Lembrando meus tempos de GIBITECA.

Ultimamente tenho tido uns momentos “saudosísticos” bem intensos. Adoro me lembrar da parte boa do meu passado, mas geralmente os fatos que ressurgem são os mesmos de sempre.

Desta vez, tenho procurado lembranças diferentes, que estão alojadas em algum local pouco acessado do meu hardware pessoal.

Hoje, ao fuçar nas minhas revistas mais alternativas, ou melhor, em alguns álbuns europeus, me lembrei com carinho da Gibiteca Henfil, aqui de São Paulo.

Eu a conheci quando ainda ficava na VIla Mariana, na Rua Sena Madureira, uns 15 anos atrás.

Na época eu estudava na ESPM, ali pertinho, então ao final de um dia de tarefas e aulas, era gostoso dar uma esticada até lá e me perder por horas nas prateleiras recheadas da Gibiteca. Gastei muito tempo sentadão ali junto às mesas e sofás lendo, folheando ou relendo centenas de revistas em quadrinhos, ou observando o movimento dos outros jovens, muitos ainda adolescentes e/ou carentes, também tipos estranhos, além dos orientais que caçavam os então raríssimos mangás, além de vários aspirantes a desenhistas e figuras do “meio” que curtiam o local.

Foi ali que eu finalmente consegui ler revistas que ainda eram um mistério para mim, mas já tinha informação o suficiente do que era mais ou menos relevante.

Lucky Luke, Tin Tin, Corto Maltese, Valentina, Asterix e outras importantes criações mundiais foram reveladas para mim durante essas visitas – se não me engano semanais. Lembro que algumas edições eram permitidas levar pra casa… então era uma verdadeira festa: lia o máximo que podia lá e ainda levava outras pra ler antes de dormir!

Mangás e alguma coisa da América Latina, como a própria Mafalda, também foram descobertas ali.

E também lia as revistas em inglês que de vez em quando apareciam, como a Heavy Metal, Wizard Magazine, Ranxerox e álbuns especiais, como os do Will Eisner. Claro que eu também ficava garimpando algumas histórias mais antigas de comics de super-heróis, mas meu interesse pela Gibiteca era no “diferente” mesmo.

Foram ótimos tempos, mas tinha me esquecido completamente da existência e ignorava por completo o destino desse espaço, quando uns tempos atrás fiquei sabendo que tinha mudado de endereço:

Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso Tel. 3383-3490
Horário da Gibiteca – de 3ª a 6ª feira – das 10h às 20h
Sábados, das 10 às 17h / Domingos, das 10 às 17h
http://www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/index.html

Legal saber que foi pro CCSP, um dos centro paulistanos mais bacanudos e especiais. No site diz apenas que a retirada das revistas é para residentes em São Paulo, capital… sorry aos de fora, mas fica aí uma sugestão para quem vier passear por aqui.

Dia desses – nas férias quem sabe? – vou aproveitar e dar uma passadinha por lá… será que meu cadastro ainda tá valendo?

Belos Sebos 1: RED STAR

Achei bacana aproveitar o canal e também divulgar os melhores sebos, livrarias e comic shops que já fui.

Uma grande parte da minha coleção foi montada a partir de visitas regulares a alguns sebos de São Paulo.

O RED STAR, por ser perto do trabalho e geralmente ter uma boa quantidade de revistas em quadrinhos americanas, é um dos meus favoritos.

Esse Sebo é um dos grandes da cidade em termos de unidades… acho que somam 4 ou 5. Mas aqui na região de Pinheiros há os dois que oferecem HQs: um na Rua Teodoro Sampaio, 2040; e outro na Avenida Pedroso de Moraes, 811, quase na frente da FNAC (tel: 3031 0307).

Destaco 3 pontos fortes do RED STAR:
1 – Organização e Limpeza – acima da média para um sebo;
2 – Acervo – há muitos formatinhos, há muita coisa da Panini e também originais americanos e até europeus, a maioria em bom estado;
3 – Preço – os formatinhos saem de R$ 0,50 a R$ 2,00; acho que os da Panini giram em torno de R$ 3,00 e os americanos variam de R$ 1,00 a R$ 3,00 cada.

