistas diferentes das originais americanas e o resultado é um painel diversificado do anti-herói mutante, que terá um ano agitado pela frente, sobretudo porque estrela um filme ainda no 1º semestre de 2009. A capa é do Michael Turner, custa R$ 13,90, 132 páginas.
No geral, gostei da revista. A fórmula destas edições “anuais” da Panini parece que vem dando certo para publicar histórias com qualidade acima da média mas que, por motivos de espaço, dificilmente sairiam nas edições regulares mensais. Vamos aos detalhes das 4 aventuras:

1. O Homem do Poço.
Escrita por Jason Aaron, um dos mais novos talentos dos quadrinhos autorais trazidos para a Marvel, e desenhada por Howard Chaykin, que é o oposto, por ser um veterano da década de 80 e que está num momento bastante prolífico de sua carreira depois de anos afastado das HQs. Esta é uma história bastante diferente e que, por conta disso, pode desagradar a alguns leitores. Sem estragar muito, vemos Wolverine capturado e sofrendo barbaridades nas mãos de uma organização criminosa secreta, com direito ao surgimento de novos supervilões. A ênfase é em um dos funcionários dessa quadrilha. Gostei de como as coisas se encerram, apesar de alguns clichês do começo da narrativa e desta história ser, no fundo, uma introdução a algum arco futuro – tanto é que ela foi publicada originalmente na revista mensal do personagem (Wolverine #56, Vol. 02, outubro/2007).

2. Incêndio.
De Mike Carey, um dos atuais roteiristas das histórias dos X-Men e ex-Vertigo/DC, e desenhada pelo sempre competente Scott Kolins, é uma daquelas aventuras em que Logan resolve tudo do jeito dele, com a particularidade de envolver uma família em perigo e incêndios florestais. Relações familiares, ecologia, terrorismo, superação… sutilmente o autor resvala em tudo isso sem parecer piegas e conta uma boa aventura. Nos USA foi publicada como uma edição especial (que eles chamam de one shot) chamada Wolverine Special Firebreak, de fevereiro de 2008.

3. Inimigo Público Número Um.
De Daniel Way e Jon Proctor, é a mais fraca, sobretudo por começar bem, intrigante, quase construindo um novo e criativo universo, ambientado no período da Lei Seca nos USA, e ter um final apressado e com desenhos simplórios. Aliás, porque um quadro com a cabeça do Wolverine se repete diversas vezes? Mesmo com referências à saga “Origem”, poderia ter sido bem melhor. Saiu como uma edição da famosa série What If da Marvel (traduzida no Brasil como “O Que Aconteceria Se…”), que atualmente é esporádica, chamada What If Featuring Wolverine, de fevereiro de 2006.

4. A Canção de Morte de J. Patrick Smitt.
Esta saiu de fato em um Annual da Marvel, o #1 de 2007, com texto de Gregg Hurwitz, atualmente um dos roteiristas das HQs do Justiceiro, e desenhada por Marcelo Frusin (artista argentino). História policial, e das boas, com ênfase nos “bandidos”. Apesar da crueldade dos marginais, chegamos a ter pena da história de vida e remorso de um dos criminosos (o tal Patrick do título).

Conclusão.
O maior “senão” de Wolverine Anual #2 com certeza é o preço, que já traz um reajuste provável para os próximos meses. É quase o dobro do valor de uma revista mensal, mas não chega nem perto de ter o dobro de páginas.
Claro que, se você é fã do personagem, deverá comprar por vários motivos: a primeira história faz parte da cronologia e traz uma prelúdio de um novo desafio e talvez de um futuro adversário importante do Logan. Além disso, há um punhado de feitos bizarros do fator de cura do mutante e, no geral, as histórias são bem produzidas, sobretudo os roteiros, mais para o lado “policial” e “aventureiro” e quase nada de climinha “super-heróico” dos X-Men.

Nota: 7,5.
É preciso dizer que gosto do personagem e já fui até um grande fã (início dos anos 90). Li muita coisa dele e, por conta dessa bagagem, posso afirmar com convicção que fazia tempo que não via histórias fechadas, bem contadas e de ângulos diferentes com o Wolvie.

