Quadrinhos Disney Renascem no Brasil!

Às vezes é preciso deixar uma ideia morrer para que essa mesma ideia consiga voltar, no futuro, mais forte do que antes. Pois é exatamente isso o que está acontecendo, neste momento, com os quadrinhos Disney no Brasil.

Uma das caprichadas edições mensais da Culturama

Para quem não costuma acompanhar, as revistas do Pato Donald, Tio Patinhas, Pateta & Cia. eram publicadas “desde sempre” pela Editora Abril. De fato, a primeira publicação impressa da própria Abril foi o número #1 de “O Pato Donald”, em 1950.

Infelizmente, a editora paulistana fez, a partir dos anos 1990, um processo de diversificação para outras mídias e segmentos editorais que, embora muito bem-sucedido no começo, acabou trazendo uma série de dificuldades financeiras nos anos 2000, que culminaram com a dissolução de várias frentes de negócios, inclusive com o fim da divisão de quadrinhos.

As últimas edições Disney da Abril saíram em julho de 2018. Desde então, a empresa foi comprada por um novo grupo controlador que está, de fato, trabalhando para recuperar algumas linhas e revitalizar títulos de revistas periódicas, como a Super Interessante, mas nada de HQs. Será que os leitores brasileiros não teriam mais novas revistas das criações de Walt Disney? Alguma empresa arriscaria com esses personagens aparentemente “micados” por aqui?

A última edição do Pato Donald pela Abril

Após muita especulação, especialmente em torno da gigante Panini Comics, no começo de 2019 o mercado foi informado que os gibis dos patos e dos ratos seriam retomados pela Culturama, uma jovem editora de livros infantis sediada no Rio Grande do Sul que já trabalhava, inclusive, com licenças da própria Disney.

Entre um misto de surpresa, esperança e ceticismo de boa parte dos órfãos da Abril, a Culturama lançou em março de 2019 cinco revistas especiais números zero, e a partir de abril as mensais números #1 propriamente ditas, todas em formatinho, com um bom cuidado gráfico e editorial: Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Pateta e Aventuras Disney, ao preço de R$ 6,00 cada. As combalidas Bancas de Jornal voltavam a ter esses produtos queridos por crianças, jovens e adultos.

Este é o sexto título mensal de linha da atualidade

Aos poucos, com um bom trabalho de curadoria, de histórias trazidas especialmente da Itália e da Dinamarca, com boas ações de marketing, pacotes de assinaturas e com a distribuição relativamente azeitada (na medida do possível para os padrões do Brasil), a Culturama passou a lançar edições especiais, como o Grande Almanaque Disney e uma sexta revista mensal, Histórias Curtas. Parecia que, de fato, os esforços de todos – inclusive da adesão dos fãs – estavam dando frutos.

Mas, faltavam ainda algumas coisas para comemorar. E não eram simples.

A primeira delas dizia respeito a uma linha especial de títulos. Explicando: nos seus últimos anos de atividade, a Abril investiu pesadamente em edições “para colecionador” – séries e especiais em capa dura, que traziam histórias ou fases clássicas pelas mãos de grandes artistas, com cores restauradas, em formatos maiores e recheados de extras!

Edição luxuosa que traz compilada a enorme e complexa história do Tio Patinhas por Don Rosa. Um clássico!

Foi um prato cheio para os leitores das antigas, que finalmente podiam ter em mãos todas as histórias produzidas por Carl Barks, Don Rosa, Floyd Gottfredson, dentre outros, e também abriu portas para grupos diversificados de consumidores, que liam Marvel, Vertigo e Bonelli, por exemplo.

Porém, várias dessas belíssimas séries ficaram incompletas, vítimas do fechamento súbito da divisão de quadrinhos da Abril.

Como a gaúcha Culturama não demonstrava interesse em investir nesse nicho, concentrando seus esforços nas mensais e especiais para as bancas e outros canais de varejo, muita gente já tinha jogado a toalha e desistido de ver tais coleções completas.

Uma das séries capa dura retomadas pela Panini

Até que, no começo de 2020, a própria Editora Panini – que, vale frisar, representa as licenças Disney mundo afora – finalmente decidiu investir nesse material, dando sequência aos volumes de onde a Abril tinha parado, mantendo os mesmos padrões gráficos e até lançando novas séries de clássicos, ou seja, republicações em geral.

Aparentemente, essa segunda frente de investimentos em HQs Disney deu uma revigorada na marca e atraiu novos grupos de consumidores.

É possível constatar isso porque, apesar da crise econômica que o país já atravessava, intensificada gravemente pela pandemia, tanto os lançamentos de novas histórias em quadrinhos Disney trazidas regularmente pela Culturama, como os volumes de luxo de republicações da Panini continuam saindo em grandes quantidades.

