Os Vingadores #1 – Panini Comics (2019)

A nova revista dos Vingadores já está nas bancas. Cercada por expectativas de um lado e polêmicas de outro, será que vale a pena? Resenha sem spoilers e com nossa opinião sincera sobre o novo formato das mensais Marvel/Panini.

Arte de Ed McGuinness apresentando a nova e poderosa formação da equipe

Após correr com a fase Marvel Legado, a Panini começou a publicar agora em março/2019 a aguardada era Fresh Start, a primeira capitaneada integralmente pelo novo Editor-Chefe C. B. Cebulski e, por isso mesmo, optou por “zerar” alguns dos títulos mensais e também de encadernados.

Os Vingadores #1 traz material de duas revistas da Marvel Comics: Free Comic Book Day 2018 e Avengers #1 (julho/2018), ambas escritas por Jason Aaron, o celebrado roteirista de Thor, Dr. Estranho e muitos outros títulos dos últimos dez anos da editora.

A primeira história, “Criados Há 1 Milhão de Anos”, tem apenas 10 páginas e é lindamente desenhada pela italiana Sara Pichelli que tem, entre seus créditos, uma ótima passagem pelo novo Homem-Aranha (Miles Morales), ao lado de Brian Bendis.

A dupla nos apresenta um breve encontro entre o pai supremo, Odin, e o Pantera Negra. É algo surpreendente, porque trata-se de uma interação totalmente incomum nos quadrinhos. Há outros personagens, inclusive um saído diretamente da edição especial Marvel Legado, publicada no ano passado, mas o destaque fica por conta dos diálogos afiados e, certamente, da arte de Pichelli e das cores de Justin Ponsor.

Sara Pichelli e sua elegante arte digital

Esse conto serve como uma ótima introdução para a segunda história, essa sim, a verdadeira número 1 da Fase Aaron, desenhada pelo popular Ed McGuinness e chamada “A Expedição Final”.

Há muitos momentos interessantes nestas 32 páginas repletas de splash pages duplas e fatos decididamente inéditos na ampla mitologia Marvel.

Aaron revela o que aconteceu com o poderoso time de salvadores do planeta – apelidados de “Vingadores de 1 milhão de anos atrás” – imediatamente após terem derrubado um Celestial em Marvel Legado (ou seja, essa é uma leitura quase imprescindível para acompanhar esta nova equipe).

A Panini relançou Marvel Legado nas bancas porque de fato é um prelúdio para Vingadores #1

No presente, acompanhamos o reencontro de Thor, Homem de Ferro e Capitão América, o trio central dos Vingadores clássicos e que passaram por momentos conturbados nos últimos anos. Aaron trata de um jeito leve e irônico essas fases polêmicas – principalmente entre fãs mais antigos da Casa das Ideias -, em que os 3 foram substituídos por outros personagens quase que ao mesmo tempo, sendo uma mulher no lugar de Thor, um negro Capitão América e uma jovem negra (e inédita) no lugar do Homem de Ferro.

A Trindade clássica dos Vingadores se reencontra em um bar

Como de praxe em uma nova formação de equipe, os autores mostram uma grande ameaça que exige a união de vários heróis. É gostoso acompanhar a narração desses fatos e, novamente, é algo totalmente amarrado com os atos dos Vingadores da Idade da Pedra, formados por Odin, Agammotto, Fênix e antepassados do Punho de Ferro, do Pantera Negra, do Estigma e do Motoqueiro Fantasma.

McGuinness não entrega uma arte tradicional – é cartunesca mas muito poderosa, que evoca Kirby em diversos momentos. Mark Morales na arte-final e David Curiel nas cores completam o time artístico de primeira linha.

Arte de McGuinness e Morales retratando os Vingadores da Idade da Pedra ou de 1 milhão de anos atrás

Enquanto Doutor Estranho e Pantera Negra avançam em direção ao centro da Terra, na atmosfera a Capitã Marvel investiga fissuras bizarras e com energias fora da escala. É uma número #1 emocionante e com um cliffhanger quase impossível de ignorar.

Quanto à edição, a Panini caprichou em um miolo com papel couchê – ao invés do LWC da fase Totalmente Diferente Nova Marvel – que sem dúvida é de qualidade superior e permite que as cores e definições dos traços ganhem mais beleza.

E as capas cartonadas? Youtubers em geral criticaram, por acreditarem que encarece muito, a ponto de inviabilizar o acesso de uma revista mensal para muita gente. No Instagram, há fãs que também acharam desnecessário, mas até compraram, e há outros que, como eu, elogiaram.

O valor de R$ 9,90 para o material em si parece adequado, sem exagero, com cerca de 60 páginas no formato americano e colorido, papel de alta qualidade e capas encorpadas. Em comparação com outros materiais nas bancas – incluindo os mangás, Turma da Mônica Jovem, Tex e demais edições menores em preto e branco – são, sim, relativamente bem acessíveis.

Claro que não é para todo mundo mas, sendo franco, nunca foi nem nunca será. “Material de entrada”, em geral, são os formatinhos do Mauricio de Souza e da Disney, esses sim na faixa de R$ 5,00 a R$ 6,00. Quadrinhos de heróis são bem mais segmentados e complexos, mas podem ser degustados de outras formas, inclusive digitalmente, em sebos, emprestados, em promoções de encadernados, em bibliotecas, etc.

