Rápida Resenha de X-Men #12 – Panini Comics

A revista completa 1 ano e novos arcos começam. Jeff Lemire, Cullen Bunn e Dennis Hopeless continuam nos títulos. O que achamos? Resenha praticamente sem spoilers desta publicação de dezembro de 2017.

A Panini escolheu a arte de Greg Land para a capa da edição 12

Extraordinários X-Men 13: de Jeff Lemire e Victor Ibañez

Lemire traz, logo de início, Magia procurando pistas sobre o desaparecimento de Sapna, resgatando assim um dos subplots que ele ainda conseguiu encaixar durante as tumultuadas Guerras Apocalípticas. Tempestade aparece para ajudar, mas uma bizarra equipe de super seres estão dispostos a impedi-las. Interessante.

Lemire não perde a chance de introduzir novas criações para o Universo Marvel

Há outras duas duplas bem trabalhadas pelo autor nesta história: o Velho Logan e um amargurado Forge, que conseguiu criar uma prisão para o Apocalipse; e Noturno e Homem de Gelo, que investigam bases do Clã Akkaba atrás do Colossus. É um novo arco totalmente calcado nos arcos anteriores, o que não é necessariamente ruim, porque mostra que Lemire, afinal, tem um “plano”. A arte de Ibañez em geral é boa, especialmente nas cenas de luta do Noturno, realçada pelas belas cores de Jay David Ramos, mas há algumas páginas onde a narrativa fica um pouco truncada.

Ibañez capricha nas cenas com o Noturno

Como sempre, esta é uma equipe gostosa de acompanhar, especialmente, volto a dizer, pela qualidade dos diálogos, que trazem um bom desenvolvimento de cada personagem, drama e humor na medida certa. Nota 7,0.

Novíssimos X-Men 12: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Ao contrário dos outros dois títulos mutantes, os Novíssimos ignoram completamente a saga Guerras Apocalípticas encerradas na edição #11. Ciclope, ainda se recuperando dos graves ferimentos infligidos pelo Groxo (quem diria!) tenta ajudar uma impaciente Laura Kinney (X-23/Wolverine) – agora uma verdadeira amiga – a liberar sua energia e acabar com suas frustrações e, para isso, a envia para uma sequência de missões perigosas pelo mundo, utilizando o teleportador Picles. A primeira parada dela é na “Amazônia Brasileira”, o que é legal. Há um plot twist bem encaixado e o autor consegue ainda resolver – em parte – a situação emocional de dois dos jovens X-Men da equipe. No encerramento, a revelação de uma provável futura ameaça. História recheada de ação, com Bagley conduzindo as batalhas com uma “câmera” sempre agradável, dinâmica, boas composições de página e dos personagens. O Anjo, em especial, aqui na sua versão “cósmica”, pós-Vórtice Negro (uma saga que envolveu os Guardiões da Galáxia) está muito bem retratado, tudo amplificado com a arte-final perfeita de Andrew Hennessy e as sempre vibrantes cores de Nolan Woodard.

O jovem Anjo em sua poderosa versão Vórtice Negro, na vibrante arte de Bagley, Hennessy e Woodard

Depois de um arco morno, esta história fechada é uma agradável leitura porque parte de uma premissa simples mas pertinente à breve história desta equipe e traz uma pegada super-heroica moderna, autêntica, vibrante. Há uma splash page com um lindo retrato de dois personagens. Nota 7,5.

Fabulosos X-Men 11: de Cullen Bunn e Greg Land

Novo arco, que começa bem, com uma equipe de superseres desconhecidos, aparentemente todos novos mutantes, invadindo uma instalação militar. Clichê? Claro, mas ainda assim interessante rsrs. Depois dessa agitada introdução, Bunn resgata nossos anti-heróis e mostra um pouquinho de cada um deles, que agora estão em uma base na Terra Selvagem, dando mais páginas para uma caçada do Dentes-de-Sabre na floresta. Apesar da “dura” que a Psylocke deu em Magneto na edição anterior, dando a impressão que abandonaria a equipe, ela também está aqui e novamente concorda em ingressar em uma missão (ai, ai). O final traz uma revelação… ok, e parece que teremos o retorno repaginado de uma equipe vilanesca clássica. Continuo achando Fabulosos bem mediano, às vezes sem graça, em suas múltiplas subtramas requentadas. Greg Land volta a fazer seu trabalho convencional, totalmente calcado em fotografia, e com menos imaginação nos layouts do que no começo da série. Nota 5,5.