A própria editora gaúcha revelou que, desde o início dos trabalhos, foram vendidas 1.300.000 (um milhão e trezentas mil) revistas em quadrinhos da marca, um número impressionante!

Certamente, os quadrinhos Disney divididos pela primeira vez entre duas empresas concorrentes podem resultar em ganhos para os leitores – além de diluir os investimentos e riscos do negócio em si.

Série italiana pela primeira vez no Brasil em uma das mais caras edições Disney já publicadas aqui: R$ 99,00!

É possível observar também que a comunidade de leitores hardcore de quadrinhos em geral, que mantém uma ampla publicação de postagens e vídeos nas redes sociais, parece que está dando mais atenção aos títulos desses personagens desde o seu desaparecimento, em 2018. No momento, há uma enorme diversidade de publicações, talvez igual ou superior ao dos últimos anos da Abril, o que não é pouco.

A segunda coisa que faltava para os leitores comemorarem veio em forma de Live promovida pela Culturama no dia 29.07.20 e é, sem dúvida, uma notícia espetacular para o mercado editorial como um todo.

Zé Carioca, um dos mais queridos personagens do panteão Disney, que estava na geladeira há vários anos, vai ter novas histórias e, o melhor, criadas e produzidas no Brasil!

Capa de Aventuras Disney com a primeira HQ produzida pela Culturama, no traço de Moacir Rodrigues

Isso mesmo: roteiristas, desenhistas, coloristas, letristas, revisores, editores e gráficos brasileiros serão os responsáveis pelas suas novas HQs.

A primeira história do Zé sairá em setembro/20 na revista mensal Aventuras Disney, e ao menos outras três estão em produção, sendo esse conjunto a ponta de lança de um projeto mais audacioso: reconstruir os famosos “Estúdios Disney Brasil” originalmente criados pela Editora Abril que, durante as décadas de 1970 a 1990, lançou milhares de páginas memoráveis de quadrinhos, que marcaram uma geração de brasileiros (eu, inclusive) e publicados mundo afora.

Nos anos 80 os quadrinhos Disney com o Selo (B) de Brasil estampados na primeira página eram, para mim, os mais divertidos, criativos, com os personagens mais bem desenvolvidos e desenhados… enfim, eram os melhores e ponto final!

Peninha, Biquinho, A Patada, Zé Carioca, Morcego Vermelho, Donald, Pateta, Margarida, Urtigão, Turma da Pata Lee e muitos outros brilhavam sob a batuta dos brasileiros.

Capa da primeira edição do Urtigão, feito no Brasil

Claro, portanto, que pessoalmente fico muito, muito feliz pela notícia, porque (re)abre oportunidades para artistas e outros profissionais da nossa pequena indústria e que podem, novamente, fazer um material de ótima qualidade, de grande ressonância com o leitor nacional.

É isso, boas novas em meio ao caos! Construção depois da destruição! Então porque não sonhar, agora, com a retomada plena dos Estúdios Disney (B) e uma nova “era dourada” de histórias em quadrinhos brasileiras?

Rápida Resenha de X-Men #3 – Panini Comics

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Bela capa de Clayton Mann para os Extraordinários X-Men

A Panini mantém o mesmo padrão desta revista mix de março/2017: uma história de cada Equipe-X, mas e quanto a qualidade? Comentários livres de spoilers.

Fabulosos X-Men 3: de Cullen Bunn e Greg Land

A equipe de Magneto continua com sua missão: proteger e, se possível, recrutar mutantes curandeiros antes que sejam atacados por uma superequipe adversária que estava há muito tempo sumida, mas aqui estão mais letais do que nunca. Desta vez, os Fabulosos reencontram dois curandeiros, um bem novo, criado por Brian Bendis na fase Marvel Now! (Nova Marvel, no Brasil) e um da década passada, da fase do Grant Morrison. Além deles, um intrigante anti-herói, que conhece bem alguns dos membros desta equipe – em especial a Psylocke -, também entra na engrenagem da história. Assim, adicionando constantemente mutantes de outros tempos, o autor consegue criar situações inesperadas que não permitem prever o desfecho da história. No geral, a leitura continua tensa, embora rápida. Os personagens centrais não tem desenvolvimentos profundos, porque a trama privilegia a ação e o suspense. A arte de Land continua com aquele estilo polêmico dos rostos e poses mas, como já dissemos antes, a distribuição dos quadros e o posicionamento dos personagens estão muito adequados e fluidos. Nota 6,5.

