Resenha de Grandes Astros Batman Renascimento #2 – Panini Comics

Batman Vs Duas-Caras por John Romita Jr

Retomando a análise do primeiro arco desta nova revista do Batman, com roteiros de Scott Snyder e arte de John Romita Jr. Atualmente, só tenho comprado duas séries mensais do Renascimento DC – esta e a da Mulher-Maravilha, e pretendo continuar.

. Volume de Spoilers: como sempre, tentamos não ser desmancha-prazeres.

Nesta segunda parte do arco “Meu Pior Inimigo”, apropriadamente intitulada “Comboio para o Inferno”, vemos Batman tentando capturar Duas-Caras que, para escapar, contratou vários supervilões, todos dispostos a espancar impiedosamente o nosso herói. A história começa com embates sobre um trem em movimento longe de Gotham City.

Assim como na edição anterior, há alguns inimigos que eu não conhecia, muito provavelmente porque surgiram nos últimos anos, quando parei de acompanhar as HQs do Homem-Morcego. Portanto figuras como o Rei Tubarão e Jane Doe são novidade para mim, o que é um aspecto positivo, de descoberta, ou melhor, de um primeiro contato que pode ser instigante para pesquisar mais sobre tais personagens (o que de fato eu fiz).

Snyder desenvolve outras duas tramas, todas convergindo para o desfecho da aventura: uma, a alguns dias no “futuro”,  com o Comissário Gordon; e outra com um grupo de chefes do crime. Na verdade, a história em si não avança muito… embora seja tão frenética quanto o capítulo anterior e igualmente divertida.

Como de costume, o morcego parece estar sempre um passo a frente mas, desta vez, parece agir próximo do seu limite. De certo modo, entendo que a superação e a destreza sobre-humanas são grande parte do apelo do herói, mas às vezes o exagero pode trazer um efeito contrário. Afinal, como todos sabem, Batman ainda é Bruce Wayne, um homem dotado de vários talentos, mas ainda um homem. Aqui achei que passou um pouquinho do ponto. O melhor desta edição, sem dúvida, é o final, com a chegada de um antigo e sumido (talvez?) adversário.

Alguns dos supervilões do Batman na arte de Romita Jr., Danny Miki e Dean White

No campo artístico, Romita Jr. e Danny Miki mantém o interesse renovado pelo título, porque conseguem produzir sequências de grande impacto visual, embelezadas pelas cores vibrantes de Dean White. Gostei muito do uniforme do vilão surpresa – aquele do final – repaginado mas mantendo a essência do original. Uma dica: foi criado por Jim Starlim no final dos anos 1980 e há uma resenha aqui no Blog de sua primeira aparição.

A segunda história da revista, apesar das 8 páginas, ou talvez por conta disso mesmo, é bem coesa e retoma alguns acontecimentos da origem de Duke, o novo parceiro do Batman. Declan ShalveyJordie Bellaire fazem uma arte elegante, e a HQ continua interessante, com um bom mistério e um desenvolvimento bem-vindo da relação entre o jovem Robin e seu mentor.

Nota 7,5.

Resenha de Avante Vingadores #4 – Panini Comics

Muito legal a postura dos heróis do Esquadrão Supremo na composição de Alex Ross

Continuamos nossa saga para rever toda a série mensal Avante Vingadores!, que prossegue com arcos que se concluem e outros que começam.

. Nível de spoilers: praticamente zero, vocês conhecem o esquema.

Esquadrão Supremo #4 e #5
Muita coisa, mas muita coisa mesmo acontece nestas duas edições da série do Esquadrão. No geral, é uma emocionante conclusão para o primeiro arco, com vários fechamentos satisfatórios de pontos apresentados anteriormente. James Robinson engata novamente a 5a marcha, vista com eficiência nas primeiras duas edições e, tão logo o Esquadrão chega ao bizarro Mundo Estranho, uma sequência de eventos deixa a equipe em sérios apuros. Falcão Noturno e Vulto explicam porque são uma boa dupla de combate, e finalmente Tundra assume seu aguardado protagonismo. Traições e surpresas, do vilão principal ao resgate de um herói bem obscuro no Brasil, passando por uma espécie de guerreiros de Cristal que tiveram seus 15 minutos de fama em algum momento dos anos 1980 e muitos outros interessantes habitantes do Mundo Estranho compõem harmoniosamente a trama desta bem realizada saga, cujo autor claramente está curtindo muita liberdade criativa com todo o vasto elenco. Ele ainda faz uma graça com o “herói inspiração” de Hypérion (Superman, claro) e o Esquadrão ganha um novo membro. Leonard Kirk, com a ajuda dos arte-finalistas Paul Neary e Marc Deering, e do colorista Frank Martin, entregam uma HQ dinâmica, repleta de bons momentos, com ótimos enquadramentos, personagens lindamente retratados e o agradável gosto de um bom quadrinho Marvel das antigas.

A arte de Kirk, Neary e Oback resgata o estilo de uma HQ clássica da Marvel

Uma observação: há tantas referências a histórias passadas da editora quanto um leitor mais atento “sente”, mas desconhecê-las não limita a compreensão desta história. Por outro lado, é instigante, dá sim vontade de investigar o passado de muitos dos personagens que (re)surgem. Quem leu tudo deve ter tido uma experiência ainda melhor!
Nota: 8,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #4
Este é o final do primeiro arco deste novo e Incrivelmente Sensacional Hulk, chamado “A Hora do Cho”, com mais detalhes dos acontecimentos que deram origem a este jovem Hulk e, claro, como Bruce Banner deixou de ser o monstro que todos aprendemos a gostar. Contudo, o autor, Greg Pak, criador de Amadeus Cho e de ao menos duas sagas memoráveis com personagem clássico (Planeta Hulk e Guerra Mundial Hulk), não se restringe ao passado, claro, e conduz com vigor também os eventos da atualidade, basicamente a pancadaria com o exército de monstros que Madame Devassa, a Rainha Monstro do planeta de Seknarf Nove (não me canso de escrever isso!) lança como desafio ao herói. Jennifer Walters tem uma bela participação, a ponto de imaginarmos se, de alguma forma, ela servirá como mentora de Amadeus no futuro? Frank Cho e Sonia Oback concluem seus trabalhos artísticos com o mesmo alto nível dos capítulos anteriores. Aparentemente, o título vai caminhar com o mesmo tom leve e bem-humorado com outros artistas, e Pak vai focar em encontros do novo Hulk com outros ícones da Casa das Ideias – heróis e vilões. É um bom começo.
Nota: 7,0.