Nota Final desta Revista: 6,7.

Rápida Resenha de X-Men #11 – Panini Comics

Última edição das Guerras Apocalípticas. Uma saga que achei bem mediana. Resenha com alguns spoilers, mas é uma revista de novembro de 2017

Arcanjo liderando um enxame de clones na capa de Greg Land

Novíssimos X-Men 11: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

No Egito Antigo, a versão adolescente do Apocalipse e seu clone, Evan, voltam ao acampamento dos Cavaleiros da Areia para resgatar o Fera. Este pretende recuperar o Olho de Hórus – um artefato místico obtido com o Doutor Estranho algumas edições atrás – e com ela retornar ao presente. Porém Evan acha que é seu dever “salvar” En Sabah Nur enquanto é bom e heroico antes que se corrompa. O pai adotivo de Nur, Baal e o místico do bando (cujo nome não é citado), porém, tem planos diferentes e começam a “endurecer” o temperamento do jovem mutante. Enfim, não há novidades neste capítulo final. O arco termina com a amizade entre Fera e Evan bastante abalada, mas o desfecho era o mais esperado.O trio de artistas – Bagley no lápis, Andrew Hennessy na arte-final e Nolan Woodard nas cores – entregam um bom feijão com arroz, embora ainda ache tudo muito “limpo e vibrante” para o local e a ambientação. Não é uma HQ ruim, os envolvidos são todos profissionais, mas o saldo é um arco morno, aquém dos anteriores. Nota 5,5.

Extraordinários X-Men 12: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Lemire e Ramos entregam outro número repleto de ação, com a batalha final entre os Cavaleiros do Apocalipse deste futurista Mundo Ômega (o ano é 3.167 DC) contra os X-Men da Tempestade reforçados pelos adolescentes – agora um pouco mais maduros e definitivamente mais poderosos – Glob, Ernst, Anole e Não-Garota (a antiga “Turma Especial” da fase Morrison ficou 1 ano perdida neste planeta). Um fato curioso é que, entre os 4 Cavaleiros desta realidade, apenas um é mutante: Colossus, Deadpool, Cavaleiro da Lua e Venon.

Apocalipse e seus 4 Cavaleiros quase sem mutantes

Noturno tem uma participação marcante em todo o arco, mas de fato todos tem seus bons momentos. Lemire ainda coloca uma dúvida cruel na Magia em relação à sua protegida Sapna. Esses momentos com linhas narrativas diferentes são sempre bem dosados e surgem com naturalidade. O final traz ao menos um fato realmente inesperado que vai trazer consequências futuras imprevisíveis. Só vai levar uma nota um pouco menor porque não tivemos tantos diálogos inspirados como nas anteriores. Nota 7,0.

Fabulosos X-Men 10: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Fechando a edição, outra conclusão de arco. Esta equipe estava envolvida com a situação do presente das Guerras Apocalípticas e, infelizmente, é a mais pretensiosa e a menos interessante. Pelo menos, trouxe vários desfechos. O primeiro é com relação a Monet e seu irmão, o vilão Sangria, nos túneis dos Morlocks. É algo até esperado, embora pessoalmente não tenha gostado. O que é estranho, mesmo, é o argumentista ter simplesmente se esquecido de mencionar o paradeiro da Callisto após ela ganhar tanta exposição nos capítulos anteriores. O segundo desfecho envolve a confusa situação daquele Arcanjo “sem mente”, que estava com a equipe desde o começo, servindo cegamente a Magneto, e o Anjo “sem asas” que foi apresentado no começo deste arco. Pobre Anjo/Arcanjo… sua personalidade nunca mais teve sossego desde que virou um Cavaleiro do Apocalipse pela primeira vez. A conferir o que será dele. O terceiro desfecho é da Psylocke com relação ao próprio Magneto e seus segredos e manipulações. Acho que demorou um pouquinho para tomar essa atitude, mas está valendo. Uma interrogação: o poderoso Holocausto surgiu radiante no capítulo anterior mas (aí vai um spoiler) foi rapidamente derrotado pelo Magneto. Acreditava que o mestre do magnetismo estava bastante enfraquecido no começo desta série, pelo menos é o que foi dito lá na edição #1 (por conta da saga Vingadores Vs. X-Men). Será que perdi alguma explicação? Embora de fato essa limitação vinha sendo convenientemente esquecida, foi uma surpresa vê-lo derrotando tão facilmente o filho do Apocalipse. Finalmente, Bunn não esqueceu de Fantomex e Mística. Ufa! Muitos personagens, situações com dramas complexos mas trabalhados superficialmente e sem explicações convincentes, tudo em uma arte dura e às vezes bem confusa. Nota 4,5.

