Análise Crítica da Coleção Histórica Marvel Mestre do Kung Fu #1

Capa do Volume 1 da Coleção Histórica Marvel com o Mestre do Kung Fu

Decidi comentar cada história deste grande lançamento da Panini, que promete trazer, na ordem cronológica, a republicação das HQs clássicas do Mestre do Kung Fu dos anos 1970. Vale ressaltar que esta é a primeira vez que estas histórias em quadrinhos saem no Brasil no formato original americano, sem cortes ou adaptações.

. Nível de Spoilers: de leves a moderados. São histórias clássicas, portanto não há necessidade de tratá-las como “segredo de estado”, mas mesmo assim evito desfechos ou revelações bombásticas.

Shang-Chi sempre foi um dos meus personagens favoritos da Marvel. Por alguma razão estranha, tenho um certo apreço pelo gênero kung fu, mas o que me atraía no herói sino-americano é que, em suas melhores histórias, enfrentava uma galeria de coadjuvantes e vilões intrigantes – embora quase sempre unidimensionais -, com roteiros que remetiam aos filmes de James Bond, com uma pitada de noir.

Após um longo período em que a Marvel estava impedida de republicar esta ótima fase, por uma falta de acordo sobre os direitos autorais de personagens que não são da Marvel, e sim do espólio de Sax Rohmer – tais como o maior inimigo do herói, nada mais nada menos do que o Dr. Fu Manchu; a partir de 2016, com essa pendenga resolvida, a editora iniciou um cuidadoso projeto de restauração e edição de encadernados – Hardcovers e Omnibuses – que agora chega ao Brasil em um formato bem mais modesto, em uma série de 4 volumes da já tradicional Coleção Histórica, com capa cartão e papel off-set.

Caso as vendas sejam boas, o personagem ganhará novas edições, com a sequência cronológica original.

1. Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu!
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Jim Starlin
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Steve Englehart
Edição original: Special Marvel Edition #15 (dez/1973)

Capa com a primeira HQ de Shang Chi

Englehart já era um nome importante no time Marvel, mas Starlin, em 1973, ainda era iniciante e, como aconteceu com outros grandes futuros quadrinistas autorais, no começo só desenhava. Mas, por este trabalho, percebe-se claramente que ele já era um artista pronto, ainda mais finalizado pelo sempre competente Al Milgrom. Uma curiosidade: é a primeira vez que vejo Englehart com o crédito também nas cores. Contudo, a decisão de pintar de amarelo ou laranja os personagens orientais não foi uma escolha pessoal. Por mais preconceituoso que nos pareça isso hoje em dia, naquela época esse era o padrão da indústria americana.

Shang-Chi foi concebido, portanto, por um time criativo de alto nível, mas sua estreia foi em uma revista bimestral menor, usada pela Marvel para testar novos personagens e, de certa forma, também novos artistas. Eram os primeiros anos da “febre” do Kung Fu e outras artes marciais nos EUA.

Assim, como o título entrega, nesta primeira história somos apresentados ao protagonista e sua origem, estabelecendo que Shang-Chi era filho do Dr. Fu Manchu, – um então famoso vilão da literatura pulp fiction, criado pelo escritor Sax Rohmer no início do século XX -, que cuidou de seu treinamento pessoalmente ou supervisionando o trabalho de mestres por ele contratados desde seus primeiros anos, em Honan, na China.

Contrabandista de armas e escravos, Fu Manchu é super inteligente, culto, messiânico, líder do Si-Fan, uma sociedade secreta com um exército à sua disposição e deseja, simplesmente, derrubar o mundo ocidental. Com muito dinheiro e poder acumulados, o maligno mandarim vive saudável há quase 200 anos graças ao Elixir da Vida.

Além deste arquétipo de “yellow peril“, a Marvel usou ainda outros personagens do universo de Rhomer, como seus antagonistas heroicos Sir Denis Nayland Smith e Dr. Petrie, que terão uma forte ligação com o Mestre do Kung Fu.

HQ com ritmo ágil, mostra Shang-Chi com 19 anos, fiel a seu pai – a quem acha justo e verdadeiro – devido ao doutrinamento que recebeu na China para se tornar o principal assassino do Si-Fan. Um combatente perfeito, que domina qualquer arma, tem sentidos aguçados graças a técnicas marciais e possui um elevado nível de inteligência.

Chi ganha sua primeira missão, que é assassinar o inglês Dr. Petrie. O jovem cumpre sua tarefa mas é confrontado por Nayland Smith, que afirma categoricamente que Fu Manchu é o mal absoluto. Shang-Chi tem sua confiança abalada e decide questionar seu pai, além de querer conhecer sua mãe, americana.

Há ótimas cenas de lutas em uma história de origem redonda, que peca apenas por ser rápida demais no desenvolvimento da dúvida de Chi em relação ao seu pai. É um começo instigante para o personagem, que precisa derrotar diversos oponentes, todos também lutadores de artes marciais – além de uma fera – em “locações” na China, Inglaterra e nos EUA. Jim Starlin capricha na narrativa e principalmente nas lutas, que se parecem com as coreografias dos filmes de Bruce Lee (evidentemente!).

