Coleção Snoopy nas Bancas

Em março de 2021 chegaram os primeiros volumes de uma nova coleção de quadrinhos nas bancas de São Paulo e outras regiões: Snoopy – Charlie Brown & Friends, a Peanuts Collection. Sim, o nome oficial é grande mas, resumidamente, é uma série quinzenal capa dura da editora Planeta DeAgostini com as tiras dominicais do querido Snoopy.



O primeiro volume custa apenas R$ 14,90, e traz todas as tiras dominicais produzidas pelo grande Charles Schulz ao longo do ano de 1968. Li e é mesmo muito divertido e cativante, especialmente porque são tiras maiores que as tradicionais de 3 ou 4 quadros (as que saíam nos dias úteis) e, por isso mesmo, permitiam um tratamento mais elaborado das gags e, claro, das personalidades de Charlie Brown & Cia.

A Coleção funcionará assim: cada novo volume trará o conteúdo de um ano inteiro das tiras de domingo, como nesta primeira remessa, ou serão edições temáticas. Aliás, Charles Shulz trabalhou por cerca de 50 anos com seus carismáticos personagens, de 1950 a 1999.

A segunda entrega trouxe os anos 1969 e 1970 e são vendidos em conjunto por R$ 49,90. Em breve chega o quarto volume, esse ao preço definitivo de R$ 49,90 por edição, um valor salgado para este tipo de material em preto e branco e com apenas 60 páginas, e que pressupõe um compromisso de longo prazo do comprador, já que idealmente é para “fazer a coleção”, e ela será enorme, com dezenas de volumes. Na verdade, esse número não está claro, podendo ser encerrada pela editora antes. A propósito, no site da Planeta há um plano de assinatura que pode ser interessante, com descontos e brindes exclusivos.



Para quem não conhece o conteúdo destas tiras de jornal, um verdadeiro marco dos quadrinhos de humor da segunda metade do século XX, com um quê de filosofia e existencialismo e muita ironia, as estrelas eram, além dos animais – o beagle Snoopy e o pássaro Woodstock, um grupo de crianças que circundam a vida de Charlie Brown, em grande medida um garoto melancólico e loser, inspirado no próprio autor, que teve uma infância meio complicada, meio privilegiada, contada logo no primeiro volume.

Sem dúvida, é um trabalho que não perdeu sua qualidade ou ressonância com o tempo. Pelo contrário, os temas são universais e justificam o enorme sucesso nos EUA e em muitos outros países, como aqui no Brasil.

Snoopy, vale lembrar, virou desenho animado e foi licenciado para brinquedos, bichos de pelúcia e muitos cadernos, agendas e outros itens de papelaria, e permanece um ícone mundial, mesmo 20 anos após o falecimento do criador, que não permitiu a continuação dos quadrinhos nas mãos de outros artistas.

Indicado para leitores de todas as idades, o material tem um ótimo acabamento gráfico, padrão da Planeta DeAgostini (que trouxe outra coleção das tiras, a do Príncipe Valente, que está próxima da conclusão), com textos introdutórios muito bons, de pesquisadores dos quadrinhos e de especialistas na obra.



Diria que a maior “ameaça” ao sucesso desta coleção é o conjunto preço elevado + coleção longa + cenário recessivo no país. Ressalto que o preço dos quadrinhos em geral aumentou bastante nos últimos meses, sendo que hoje é comum encontrar mangás – outros materiais em preto e branco, com muito mais páginas mas sem capa dura ou papel bom, com preços quase na mesma faixa.

Enfim, é um clássico e torço que dê certo e assim mais leitores conheçam e se divirtam com Charlie Brown, seu cachorrinho Snoopy e demais amigos.

Indicação: Quarteto Fantástico – Mulher Invisível (Panini Comics)

Este simpático encadernado em capa cartão contém uma minissérie em 5 partes completinha, com a história Parceiros no Crime, publicada originalmente nos EUA em 2019 e em novembro de 2020 no Brasil.

Mulher Invisível em capa do grande Adam Hughes

Escrita con mucho gusto pelo tarimbado Mark Waid e desenhada por Mattia De Iulis, é uma revista divertida e esteticamente atraente que, mesmo com uma arte criada digitalmente, apresenta não apenas uma narrativa elegante, clean, como também cores equilibradas e expressões faciais bem construídas, algo raro em artistas contemporâneos.

Sobre a história, sem dúvida alguma um dos grandes destaques – inclusive para leitores veteranos -, é no uso inventivo, até inusitado, dos poderes da Mulher Invisível em vários momentos da trama, e que certamente não poderão ser ignorados daqui em diante.

Além de Susan Storm, o outro personagem-chave desta HQ é Aidan Tintreach, um agente secreto criado para esta série e que teria, de acordo com o retcon aqui apresentado, uma longa história de parceria com a super heroína – daí o título da aventura.

Aidan é o parceiro mais que secreto da Susan Storm

Vale frisar que não é a primeira vez que a Mulher Invisível é mostrada como agente secreta. O próprio Mark Waid revelou esta curiosa faceta da Susan em uma história da finada série mensal dos Agentes da SHIELD com Phil Coulson, de alguns anos atrás e que chegou a ser publicada pela Panini em encadernados.

Acho uma ideia bem interessante, porque furtividade, incursões e fugas perigosas, mas seguras, combinam perfeitamente com o conjunto de poderes daquela que é, provavelmente, a mais poderosa integrante do Quarteto Fantástico.