Eu já comprei dezenas de exemplares americanos da Marvel Comics neste local, a maioria até em números sequenciais e em bom ou ótimo estado. Quando descobri este local, uns 3 anos atrás, era mais caro – de R$ 3,00 a R$ 6,00 cada – e havia muita coisa boa e rara; com o tempo, a coisa escasseou bastante mas por outro lado barateou mais, a ponto de não passar de R$ 2,00.

Recentemente, achei alguns encadernados (os conhecidos TP´s) em bom estado a R$ 25,00 cada, dos Vingadores (Avengers), X-Men e Novos Guerreiros (New Warriors).

O pessoal é atencioso e a localização dessas duas unidades é excelente, apesar de não ter estacionamento.

Dos formatinhos, há uma quantidade absurda de exemplares e algumas coleções completas, tipo Wolverine da Abril por uns R$ 120,00 acho.

Logo mais cito outros bons sebos da cidade e também as melhores livrarias e comic shops.
Até!

Lido: Marvel Especial #7 NAMOR (Editora Panini)

. Volume de Spoilers: Poucos.

A revista Marvel Especial é publicada a cada dois meses, sempre trazendo uma “atração” diferente. Esta é a última, desta vez estrelando o relativamente conhecido herói da Era de Ouro do quadrinhos, Namor.

Li esta revista da Panini em duas partes: o primeiro trecho, logo que comprei, foi somente o Capítulo 1 (de 6) da história. Os outros 5 Capítulos li muito tempo depois, no conforto do meu sofá, sem crianças nem televisão, computador ou qualquer outro aparelho “zumbitrônico” ligado. Às vezes situações como essa são raras – dependendo da sua estrutura familiar – mas podem ser extremamente prazerosas… como a história é bem legal, foi melhor ainda.

O Namor, também conhecido como Príncipe Submarino, é um dos personagens mais clássicos e antigos da Marvel Comics, criado em 1940 por Bill Everett e publicado na raríssima Marvel Comics #1, mas faz tempo que perdeu a sua proeminência no mundo dinâmico das HQs. Seu último título mensal pra valer terminou no começo da década de 90 nos USA. De lá pra cá, foi um coadjuvante de luxo junto a vários outros personagens, sobretudo do Quarteto Fantástico; participou de grandes Sagas e estrelou um ou outro Especial e uma ou outra Minissérie. A qualidade desses trabalhos varia muito.
A revista em questão é a versão brasileira da última mini do personagem (Sub-Mariner #1-#6), que saiu em meados de 2007 nos EUA, e tem sua trama centrada nos eventos da Saga “Guerra Civil”, uma verdadeira divisora de águas na cronologia do Universo Marvel. Os autores são: Matt Cherniss e Peter Johnson no texto e o Phil Briones cuidou da arte.

Portanto, a primeira coisa importante a dizer é que esta revista funciona melhor para aqueles leitores mais habituados com a intrincada teia da Marvel. Ela não conta a origem do anti-herói, não é uma história que começa ou termina aqui e nem é “auto-explicativa”, como era o hábito até os anos 80.

Mas vamos lá. Eu sou fã hardcore da Marvel e conheço bem o pano de fundo e todos os principais envolvidos nesta trama: Homem de Ferro e a SHIELD, Professor Xavier e Wolverine, Venon, Nitro e, claro, vários outros Atlantes.

Isso porque a história parte do pressuposto deixado em uma outra revista, chamada Guerra Civil Especial, onde uma “célula terrorista atlante” é descoberta e desabilitada por outros heróis. Aqui, vemos uma outra “célula”, aparentemente rebelde, pondo em ação um ataque terrorista de fato, eliminando dezenas de cidadãos americanos. Assim que sabe do ocorrido, Namor parte em busca de respostas, enquanto o Homem de Ferro e um exército da SHIELD cercam a capital do Reino Submarino, Atlântida.

A partir daí (e fiquem tranquilos que não dou spoilers), traições, descobertas, combates e corrida contra o tempo compõem o roteiro simples mas eficiente, com um desenho razoável e bem adequado. Há revelações importantes, e um final chocante, diferente do que se espera, e que muda drasticamente a história do povo submarino e do próprio Namor.

Dá pra ficar curioso com as possibilidades criadas… enfim, valeu a lida, foi bom rever o Namor com sua intempestuosa personalidade superando adversários (com facilidade) e até mesmo usando estratégias acima do que habitual. Foi bem bacana também saber que sua autoridade não é unânime entre seu povo e que ele tem que lutar por ela, ao menos às vezes. Isso tudo é o lado bom.