Bela arte de Jim Starlin

Assim como em outros gêneros temáticos, a primeira HQ estabelece as premissas de quase toda a série, com algumas convenções e a certeza de que o filho rebelde enfrentará as forças do pai ao lado de outros heróis por um longo tempo.
Nota: 8,0.

2. A Meia-Noite Traz a Morte Sombria
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Jim Starlin
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Linda Lessmann
Edição original: Special Marvel Edition #16 (fev/1974)

Shang-Chi Versus Meia-Noite

Shang-Chi continua em Nova York, morando no Central Park, onde enfrenta, talvez pela primeira vez na sua vida, um grupo de bandidos comuns, de rua. O autor, nesse momento, introduz uma misteriosa figura sombria. Logo descobriremos que é o inimigo retratado na capa, Meia-Noite.

Esse é um personagem interessante. Irmão adotivo de Chi, foi resgatado pelo seu pai, Fu Manchu, quando ficou órfão, graças a ações de assassinos do próprio Mandarim na África. De nome M’nai, Meia-Noite pode ser considerado um dos primeiros mestres de artes marciais negros dos quadrinhos. Continua fiel ao seu pai, mas considera Shang seu único amigo. Isso, claro, traz um dilema ao jovem.

O recado de Manchu, que pede para matá-lo, é direto: “Sentimento é um dogma da filosofia ocidental, não da nossa.” Jim Starlin, contudo, cria uma provável incoerência com essa filosofia ao colocar um chapéu cowboy, e não chinês ou, quem sabe, africano, no uniforme do jovem M’nai. Mas talvez o ocidente produzisse coisas boas, como este estiloso chapéu? Enfim…

Duelo de irmãos por Jim Starlin

Esta HQ, basicamente, é um desafio entre os dois mestres do Kung Fu filhos de Manchu. Os autores fazem um bom trabalho com a apresentação do novo vilão e no duelo que, ao longo de 10 páginas – quando às vezes os meio-irmãos dialogam, às vezes batalham em silêncio -, prende a atenção e traz um desfecho cruel, bem conduzido, que será sem dúvida marcante para Chi.
Nota: 7,5.

3. O Covil dos Perdidos!
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Jim Starlin
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: George Roussos
Edição original: Master of Kung Fu #17 (abr/1974)

Primeira aparição de Black Jack Tarr

Esta terceira história do personagem é também a primeira com seu nome encabeçando o título. Era tradição da Marvel mudar o nome de uma revista genérica, como Special Marvel Edition, para o do personagem que “emplacasse” em suas páginas, e daí continuava com a numeração anterior (hoje em dia isso seria improvável, claro).

A edição #17 de Master of Kung Fu começa com caixas de texto com uma filosofia tão barata que é impossível não achar engraçado. Será que algum leitor da época levava a sério os “ensinamentos” orientais? Acho que só Steve Englehart (e talvez nem ele), tenha curtido essas frases-clichê dos filmes e séries de TV do gênero artes marciais.

Uma curiosidade: o trio de artistas faz uma rápida aparição especial nas batalhas, vale a pena procurá-los.

A parte relevante: esta é a primeira aparição de Black Jack Tarr, que seria um dos mais notórios coadjuvantes e aliados de Shang-Chi no futuro. Tarr é uma criação da Marvel, não pertencendo, portanto, ao rol de personagens de Sax Rohmer, e por isso apareceu em outras HQs, tendo até uma versão no Universo Ultimate.

Ainda em Nova York, o Mestre do Kung Fu é atraído para uma emboscada, criada por Nayland Smith: uma casa repleta de armadilhas. O roteiro parte, então, para aquele clássico modelo de desafios menores até o boss, no caso, o próprio Black Jack, retratado na capa de uma forma gigantesca, desproporcional ao que aparece internamente.

De fato, Starlin o desenha também grandioso mas não tão exagerado como na capa. Com o tempo, é curioso observar como o personagem seria bastante diminuído em estatura e músculos.

A arte está bem inferior em relação aos dois números anteriores. Todas as páginas tem um detalhamento menor, sem muito cuidado com layout nem contornos. Há uma splash page dupla simplesmente infeliz. Talvez Starlin tenha tido menos tempo para produzir o lápis, mas a arte-final nem parece ter sido do mesmo Al Milgrom.
Nota: 6,0.

4. Atacar!
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Petra Goldberg
Edição original: Master of Kung Fu #18 (jun/1974)

Chi enfrenta diversos assassinos

Paul Gulacy é o substituto de Jim Starlin nos desenhos nesta quarta – e penúltima – história de Shang-Chi escrita pelo seu criador, Steve Englehart. Gulacy é um grande artista, fortemente influenciado pelo trabalho de Jim Steranko – como muitos outros nomes surgidos no período -, competente na quadrinização e até arrisca lay-outs diferentes. De certo modo, contudo, prefere a prudência nestas primeiras aventuras e se alinha com Starlin, especialmente na coreografia das lutas.

É nesta história que Shang-Chi aceita um acordo de cooperação com Nayland Smith – que ganha um flashback de 1911, quando conheceu Fu Manchu. Segundo Smith, ele teria devastado a China algum tempo antes daquele encontro. Talvez tenha sido um exagero, mas não lembro se essa questão foi abordada na série, ou se vale para a história do Universo Marvel.