Lido: Maiores Clássicos do Incrível Hulk #1 (Editora Panini)

Capa de The Incredible Hulk 331, a escolhida para ilustrar o encadernado nacional

Capa de The Incredible Hulk 333, a escolhida para ilustrar o encadernado nacional

. Volume de Spoilers: Moderado, com algumas revelações.

A excelente coleção “Os Maiores Clássicos” da Panini Comics continua expandindo seu portifólio e finalmente lança a primeira edição com o ícone Hulk. Uma das dificuldades da editora ao tratar com um personagem com um enorme catálogo e com várias fases memoráveis é exatamente escolher por onde começar.

A opção, com o início da fase do escritor Peter David, é falsamente óbvia. Isso porque, apesar de ser um escritor venerado e com seu nome eternamente associado ao titã Marvel, traz um “problema” para a Panini: ele ficou por quase 13 anos ininterruptos à frente do título. Ou seja, teoricamente a editora levará muitos anos e precisará de muitos volumes para concluir o “conjunto da obra” do autor. Para tanto, é imprescindível que o #1 venda bem (218 pgs, R$ 29,90).

Se conseguir, ótimo, mas fica aqui a primeira ressalva para quem deseja colecionar esta nova série de encadernados. Já para quem nunca leu nada desta Fase, e quer conhecer, fique tranquilo que certamente é uma jornada extremamente recompensadora – ao menos do ponto de vista das histórias, pois a arte várias vezes fica aquém do texto.

 Sobre a edição #1:

Coleciona as histórias originalmente publicadas em The Incredible Hulk # 331 a #339 (1987), que foram as primeiras aventuras escritas pelo genial Peter David. Os desenhos são quase todos de um iniciante Todd McFarlane, sendo uma história apenas desenhada por John Ridgway.
É importante ler os textos introdutórios, onde o próprio David relembra como foi convidado a trabalhar no título e qual era o seu plano original, além de comentários sobre o então desconhecido McFarlane. A Panini também acrescentou uma necessária recapitulação dos eventos anteriores ao início da Fase, essencial para o leitor se situar com relação à cronologia do Universo Marvel, ao status quo do personagem principal e também dos coadjuvantes e vilões.

1. A história inicial envolve os Caça-Hulk originais, comandados pelo agente da SHIELD Clay Quartermain, e sua busca em capturar um novo e cabeludo Hulk, na verdade alter ego do Rick Jones, enquanto Bruce Banner aparentemente está livre da maldição (ele tinha acabado de passar pela fase em que vivia separado do monstro verde) e casou-se recentemente com a antiga paixão Betty Ross. De cara, Peter David já impõe sua marca: diálogos caprichados e caracterizações cuidadosas, e uma boa dose de humor, geralmente do tipo “negro”. Também acrescenta dois coadjuvantes: Ramón, que se diz ex-marido de Betty (!?!), e um esquisito agente funerário, chamado Sterns. A história termina com o surgimento do Hulk Cinza, dono de uma personalidade bem mais articulada e sacana que as versões verdes anteriores. Vale lembrar que, na sua estréia, na HQ de origem de Stan Lee e Jack Kirby, o personagem era também cinza.

2. Na história seguinte, tem-se a resolução do status do Hulk Jones, do ressurgimento do vilão Líder e como se dá a existência do Hulk Cinza. Com isso, David fecha a confusa situação dos protagonistas deixada pelas equipes criativas anteriores e estabelece um novo terreno onde poderá trabalhar seus famosos contos e personagens bizarros, quase sempre com uma enorme carga de emoção e humanidade.

3. É assim que, na 3ª história, temos finalmente o primeiro exemplar genuíno do modus operandi clássico do autor em sua Fase-Hulk: nas primeiras duas páginas, somos apresentados a uma dona-de-casa que apanha constantemente do marido, por acaso o xerife de uma pequena cidade do meio-oeste dos EUA. O envolvimento do Hulk na cidadezinha é um pretexto para trazer à tona a história do casal e encerrar o drama pessoal da dona-de-casa. Material com certeza rico para os diálogos do autor. Ainda apresenta uma interessante explicação para as variantes verde e cinza do anti-herói.