O lado ruim, além do preço, é que precisa estar por dentro dos últimos acontecimentos da Marvel. Não dá pra esperar também uma obra-prima.

Como fã, há também o lado do “quero mais”: o personagem merece um título próprio e esta revista serve para pavimentar o caminho. Quem sabe se não veremos mais do Príncipe do que jeito que ele merece? A partir deste momento, ele teria uma oportunidade e tanto para estrelar sua própria revista mensal, com um time criativo de qualidade.

Fui dormir tarde mas feliz. Nada como uma história bacaninha pra esquecer que o final de semana acabou.

Conclusões:
– Valeu o tempo e valeu o investimento!
– Bom roteiro, com algumas surpresas, confrontos inéditos e final “muda tudo” coerente!
– Arte ok, como sempre um pouco prejudicada pelo papel barato da Panini.
– Edição muito boa, capa ótima e chamativa, formato original, mini na íntegra, capas publicadas.
– Nota 7,0.

Lendo muita coisa ao mesmo tempo agora!

Que eu tenho alguma doença relacionada a ler muito, isso eu sei faz tempo.
Mas uma coisa que adquiri nos últimos anos, e que me irrita um pouco mas ao mesmo tempo estou viciado nisso, é ler muita revista diferente ao mesmo tempo.

E não é só com quadrinhos não. É também com revistas (periódicas, de cinema, de viagem, de história, de negócios, etc.), com livros e até jornalzinho de bairro.

Não consigo parar. É compulsivo e me faz mal. Sério. Fico nervoso com a pilha de coisas a serem lidas, a pilha de revistas começadas e não terminadas, e depois fico neurótico em onde guardar as já lidas. Recentemente, descobri algo que me deixa bem aliviado: dar revistas lidas para parentes, amigos e pra quem mais estiver a fim de!

– Mas, afinal, o que estou lendo, atualmente, de Histórias em Quadrinhos?

. NYX – um encadernado da Marvel sobre mutantes bem jovenzinhos. Parei na metade, tipo, um ano atrás, e continua na pilha. É legal, mas já faz tanto tempo que preciso reler um pouco antes de concluir…

. Official Handbook of the Marvel Universe – este aqui é uma obra gigantesca, contendo histórias de centenas de personagens da Marvel, então são várias edições, e algumas continuam chegando ainda para mim, por isso parece algo interminável. Mas é extremamente útil e divertido.

. Guerra Secreta – outra coletânea da Marvel. Não é inédita para mim, conheço bem a história, mas eu preciso reler esta nova edição porque pela primeira vez saiu completinha no Brasil. Tá lá, guardada com carinho.

. Pixel Magazine – comprei várias edições mas depois da #3 não consegui avançar mais. Revista excelente, bem diversificada, mas preciso arrumar um tempo adequado pra ler as outras 10 edições que já saíram.

. Os Sete Soldados da Vitória – é uma mini-série da DC Comics, muito interessante e bem desenhada, mas eu perdi a edição #5 e isso me desanimou pacas, a ponto de não ter lido nem a quarta parte. São 8 no total. Acho que vi a edição perdida numa banca perto de casa, mas na hora (isso também é muito comum) fiquei na dúvida se era mesmo aquele o número lost.

. Lobo Solitário – é um mangá muito bacana e clássico, li só a primeira edição (dessa versão recente da editora Panini) e tenho mais umas 10 na sequência. Mas ainda preciso comprar as outras 18 partes, então esse vai demorar mesmo!

. X-Force (1º volume/USA) – tive a sorte de conseguir completar, comprando aos poucos em sebos e comic shops, uma gigantesca e boa fase deste grupo mutante, que por sinal quase não saiu nada aqui no Brasil, e tive a “manha” de ler os arcos finais, mas não os anteriores, que devem dar umas 40 revistas. Um dia, quem sabe?

. The Thing (3º volume) – outro material original americano inédito no Brasil e muito bacana. São poucas revistas, acho que consigo matar tudo de uma vez só. No final de semana, talvez.