Os Supremos #4
Parece que Al Ewing & Cia não reduzirão o nível de ambição criativa tão cedo. Após os espetaculares acontecimentos relacionados a Galactus nas duas edições anteriores, os Supremos dirigem seu olhar para o problema do “Tempo Fraturado” – uma questão já tratada em outras histórias e eventos dos últimos anos, como A Era de Ultron, Hulk Agente do Tempo, os jovens X-Men originais vivendo no presente, A Batalha do Átomo, entre outros. Sem dúvida, é algo importante e novamente um problema em escala universal que esta equipe decide resolver. Carol Danvers e Marvel Azul são os motores desta nova aventura. Vale acrescentar que a Capitã Marvel aqui é muito mais interessante do que na sua série solo. Outro aspecto digno de nota é que Adam Brashear de certa forma assume o vácuo deixado pelo sumiço de Reed Richards. Apesar de imensamente poderoso, é o intelecto de Brashear que conduz os Supremos para jornadas impossíveis. Kenneth Rocafort e Dan Brown novamente abusam dos painéis e cores vibrantes e inesperados. Um problema para os leitores brasileiros é, sem dúvida, o cliffhanger. Que eu saiba a minissérie solo com a origem do Marvel Azul não foi publicada pela Panini e, portanto, muita gente não vai entender a importância desta última página.

A origem do Marvel Azul – e de seu nêmesis – é revisitada nesta edição

No mais, outra ótima edição dos Supremos.
Ah, quem tiver interesse pelas origens do Marvel Azul clique aqui.
Nota: 8,5.

Força-V #5
Começo de novo arco e o tom desta série muda ligeiramente. Na verdade, sinto que com Kelly Thompson agora sozinha nos roteiros, ela decidiu escancarar de vez o que antes parecia algo meio incerto: esta é uma revista juvenil, que mira claramente em garotas teens. Sim, dos diálogos entre as colegas, às situações criadas, ao conceito das aliadas e das adversárias… tudo gira em torno do universo feminino (sim, isso existe ainda, não?), as personagens são todas mulheres, jovens e adultas. Embora Medusa deixe de ser tããão petulante como antes, ainda há muita “atitude” em quase todas as oportunidades, entrecortada por gracinhas que, penso, não tem muita ressonância com jovens leitoras brasileiras. Ou melhor, talvez elas não estejam comprando esta revista… Enfim, na história, agora que se livraram do vilão genérico Antimatéria, a equipe encontra um dragão (?) gigantesco enfrentando uma… Thor? Sim, é outra Thor, não a Jane Foster. Achei muito interessante que a roteirista tenha se inspirado diretamente no Mundo Bélico das Guerras Secretas para trazer uma nova aliada. Além disso, é boa a ideia de quem essa Thor é, porque está relacionada à uma das nossas heroínas. O visual muda sensivelmente com a entrada do desenhista Ben Caldwell, que tem uma arte em estilo fantasia, mas não realista, meio suja e cartunesca. É um traço bem próprio, mas não é para qualquer apreciador. As cores ficaram com Ian Herring, que carrega em tons azulados mas traz um bom resultado. Há uma certa harmonia no time artístico. Agora que assumiu sua característica feminina, Força-V ganha identidade, mas não necessariamente uma história de alto nível. Também fica muito diferente do resto do mix, ou seja, dificilmente vai agradar os leitores típicos de Avante,Vingadores, que a procuram por conta das histórias bem mais violentas e old school do Esquadrão (que, não custa lembrar, tem estrelado as capas até então), ou pela temática sci-fi ousada dos Supremos, ou pelo humor adulto e irônico do Homem-Formiga ou, claro, pela futura estrela do cinema Capitã Marvel. Mesmo comparada ao Hulk Amadeus, que é também leve e juvenil, Força-V é inferior, porque parece “se esforçar em agradar”, enquanto o verdão é muito mais autêntico e com histórias e arte em perfeita harmonia.
Nota: 6,0.

Capitã Marvel #4 
Então… o final do arco se aproxima e este penúltimo capítulo começa bem, com bons diálogos e Carol Danvers se posicionando com mais convicção e desenvoltura, a ponto de comandar um breve encontro com outros líderes, incluindo seu parceiro de Os Supremos, o Pantera Negra. Porém, quando a ação acontece, novamente percebemos os limites das autoras que, reassalta-se, não são especialistas em quadrinhos, e sim em roteiros para TV, Michele Fazekas e Tara Butters: o andamento torna-se truncado, situações meio sem explicações surgem e terminam, e lá no final um dos adversários alienígenas muda de ideia tão subitamente que parece um conto infantil – com todo o respeito às crianças, claro.

Carol Danvers pede conselhos para amigos poderosos em um bom momento desta HQ

Interessante que uma folheada nesta série traz uma impressão agradável, afinal o time Kris Anka, Felipe Smith e Matthew Wilson é competente, mas quando lemos até mesmo essa arte parece com problemas. Isso é, também, resultado da qualidade dos roteiros. Infelizmente esta continua sendo uma série mediana. Carol Danvers merecia mais.
Nota: 5,0.

Homem-Formiga #4
O humor fino desta série continua preciso, com uma grande quantidade de situações impagáveis. Sim, nem todos os leitores parecem curtir, mas o Homem-Formiga é uma das mensais mais consistentes da fase Totalmente Nova, Totalmente Diferente. De certa forma, é uma continuação espiritual de Os Inimigos Superiores do Homem-Aranha (saiu no Brasil na “Teia do Homem-Aranha Superior”), onde Nick Spencer mostrou, em grande estilo, que pode garimpar com maestria o catálogo da Marvel e trabalhar com qualquer personagem nível-Z de forma interessante. Aqui, ele faz essa mágica novamente, com a participação do super vilão Voz – basicamente, alguém cujas cordas vocais comandam outras pessoas (pena que há algumas piadas que se perdem na tradução). Há também um outro vilão que faz uma pequena e impagável ponta junto ao novo Gigante. Porém, o foco deste capítulo está nas relações interpessoais de Scott Lang, tanto com suas namoradas quanto, principalmente, com sua filha Cassie. Parece que nosso amigo, por mais que se esforce, por mais que tente, por mais que queira, simplesmente não consegue fazer a coisa certa. Essa é talvez a grande característica que o distingua de tantos outros heróis e, por isso mesmo, seu grande apelo.  
Nota: 8,0.

Nota Final para esta Edição: 7,2.

Resenha de Avante Vingadores #3 – Panini Comics

Esquadrão Supremo enfrenta os Fabulosos Vingadores

Mais 7 histórias dos 6 títulos que compõem esta nova fase da revista mensal Avante Vingadores!, lembrando que, efetivamente, nenhuma destas hqs é de Vingadores…

. Nível de spoilers: só para contextualizar, leia sem medo que nenhuma história será comprometida.