Novíssimos X-Men 3: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Com esta terceira parte, o primeiro arco de histórias deste título é encerrado. A nova equipe de mutantes “pseudo-malignos”, os Fantasmas de Ciclope, mais uma vez entram em confronto com os X-Men. Felizmente, algumas pontas soltas que incomodaram na edição anterior foram – se não totalmente resolvidas, ao menos abordadas. O jovem Ciclope toma uma importante decisão, enquanto os demais agem de forma bem mais coesa. Bagley faz seu competente trabalho de sempre, e adorei uma página dupla com um cerco policial. Só achei ruim, mesmo, o cliffhanger, com uma suposta ameaça que, francamente, não impressiona ninguém. Tirando isso de lado, presume-se que daqui pra frente esta equipe vai deslanchar. Nota 7,0.

Extraordinários X-Men 3: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

A jovem Jean Grey é uma das estrelas desta edição, e seu encontro com um velho conhecido é muito bem conduzido. Curioso como uma mutante do passado estabelece uma conexão com um mutante do futuro a partir da história que nenhum dos dois compartilhou. Repito: isso só funciona nas mãos de um escritor talentoso, como é o caso de Lemire. Tempestade é o outro destaque, na liderança desesperada frente a um ataque maciço de demônios à Mansão. Há uma aparição surpresa para a Ororo que cria um novo mistério. Os desenhos de Ramos estão melhores nos momentos quietos, porque a batalha honestamente é bastante confusa visualmente, e não dá para dizer que seus demônios são bem construídos. A impressão é que o artista não se sente à vontade com esse tipo de monstro. Enfim, compromete um pouco a qualidade deste título mas, ao menos, a história avança e ficamos ansiosos para a continuação. Nota 7,5.

Em suma: o padrão se mantém nesta revista-mix em que dezenas de personagens aparecem, facilitando o apelo para uma grande parcela dos fãs.

Nota Final desta Revista: 7,0

Festival Guia dos Quadrinhos 2017

Será neste final de semana, no sábado 08 e domingo 09 de abril, no Club Homs, na Avenida Paulista, 735, São Paulo.

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Quem conhece, sabe que é um dos eventos mais interessantes para encontrar raridades, completar coleções, fazer novos amigos e entrar em calorosos debates sobre esta verdadeira paixão de milhões. Bem, no Brasil, talvez de alguns milhares, mas enfim…

Para quem ainda não sabia, o Festival tem o espírito das convenções de quadrinhos “originais”, onde um grupo de fãs se organizavam para promover a 9a Arte, sem o apoio oficial das grandes editoras, estúdios de cinema, atores etc. Há, sim, artistas brasileiros expondo seus trabalhos, e palestras e debates com profissionais do meio. A programação completa você vê aqui. O ingresso sai R$ 30,00 se for sozinho, ou R$ 25,00 se levar um amigo. Crianças até 10 anos não pagam.

Neste caso, o evento é um desdobramento do site Guia dos Quadrinhos, o maior e mais confiável banco de dados brasileiro da área, com capas, dados e outras informações úteis para colecionadores, estudiosos e profissionais dos quadrinhos. Vale a pena visitar o site e, como é colaborativo, se puder contribuir com mais informação, ótimo! Também permite organizar sua coleção de HQs.

O Blog Lendo Quadrinhos também estará no FGDQ 2017, em uma das mesas dos expositores no pátio central (M-5). Quem puder, ou quiser, faça uma visita, será um prazer!

Rapidão: Quadrinhos que andei lendo (Parte 2)

Mais alguns dos últimos lidos:

Crise Final #1: Hmmm… confusinha hein? Sei não… a princípio… média. Vamos aguardar o capítulo seguinte da mega-saga do ano da Panini/DC.
Invasão Secreta Especial #1: História mediana de parte do Quarteto Fantástico enfrentando Skrulls… desenhos muitos bons do Barry Kitson.
Tempestade Cerebral #4: É uma publicação independente brasileira, da editora MIR. Bem irregular, esta é uma edição especial, com mais páginas e 8 capas. Há 10 histórias, cada uma com um personagem diferente. Gostei da VELTA e do PULSAR. O resto é ainda bem amador e muito “inspirado” em personagens mais populares. Mas vale a iniciativa, o papel é bom e pode melhorar.
Marvel Apresenta #41 (Nova): Excelente saga espacial, repleta de boas sacadas e muita ação, faz parte de “Aniquilação 2” e, portanto, tem muita Falange aparecendo… o melhor é ver que a Marvel acertou com o NOVA, um bom personagem dos anos 70 (criado por Marv Wolfman) mas que ficou meio engavetado por muitos anos. Vale a pena conferir.
Guy Gardner o Pacificador: nossa, nem a presença do G´nort salvou esta história equivocada… não percam tempo!
X-Men Extra #88: A edição de Abril ficou engavetada até pouco tempo atrás… bem, teve a Estréia “morna” da série do Cable; também da X-Force, com uma história bacana mas com um desenho absurdamente prejudicado pelo papel brasileiro que a Panini usa, paciência, e uma terceira estréia com os Exilados em nova série. Bons desenhos mas roteiro clichezístico do Chris Claremont. Ele volta na 4ª história, com os Genext, fraquinhos… esta revista continua irregular demais. Vou ficar mais uns meses sem comprá-la.
Wednesday Comics #1: fantástica iniciativa da DC e muito interessante o material, especialmente em termos de arte. Vou tentar comentá-la mais detalhadamente depois.