Há muitos e muitos anos que as mensais Marvel e DC não vendem milhares de edições como na década de 80. O mercado brasileiro é pequeno e, com a avalanche de encadernados de materiais novos e clássicos dividindo o orçamento dos colecionadores, e dezenas de outras ofertas de quadrinhos europeus, nacionais e alternativos – quase tudo, senão tudo, mais caro – acredito que sim, Vingadores #1 é uma opção “de entrada” para uma HQ de super-heróis. Fica difícil comprar muita coisa, é verdade, mas pelo menos os leitores tem opções de acesso e também mais quadrinhos diversificados, muito distante do cenário dos anos 80 ou 90.

Acompanho o trabalho da Panini desde 2001 e, é justo dizer, ela já testou diversos formatos e preços, inclusive um bem parecido com este na sua estreia. Acertando ou errando, vai continuar tentando o que for possível para que ela, em última instância, atinja o maior número possível de consumidores com as melhores margens.

Ressalto isso porque este novo formato parece permitir que ela comercialize as mensais também em outros canais, além das Bancas de Jornal. Há muita estridência na web brasileira, a ponto de xingarem o “departamento comercial incompetente” da editora, mas quem sabe os números concretos, mesmo, é a própria não é?

Belíssima capa variante de Avengers #1 de Esad Ribic

Há ainda um movimento interessante em curso que prega o consumo de material importado ao invés do da Panini como melhor custo x benefício.

Concordo em termos – sou grande fã dos quadrinhos originais e tenho milhares de edições by Marvel Comics – porque há vantagens incomparáveis em alguns quesitos (assunto para outro tópico) mas esse sim é um material muito mais restritivo para o consumidor típico.

Vejamos: será que R$ 9,90 está mesmo caro? É um quadrinho gourmet desnecessário e inacessível?

Façamos as contas: nos EUA há muito tempo cada edição mensal custa US$ 4,00, ou seja, cerca de R$ 14,00 em conversão simples. Nestas novas mensais nacionais, há o equivalente a duas das americanas e, portanto, custaria algo como R$ 28,00 (sem capa cartão nem papel couchê).

Tirando os seus (graves) problemas de comunicação, é compreensível que a Panini tente mirar nos leitores hardcore ao mesmo tempo que diversifique sua distribuição. A opção parece ser simplesmente o cancelamento.

Enfim, quem tem condições financeiras e gosta dos personagens, do Universo Marvel ou de uma boa HQ de super-heróis pode arriscar que a chance de gostar é muito alta.

Nota: 8,0.

Rápida Resenha de X-Men #11 – Panini Comics

Última edição das Guerras Apocalípticas. Uma saga que achei bem mediana. Resenha com alguns spoilers, mas é uma revista de novembro de 2017

Arcanjo liderando um enxame de clones na capa de Greg Land

Novíssimos X-Men 11: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

No Egito Antigo, a versão adolescente do Apocalipse e seu clone, Evan, voltam ao acampamento dos Cavaleiros da Areia para resgatar o Fera. Este pretende recuperar o Olho de Hórus – um artefato místico obtido com o Doutor Estranho algumas edições atrás – e com ela retornar ao presente. Porém Evan acha que é seu dever “salvar” En Sabah Nur enquanto é bom e heroico antes que se corrompa. O pai adotivo de Nur, Baal e o místico do bando (cujo nome não é citado), porém, tem planos diferentes e começam a “endurecer” o temperamento do jovem mutante. Enfim, não há novidades neste capítulo final. O arco termina com a amizade entre Fera e Evan bastante abalada, mas o desfecho era o mais esperado.O trio de artistas – Bagley no lápis, Andrew Hennessy na arte-final e Nolan Woodard nas cores – entregam um bom feijão com arroz, embora ainda ache tudo muito “limpo e vibrante” para o local e a ambientação. Não é uma HQ ruim, os envolvidos são todos profissionais, mas o saldo é um arco morno, aquém dos anteriores. Nota 5,5.

Extraordinários X-Men 12: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Lemire e Ramos entregam outro número repleto de ação, com a batalha final entre os Cavaleiros do Apocalipse deste futurista Mundo Ômega (o ano é 3.167 DC) contra os X-Men da Tempestade reforçados pelos adolescentes – agora um pouco mais maduros e definitivamente mais poderosos – Glob, Ernst, Anole e Não-Garota (a antiga “Turma Especial” da fase Morrison ficou 1 ano perdida neste planeta). Um fato curioso é que, entre os 4 Cavaleiros desta realidade, apenas um é mutante: Colossus, Deadpool, Cavaleiro da Lua e Venon.

Apocalipse e seus 4 Cavaleiros quase sem mutantes

Noturno tem uma participação marcante em todo o arco, mas de fato todos tem seus bons momentos. Lemire ainda coloca uma dúvida cruel na Magia em relação à sua protegida Sapna. Esses momentos com linhas narrativas diferentes são sempre bem dosados e surgem com naturalidade. O final traz ao menos um fato realmente inesperado que vai trazer consequências futuras imprevisíveis. Só vai levar uma nota um pouco menor porque não tivemos tantos diálogos inspirados como nas anteriores. Nota 7,0.