Esquadrão Supremo #3
Falcão Noturno
está encurralado pelo Esquadrão Unidade de Steve Rogers, mas não por muito tempo. É bacana ver a prontidão com que seus colegas de equipe respondem ao chamado, e logo os dois esquadrões estão se atracando. Antes, Hypérion tem um breve diálogo com Rogers, um bem-vindo cuidado do autor considerando que ambos foram membros essenciais na já clássica formação dos Vingadores da era pré-Guerras Secretas. Pela mesma razão, a Doutora Espectro procura justificar a execução de Namor mas, coerentemente com o que se espera de uma equipe de heróis genuínos, um crime é um crime e os Fabulosos Vingadores partem para cima do Esquadrão Supremo. James Robinson procura se divertir e levar o leitor junto na viagem, usando com categoria o fator novidade da Sinapse – inclusive para o próprio Falcão Noturno – e as tiradas amalucadas de Deadpool, mas confesso que estranhei a mega-hiper-velocidade que Mercúrio e Vulto demonstram. Talvez eu tenha perdido as últimas atualizações de poder do Pietro, mas ele nunca foi de alcançar velocidades nível Flash certo? Quanto ao Vulto, deve ter passado por algum boost também porque originalmente a proposta dele e de seus colegas do PN7 (da realidade do Novo Universo) era de poderes leves, sem exageros, mais “realistas”. Enfim, não gostei da volta ao mundo em poucos segundos da dupla de velocistas e muito menos do resultado. No mais, a batalha é interrompida duas vezes e o Esquadrão Supremo parece que vai conhecer um mundo bem… estranho! Leonard Kirk desenha belas splash pages, especialmente a última, mas também entrega alguns quadros mal resolvidos na composição. Esta HQ continua acima da média, embora no geral tenha achado este o capítulo menos interessante até o momento. Vamos ver se recupera o nível superior de antes.
Nota: 7,0.

Capitã Marvel #3 
Minha impressão sobre o principal problema deste título parece se confirmar a cada nova leitura e releitura: Michele Fazekas e Tara Butters não conseguem impor emoção alguma no decorrer da história. Nem com a Capitã Marvel, nem com seu enorme – e até interessante – elenco de apoio. Outro grande incômodo é com os diálogos: todos parecem ter a mesma “voz”, isto é, falta personalidade e carisma para estes heróis. De verdade, falta aquele toque criativo que permite o engajamento do leitor. Esta é uma HQ genérica, que dificilmente entrará na memória dos fãs da Marvel ou da Carol Danvers. Desta vez há poucas piadinhas e parece que a tensão vai aumentar com o mistério da nave alienígena capturada, mas as descobertas são todas bem pouco interessantes e no final das contas temos a impressão de que o potencial com o conceito da Capitã e sua Tropa Alfa está sendo completamente desperdiçado. Nem o bom time artístico de Kris Anka, Felipe Smith e Matthew Wilson consegue melhorar as coisas.
Nota: 4,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #3
“Maddy, eu gosto do seu irmão mas, quando Amadeus vira o Hulk, todos os hormônios adolescentes idiotas dele piram!” – essa frase, de Jennifer Walters, mais conhecida como a Sensacional Mulher-Hulk, é um pequeno exemplo de como esta HQ tem consciência das radicais diferenças que seu jovem e Incrivelmente Sensacional Hulk tem em relação a Bruce Banner. Em todos os momentos, estamos acompanhando situações inovadoras, com novos e velhos personagens em boa harmonia e uma arte de primeira linha. Esta é uma HQ divertida, leve, sem puxar para o drama, ódio ou destruição desenfreada…. embora haja muita pancadaria sim, como é de se esperar em um título-Hulk, é sincera em sua proposta. Contudo, pelas repercussões na web parece difícil para grande parte dos fãs do Hulk Clássico compreender que não é uma questão de comparar A com B. É como o Homem-Aranha clássico, Peter Parker, ser melhor ou pior do que o Homem-Aranha novo, Miles Morales. São personagens diferentes, apenas com nomes e origens conectadas. “Ah, mas os dois Aranhas estão convivendo, enquanto o Hulk Banner foi deixado de lado!” Oras, desde quando essas situações são permanentes nos universos de heróis? É válido afastar um dos ícones da Casa das Ideias por alguns anos sim, isso costuma dar bons frutos quando retorna. Aconteceu com X-Men nos anos 70 e foi um sucesso. Idem com o Thor nos anos 2000. Está acontecendo com Wolverine e também com o Quarteto Fantástico. Lógico que mais cedo ou mais tarde todos estarão com novas histórias. Então, porque não tentar baixar as resistências e curtir as novidades?

Fin Fang Foom come tubarões brancos no café da manhã

Desta vez, Amadeus precisa enfrentar uma criatura verdadeiramente poderosa, Fin Fang Foom, retratado em toda sua colossal glória por Frank Cho. Não há uma explicação clara para a aparição do monstro alienígena, e isso de verdade pouco importa na trama, mas o duelo é um desafio que vai exigir mais do que músculos do novo Hulk. Enquanto isso, Madame Devassa, a Rainha Monstro do planeta de Seknarf Nove aguarda o desfecho da batalha para decidir sua próxima atitude com nosso jovem herói esmeralda.
Nota: 7,0.

Os Supremos #3
Parece que Al Ewing & Cia não reduzirão o nível de ambição criativa tão cedo. Após os espetaculares acontecimentos relacionados a Galactus nas duas edições anteriores, os Supremos dirigem seu olhar para o problema do “Tempo Fraturado” – uma questão já tratada em outras histórias e eventos dos últimos anos, como A Era de Ultron, Hulk Agente do Tempo, os jovens X-Men originais vivendo no presente, A Batalha do Átomo, entre outros. Sem dúvida, é algo importante e novamente um problema em escala universal que esta equipe decide resolver. Carol Danvers e Marvel Azul são os motores desta nova aventura. Vale acrescentar que a Capitã Marvel aqui é muito mais interessante do que na sua série solo. Outro aspecto digno de nota é que Adam Brashear de certa forma assume o vácuo deixado pelo sumiço de Reed Richards. Apesar de imensamente poderoso, é o intelecto de Brashear quem conduz os Supremos para jornadas impossíveis. Kenneth Rocafort e Dan Brown novamente abusam dos painéis e cores vibrantes e inesperados. Um problema para os leitores brasileiros é, sem dúvida, o cliffhanger. Que eu saiba a minissérie solo com a origem do Marvel Azul não foi publicada pela Panini e, portanto, muita gente não vai entender a importância desta última página. No mais, outra ótima edição dos Supremos.
Ah, quem tiver interesse pelas origens do Marvel Azul clique aqui.
Nota: 8,5.