. Biblioteca Histórica dos X-Men Volume 1 – interessantíssimo material, que finalmente está saindo aqui no Brasil com a qualidade e reverência necessárias, a coleção “Biblioteca” da Panini já tem uma quantidade razoável de edições, e consegui terminar a do Quarteto #1 e dos Vingadores #1, mas esta dos mutantes tá indo a passo de tartaruga. Mas é o tipo de revista que precisa do momento certo.

. Sandman – Sim, são os excepcionalmente belos volumes capa dura da Editora Conrad. Li com muito esforço o primeiro, agora preciso de fôlego pra começar os outros… 9! Aff!

. Obras Completas de Carl Barks – também não comprei todos, mas só os que eu já tenho dá pra gastar muitas horas… quem gosta da Disney e, em especial dos Patos, vai se deliciar com a coleção. Ainda tá saindo, pela Editora Abril.

. Os Mortos-Vivos #2 – é ótimo e estou realmente curioso com a continuação, mas, puxa vida, tem tanta coisa legal pra ler também… o Robert Kirkman espera um pouco mais…

. Calvin – álbum bacanudo e enorme. Nem comecei, pra ser sincero…

. Grandes Clássicos Marvel – Tô quase terminando o seminal Capitão América de Roger Stern e John Byrne, e começando o primeiro do Homem de Ferro… aquele do “Demônio da Garrafa”… tudo importante e vital. Já tinha lido antes, mas naqueles infames, terríveis e incompletos “formatinhos” da Abril dos anos 80 e 90…

. Várias revistas mensais – Estão são as que leio todo mês, geralmente as que viram prioridade: Iron Fist; New Avengers; Avengers The Initiative; Marvel Comics Presents; Captain Britain and the MI13; The Order; Guardians of the Galaxy; Secret Invasion; Avante Vingadores; Marvel Action; Marvel Max; Universo Marvel; Marvel Especial (Namor); 52 e agora também a Fábulas Pixel.

Por favor, não me perguntem quais revistas e livros também estão na pilha, porque fiquei meio deprimido só de falar das hqs…
Abraços.

Porque ler histórias em quadrinhos

Para quem já lê, a justificativa é muito imediata e simples.

Eu acho que, no geral, as pessoas lêem quadrinhos para se divertirem e ponto final. Sim, como entretenimento puro!

Mas como qualquer outro meio de comunicação popular do nosso tempo, está em constante evolução e, felizmente, ampliando seus horizontes e desbravando novas fronteiras.

Assim como o Cinema e a Literatura, há quadrinhos de vários gêneros, e para todas as idades; há HQs de autores renomados e globalmente conhecidos, há obras mais transgressoras, outras bem pop, há histórias curtas, outras novelões gigantescos, e há histórias sem-fim;

Mas, ao contrário do Cinema, nos quadrinhos é muito mais fácil criar universos e realidades originais, coreografar batalhas espetaculares, acertar os atores a seus papéis adequados, e também o diretor, o fotógrafo e o cenógrafo, ou até mudar o roteiro no meio da história; e ainda por cima tudo isso sem custos realmente significativos.

E, ao contrário da Literatura, a gente curte texto e imagem simultaneamente. Um apoia e amplia a percepção do outro. Você pode passar um belo tempo curtindo os detalhes de uma página dupla ou analisando o estilo de cada desenhista… independentemente do texto. Ou pode se divertir com uma onomatopéia engraçada, um título-referência ou um diálogo original, mesmo não achando o desenho tão bom assim…

PLUS: dá pra se educar lendo quadrinhos; e não só no seu idioma (ou em mais de um, como é o caso de muita gente que conheço!), mas também em história e geografia, em física e biologia, em psicologia, política e sociologia, e até mesmo em Cinema, Literatura, Pintura, Poesia, Música e tudo que você imaginar de cultura pop (moda, televisão, desenhos animados, comportamento, etc).

Há diversas razões, enfim, para se apaixonar por quadrinhos.

Eu descobri isso há muito tempo, e jamais abandonei os “gibis”.

Quem quiser compartilhar um pouco dessa maravilhosa experiência, ou ainda, quem sabe, aprender um pouco sobre esse universo fantástico e inesgotável, será sempre bem-vindo ao LENDOQUADRINHOS!

“Excelsior!”*

Abraço e aguardo comentários e sugestões.

* Com o perdão da citação, essa é a clássica assinatura do grande criador e lenda viva dos quadrinhos americanos, Stan Lee! Um viva ao mestre!