Fabulosos X-Men 10: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Fechando a edição, outra conclusão de arco. Esta equipe estava envolvida com a situação do presente das Guerras Apocalípticas e, infelizmente, é a mais pretensiosa e a menos interessante. Pelo menos, trouxe vários desfechos. O primeiro é com relação a Monet e seu irmão, o vilão Sangria, nos túneis dos Morlocks. É algo até esperado, embora pessoalmente não tenha gostado. O que é estranho, mesmo, é o argumentista ter simplesmente se esquecido de mencionar o paradeiro da Callisto após ela ganhar tanta exposição nos capítulos anteriores. O segundo desfecho envolve a confusa situação daquele Arcanjo “sem mente”, que estava com a equipe desde o começo, servindo cegamente a Magneto, e o Anjo “sem asas” que foi apresentado no começo deste arco. Pobre Anjo/Arcanjo… sua personalidade nunca mais teve sossego desde que virou um Cavaleiro do Apocalipse pela primeira vez. A conferir o que será dele. O terceiro desfecho é da Psylocke com relação ao próprio Magneto e seus segredos e manipulações. Acho que demorou um pouquinho para tomar essa atitude, mas está valendo. Uma interrogação: o poderoso Holocausto surgiu radiante no capítulo anterior mas (aí vai um spoiler) foi rapidamente derrotado pelo Magneto. Acreditava que o mestre do magnetismo estava bastante enfraquecido no começo desta série, pelo menos é o que foi dito lá na edição #1 (por conta da saga Vingadores Vs. X-Men). Será que perdi alguma explicação? Embora de fato essa limitação vinha sendo convenientemente esquecida, foi uma surpresa vê-lo derrotando tão facilmente o filho do Apocalipse. Finalmente, Bunn não esqueceu de Fantomex e Mística. Ufa! Muitos personagens, situações com dramas complexos mas trabalhados superficialmente e sem explicações convincentes, tudo em uma arte dura e às vezes bem confusa. Nota 4,5.

Nota Final desta Revista: 5,6.

Rápida Resenha de X-Men #10 – Panini Comics

As Guerras Apocalípticas são o foco desta revista, onde as 3 equipes mutantes enfrentam ameaças relacionadas ao supervilão Apocalipse em diferentes linhas temporais. Resenha praticamente livre de spoilers.

As Guerras Apocalípticas continuam

Novíssimos X-Men 10: de Dennis Hopeless e Mark Bagley

No Egito antigo, enquanto um ferido Fera é capturado pelo bando de saqueadores chamados Cavaleiros da Areia, Evan começa a desenvolver uma improvável amizade com En Sabah Nur – o futuro Apocalipse – que é ainda um adolescente, como ele mesmo. Bom, para os que não sabiam, Evan é um clone do próprio Apocalipse (as revistas dos X-Men são conhecidas por terem um universo definitivamente complexo!). Uma outra curiosidade é que os autores trazem Baal, o pai de En Sabah Nur e comandante dos tais Cavaleiros da Areia e introduzem um outro personagem, um místico que diz ter servido ao Faraó Rama-Tut. Os aficionados da Marvel das antigas imediatamente vão saber que o estranho místico está se referindo a uma versão do vilão Kang que governou o Egito e enfrentou o Quarteto Fantástico em uma história dos anos 60, por Stan Lee e Jack Kirby. Pois é… talvez hoje em dia isso possa ser considerado um easter egg bem encaixado pelo Hopeless, ou talvez seja apenas um daqueles momentos bacanas que só um imenso universo compartilhado como o da Marvel permite trazer.

Na capa da edição americana, Bagley retrata o encontro dos 2 jovens Apocalipses

Os desenhos de Bagley continuam vibrantes e perfeitos como sempre, bem como as cores de Nolan Woodard. Na verdade, talvez neste caso o traço limpo de Bagley seja um problema, afinal seu Egito antigo parece cenário de uma sitcom adolescente, onde todos são saudáveis e bem vestidos, perambulando em cenários bonitos e agradáveis. Vale registrar que a história também apresenta Erika, uma jovem aventureira e rica, aparentemente muito amiga de En Sabah Nur, que pode ter tido uma forte influência sobre ele. Fiquei intrigado como ela e muitos outros que o encontram parecem não se importar com sua aparência, afinal era um jovem mutante azul. História bem simples, com bons desenvolvimentos dos personagens mas sem nenhum grande momento. Nota 6,5.

Extraordinários X-Men 11: de Jeff Lemire e Humberto Ramos

Em um futuro literalmente “apocalíptico”, o Velho Logan é possuído pelo simbionte Venon e encara Jean Grey, enquanto os outros 3 Cavaleiros do Apocalipse enfrentam os demais X-Men. Ao mesmo tempo que precisam conter um bombado Colossus, a equipe claro quer salvá-lo, o que gera ainda mais tensão. Boas sequências de batalhas, com Humberto Ramos entregando uma arte vibrante.