Força-V #3 e #4
A equipe das heroínas Mulher-Hulk, Medusa, Capitã Marvel, Cristal e Nico, reunidas desde a chegada da Singularidade, continuam tentando deter a misteriosa entidade cósmica Antimatéria. Kelly Thompson assume a linha de frente nos roteiros, ainda em associação com G. Willow Wilson e, apesar de o roteiro melhorar em relação ao capítulo anterior (pelo menos há um plano minimamente coerente em ação), os diálogos e, sobretudo, a atitude das super heroínas continuam bem exagerados e completamente distantes do que se esperaria delas. Medusa irritantemente arrogante, Nico meio insegura, meio engraçadinha, Carol Danvers apática e, de novo, porque ela não chama seus colegas dos Supremos para acabar com a ameaça? Por essas e outras que esta equipe parece simplesmente desnecessária.

As heroínas cheias de atitude da Força-V

Pelo menos Cristal, que até a edição #3 estava amarga e mal-humorada, tem algum desenvolvimento coerente. No final das contas, o primeiro arco fecha de maneira parcialmente satisfatória. Jorge Molina Laura Martin ajudam ao produzir um trabalho competente, mas ainda assim nada memorável. Sabe-se que este é um título cancelado nos EUA, mas esperava algo mais interessante.
Nota: 5,0.

Homem-Formiga #3
Outra edição impecável com a nova fase de Scott Lang em Miami, desta vez com uma divertida parceria com o novo Capitão América, Sam Wilson. Nick Spencer tem uma precisão cirúrgica nos diálogos, um roteiro coeso, com os tempos certos para cada cena, o tom para cada voz, inclusive dos vilões, como o impagável Mecanus. É incrível como o autor sabe brincar com o absurdamente vasto catálogo de personagens do Universo Marvel. Além da chegada do Corretor de Poder, como um dos nêmesis do Homem-Formiga, em versão atualizada e com um plano inteligente, há diversas surpresas que leitores das antigas vão curtir, e os novatos provavelmente ficarão intrigados. Para fechar mais uma ótima edição, se em Avante Vingadores #2 tivemos o retorno da namorada heroica de Scott, Darla Deering, desta vez temos uma outra ex que vai certamente complicar ainda mais sua vida. Ramon Rosanas está seguro na arte, com páginas muito bem planejadas e um traço clean, bonito, elegante, com certeza uma das grandes razões que tornam este um dos mais sólidos runs da atual Marvel.
Nota: 8,0.

Nota Final para esta Edição: 6,6.

Uma HQ para a Sala de Aula (1) – A Narradora das Neves – Editora Nemo

Capa com design elegante com os protagonistas Inuit esperando o jantar

Este breve artigo é uma sugestão que humildemente deixo para professores que desejam trabalhar com histórias em quadrinhos com seus alunos. Como conheço razoavelmente bem o mercado educacional, além de ser filho de pedagoga e ter um longo contato com projetos educativos variados, inclusive com HQs, quem sabe não possa ajudar?

Há muita coisa interessante neste singelo conto sobre o povo Inuit que, acredito, pode ser bem trabalhado nos colégios com jovens leitores, entre 8 e 11 anos, especialmente por conta do retrato cuidadoso que apresenta do dia a dia de pequenas tribos do vasto território dos esquimós. É bem difícil encontrar material específico sobre essa cultura.

Antes de mais nada, é preciso dizer que esta é uma História em Quadrinhos. Ponto! Não foi planejada especificamente para ser trabalhada em sala de aula – pelo menos é assim que me parece. Isso traz uma grande vantagem e, também, pode trazer um problema.

Como se sabe, atualmente é comum a presença de histórias em quadrinhos nas listas de paradidáticos de colégios brasileiros (especialmente na rede privada). O meio ainda é visto com reservas por alguns professores, mas sem o preconceito de décadas atrás. A constante evolução da linguagem e, principalmente, a gigantesca produção que provém de dezenas de países diversificou os temas, aprofundou os gêneros e, com isso, os públicos.

Porém, o mais usual em sala de aula é vermos adaptações de Clássicos da Literatura – mundial ou brasileira, algumas muito boas por sinal – ou histórias originais nem sempre bem desenvolvidas, ou até mesmo, livros paradidáticos maçantes que por acaso foram desenvolvidas no formato de HQ.

Não é o caso de A Narradora das Neves. E é essa a grande vantagem: por ser uma HQ de verdade, não é “mais um livro paradidático chato” (comentário típico de alunos dessa faixa etária).

Quanto ao problema, digamos que é o outro lado da moeda: o professor precisa extrair da obra o que acha mais interessante e planejar a aula de leitura e interpretação, ou o projeto interdisciplinar que a HQ claramente “pede” para acontecer.

Criada por um trio de quadrinistas franceses, o título é fruto de um projeto capitaneado pela revista GEO, uma espécie de versão francesa da National Geographic, que trata de viagens, povos, natureza e lugares exóticos, em parceria com a editora Dargaud, uma das maiores e mais relevantes editoras de quadrinhos do país do Asterix.

Foram 3 títulos, todos traduzidos para o português pela Nemo, em 2013. Os outros são O Apanhador de Nuvens e As Crianças da Sombra. Eu só tive acesso a este, por enquanto. Um leitor adulto a completa em 20 minutos, mas para uma criança pequena deve levar mais do que o dobro desse tempo. Há também a questão da apreciação das imagens, etc.

Na capa, os créditos de criação vão para uma dupla, Béka & Marko, mas uma rápida pesquisada na wikipedia explica que Béka é o pseudônimo para um casal de autores, Bertrand Escaich (de onde veio o Bé) e Caroline Roque (daí fecha o Ka). Os desenhos ficaram a cargo de Marko, na verdade Marc Armspach (os franceses adoram pseudônimos…).

A HQ traz dois momentos da vida de Buniq, que é quem dá o nome ao título: nos dias atuais, idosa, e suas lembranças da adolescência, 60 anos atrás.

Naquela ocasião, vemos a jovem Inuit incomodada com a atitude de avô, Ukioq, que decidiu deixar a pequena aldeia e ir “se sentar” para morrer sozinho de frio. Sem didatismos, percebemos que essa situação é natural, uma prática comum daquela época, justificada pelas crescentes dificuldades que um idoso doente ou com movimentos limitados trazia para seus familiares naquele terreno quase inóspito.

Buniq, contudo, tem dificuldades em aceitar essa atitude e decide resgatar seu avô. No mesmo dia, um viajante aparece na aldeia e conta histórias que fascinam tanto a jovem que ela resolve, então, organizar uma expedição para lugares distantes na companhia de seu querido Ukioq e, assim, adiar a perda do ancião.

Outro adolescente, o aprendiz de caçador Taq, completa o trio de exploradores do “Grande País dos Homens”, como esse povo chama a vasta região ao redor do Círculo Polar Ártico colonizada pelas tribos Inuites.