No entanto, até aqui os desenhos de McFarlane ainda são pouco inspirados e, a bem da verdade, com uma série de erros de proporção, falhas de perspectivas e enquadramentos esquisitos e mal-resolvidos. Percebe-se o esforço dos arte-finalistas – todos veteranos – em aprimorar e corrigir o que for possível.

4. É só na história seguinte, com a chegada do arte-finalista Jim Sanders III, que Todd McFarlane começa a ganhar consistência, inclusive melhorando sensivelmente a narrativa. Aqui o Hulk enfrenta uma nova ameaça, o Meia-Vida, enquanto Banner tem que se entender com o ex-marido da Betty, Ramón – aliás um tremendo estereótipo de latin lover pobretão, mas tudo bem. Quem também ganha destaque é o Doutor Sansom, que vinha colaborando com os Caça-Hulk, bem como Rick Jones e Clay Quartermain.

5. Aí então chega “O mal que os homens fazem”, uma história completamente diferente e inovadora do personagem. David dá um tempo em todos os coadjuvantes e traz um conto sobrenatural, misterioso e intrigante, somente com o Hulk Cinza e sua passagem por outro canto perdido do interior da América. Espertamente, os editores chamaram um desenhista diferenciado, John Ridgway, mais apropriado para o tom soturno da HQ e que conta por passagens em Hellblazer (de fato, há um quê de Vertigo aqui).

6. e 7. As duas histórias seguintes são uma mini-saga envolvendo com consistência o grupo mutante X-Factor, aqui em sua primeira formação, ou seja, com os X-Men originais: Ciclope, Jean Grey, Homem de Gelo, etc. Cheia de ação, é uma clássica aventura tipo team-up de heróis, que brigam e depois se aliam, mas com inúmeras consequências para o Hulk e seus antagonistas: uma corrupta SHIELD e seus Caça-Hulk. Finalmente, McFarlane aparece mais solto e começa a produzir imagens mais icônicas dos heróis. Em suma, é uma aventura bem amarrada e divertida.

8. e 9. As últimas duas histórias são ótimos exemplos também da qualidade dos roteiros de Peter David, e de sua criatividade em inventar adversários diferenciados, como Clemência e um garotinho amnésico, este retirado de uma aventura antiga do Homem-Aranha. Novamente, em cada oportunidade o autor apresenta personagens marcantes, apesar de efêmeros, pois são histórias fechadas, curtas, mas contundentes.

Assim termina o primeiro volume da épica participação de Peter David com o Hulk. Que venham os próximos!

Conclusão:
– Encadernado histórico, primeiras HQs do Peter David com o Hulk.
– Arte irregular, não chega a atrapalhar, mas poderia render mais qualidade ao volume.
– Boa pedida para quem gosta de abordagens diferenciadas para personagens clássicos.
– Fãs das HQs dos anos 80, de McFarlane e de Rick Jones deverão curtir.
Nota: 8,0.

Lido: DC Especial #2 – Gavião Negro (Editora Panini)

Capa do 1º encadernado do Gavião Negro

Capa do 1º encadernado do Gavião Negro

. Volume de Spoilers: Poucos, nada que estrague sua leitura.

Esta não é lançamento, e já li há um tempo, mas achei bom resgatar porque parece que as aventuras atuais do Gavião Negro não costumam ter muitos leitores… o que é uma pena, já que são bem bacanas.
Claro, posso estar enganado, já que a Panini não disponibiliza números das vendas, mas ao menos nos fóruns e comunidades brasileiras há pouquíssimas menções a estas histórias, o que serve como um “termômetro”.

A série DC Especial é um título que reúne minisséries ou arcos de personagens que não contam com espaço regular nas revistas “de linha” da DC/Panini, começou a ser editada em 2004 e, numa periodicidade média trimestral, continua a sair nas bancas.

Esta edição foi a de número #2 (junho/2004) e a primeira dedicada ao Gavião Negro. Se não me engano, já saíram mais 3 edições com o personagem até o momento.

Bem, mas esta revista da Panini reúne as 6 primeiras edições da americana Hawkman, originalmente lançadas entre maio e outubro de 2002. Os autores são Geoff Johns e James Robinson – simplesmente 2 roteiristas de enorme prestígio atualmente e importantíssimos para a DC Comics – e o talentoso e (então) desconhecido Rags Morales nos desenhos. (148 pgs, R$ 12,90 – valor original).