Rapidão: Quadrinhos que andei lendo (Parte 1)

Feriados e finais de semana são sempre ótimas oportunidades para descansar, passear, ver os amigos e, lógico, ler bastante.

Em termos de HQs consegui “finalizar” várias revistas nas últimas duas semanas. Menos do que gostaria, claro, afinal tenho filhos pequenos mas mesmo assim foram dias interessantes. Rápidos comentários de algumas dessas revistas:

Marvel Max #67, 68, 69: Este é um dos meus títulos favoritos da Editora Panini. É quase inacreditável já que tenha durado tanto tempo. Nessas edições, destaco “A Guerra é um Inferno” de Garth Ennis e Howard Chaykin, sobre combatentes aviadores na I Guerra Mundial, excelente; “1985”, de Mark Millar e Tommy Lee Edwards, roteiro interessante e com nostalgia pura para quem cresceu e viveu os 80 com quadrinhos da Marvel e ” Zumbis Marvel” de Robert Kirkman e Sean Philips ainda divertidos. O arco do “Justiceiro e as viúvas” desta vez está mediano, mas ainda uma boa pedida. Material adulto com heróis Marvel em boa fase.

“A História do Universo DC” – é uma revista que jamais imaginei que seria publicada no Brasil, pois é de 1986 e, portanto, sobre uma cronologia que já não existe mais: a da DC no pós-Crise nas Infinitas Terras, redigida pelo próprio Marv Wolfman. Excelente surpresa. Só os desenhos do George Perez já valem a pena. Ainda tem um bônus com a republicação dos pequenos capítulos da atual realidade da DC que já saíram aqui na série “52”. Imperdível.

“Universo Marvel #46 e 47” – As aventuras de Hercules e seu novo amigo Amadeus Cho continuam em bom ritmo; tem os doentios Thunderbolts; o Quarteto Fantástico em boa fase com Mark Millar e Bryan Hitch e o Motoqueiro Fantasma finalmente ganhando histórias de qualidade nas mãos de Jason Aaron. Uma revista geralmente regular que melhorou muito nos últimos anos.

“Marvel Action #27, 28 e 29” – Aqui a estrela ainda é o Demolidor. Nestas edições tivemos histórias menores de sua saga, uma focando o Ben Urich, outra o vilão-que-quer-ser-herói Tarântula Negra e Murdoch perdido com o destino cruel da amada Milla: bom mas não excelente; Cavaleiro da Lua que começou razoável, teve um final de arco bem fraquinho… e a Panini anunciou que vai dar um stop nas hqs do herói, por mim tudo bem; tivemos ainda Justiceiro em aventuras medianas de Matt Fraction e Chaykin; Pantera Negra lutando contra o Terror Negro foi mediano mas o primeiro capítulo contra os Skrulls foi fantástico (novamente por Jason Aaron) e, por fim, a estréia do Hulk-vermelho de Loeb e McGuiness… esquisito. Ao contrário de “Universo Marvel”, “Marvel Action” já foi melhor…

“Vingadores/Invasores #1 e 2” – projeto do Alex Ross pra Marvel, a última parte (12ª) ainda nem saiu nos EUA mas a Panini já está na parte seis por aqui… bem as duas primeiras edições mostraram uma boa história de encontro-luta-desencontro-luta de equipes… nada de muito sensacional, mas bem montado, divertido e com alguns momentos inspirados. Vamos ver se a trama tem fôlego pra sustentar mais 8 partes…

“Fugitivos – Marvel Especial” – é o arco do Terry Moore (eba!) e do Humberto Ramos (eca!). Achei bem legal, despretensioso mas muito divertido, com foco nas caracterizações de alguns dos personagens mais carismáticos da equipe, como a pequena grande mutante Fortona. De quebra, ainda resolveu um “problema” (que não vou contar qualé) que na verdade é o destino de um personagem que nunca fui com a cara… valeu a pena.

“Guias DC Comics – Roteiro e Desenhos” – são dois tijolos lançados pela já finada Opera Graphica onde no volume 1 o lendário Denny O´Neil descreve um curso completo de Roteiro utilizado pela editora DC; e no volume 2 Klaus Janson conta tudo sobre técnicas modernas e clássicas de desenhos em Hq. Já tenho faz algum tempo, e ainda não li tudo, vou aos poucos e por partes, porque é uma obra de consulta, totalmente ilustrada com dicas valiosas para quem quer “aprender a fazer” ou, como no meu caso, a “saber como se faz” comics na atualidade.