Smith compartilha uma informação com o herói, que parte sozinho para a Flórida a fim de impedir um plano maligno e rocambolesco de Fu Manchu. Além dessa curiosa mudança de cenário, o Mestre do Kung Fu enfrenta, acredito que pela primeira vez, um adversário superpoderoso, um assassino dacoit chamado Satma, três vezes mais ágil e forte que um humano.

A arte de Gulacy chama a atenção, embora ainda tenha pontos a melhorar, em uma história sem grandes atrativos, mas com um acontecimento importante para o futuro do personagem, que é a união com Sir Smith, o antagonista original do vilanesco Fu Manchu. O plano é inverosímel e a resolução, bastante forçada, com direito a um “golpe impossível” de nosso herói.
Nota: 6,5.

5. Recuar
Roteiro: Steve Englehart / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: Stan G.
Edição original: Master of Kung Fu #19 (ago/1974)

O Homem-Coisa é o primeiro Team-Up da revista

Para sua despedida, Englehart traz o primeiro team-up com outro personagem Marvel, o Homem-Coisa. Com certeza, é uma escolha inusitada. Criado há apenas 3 anos, não tinha popularidade, nem era um super-heroi mas, quem sabe, esta revista pode ter tido a honra (?) de ser o primeiro crossover entre os gêneros “Artes Marciais” e “Terror” da editora.

O autor cria ainda dois novos assassinos Si-Fans genéricos, Jekin e Dahar, que darão muito trabalho a Chi.

Em paralelo, Sir Denis Nayland Smith e Black Jack Tarr, que agora também estão na Flórida, quase conseguem capturar Fu Manchu, que escapa, aparentemente, utilizando algum poder místico.

Paul Gulacy esmera-se na composição desta splash page com o Homem-Coisa

Paul Gulacy faz um ótimo trabalho nas lutas e na maior parte das composições, com quadros impactantes, mas ainda falha no lápis em alguns quadros, corpos e rostos. O final desta HQ é muito bacana, sendo a ideia da “filosofia oriental” bem trabalhada, até levemente tocante e contundente.
Nota: 7,5.

6. Arma da Alma
Roteiro: Gerry Conway / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Al Milgrom / Cores: George Roussos
Edição original: Master of Kung Fu #20 (set/1974)

Shang em Miami, bem antes de Scott Lang!

Esta é a primeira história de Shang-Chi escrita por outro autor, o jovem Gerry Conway, responsável pelo trágico fim de Gwen Stacy nas páginas do Homem-Aranha apenas um ano antes. A abordagem é parecida com a de Englehart mas Conway traz um frescor ao não incluir Fu Manchu diretamente na aventura.

Chi deixa os pântanos de Everglades e chega a Miami, onde enfrenta um trio de mergulhadores assassinos (!) na praia. Logo descobrimos que um criminoso local, tentando ganhar maior influência e poder, é o responsável: Demmy Marston, um americano elegante, retratado por Gulacy como se fosse algum ator de cinema, com as roupas, trejeitos e hábitos dos ricos que curtiam ostentar nos anos 1970, com iate ancorado e tudo o mais.

Injuriado por uma derrota, Marston não pensa duas vezes em espancar sua namorada, Diana, que até o final da HQ será protagonista de uma cena chocante.

Conway cria um novo vilão genérico lutador, Korain, descrito como um Samurai veterano que, por alguma razão, decidiu passar sua aposentadoria como assassino de aluguel nas Florida Keys.

Para o leitor frequente, esse recurso do “lutador do mês” começa a incomodar. Certamente brota aquela perguntinha na mente: “será que vai ser sempre assim?”.

Em todo caso, a HQ traz um roteiro e arte fluidas, com algumas curiosidades e um final completamente inesperado, com uma situação ligada ao Elixir da Vida, a fórmula secreta que mantém Fu Manchu com força e vigor de um adulto, apesar da idade avançadíssima.
Nota: 7,5.

7. Máscara da Morte
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Paul Gulacy
Arte-Final: Dan Adkins / Cores: Petra Goldberg
Edição original: Giant-Size Master of Kung Fu #1.1 (set/1974)

Capa da Primeira Edição Especial do Personagem

Provavelmente a revista mensal do personagem estava vendendo muito bem, porque a Marvel publicou esta edição especial entre os números #20 e #21, cinco meses desde a estreia da série regular.

Convocado para roteirizar Giant-Size, Doug Moench seria o escritor titular de Shang-Chi por anos e anos a fio, grande parte deles em parceria com Paul Gulacy.

A história é boa, fechada, como a maioria da produção da época, embora também fizesse parte de um arco maior, uma cronologia ampla da luta entre Fu Manchu e seu filho rebelde.

Moench leva Shang novamente para Nova York, onde apresenta Ducharme, uma espécie de confidente e assistente do vilanesco Mandarim, e também o Conselho dos 7, os mais leais e capazes lutadores do Si-Fan.

Shang-Chi ganha elegância e uma atmosfera noir com Paul Gulacy

Bela arte, a melhor de Gulacy até o momento, com alguns quadros icônicos, com uma atmosfera noir permeando as diversas lutas contra assassinos coloridos, diferentes entre si, com muita ação e onde finalmente concluímos que Shang-Chi é, de fato, um grande Mestre do Kung Fu: extremamente veloz, habilidoso, preciso. Texto econômico nos recordatórios, roteiro coeso, embora nada muito criativo, eficiente e de leitura agradável, mesmo nos dias atuais.
Nota: 8,5.