Grey Vs Logan (+ Venon) by Humberto Ramos

Lemire continua bem, acrescentando pequenos detalhes, diálogos, situações que prendem a atenção e às vezes até surpreendem um leitor veterano como este aqui. Há, por exemplo, um momento inusitado e muito bacana com a Ernst – personagem que os escritores adoram incluir em suas equipes-X mas que em geral é esquecida durante as histórias. Ela e os demais membros da “Turma Especial” (lá da fase do Grant Morrison) são muito bem aproveitados neste arco. Tempestade e Noturno ainda abordam Apocalipse cara a cara. Ação desenfreada muito bem feita. Vale a leitura. Nota 7,5.

Fabulosos X-Men 9: de Cullen Bunn e Ken Lashley

Para mim, sem dúvida esta é a mais fraca das histórias desta saga, tanto no roteiro quanto na arte. Há 3 linhas narrativas. A primeira é da Monet contra seu irmão, Sangria, nos túneis dos Morlocks, com a participação do Dentes de Sabre e da Callisto. Não vejo ligação destes fatos com o Apocalipse, a não ser que parte da equipe não está disponível para ajudar… Magneto, o foco da segunda linha narrativa, que é salvo pela Mística mas logo se deparam com Holocausto (o vilão que está na capa da revista) e seu clã de adoradores Akkaba. A terceira linha apresenta Psylocke e Fantomex lidando diretamente com o Arcanjo. Enfim, é uma grande confusão. O fato de termos vários vilões saídos dos anos 90, com uma arte também nesse estilo do Lashley, parece ter “inspirado” o roteirista Bunn em diálogos cheios de “atitude” e ameaças vazias. A opção em fracionar a história – a cada 3 páginas temos uma mudança de linha narrativa – em uma série de situações que não empolgam e um grupo de personagens que não confiam uns nos outros, ora brigam entre si, ora decidem salvar fulano mas criticar beltrano, traições e alianças que surgem e somem sem a menor pausa para desenvolver suas motivações irritam. Talvez a necessidade de incluir os Fabulosos nas Guerras Apocalípticas tenha atrapalhado o autor, mas não adianta culpar o editor ou “a Marvel”. Nota 4,0.

Nota Final desta Revista: 6,0.

Superman 80 Anos: Action Comics Especial

Arte de Jim Lee para a capa de Action Comics 1000

As comemorações dos 80 anos da criação do Superman continuam, pelo menos no Brasil. Na verdade, a Panini decidiu lançar uma versão de Action Comics #1000, que saiu nos EUA em junho/2018, com uma diferença significativa, que realmente valoriza a edição brasileira: a republicação de Action Comics #1(*)! Sim, a primeira história do Superman, aquela de 1938 que deu início à gigantesca onda de super-heróis nos anos seguintes e, após altos e baixos, continua até hoje e com enorme influência sobre a cultura pop de grande parte do mundo.

Além da republicação da estreia do Superman, esta revista traz novas histórias, a maioria bem curtinhas, produzidas pelos artistas mais recentemente associados ao personagem, e por outros do passado que também deixaram sua marca em Action Comics. Há algumas ausências significativas (John Byrne, Roger Stern, Kurt Busiek, Grant Morrison) mas pelo menos temos a primeira HQ escrita pelo Brian Bendis, recém egresso da Marvel para se tornar um artista exclusivo da DC.

(*) De fato, a Panini se baseou na versão Hardcover da edição americana, que continha a história original.

A seguir, a síntese do conteúdo, com um breve comentário sobre cada história. Particularmente, não sou muito fã desse modelo de celebração, mas é algo típico tanto da DC quanto da Marvel. Nos EUA, esta revista foi muito bem avaliada; já aqui, nem tanto.

Action Comics #1 – de Jerome Siegel e Joe Shuster, 13 pgs.
Acho que foi a primeira vez que li esta mais do que fundamental HQ em formato americano. Um clássico em todos os sentidos, gostei da atitude fria e crua do Superman original. Para mim, já valeu a revista.

Da Cidade que tem de tudo, por Dan Jurgens e Norm Rapmund, 15 pgs.
É o dia de celebração do Superman em Metrópolis, e a cidade de mobiliza para homenagear seu grande herói que, por sinal, não se sente à vontade com a data. Jurgens faz seu bom feijão com arroz na arte, mas a história achei bem piegas. Há uma forte presença da Lois Lane e um metatexto bacana – mesmo que óbvio – no final.

Batalha sem Fim, por Peter Tomasi e Patrick Gleason, 15 pgs.
Aqui Super enfrenta Vandal Savage, que o arremete em uma viagem épica pelo tempo. É a forma encontrada por Tomasi para retratar momentos-chave da história da publicação da Action Comics, mas quem brilha mesmo é Gleason, que entrega múltiplas splash pages, que não só simulam essas “fases” marcantes, nos traços de criadores como Miller e Swan, como são autênticos pôsteres.

Um Inimigo Interior, por Marv Wolfman, Curt Swan e Butch Guice, 5 pgs.
Gosto da arte de Guice, mas é uma historieta bem mediana, sobre a confiança do Superman na força da humanidade, que nos mostra que os próprios humanos podem sim “salvar” outros humanos etc. Novamente, há uma pieguice que, embora não chegue a ofender, e até tem a ver com o personagem, não impede uma torcida de nariz.

O Carro, por Geoff Johns e Richard Donner e Olivier Coipel, 5 pgs.
Boa ideia do Johns, ao resgatar um personagem da primeira Action Comics, o motorista do carro que o Super arrebenta na memorável capa. A arte de Coipel combina com o tom do roteiro, curto mas inesquecível. Uma das melhores da edição.