Sim, a Mulher Invisível dá uma ótima espiã!

Enfim, o que move a história de Parceiros no Crime é quando a CIA conta à Susan que Aidan foi capturado durante uma missão em Morávia (um país fictício do Universo Marvel do em constante conflito, localizado no leste europeu). A prisão do agente estaria ligada com a tentativa de salvamento de jovens americanos no belicoso país.

A Mulher-Invisível decide seguir pistas deixadas por Aidan para, claro, o libertar e também salvar os americanos. Essa busca fará com que ela visite localidades diferentes pelo mundo: Madripoor, Itália, Irlanda e outras, o que é típico de histórias de espionagem a la Guerra Fria.

Por sinal, por ser uma trama de agente secreto no Universo Marvel, o roteirista não perde a chance de inserir participações especiais: Nick Fury (pai e filho), Maria Hill e Viúva Negra.

Uma observação sobre a Viúva: no traço de Iulis, ela apresenta uma feição diferente, mais envelhecida (totalmente condizente com seu histórico) e de expressões “eslavas” (se é que eu posso me permitir esse apontamento) ou, ao menos, “não-europeus do oeste”. Acho esse cuidado mais do que um mero detalhe. As editoras de quadrinhos mainstream americanas deveriam se esforçar mais para acertar os traços físicos dos diferentes povos de nosso planeta. Em geral, os desenhistas se limitam a ajustar roupas e cabelos, mas as fisionomias e corpos são todas meio genéricas, grosseiras, quase sempre clichês de latinos, africanos ou asiáticos. Por isso me chamou a atenção que, mesmo entre “europeus”, para um bom observador há diferenças mais do que sutis. Ponto para o Iulis que, a propósito, é italiano.

Susan Storm Richards e Natasha Romanoff no traço de Mattia De Iluis

Já o desenho da Susan segue o estilo primeiramente apresentado pelo grande Steve McNiven que, lá no começo dos anos 2000, na revista Marvel Knights Fantastic Four, a fez mais longilínea e mais leve, jovial.

Pequenos pontos problemáticos: há algumas soluções excessivamente convenientes do roteiro mas que, a meu ver, não chegam a “estragar” o clima e, de certo modo, fazem parte da vibe das histórias de espionagem, sejam em quadrinhos, livros ou no cinema. Além disso, é possível dizer que o roteiro é mesmo um tanto genérico, ou seja, poderia ser aplicado para qualquer outro agente secreto da Marvel e funcionaria igual mas, por outro lado, perderíamos a chance de vermos os poderes de invisiblidade sendo usados de forma criativa e, talvez mais importante, de acrescentar novas camadas e possibilidades para a personalidade e a história individual da Mulher Invisível, algo que a torna ainda mais especial e “descolada” da sua vida no Quarteto Fantástico.

Susan infiltrada na alta classe europeia.

Para encerrar, diria que sim, é uma revista de muito bom nível, com uma arte bem bonita, diálogos que deixam a leitura agradável e tem a vantagem de ser uma história auto contida e ótima, portanto, também para quem não acompanha o Universo Marvel em geral ou não costuma ler HQs do Quarteto.

O final é emocionante como precisava ser e, após a leitura, fica o gostinho de que não só valeu a pena como seria interessante a mesma dupla criativa contar novas histórias do lado menos visível da Mulher Invisível.

Nota 8,0.

Leituras para a Quarentena #03: Caçando Dragões

Olá pessoal, tudo bem?

Por incrível que pareça, esta é minha primeira indicação de Mangá no Blog, que coisa!
Se eu conseguisse vir aqui mais vezes por mês certamente já teria falado sobre este e outros mangás deliciosos. Mas o tempo está curto mesmo, o que é uma pena porque eu gosto muito de falar, de escrever e de discutir quadrinhos de todos os tipos.

Capa da edição mais recente.

Mas, vamos ao que interessa.

No começo dos Anos 80 mangá não fazia parte do mix de leituras disponíveis nas bancas e, por isso, sou de uma geração de leitores de quadrinhos que passou a infância e a adolescência sem contato com o estilo.

Precisei de um certo tempo, com algum esforço, para começar a curtir. Hoje em dia está incorporado: sempre tenho um ou dois à disposição na pilha. Não virei um leitor compulsivo de mangás, como sou com quadrinhos de heróis por exemplo, e tem muito mangá que experimento e deixo pra lá, mas pelo menos compreendo melhor a proposta e “como funciona”.

Esta nossa terceira indicação da série Leituras para a Quarentena partiu de uma decisão prosaica: ano passado, vi a capa do número #01 de Caçando Dragões na banca e fiquei encantado com os traços delicados, mas super detalhados, e o belíssimo colorido. O tema me deixou curioso mas, antes que recorresse ao smartphone para fazer uma rápida pesquisa, decidi comprar.

Sim, foi pela capa, sem ter lido uma única resenha ou um mínimo comentário em outros sites, nem no Instagram, nem no YouTube… enfim, foi um “tiro no escuro” mas, ainda bem, acertei no alvo!

Gostei bastante da primeira edição e mais ainda das seguintes. Estou acompanhando com prazer o trabalho de Taku Kuwabara. É uma proposta razoavelmente complexa, mais que aparenta no início e, puxa vida, que arte linda!