8. Passado Congelado, Memórias Partidas
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Graig Russell
Edição original: Giant-Size Master of Kung Fu #1.2 (set/1974)

HQ curta contida na edição Giant-Size americana da história anterior, de leitura rápida, mas que se passa em Miami. O que dizer? Bem, a arte é bem inferior, cheia de falhas, tanto de proporção quanto de montagem dos quadros. Vale como curiosidade artística, porque Craig Russell estudaria muito e se aprimoraria nos anos seguintes, até se transformar em um dos grandes mestres modernos dos quadrinhos. Impossível imaginar que este trabalho amador foi feito pelo mesmo autor multipremiado e parceiro de Neil Gaiman em Sandman e outros projetos, além de clássicos da Marvel como “What´s Disturbing you, Dr. Strange?“.
Nota: 4,0.

9. Reflexos em Águas Turvas
Roteiro: Doug Moench / Desenhos: Ron Wilson / Arte-Final: Mike Esposito
Edição original: Giant-Size Master of Kung Fu #1.3 (set/1974)

Outra HQ curta, mas com um desenvolvimento e arte melhores e um desfecho bem resolvido. É Chi atuando na vizinhança de Miami, provavelmente depois da história Arma da Alma. Entretém.
Nota: 6,0.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #4 – Panini Comics

Máquina Caça-Níqueis?

Rápida resenha do quarto capítulo desta nova encarnação do título Grandes Astros Batman onde o Cavaleiro das Trevas já enfrentou diversos vilões e, pelo visto, ainda tem mais alguns na fila! A primeira série Grandes Astros (All-Star no original) também tinha Robin no título e foi produzida por Frank Miller e Jim Lee, entre 2005 e 2008, mas nunca foi concluída.

. Volume de Spoilers: nada relevante.

Desta vez, a primeira página mostra uma casinha isolada no meio de um campo, onde há alguém em perigo. Contudo, a partir da página 2, Scott Snyder retoma do ponto anterior, onde Batman estava encurralado nos esgotos com Duas-Caras e um esquadrão de batalha da Corte das Corujas. A luta é longa e trabalhada com detalhes por John Romita Jr. ao longo de 10 páginas!

O autor novamente dá uma pincelada na infância de Wayne e Dent, mas ignora o sub-plot com o Comissário Gordon que apareceu nas duas primeiras edições, e também não retoma a frenética mudança de tempo da narrativa que era uma espécie de “marca-registrada” da série. Por um lado, isso facilita o entendimento mas, por outro, parece que Snyder simplesmente desistiu (se arrependeu?) do recurso no meio da trama.

Por fim, acontece uma reviravolta… bastante inusitada nas últimas páginas mas que, mantendo nossa proposta de resenha spoiler-free, não comentaremos nada.

No geral, perdi um pouco meu interesse neste arco. “Meu Pior Inimigo” teve um começo promissor pelo ambiente diferente e pelo exército de vilões caçando o morcego – além claro da equipe criativa cinco estrelas – mas as constantes reviravoltas e a própria capacidade física do herói, que foi diversas vezes ferido gravemente mas continua quase 100% (e sem ter um fator de cura…) desgastaram a narrativa.

Também contribuem para essa sensação a mudança de vários elementos na edição anterior, como a chegada de outros chefões do crime, o reaparecimento da KG Besta, a revelação de aspectos da infância entre o protagonista e o antagonista, os novos apetrechos do uniforme extremamente convenientes para as batalhas, a participação de Jarvis, Gordon e Duke… enfim, Snyder decidiu colocar tantos acontecimento, personagens e situações que tudo fica superficial, sem impacto.

A história conclui na próxima edição.

Duke no elegante traço de Declan Shalvey

A segunda história, “A Roda Amaldiçoada – Parte 4”, até por ser curta, com 8 páginas, obriga foco por parte do autor – também Scott Snyder -, é interessante tanto pelo mistério como pelo drama pessoal de Duke Thomas. A elegante arte de Declan Shalvey e as cores pastéis de Jordie Bellaire criam uma atmosfera atraente, com uma boa narrativa.

Nota: 6,5.

Resenha de Avante Vingadores #6 – Panini Comics

Thanos faz sua entrada triunfal na revista dos  Supremos!

Resenha com todas as histórias contidas na edição #6  da revista mensal Avante, Vingadores! Pela primeira vez não há uma história solo da Capitã Marvel e 2 títulos aparecem com histórias dobradas.

. Nível de spoilers: leves.

Os Supremos #6 e #7
A primeira história desta revista é realmente diferenciada. Al Ewing, como já dito antes aqui, não se intimida com a grandiosidade dos elementos com os quais está brincando. Ele simplesmente deixa os Supremos de lado e escreve um conto cósmico do Galactus, baseado no mito de Sísifo, com direito a uma conversa franca e intrigante com o Homem Molecular. Sim, também como já dissemos antes, este título é praticamente uma sequência das Guerras Secretas. Mas, vai além, e Galactus, o agora Portador da Vida, vai ser confrontado por outras entidades que aparentemente não concordam com sua mudança de status quo. Sem dúvida alguns dos mais interessantes personagens do vasto panteão cósmico da Marvel estão nestas páginas. O desenhista convidado, Christian Ward, entrega imagens inesquecíveis. Outro trabalho fantástico.