A Quinta Estação, por Scott Snyder e Rafael Albuquerque, 5 pgs.
Outra história curta, porém sem o mesmo impacto da anterior. Traz Super e Luthor conversando, de certa forma demonstra o respeito que cada um tem pelo outro… enfim, nada demais.

Do Amanhã, por Tom King e Clay Mann, 5 pgs.
Situada no futuro, é uma homenagem do Super ao seu passado – o “nosso” presente. Não me pareceu tão interessante, apesar da arte impactante de Mann.

Cinco Minutos, por Louise Simonson e Jerry Ordway, 5 pgs.
Gostei desta divertida historieta com a sempre competente arte do mestre Ordway e é a única que foca no Planeta Diário.

Terra da Ação, por Paul Dini, José Luis García-Lopez e Kevin Nowlan, 5 pgs.
Como não se encantar com a espetacular arte detalhista e dinâmica de García-Lopez? É outra historieta com uma veia cômica, mas parte para o surreal, o absurdo, algo presente na Action nos anos 1950 por exemplo, muito bem contada por Paul Dini. Para mim, uma das mais criativas do conjunto. (Nota: o nome do desenhista está errado na contracapa, como Lópes e não Lopez).

Página com arte de García-Lopez

Mais Rápido do que uma Bala, por Brad Meltzer e John Cassaday, 5 pgs.
Apesar de ser grande fã do Cassaday, sem dúvida não foi um dos seus momentos mais inspirados. Meltzer foca em um momento crucial do salvamento de uma vida, mas nada especial.

A Verdade, por Brian Michael Bendis, Jim Lee e Scott Williams. 12 pgs.
Um perigoso novo inimigo bate muito no Superman e na Supergirl! É um alien que – além de lembrar bastante o Terrax da Marvel (inimigo do Quarteto, ex-arauto de Galactus) – traz (mais) uma potencial revelação “surpreendente” sobre os kryptonianos. Na prática, é a estréia de Bendis com a DC e o personagem, e serve como teaser para sua nova fase. Traz alguns diálogos típicos do autor, por parte de civis no meio da batalha, e até piada sobre o retorno da sunga vermelha. Muita gente reclamou desta história por destoar das demais, mas achei pertinente, porque todas as outras são homenagens, mas é fundamental ter uma nova história do momento presente dentro de uma revista que é, afinal de contas, mensal. Boa arte de Lee.

Página da história de Bendis/Lee

Há 2 pin-ups do personagem, pelos astros Walt Simonson e John Romita Jr. e, por fim, uma Galeria de Capas Variantes, cada uma com um tema específico associado ao Superman, desenhadas por:

Steve Rude (espetacular!)
Michael Cho
Dave Gibbons (ainda mandando bem)
Michael Allred (sou fã)
Jim Steranko (muito legal)
Joshua Middleton
Dan Jurgens e Kevin Nowlan
Lee Bermejo (não sou muito fã de sua arte hiper-realista-dark…)
Neal Adams (por sinal ele também desenhou uma historieta que só saiu na versão Hardcover nos EUA, portanto ficou inédita no Brasil)
Kaare Andrews
Olivier Coipel
Gabrielle Dell’Otto (retratando o ator Cristopher Reeve) 

Dell’ Otto retrata Reeve

Tony Daniel
Dave Dorman
Jason Fabok
Patrick Gleason
Jock
Tyler Kirkham
Stanley Lau
Jim Lee
Doug Mahnke
Felipe Massafera (um brasileiro, para quem não sabia…)
Francesco Mattina
George Perez (infelizmente sem a qualidade notória)
Nicola Scott
Curt Swan
Jorge Jimenez

Bela arte de Jorge Jimenez

 Nota Final para a Edição: 7,5.

Nosso primeiro Evento de Quadrinhos será neste sábado, 24.11, participe!

Olá pessoal tudo bem?

Organizamos uma pequena mas muito honesta Feira de HQs que acontecerá neste sábado 24.11 no Colégio Liceu Pasteur, na Vila Mariana, aqui em São Paulo.

Feira de HQs no Liceu

Quem quiser bater um papo com colecionadores de quadrinhos, editores e outros entusiastas, por favor sejam bem-vindos!

O evento será das 9h às 12h30.
Endereço: Rua Mairinque, 256, Vila Mariana (entrada pelo portão lateral da Rua Diogo de Faria).

Vale a pena ainda aproveitar HQs com grandes descontos das Editoras Mythos e Cia. das Letras (Selo Quadrinhos na Cia) que estarão com estandes.

O quadrinista Felipe Folgosi também marcará presença e comentará com pais, alunos e visitantes sobre o processo de criação e produção de uma HQ nacional na atualidade, além de autografar suas próprias obras.

O roteirista Felipe Folgosi

Este será o primeiro de vários eventos que pretendemos realizar em colégios a partir de 2019. Entrada franca.