Há aventura e ternura, comédia e ação, mas sobretudo é um retrato de um povo verdadeiramente diferente para nós, brasileiros e latinos. É aterrador ver tanto gelo e neve, ventanias súbitas e tempestades, e tão pouca vida animal terrestre, e conseguir não apenas sobreviver, mas desenvolver uma tradição oral de fábulas, manufatura de peles, utensílios e armas, técnicas de caça e de pesca, barcos e caiaques, além de um profundo contato com a natureza e o mundo espiritual.

O traço de Marko é simples, com poucos detalhes, seguindo a tradição da escola da Linha Clara franco-belga, com uma narrativa bem resolvida, fluida e gostosa de se olhar.

As cores singelas, plácidas e realistas com a geografia local são de Maela Cosson e a tradução de Fernando Scheide parece muito boa, sendo a edição da Nemo no geral bem interessante em termos de formato e preço (apesar de ser R$ 34,90 na tabela, é possível encontrar por cerca de R$ 20,00!).

É isso, gostei bastante deste título infanto-juvenil europeu e pretendo comprar os demais da série.

Inuit adulta em trajes típicos do meio do século XX, mesmo período da HQ

Atenção professores!

Segue um resumo do que acho pertinente para trabalhar A Narradora das Neves com seus alunos e assim estimulá-los a ler mais, a conhecer a linguagem dos quadrinhos e, claro, adquirir conteúdos ricos de assuntos diferentes de um jeito legal!

Disciplinas: Geografia . História . Ciências . Português

Temas: Amizade . Amor . Amadurecimento . Tradição . Outras Culturas . Juventude x Velhice . Responsabilidade . Animais do Ártico . Hábitos dos Esquimós .

Idade: de 8 a 11 anos.

Sabe-se, também, que os esquimós seguem rapidamente para a total ocidentalização de seus hábitos, já que atualmente em seus territórios há muito potencial turístico, além de grande exploração mineral e animal há décadas. Portanto pode ser interessante traçar uma pesquisa adicional sobre a história dessa população e como se encontra hoje. Espero ter ajudado, abraços!

Resenha de Guerras Secretas Zonas de Guerra #1 – Panini Comics

Capa da Panini que compila as histórias 1872 e Onde Vivem Os Monstros

Outra edição especial da Panini que traz dois tie-ins das Guerras Secretas: as ótimas minisséries 1872 e Onde Vivem os Monstros. Em comum, ambas são situadas em cenários do passado e, lógico, em diferentes domínios do Mundo Bélico de Destino.

. Volume de Spoilers: Nenhum, leia sem medo.

De saída, é preciso esclarecer que estas duas histórias são completamente independentes da megasaga. Portanto, se gostar dos temas, personagens ou dos artistas envolvidos, vale a pena dar uma procurada na internet ou nos bons sebos da sua cidade, porque Zonas de Guerra é mesmo muito interessante.

1872 apresenta um momento de virada na história de Timely, um arquétipo da ‘pequena cidade do meio oeste americano do séc. IXI’ onde vivem versões de Tony Stark, Bruce Banner, Steve Rogers e diversos outros ícones da Casa das Ideias. Para quem não sabe, Timely era o nome original da editora de quadrinhos criada do final dos anos 1930 e que viria a ser Marvel.

Mas, o verdadeiro protagonista é o índio Lobo Vermelho que, prestes a ser enforcado à revelia da lei, é salvo pelo xerife local – nada mais, nada menos, que Steve Rogers (só lembrando aos mais distraídos, o “nosso” Capitão América). Esse salvamento desperta a ira do prefeito de Timely, Wilson Fisk (o “nosso” Rei do Crime), o que gera uma sequência de confrontos nas ruas da cidade que, até o final deste verdadeiro conto de faroeste, ficarão recheadas de sangue, muito sangue mesmo!

Belíssima ilustração de Alex Maleev para a capa de 1872 #1

Os leitores veteranos podem entender que 1872 é uma HQ no estilo “O que aconteceria se… os heróis Marvel existissem no velho oeste?“. Há muitas surpresas ao longo dos 4 capítulos que, como nos melhores quadrinhos de realidades alternativas, entrega ao leitor uma diversão extra: identificar “quem é quem” na nova ambientação. E há muitos personagens mesmo, heróis, vilões e elenco de apoio.

Gerry Duggan faz, como de costume, um trabalho muito competente e prova mais uma vez que é um roteirista extremamente versátil. Cria uma ambientação excelente, que permite ao leitor uma autêntica imersão no velho oeste – nem lembramos que isto tudo é um Domínio do Mundo de Batalha. O roteiro é ágil, sem pontas soltas, e os diálogos, afiados e instigantes. Como nas melhores histórias desse gênero, há reviravoltas e duelos, bem construídos, sem exageros, mesmo para os padrões Marvel.

Parece acertada também a opção de Guggan ao escolher Ben Urich como o narrador deste sanguinolento conto. Como esse personagem “sem poderes” é um repórter, surge uma camada adicional na leitura: pequenos lembretes de que naquele período da história (real) americana a democracia ainda era um processo em construção, que a imprensa era refém dos poderosos, que os índios sofriam um verdadeiro massacre, que as mulheres não tinham direitos, que a Justiça era covarde, que os pequenos comerciantes eram achacados por criminosos e assim por diante. Sim, sutilmente o roteirista consegue levantar todas essas bandeiras dentro do contexto de sua história.

Há muita violência na Timely do Velho Oeste

Mas o autor brilha, especialmente, com o desenvolvimento do Lobo Vermelho. Esse é um personagem que também existe no Universo Marvel regular, mas é de oitavo escalão, daqueles esquecidos pelo editorial. No começo, apesar de ser o catalisador da trama, temos a impressão que será quase um “observador” dos acontecimentos. Mas, a partir de um determinado fato, ele se move para o centro da história. Sem entregar detalhes, fiquei com vontade de ler outras HQs com este personagem no mundo de 1872.

Nik Verella
faz um trabalho excelente em capturar tanto as grandes paisagens do velho oeste, como o clima das pequenas construções de madeira e, claro, a pobreza, as limitações de tecnologia e a violência do período. O desenhista se excede, contudo, nas expressões faciais, essenciais para mostrar os variados aspectos humanos dos personagens de Duggan, especialmente suas falhas e limites. Stark não só tem um apreço pela bebida, ele parece de fato um alcoólatra. Igualmente, o Rogers de Verella parece de fato acreditar na justiça. E seu Ben Urich quer escrever verdades, mas de fato teme pelas consequências.

A composição dos quadros e a postura dos personagens são sempre muito bem resolvidas. É curioso também que o desenhista acrescenta alguns elementos de steampunk – como parece ser inevitável nas atuais produções da cultura pop sobre o período – mas segura no limite do crível. Isto é, fica também parecendo natural.