Alguns dos protagonistas praticando a caça na primeira capa da série

Caçando Dragões – Kuutei Dragons no original – é uma leitura fluida, com diálogos bem cuidados, narrativa prazerosa e personagens interessantes. É uma obra recente, que ainda está em andamento no Japão e, por aqui, já saíram 5 volumes pela Panini Comics. Essa é outra razão para indicar a leitura: para quem se interessar, é possível encontrar todos os números nas comics shops e livrarias.

A proposta do mangá é intrigante, criativa e até ousada – o que gerou, quase que inevitavelmente, uma certa polêmica.

Aqui, acompanhamos a tripulação do Quin Zaza, uma espécie de barco voador, tipo um dirigível, em sua busca pelos dragões de um mundo fantástico. A missão desse navio é caçar implacavelmente dragões para vender sua carne. É, portanto, um empreendimento que vive do abate desses animais voadores fabulosos.

O autor dá muita importância à “vida a bordo” da aeronave, onde caçadores, cozinheiros, navegadores, pilotos e jovens aprendizes percorrem os céus de um planeta Terra muito semelhante ao nosso, mas ambientado em uma época não específica, equivalente ao final do século XIX talvez?, mas certamente antes das últimas revoluções tecnológicas.

Parte do trabalho da tripulação é cortar os bichos…

Sem dúvida, é uma leitura indicada para quem gosta de uma fantasia leve, sem superpoderes, onde uma das grandes curtições é descobrir, aos poucos, “como funciona” esta Terra, cuja sociedade foi extremamente impactada pela presença desses seres colossais, quase mágicos e pouco compreendidos.

Há dragões de formas e tamanhos muito diferentes e completamente inesperados. É uma abordagem criativa do mangaká. Afinal, o mais óbvio seria povoar o mundo com dragões ferozes, devoradores de humanos (como os das histórias tradicionais), ou então com malignos cuspidores de fogo, astutos, falantes e apreciadores de ouro (como Smaug, de O Hobbit). Na prática, estes dragões são parte da fauna local e funcionam do mesmo modo que qualquer outro filo animal: não são “maus” nem “bons” – apenas vivem em seu ecossistema, co-habitando com os pássaros.

Taku Kuwabara trabalha muito bem o world building, revelando suas características pouco a pouco, desde pequenos detalhes da rica culinária, até a enorme variedade de tipos de dragões; e distingue também uma cidade das outras, é cuidadoso com ocupações e profissões diversificadas dos habitantes, e gasta tempo ainda com a tecnologia, ferramentas, roupas e acessórios, tudo com um quê de steampunk.

Desde a capa, é impressionante seu lápis, sempre detalhista, tanto nas grandes paisagens como no interior da nave, das casas, no design intrigante dos dragões (alguns deles se parecem com moluscos, outros com um misto de peixe e baleias, outros são monstruosos mesmo!) e é ótimo na expressividade dos personagens e na narrativa. Lembra bastante o traço do Hayao Miyazaki. A propósito, os temas trabalhados – como o embate entre civilização e natureza, selvageria e bondade -, também coincidem com os do mestre da animação mundial.

Em suma, este é, sem dúvida, um dos mangás mais bonitos que já vi!

Outra qualidade deste quadrinho é que a história não foca em um único personagem; há um balanceamento entre os vários membros da tripulação e, conforme as edições avançam, ficamos sabendo mais das razões para cada um se alistar no Quin Zaza.

Na edição 3, uma tocante história em que Takita convive com um Bebê Dragão

Uma das mais jovens, por exemplo, Takita, é uma aprendiz, e ganha bastante espaço na edição #3 – minha favorita até agora – onde sem querer acaba se afeiçoando a um bebê dragão, que a conduz a uma experiência desconcertante.

Outros dois personagens em destaque são os caçadores veteranos Mika e Vanney. Ele, fascinado pela gastronomia em torno da carne de dragão; e ela, misteriosa e durona, ganha relevância a partir da edição #4, outro capítulo excelente, com mais ação e discussões sobre o papel desses animais.

Caçando Dragões é uma ótima HQ de aventura sim, mas é também uma alegoria à cultura da Caça às Baleias que, embora hoje nos pareça cruel e sem sentido, foi muito importante para grande parte do povo japonês, mas não só. Noruega, EUA, Portugal, Islândia, Espanha, Inglaterra… em determinados períodos históricos, especialmente entre 1700 e meados do século passado, a caça às baleias movia multidões e uma ampla economia em dezenas de países, inclusive em trechos do nosso litoral nordestino.

Felizmente, hoje a prática está quase completamente eliminada, e o consumo cai ano após ano. Por pouco as baleias não foram extintas e agora estão em processo de recuperação lenta e gradual.

Na verdade, os dragões do mangá “funcionam” de modo semelhante às nossas baleias no passado recente: são iguarias e fonte de energia, couro, ferramentas, abrigo, e cuja carne poderia alimentar vilas inteiras por meses.

Um dos primeiros dragões capturados por Mika

A polêmica citada é que o autor parece “promover” ou, mais comum de ver entre youtubers brasileiros, usa o mangá para criar uma certa “romantização” da indústria baleeira. As receitas com carne de dragão que marcam a passagem entre os capítulos seriam um exemplo concreto disso. Em outras palavras, a HQ tentaria transformar esse crime ecológico em algo menor, mais “bonito” do que deveria.

Embora seja um argumento compreensível isto é, afinal, uma obra de ficção: uma fantasia sobre um mundo alternativo onde dragões (e não baleias!) são animais desejados, mas ainda incompreendidos e temidos, que podem destruir vilarejos em surtos inexplicáveis.