Turma da Mônica: Jovem e Forte!

versões manga da tchurma

versões manga da tchurma

Esta não é exatamente uma resenha, e sim um breve comentário.
Li as edições ZERO (capa ao lado) e UM da propagada novidade.
Realmente… gostei muito!
É divertida, o novo estilo de traço – mangá tropicalizado – traz um benvindo frescor à narração e a cada página em que somos (re) apresentados a um personagem temos uma reação diferente. O Louco agora é um Professor? O Capitão Feio atualizou seu nome? O Cebolinha frequenta uma fono? Até o Anjinho tem uma versão adolescente?

Putz, e ainda dei boas risadas com os diálogos. Mesmo!
Excelente a iniciativa do Mauricio de Sousa e equipe.
Há rumores de que as primeiras edições esgotaram e o número QUATRO (aquela do beijo do Cebolinha e da Mônica) teve uma impressão recorde de 400.000 unidades!!!
Enfim, merece a badalação e as enormes tiragens.
Reparei – folheando as últimas edições, a CINCO e a SEIS – que o traço e quadrinização estão ainda mais próximas do estilo mangá, o que é até louvável pois aprofunda a radicalização.
Esse enorme sucesso é bom pro mercado nacional de quadrinhos, que precisava de uma “luz”. Veio de onde talvez menos se esperava… ou não?
E não sei como está funcionando a estratégia da distribuição mas é interessante que todos os números ainda estão disponíveis em livrarias, isto é, não estão “sumindo das bancas”. Legal mesmo.
Fui um leitor voraz na infância e é excelente saber que agora há dois “universos” da turminha nas bancas – o tradicional, que certamente vou apresentar aos meus filhos, e este mais adolescente que, aposto, eles mesmos vão correr atrás.
Parabéns, Mauricio, você fez de novo!

Lendo quadrinhos da Marvel Comics, hoje!

Invasão de armaduras...

Spider Woman e Iron Man trocando idéias durante a Invasão

Após comentar no POST anterior sobre o esquema de lançamento das comic books americanas e relatar a minha atual “Pull List” de revistas originais da Marvel, deixo uns breves comentários sobre cada título lido:

. Secret Invasion
A badalada mini-série e evento do ano da Marvel, a “Invasão Secreta” dos aliens Skrulls, está no meio do caminho (#4) e já trouxe vários desdobramentos. Quem quiser saber mais, dá pra achar fácil informações por aí. Eu? Até agora curtindo a viagem… e muito! Os Skrulls realmente estão botando nossos heróis pra correr. Mas que venha THOR!

. Secret Invasion – Who Do You Trust?
Excelente edição especial, com vários heróis Marvel (sem títulos próprios) enfrentando Skrulls, onde cada história foi produzida por artistas diferentes e traz vários ângulos e aprofundamentos do “teatro da Guerra”. Minha história favorita foi a dos fantásticos Agentes da Atlas, mas todas são acima da média.

. New Avengers
Revista mensal, traduzida aqui como Novos Vingadores.
O escritor é, desde a edição #1, o fantástico Brian Michael Bendis; aqui (edição #42) seu parceiro nos lápis é ninguém mais ninguém menos que Jimmy Cheung. Esta edição é uma “interligação” da mega-saga Invasão Secreta, apresentando detalhes sobre a origem da própria Invasão e revelações bombásticas. As edições atuais são muito bacanas e com diálogos precisos, em uma série que já teve vários momentos legais e que continua sendo um dos carros-chefe da editora.

. Avengers: The Initiative
Outra mensal, sai no Brasil como A Iniciativa na revista Avante Vingadores!, e no momento também está totalmente interligada à Invasão Secreta. Conta com dois argumentistas de mão cheia – Dan Slott e Chris Cage – e é uma das minhas favoritas ultimamente. Nem falo do que aborda, senão estraga as surpresas de quem não acompanha o USA. Ótimos momentos em caracterizações inspiradas e atualizadas de personagens do 3º ao 5º escalão da Marvel.

. Iron Fist
É a revista mensal do Punho de Ferro, cujo primeiro arco já saiu aqui pela Panini em uma Marvel Especial. Acabou de terminar a gloriosa fase comandada pela dupla Matt Fraction e Ed Brubaker, simplesmente inesquecível, que ampliou gigantescamente a mitologia do personagem. Vamos ver o que nos espera agora com nova equipe criativa.

. Guardians of the Galaxy
Também mensal e ainda inédita no BR, traz um grupo de aventureiros cósmicos chamados Guardiões da Galáxia. A equipe é recém-formada, consequência de outra Saga, chamada Aniquilação (spoilers free também, don’t worry!). Os autores são Dan Abnett e Andy Lanning nos textos e o excelente Paul Pelletier nos desenhos. Muita ação e uma equipe com personagens cativantes. Tá muito legal encarar esta nova formação dos Guardiões, eu que sou fanzaço da formação “clássica” (um dia comento mais).