Resenha de Guerras Secretas Capitã Marvel #1 – Panini Comics

Capa com a arte sempre chamativa de Mike Deodato

Retomando as resenhas de todas as edições brasileiras das Guerras Secretas!
Confira nossa opinião sobre a revista solo da Carol Danvers, intitulada Capitã Marvel e a Tropa Carol, que publica a minissérie de uma versão da heroína e um grupo de amigas aviadoras no Mundo Bélico.

Spoilers: mínimos.

Kelly Sue DeConnick fez uma certa fama – sobretudo entre as leitoras – em sua passagem pela revista solo da Capitã Marvel, entre os anos 2013-2015. Graças às suas histórias assumidamente feministas, a personagem ganhou uma nova legião de fãs. Por outro lado, essa fase também trouxe críticos que, basicamente, não concordavam com as mudanças no visual da heroína e no tom das HQs. Em termos comerciais, as vendas do título ainda eram problemáticas, como de resto tem sido para a maioria dos títulos mensais para personagens do 2º escalão ou menos.

Nesta, que seria sua última aventura com a personagem – e também com a Marvel Comics, pelo menos até o momento – DeConnick tem a colaboração de outra importante autora de quadrinhos de heróis da atualidade, Kelly Thompson – que de lá para cá fez o caminho inverso da colega e hoje em dia possui uma enorme quantidade de trabalhos em andamento na editora, alguns muito interessantes como a nova série da Gaviã Arqueira (Kate Bishop).

A arte é do competente e talentoso espanhol David Lopez, que fez lápis, arte-final e cores das 3 primeiras partes e das belíssimas capas principais. Mais uma vez, a Panini esqueceu de mencionar um dos desenhistas, no caso a italiana que cuidou da quarta e última parte da minissérie, Laura Braga.

O título cita uma certa Tropa Carol” (no original, Carol Corps), nome de um fã-clube da personagem que surgiu exatamente durante a fase de Kelly Sue. Ruidoso, o grupo era muito ativo nas redes sociais, tinha correspondência direta com a roteirista e editores, e participava de convenções onde, não raro, as fãs surgiam com caprichados cosplayers de Carol Danvers em várias de suas versões.

Esta revista no mostra os momentos derradeiros de uma versão heroica e poderosa da Capitã Marvel e do Esquadrão Banshee, uma força aérea de elite, responsáveis pela defesa do Domínio chamado Setor Hala.

David Lopez é um ótimo artista, capaz de belas montagens, como destas páginas.

Todas no Esquadrão Banshee são novas personagens, mulheres igualmente heroicas, com grande participação na história e, em sua maioria, pilotos de caças supersônicos (mesma profissão original da Carol Danvers) e – acho que esta informação é pouco conhecida no Brasil – foram inspiradas em membros do fã-clube Carol Corps!

Sim, isso mesmo: algumas das mais fiéis leitoras e defensoras da super heroína viraram personagens da Marvel! Sem dúvida, uma ótima iniciativa e criatividade em termos de relacionamento de uma grande editora com sua base de fãs.

Mas, voltando à revista, uma importante diferença desta versão da heroína com a do universo principal é que esta não tem noção exata da origem alienígena de seus poderes, visto que nas Guerras Secretas de Destino só existe o Mundo Bélico e nada além no Universo, muito menos uma civilização interplanetária guerreira e poderosa como a dos Krees.

A história começa de uma forma interessante, com uma boa interação entre as personagens femininas, que realizam treinos com suas aeronaves em conjunto com a heroína voadora, até que uma missão envolvendo um navio traz um mistério que rapidamente trará uma crise no grupo de amigas.

Esta é uma HQ firmemente ambientada no megaevento, com Thors intercedendo no Domínio e uma obediência geral às ordens de Destino, e sinto que isso não fez muito bem ao conjunto da obra, especialmente na “batalha final” e no epílogo, algo desnecessariamente enigmático e até conveniente, evitando um desfecho redondo. É quase o mesmo recurso de Jason Aaron com sua série Thors – quem leu, vai entender a similaridade.

Uma versão de James Rhodes também participa da aventura

Também incomodam os muitos clichês, em especial as caracterizações excessivamente corretas das personagens do Esquadrão Banshee – cada uma bem diferente das outras (diversidade, ok!) mas todas igualmente cheias de “atitude”; tampouco ajuda que a Baronesa Cochran, a Diretora da organização militar e, portanto, chefe da Capitã e demais pilotos, muda radicalmente de ideia sem nenhuma razão aparente no momento mais conveniente; e sobretudo na batalha “quase equilibrada” contra um time de Thors.

É nítido que as autoras não se esforçaram muito em termos criativos, preferindo jogar com o ambiente mais seguro de sua formação – por exemplo, Kelly Sue foi criada em Bases da Força Aérea americana -, nem tentaram ousar na abordagem ou no roteiro. Não há um personagem que se sobressaia, não há um vilão instigante, nem mesmo um desafio à altura… a história simplesmente conta os momentos finais deste Domínio em uma HQ quase preguiçosa, se não fosse pela arte de David Lopez, certamente o destaque da edição.

Lopez chama nossa atenção há tempos, e aqui logo nas primeiras páginas mostra que caprichou em todos os aspectos: layout, narrativa, arte-final e cores, que acabaram favorecendo um de seus pontos fortes, a variedade de expressões faciais. Não chega a ser memorável, até por conta da história tacanha, mas é sem dúvida eficiente e agradável aos olhos. Pena que ele não foi capaz de concluir o trabalho, porque no último capítulo, com Laura Braga no lápis, a arte perde o fôlego.