Galactus soca outra Entidade Cósmica

Na segunda história, o autor divide o foco entre Carol Danvers, que precisa investigar uma suspeita levantada pelos Shiars, e o Adão Negro, que agora tem uma nova incumbência em pesquisar e conter seu antigo amigo e ex-vilão, Conner Sims, que fora resgatado no capítulo anterior no “tempo além do tempo”. Fico grato que o autor recupera esse importante elemento associado à origem do Adão Negro para criar novas histórias. O final da edição #7, contudo, é o ponto alto, pois Thanos ressurge, trazendo como sempre aniquilação. Kenneth Rocafort e Dan Brown retornam na bela arte. HQ recheada de acontecimentos, com roteiros criativos, personagens se não cativantes ao menos intrigantes, e diálogos cuidadosamente lapidados. A melhor série desta revista!
Nota: 9,0.

Esquadrão Supremo #7
Segunda parte do arco focado na Doutora Espectro, que parte em missão submarina, onde encontra mais do que esperava. Aliás, mais também do que o leitor imaginava. Novamente, James Robinson confirma que é um grande pesquisador do Universo Marvel e, imagino, entusiasta dos clássicos. Enquanto isso, em Nova Iorque, seu colega Falcão Noturno encontra… o outro Falcão Noturno! Bom, aqui vale uma pequena explicação: o nome original em inglês destes dois heróis é, de fato, Nighthawk. Porém, no Brasil o Nighthawk original, que atuou no Esquadrão Supremo e nos Defensores, tinha a tradução de Águia Noturna. E é ele quem aparece por aqui, disposto a encarar sua contra-parte interdimensional! No mais, há um pequeno trecho com Hypérion “descobrindo” a América e, de novo, nada da Tundra. Os desenhos de Leonard Kirk e Paolo Villanelli caíram de qualidade. Em alguns quadros há carência de detalhes, corpos desproporcionais e até mesmo a composição parece truncada. No geral, é uma edição menor, leitura rápida demais… vamos ver como se desenrola a conclusão no próximo número.
Nota: 6,0.

Força-V #7
Kelly Thompson conclui o arco com a Thor-Cristal que, finalmente, traz alguma relevância mas, mesmo a bela e vibrante arte de Ben Caldwell, Scott Hanna e Ian Herring não suavizam o bastante a irritante sequência de frases de efeito, piadas forçadas e a quase obsessiva necessidade de criar “fricção” entre as heroínas. A impressão final é que todas são igualmente duronas, cheias de atitude, mas que ao mesmo tempo não se descuidam da roupa e do cabelo – tudo em meio às batalhas e ameaças mortais. Claro, com exceção de Singularidade que, parece, não desperta a menor simpatia à nova roteirista e aqui é praticamente esquecida, o que é uma pena porque é uma personagem ainda nova e diferente. A vilã, Condessa, não traz tensão em nenhum momento e, mesmo assim, a forma como as heroínas a derrotam chega a ser engraçada de tão absurdamente simplória. Fiquei sem entender… apesar de ser um título para pré-adolescentes modernas e descoladas a referência é uma música pop dos anos 1980!? Então tá!
Nota: 5,0.

Incrivelmente Sensacional Hulk #6
Conclusão do segundo – e curtinho – arco do novo Hulk com a nova Thor, com bons desenhos de Michael Choi. Gostei mais do seu trabalho nesta segunda parte, porque capta melhor a energia do jovem e impetuoso Amadeus Cho. Também há mais leveza onde precisa e até nos momentos dramáticos o desenhista atinge os pontos certos nas expressões faciais, na postura dos corpos e na diagramação das páginas.

Arte interna de Mike Choi com o Hulk Amadeus e a Nova Thor

Há momentos divertidos na interação da poderosa dupla de heróis, que precisam ajudar um grupo de ferreiros Anões a recuperar metal Uru roubado pela Encantor. É uma história redondinha de Greg Pak, sem firulas, sem furos, sem grandes situações mas bem contada, que começou morna na edição anterior mas conclui de modo decente, respeitando as características de todos os personagens, com direito a um momento terno entre os irmãos Amadeus e Maddie.
Nota: 7,0.

Homem-Formiga #7 e #8
Mais dois capítulos de um longo e divertidíssimo arco com os infortúnios de Scott Lang, o Homem-Formiga. Após descobrir que o paradeiro de sua filha Cassie está relacionado ao Corretor do Poder e seu novo aplicativo para vilões, o Capanga 2.0, Scott decide ir direto ao encontro do perigoso e sarcástico executivo maligno, mas primeiro terá que enfrentar o novo… Homem-Planta! Há, como de costume, um cuidadoso trabalho com a caracterização de cada um dos diversos personagens da série que é, de verdade, não somente uma HQ do Homem-Formiga, mas de sua família, de seus adversários, dos amigos Mecanus e Urso, de antigos e novos amores. Pois é, parece mesmo uma sitcom, mas das boas! Nick Spencer dá conta de tudo isso com uma aparente enorme facilidade, com a valiosa ajuda de Ramon Rosanas na edição #7 e de Brent Schoonover na #8.