. Captain Britain and the MI13
Também mensal e inédita por aqui, já que é bem novinha, esta é a nova casa do herói Capitão Britânia, agora atuando junto ao departamento inglês MI13 junto a outros heróis britânicos – a maioria saída da mini-série do Peter Wisdom que foi publicada no Brasil em Marvel MAX (e em geral foi detonada pela galera). Bom, esta revista é bem superior à Wisdom, e nasceu interligada à Invasão Secreta, mas com um enfoque próprio e original. Excelente, até o número #3.

. Marvel Comics Presents
Revista mensal diferenciada, que apresenta 4 pequenas histórias em cada edição, cada uma enfocando um personagem. A maioria das histórias até agora (#10) foram bem médias e dispensáveis, com apenas as longas e as vezes enroladas séries do Guardião (da Tropa Ômega) e do Vanguard com algum brilho. Bem irregular, vai ser cancelada em breve e acho que merece. A editora podia ter feito escolhas mais prudentes com relação ao mix de personagens, acrescentando mais medalhões entre as figuras desconhecidas.

. The Eternals
Outro título recém-lançado, trata de uma continuação, no caso, da excelente mini-série concebida por Neil Gaiman e John Romita Junior – já publicada aqui – da Saga dos Eternos, ótimos personagens pouco explorados pela editora desde sua criação pelo grande e saudoso Jack Kirby. Só li a #1 até agora e foi média. O desenho de Daniel Acuña é bem bonito mas o texto dos irmãos Knauf trouxe poucas novidades. É um título que promete boas histórias, mas creio que não vou acompanhá-lo.

. The Twelve
Intrigante mini-série, abordando com detalhes e sem pressa a vida de 12 heróis perdidos da II Guerra Mundial recentemente localizados e despertados por militares americanos. A premissa a la Capitão América pode ser batida, mas com 12 heróis ao invés de 1 – e personagens pouco desenvolvidos na época de sua criação nos anos 40 – enfrentando as gigantescas transformações da sociedade americana e do mundo nesse período (não há super-vilões, só eles contra suas próprias histórias!) tem sido muito bem trabalhada pelo veterano JMS. A arte de Chris Weston é uma atração extra, elaborada e condizente com o clima ora desesperançoso, ora violento, ora misterioso que a trama traz. Há personagens muito interessantes que, torço, sobrevivam ao final e fiquem intrigados ao restante do Universo Marvel.

. Official Handbook of the Marvel Universe merece um Post próprio, mais pra frente.

. Mythos: Captain America ainda não li… mas estou curioso pra fazer um paralelo com os “Maiores Clássicos” (que comentei há pouco aqui no Blog… please vejam nos posts anteriores.)

Por enquanto é isso.
Mais tarde tem mais.

My “Pull List”: o que estou importando dos EUA

Há muitos e muitos anos adquiri o hábito de ler revistas em quadrinhos em Inglês, isto é, as edições originais norte-americanas, especificamente de super-heróis da Marvel.

Acho que a primeira edição que comprei foi uma Uncanny X-Men, ainda do Chris Claremont, em meados da década de 80, em uma livraria lá em São José dos Campos (SP).

Nunca parei, apesar de ter “dado uns tempos” na época em que o dólar tinha disparado para mais de R$ 2,00 lá pelo ano 2000.

Atualmente, compro de uma Comic Shop aqui em São Paulo alguns títulos da Marvel Comics e, eventualmente, de outras editoras também.

Os americanos que lêem regularmente comic books têm o hábito de visitar uma vez por semana a sua loja de quadrinhos, onde retiram suas “encomendas” – uma espécie de assinatura feita com o lojista, não com a editora. Atualmente, a quarta-feira é o dia da semana em que as revistas-lançamento ficam à disposição dos clientes. Assim, a maioria do pessoal costuma dar uma passadinha nas lojas entre quarta e quinta mesmo, para ler e ficar in do que tá rolando (e depois visitar a internet pra debater sobre as histórias nos fóruns específicos). Esse sistema foi traduzido aqui para o Brasil como “reserva”, mas devido à distância, as revistas costumam chegar em lotes mensais, e não semanais.

Os leitores de lá também deram um nome para sua “lista de compras” de quadrinhos, isto é, quais títulos eles resolvem pegar – uma decisão meio que tomada com antecedência, motivada pelos artistas envolvidos, pelo personagem, pela temática da revista, etc. Tudo isso é divulgado meses antes da revista ser impressa e distribuída. Essa lista pessoal de cada leitor é chamada de “my pull list“. E a graça é divulgar cada pull list também nos fóruns e blogs e sites dedicados ao mercado, dando ênfase sobretudo ao “que entra” e ao “que sai” de cada relação.