Pessoalmente, acho pueril “deixar de ler” por causa disso. Por um lado, a obra ainda está incompleta e, por retratar um ambiente no passado, com ampla ignorância da população sobre esses seres, pode trazer reflexões ecológicas importantes para seus personagens (e leitores). Aliás, é bom ver dragões serem abordados como animais porque traz empatia – vi vários relatos de gente que “sentiu pena” do abate dos bichos, algo que eu também senti várias vezes.

Ou seja, o autor conseguiu trazer esse sentimento (o que não é fácil) e não parece algo sem propósito, gratuito. Sendo intencional, portanto, não é uma virtude do quadrinho? Por analogia, não nos faz sentir pena também das baleias? E as receitas com “carne de dragão” imediatamente nos fazem refletir: para fazer aqueles pratos poderia ser a carne de qualquer animal, não?

Indo além: por outro lado, O Poderoso Chefão “romantizou” a máfia e nem por isso seus fãs “apoiam criminosos”, correto? Há centenas de histórias em quadrinhos que “romantizam” vigilantismo, milícias, guerras, ditadores… e nem por isso o leitor que gosta dessas obras estaria apoiando tais práticas na “vida real”. Ou seja, é possível, e até fácil, separar as coisas. Sou totalmente contra a caça de animais silvestres, mas posso curtir esta leitura ficcional!

Enfim, Caçando Dragões é um mangá que cutuca, traz sentimentos diversos, é lindo, é intrigante, e é gostoso acompanhar o dia a dia dos personagens e desvendar este mundo e suas criaturas – todas elas!

Netlfix bancou a produção do Anime que começou neste ano

Em todo caso, recomendo a leitura tanto pelas qualidades do quadrinho em si, como também pela abordagem diferenciada e humanizada. Afinal, aqui não há superseres capazes de devastar planetas. São homens e mulheres simples, com grandes habilidades sim, mas cheios de falhas, com seus dramas, paixões e segredos.

Ah, o anime patrocinado pela Netflix entrou em exibição em 2020 no Japão, e vou ficar na torcida para sair também no Brasil.

Indicação de Leituras para 2020!

Olá pessoal. Espero que estejam todos bem!

Vou retomar as publicações aqui no Blog, sugerindo leituras, escrevendo resenhas, comentando sobre quadrinistas e outros assuntos relacionados ao mundo, ou melhor, ao universo inesgotável e encantador das histórias em quadrinhos.

Estive bem ocupado nos últimos meses, por conta de trabalho mesmo… e, na verdade, continuo. Mas, graças ao confinamento, sou obrigado a ficar online quase o dia inteiro. Então, vou aproveitar para deixar o Lendo Quadrinhos vivo.

A propósito, temos um Instagram que está sempre ativo, com atualizações quase diárias:

@bloglendoquadrinhos 

Ah, também temos uma Página no Facebook e um Grupo Privado, exclusivamente para falar sobre nossa paixão. Participem!

Página: @lendoquadrinhos
Grupo: lendoquadrinhos 

Abraços e até breve.

Sonho é ler quadrinhos até a velhice…

Nosso primeiro Evento de Quadrinhos será neste sábado, 24.11, participe!

Olá pessoal tudo bem?

Organizamos uma pequena mas muito honesta Feira de HQs que acontecerá neste sábado 24.11 no Colégio Liceu Pasteur, na Vila Mariana, aqui em São Paulo.

Feira de HQs no Liceu

Quem quiser bater um papo com colecionadores de quadrinhos, editores e outros entusiastas, por favor sejam bem-vindos!

O evento será das 9h às 12h30.
Endereço: Rua Mairinque, 256, Vila Mariana (entrada pelo portão lateral da Rua Diogo de Faria).

Vale a pena ainda aproveitar HQs com grandes descontos das Editoras Mythos e Cia. das Letras (Selo Quadrinhos na Cia) que estarão com estandes.

O quadrinista Felipe Folgosi também marcará presença e comentará com pais, alunos e visitantes sobre o processo de criação e produção de uma HQ nacional na atualidade, além de autografar suas próprias obras.

O roteirista Felipe Folgosi

Este será o primeiro de vários eventos que pretendemos realizar em colégios a partir de 2019. Entrada franca.

Uma HQ para a Sala de Aula (1) – A Narradora das Neves – Editora Nemo

Capa com design elegante com os protagonistas Inuit esperando o jantar

Este breve artigo é uma sugestão que humildemente deixo para professores que desejam trabalhar com histórias em quadrinhos com seus alunos. Como conheço razoavelmente bem o mercado educacional, além de ser filho de pedagoga e ter um longo contato com projetos educativos variados, inclusive com HQs, quem sabe não possa ajudar?

Há muita coisa interessante neste singelo conto sobre o povo Inuit que, acredito, pode ser bem trabalhado nos colégios com jovens leitores, entre 8 e 11 anos, especialmente por conta do retrato cuidadoso que apresenta do dia a dia de pequenas tribos do vasto território dos esquimós. É bem difícil encontrar material específico sobre essa cultura.

Antes de mais nada, é preciso dizer que esta é uma História em Quadrinhos. Ponto! Não foi planejada especificamente para ser trabalhada em sala de aula – pelo menos é assim que me parece. Isso traz uma grande vantagem e, também, pode trazer um problema.