Steve Rogers e Tony Stark no elegante traço de Nik Virella

As cores de Lee Loughridge captam a areia do deserto espalhadas nas roupas, móveis e na pele de todos, em tons de amarelo e marrom, e são determinantes para a experiência completa deste western revisionista de primeira linha da Marvel. No geral, o trio de artistas entrega um excelente trabalho de ponta a ponta.

Se há algo que impede uma nota mais alta é que, por mais incrível que seja o roteiro, dá para antever algumas situações, inclusive o desfecho, ao menos em suas linhas gerais. É certo que, desde o começo da história, o leitor recebe pistas do que vem pela frente. Entretanto, há boas surpresas no meio do caminho, que fazem de 1872 uma das melhores produções das modernas Guerras Secretas da Marvel.

Nota para 1872: 8,5.

A segunda história deste encadernado traz, na totalidade, Onde Vivem os Monstros, uma minissérie em 5 partes escrita pelo sarcástico – e brilhante – Garth Ennis e desenhada por um de seus colegas de The Boys, Russ Braun.

Capa de Frank Cho com a intrépida Clemmie Franklin-Cox e um batalhão de mulheres guerreiras a la Sheena das Selvas

De todas as revistas interligadas ao megaevento Guerras Secretas, esta certamente figura dentre as mais inusitadas. É preciso lembrar que a Marvel, na ocasião da divulgação da saga, tinha dito que aproveitaria para revisitar seu vasto catálogo e, na companhia dos artistas parceiros, iria lançar alguns títulos pouco convencionais mas, mesmo assim, temos algo especial aqui.

Claro, tivemos novas versões, ou continuações, de outros eventos famosos, sagas maiores e menores; surgiram até mesmo títulos inéditos; e em algumas ocasiões, a Marvel resgatou personagens ultra obscuros e os reapresentou em novas roupagens. Foi assim, por exemplo, com Arkon, um vilão dos anos 1970, inserido durante as Guerras Secretas no título WeirdWorld, escrito por Jason Aaron com uma arte belíssima de Michael Del Mundo e que, inexplicavelmente, não foi publicado no Brasil.

E é assim também com o Águia Fantasma (Phantom Eagle), um personagem de gênero Guerra do qual ninguém se lembra da Era de Prata, encaixado aqui como protagonista de uma minissérie com o título Where Monsters Dwell.

Vale uma explicação adicional: Where Monster Dwell era o nome de um título regular da fase em que a Editora Timely tinha virado a Atlas, e teve uma longa duração nos anos 1950. Provavelmente desconhecida pela quase totalidade dos brasileiros, curiosamente naquela época essa revista apresentava “histórias de Monstros e de Terror”, e não de Guerra. Apesar de bizarro, o mash up funciona!

O Águia Fantasma em uma de suas raras aparições na Era de Prata

Uma das edições da versão original do título “vintage”, com uma formiga gigan… ou melhor, Grottu!

Garth Ennis, notório apreciador de armas e guerras, já tinha trabalhado com o Águia Fantasma em uma ótima minissérie desenhada por Howard Chaykin chamada War is Hell – The First Flight of the Phantom Eagle, e que no Brasil saiu na saudosa Marvel Max da Panini, em meados dos anos 2.000 (edições 66 a 70, conforme o Guia dos Quadrinhos).

Nesta nova empreitada com o personagem, o escritor traz
Karl Kauffman, um exímio piloto americano, filho de pais alemães, que lutou e fez fama na I Guerra Mundial, em algum momento dos anos 1920, em um local não muito preciso próximo a Cingapura.

Nosso herói está prestes a abandonar uma jovem e sonhadora namorada nativa (?) que, por sinal, está grávida, à sua própria sorte e à ira do pai, quando tudo começa a dar errado. Uma das grandes novidades trazidas por Ennis é que seu Kauffman não apenas é um oportunista e mentiroso mas, como veremos ao longo deste conto criativo e violento, é também cruel, egoísta, covarde e extremamente machista.

O Águia Fantasma entrando no Mundo dos Monstros em arte de Russ Braun

Mas, voltando ao argumento, é no momento em que o Águia se prepara para fugir das responsabilidades de criar uma criança que autor introduz, de forma contundente, uma excelente personagem, a jovem aristocrata, inteligente e segura, Clemmie Frankie-Cox. Ela embarca no pequeno avião monomotor de Kauffman com o intuito de pegar uma carona até Cingapura. Logo o leitor perceberá, porém, que ela não é a típica “Dama em Perigo”. De fato, Ennis a coloca para criar embate de ideias e mesmo de postura, coragem e outros contrapontos com o veterano herói de guerra.

Todavia, como é típico nos quadrinhos do autor, não há heróis e vilões claramente definidos, portanto pode-se esperar de Clemmie muitas e surpreendentes revelações, e uma crueldade talvez não tão distante da do próprio Águia Fantasma. Em suma, a dupla de protagonistas/antagonistas rende grandes momentos na história.

A dupla de protagonistas – e antagonistas – rende grandes momentos na HQ

 

Esta HQ é uma espécie de pulp fiction clássico de aventura e fantasia transformada em narrativa gráfica, com um ritmo verdadeiramente vertiginoso, com aparições estupendas de dinossauros, pigmeus, amazonas e outras criaturas míticas, mas que estão sempre à serviço da história principal.

Tudo pode acontecer nesta bizarra e às vezes desesperadora história em quadrinhos retrô, e Russ Braun capricha em todas as frentes. O desenhista traz um ritmo vigoroso e seu estilo é muito apropriado para a proposta, adicionando ação, desespero e ritmo com grande intensidade. Seus monstros, como o título promete, são mesmo um show à parte, mas a caracterização de Kauffman e Clemmie, com suas expressões de pavor, espanto, ironia e ódio são verdadeiramente inesquecíveis.

Tudo pode acontecer neste conto de aventura, ficção e guerra de Garth Ennis

 

Mais uma vez, Garth Ennis entrega uma ótima história, justamente de um personagem que ninguém – nem mesmo a Marvel – parece se importar, e Guerras Secretas ganha um de seus melhores tie-ins. Por isso mesmo que Zonas de Guerra da Panini se torna uma edição altamente recomendada.

Nota para Onde Vivem os Monstros: 9,0.

Mulher-Maravilha #3 – Panini Comics

Capa Variante com Gal Gadot

Resenha da terceira edição da mensal Mulher-Maravilha do Renascimento DC – sim, eu estou atrasado!

. Volume de spoilers: como de praxe, nunca comento pontos cruciais, só procuro contextualizar a história, citando alguns aspectos.

Com data de Junho/2017, novamente temos duas edições de Wonder Woman nesta revista da Panini, a #4 e a #5, ambas escritas pelo premiado Greg Rucka, sendo que a primeira, ambientada no passado, reconta a origem da Mulher-Maravilha e o seu primeiro encontro com Steve Trevor e o Mundo do Patriarcado, e a segunda, situada no presente, relata mais um capítulo da aventura na selva africana na companhia da Mulher-Leopardo.