Nota Final desta Revista: 5,6.

Rápida Resenha de X-Men #10 – Panini Comics

As Guerras Apocalípticas são o foco desta revista, onde as 3 equipes mutantes enfrentam ameaças relacionadas ao supervilão Apocalipse em diferentes linhas temporais. Resenha praticamente livre de spoilers.

As Guerras Apocalípticas continuam

Novíssimos X-Men 10: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

No Egito antigo, enquanto um ferido Fera é capturado pelo bando de saqueadores chamados Cavaleiros da Areia, Evan começa a desenvolver uma improvável amizade com En Sabah Nur – o futuro Apocalipse – que é ainda um adolescente, como ele mesmo. Bom, para os que não sabiam, Evan é um clone do próprio Apocalipse (as revistas dos X-Men são conhecidas por terem um universo definitivamente complexo!). Uma outra curiosidade é que os autores trazem Baal, o pai de En Sabah Nur e comandante dos tais Cavaleiros da Areia e introduzem um outro personagem, um místico que diz ter servido ao Faraó Rama-Tut. Os aficionados da Marvel das antigas imediatamente vão saber que o estranho místico está se referindo a uma versão do vilão Kang que governou o Egito e enfrentou o Quarteto Fantástico em uma história dos anos 60, por Stan Lee e Jack Kirby. Pois é… talvez hoje em dia isso possa ser considerado um easter egg bem encaixado pelo Hopeless, ou talvez seja apenas um daqueles momentos bacanas que só um imenso universo compartilhado como o da Marvel permite trazer.

Na capa da edição americana, Bagley retrata o encontro dos 2 jovens Apocalipses

Os desenhos de Bagley continuam vibrantes e perfeitos como sempre, bem como as cores de Nolan Woodard. Na verdade, talvez neste caso o traço limpo de Bagley seja um problema, afinal seu Egito antigo parece cenário de uma sitcom adolescente, onde todos são saudáveis e bem vestidos, perambulando em cenários bonitos e agradáveis. Vale registrar que a história também apresenta Erika, uma jovem aventureira e rica, aparentemente muito amiga de En Sabah Nur, que pode ter tido uma forte influência sobre ele. Fiquei intrigado como ela e muitos outros que o encontram parecem não se importar com sua aparência, afinal era um jovem mutante azul. História bem simples, com bons desenvolvimentos dos personagens mas sem nenhum grande momento. Nota 6,5.

Extraordinários X-Men 11: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Em um futuro literalmente “apocalíptico”, o Velho Logan é possuído pelo simbionte Venon e encara Jean Grey, enquanto os outros 3 Cavaleiros do Apocalipse enfrentam os demais X-Men. Ao mesmo tempo que precisam conter um bombado Colossus, a equipe claro quer salvá-lo, o que gera ainda mais tensão. Boas sequências de batalhas, com Humberto Ramos entregando uma arte vibrante.

Grey Vs Logan (+ Venon) by Humberto Ramos

Lemire continua bem, acrescentando pequenos detalhes, diálogos, situações que prendem a atenção e às vezes até surpreendem um leitor veterano como este aqui. Há, por exemplo, um momento inusitado e muito bacana com a Ernst – personagem que os escritores adoram incluir em suas equipes-X mas que em geral é esquecida durante as histórias. Ela e os demais membros da “Turma Especial” (lá da fase do Grant Morrison) são muito bem aproveitados neste arco. Tempestade e Noturno ainda abordam Apocalipse cara a cara. Ação desenfreada muito bem feita. Vale a leitura. Nota 7,5.