Como se sabe, atualmente é comum a presença de histórias em quadrinhos nas listas de paradidáticos de colégios brasileiros (especialmente na rede privada). O meio ainda é visto com reservas por alguns professores, mas sem o preconceito de décadas atrás. A constante evolução da linguagem e, principalmente, a gigantesca produção que provém de dezenas de países diversificou os temas, aprofundou os gêneros e, com isso, os públicos.

Porém, o mais usual em sala de aula é vermos adaptações de Clássicos da Literatura – mundial ou brasileira, algumas muito boas por sinal – ou histórias originais nem sempre bem desenvolvidas, ou até mesmo, livros paradidáticos maçantes que por acaso foram desenvolvidas no formato de HQ.

Não é o caso de A Narradora das Neves. E é essa a grande vantagem: por ser uma HQ de verdade, não é “mais um livro paradidático chato” (comentário típico de alunos dessa faixa etária).

Quanto ao problema, digamos que é o outro lado da moeda: o professor precisa extrair da obra o que acha mais interessante e planejar a aula de leitura e interpretação, ou o projeto interdisciplinar que a HQ claramente “pede” para acontecer.

Criada por um trio de quadrinistas franceses, o título é fruto de um projeto capitaneado pela revista GEO, uma espécie de versão francesa da National Geographic, que trata de viagens, povos, natureza e lugares exóticos, em parceria com a editora Dargaud, uma das maiores e mais relevantes editoras de quadrinhos do país do Asterix.

Foram 3 títulos, todos traduzidos para o português pela Nemo, em 2013. Os outros são O Apanhador de Nuvens e As Crianças da Sombra. Eu só tive acesso a este, por enquanto. Um leitor adulto a completa em 20 minutos, mas para uma criança pequena deve levar mais do que o dobro desse tempo. Há também a questão da apreciação das imagens, etc.

Na capa, os créditos de criação vão para uma dupla, Béka & Marko, mas uma rápida pesquisada na wikipedia explica que Béka é o pseudônimo para um casal de autores, Bertrand Escaich (de onde veio o Bé) e Caroline Roque (daí fecha o Ka). Os desenhos ficaram a cargo de Marko, na verdade Marc Armspach (os franceses adoram pseudônimos…).

A HQ traz dois momentos da vida de Buniq, que é quem dá o nome ao título: nos dias atuais, idosa, e suas lembranças da adolescência, 60 anos atrás.

Naquela ocasião, vemos a jovem Inuit incomodada com a atitude de avô, Ukioq, que decidiu deixar a pequena aldeia e ir “se sentar” para morrer sozinho de frio. Sem didatismos, percebemos que essa situação é natural, uma prática comum daquela época, justificada pelas crescentes dificuldades que um idoso doente ou com movimentos limitados trazia para seus familiares naquele terreno quase inóspito.

Buniq, contudo, tem dificuldades em aceitar essa atitude e decide resgatar seu avô. No mesmo dia, um viajante aparece na aldeia e conta histórias que fascinam tanto a jovem que ela resolve, então, organizar uma expedição para lugares distantes na companhia de seu querido Ukioq e, assim, adiar a perda do ancião.

Outro adolescente, o aprendiz de caçador Taq, completa o trio de exploradores do “Grande País dos Homens”, como esse povo chama a vasta região ao redor do Círculo Polar Ártico colonizada pelas tribos Inuites.

Há aventura e ternura, comédia e ação, mas sobretudo é um retrato de um povo verdadeiramente diferente para nós, brasileiros e latinos. É aterrador ver tanto gelo e neve, ventanias súbitas e tempestades, e tão pouca vida animal terrestre, e conseguir não apenas sobreviver, mas desenvolver uma tradição oral de fábulas, manufatura de peles, utensílios e armas, técnicas de caça e de pesca, barcos e caiaques, além de um profundo contato com a natureza e o mundo espiritual.

O traço de Marko é simples, com poucos detalhes, seguindo a tradição da escola da Linha Clara franco-belga, com uma narrativa bem resolvida, fluida e gostosa de se olhar.

As cores singelas, plácidas e realistas com a geografia local são de Maela Cosson e a tradução de Fernando Scheide parece muito boa, sendo a edição da Nemo no geral bem interessante em termos de formato e preço (apesar de ser R$ 34,90 na tabela, é possível encontrar por cerca de R$ 20,00!).

É isso, gostei bastante deste título infanto-juvenil europeu e pretendo comprar os demais da série.

Inuit adulta em trajes típicos do meio do século XX, mesmo período da HQ

Atenção professores!

Segue um resumo do que acho pertinente para trabalhar A Narradora das Neves com seus alunos e assim estimulá-los a ler mais, a conhecer a linguagem dos quadrinhos e, claro, adquirir conteúdos ricos de assuntos diferentes de um jeito legal!

Disciplinas: Geografia . História . Ciências . Português

Temas: Amizade . Amor . Amadurecimento . Tradição . Outras Culturas . Juventude x Velhice . Responsabilidade . Animais do Ártico . Hábitos dos Esquimós .

Idade: de 8 a 11 anos.

Sabe-se, também, que os esquimós seguem rapidamente para a total ocidentalização de seus hábitos, já que atualmente em seus territórios há muito potencial turístico, além de grande exploração mineral e animal há décadas. Portanto pode ser interessante traçar uma pesquisa adicional sobre a história dessa população e como se encontra hoje. Espero ter ajudado, abraços!