Realmente, é notável o cuidado com o desenvolvimento dos detalhes que Rucka traz em todo este arco da origem da Mulher-Maravilha. Da construção da sociedade das amazonas aos seus hábitos, do modo com que encaram a ameaça trazida pela chegada de Trevor e seu avião à reverência aos Deuses… mas, sobretudo, é tocante ver o amor entre Diana e sua mãe, Hyppolita. Há dor genuína no coração da rainha quando o dever as separa. Sobre o roteiro, que flui naturalmente, acompanhamos a difícil decisão das guerreiras sobre o destino do soldado americano sobrevivente, que envolverá a escolha de uma campeã. Ah, e Rucka ainda explica, sutilmente, de onde veio a clássica ideia do “avião invisível” eternamente associado à personagem.

Claro, tudo isso não teria o mesmo impacto sem a arte delicada e que respeita enormemente as personagens de Nicola Scott. Além da beleza clássica que impõe nos corpos e rostos das guerreiras amazonas, destaca-se o esmero com a arquitetura, a decoração, as expressões faciais, bem como com a própria narrativa e a quadrinização. Sem dúvida, é um trabalho impressionante, belo e superior. Romulo Fajardo Jr. novamente entrega cores perfeitas para esta edição impecável.

Splash Page Dupla de Nicola Scott com as amazonas em ação

Contudo, não estou gostando da segunda história, dividida em três frentes narrativas: a primeira mostra Trevor prisioneiro tendo uma conversa recheada de frases de efeito com um warlord pretensamente poderoso, Cadulo; na segunda Diana e a Mulher-Leopardo continuam discutindo a relação enquanto procuram pelo mesmo vilão; finalmente, na terceira narrativa, Etta Candy e Sasha tem um encontro noturno para discutir a perda de contato com o esquadrão de Trevor nas florestas de Bwanda. Essa situação (porque não se falaram por telefone?) parece apenas uma desculpa preguiçosa para o roteirista apresentar uma nova situação misteriosa envolvendo uma dessas mulheres.

Os desenhos de Liam Sharp estão bem menos interessantes do que nas edições anteriores. A sequência da conversa cara a cara de Etta e Sasha, especialmente, é enfadonha e expõe a baixa capacidade do desenhista em produzir páginas de talking heads interessantes. No resto da história, como há pouca ação desta vez (situações em que Sharp se destacou nas revistas #1 e #2), restam algumas poses da Mulher-Maravilha e da Mulher-Leopardo na floresta, e excesso de testosterona no embate entre Cadulo e Trevor. Nem a competente Laura Martin nas cores consegue um resultado agradável, pois há excesso de brilhos e efeitos.

Página interna com a arte de Liam Sharp

Em suma, a edição da Panini faz o correto em publicar as histórias na sequência. Como a publicação original americana é quinzenal, as duas tramas saem intercaladas mesmo. Contudo, a diferença de escopo e qualidade é tão grande que incomoda. Não há previsão de alteração no esquema. Imagino no futuro ler em encadernados a história desenhada por Nicola Scott e agradecer pela experiência. Deste jeito, não fica tão legal. Mas vamos continuar resenhando este título da DC.

Finalmente, destaco mais uma arte do Frank Cho retratando a poderosa Princesa Diana.

A arte de Frank Cho para uma capa variante está no interior desta revista

Nota: 7,5.

Resenha de Avante Vingadores #2 – Panini Comics

A cabeça de Namor nos braços de Hypérion na interpretação de Alex Ross

Nova resenha desta mensal do tipo mix da Panini com a divisiva Fase Totalmente Diferente Nova Marvel. Embora a revista já tenha completado um ano, decidi resenhá-la desde o começo não só pelo “registro histórico” mas porque acho interessante analisar títulos diversificados e com personagens menos populares do Universo Marvel.

. Nível de spoilers: leves.

Esquadrão Supremo #2
Após a inesquecível estréia na edição anterior, James Robinson mostra um pouco da reação da mídia e da população frente ao novo supergrupo e suas atitudes radicais, mas traz, principalmente, momentos solo para cada membro do Esquadrão. Curiosamente, a primeira personagem a aparecer é Tundra, que não pertence à equipe, mas está à sua procura. Em seguida, um ótimo momento de ação com o Falcão Noturno que, ao investigar uma pista deixada pelos Skrulls, enfrenta um alienígena de uma espécie associada ao saudoso Quarteto Futuro (Power Pack). Hypérion tem uma conversa em um restaurante de estrada que lhe vai dar uma nova motivação em sua jornada por esta Terra. Vale chamar a atenção que esse ponto da história gerou uma minissérie solo do personagem que não foi publicada no Brasil. A Princesa do Poder – versão Marvel da Mulher-Maravilha – tem uma cena curta e reveladora de sua verdadeira natureza que certamente terá outros desdobramentos, enquanto que na Base Submarina do Esquadrão descobrimos que a Doutora Espectro, apesar da vingança já obtida na edição anterior, tem outras inquietações. Seu colega Vulto, ao contrário, parece estar curtindo sua estadia nesta Terra. Novamente, temos uma HQ com ritmo ágil, mas desta vez com foco no desenvolvimento dos personagens, e não em batalhas que, a julgar pelo cliffhanger, ficam para o próximo capítulo. O desenhista Leonard Kirk, o arte-finalista Paul Neary e o colorista Frank Martin formam um competente trio artístico. Apesar da “pausa” na ação, o arco continua interessante graças ao bom trabalho com estes ainda misteriosos personagens e pela promessa de muitas revelações e mais violência e ação desenfreada. Depois do brutal assassinato do anti-herói Namor na edição #1, certamente Falcão Noturno e sua poderosa equipe esperavam retaliações.
Nota: 7,5.

Capitã Marvel #2 
Segunda parte do arco “A Ascenção da Tropa Alfa”, que apresenta Carol Danvers como comandante de uma estação espacial repleta de colaboradores aliens, cientistas, soldados e, claro, liderando a Tropa Alfa, agora a primeira linha de defesa da Terra. As roteiristas Michele Fazekas e Tara Butters criam diversas situações para apresentar melhor cada personagem, tentando situar os leitores mais jovens, incluindo pequenos mistérios e ameaças, mas nem sempre funciona para os mais velhos. Como grande fã da equipe canadense, devo dizer que, talvez com exceção do Pigmeu, os demais heróis estão com representações distantes de suas personalidades. Há muitas piadinhas e, a julgar pelo elenco de suporte, as autoras aparentemente abraçaram com força a “política de diversidade” desta era da Marvel. O problema, claro, não está na (necessária) representação das minorias, mas sim na falta de situações divertidas, instigantes ou tensas, em diálogos inteligentes, na construção de personagens interessantes… isso tudo, ao menos por enquanto, não aconteceu nesta história que continua morna, apesar da arte agradável de Kris Anka no lápis e de Matthew Wilson nas cores.
Nota: 5,5.