Na história de abertura, “Primeiras Impressões”, o protagonista aparece atuando brevemente com seus colegas da Sociedade da Justiça, mas logo a história foca em St. Roch, a cidade imaginária que é escolhida como base pelo arqueólogo e alter ego do herói, Carter Hall, onde o principal elenco de coadjuvantes trabalha no Museu local e onde também a cética e nova Mulher-Gavião se dirige, atraída por informações sobre seu passado. Esta história serve basicamente para estabelecer o clima da série e do conturbado relacionamento entre o casal de heróis alados. O drama central é que a atual encarnação da Mulher-Gavião não se lembra de suas vidas passadas – ao contrário de Carter Hall – que sabe que Kendra Saunders é sua amada “predestinada”. Há bons momentos de tensão trabalhados a partir desta premissa durante várias histórias. O Gavião ainda encara no seu modo tradicional – isto é, violenta e impetuosamente, um vilão local chamado Bloqueio, enquanto Kendra viaja até a Índia.

As 3 histórias seguintes são uma sequência completa da aventura da dupla na Índia, enfrentando um grupo de vilões clássicos do Gavião, incluindo o Ladrão das Sombras, ao mesmo tempo em que surge uma nova ameaça na forma de Homens-Elefantes (estamos na Índia, afinal!) e outras maluquices. A trama começa bem mas tem momentos um pouquinho irregulares. Por sorte, a arte de Morales, as cores e a própria simpatia dos heróis rende um conjunto de boa qualidade.

As duas últimas histórias são uma pequena Saga chamada “Fundas e Arcos”, onde o Arqueiro Verde é, sem dúvida, a maior atração. Divertida, com bons diálogos e bons quebras, fecha bem o encadernado.

Apesar de não ser uma revista impecável, DC Especial #2 vale a pena por conta da própria despretensão das aventuras do herói – construídas em um modelo clássico e linear, com roteiros equilibrados entre ação, caracterização e narrativa; além da própria arte, que combina bastante com as tramas.

É interessante acompanhar a relação entre os dois Gaviões: por um lado, temos um Carter Hall superconfiante e agressivo, por outro uma Kendra Saunders cheia de dúvidas e precisando provar seu valor. Já os vilões não são originais e nem representam grandes ameaças, mas chegam a causar momentos embaraçosos aos heróis.

A Panini caprichou nos extras: um grande e detalhista texto intitulado “Encarnações”, de autoria do próprio Geoff Johns, conta as origens do Gavião Negro, sua parceira e amada Mulher-Gavião, e restabelece toda a confusa cronologia de ambos; há ainda uma galeria das (boas) capas do título e fichas dos personagens principais.

Em resumo:
– Revista acima da média, com textos e artes de qualidade.
– A clássica dupla de heróis alados da DC recomeça com uma cronologia arrumada e explicada.
– Talvez o maior ponto fraco seja a galeria de vilões pouco inspirada e ameaçadora.
– Claro que, se você já gosta dos personagens, mesmo que coadjuvantes da Sociedade da Justiça, precisa dar uma conferida. Talvez em uma próxima “FestComix” ou num bom sebo você encontre esta edição a um preço mais convidativo.
– Um apelo adicional para quem quiser arriscar é que a Panini continua publicando esta série no mesmo formato, ou seja, encadernados dentro da DC Especial.
Nota: 7,5.

Lendo quadrinhos da Marvel Comics, hoje!

Invasão de armaduras...

Spider Woman e Iron Man trocando idéias durante a Invasão

Após comentar no POST anterior sobre o esquema de lançamento das comic books americanas e relatar a minha atual “Pull List” de revistas originais da Marvel, deixo uns breves comentários sobre cada título lido:

. Secret Invasion
A badalada mini-série e evento do ano da Marvel, a “Invasão Secreta” dos aliens Skrulls, está no meio do caminho (#4) e já trouxe vários desdobramentos. Quem quiser saber mais, dá pra achar fácil informações por aí. Eu? Até agora curtindo a viagem… e muito! Os Skrulls realmente estão botando nossos heróis pra correr. Mas que venha THOR!