Festival Guia dos Quadrinhos 2017

Será neste final de semana, no sábado 08 e domingo 09 de abril, no Club Homs, na Avenida Paulista, 735, São Paulo.

logo_fgdq2017-01
Quem conhece, sabe que é um dos eventos mais interessantes para encontrar raridades, completar coleções, fazer novos amigos e entrar em calorosos debates sobre esta verdadeira paixão de milhões. Bem, no Brasil, talvez de alguns milhares, mas enfim…

Para quem ainda não sabia, o Festival tem o espírito das convenções de quadrinhos “originais”, onde um grupo de fãs se organizavam para promover a 9a Arte, sem o apoio oficial das grandes editoras, estúdios de cinema, atores etc. Há, sim, artistas brasileiros expondo seus trabalhos, e palestras e debates com profissionais do meio. A programação completa você vê aqui. O ingresso sai R$ 30,00 se for sozinho, ou R$ 25,00 se levar um amigo. Crianças até 10 anos não pagam.

Neste caso, o evento é um desdobramento do site Guia dos Quadrinhos, o maior e mais confiável banco de dados brasileiro da área, com capas, dados e outras informações úteis para colecionadores, estudiosos e profissionais dos quadrinhos. Vale a pena visitar o site e, como é colaborativo, se puder contribuir com mais informação, ótimo! Também permite organizar sua coleção de HQs.

O Blog Lendo Quadrinhos também estará no FGDQ 2017, em uma das mesas dos expositores no pátio central (M-5). Quem puder, ou quiser, faça uma visita, será um prazer!

Balanço: o Melhor da Marvel Hoje no Brasil -Totalmente Diferente Nova Marvel

A Editora Panini já lançou 14 dos 15 títulos mensais previstos para a nova fase da Marvel Comics no Brasil. Falta apenas Capitão América. Li todos os #1 e a maior parte dos #2 e #3.

Acompanho também as resenhas e reportagens dos principais sites especializados americanos, além de comprar alguns encadernados importados e, portanto, já dá para ter uma boa ideia do que é mais interessante, o que sem dúvida é imperdível e o que pode ser deixado de lado que não fará falta.

Sou leitor regular de quadrinhos de heróis desde 1984. Acompanhei diversas fases da Marvel, DC, Image e outras.
Posso afirmar sem a menor dúvida que o pior momento, ou seja, quando havia uma grande quantidade de revistas de baixa qualidade saindo, foi durante meados da década de 1990. Dos anos 2000 para cá, no geral, há uma grande quantidade de boas e ótimas revistas sendo publicadas. Varia de um ano para o outro, mas a qualidade média, digamos, se mantém.

Estou ciente de que há uma grande polêmica atualmente com o material da All-New, All-Different Marvel. Conheço gente que de fato “largou” a editora. Mas já vi isso acontecer antes – aliás, sempre aconteceu! – por diversas razões (comentarei sobre isso em outro post). Também conheço muita gente nova que passou a consumir recentemente estas revistas. Isso, vale a pena ressaltar, é algo pouco comum e sinaliza uma renovação necessária para a editora e para o mercado em geral.

Mas, vamos lá. Afinal, será que hoje, como se lê por aí, salvo raríssimas exceções, a Marvel publica uma grande quantidade de porcaria?

Segue meu balanço de todas as séries atualmente em publicação no Brasil (ou já confirmadas), com o nome do título original americano e em qual revista está saindo – ou sairá – pela Panini. Agrupei em 4 níveis de qualidade. Espero que sirva de estímulo para os que estão curiosos, mas por lerem tantas críticas negativas, deixam de arriscar. E, todo mundo sabe, quem não arrisca…

1. Nível: TOP
>>>>As IMPERDÍVEIS,
as MELHORES HQs da fase Totalmente Diferente Nova Marvel (sem ordem de preferência). Em suma, são as que entrarão na memória dos fãs e serão sempre citadas:

Bela arte de Russell Dauterman para Thor

1. Thor, de Jason Aaron e Russel Dauterman. Título Panini: Thor (#1 em diante).
2. Doctor Strange, 
por Jason Aaron e Chris Bachalo. Título Panini: Doutor Estranho (#1 em diante).
3. Invincible Iron Man,
de Brian Bendis e David Marquez. Título Panini: Homem de Ferro (#1 em diante).
4. Black Widow, de Mark Waid e Chris Samnee. Título Panini: Viúva Negra – dois encadernados capa cartão.
5. Old Man Logan, por Jeff Lemire e desenhado por Andrea Sorrentino. Título Panini: O Velho Logan (edição #5 em diante).
6. The Ultimates, de Al Ewing e Kenneth Rocafort. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).
7. Moon Knight,
de Jeff Lemire e Greg Smallwood. Título Panini: Cavaleiro da Lua – encadernados capa cartão (números #4, #5 e #6).
8. Vision,
de Tom King e Gerardo Walta. Título Panini: Visão – encadernados (#1 e #2).
9. Silver Surfer
de Dan Slott e Michael Allred. Título Panini: Universo Marvel (do #3 em diante, estão saindo em encadernados ao longo de 2020 e 2021).
10. Black Panther, de Ta-Nehisi Coates e Brian Stelfreeze. Título Panini: Pantera Negra – encadernados capa cartão (a partir do #1).