Incrivelmente Sensacional Hulk #2
Eu realmente gosto da arte limpa, cheia de curvas e extremamente dinâmica do Frank Cho, perfeita para este jovem protagonista e seus adversários monstruosos. A dupla de heróis convidados, Mulher-Hulk e Homem-Aranha (Miles Morales), também são muito bem retratados na arte e no roteiro, que apresenta ainda a nova vilã (?) Madame Devassa, a Rainha Monstro do planeta de Seknarf Nove (!) que ganha bastante espaço neste capítulo, expondo inclusive suas motivações. Aliás, outra personagem criada por Greg Pak, que também tem a alcunha Madame, a Curie Cho, ganha bons momentos ao tentar “por na linha” seu impetuoso irmão Amadeus, nada mais nada menos do que o Incrivelmente Sensacional Hulk do título. Novamente, o roteiro entrecorta a história principal com momentos do passado recente pós Guerras Secretas, onde Pak está expondo, aos poucos, como Amadeus conseguiu seus poderes e o que aconteceu, afinal, com Bruce Banner. Como já havia comentado na resenha da edição #1, esta série leve e bem-humorada é o oposto da maior parte das fases do Hulk clássico, que estava sempre sofrendo e procurando deixar seu alter ego sob controle ou até mesmo extingui-lo. Uma observação lateral: esta HQ traz, assim como na da Capitã Marvel, um elenco extremamente diversificado mas, a seu favor, a história flui naturalmente e os personagens estão tão bem caracterizados que o “fator diversidade” não se torna “o ponto” da revista. O resultado é uma diversão descompromissada.
Nota: 7,5.

Os Supremos #2
Uau! Esta segunda parte fecha um pequeno e, diria ainda, inesquecível arco desta nova e verdadeiramente poderosa equipe. Decididos a “resolver problemas”, Pantera Negra, Capitã Marvel, Espectro, Marvel Azul e Miss América começam, parafraseando a própria HQ, “com o impossível”: Galactus e sua fome inextinguível. Al Ewing mira alto e chacoalha a tradição, criando um capítulo completamente diferente para o Devorador de Mundos da forma mais coerente possível: a partir do trabalho dos pais fundadores, Stan Lee e Jack Kirby, preenchendo inteligentemente as lacunas da cronologia e utilizando seu elenco de heróis em todo seu potencial. T’challa é, de certa forma, o destaque para a narrativa, quem tem o “plano” que, conforme o executa, faz com quem o leitor acompanhe seu desenrolar de forma linear (algo raro nos comics hoje em dia. O resultado é chocante, realizado com velocidade e ao mesmo tempo com elegância.

Galactus tem uma conversa com T’challa

Kenneth Rocafort e Dan Brown também apresentam um trabalho impecável, com uma quadrinização arrojada, “cósmica” e vibrante. Ewing e equipe demonstram um profundo respeito com a mitologia Marvel mas não se intimidam em acrescentar inovações radicais e também camadas sutis. Por exemplo: Galactus e o Quarteto Fantástico compartilham agora um detalhe fundamental em suas origens, relativo a um dos grandes mistérios do Universo Marvel: o Poder Cósmico. Impressionante! Ah, e adorei a homenagem ao incrível Giorgio Moroder.
Nota: 10.

Força-V #2 
Após a reintrodução da curiosa e “fofinha” Singularidade, personagem criada nas últimas Guerras Secretas e usada aqui como catalisadora da união das heroínas Mulher-Hulk, Medusa, Capitã Marvel, Cristal e Nico (dos Fugitivos), a roteirista e criadora do conceito Força-V, G. Willow Wilson, agora em parceria com Kelly Thompson, faz um trabalho simplório, diria até preguiçoso, ao trazer com a nova personagem uma espécie de “versão maligna interdimensional” que, lógico, vai ameaçar a Terra. Ninguém parece querer justificar porquê tal ameaça não deveria ser rechaçada por uma das equipes dos Vingadores, ou pelo Esquadrão Supremo, ou Inumanos, ou pelos Supremos (já que Carol Danvers também está por lá…). A minissérie no Mundo Bélico teve uma ótima repercussão entre os leitores, que justificava a decisão da Marvel em lançar sua sequência, mas ao menos este primeiro arco não empolga. Jorge Molina tem um bom traço mas aqui o destaque na arte fica por conta das cores da sempre competente Laura Martin.  As caracterizações das personagens causam alguma estranheza, desde as faíscas forçadas entre a Mulher-Hulk e Medusa, passando pela Cristal quase histérica. Mas são pequenos detalhes que mais me incomodaram, como quando um soldado Inumano é literalmente fritado pelo inimigo e nenhuma das super heroínas parece se importar dois quadrinhos depois… pior, na página seguinte já estão fazendo gracinhas novamente. Assim não, né?
Nota: 4,5.

Homem-Formiga #1 e #2
Estreia do segundo volume da mensal do Scott Lang em suas aventuras em Miami, agora 8 meses depois da cataclísmica Guerras Secretas. Nick Spencer continua nos roteiros, o que é ótimo, porque o autor acertou perfeitamente o tom das histórias deste Homem-Formiga que, apesar de não ter sido o primeiro, certamente é o que está há mais tempo no “cargo” e pode até ser considerado, a esta altura, “o Homem-Formiga que vale”. Temos vários retornos: Urso e a I.A. Mecanus, dois ex-vilões reformados (será?) que agora são funcionários da empresa de segurança de Lang, Darren Cross, preocupado com seu tom de pele, Cassie Lang, claro, e há também algumas introduções, com destaque para o Corretor de Poder, que parece uma boa aquisição vilanesca para a série, no mais novamente repleta de humor, reviravoltas, non-sense e ótimos diálogos e caracterizações. Mas, é o retorno da ex-namorada de Scott, a sub-celebridade Darla Deering, com direito a seu anel de transformação em “Mulher-Coisa” e tudo, que me trouxe um sorriso no rosto. Criada por Matt Fraction na sua fase com a Fundação Futuro, estava sumida há alguns anos, e confesso que a achava perfeita para nosso herói. Ramon Rosanas volta também nos desenhos, de quem sou fã de seu estilo clean e moderno, com traços cuidadosos no delineamento dos personagens, trazendo expressões faciais muito sutis, que traduzem bem os sentimentos. Cores pastéis de Jordan Boyd completam uma das melhores séries contínuas desta fase da editora.
Nota: 8,0.

Capa de Mark Brooks para o novo volume do Homem-Formiga

Nota Final para esta Edição: 7,2.