Fabulosos X-Men 9: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Para mim, sem dúvida esta é a mais fraca das histórias desta saga, tanto no roteiro quanto na arte. Há 3 linhas narrativas. A primeira é da Monet contra seu irmão, Sangria, nos túneis dos Morlocks, com a participação do Dentes de Sabre e da Callisto. Não vejo ligação destes fatos com o Apocalipse, a não ser que parte da equipe não está disponível para ajudar… Magneto, o foco da segunda linha narrativa, que é salvo pela Mística mas logo se deparam com Holocausto (o vilão que está na capa da revista) e seu clã de adoradores Akkaba. A terceira linha apresenta Psylocke e Fantomex lidando diretamente com o Arcanjo. Enfim, é uma grande confusão. O fato de termos vários vilões saídos dos anos 90, com uma arte também nesse estilo do Lashley, parece ter “inspirado” o roteirista Bunn em diálogos cheios de “atitude” e ameaças vazias. A opção em fracionar a história – a cada 3 páginas temos uma mudança de linha narrativa – em uma série de situações que não empolgam e um grupo de personagens que não confiam uns nos outros, ora brigam entre si, ora decidem salvar fulano mas criticar beltrano, traições e alianças que surgem e somem sem a menor pausa para desenvolver suas motivações irritam. Talvez a necessidade de incluir os Fabulosos nas Guerras Apocalípticas tenha atrapalhado o autor, mas não adianta culpar o editor ou “a Marvel”. Nota 4,0.

Nota Final desta Revista: 6,0.

Resenha de Guerras Secretas Capitã Marvel #1 – Panini Comics

Capa com a arte sempre chamativa de Mike Deodato

Retomando as resenhas de todas as edições brasileiras das Guerras Secretas!
Confira nossa opinião sobre a revista solo da Carol Danvers, intitulada Capitã Marvel e a Tropa Carol, que publica a minissérie de uma versão da heroína e um grupo de amigas aviadoras no Mundo Bélico.

Spoilers: mínimos.

Kelly Sue DeConnick fez uma certa fama – sobretudo entre as leitoras – em sua passagem pela revista solo da Capitã Marvel, entre os anos 2013-2015. Graças às suas histórias assumidamente feministas, a personagem ganhou uma nova legião de fãs. Por outro lado, essa fase também trouxe críticos que, basicamente, não concordavam com as mudanças no visual da heroína e no tom das HQs. Em termos comerciais, as vendas do título ainda eram problemáticas, como de resto tem sido para a maioria dos títulos mensais para personagens do 2º escalão ou menos.

Nesta, que seria sua última aventura com a personagem – e também com a Marvel Comics, pelo menos até o momento – DeConnick tem a colaboração de outra importante autora de quadrinhos de heróis da atualidade, Kelly Thompson – que de lá para cá fez o caminho inverso da colega e hoje em dia possui uma enorme quantidade de trabalhos em andamento na editora, alguns muito interessantes como a nova série da Gaviã Arqueira (Kate Bishop).

A arte é do competente e talentoso espanhol David Lopez, que fez lápis, arte-final e cores das 3 primeiras partes e das belíssimas capas principais. Mais uma vez, a Panini esqueceu de mencionar um dos desenhistas, no caso a italiana que cuidou da quarta e última parte da minissérie, Laura Braga.

O título cita uma certa Tropa Carol” (no original, Carol Corps), nome de um fã-clube da personagem que surgiu exatamente durante a fase de Kelly Sue. Ruidoso, o grupo era muito ativo nas redes sociais, tinha correspondência direta com a roteirista e editores, e participava de convenções onde, não raro, as fãs surgiam com caprichados cosplayers de Carol Danvers em várias de suas versões.

Esta revista no mostra os momentos derradeiros de uma versão heroica e poderosa da Capitã Marvel e do Esquadrão Banshee, uma força aérea de elite, responsáveis pela defesa do Domínio chamado Setor Hala.

David Lopez é um ótimo artista, capaz de belas montagens, como destas páginas.

Todas no Esquadrão Banshee são novas personagens, mulheres igualmente heroicas, com grande participação na história e, em sua maioria, pilotos de caças supersônicos (mesma profissão original da Carol Danvers) e – acho que esta informação é pouco conhecida no Brasil – foram inspiradas em membros do fã-clube Carol Corps!

Sim, isso mesmo: algumas das mais fiéis leitoras e defensoras da super heroína viraram personagens da Marvel! Sem dúvida, uma ótima iniciativa e criatividade em termos de relacionamento de uma grande editora com sua base de fãs.

Mas, voltando à revista, uma importante diferença desta versão da heroína com a do universo principal é que esta não tem noção exata da origem alienígena de seus poderes, visto que nas Guerras Secretas de Destino só existe o Mundo Bélico e nada além no Universo, muito menos uma civilização interplanetária guerreira e poderosa como a dos Krees.

A história começa de uma forma interessante, com uma boa interação entre as personagens femininas, que realizam treinos com suas aeronaves em conjunto com a heroína voadora, até que uma missão envolvendo um navio traz um mistério que rapidamente trará uma crise no grupo de amigas.