2. Nível: MUITO BOM
>>>HQs ACIMA DA MÉDIA
desta fase. São consistentemente boas e, embora não tenham aquele “algo a mais” do grupo de cima, são leituras com qualidade garantida, tanto de texto quanto de arte.

A nova e polêmica formação da equipe principal de Vingadores, por Alex Ross

1. All-New All-Different Avengers, de Mark Waid, Adam Kubert e Mahmud Asrar. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
2. Amazing Spider-Man,
de Dan Slott e Giuseppe Camuncoli. Título Panini: Espetacular Homem-Aranha (#1 em diante).
3. Deadpool,
de Gerry Duggan e Mike Hawthorne. Título Panini: Deadpool (#1 em diante).
4. Ms. Marvel, de G. Willow Wilson e Takeshi Miyazawa. Título Panini: Ms Marvel – encadernados capa cartão e dura (seis encadernados, a partir de #1, “Nada Normal”).
5. Daredevil,
por Charles Soule e Ron Garney. Título Panini: Demolidor – encadernados (#12 ao #16).
6. Extraordinary X-Men, de Jeff Lemire e Humberto Ramos. Título Panini: X-Men (do #1).
7. Spider-Man, por Brian Bendis e Sara Pichelli. Título Panini: Espetacular Homem-Aranha (#1 em diante).

O Homem-Formiga mora em Miami e toca uma empresa de segurança com ex-vilões B

8. Astonishing Ant-Man, de Nick Spencer e Ramon Rosanas. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #2).
9. Captain America: Sam Wilson,
de Nick Spencer e Daniel Acuña. Título Panini: Capitão América (a partir do #1).
10. Captain America: Steve Rogers, de Nick Spencer e Jesus Saiz. Título Panini: Capitão América.
11. Spider-Woman,
de Dennis Hopeless e Jamie Rodriguez. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
12. Power Man and Iron Fist, de David Walker e Sanford Greene. Título Panini: Luke Cage e Punho de Ferro – 3 encadernados capa cartão.
13. Uncanny Avengers, de Gerry Duggan e Ryan Stegman. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
14. New Avengers, de Al Ewing e Gerardo Sandoval. Título Panini: Vingadores (desde o #1).
15. All-New X-Men, de Dennis Hopeless e Mark Bagley. Título Panini: X-Men (do #1).

A arte cartunesca e vibrante de Stacey Lee

16. Silk, de Robbie Thompson e Stacey Lee. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
17. All-New Wolverine (X-23), de Tom Taylor e David Lopez. Título Panini: O Velho Logan (edição #5 em diante).
18. Uncanny X-Men, de Cullen Bunn e Greg Land. Título Panini: X-Men (do #1).
19. Squadron Supreme, de James Robinson e Leonard Kirk. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).

Arte de Alex Ross para o Esquadrão Supremo


3. Nível: MEDIANO
>>HQs RAZOÁVEIS,
em que alguns arcos são melhores do que outros, mas no geral têm BOA qualidade, com momentos interessantes. Podem surpreender o leitor, inclusive os veteranos! Tecnicamente falando, não há como dizer que são “um lixo” rsrs. Há quem torça o nariz para alguns, mas curtem outros, e há quem realmente adore. Pessoalmente, gosto de boa parte deste material.

1. Spider-Man & Deadpool, Joe Kelly e Ed McGuiness. Título Panini: Homem-Aranha e Deadpool (do #1 em diante)
2. Guardians of the Galaxy, por Brian Bendis e Valerio Schiti. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).
3. Rocket Raccoon and Groot, Skottie Young e Filipe Andrade. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).

Página interna antes da colorização do novo Hulk por Frank Cho

4. Totally Awesome Hulk, de Greg Pak e Frank Cho. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).
5. Spider Man 2099, de Peter David e Will Sliney. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
6. Captain Marvel, por Michele Fazekas/Tara Butters com arte de Kris Anka. Título Panini: Avante Vingadores (#1 em diante).
7. Contest of the Champions, de Al Ewing e Paco Medina. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).

Inumanos: é bom, mas poderia ser melhor…

8. Uncanny Inhumans por Charles Soule e Steve McNiven. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
9. Mercs for Money, de Gerry Duggan e Salva EspinTítulo Panini: Homem-Aranha e Deadpool (do #1 em diante)
10. Spider-Gwen, de Jason Latour e Robbi Rodriguez. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).
11. Venon Space Knight, de Robbie Thompson e Ariel Olivetti. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
12. Web Warriors, de Mike Costa e David Baldeon. Título Panini: Aranhaverso (a partir do #7).

4. Nível: FRACO
>As PIORES HQs
atualmente, realmente ABAIXO DA MÉDIA.

1. Guardians of Infinity, de Dan Abnett e desenhada por Carlo Barberi.  Título Panini: Universo Marvel (do #1 ao #4).
2. Nova, de Sean Ryan e Cory Smith. Título Panini: Universo Marvel (a partir do #1).
3. Drax, de CM Punk e Cullen Bunn, desenhos de Scott Hepburne. Título Panini: Guardiões da Galáxia (a partir do #1).
4. A-Force, por G. Willow Wilson e Jorge Molina. Título Panini: Avante Vingadores (a partir do #1).
5. Punisher, de Becky Cloonan, Steve Dillon e outros. Título Panini: Justiceiro – encadernados capa cartão (dos números #4 a #7 da segunda série).