. Secret Invasion – Who Do You Trust?
Excelente edição especial, com vários heróis Marvel (sem títulos próprios) enfrentando Skrulls, onde cada história foi produzida por artistas diferentes e traz vários ângulos e aprofundamentos do “teatro da Guerra”. Minha história favorita foi a dos fantásticos Agentes da Atlas, mas todas são acima da média.

. New Avengers
Revista mensal, traduzida aqui como Novos Vingadores.
O escritor é, desde a edição #1, o fantástico Brian Michael Bendis; aqui (edição #42) seu parceiro nos lápis é ninguém mais ninguém menos que Jimmy Cheung. Esta edição é uma “interligação” da mega-saga Invasão Secreta, apresentando detalhes sobre a origem da própria Invasão e revelações bombásticas. As edições atuais são muito bacanas e com diálogos precisos, em uma série que já teve vários momentos legais e que continua sendo um dos carros-chefe da editora.

. Avengers: The Initiative
Outra mensal, sai no Brasil como A Iniciativa na revista Avante Vingadores!, e no momento também está totalmente interligada à Invasão Secreta. Conta com dois argumentistas de mão cheia – Dan Slott e Chris Cage – e é uma das minhas favoritas ultimamente. Nem falo do que aborda, senão estraga as surpresas de quem não acompanha o USA. Ótimos momentos em caracterizações inspiradas e atualizadas de personagens do 3º ao 5º escalão da Marvel.

. Iron Fist
É a revista mensal do Punho de Ferro, cujo primeiro arco já saiu aqui pela Panini em uma Marvel Especial. Acabou de terminar a gloriosa fase comandada pela dupla Matt Fraction e Ed Brubaker, simplesmente inesquecível, que ampliou gigantescamente a mitologia do personagem. Vamos ver o que nos espera agora com nova equipe criativa.

. Guardians of the Galaxy
Também mensal e ainda inédita no BR, traz um grupo de aventureiros cósmicos chamados Guardiões da Galáxia. A equipe é recém-formada, consequência de outra Saga, chamada Aniquilação (spoilers free também, don’t worry!). Os autores são Dan Abnett e Andy Lanning nos textos e o excelente Paul Pelletier nos desenhos. Muita ação e uma equipe com personagens cativantes. Tá muito legal encarar esta nova formação dos Guardiões, eu que sou fanzaço da formação “clássica” (um dia comento mais).

. Captain Britain and the MI13
Também mensal e inédita por aqui, já que é bem novinha, esta é a nova casa do herói Capitão Britânia, agora atuando junto ao departamento inglês MI13 junto a outros heróis britânicos – a maioria saída da mini-série do Peter Wisdom que foi publicada no Brasil em Marvel MAX (e em geral foi detonada pela galera). Bom, esta revista é bem superior à Wisdom, e nasceu interligada à Invasão Secreta, mas com um enfoque próprio e original. Excelente, até o número #3.

. Marvel Comics Presents
Revista mensal diferenciada, que apresenta 4 pequenas histórias em cada edição, cada uma enfocando um personagem. A maioria das histórias até agora (#10) foram bem médias e dispensáveis, com apenas as longas e as vezes enroladas séries do Guardião (da Tropa Ômega) e do Vanguard com algum brilho. Bem irregular, vai ser cancelada em breve e acho que merece. A editora podia ter feito escolhas mais prudentes com relação ao mix de personagens, acrescentando mais medalhões entre as figuras desconhecidas.

. The Eternals
Outro título recém-lançado, trata de uma continuação, no caso, da excelente mini-série concebida por Neil Gaiman e John Romita Junior – já publicada aqui – da Saga dos Eternos, ótimos personagens pouco explorados pela editora desde sua criação pelo grande e saudoso Jack Kirby. Só li a #1 até agora e foi média. O desenho de Daniel Acuña é bem bonito mas o texto dos irmãos Knauf trouxe poucas novidades. É um título que promete boas histórias, mas creio que não vou acompanhá-lo.