Esta é uma HQ firmemente ambientada no megaevento, com Thors intercedendo no Domínio e uma obediência geral às ordens de Destino, e sinto que isso não fez muito bem ao conjunto da obra, especialmente na “batalha final” e no epílogo, algo desnecessariamente enigmático e até conveniente, evitando um desfecho redondo. É quase o mesmo recurso de Jason Aaron com sua série Thors – quem leu, vai entender a similaridade.

Uma versão de James Rhodes também participa da aventura

Também incomodam os muitos clichês, em especial as caracterizações excessivamente corretas das personagens do Esquadrão Banshee – cada uma bem diferente das outras (diversidade, ok!) mas todas igualmente cheias de “atitude”; tampouco ajuda que a Baronesa Cochran, a Diretora da organização militar e, portanto, chefe da Capitã e demais pilotos, muda radicalmente de ideia sem nenhuma razão aparente no momento mais conveniente; e sobretudo na batalha “quase equilibrada” contra um time de Thors.

É nítido que as autoras não se esforçaram muito em termos criativos, preferindo jogar com o ambiente mais seguro de sua formação – por exemplo, Kelly Sue foi criada em Bases da Força Aérea americana -, nem tentaram ousar na abordagem ou no roteiro. Não há um personagem que se sobressaia, não há um vilão instigante, nem mesmo um desafio à altura… a história simplesmente conta os momentos finais deste Domínio em uma HQ quase preguiçosa, se não fosse pela arte de David Lopez, certamente o destaque da edição.

Lopez chama nossa atenção há tempos, e aqui logo nas primeiras páginas mostra que caprichou em todos os aspectos: layout, narrativa, arte-final e cores, que acabaram favorecendo um de seus pontos fortes, a variedade de expressões faciais. Não chega a ser memorável, até por conta da história tacanha, mas é sem dúvida eficiente e agradável aos olhos. Pena que ele não foi capaz de concluir o trabalho, porque no último capítulo, com Laura Braga no lápis, a arte perde o fôlego.

Capitã Marvel e a Tropa Carol é um tie-in que se mostrou desnecessário, uma aventura trivial, repleta de clichês, sem uma versão radicalmente diferente, com apenas David Lopez trazendo algo de positivo e a novidade, essa sim bem-vinda, de transformar algumas fãs em personagens. Mas elas e a Carol mereciam uma história melhor.

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A revista fecha com uma pequena história de outro personagem. Essa prática da Panini foi comum nesta Saga, e aqui temos um material retirado da revista Secret Wars: Battleworld II, também de 2015, escrita por Ed Brisson – hoje um dos queridinhos da Marvel – e ilustrada por Scott Hepburn com cores de Matt Milla. O protagonista é um Modoc, mas a historieta tenta, tenta, mas não consegue ser engraçada em apresentar uma coletânea de Modocs vilanescos em versões do Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma e Doutor Estranho. Irritante e totalmente descartável.

Nota para Capitã Marvel e a Tropa Carol: 5,0.

Rápida Resenha de X-Men #9 – Panini Comics

O evento Guerras Apocalípticas entra em seu terceiro mês e as equipes mutantes se espalham entre o presente, o passado e o futuro. Resenha praticamente livre de spoilers.

Capa de Ken Lashley com os Novíssimos X-Men

Extraordinários X-Men 10: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Após revelar que o pequeno grupo de adolescentes perdidos em um futuro apocalíptico constituído por GlobNão-Garota, Anole e Ernst ficou um ano (!) viajando por entre cidadelas, escapando de inúmeras ameaças e sem saberem como retornar à sua realidade, Lemire renova as esperanças do quarteto com a chegada de Tempestade e sua equipe, que precisam enfrentar os 4 Cavaleiros do Apocalipse do local, que inclui seu ex-colega Colossus. O russo foi arremessado para esse futuro com os jovens e, para salvá-los, fica para trás e é capturado pelos asseclas de Apocalipse que, como de praxe, adora transformar um dos X-Men em seu Cavaleiro líder, Guerra. Ramos cria boas cenas da batalha, e vale ressaltar que sua Cérebra no corpo de um Sentinela é muito impressionante. As cores de Edgar Delgado são excelentes com suas bem dosadas luzes e efeitos. Adoro como trabalha os tons dos fundos, criando atmosferas caprichadas para cada ambiente (a propósito, a Panini esqueceu de colocar os créditos aqui). A história ainda traz outra frente narrativa, estrelada por Magia, que parece ter criado um forte vínculo com Sapina. Lemire ainda consegue entregar reviravoltas, diálogos contundentes (pobre Forge…) e uma última página daquelas que pedem para o leitor voltar no mês seguinte. Nota 7,5.