Bem, meu último lote de reservas chegou há algumas semanas, e lá fui eu retirar minhas adoráveis revistinhas Marvel.

Esta é a atual Pull List do Jorge:

. New Avengers (mensal, dos Novos Vingadores)
. Avengers: The Initiative (mensal, aborda as diversas equipes de Vingadores do Programa Iniciativa)
. Iron Fist (mensal, do Punho de Ferro)
. Guardians of the Galaxy (mensal, nova, sobre os novos Guardiões da Galáxia)
. Captain Britain and the MI13 (mensal, nova, com o Capitão Britânia e outros heróis europeus)
. Marvel Comics Presents (mensal, contém 4 mini-histórias em cada edição de personagens diferenciados)
. The Eternals (mensal, nova, continuando a saga dos Eternos)
. The Twelve (mini-série, sobre 12 heróis perdidos da II Guerra Mundial reencontrados no presente)
. Secret Invasion (mini-série, é o carro-chefe do ano da Marvel, a “Invasão Secreta” dos aliens Skrulls)
. Secret Invasion – Who Do You Trust? (Edição especial, com vários personagens diferentes enfrentando Skrulls)
. Official Handbook of the Marvel Universe (mini especial, uma espécie de Enciclopédia dos personagens)
. Mythos: Captain America (Edição especial, quase uma Graphic Novel, apresenta uma versão atualizada da origem do Capitão América)

Depois comento como foi ler cada um desses títulos.

Até mais.

Lido: Maiores Clássicos do Capitão América #1 (Editora Panini)

capa mcca1

CAPA

. Volume de Spoilers: Poucos.

Um dos grandes elogios que a Panini merece é, sem dúvida, o esforço em trazer grandes Fases, de personagens da Marvel e da DC, que nunca tiveram um tratamento digno no Brasil.

Atualmente, nós podemos encontrar nas bancas e livrarias coleções fantásticas como a “Biblioteca Histórica”, com as primeiras histórias dos heróis Marvel; vários encadernados reeditando minisséries importantes, como “Guerras Secretas” e “Lendas”; e, sobretudo, a coleção dos “Grandes Clássicos”, que começou com a Marvel mas já estão saindo também os primeiros volumes da DC.
No entanto, um dos maiores heróis de todos os tempos e um dos ícones dos quadrinhos, o Capitão América, ainda estava sem nenhuma edição especial disponível. Agora que – na cronologia contemporânea -, o alter ego mais famoso do herói, Steve Rogers, morreu, a Panini resolveu que era hora de investir em Grandes Clássicos do Capitão, como nesta brilhante (e pouco conhecida no Brasil) Fase da “Era de Bronze” do personagem (R$ 28,90/212 pgs).

Muito pedida por fãs veteranos em fóruns na internet, a curta – porém inesquecível – sequência de histórias da dupla de amigos Roger Stern e John Byrne (mais o belíssimo nanquim de Joe Rubinstein) apareceu nas edições originais da revista americana Captain America #247 a #255 (julho de 1980 a março de 1981).

Neste volume #1, portanto, estão todas as 9 clássicas histórias da dupla de autores, desta vez com todas as páginas, no tamanho original, com textos completos e uma nova e melhorada tradução (já tinham sido publicadas em formatinho da Editora Abril). A Panini ainda acrescentou, como é de praxe neste tipo de material, as capas originais, entrevistas com os autores (duas com o Roger Stern, na verdade) e uma inédita sequência sem texto, somente arte de John Byrne, da que seria a 10ª edição da série, mas que infelizmente foi cancelada por motivos não muito claros e a equipe criativa, portanto, não chegou a conclui-la.
Aqui o leitor acompanha o Capitão e sua vida dupla com diversas “novidades”: Steve Rogers fazendo trabalhos free-lance como desenhista publicitário, morando em um pequeno edifício no Brooklyn e convivendo com vários vizinhos autenticamente novaiorquinos, ganhando uma nova namorada, a descolada Bernie Rosenthal, fazendo parcerias com Dum Dum Dugan e Nick Fury, da SHIELD, e enfrentando a ameaça inédita do andróide Mecanus. Como nas demais histórias desta Fase, vemos um Capitão América inteligente, elegante, que enfrenta as ameaças com sagacidade e eficácia – enfim, o supersoldado em essência.
Outros vilões que aparecem aqui são o Homem-Dragão, Batroc, Mister Hyde e – provavelmente o ponto alto de toda a série, o vampiresco Barão Sangue, um inimigo dos tempos da II Guerra Mundial, que faz com que o herói retorne à Inglaterra pela primeira vez desde o seu “descongelamento”, onde reencontra o Union Jack original e a inativa velocista Spitfire. Nessa aventura espetacular, ainda ganhamos de bandeja um novíssimo Union Jack – o terceiro da dinastia, o jovem Joe Chapman, que permanece até hoje na cronologia da Marvel (estrelou há pouco uma mini, publicada na revista mensal Marvel Action). Saudosista e emocionante, é uma das minhas aventuras favoritas do personagem.