Capa da edição #7 com Homem-Formiga e seus parceiros em Miami

Essa segunda história, aliás, é ainda mais deliciosa de se ler. O autor recupera o tom de sua série Os Superiores Inimigos do Homem-Aranha (que saiu anos atrás na revista Aranhaverso), e traz um conto hilário – e até levemente deprimente – de um encontro entre 4 vilões classe-Z que, de alguma forma, acabarão trabalhando com nosso herói em uma missão de resgate. Melhor não contar nada além disso para não estragar, mas vale registrar que os autores nos lembram sempre que possível que há outra bela personagem central nesta ótima série: Miami.

Nota: 8,5.

Nota Final para esta Edição: 7,1.

Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #3 – Panini Comics

Batman Vs KGBesta

Rápida resenha da 3a edição do arco de Scott SnyderJohn Romita Jr. Aqui, como a capa já entrega, Batman enfrenta o repaginado mas sempre perigoso KG Besta.

. Volume de Spoilers: zero, ou quase isso.

Snyder mostra, logo na primeira página, que Bruce Wayne e Harvey Dent tiveram uma certa convivência quando crianças. Como não tenho acompanhado as aventuras do Batman nos títulos mensais dos últimos anos, não sei dizer se isso é novidade ou apenas mais um elemento desse período. Mas ajuda no desenvolvimento da história do presente, onde ambos continuam seu embate mas, desta vez, com a intromissão não esperada do perigoso ex-agente soviético KG Besta, eles precisam decidir se se ajudam brevemente ou não.

A primeira aparição desse vilão é um conto clássico dos anos 80, cuja primeira edição brasileira resenhamos aqui no Blog.

Como não poderia deixar de ser, a Besta é força, precisão e violência em estado bruto. O roteirista acrescenta pequenas descrições nos quadros em que ele usa alguma habilidade ou poder, que achei interessante. Também gostei do novo visual desenvolvido por John Romita Jr., que basicamente atualiza o uniforme, com os mesmos elementos centrais do original. Como sempre, o desenhista entrega um trabalho cinematográfico impressionante, enaltecido pela arte-final de Danny Miki e pelas cores de Dean White que, desta vez, me pareceram um pouco carregadas demais em algumas páginas.

O arco perdeu um pouco da força das edições anteriores, porque ao mesmo tempo que introduziu um elemento do passado de Wayne, e um vilão mais eficaz que os anteriores, não continuou com sub-plot do Comissário Gordon do futuro breve e há algumas reviravoltas forçadas.

Também há um momento daquilo que chamo “demonstração gratuita de mortes violentas” (ou DGMV) da parte de um dos vilões que contrataram o KG Besta. É algo que tem me incomodado bastante nas HQs de heróis, não só porque as mortes nesse esquema são geralmente desnecessárias, mas principalmente porque é um artifício exagerado no roteiro para dar uma ideia de “como o vilão é f@#%, veja que frieza, que poder…” – quando muitas vezes ele ou ela não costuma(va) ser assim, ou seja, também é uma enrolação pura e simples, um desperdício de página. Não chega a estragar, mas é mais um ponto que diminui a qualidade geral da história.

Na já tradicional segunda e curta HQ da revista, estrelada por Duke e escrita por Snyder com arte de Declan ShalveyJordie Bellaire, os autores desenvolvem mais da personalidade do jovem herói, com pouca ação mas com boas cenas do passado e do presente e que continua interessante.

Nota: 7,0.

Rápida Resenha de X-Men #7 – Panini Comics

Na capa, chamada para o início da saga Guerras Apocalípticas

Uma saga que interligará os 3 títulos dos X-Men começa nesta edição, que novamente conta com uma história de cada equipe, mais uma extra curta. Resenha livre de spoilers, confira e comente! As “Guerras Apocalípticas” devem durar vários meses.

Novíssimos X-Men 7: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

Continuação da aventura dos jovens X-Men em Paris, este título ainda não está interligado com a saga “As Guerras Apocalípticas”. Após o embate com Blob vamos acompanhar, com uma boa dose de desespero, o cativeiro de Ciclope contra outro dos primeiros inimigos da equipe, Groxo. Para os que estão começando a desvendar o enorme contingente de personagens que frequentam as páginas dos mutantes da Marvel, Groxo é, tradicionalmente, um dos vilões menos perigosos de todos os tempos, tendo sido lacaio de Magneto ou faxineiro na Mansão-X. Por isso mesmo, não é corriqueiro que ele se torne uma ameaça, mas a situação criada por Hopeless é interessante, porque possível. Enquanto sofre nas mãos de Groxo – com direito a uma das cenas mais brutais que já vi com um X-Men -, Ciclope usa sua mente estratégica para tentar escapar, mesmo imaginando que o resto da equipe deve estar à sua procura. Bagley continua se destacando, criando sequências tensas, intercaladas com cenas de convivência também muito bem delineadas. Grande parte da qualidade da arte é, sem dúvida, efeito de Nolan Woodard nas cores. Nota 7,5.