Bom, é isso.
Se somarmos os dois grupos superiores, há 29 títulos com qualidade acima da média. Volto a dizer: parte desta análise é pessoal, mas em grande parte é, de fato, embasada nas médias de críticas americanas, além da própria popularidade do material em comentários de leitores novos e veteranos. Esse grupo de 29 títulos, de modo geral, são muito bem avaliados. Os outros 17 dos grupos inferiores, não, porque as notas flutuam muito mais e certamente não dá para colocá-los como “qualidade garantida”.

Acredito que existe, neste momento em especial, muito leitor chateado com a substituição de um personagem clássico por outro mais jovem e, ainda por cima, no geral, representante de uma “minoria”. De fato, a Marvel vem promovendo fortemente a diversidade. O problema desse sentimento é que traz – para alguns fãs – uma má vontade em ler as histórias com os “substitutos”. Eu procuro fazer um esforço consciente em me abrir para “o novo”, até porque leitores veteranos como eu não precisam se incomodar com a aposentadoria (ou mesmo com a morte rsrs) de um grande herói, porque mais cedo ou mais tarde eles sempre voltam. SEMPRE!!

Acho louvável a iniciativa de Marvel em promover uma ampla renovação de personagens, que oxigena seu universo e permite o surgimento de novos ícones. Talvez precise fazer um “ajuste” para balancear seus quadros – e parece que fará isso a partir de Generations -, mas por enquanto vale a pena aproveitar a viagem.

Obrigado pela atenção!

Lendo Quadrinhos na CCXP 2016

img_6147

Vou dar uma pausa nas resenhas de Guerras Secretas (sim, ainda não desisti de resenhar todas as edições nacionais!), para informar que estaremos nos próximos 4 dias na Comic Con Experience, na capital paulista.

Além de ir à caça de autógrafos e de uma boa conversa com artistas, comprar algumas artes e ficar por dentro das novidades, vou colaborar em um dos estandes, o da loja Comic Hunter, do Celso, um dos grandes especialista em HQs brasileiros.

Lá estaremos no meio de 20 mil revistas em quadrinhos, nacionais e estrangeiras, de todos os gêneros e épocas. Raridades, itens fora de catálogo, séries inteiras e muitos encadernados estarão à disposição dos visitantes, todas em bom ou ótimo estado. E o melhor: dá para comprar algumas revistas e imediatamente correr para o Artist’s Alley e pedir um autógrafo!

Quem aparecer, pode ir lá na Comic Hunter para um bate-papo ou simplesmente conhecer muita coisa boa da nona arte.
Abraços.

 

Resenha de O Velho Logan #1 – Panini Comics

br-swlog001_min1

Aproveitando que Guerras Secretas proporcionou à Marvel revisitar diversas realidades alternativas criadas ao longo dos anos, agora como parte de seu Mundo Bélico, finalmente temos a oportunidade de ver uma continuação do clássico moderno “O Velho Logan”, que a dupla Mark Millar e Steve McNiven lançou em 2008/2009 nos USA e aqui no Brasil saiu na revista mensal do Wolverine, em 2010, e posteriormente em encadernados da Panini e da Salvat.

. Volume de Spoilers: zero.

Quem ficou com a responsabilidade desta continuação foi Brian Michael Bendis, um dos mais polêmicos autores da atualidade, mas também um dos mais populares e bem-sucedidos; e o artista Andrea Sorrentino, italiano que ficou conhecido por trabalhos na DC mas que, atualmente, tem um contrato de exclusividade com a Marvel.

A Panini optou por publicar O Velho Logan – Guerras Secretas em 5 capítulos mensais, ao contrário das outras histórias interligadas (tie-ins) da megasaga, que sairão em edições únicas contendo histórias fechadas, como dos X-Men e dos Guardiões da Galáxia.

Esta nova história começa com o mesmo status quo do final de “O Velho Logan” original, mas agora dentro do Mundo Bélico. Há alguns elementos importantes de Guerras Secretas (a minissérie principal) presentes nesta primeira edição mas, aparentemente, esta parece ser uma aventura solo do Wolverine mesmo.

Bendis acrescenta vários personagens interessantes ao cenário pós-heróis deste Domínio (como cada realidade é chamada no Mundo Bélico). Uma dessas personagens, em especial, creio que faz aqui sua primeira aparição “na versão adulta” (como sempre, evito spoilers ao máximo). Eu gostei muito da ideia e espero que ela continue aparecendo até o final desta minissérie.

A história começa com uma violenta batalha, belissimamente ilustrada por Sorrentino que é, talvez, o destaque desta HQ. Com um estilo similar ao de Jae Lee, com muita referência fotográfica, mas com uma intrigante e enérgica composição, o artista consegue capturar o mesmo clima da série original, isto é, um “velho oeste pós-apocalíptico”, mesmo com um estilo tão diferente de Steve McNiven. O trabalho de cores também precisa ser destacado. Sem as escolhas de Marcelo Maiolo, esta revista teria muito menos impacto visual.

Com uma história cheia de ação, personagens intrigantes, um mistério bizarro e uma arte arrebatadora, O Velho Logan – Guerras Secretas começou surpreendentemente bem. Vamos acompanhar seu desenvolvimento. De quebra, a Panini encaixou uma historieta (descartável) apresentando inúmeras versões do Wolverine de autoria de Ivan Brandon e Aaron Conley. Vale a pena conferir a arte de McNiven na quarta capa da revista e a hilária capa variante do Skottie Young no miolo.

Nota: 8,5.