Novíssimos X-Men 9: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Finalmente a equipe entra no mini-evento Guerras Apocalípticas e, como Gênesis faz parte do time, nada mais natural que Hopeless foque no jovem clone do próprio Apocalipse. O autor opta por revelar ao leitor os pensamentos de Evan enquanto acontece sua agitada festa de 16 anos, repleta de convidados ilustres, incluindo um Kid Gladiador atacando de DJ. Assim, temos uma bem-vinda recapitulação de sua origem, que certamente terá impacto neste arco. Gostei de ver, também, que o roteirista continuou desenvolvendo os eventos da edição anterior com Hank McCoy. Sem contar muito, Gênesis e o Fera serão enviados ao passado. Não sei como isso se ligará com o que está acontecendo nos outros dois títulos, mas fica claro agora que cada equipe-X está de alguma forma envolvida com o vilão da saga em um período diferente do tempo. Porém, a situação com a qual a dupla se envolve não me pareceu muito interessante, mesmo nesta edição especial com 30 páginas.

Desenhos e cores vibrantes deixam este título um colírio para os olhos

Quanto à arte, Bagley está de volta e sua presença é sempre gratificante. Acho um dos mais competentes desenhistas em atividade para retratar adolescentes e suas constantes crises existenciais, sua vivacidade, as expressões faciais, além claro da sequência narrativa que flui tranquilamente, como é de praxe de um grande veterano. As cores de Nolan Woodard realmente ganham muito mais vida no papel LWCNota 7,0.

Fabulosos X-Men 8: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Ken Lashley, o desenhista escalado para ilustrar este arco dos Fabulosos, deve muito aos anos 90, e não necessariamente no bom sentido. Sim, porque os 90 nos quadrinhos norte-americanos mainstream produziu excessos de vários tipos – alguns dos quais o artista não perde a chance de nos lembrar – mas também trouxe obras memoráveis e grandes fases de vários personagens e autores. Expressões faciais frias, corpos com movimento duro, pin ups de bad boys and bad girls no meio da narrativa são alguns exemplos de problemas da arte de Lashley. Certamente há quem goste, mas depois de ver Humberto Ramos e especialmente Mark Bagley nas histórias anteriores, tais características saltam aos olhos. Mesmo não sendo unanimidade, tanto Ramos quanto Bagley são storytellers visuais muito superiores, e contam com aquilo que talvez seja o mais difícil de conseguir criar ao se trabalhar em HQs de super-heróis: um estilo próprio para chamar de seu! É abrir uma das páginas e imediatamente o leitor habitual identifica o nome do desenhista. Lashley é daqueles que ainda está à procura (será?) de uma marca própria. Quanto ao roteiro, novamente temos um autêntico “capítulo intermediário”, mas estou ficando um pouco entediado com os constantes dramas de Psylocke, Magneto e o Anjo/Arcanjo, que parecem não se resolver no tempo certo. A história paralela, com Dentes de Sabre, M e os Novos Morlocks também não empolga, porque o vilão que enfrentam é uma ameaça requentada de histórias esquecíveis da equipe Geração M dos anos… 90! Pelo menos Bunn traz Fantomex, ainda meio que sem uma justificativa muito clara, mas o anti-herói mutante é sempre promessa de algo interessante, especialmente quando encontra Betsy Braddock. Sem dúvida a revista mais fraca do trio de títulos de equipes-X desta Fase da Marvel, mas que ainda pode reencontrar o caminho bacana das primeiras edições após este evento e, com certeza, com outro desenhista. A conferir. Nota 5,0.

Nota Final desta Revista: 6,5.

Rápida Resenha de X-Men #8 – Panini Comics

Segunda edição com histórias da saga Guerras Apocalípticas, um evento restrito aos títulos das equipes-X. Resenha livre de spoilers.