. The Twelve
Intrigante mini-série, abordando com detalhes e sem pressa a vida de 12 heróis perdidos da II Guerra Mundial recentemente localizados e despertados por militares americanos. A premissa a la Capitão América pode ser batida, mas com 12 heróis ao invés de 1 – e personagens pouco desenvolvidos na época de sua criação nos anos 40 – enfrentando as gigantescas transformações da sociedade americana e do mundo nesse período (não há super-vilões, só eles contra suas próprias histórias!) tem sido muito bem trabalhada pelo veterano JMS. A arte de Chris Weston é uma atração extra, elaborada e condizente com o clima ora desesperançoso, ora violento, ora misterioso que a trama traz. Há personagens muito interessantes que, torço, sobrevivam ao final e fiquem intrigados ao restante do Universo Marvel.

. Official Handbook of the Marvel Universe merece um Post próprio, mais pra frente.

. Mythos: Captain America ainda não li… mas estou curioso pra fazer um paralelo com os “Maiores Clássicos” (que comentei há pouco aqui no Blog… please vejam nos posts anteriores.)

Por enquanto é isso.
Mais tarde tem mais.

Edgard Scandurra e sua paixão por HQ

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Além de aficionado por histórias em quadrinhos, tenho também alguns outros interesses “artísticos”. Entre eles, um de destaque desde a adolescência é rock e, dentro dessa imensidão sonora, um dos gêneros favoritos é o rock nacional dos anos 80.

Edgard Scandurra é um dos maiores nomes do rock brasileiro, líder e principal compositor da banda paulistana Ira!, ele também gravou álbuns solo, sendo o primeiro chamado “Amigos Invisíveis”, de 1989.

Repleto de composições bem diversificadas, desde instrumentais, outras bem rockers, algumas ligeiramente mais pop, o álbum traz o guitarrista em momentos intimistas, onde ele expõe várias de suas paixões.

E Histórias em Quadrinhos, ou melhor, “Banda Desenhada”, ou simplesmente “BD” – como são conhecidas em Portugal, é uma dessas paixões do músico. Ele compôs, cantou e tocou todos os instrumentos da canção “Amor em BD”, a segunda faixa do disco (isso já foi importante!), uma pérola dos anos 80 que pouca gente conhece! Confiram a letra e vejam quem o Scandurra exalta na música:

AMOR EM B.D.
(Edgard Scandurra)

 

ADÉLE
PAULETTE
BRANCA-FLOR
SHEMER
VALENTINA
JUSTINE
BARBARELLA
TERNA-VIOLETA

SHEENA DAS SELVAS
LINDA ADORA ARTE

RAIOS!

 

Nosso caso de amor
Nosso louco, doentio caso de amor

Todo o dia, um tormento

Toda a noite uma despedida
Nosso louco caso de amor

Doentio caso de amor

Como um Blues que não se acaba

Dentro do meu pensamento

 

ADÉLE
JUSTINE
VAMPIRELLA
EMANUELLE

 

Você me toca, me toca o coração!
Nosso louco caso de amor… doentio

Ô Droga!

Pois é: só mulheres!
E algumas das maiores musas de todos os tempos. Provavelmente Barbarella, Vampirella, Sheena das Selvas e Valentina são as mais conhecidas aqui no Brasil…

Scandurra chega a dedicar o álbum para “os mestres da BD européia”, criadores da maioria dessas personagens que aparecem na canção. Por falar nisso, quem não lê quadrinhos europeus não sabe a delícia que está perdendo. Claro que passa longe do super-herói, mas é uma produção muito sofisticada, elegante e às vezes anárquica! Atualmente há vários lançamentos desse gênero aqui no Brasil, vale a pena arriscar uns volumes…

Recomendo a todos os curiosos a procurar e ouvir “Amor em BD”! Ela é muito, muito bacana mesmo, cantada com vontade, um riff legal, enfim, daquelas músicas que chegam a grudar no ouvido.

Engraçado que posteriormente o vocalista Nasi também começou a curtir HQ, mais especificamente Wolverine e outros anti-heróis, e há algumas referências sobre o gênero em outras passagens da história do Ira!, como nas capas e encartes do álbum “Meninos da Rua Paulo”.

Pois é. Quadrinhos e rock às vezes se encontram, e juntos já renderam músicas e fatos bem interessantes. Sempre que me sentir inspirado, vou comentar sobre essas jam sessions por aqui.

Abraços.