Extraordinários X-Men 8.1: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

A primeira parte das “Guerras Apocalípticas” é conduzida com categoria por Lemire e Ramos, que trazem de volta um grotesco vilão, eternamente associado à saga da realidade alternativa da Era do Apocalipse, de 1994. Mas, se você desconhece essa história e esse tal vilão, não se preocupe, dá para começar a ler esta revista sem esse backgroundTempestade está planejando os próximos passos de sua poderosa e vasta equipe, em um diálogo bem costurado com o Velho Logan, quando são interrompidos com uma notícia perturbadora: de repente, surgiram 600 novas assinaturas de mutantes em Tóquio. É algo completamente inesperado porque a Névoa Terrígena dos Inumanos tem impedido o surgimento de mutantes no mundo Marvel. Colossus, Cérebra e alguns dos estudantes do Abrigo-X resolvem investigar. A premissa estava interessante, até o epílogo. Na verdade, algo que me preocupa é que esta saga envolverá, pelo jeito, viagens no tempo e versões alternativas de nossos queridos X-Men – o que pode ser muito bom, dependendo da história, mas também pode ser enfadonho, porque é um recurso utilizado inúmeras vezes, inclusive recentemente. Victor Olazaba é um colorista talentoso e ajuda a deixar este título moderno. Vamos aguardar os desdobramentos. Nota 8,0.

Extraordinários X-Men 8.2: de Jeff Lemire e Victor Ibañes

Curta, porém bem desenvolvida história de Magia e Sapina – uma nova personagem que apareceu pela primeira vez na edição #1 – em visita ao Doutor Estranho. É sempre válido quando a editora promove histórias que conectam os X-Men ao resto do Universo Marvel. E nada mais natural do que o Mago Supremo para investigar os dons de Sapina. Este é outro exemplo da competência de Lemire. Em poucas páginas, há ação, grandes revelações, ótimas caracterizações dos personagens e tudo com diálogos bem construídos. Ibañes entrega outro bom trabalho e parece se consolidar como o desenhista escalado para intercalar as HQs dos Extraordinários com Humberto Ramos. Nota 8,0.

O bom Doutor em uma rara aparição no título dos X-Men

Fabulosos X-Men 6: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Novo desenhista no título, Lashley é veterano na Marvel e já trabalhou com os mutantes. Não sabemos se ele continuará nos Fabulosos de vez, mas como este é também um capítulo das Guerras Apocalípticas fica a expectativa de que pelo menos cuidará de todo este arco. O foco, como não poderia deixar de ser, já que estamos tratando de uma saga que envolve Apocalipse, é o Anjo, que já foi um de seus Cavaleiros e teve diversas transformações físicas e espirituais desde então. O Anjo atual, é preciso lembrar, é um enigma e Psylocke parece finalmente disposta a desvendá-lo. Há recapitulações da confusa trajetória do herói alado em uma história lenta, que ganha alguma movimentação quando o foco muda para a missão de Monet e Dentes de Sabre, mas nada muito interessante. O clifhanger, contudo, é bem curioso – ponto para Bunn, que parece capaz de reciclar temas tradicionais da mitologia mutante com uma certa criatividade. Nota 6,0.

Nota Final desta Revista: 7,3.

Resenha de O Velho Logan #4 – Panini Comics

Capa da edição que fecha o arco de O Velho Logan nas Guerras Secretas

Nesta quarta edição de O Velho Logan nas Guerras Secretas, a Panini incluiu o capítulo #5 da minissérie americana, Old Man Logan, mas a revista começa com duas historietas retiradas de Secret Wars Too, que de verdade não tem nada a ver com o tom da série principal, o que torna esta HQ… esquisita.

. Volume de Spoilers: praticamente zero.

Vamos lá! Antes de falarmos da história principal, precisamos comentar brevemente as duas histórias que abrem esta revista, ambas extraídas da minissérie americana Secret Wars Too, sendo uma da edição #IV e outra da #VI.

Em “Os Últimos Dias do Demo”, de Kyle Starks e Ramon Villalobos, vemos o que aconteceu com o Demo, um obscuro coadjuvante do Capitão América que brevemente participou dos Vingadores, alguns dias antes do evento da “incursão final” que levou às Guerras Secretas (a colisão das duas Terras remanescentes!). Gosto da arte de estilo alternativo do Villalobos, que combina bem com esta história totalmente despretensiosa e até bem engraçada. Duas curiosidades:o uniforme “clássico” do Demo lembra muito um dos primeiros do Wolverine e, atualmente, esse herói está participando das aventuras do Capitão América Sam Wilson.

Logo depois, em “O Urso Sem Medo” de Ryan Browne – que fez tudo: roteiro, arte e cores – nosso ilustre mutante favorito, porém de uma Terra Alternativa, tem um breve duelo com 3 versões do Ciclope, quando surge… Demoliurso, o Urso Sem Medo! Sim, vocês devem ter entendido do que se trata. Mas, acredite, a HQ fica ainda mais estranha nas páginas seguintes. A proposta é de um humor absurdo, nonsense, que me lembrou alguma coisa entre a MAD e quadrinhos alternativos dos anos 1980. Honestamente? Não gostei, e nem entendi porque a Panini a publicou aqui. Lógico que havia “espaço”, mas será que não havia nada melhor? Nestas situações ainda acho mais interessante repetir uma história antiga, de qualidade, do que preencher com experimentalismos de gosto duvidoso.

Agora sim, entramos na conclusão do arco de O Velho Logan nas Guerras Secretas.