Começa a ser revelado porque há um Anjo e um Arcanjo

Novíssimos X-Men 8: de Dennis Hopeless e Paco Diaz

Após os eventos das últimas edições em Paris, o jovem Hank McCoy, também conhecido como o Fera, ainda na versão humana, está inconformado com a gravidade dos ferimentos de Ciclope. Parece decidido que não dá mais para ele e seus companheiros adolescentes permanecerem no presente. Uma notícia na televisão envolvendo o Doutor Estranho chama a atenção de Hank, que decide pedir auxílio ao Mestre das Artes Místicas para voltar no tempo. Esta é uma história completamente diferente de Novíssimos, um team-up do Fera com Stephen Strange (que por acaso também apareceu na edição #7) e, embora nada muito original, é bem trabalhada por Hopeless, decididamente um roteirista versátil, capaz de imprimir uma voz adequada para personagens bem diferentes, incluindo o mágico. Embora cético, Fera aceita a sugestão do aliado e, ao usar um artefato chamado “O Terceiro Olho do Hórus”, gera diálogos e situações interessantes. Pela primeira vez, o desenhista regular, Mark Bagley tirou uma folga e, em seu lugar, temos o convidado Paco Diaz. Ele e a colorista, Rachelle Rosenberg, criam uma arte agradável e especialmente criativa ao retratar o “mundo místico” e as criaturas que são a ameaça desta ligeira aventura. Tal decisão artística certamente é influência do trabalho de Chris Bachalo nas atuais histórias solo do Doutor Estranho. Ah, sim, Novíssimos X-Men ainda não tem interligação com as Guerras Apocalípticas. Nota 6,5.

Extraordinários X-Men 9: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Segunda parte do arco Guerras Apocalípticas dos Extraordinários, novamente muito bem conduzida por Lemire e Ramos, que pegam o gancho da edição anterior e imediatamente se concentram em revelar o que aconteceu com Colossus e os adolescentes que ficaram “perdidos no futuro”, os exóticos Glob, a Não-Garota, Anole e Ernst. E que viagem! Lemire desenvolve os personagens enquanto os deixa em constantes situações ameaçadoras, em um cenário caótico, povoado por dezenas de raças, mas nenhuma delas mutante. Tempestade e sua equipe pouco aparecem, mas os 4 Cavaleiros do Apocalipse dessa nova realidade futurista, sim. Sem spoilers, mas sem dúvida são verdadeiramente uma surpresa e “totalmente diferentes”. Estava preocupado com mais um futuro distópico dos mutantes, mas este é mesmo único, diferente das versões de Cable, Bishop e Dias de um Futuro… além disso, a aventura dos jovens mutantes é tão bem contada que esse cenário deixa de ser um provável problema e passa a ser, de fato, uma agradável criação. Nota 8,0.

The Kids Are Alright, aren´t they?

Fabulosos X-Men 6.2: de Cullen Bunn e Paco Medina

História curta, que o roteirista usa para mostrar um pouco da repercussão que as ações de Magneto e seus Fabulosos estão gerando, tanto na mídia, quanto para outros mutantes. Gostei do resgate de Valerie Cooper, que foi uma personagem humana coadjuvante recorrente nos anos 90 e andava esquecida pelo editorial. A melhor parte, contudo, é a conversa entre Magneto e Xorn. Esse é um mutante ainda enigmático para mim. Como fiquei um tempo sem acompanhar as revistas X, tenho lacunas de informação mas, pelo que dá para entender, este Xorn, embora poderoso, é mesmo pacifista. Nota 6,0.

Fabulosos X-Men 7: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Bunn divide a equipe em duas frentes de ação, aparentemente desconectadas entre si, mas decide começar com um flashback de Magneto daquele período de 8 meses entre o final de Guerras Secretas e o começo da fase Totalmente Diferente Nova Marvel. Esse breve interlúdio e, talvez, este arco inteiro relacionado a Guerras Apocalípticas podem esclarecer algumas das várias subtramas que o autor vem desenvolvendo desde a edição #1. No presente, enquanto Magneto e Psylocke estão no Alabama investigando o surgimento de um jovial Warren Worthington, o Anjo, mas sem asas e pregando em uma Igreja, Dentes de Sabre e M encontram Callisto e os Novos Morlocks, ameaçados por um vilão também associado à saga Era do Apocalipse original, de meados dos anos 90. Na edição anterior também apareceu um desses, mas na aventura dos Extraordinários. Aqui, na verdade, surgem dois! A história tem um ritmo rápido, talvez até demais, mas continua interessante, repleta de mistérios. Ken Lashley parece um artista limitado, especialmente nas feições, mas entrega um bom trabalho em páginas dinamicamente bem construídas. Típico capítulo intermediário de um arco maior, mesmo assim tem um epílogo que retoma a introdução. HQ razoável, um bom passatempo. Nota 6,5.

Nota Final desta Revista: 6,8.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #5 – Panini Comics

Ufa, o duelo final!