Há ainda outros dois destaques, verdadeiras jóias dos quadrinhos do personagem, neste volume:
– a história do “Capitão-Candidato”, onde os autores sugerem a hipótese do Capitão se candidatar a Presidente dos Estados Unidos, trabalham com a repercussão da notícia com a população, com JJJ, Vingadores e encerram com um emocionante “discurso” do herói. Sem supervilões, é um daqueles pequenos clássicos da Marvel onde o foco é o roteiro criativo, reviravoltas e textos bem cuidados. Enfim, imperdível.
–  a origem definitiva do Capitão em “A Lenda Viva”, desenvolvida a partir do trabalho original de Jack Kirby, Joe Simon e também de Stan Lee, os autores acrescentam alguns belos detalhes nos primeiros dias de atuação do herói, e até mesmo mostram a precária condição econômica que o jovem Rogers vivia nos tempos pós-quebra da Bolsa americana da década de 30.

Concluindo:
– Os leitores mais novos, que praticamente só tiveram contato com a atual Fase de Ed Brubaker, se arriscarem esta edição podem se encantar com uma visão bastante diferente do personagem, mais otimista e cheia de esperança – mas ainda assim com a mesma “base” ideológica e repleta de ação e intriga que o herói evoca.
– Se você gosta do John Byrne, vai adorar este material, onde o desenhista brilha a cada página.
– Fãs deprimidos pela morte de Steve Rogers, esta é sua pedida para reviver grandes aventuras.
Nota máxima: 10!

Lembrando meus tempos de GIBITECA.

Ultimamente tenho tido uns momentos “saudosísticos” bem intensos. Adoro me lembrar da parte boa do meu passado, mas geralmente os fatos que ressurgem são os mesmos de sempre.

Desta vez, tenho procurado lembranças diferentes, que estão alojadas em algum local pouco acessado do meu hardware pessoal.

Hoje, ao fuçar nas minhas revistas mais alternativas, ou melhor, em alguns álbuns europeus, me lembrei com carinho da Gibiteca Henfil, aqui de São Paulo.

Eu a conheci quando ainda ficava na VIla Mariana, na Rua Sena Madureira, uns 15 anos atrás.

Na época eu estudava na ESPM, ali pertinho, então ao final de um dia de tarefas e aulas, era gostoso dar uma esticada até lá e me perder por horas nas prateleiras recheadas da Gibiteca. Gastei muito tempo sentadão ali junto às mesas e sofás lendo, folheando ou relendo centenas de revistas em quadrinhos, ou observando o movimento dos outros jovens, muitos ainda adolescentes e/ou carentes, também tipos estranhos, além dos orientais que caçavam os então raríssimos mangás, além de vários aspirantes a desenhistas e figuras do “meio” que curtiam o local.

Foi ali que eu finalmente consegui ler revistas que ainda eram um mistério para mim, mas já tinha informação o suficiente do que era mais ou menos relevante.

Lucky Luke, Tin Tin, Corto Maltese, Valentina, Asterix e outras importantes criações mundiais foram reveladas para mim durante essas visitas – se não me engano semanais. Lembro que algumas edições eram permitidas levar pra casa… então era uma verdadeira festa: lia o máximo que podia lá e ainda levava outras pra ler antes de dormir!

Mangás e alguma coisa da América Latina, como a própria Mafalda, também foram descobertas ali.

E também lia as revistas em inglês que de vez em quando apareciam, como a Heavy Metal, Wizard Magazine, Ranxerox e álbuns especiais, como os do Will Eisner. Claro que eu também ficava garimpando algumas histórias mais antigas de comics de super-heróis, mas meu interesse pela Gibiteca era no “diferente” mesmo.

Foram ótimos tempos, mas tinha me esquecido completamente da existência e ignorava por completo o destino desse espaço, quando uns tempos atrás fiquei sabendo que tinha mudado de endereço:

Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso Tel. 3383-3490
Horário da Gibiteca – de 3ª a 6ª feira – das 10h às 20h
Sábados, das 10 às 17h / Domingos, das 10 às 17h
http://www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/index.html

Legal saber que foi pro CCSP, um dos centro paulistanos mais bacanudos e especiais. No site diz apenas que a retirada das revistas é para residentes em São Paulo, capital… sorry aos de fora, mas fica aí uma sugestão para quem vier passear por aqui.

Dia desses – nas férias quem sabe? – vou aproveitar e dar uma passadinha por lá… será que meu cadastro ainda tá valendo?