Página Dupla com o Velho Logan em NYC

Brian Bendis despede-se do personagem com uma história calma, sem ação – o que leva a imaginar porque na capa há a chamada “Caçada Mortal!”. Logan está agora em (uma) Nova York e parece não acreditar no que vê. Afinal, de onde vem só há ruínas desta grande metrópole. Os cenários são belamente ilustrados por Andrea Sorrentino, com as ótimas cores de Marcelo Maiolo que, aqui, voltam a casar bem com os intrincados quadros de Andrea, suas chamativas torres corporativas de Manhattan e bons momentos oníricos/telepáticos. O roteiro apresenta poucas situações concretas acontecendo, mas diálogos bem construídos, precisos, talvez a grande marca registrada do autor. Na primeira parte do capítulo, o idoso ex-Wolverine vai ter uma série de reencontros surpreendentes, mas as cenas mais interessantes ficam da metade para frente, inclusive com interligação com o final da saga Guerras Secretas.

Sem dúvida o epílogo cria uma grande oportunidade para a Marvel continuar explorando este Wolverine de um jeito diferente. No geral, esta minissérie começou instigante e repleta de ação e possibilidades, mas logo perdeu o fôlego, mudou de direção e termina de um jeito completamente diferente daquele que poderíamos imaginar. É uma HQ mediana, mas que ao menos faz jus ao estilo de narrativa que causou grande impacto na saga original, de Mark Millar e Steve McNiven.

Interessante construção de Andrea Sorrentino

Fica o aviso que a Panini continuou com esta revista, que virou uma mensal regular, a única surgida durante a Fase Guerras Secretas, e que perdura até hoje, na edição #19, mas, como já mencionado, sem nenhuma ligação com este grande evento Marvel: a edição brasileira passou a publicar, desde a #5, a mensal Old Man Logan escrita por Jeff Lemire e arte variada, mas que inclui também a do italiano Andrea Sorrentino; além de publicar também a mensal All-New All-Different Wolverine, com as histórias da X-23 (Laura Kinney), que assumiu a identidade de Wolverine, escritas por Tom Taylor.

Nota: 6,0.

Resenha de Guerras Secretas #7 – Panini Comics

Todos contra Destino

Sim, o Blog continua com a proposta de resenhar o mega crossover Guerras Secretas na íntegra. Finalmente, com esta edição, avançamos para o ato de encerramento da série central.

. Volume de Spoilers: Pouquíssimos, só para esclarecer os principais pontos da HQ.

Após alguns capítulos tranquilos, nesta sétima parte começa a batalha cataclísmica contra Deus Destino. O grande plano estratégico dos heróis e vilões remanescentes dos universos conhecidos é posto em ação. O melhor é que o leitor não sabia absolutamente nada do que viria. Descobrimos as ações dos desafiantes enquanto lemos, o que é uma ótima forma de criar espanto e prender o leitor.

Do começo ao fim, somos levados a grandes revelações, algumas traições e boas surpresas. Os dois Reed Richards – o clássico, do Universo Regular, e o vilanesco, do Universo Ultimate – transformam o último planeta conhecido em um verdadeiro Battleworld, com generais reunindo suas forças, líderes angariando aliados e até vilões pouco mencionados na série principal ressurgindo plenos, partindo para o tudo ou nada contra os exércitos legalistas do Imperador Supremo.

O roteirista Jonathan Hickman continua seguro com as caracterizações do grande elenco, trazendo uma série de vilões clássicos dos X-Men ao campo de batalha. Cada um desses em algum momento do passado foi responsável por um evento da editora, alguns maiores, outros menores, mas todos deixaram suas marcas na memória de milhares de fãs. Vê-los agora como meros peões de Destino é representativo do poder supremo do vilão número 1 da Marvel e, obviamente, também simboliza a ambição desta história: seria o “evento para acabar com todos os eventos.”

Em seu castelo, Destino acompanha as legiões apreensivo, principalmente depois do alerta de sua filha Valeria Richards. O final do capítulo é brilhante, sem dúvida a cereja do bolo do plano dos Reeds e envolve o cada vez mais popular Pantera Negra.

É exatamente neste ponto que os artistas Esad Ribic e Ive Svorcina brilham, capturando perfeitamente o clima das Terras dos Mortos. As batalhas também ficam épicas com o estilo “pintura a óleo” que a dupla entrega. Ao mesmo tempo que os cenários são desoladores, há emoção emanando dos olhares dos superseres e até mesmo nos titânicos golpes e rajadas, enquanto baixas acumulam-se de ambos os lados. O melhor é que esta foi apenas a primeira parte da batalha final, que certamente vai se desenrolar no capítulo #8 e só concluir, de fato, no #9.

Uma grande galeria de vilões dos X-Men está presente na arte de Ribic e Svorcina

Na história complementar que a Panini sempre encaixa, vemos uma realidade da Inglaterra do Rei James. Lá, a sempre incrível Kate “Gaviã Arqueira” Bishop, ou melhor, Lady Katherine Bishop, decide fazer justiça enfrentando um certo Frank Castle (capturaram a ironia?) com a ajuda de versões de outros Jovens Vingadores. Infelizmente a edição não traz os créditos mas, pesquisando, descobrimos que a curta e interessante HQ é de Prudence Shen  de quem é a primeira vez que ouço falar – com uma bela arte de Ramon Bachs no lápis e Jean François-Beaulieu nas cores.

Nota 8,0.