Finalmente a resenha do último – e decepcionante – capítulo do primeiro arco desta revista, chamado Meu Pior Inimigo, que traz a dupla criativa Scott Snyder e John Romita Jr explorando mais da dupla de eternos rivais Duas-Caras e Batman.

. Volume de Spoilers: médio.

Com tantas frentes abertas nos capítulos anteriores, seria difícil um fechamento simples mas, caramba, não esperava por algo tão tumultuado. Snyder esclarece os motivos da caçada, acrescentando revelações importantes, incluindo um plano secreto megalomaníaco do Duas-Caras em andamento.

Sinceramente, precisei reler três vezes e ainda fiquei confuso. Será que eu deveria ter lido alguma outra história do autor para entender o contexto? Por via das dúvidas, voltei aqui nas minhas próprias resenhas e folheei as edições 1-4. Parece que não, e nem deveria ser diferente, já que a proposta de Grandes Astros era de contar histórias fechadas com uma ambientação diferente.

Mas a sensação de que tudo foi resolvido apressadamente continua, tanto pela revelação do tal plano maluco, que mal faz um fechamento adequado com a questão dos “quilômetros percorridos”, como pela retomada súbita da atitude do sumido Comissário Gordon que invade a Mansão Wayne com um time inteiro de policiais.

E então descobrimos que Alfred tinha um esqueleto no armário, daqueles lá do passado, relacionado a Harvey Dent, e portanto se julga o responsável por toda a confusão? Como é que é? Novamente: eu perdi algo, não?

OK, é compreensível e desejável que Scott Snyder tente fechar tantas pontas-soltas, mas o desenvolvimento é truncado, porque ele não desacelera com a proposta de ação non-stop, com muitos personagens se sucedendo freneticamente… enfim, esta história é terrivelmente caótica e pretensiosa – e não no bom sentido -, com uma sucessão de reviravoltas e soluções que parecem coelhos tirados de uma imensa e furada cartola.

Tanto em questões relevantes, como essa situação envolvendo Alfred, como nas triviais, que convenientemente saem do cinto de utilidades do Batman ou de um compartimento secreto escondido por Dent na casinha que ele e Bruce conviveram na infância… e então Alfred liga no momento certo, para interromper o combate final, no número que o Duas-Caras carregava? Caramba, nunca vi tantas “coincidências” em uma mesma HQ.

Há outras situações que me incomodaram bastante, especialmente a quantidade de ferimentos graves que o Batman sofre ao longo do arco. Vejamos: foi atingido por ácido nos olhos no capítulo 4, o que causou uma certa dificuldade na visão por alguns quadros, e agora já estava plenamente recuperado (?) a ponto de atingir arremessos com precisão e fazer análises clínicas sofisticadas (!). E depois de apanhar bastante do KGBesta e dos soldados da Corte das Corujas na edição anterior, é também empalado no peito e, mesmo assim, consegue ainda feitos hercúleos logo em seguida. Que eu saiba, o Cavaleiro das Trevas ainda não ganhou fator de cura Snyder!

Batman estava quase cego no capítulo anterior, mas agora ele esquiva de tiros do KGBesta e alcança uma placa de fibra de vidro que ele tinha “visto” antes…. sei, sei.

E ainda tem o Pinguim e os demais vilões que pouco acrescentaram à trama, aliás porque eles se envolveram nesta história mesmo?

Batman, Duke e Dent ainda sofrem uma queda mortal numa cachoeira, mas conseguem sair ilesos e encontram convenientemente um veículo para chegarem no destino final… e no meio do caminho uma multidão de gente “do interior” quer matar o Batman, estão armados até os dentes e, de alguma forma, sabiam onde ele estaria (?!) mas, por alguma razão que já nem me importo, na hora que tem a chance, desistem! Pois é…

Honestamente, este fechamento foi uma grande decepção. Não recomendo para nenhum leitor casual do Batman ou que procura uma HQ com um roteiro criativo ou bem desenvolvido. Sem dúvida os batfãs podem se interessar pela ação desenfreada, bem como aqueles que curtem a arte do Romitinha, como é aliás o meu caso, mas fora isso, não justifica o tempo e dinheiro investidos.

Ah, e não tivemos continuação da série de histórias curtas estrelando Duke Thomas. Senti falta, inclusive de uma conclusão adequada também para esse conto. Será que volta nas próximas edições? Eu, definitivamente, não voltarei.

Nota: 4,0.