Capitã Marvel e a Tropa Carol é um tie-in que se mostrou desnecessário, uma aventura trivial, repleta de clichês, sem uma versão radicalmente diferente, com apenas David Lopez trazendo algo de positivo e a novidade, essa sim bem-vinda, de transformar algumas fãs em personagens. Mas elas e a Carol mereciam uma história melhor.

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A revista fecha com uma pequena história de outro personagem. Essa prática da Panini foi comum nesta Saga, e aqui temos um material retirado da revista Secret Wars: Battleworld II, também de 2015, escrita por Ed Brisson – hoje um dos queridinhos da Marvel – e ilustrada por Scott Hepburn com cores de Matt Milla. O protagonista é um Modoc, mas a historieta tenta, tenta, mas não consegue ser engraçada em apresentar uma coletânea de Modocs vilanescos em versões do Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma e Doutor Estranho. Irritante e totalmente descartável.

Nota para Capitã Marvel e a Tropa Carol: 5,0.

A Nova Heavy Metal Brasileira

Sláine é a estrela da capa da nova versão da Heavy Metal BR

A editora Mythos lançou, agora em agosto de 2018, a primeira edição da nova versão brasileira da célebre revista Heavy Metal. Estão programadas outras 4, compondo assim uma “1ª Temporada”. Todas as histórias contidas nesta #1 são da Britânica 2.000 A.D., uma publicação longeva que, desde os anos 1970, apresenta um mix de personagens criados por diversos quadrinistas. O Juiz Dredd, por exemplo, foi primeiramente lançado na 2.000 A.D. Segue nossa resenha para as 4 histórias selecionadas para este lançamento:

Guerreiros ABC: As Guerras Volganas – Parte 1 (28 pgs)

Pat Mills, o criador de Juiz Dredd, é também o responsável pelos robóticos Guerreiros ABC, cuja primeira HQ foi publicada em 1977 (!). Pelo que pesquisei, esta é a primeira aparição desses intrigantes personagens no Brasil, essencialmente um time de robôs guerreiros dotados de uma poderosa IA.

A Mythos optou para a estréia um arco chamado Guerras Volganas, de 2007, ilustrado por Clint Langley, que trabalha essencialmente com arte digital.
Meu primeiro contato com seus trabalhos foram com as impactantes capas da revista dos Guardiões da Galáxia da fase de Dan Abnett e Andy Lanning, também dos anos 2.000 (vale a pena procurar, bela fase!).

A história – situada em um futuro distante – começa com os Guerreiros em Marte, entregando um dos seus membros para uma instituição psiquiátrica (?!), quando passam a divagar sobre seus tempos nas violentas Guerras Volganas, ocorridas séculos antes.

O foco nesta Parte 1 é no relato de Hammerstein, aparentemente o líder do grupo, que foi um Sargento e o modelo-base de outras 50.000 unidades iguais fabricadas para as Guerras.

Mills estabelece que os primeiros robôs soldados foram desenvolvidos pela URSS no final do século XXI (neste mundo a Guerra Fria continuou por várias décadas), para defesa de seu petróleo dos invasores capitalistas norte-americanos. É um conceito interessante e, dada à imensa quantidade de material já criado, parece que a escolha dos editores da Mythos é bem adequada, não só porque a história apresenta uma arte “comercialmente impactante”, mas como também resgata um momento-chave da cronologia dos personagens que explica muito desta distópica realidade.

Arte interna da história, uma das muitas splash pages de Langley

Quanto aos desenhos, confesso que não sou entusiasta da arte digital nos quadrinhos, salvo em capas ou pôsteres. Contudo, aqui combina muito com a ambientação fria, suja, repleta de aço e titânio, forjas e entulho presentes nas páginas dos Guerreiros, além, claro, de uma associação imediata com a própria marca da revista, embora saibamos que Heavy Metal tenha outras conotações também.

Langley cria várias splash pages, inclusive de páginas duplas, que trazem um forte impacto visual, mas a narrativa em si tem alguns problemas.

Os diversos membros dos Guerreiros possuem personalidades e habilidades distintas, mas por enquanto só dá para termos um vislumbre disso.

Diferente, muito original, bem escrito e ilustrado, gostei deste primeiro contato com os Guerreiros ABC, inclusive do vilão, Volkhan, o líder dos Volganos, cuja foice e martelo ameaçadores e um feroz discurso anti-capitalista traz um charme extra à esta HQ, ainda mais lendo nesta era pós-Guerra Fria, onde a Rússia compete com os USA nos grandes mercados globais!
Nota: 8,0.

Sláine: O Batedor do Gongo (32 pgs)

Outra criação do prolífico inglês Pat Mills, Sláine também apareceu pela primeira vez em uma edição da 2.000 AD, em 1983, sendo esta história de estréia na Heavy Metal criada em 2009 e desenhada pelo mesmo Clint Langley de Guerreiros ABC.

Não conheço nada do universo de Sláine, que remete, sem dúvida, às HQs do Conan, mas ambientadas em supostos reinos Celtas mágicos e, claro, muito violentos e repletos de entidades malignas, guerreiros com armaduras encantadas, monstros e anões, povos indefesos e mulheres atraentes.

Neste momento, o poderoso guerreiro encontra-se em luto pela sua esposa e vaga por Albion Leste, onde se depara com uma enorme torre em reformas, antiga morada de certos Cyths Supremos, seres demoníacos celestiais que outrora dominavam aquelas paragens.

A história em si é simples, e gostei menos do que a anterior. Aqui os problemas de narrativa gráfica de Langley aparecem mais acentuados. As batalhas são confusas, tanto pelas escolhas de quadros como pelo excesso de pretos na arte digital suja, carregada, ora cheia de detalhes e ora nada mais do que borrões, sendo especialmente difícil de entender o duelo principal.

Langley carrega nos tons escuros em outra história com muito metal… mas esta é de Fantasia

Além de utilizar os clichês de fantasia, Pat Mills acrescenta personagens humanos bem estereotipados, e a ameaça, quando surge, é neutralizada rapidamente em uma sequência de splash pages visualmente impactantes, mas emocionalmente nulas.

Contudo, imagino que fãs deste tipo de arte vão adorar – que remete a um certo imaginário do Heavy Metal (digo, do estilo musical), de Tatoos, de videogames pretensamente hiper-realistas, e coisas do tipo. Mas, a história em si é bem esquecível.

Aqui no Brasil esse personagem tem raríssimas aparições (a última pela própria Mythos) mas, ao contrário da HQ anterior, não achei O Batedor do Gongo a porta de entrada mais fácil para criar empatia com o guerreiro. Vamos acompanhar para ver se melhora.
Nota: 6,5.

O Mundos dos Labirintos – O Enforcado (25 pgs)

Alan Grant é um escritor escocês que teve uma excelente fase à frente do Batman nos anos 1990. Na Grã Bretanha, contudo, é mais conhecido por ter escrito diversas aventuras de Judge Dredd, entre outros personagens localmente populares.

Grant escreveu o primeiro capítulo de O Mundo dos Labirintos Mazeworld no original – quatro anos antes da efetiva publicação na 2.000 A.D. Magazine.

Na ocasião, apesar da fantástica premissa, ele não sabia como continuar o desenvolvimento da trama – seus editores o ajudaram. É exatamente essa estreia que temos aqui, com a arte detalhista de Arthur Ranson, que retrata o nosso “mundo real” com muita foto-referência, mas quando embarcamos no fabuloso Mazeworld, ele assume um estilo clássico, daqueles de Hal Foster, com um quê de Barry Windsor-Smith, o que por vezes lembra quadros renascentistas, tamanho o nível de detalhe que o artista emprega na construção dos personagens e suas expressões.

Ranson apresenta uma narrativa segura, sem grandes inovações, entrecortada com splash pages em geral de labirintos psicodélicos.

Das 4 histórias selecionadas pela curadoria da Mythos, esta é a que gostei mais. Um condenado à forca é misteriosamente transportado pelo tempo e espaço (ou será que não?) ao tal Mundo dos Labirintos, onde é confundido (ou é verdade?) com O Encapuzado, um mítico herói que libertaria o povo da opressão de uma raça conquistadora.

Sim, é outra temática bizarra, mas condizente com a “marca” Heavy Metal e tem um ótimo desenvolvimento para um capítulo inicial. A propósito, esta é uma vantagem desta série em relação às duas anteriores: aqui é onde realmente esta história começa! No mais, o roteiro é fluido, com diálogos muito bem escritos e personagens intrigantes.

Splash de Página Dupla com uma visão aérea do fantástico Mundo dos Labirintos

O Mundo dos Labirintos é uma HQ que se encerrou há muito tempo: na Inglaterra a dupla de autores desenvolveu 3 arcos, publicados entre 1996 e 1999.

Vamos torcer para que a nova Heavy Metal venda bem para termos acesso a esse conjunto promissor de histórias criativas, instigantes e belissimamente ilustradas.
Nota: 8,5.

Contos de Telguuth – Um Pouco de Conhecimento (8 pgs)

História curta e extremamente impactante, com um desenvolvimento perfeito entre texto e arte, onde acompanhamos o mago Pel Morgath em busca de (mais) poder.

Foram publicadas 25 Contos de Telguuth até a morte de Steve Moore, o criador da série, em 2014. Moore é um venerado escritor inglês, que nos presenteia com uma história de terror com arte a óleo de Greg Staples, com espaço para um plot twist inesquecível. De certa forma, há uma “lição de moral” como nas Fábulas gregas e medievais, mas esta definitivamente não é para menores.

Um autêntico conto de terror no universo de Telguuth

O autor é considerado um dos mentores intelectuais de Alan Moore que, apesar do sobrenome e do país de origem comuns, não têm parentesco algum entre si.

Para esta série não haverá um único desenhista, mas certamente serão todos no mínimo competentes, o que pode propiciar a entrega de um belo conjunto de fábulas de terror.
Nota: 8,5.

Balanço Final:
No geral, a nova Heavy Metal Brasileira começa bem e, apesar do título mais conhecido ter decepcionado, apresenta um conjunto potencialmente interessante para muitas histórias de qualidade, com roteiristas e artistas de grande qualidade.

Nota final da Edição #1: 7,9.